... para perguntar ao sr. Pitta qual e' o seu espanto?
O facto de em Portugal nao haver a carreira de cientista? O facto do trabalho cientifico em Portugal ser feito todo por bolseiros, sem direito a subsidio de ferias, decimo terceiro, baixa medica, subsidio de desemprego, de maternidade (para simplificar, recebe-se a seco o que se recebe e trabalha-se e mai nada) e ate' ha' poucos anos nem possibilidade de descontar para a seguranca social? Sabe quanto recebe um bolseiro? Sabe o que e' andar assim ate' se desistir de ciencia? Ou acha que oito mil pessoas a trabalhar em ciencia e' um desperdicio? E' o jogo seguinte na blogosfera? Nomear profissoes que porque nao percebemos achamos que nao prestam? E' democratico. Todos podemos entrar na ignorancia e jogar.
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quarta-feira
sexta-feira
Continuidade
Não peçam a um assistente social que defina dignidade.
Não peçam a uma psicóloga que defina sanidade.
Não peçam a um construtor civil que defina verticalidade.
Não peçam a uma psicóloga que defina sanidade.
Não peçam a um construtor civil que defina verticalidade.
quinta-feira
O ferreiro sabe que sabe que o espeto é pra espetar
Não peçam a um advogado que defina justiça.
Não peçam a uma pintora que defina arte.
Não peçam a um padre que defina santidade.
Não peçam a uma modelo que defina beleza.
Não peçam a um coveiro que defina morte.
Não peçam a um cientista que defina ciência.
Não peçam a uma pintora que defina arte.
Não peçam a um padre que defina santidade.
Não peçam a uma modelo que defina beleza.
Não peçam a um coveiro que defina morte.
Não peçam a um cientista que defina ciência.
terça-feira
Indulgenciar
Informacoes aleatorias sobre mim:
1. Custa-me a apaixonar e a desapaixonar
2. Custa-me a adormecer e a acordar
3. Geralmente gosto de pessoas
4. Sou temperalmente como a lua
5. Detesto o uso desnecessario de estrangeirismos
6. O meu vicio e' procrastinar
ProntoS.
Custou, mas consegui. Indulgenciei-te, Joao.
Eu nao vou etiquetar ninguem, porque me aborrece que os outros me contem coisas sobre eles. Gosto de ser eu a descobrir.
1. Custa-me a apaixonar e a desapaixonar
2. Custa-me a adormecer e a acordar
3. Geralmente gosto de pessoas
4. Sou temperalmente como a lua
5. Detesto o uso desnecessario de estrangeirismos
6. O meu vicio e' procrastinar
ProntoS.
Custou, mas consegui. Indulgenciei-te, Joao.
Eu nao vou etiquetar ninguem, porque me aborrece que os outros me contem coisas sobre eles. Gosto de ser eu a descobrir.
segunda-feira
O estado da nacao
3. Parece que um quarto dos portugueses não se importavam que Portugal fosse parte do Estado Espanhol. A mim não me choca nada, desde um ponto de vista nacionalista - um ponto que não tenho. O que me choca é que haja tanta gente que pensa que para ter uma sociedade (mais) decente é preciso imaginar a pertença a outro estado, em vez de mudar o estado das coisas no sítio onde acontece viver-se. 
Exacto. A minha grande pena e' que este pessoal nao emigre. Queixam-se, queixam-se, mas nao emigram. E e' que Espanha e' ja' ali ao lado. E' um pulinho. Com a UE nem e' preciso visto. Se compartilha da opiniao do quarto e me esta' a ler, faca um favor ao resto de nos: de o pulo e seja feliz.

Exacto. A minha grande pena e' que este pessoal nao emigre. Queixam-se, queixam-se, mas nao emigram. E e' que Espanha e' ja' ali ao lado. E' um pulinho. Com a UE nem e' preciso visto. Se compartilha da opiniao do quarto e me esta' a ler, faca um favor ao resto de nos: de o pulo e seja feliz.
O discurso do Papa
Nao estava para escrever sobre este assunto, mas como eu fui uma bloguista que se revirou por aqui a defender a liberdade de expressao na altura dos cartunes dinamarqueses, achei por bem defender que nao e' por ser o Papa que nao ache que ele pode escrever o que lhe da' na veneta. E arcar com as consequencias. Os muculmanos tem todo o direito de lhe pedirem explicacoes e dizerem-lhe que estao ofendidos. O problema e' que nao param ai'. Ameacam com violencia e usam a violencia. Nao ha' pachorra para esta gente.
O mais interessante do discurso nao tem nada a ver com a citacao do Papa. E', na verdade, completamente acessoria. Uma entrada, que o Papa podia ter dispensado sem beliscar o amago. Ele podia ter citado so' a parte que realmente importava que era "nao agir com a razao e' contrario 'a natureza de Deus", sem salientar dicotomia nas religioes. E' este o ponto de partida para um texto em que ele expoe a sua tentativa de demonstracao de que a religiao Crista tem, desde os seus primordios, um nucleo de razao. Ate' chegar a outros pontos: de que a ciencia como mera busca tecnica e' uma reducao do ser humano e como disciplinas como a teologia, tal como a filosofia, tem um lugar importante nas universidades, para uma melhor exploracao do espectro do conhecimento. Isto muito por alto.
Os muculmanos podem-se chatear, porque nesse excerto acessorio e noutras duas tangentes no texto, os seus seguidores sao sempre os nao razoaveis. Para dar exemplos de irrazoabilidade o Papa nao precisava de ir buscar os muculmanos e para usar o livro que ele anda a ler, ele nao precisava de frisar que o Manuel II achava que o Mohammed so trouxe coisas mas. Meteu-se no fogo para nada, a nao ser que ele ache piada em andar a aquecer os dedos.
Eu gostei do discurso. Principalmente porque andava a tentar perceber o que o Joao Miranda andava a tentar dizer sobre o evolucionismo e foi um eureca. Nao estava era 'a espera que fosse o Papa a iluminar-me.
O mais interessante do discurso nao tem nada a ver com a citacao do Papa. E', na verdade, completamente acessoria. Uma entrada, que o Papa podia ter dispensado sem beliscar o amago. Ele podia ter citado so' a parte que realmente importava que era "nao agir com a razao e' contrario 'a natureza de Deus", sem salientar dicotomia nas religioes. E' este o ponto de partida para um texto em que ele expoe a sua tentativa de demonstracao de que a religiao Crista tem, desde os seus primordios, um nucleo de razao. Ate' chegar a outros pontos: de que a ciencia como mera busca tecnica e' uma reducao do ser humano e como disciplinas como a teologia, tal como a filosofia, tem um lugar importante nas universidades, para uma melhor exploracao do espectro do conhecimento. Isto muito por alto.
