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domingo

"The Sanguine Sex"

Jerry Seinfeld used to have a routine about the television commercials for laundry detergents that promise the product will remove bloodstains from clothing. “I think if you’ve got a T-shirt with bloodstains all over it,” Seinfeld would say, “maybe laundry isn’t your biggest problem.” It’s a funny line, and it’s one that only a man could think of, because the real reason blood is such a vexing and eternal laundry problem doesn’t have to do with gunshot wounds or serial shaving mishaps (in the commercials, a witless husband is forever nicking himself shaving, usually wearing his best white shirt, the male equivalent of showering in your bra and panties). Bloodstains occur and recur in households because women spend a lot of their lives bleeding. If a man or a child woke up in a small pool of blood, the alarm would be genuine and well-founded. But if a woman does so, it’s business as usual. The bloodiness of menstrual blood is something that has been steadily de-emphasized in the past century, but blood it surely is. Once I walked into the students’ restroom at an all-girls school late in the afternoon on a warm day, and the smell that assailed me was reminiscent of the smell of Buckley’s, the butcher shop in Dublin where my mother bought Kerry beef running with blood.

The Sanguine Sex: Abortion and the bloodiness of being female, Caitlin Flanagan, The Atlantic Online

quarta-feira

O caminho da vergonha

Andei arredada das notícias da execuçao de Saddam Hussein. Há um cansaço meu, neste caminho longo desde o anúncio da administraçao americana da guerra contra o terrorismo. O descrédito de quem governa os americanos e de uma Europa que pilreia, que chilreia, que anda em pontas. Estes EUA que se tornaram a caricatura do idiota da aldeia a quem deram uma bazuca. Nesta colisao, o que fica é a facilidade com que se convence os cidadaos de Estados de direito, que os princípios base que os definem ou deveriam definir nao interessam nada. A tomada de pessoas e submissao a práticas bárbaras, a tortura, a prisao sem julgamento sao admissiveis, basta que se deslocalize a prática. Os meios nao interessam, os fins é que interessam e esses nao se sabem muito bem, em histórias conspirativas, em histórias da carochinha apaziguadoras de consciencias. Depende da sensibilidade. Em caso de eczema atópico pode-se acreditar na democracia, o maná.

A execuçao do Saddam Hussein é mais um passo no caminho da vergonha. E ainda relativamente ao Saddam Hussein, o seu julgamento já tinha sido um passo, o processo de apelo mais um passo apressado e as suspeitas que ficam mais uns tantos. Os americanos continuam a afundar-se em erros de julgamento, pensando que a morte do ex-ditador iria acalmar o conflito sectário.

Entre tanta morte e miséria, será que alguém vai aprender algo neste caminho de lodo? Ou vai esta civilizaçao ocidental ignorar as nódoas no que é hoje a fantochada dos seus ideais? A execuçao do Saddam Hussein nao prenuncia respostas positivas.

P.S.: temos novo secretário geral das naçoes unidas. Pensei que a quota de idiotas estava preenchida, mas infelizmente há sempre lugarzinho para mais um.

terça-feira

aLembra Portugal

As pessoas acham piada quando digo isto, mas e' verdade. Vinda de Hamburgo para esta terrinha dos EUA, ha' coisas que alembram-me Portugal. Em que?

A extrema dependencia do carro, uma literal extensao das pessoas, nem que se viva a 10 minutos a pe' do trabalho, numa cidade plana e com um sol radioso la' fora. Um desperdicio.

No supermercado, pela variedade estonteante de artigos e a quantidade absurda de sacos de plastico que nos dao no fim, com o pormenor hilariante da recusa de colocar um sabonete no mesmo saco da manteiga, ou o pao com os pensos higienicos. E' a contaminacao funcional!

O "How're you!" sem significado, atirado em corrida ao qual e' suposto re-atirar "Fine" e vem-me a acotovelar-se 'a presenca da consciencia os inumeros "Tudo bem?" que tive de engolir irritada em Portugal. "Bom dia", digam simplesmente "Bom dia".

sexta-feira

10-12 anos

Ontem discutia-se a guerra no Iraque e um tipo disse que os EUA teriam, provavelmente, de ficar mais 10-12 anos. Que no', em que no' esta gente se meteu. E' o que da' nao me pedirem conselho.

