enquanto espero
Todos os dias, ele subia por mim
O que Zurique tem e Hamburgo não, é a vista de montes e montanhas. Agora, neste preciso momento, as nuvens transbordam essas beiras e descem na minha direcção. Mais ao longe, os picos com neve. Sinto-me dentro da forma de bolo.
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24.10.09
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Em dias especialmente cheios de burocracias várias, já começo a sentir que o fim da vida é este infinito procurar de moradas de repartições, de leitura de condições, de assinatura de contratos, o eterno sentir de me estar a casar por, pelo menos, 12 meses. Após tanta assinatura depois da cruzinha, tenho medo que quando entrar na rotina do dia-a-dia, me sinta em falta de uma cara que olho em antecipação do que poderá dali sair, uma megera ou megero, a simpatia, sorrisos falsos ou verdadeiros. Posta, então sem distrações, perante a minha vida em Zurique, tenho medo do que já conheço desta cidade, de a ir detestar como se detesta uma sogra.
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24.10.09
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Etiquetas: Zurique
Os turcos da Suíça são os alemães. Um dia destes hei-de ler mais um daqueles títulos "Há alemães a mais?" e rir-me como a cobra do Pinóquio até ficar sufocada em schadenfreude. Queixam-se uns de que os outros não se sabem comportar, mal-educados, com a mania que o mundo é deles. Queixam-se os outros de serem tratados com rudeza. Li no jornal, que se apanha grátis na estação, que vai começar um novo jornal para os alemães na diáspora (diáspora a uma hora de distância!!!): para os ajudar a integrar!! Eu vou morrer a rir-me neste país.
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15.10.09
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Etiquetas: parecem alemães, Suíça
Acontece que o entendimento geral em Portugal é o de não se poder confiar em José Sócrates e no PS. É um tópico que, por absolutamente evidente e notório, não carece de qualquer desenvolvimento, nem de demonstração e prova.
16 Setembro
O resultado das legislativas não se limita a traduzir a profunda estupidez com que o eleitorado nacional se comportou. Levará o País aceleradamente na pior das sendas.
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14.10.09
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O Roman Polanski foi talhado para a tragédia. Até a tragédia de estar entre dois mundos que teimam em ver o mundo da mesma forma, mas com óculos diferentes. Por ele ser artista supremo, puseram-no noutro nível de julgamento, de um lado como desculpabilizante, do outro como motivo de assédio. Se Roman não fosse Polanski, o caso ter-se-ia resolvido há 32 anos e não tendo sido resolvido teria sido esquecido por agora. Se Roman não fosse Polanski teria sido recambiado sem baixo-assinados e sem ministros. Mas quando se nasce com uma estrela, ela persegue até à morte. Se ele morrer atropelado por uma estrela cadente, não se surpreendam.
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11.10.09
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Há uns tempos, talvez já contados em ano, li que, num promontório qualquer da Suíça, queriam proibir por lei a construção de mesquitas. A razão mais proeminente dada, era o barulho. Depois disso, na India, estive perto de uma mesquita pela altura em que estão a rezar ou a chamar para a reza ou a cantar no duche, e aquilo é mesmo um chinfrim. Na altura pensei, nos neurónios que ainda não tinham migrado para um côncavo escuro do meu corpo, "os suíços é que têm razão". Agora estou na Suíça e é uma chinfrineira de sinos. Têm imensas igrejas, todas com badalos, a badalar a qualquer hora, desde a madrugada à noitada. Disseram-me que um, obviamente hereje, requisitou que só badalassem depois das 9h. Não, responderam, que isto já se fazia assim há centenas de anos.
Como estão a ver, os suíços são muito mauzinhos a inventar desculpas.
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10.10.09
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Etiquetas: desonestidade, Suíça
Meu Deus! Ele vai tornar-se alcoólico!, ouço gemer as duas velhinhas simpáticas que lêem este blogue e prefeririam que eu rezasse a algum santinho até que a irritação passasse e a dor se transformasse em prazer mórbido, como tantas vezes lhes acontece a elas quando tratam do buço. Mas não é em bebedeiras que eu estou a pensar, afinal sempre preciso de trabalhar daqui a pouco.
Parece que a vampira alemã escreve weltliteratur, que é traduzido em miúdos, todas aquelas histórias que emociona pseudo-intelectuais do mundo inteiro. Eu só gosto de cómicorealismo, que é traduzido em miúdos, pegar na vida e transformá-la num riso, se não no bom gosto de um sorriso. De resto, quero que vão todos para o caraças, incluindo o Roman Polanski, que vive numa cadeia perto de mim.
P.S.: Já agora, relativamente ao prémio nobel da paz, congratulo-me que o deêm a um gajo que não fez a guerra antes de tentar a paz. Este pelo menos não fez ainda nada, para lá de ser uma paixonite para adultos. Mas ó pra mim, eu tenho o potencial para ganhar um nóbel. Ó PRA MIM! Eu faço umas merdas na ciência! Alô ALÔ!
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9.10.09
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Etiquetas: nobeis
E perguntam: onde andas. E eu digo: cá estou, Zurique. Há gente a falar português debaixo de cada pedra: brasileiros, portugueses e angolanos já foram detectados pelo radar lusolândia, tantos que me saturam o detector. Por exemplo, no outro dia um grupo de turistas brasileiro em excursão relâmpago (aquelas em que tens 1 hora para ver Zurique, 2h para Munique e 4h para Paris) entupiu uma daquelas ruas estreitíssimas da zona antiga e ali fiquei num engarrafamento pedestre. Por exemplo, no outro dia estive a ouvir a conversa de um mocinho brasileiro a explicar a uma alemã que os portugueses falam muito depressa, mas é a mesma língua e que só gosta de espanhol por causa da música. Gostei tanto dele, que quase fui à mesa dele e me apresentei devagar. Mas talvez percebesse que eu tinha passado a última meia-hora a espiar e coibi-me. Por exemplo, no outro dia três angolanos divertiam-se com piadolas à custa dos locais e eu fiz um esforço desmesurado para perceber-lhes o português. Conclusão: tenho passado os últimos dias a viver a vida de um pide.
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abrunho
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8.10.09
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