Os muculmanos podem-se chatear, porque nesse excerto acessorio e noutras duas tangentes no texto, os seus seguidores sao sempre os nao razoaveis. Para dar exemplos de irrazoabilidade o Papa nao precisava de ir buscar os muculmanos e para usar o livro que ele anda a ler, ele nao precisava de frisar que o Manuel II achava que o Mohammed so trouxe coisas mas. Meteu-se no fogo para nada, a nao ser que ele ache piada em andar a aquecer os dedos.
Eu gostei do discurso. Principalmente porque andava a tentar perceber o que o Joao Miranda andava a tentar dizer sobre o evolucionismo e foi um eureca. Nao estava era 'a espera que fosse o Papa a iluminar-me.
sábado
Pluto
Aqui chamam assim ao Plutao. Eu penso sempre no cao do Mickey.
Nao percebo a emocao sobre a suposta despromocao. Isto e' um simples caso de burocracia. So' isso. O Plutao continua a ser o mesmo calhau. Deixem-se de tretas.
Nao percebo a emocao sobre a suposta despromocao. Isto e' um simples caso de burocracia. So' isso. O Plutao continua a ser o mesmo calhau. Deixem-se de tretas.
terça-feira
O caso do boicote*
Para fazer um reenquadramento da realidade [nao, os cientistas nao sao uma massa homogénea de anti-semitas ou pró-palestinianos, consoante quem le estas linhas], posto neste blogue uma notícia na Science, que saiu um ano* antes desta carta dirigida ao sindicato de professores universitários na Gra-Bretanha (AUT no texto) por um cientista israelita (carta que o Joao Miranda do Blasfemias postou ontem).
Science 3 June 2005:
Vol. 308. no. 5727, p. 1397
DOI: 10.1126/science.308.5727.1397b
News of the Week
ACADEMIC POLITICS:
Boycott of Israeli Universities Overturned
Mason Inman
CAMBRIDGE, U.K.--Buffeted by international criticism, the U.K. Association of University Teachers (AUT) has revoked a decision to boycott two Israeli universities. The boycott was approved at AUT's annual meeting in April and called on members to shun Bar Ilan University in Ramat-Gan because of its ties with a school in a contested settlement, and the University of Haifa for alleged harassment of a lecturer who oversaw a study critical of the Israeli military (Science, 29 April, p. 613). Haifa University denied the allegation and threatened to sue AUT for defamation.
Scholarly institutions quickly issued statements denouncing AUT on grounds that such boycotts violate academic freedom and are counterproductive. Among those who asked AUT to reconsider were the U.S. National Academy of Sciences, the New York Academy of Sciences, AAAS (which publishes Science), and the U.K.'s Royal Society.
AUT members also protested. A group of 25 petitioned for a special meeting to reconsider the boycott, which they claimed had not been fully debated. Roughly 250 attended a meeting on 27 May at which two-thirds voted to overturn the resolution. They also asked AUT to review its international policies, including a call to the European Union to withhold funding from Israeli organizations "until Israel opens meaningful negotiations with the Palestinians."
"We are relieved that this counterproductive [boycott] policy has been overwhelmingly rejected," says sociologist David Hirsh of Goldsmiths College in London, co-founder of Emerge, a campaign set up to oppose the boycott.
Some who urged sanctions on Israel say the vote hasn't changed their plans, however: "The boycott remains," says one of the leaders, neurobiologist Steven Rose of the Open University in Milton Keynes, U.K., who will continue to honor it. But AUT is taking a different tack. The group's general secretary, Sally Hunt, said in a statement, "It is now time ... to commit to supporting trade unionists in Israel and Palestine working for peace."
Eu na caixa de comentários do Blasfémias escrevi que a comparaçao com o Lysenkoism é parva. Para explicar a minha caracterizaçao basta limitar-me ao aspecto diferencial mais fundamental: o lisenkoism aconteceu na Uniao Sovietica, um estado opressor que liquidava a liberdade de expressao, de movimentos, de existencia. Este caso é transnacional, acontecendo na Gra-Bretanha em que nem de perto, nem de longe tal situacao existe, e acontece no seio do mundo académico em que, também, nem de longe, nem de perto tal situaçao de repressao existe. Sendo necessário provas (deixem-me rir um bocadinho), este artigo e outros que também poderia postar, que foram sendo publicados na Science e na Nature, mostram-no claramente. Quando se fazem comparaçoes há que ter o sentido das proporçoes, caso contrário, pode-se ser caracterizado como parvo e eu até estou a ser boazinha.
Science 3 June 2005:
Vol. 308. no. 5727, p. 1397
DOI: 10.1126/science.308.5727.1397b
News of the Week
ACADEMIC POLITICS:
Boycott of Israeli Universities Overturned
Mason Inman
CAMBRIDGE, U.K.--Buffeted by international criticism, the U.K. Association of University Teachers (AUT) has revoked a decision to boycott two Israeli universities. The boycott was approved at AUT's annual meeting in April and called on members to shun Bar Ilan University in Ramat-Gan because of its ties with a school in a contested settlement, and the University of Haifa for alleged harassment of a lecturer who oversaw a study critical of the Israeli military (Science, 29 April, p. 613). Haifa University denied the allegation and threatened to sue AUT for defamation.
Scholarly institutions quickly issued statements denouncing AUT on grounds that such boycotts violate academic freedom and are counterproductive. Among those who asked AUT to reconsider were the U.S. National Academy of Sciences, the New York Academy of Sciences, AAAS (which publishes Science), and the U.K.'s Royal Society.
AUT members also protested. A group of 25 petitioned for a special meeting to reconsider the boycott, which they claimed had not been fully debated. Roughly 250 attended a meeting on 27 May at which two-thirds voted to overturn the resolution. They also asked AUT to review its international policies, including a call to the European Union to withhold funding from Israeli organizations "until Israel opens meaningful negotiations with the Palestinians."
"We are relieved that this counterproductive [boycott] policy has been overwhelmingly rejected," says sociologist David Hirsh of Goldsmiths College in London, co-founder of Emerge, a campaign set up to oppose the boycott.
Some who urged sanctions on Israel say the vote hasn't changed their plans, however: "The boycott remains," says one of the leaders, neurobiologist Steven Rose of the Open University in Milton Keynes, U.K., who will continue to honor it. But AUT is taking a different tack. The group's general secretary, Sally Hunt, said in a statement, "It is now time ... to commit to supporting trade unionists in Israel and Palestine working for peace."