Porque e' que o Musharaf foi ao Daily Show?

Por aqui so' se fala do paquistanes. Agora parece que anda 'as cabecadas com o Karzai.

Esteve com o Bush (tambem conhecido por Shrub); provocou convulsao quando afirmou que os EUA tinham ameacado o Paquistao, apos o 11 de Setembro: "Ou cooperam na luta contra a Al'Quaeda ou nos bombardeamos o Paquistao de tal maneira que vos recambiamos para a idade da pedra." O tipo responsavel acusado retrucou que o que se disse foi o usual: "Ou estas connosco ou estas contra nos". Quando os jornalistas pediram mais pormenores, Musharaf disse: "Esta' no meu novo livro. Comprem-no."

A ultima e' que Musharaf foi ao Daily Show! Um presidente de nacao foi ao Daily Show! Aqueles pontos de exclamacao nao sao despropositados. Aparecem na cara dos tipos e tipas com aspecto de yuppies e gel ou laca no cabelo que pronunciam palavras associadas a pontos de exclamacao. "A filha do Tom Cruise de certeza usou capachinho!!!!"; "Exclusivo com o homem que se diz pai do ultimo rebento da Nicole Smith!!!!!!"; "Rosie O'Donnell comparou extremistas cristaos a extremistas muculmanos!!!!!"

Os media perguntam-se: porque e' que o Musharaf foi ao Daily Show? Nota-se a inveja, o veneno, o desprezo, principalmente quando repetem vezes sem conta: "quando o Bush se for embora ele [o Jon Stewart] ja' nao tem piadinhas para fazer o programa." Eu pergunto-me: se eles conseguem escandalos pirotecnicos todos os dias com uma mao cheia de celebridades, porque e' que o Jon Stewart nao ha-de encontrar politicos a cometer gaffes e a serem imbecis num pais deste tamanho? 49 estados?

Agora a resposta 'a pergunta deixou-me confundidinha das ideias. Um tipo respondeu que o Musharaf tinha ido ao Daily Show para promover o livro dele. Vender mais, ganhar dinheiro. Que era muito bom, fantastico que alguem se tornasse um capitalista e nao andassse a oprimir o povo.

Eu nao percebi porque e' que ser capitalista exclui ser-se opressor. Alem disso, o Musharaf nao e' na verdade um opressor? Houve eleicoes livres e eu nao dei conta? Nao percebi...

segunda-feira

Dito local

Too young for Medicare
Too old for men to care

sábado

Isto e' demasiado selvagem para mim

Porque e' que os coelhos e as cobras se metem 'a frente da minha bicicleta? Porque e' que ha' resina nas pedras? Sinceramente...

Na... :-) Esta merda ate' e' fixe... Vi veados e caes da pradaria, sapos, passaros de papo vermelho [american robins], ouvem-se grilos 'a noite. Estou apanhadinha por esta terra. Quero e nao quero ver ursos e pumas. Quero e nao quero...

segunda-feira

Bush & Rumsfeld debaixo de fogo

Escândalos às dezenas: casos de corrupção, o desvendar do nome de uma antiga agente da CIA (ilegal) porque tinham uma trica com o marido, escutas ilegais autorizadas pelo presidente, mentiras sobre mentiras a descoberto e a pergunta que nos vem à cabeça é: como é que quase destituíram um presidente por ter recebido os favores sexuais de uma estagiária, algo que não afecta o governo do país, e o Presidente Bush continua placidamente pouco incomodado no poleiro? País estranho, os EUA.