Eu na caixa de comentários do Blasfémias escrevi que a comparaçao com o Lysenkoism é parva. Para explicar a minha caracterizaçao basta limitar-me ao aspecto diferencial mais fundamental: o lisenkoism aconteceu na Uniao Sovietica, um estado opressor que liquidava a liberdade de expressao, de movimentos, de existencia. Este caso é transnacional, acontecendo na Gra-Bretanha em que nem de perto, nem de longe tal situacao existe, e acontece no seio do mundo académico em que, também, nem de longe, nem de perto tal situaçao de repressao existe. Sendo necessário provas (deixem-me rir um bocadinho), este artigo e outros que também poderia postar, que foram sendo publicados na Science e na Nature, mostram-no claramente. Quando se fazem comparaçoes há que ter o sentido das proporçoes, caso contrário, pode-se ser caracterizado como parvo e eu até estou a ser boazinha.
sexta-feira
A pedido de várias famílias:

Nã. O João é que está muito chateado porque ninguém liga aos feitos do Francis Obikwelu. Que se fosse futebol e se não fosse o nacionalismo mesclado de racismo! O João está muito indignado com isto e se for mesmo assim, com toda a razão.
Eu não estou sintonizada no atletismo (talvez se estivesse em Portugal), pelo que me tem passado ao lado e tenho tido outros assuntos a ocuparem-me os neurónios. Mas fico feliz pelo Obikwelu. A pátria é na maior parte das vezes o sítio em que nascemos e crescemos. Crescer com determinados cheiros e sons, pode entranhar. Mas o mundo é mais largo. Há pessoas que vão mais além do que o que lhes ficou entranhado por osmose. Há pessoas que escolhem. De todos os lugares do enorme mundo, o Francis Obikwelu adoptou Portugal. É absolutamente entusiasmante. Ele quer pertencer à minha equipa. Não percebo bem porquê, é uma questão de lhe perguntarem, mas espero que ele goste e corra muito e seja feliz. Que tenha muitos Obikweluzinhos, que estamos necessitados de putos.
P.S.1: João, o Cristiano é lindo e não se fala mais nisso, ok? Se lhe chamas outra vez foca amestrada, desligo-te deste blogue. Estás avisado.
P.S.2: Nas fotografias que vi do Obikwelu (para escolher para pôr aqui) ele está sempre com aquele ar de quem vai apanhar o autocarro, mas até está naquela, que daqui a 5 minutos vem outro. Impressiona-me.
P.S.3: Tenho uma colega de trabalho que é da Nigéria. Estou-me a perguntar o que o nacionalismo dita do lado dela... Do que conheço suspeito coisas más.
P.S.4: Como é que é português com sotaque nigeriano? Tenho que ouvir!
quarta-feira
Um pequeno passo para o bloguista...
É com satisfação que verifico que o Carlos Leone já começou a dominar a técnica de fazer ligações. :-) Eu posso partilhar que hoje também me aproximei mais do deus dos teclados. Que hoje um rectângulozinho apareceu no canto inferior do meu écran e que sem saber que raio de bicho era aquele, fui corajosa o suficiente para descobrir o google talk. Passo a passo a gente eleva-se.
Mas assim naquela, envolveu-me numa discussão em que não me meteria voluntariamente. Respondo só: não, não é esse o feminismo. Eu não sei é se me importo. O que eu me pergunto, neste momento, é: para quando o BoyBock, o SuperBoy ou o SuperCock?
Mas assim naquela, envolveu-me numa discussão em que não me meteria voluntariamente. Respondo só: não, não é esse o feminismo. Eu não sei é se me importo. O que eu me pergunto, neste momento, é: para quando o BoyBock, o SuperBoy ou o SuperCock?
Abutres sem vergonha!
A última vez que li sobre os números da desgraça tinham morrido 1078 pessoas no actual conflito no Médio Oriente. Cada uma destas pessoas não morreu de mansinho. Penso que qualquer pessoa com dois dedos de testa não precisa de uma fotografia para se dar conta que num bombardeamento as pessoas morrem violentamente. São 1078 histórias de morte violenta. Mais os que ainda não foram desenterrados, mais os feridos, mais os deslocados, mais os que todos os dias mal vivem, escondidos e calcorrinhando a medo as ruas.
Enquanto isso, longe da guerra, pessoas que não veêm limites para sectarismos utilizam postes para provar que há papparazis da morte. Qual a relevância de analisar as fotografias para definir que andaram a posicionar-se a preceito para a foto? Ainda que alguém tenha estômago para seguir as racionalizações, se conseguirmos ultrapassar o mesquinho do resultado face ao método, chega-se aonde? Nada. Continuam a ser 1078 mortes violentas. Continuam a haver feridos. Deslocados. Guerra.
Chega-se é a abutres sem vergonha, sendo que um nacional identificado é o jcd.
Enquanto isso, longe da guerra, pessoas que não veêm limites para sectarismos utilizam postes para provar que há papparazis da morte. Qual a relevância de analisar as fotografias para definir que andaram a posicionar-se a preceito para a foto? Ainda que alguém tenha estômago para seguir as racionalizações, se conseguirmos ultrapassar o mesquinho do resultado face ao método, chega-se aonde? Nada. Continuam a ser 1078 mortes violentas. Continuam a haver feridos. Deslocados. Guerra.
Chega-se é a abutres sem vergonha, sendo que um nacional identificado é o jcd.
domingo
Shlomo Ben-Ami
Há três meses li um livro extraordinário de Shlomo Ben-Ami chamado "Scars of War, Wounds of Peace: The Israeli-Arab Tragedy". Na introdução ele diz que escreveu o livro na necessidade de compreender. Na altura postei dois excertos.
Ele é israelita e até se poderia descontar a um israelita deixar-se levar mais pela emoção do que pela cabeça. Mas presumo que deve ser a pessoas como ele que se chama de intelectuais. Não pessoas que até têm a possibilidade do discernimento mais claro que é dado por guerras que não são directamente suas e que se passam lá longe, mas escolhem deixá-lo na prateleira. Na prateleira sem pó só os dicionários, para polvilhar os textos de algumas palavras caras. De resto é a guerrilhazinha de palavras. Pó, basicamente muito pó. Excepto nos dicionários.
Shlomo Ben-Ami é um historiador formado em Oxford, trabalhou na Universidade de Telavive antes de ser nomeado embaixador de Israel em Espanha no ano de 1987. Mais tarde tornou-se um membro do Knesset, Ministro de Segurança Pública e finalmente Ministro dos Negócios Estrangeiros. Ele tem sido participante-chave de muitas conferências de paz israelo-árabes, nomeadamente a de Camp David em 2000. Actualmente é vice-presidente do Centro [Internacional] Toledo para a Paz [em Madrid].
Na badana do seu livro "Scars of War, Wounds of Peace: The Israeli-Arab Tragedy", Oxford University Press, 2006.
Tradução minha
Hoje pus-me a desfolhar o livro e pensei que a minha contribuição, para as pessoas que queiram saber sobre o imbróglio no Médio Oriente, seria Shlomo Ben-Ami.
Ele é israelita e até se poderia descontar a um israelita deixar-se levar mais pela emoção do que pela cabeça. Mas presumo que deve ser a pessoas como ele que se chama de intelectuais. Não pessoas que até têm a possibilidade do discernimento mais claro que é dado por guerras que não são directamente suas e que se passam lá longe, mas escolhem deixá-lo na prateleira. Na prateleira sem pó só os dicionários, para polvilhar os textos de algumas palavras caras. De resto é a guerrilhazinha de palavras. Pó, basicamente muito pó. Excepto nos dicionários.
Shlomo Ben-Ami é um historiador formado em Oxford, trabalhou na Universidade de Telavive antes de ser nomeado embaixador de Israel em Espanha no ano de 1987. Mais tarde tornou-se um membro do Knesset, Ministro de Segurança Pública e finalmente Ministro dos Negócios Estrangeiros. Ele tem sido participante-chave de muitas conferências de paz israelo-árabes, nomeadamente a de Camp David em 2000. Actualmente é vice-presidente do Centro [Internacional] Toledo para a Paz [em Madrid].
Na badana do seu livro "Scars of War, Wounds of Peace: The Israeli-Arab Tragedy", Oxford University Press, 2006.
Tradução minha
Hoje pus-me a desfolhar o livro e pensei que a minha contribuição, para as pessoas que queiram saber sobre o imbróglio no Médio Oriente, seria Shlomo Ben-Ami.
sábado
Novela de Verão
quarta-feira
O tesouro (eu) e o Shrek
Um moço brasileiro escreveu um poste sobre os tesouros da lusosfera relativos ao Mundial (World Cup Culture Treasures from the Lusosphere). A minha voz foi incluída decerto pela sua alta nota em assertividade. Um excerto foi traduzido para inglês e só digo: a tradução é melhor que o original. Ele traduziu insurgentes por trolls. Pergunto-me o que o amigo tradutor do André Azevedo Alves tem a dizer disto...
E com isto ganhei o meu dia, até a semana!
P.S.: Estive a ler melhor o blogue que me citou. O moço brasileiro é José Murilo Júnior e é um dos editores, responsável pelo espaço lusófono. Depois há o espaço francófono, o árabe, o chinês, o castelhano... O blogue chama-se Global Voices Online e pretende divulgar a blogosfera para lá da anglofonia.
At a time when the international English-language media ignores many things that are important to large numbers of the world’s citizens, Global Voices aims to redress some of the inequities in media attention by leveraging the power of citizens’ media.
Interessante; diria até, muito interessante.
P.S.2: Como estava à espera. Na última hora dois insurgentes lá se puseram a clicar no sitemeter. Eles parecem achar que quem tem mais razão é quem tem mais audiência. Como se razão e massas tivesse alguma ligação directa. Tenho a impressão que eles confundem a blogosfera com a Eurovisão da Canção.
E com isto ganhei o meu dia, até a semana!
P.S.: Estive a ler melhor o blogue que me citou. O moço brasileiro é José Murilo Júnior e é um dos editores, responsável pelo espaço lusófono. Depois há o espaço francófono, o árabe, o chinês, o castelhano... O blogue chama-se Global Voices Online e pretende divulgar a blogosfera para lá da anglofonia.
At a time when the international English-language media ignores many things that are important to large numbers of the world’s citizens, Global Voices aims to redress some of the inequities in media attention by leveraging the power of citizens’ media.
Interessante; diria até, muito interessante.
P.S.2: Como estava à espera. Na última hora dois insurgentes lá se puseram a clicar no sitemeter. Eles parecem achar que quem tem mais razão é quem tem mais audiência. Como se razão e massas tivesse alguma ligação directa. Tenho a impressão que eles confundem a blogosfera com a Eurovisão da Canção.
sexta-feira
A lógica da batata - o ataque dos clones
Cá está porque não gosto de me meter nestas tricas. Pessoas que não se informam porque é que as alterações climáticas podem significar mais quente e mais frio e mais seco e mais molhado (como se diz na citação). O AAA não quer saber o porquê, nem mesmo pelo ensejo de fazer uma argumentação fundamentada. Cita uma menina da liga dele e está o caso arrumado na mais perfeita lambonice. O mais interessante é que até podia sentar-se no sofá e usar, mais ou menos, a sua lógica da batata. Pensava assim, agora há Inverno (frio e molhado) e também Verão (quente e seco). Com a mudança de fase no clima espera-se maior variabilidade. [Aqui o cérebro do AAA é capaz de aquecer um pouco e precisaremos de aplicar toalhas molhadas.] Isto significa mais eventos extremos de frio, de molhado, de quente e de seco. Sim? Não? Desenhos? Eu ponho um desenho:

O AAA sabe ler inglês, tal como o seu amigo tradutor e vai aqui onde se explica o conceito. E se fosse ler podia fazer uma argumentação interessante. Eu até podia fazê-la por si, mas não me apetece dialogar comigo mesma sobre o que já sei, nem educá-lo. Cada um educa-se a si mesmo quando chegamos à idade que temos.
Sendo que o AAA escolheu as alterações climáticas para correr atrás dos denominados "esquerda", eu aconselho-o e ao seu amigo a fazerem um esforço para entenderem um pouco do que estão a falar. A lógica que demonstram nos vossos postes é simplista e a cortar a direito. Eu nem digo que por vezes os media, os políticos (o Al Gore é na verdade um tipo que leu e domina bem o assunto, dizendo poucas asneiras) e outros não se esbarrem, não levem longe demais as suas conclusões. Por isso, o AAA e o seu amigo tradutor têm hipóteses de fazer um vistão a amandar abaixo pela lógica alguns "esquerdistas", mas é essencial que façam os trabalhos de casa.
Eu gostava de saber a vossa explicação para o facto do gelo boiar na água. Queria mesmo ver a vossa lógica brilhante a funcionar aqui. Sim, acho que a Ann Coulter não escreveu um livro contra a existência da água, essa molécula rebelde, esse paradoxo físico-químico. Penso mesmo que a H2O devia ser presa pela sua rebelião à lógica simples. Esta molécula é um perigo à lógica, é obviamente uma força subversiva, deve ser presa e obrigada a restabelecer-se ao senso-comum. Se a H2O se conformasse, o mundo acabava-se logo ali, mas pelo menos lavava-se a honra da lógica da batata.