Começou a cheirar a apuros com uma trupe de generais reformados que, em Abril, criticaram duramente o Secretário de Defesa Rumsfeld e pediram a sua demissão. Contudo, nos últimos dias, Bush e Rumsfeld receberam na cara as críticas e as perguntas que deveriam ter sido feitas há muito. A 1 de Maio, Stephen Colbert foi o protagonista de uma rábula brilhante no Jantar Anual de Correspondentes da Casa Branca, pondo a nú a Administração Bush e os próprios média, que em modo de auto-censura dão cobertura à presente administração. No dia 4, Ray McGovern, um antigo agente da CIA, encostou Rumsfeld à parede quanto às mentiras deliberadas relativamente às famosas, e não encontradas, Armas de Destruição Maciça. Fabuloso. Os americanos começam a acordar. Sai de cima, meeenina! :-)

Se não viram Stephen Colbert na sua rábula, por amor de Deus, é imperdível -> ligação, ligação!

No Truthdig, tudo sobre McGovern, incluindo o vídeo com o afrontamento a Rumsfeld. Vejam também a entrevista com Paula Zahn para apreciar a forma como os jornalistas tratam quem tem a coragem de afrontar os elementos deste governo Bush. Além disso, relativamente a Colbert, os média praticamente ignoraram-no e quando foram criticados por isso, a razão dada foi: ele não teve piada. Ok, alguém critica Bush na cara e não é notícia porque os jornalistas não se riram? Say it again!

Agora estou a imaginar que sou o Jon Stewart. Filho da puta, este gajo tem o trabalho mais fácil do mundo. Ele só tem que ficar à espera e aquela gente é tão incrivelmente bobo da corte que ele facilmente tem o programa feito. Em Portugal, os pobres do Contra-Informação têm que suar as estopinhas. Ninguém vai à caça e acerta na cara do amigo, o Sócrates não parece um retardado, nem diz que um dos seus ministros é a Virgem. A notícia é que o Freitas do Amaral chega ao fim do dia cansado e o Expresso na sua esperteza saloia escreveu: Freitas do Amaral cansado no MNE. E pimbas, grande confusão. Que seca. Se não fosse os EUA para nos entreter, o que seria de nós?

sexta-feira

Mentirómetro de presidentes americanos

1. I am not a crook. - Richard M. Nixon

2. I did not have sexual relations with that woman. - Bill Clinton

3. We do not tolerate manipulation. - George W. Bush

4. I can outrun any man alive. - Franklin Roosevelt

5. I am bulletproof. - Abraham Lincoln

No programa americano humorístico The Daily Show (Jon Stewart) de 25.04.2006

NOTA PARA OS JOVENS: O Abraham Lincoln foi assassinado, o Roosevelt passou os últimos 24 anos de vida numa cadeira de rodas e o Nixon foi destituido por ter sido apanhado a ser "crook". Os outros dois vao 'a wikipédia.

quarta-feira

Pedagogia política

Interessante, assustador, mas interessante, no Blue Lounge.

Já agora, os arquitectos da Guerra no Iraque. Onde estao hoje? Resposta no Think Progress.

sábado

Paródia

In testimony before Congress today, the acting head of the Federal Emergency Management Agency (FEMA) said that the United States could handle both an outbreak of bird flu and a major hurricane as long as the hurricane successfully eradicated the bird population.

Acting FEMA Director R. David Paulison said that the agency was putting a series of plans in place to deal with a possible bird flu pandemic, but added, “We’re really counting on a major hurricane to do the heavy lifting for us, bird-killing-wise.”

Mr. Paulison outlined a series of scenarios his agency has been developing in which birds are wiped out by other natural disasters such as tornadoes, earthquakes and volcanic eruptions.

“These birds think they’re pretty tough, but just you wait,” he said. “They’re no match for molten lava.”

While some in Congress questioned the wisdom of relying on natural disasters of an almost biblical nature to destroy the nation’s birds and thus stave off a possible bird flu pandemic, Mr. Paulison called such skepticism “narrow-minded.”

“Disasters are our friend,” he said. “Look how good Iraq has been for Halliburton.”

Failing a major disaster to wipe out the bird population, Mr. Paulison said that every man, woman and child in America could do his or her share by killing one bird a day.

“Everyone in this country is capable of killing a bird, except Dick Cheney,” he said.


No Truthdig, por Andy Borowitz

domingo

Inteligência ou bom senso?

O que é que falta nesta história?