O AAA sabe ler inglês, tal como o seu amigo tradutor e vai aqui onde se explica o conceito. E se fosse ler podia fazer uma argumentação interessante. Eu até podia fazê-la por si, mas não me apetece dialogar comigo mesma sobre o que já sei, nem educá-lo. Cada um educa-se a si mesmo quando chegamos à idade que temos.
Sendo que o AAA escolheu as alterações climáticas para correr atrás dos denominados "esquerda", eu aconselho-o e ao seu amigo a fazerem um esforço para entenderem um pouco do que estão a falar. A lógica que demonstram nos vossos postes é simplista e a cortar a direito. Eu nem digo que por vezes os media, os políticos (o Al Gore é na verdade um tipo que leu e domina bem o assunto, dizendo poucas asneiras) e outros não se esbarrem, não levem longe demais as suas conclusões. Por isso, o AAA e o seu amigo tradutor têm hipóteses de fazer um vistão a amandar abaixo pela lógica alguns "esquerdistas", mas é essencial que façam os trabalhos de casa.
Eu gostava de saber a vossa explicação para o facto do gelo boiar na água. Queria mesmo ver a vossa lógica brilhante a funcionar aqui. Sim, acho que a Ann Coulter não escreveu um livro contra a existência da água, essa molécula rebelde, esse paradoxo físico-químico. Penso mesmo que a H2O devia ser presa pela sua rebelião à lógica simples. Esta molécula é um perigo à lógica, é obviamente uma força subversiva, deve ser presa e obrigada a restabelecer-se ao senso-comum. Se a H2O se conformasse, o mundo acabava-se logo ali, mas pelo menos lavava-se a honra da lógica da batata.
quinta-feira
A lógica da batata (revisãozinha a azul)
Eu não me queria meter, mas acabei, num impulso de irritação por escrever isto, e como me comeu algum tempo e sarcasmo é algo que não gosto de desperdiçar, resolvi publicar. A arrogância do André Azevedo Alves é por vezes demais para aguentar. Surpreende-me o Rui Oliveira demonstrar, de barato, tanta ignorância. A questão não é ele ser tradutor, a questão é que sendo tradutor é um homem que sabe ler e até outras línguas, pelo que podia ter-se dado ao trabalho de ir buscar um livro e ler um bocadinho sobre a história da Terra. Mas não o fez. Ou então deixou mesmo assim, sabendo que entre os ignaros da matéria a piada iria ter eco.
Para o planeta Terra isto não é novo, se o planeta Terra tiver consciência de si próprio estar-se-á basicamente a cagar para nós, que no seu livro histórico nem a uma página temos direito. Somos um rodapé. E um dia seremos uma linha de pó entre camadas de terra. Como outras linhas de pó que já lá estão. Já houve várias extinções acima dos 90%, o planeta Terra já esteve 100% coberto de gelo [estava para aqui a ler um livro que diz que 100, 100 é capaz de não ter sido possível, já que a vida necessita de água no estado líquido. Ok, quase 100% - :-)], já houve zero de oxigénio, já houve mais CO2 na atmosfera que hoje, altura em que era hot, hot, hot, vegetação nos pólos, houve uma altura em que não havia carnívoros, até que um belo dia uma espécie de medusa deu uma dentada noutra espécie de medusa e agora andamo-nos a comer uns aos outros, e etc. Quem não se habituou morreu (olha a espécie de medusa que levou a dentada). O planeta Terra não dá subsídios. O planeta Terra está aqui na maior e outra grande extinção, outro período hot, hot, hot, não o vai chatear por aí além.
As alterações climáticas não interessam ao planeta Terra, interessam-nos a nós, que estamos neste preciso momento a viver sobre ele. Também interessariam a todos os outros bichos e plantas e outras coisas viventes que evoluiram connosco, mas esses pobres não têm voto na matéria. Se forem queridinhos, fofinhos, se nos divertirem e pudermos beneficiar deles ainda terão hipóteses de sobreviver, mas senão, azar. Fucking luck. Tivesses evoluído com um freaking big brain! Sai oh verme!
Para vossa educação, nós estamos a viver um período em termos climáticos calmo (ou estávamos, que as últimas duas décadas, com os seus diversos recordes, prognostica a passagem a outra fase). Foi devido a esta calmaria que pudemos desenvolver a agricultura e tudo o resto que por aí veio a seguir. Se um tipo andasse a plantar centeio e não pudesse estar mais ou menos atido que à primavera seguiria o verão não haveria agricultura. Na altura se houvesse azar morria-se à fome. Assim, quando esta previsibilidade começou há 10 000 anos atrás começaram uns tipos a plantar coisas, em vez de andarem sempre para cima e para baixo atrás de mamutes e veados e neandertais...
Portantos, porque tivemos a sorte de viver nesta calmaria somos o que somos hoje. Não sei bem se diga civilizados. Parece-me mais novo-ricos, arrogantes, com a mania. E com estas riquezas todas andamos a mudar o clima. Além disso, o Homem, aquele que não é preguiçoso como o Rui Oliveira, pode debruçar-se sobre o desconhecido e estudá-lo. Estudar mesmo, não sentados no sofá a mexer com a lógica. Eu acho muita piada quando se diz que com a lógica consegue-se definir se o Aquecimento Global é patacoada ou não. Mas dou de barato que os gregos antigos só com a lógica enunciaram a existência de átomos (benza neurónios) uns, quê?, 3,4 mil anos (bem, antes de Cristo) antes dos ditos serem realmente apanhados em flagrante, mas também levou as mesmas mentes brilhantes a achar que quando se junta sal a água, o sal se transforma em água. Prontos, a lógica não dá para tudo.
Os cientistas, para além de estarem no sofá a usar a lógica, usaram outros métodos para estudar os ciclos climáticos terrestres. Muito trabalhinho de mouro a estudar a correlação dos ciclos climáticos com ciclos solares, ciclos bioquímicos, eventos geológicos, impacto de meteoritos, através de métodos de análise laboratorial, medição instrumental, trabalho de campo (e mar e ar), estudos com modelos matemáticos para analisar os processos de causa-efeito e juntaram-se as peças de um puzzle que continua a ser construído na compreensão do clima terrestre. Pesando os meninos que usam a lógica e pelos seus postes parecem ainda não ter percebido o básico dos básicos nestas lides que é a diferença entre Efeito de Estufa e Aquecimento Global, com os cientistas e toda a sua labuta usando, matemática, física, química, biologia, geologia, todo esse amontoado de conhecimento a que se chamam ciências naturais, diversas estradas para chegar a uma conclusão: há aquecimento global e neste ponto actual do ciclo deve-se às actividades humanas. Deixa cá ver, ui, que difícil, deixa-me cá lançar uma moeda...
De tudo o que se sabe e compreendeu, neste ponto do ciclo natural, havendo uma alteração do clima natural deveria ser para frio, não para quente. Para além do sentido, o mais relevante é a rapidez com que está a acontecer. É a rapidez da mudança que não permitirá a adaptação dos outros seres vivos (mas, tendo em atenção que os metemos numas ilhas biológicas que vão encolhendo progressivamente também a sua extinção seria uma questão de tempo). Excepto os oportunistas. Ficaremos muito bem acompanhados, com as baratas, os ratos, as pombas, enquanto que os outros estarão em bibliotecas biológicas. Há gente que duvida que mesmo nós nos consigamos adaptar. Eu cá sou optimista. O mundo vai ser diferente, pobre, homogéneo, mono, a viver de memórias, por gerações inúmeras (realço inúmeras), mas eu acredito que havendo centros comerciais, a novela das cinco e um jogo de futebol de vez em quando, toda a gente será relativamente feliz. Além, que a gente tira bués de fotografias para os que não vão ver nada disto. Para quem gosta de ver álbuns vai ser mega-giro. O pior é que os putos terão aulas de história que nunca mais acaba. Não sei se vai haver tempo no programa para ensinar os descobrimentos. Mas o que interessa é: alguém se vai sentir mal? Uns parolos nostálgicos, mas quem é que quer saber desses tipos?
Assim, cá andamos, os seres humanos que andam de carro e têm centrais termoeléctricas e aviões e essas cenas giras e que nos fazem a vida tão mais confortável, mas que infelizmente seguem a merda da lei de Lavoisier. Andamos a retirar substâncias que estavam sepultadas nas entranhas da Terra e andamos a metê-las na atmosfera. Chamam-se gases com efeito de estufa. O efeito de estufa existe desde os primórdios da Terra. É um processo em que estes gases retêm parte da energia que nos vem do Sol, permitindo que a Terra estabilize a temperaturas superiores do que se estes gases não fizessem parte da atmosfera. Sem o efeito de estufa a Terra seria um berlinde de gelo. O efeito de estufa não existe só no planeta Terra. Falando dos planetas que nos estão mais próximos: existe em Vénus, só que o equilíbrio energético que se estabeleceu neste planeta transformou-o num forno. Quanto a Marte, devido ao seu tamanho é incapaz de prender a si uma atmosfera, pelo que exceptuando esparsos períodos em que houve emissão de gases formando uma atmosfera, estes acabam por escapar para o espaço e de novo Marte restabelece o seu eu mais gélido. Ao introduzirmos gases com efeito de estufa na atmosfera estamos a mover o equilíbrio energético da Terra. Esta está a reter mais energia vinda do sol e consequentemente a mover-se para temperaturas médias globais superiores. Como o planeta Terra é um sistema de ciclos e contra-ciclos, se mexemos neste equilíbrio energético, mexemos noutras variáveis e daí estas alterações climáticas.
Nós estamos num momento do saber em que negar a correlação entre os gases com efeito de estufa (que estão na atmosfera por arte nossa) e o aquecimento global seria como virar um copo de água sobre a cabeça de alguém e negar que essa acção teve alguma coisa a ver com o facto da pessoa estar a escorrer água da cabeça. Está-me a culpar a mim? Já viu se está a chover lá fora?
A questão agora é perceber em que consistirão as alterações climáticas. O que vai acontecer exactamente? Estudar o passado da Terra é uma grande ajuda. Analisar como era o planeta Terra quando os gases de estufa estavam em concentrações mais elevadas, entender o que levou às várias alterações climáticas, como é o ciclo climático e o que o "despista" é uma das formas de responder à questão do futuro que nos aguarda.
Assim, o que está em causa é um mundo em mudança e caso a gente não goste muito do que vem aí, azar. Fucking luck. É desconfortável para muitos pensar que somos nós os responsáveis por estas alterações climáticas e que sendo nós os responsáveis poderiamos fazer algo para retroceder o processo. Pessoalmente, acho que estamos demasiadamente confortáveis no nosso estilo de vida para o mudarmos. Basta olhar à volta. Basta saber como funcionamos. Nós choramos sobre o leite derramado. É assim que funcionamos. Se as alterações climáticas não fossem responsabilidade nossa, haveria menos consciências pesadas, mas estariamos no mesmo ponto a estudar como manter tudo como está agora. Esta é a Terra a que nos habituamos. Esta é a Terra após milhões de anos de evolução biológica. Esta é a Terra num momento de abundância. É isto que vamos perder. Além de que atendendo à forma como vivemos, onde vivemos e quantos somos não augurar nada de bom na nossa capacidade de sairmos incólumes num clima mais variável. A questão não é se aconteceu. A questão é que estamos aqui para o viver e morrer. Nós somos seis mil milhões de pessoas! O que o caso Katrina veio demonstrar a mim, no ano passado, é que se os EUA que é o mega, o mais rico, o que tem meios de protecção civil, deixou um desastre daqueles acontecer, então que será dos outros? Onde vivem mais pessoas e mais desprotegidas?
Quanto a consensos, os cientistas não discutem se vai haver alterações climáticas. A não ser que apareça por aí um artigo científico revolucionário que coloque em questão centenas de outros. Ficamos à espera, mas até lá o caso está arrumado. O que anda a perturbar o sono destas almas é: que alterações? Por isso andem por aí a discutir o sexo dos anjos. Se houvesse dúvidas quanto à reversibilidade do aquecimento global bastava isto para nos tirar as ilusões: anda-se no meio científico a discutir como e o resto a discutir se. Benza Deus. Telefonem quando descobrirem se é menina.
P.S.: Aproveito para mandar as minhas condolências mais sentidas aos botânicos e aos zoólogos, cujo futuro é serem coveiros, guardas de zoo e guardas de gavetas cheias de cadáveres de plantas. Opá, não fiquem tristes, ser bibliotecário também é giro. Os livros da vida sem direito a novas edições.
Para o planeta Terra isto não é novo, se o planeta Terra tiver consciência de si próprio estar-se-á basicamente a cagar para nós, que no seu livro histórico nem a uma página temos direito. Somos um rodapé. E um dia seremos uma linha de pó entre camadas de terra. Como outras linhas de pó que já lá estão. Já houve várias extinções acima dos 90%, o planeta Terra já esteve 100% coberto de gelo [estava para aqui a ler um livro que diz que 100, 100 é capaz de não ter sido possível, já que a vida necessita de água no estado líquido. Ok, quase 100% - :-)], já houve zero de oxigénio, já houve mais CO2 na atmosfera que hoje, altura em que era hot, hot, hot, vegetação nos pólos, houve uma altura em que não havia carnívoros, até que um belo dia uma espécie de medusa deu uma dentada noutra espécie de medusa e agora andamo-nos a comer uns aos outros, e etc. Quem não se habituou morreu (olha a espécie de medusa que levou a dentada). O planeta Terra não dá subsídios. O planeta Terra está aqui na maior e outra grande extinção, outro período hot, hot, hot, não o vai chatear por aí além.
As alterações climáticas não interessam ao planeta Terra, interessam-nos a nós, que estamos neste preciso momento a viver sobre ele. Também interessariam a todos os outros bichos e plantas e outras coisas viventes que evoluiram connosco, mas esses pobres não têm voto na matéria. Se forem queridinhos, fofinhos, se nos divertirem e pudermos beneficiar deles ainda terão hipóteses de sobreviver, mas senão, azar. Fucking luck. Tivesses evoluído com um freaking big brain! Sai oh verme!
Para vossa educação, nós estamos a viver um período em termos climáticos calmo (ou estávamos, que as últimas duas décadas, com os seus diversos recordes, prognostica a passagem a outra fase). Foi devido a esta calmaria que pudemos desenvolver a agricultura e tudo o resto que por aí veio a seguir. Se um tipo andasse a plantar centeio e não pudesse estar mais ou menos atido que à primavera seguiria o verão não haveria agricultura. Na altura se houvesse azar morria-se à fome. Assim, quando esta previsibilidade começou há 10 000 anos atrás começaram uns tipos a plantar coisas, em vez de andarem sempre para cima e para baixo atrás de mamutes e veados e neandertais...
Portantos, porque tivemos a sorte de viver nesta calmaria somos o que somos hoje. Não sei bem se diga civilizados. Parece-me mais novo-ricos, arrogantes, com a mania. E com estas riquezas todas andamos a mudar o clima. Além disso, o Homem, aquele que não é preguiçoso como o Rui Oliveira, pode debruçar-se sobre o desconhecido e estudá-lo. Estudar mesmo, não sentados no sofá a mexer com a lógica. Eu acho muita piada quando se diz que com a lógica consegue-se definir se o Aquecimento Global é patacoada ou não. Mas dou de barato que os gregos antigos só com a lógica enunciaram a existência de átomos (benza neurónios) uns, quê?, 3,4 mil anos (bem, antes de Cristo) antes dos ditos serem realmente apanhados em flagrante, mas também levou as mesmas mentes brilhantes a achar que quando se junta sal a água, o sal se transforma em água. Prontos, a lógica não dá para tudo.
Os cientistas, para além de estarem no sofá a usar a lógica, usaram outros métodos para estudar os ciclos climáticos terrestres. Muito trabalhinho de mouro a estudar a correlação dos ciclos climáticos com ciclos solares, ciclos bioquímicos, eventos geológicos, impacto de meteoritos, através de métodos de análise laboratorial, medição instrumental, trabalho de campo (e mar e ar), estudos com modelos matemáticos para analisar os processos de causa-efeito e juntaram-se as peças de um puzzle que continua a ser construído na compreensão do clima terrestre. Pesando os meninos que usam a lógica e pelos seus postes parecem ainda não ter percebido o básico dos básicos nestas lides que é a diferença entre Efeito de Estufa e Aquecimento Global, com os cientistas e toda a sua labuta usando, matemática, física, química, biologia, geologia, todo esse amontoado de conhecimento a que se chamam ciências naturais, diversas estradas para chegar a uma conclusão: há aquecimento global e neste ponto actual do ciclo deve-se às actividades humanas. Deixa cá ver, ui, que difícil, deixa-me cá lançar uma moeda...
De tudo o que se sabe e compreendeu, neste ponto do ciclo natural, havendo uma alteração do clima natural deveria ser para frio, não para quente. Para além do sentido, o mais relevante é a rapidez com que está a acontecer. É a rapidez da mudança que não permitirá a adaptação dos outros seres vivos (mas, tendo em atenção que os metemos numas ilhas biológicas que vão encolhendo progressivamente também a sua extinção seria uma questão de tempo). Excepto os oportunistas. Ficaremos muito bem acompanhados, com as baratas, os ratos, as pombas, enquanto que os outros estarão em bibliotecas biológicas. Há gente que duvida que mesmo nós nos consigamos adaptar. Eu cá sou optimista. O mundo vai ser diferente, pobre, homogéneo, mono, a viver de memórias, por gerações inúmeras (realço inúmeras), mas eu acredito que havendo centros comerciais, a novela das cinco e um jogo de futebol de vez em quando, toda a gente será relativamente feliz. Além, que a gente tira bués de fotografias para os que não vão ver nada disto. Para quem gosta de ver álbuns vai ser mega-giro. O pior é que os putos terão aulas de história que nunca mais acaba. Não sei se vai haver tempo no programa para ensinar os descobrimentos. Mas o que interessa é: alguém se vai sentir mal? Uns parolos nostálgicos, mas quem é que quer saber desses tipos?
Assim, cá andamos, os seres humanos que andam de carro e têm centrais termoeléctricas e aviões e essas cenas giras e que nos fazem a vida tão mais confortável, mas que infelizmente seguem a merda da lei de Lavoisier. Andamos a retirar substâncias que estavam sepultadas nas entranhas da Terra e andamos a metê-las na atmosfera. Chamam-se gases com efeito de estufa. O efeito de estufa existe desde os primórdios da Terra. É um processo em que estes gases retêm parte da energia que nos vem do Sol, permitindo que a Terra estabilize a temperaturas superiores do que se estes gases não fizessem parte da atmosfera. Sem o efeito de estufa a Terra seria um berlinde de gelo. O efeito de estufa não existe só no planeta Terra. Falando dos planetas que nos estão mais próximos: existe em Vénus, só que o equilíbrio energético que se estabeleceu neste planeta transformou-o num forno. Quanto a Marte, devido ao seu tamanho é incapaz de prender a si uma atmosfera, pelo que exceptuando esparsos períodos em que houve emissão de gases formando uma atmosfera, estes acabam por escapar para o espaço e de novo Marte restabelece o seu eu mais gélido. Ao introduzirmos gases com efeito de estufa na atmosfera estamos a mover o equilíbrio energético da Terra. Esta está a reter mais energia vinda do sol e consequentemente a mover-se para temperaturas médias globais superiores. Como o planeta Terra é um sistema de ciclos e contra-ciclos, se mexemos neste equilíbrio energético, mexemos noutras variáveis e daí estas alterações climáticas.
Nós estamos num momento do saber em que negar a correlação entre os gases com efeito de estufa (que estão na atmosfera por arte nossa) e o aquecimento global seria como virar um copo de água sobre a cabeça de alguém e negar que essa acção teve alguma coisa a ver com o facto da pessoa estar a escorrer água da cabeça. Está-me a culpar a mim? Já viu se está a chover lá fora?
A questão agora é perceber em que consistirão as alterações climáticas. O que vai acontecer exactamente? Estudar o passado da Terra é uma grande ajuda. Analisar como era o planeta Terra quando os gases de estufa estavam em concentrações mais elevadas, entender o que levou às várias alterações climáticas, como é o ciclo climático e o que o "despista" é uma das formas de responder à questão do futuro que nos aguarda.
Assim, o que está em causa é um mundo em mudança e caso a gente não goste muito do que vem aí, azar. Fucking luck. É desconfortável para muitos pensar que somos nós os responsáveis por estas alterações climáticas e que sendo nós os responsáveis poderiamos fazer algo para retroceder o processo. Pessoalmente, acho que estamos demasiadamente confortáveis no nosso estilo de vida para o mudarmos. Basta olhar à volta. Basta saber como funcionamos. Nós choramos sobre o leite derramado. É assim que funcionamos. Se as alterações climáticas não fossem responsabilidade nossa, haveria menos consciências pesadas, mas estariamos no mesmo ponto a estudar como manter tudo como está agora. Esta é a Terra a que nos habituamos. Esta é a Terra após milhões de anos de evolução biológica. Esta é a Terra num momento de abundância. É isto que vamos perder. Além de que atendendo à forma como vivemos, onde vivemos e quantos somos não augurar nada de bom na nossa capacidade de sairmos incólumes num clima mais variável. A questão não é se aconteceu. A questão é que estamos aqui para o viver e morrer. Nós somos seis mil milhões de pessoas! O que o caso Katrina veio demonstrar a mim, no ano passado, é que se os EUA que é o mega, o mais rico, o que tem meios de protecção civil, deixou um desastre daqueles acontecer, então que será dos outros? Onde vivem mais pessoas e mais desprotegidas?
Quanto a consensos, os cientistas não discutem se vai haver alterações climáticas. A não ser que apareça por aí um artigo científico revolucionário que coloque em questão centenas de outros. Ficamos à espera, mas até lá o caso está arrumado. O que anda a perturbar o sono destas almas é: que alterações? Por isso andem por aí a discutir o sexo dos anjos. Se houvesse dúvidas quanto à reversibilidade do aquecimento global bastava isto para nos tirar as ilusões: anda-se no meio científico a discutir como e o resto a discutir se. Benza Deus. Telefonem quando descobrirem se é menina.
P.S.: Aproveito para mandar as minhas condolências mais sentidas aos botânicos e aos zoólogos, cujo futuro é serem coveiros, guardas de zoo e guardas de gavetas cheias de cadáveres de plantas. Opá, não fiquem tristes, ser bibliotecário também é giro. Os livros da vida sem direito a novas edições.
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terça-feira
Coerência
Houve a discussão sobre a Procriação Medicamente Assistida (PMA) e agora discute-se pela blogosfera a proposta do Minsitério da Educação de que os pais dos alunos participem na avaliação dos professores.
Segundo percebi, a minha pessoa tem o direito inalienável de conceber sem pai uma criança, mesmo sendo fértil, que se eu não quiser ter sexo com um homem é o meu direito de o fazer por PMA, sou maior de idade e só isso é o suficiente para me fazer uma pessoa séria e responsável, me equipar completamente para ser mãe de alguém, que tem o dever de me ter como mãe e pai, mas depois de ser mãe sou completamente incapaz de fazer uma crítica séria e responsável e imparcial à forma como o meu filho é ensinado na escola. Em que ponto do percurso é que o meu QI desceu? É um efeito secundário da maternidade?
Segundo percebi, a minha pessoa tem o direito inalienável de conceber sem pai uma criança, mesmo sendo fértil, que se eu não quiser ter sexo com um homem é o meu direito de o fazer por PMA, sou maior de idade e só isso é o suficiente para me fazer uma pessoa séria e responsável, me equipar completamente para ser mãe de alguém, que tem o dever de me ter como mãe e pai, mas depois de ser mãe sou completamente incapaz de fazer uma crítica séria e responsável e imparcial à forma como o meu filho é ensinado na escola. Em que ponto do percurso é que o meu QI desceu? É um efeito secundário da maternidade?
segunda-feira
A hospitalidade das caixas de comentários
É belo e comovente! Oh, a vida é bela e a bondade, a camaradagem existem. Ohhhh, energúmenos são os que em vez de admirarem a beleza que se alberga dentro de cada um de nós, bloguistas, comentaristas, se revolvem na face fétida.
Na caixa de comentários da discussão de ontem sobre o texto "A fauna das caixas de comentários" deu-se um gesto de profunda humanidade (a boa). O LNT do Tugir completamente tolhido com a avaria no blogger (eu também estive quase a entrar em ressaca e andei aqui obcecada em conseguir a próxima dose) pediu ao Lutz que o deixasse postar ali na caixinha. O Lutz abriu-lhe as portas de par em par e deu albergue ao tenro poste.
Contado ninguém acredita. Vão lá. Opá... Lindo. Snif, snif, snif.
P.S.: agora até fazem convívio com champanhe! Fechem as cortinas! Cuidado com o espreita!
Na caixa de comentários da discussão de ontem sobre o texto "A fauna das caixas de comentários" deu-se um gesto de profunda humanidade (a boa). O LNT do Tugir completamente tolhido com a avaria no blogger (eu também estive quase a entrar em ressaca e andei aqui obcecada em conseguir a próxima dose) pediu ao Lutz que o deixasse postar ali na caixinha. O Lutz abriu-lhe as portas de par em par e deu albergue ao tenro poste.
Contado ninguém acredita. Vão lá. Opá... Lindo. Snif, snif, snif.
P.S.: agora até fazem convívio com champanhe! Fechem as cortinas! Cuidado com o espreita!
sexta-feira
Isto lembra-me alguém
Ontem, lia eu esta passagem, lembrei-me do Dom Pereira, o espreita.
Heinrich entra em Portugal em 1798
A fortaleza fronteiriça portuguesa de Elvas fica apenas a três léguas espanholas de Badajoz e das portas desta última terra pode ser distintamente vista no cimo da sua colina. Um, pequeno ribeiro, o Caia, que com o tempo seco pode ser atravessado a pé, forma a fronteira que é mais demarcada artificialmente que pela natureza. Deste lado Portugal parece extraordinário. Em vez dos vastos descampados, das aldeias afastadas, encontra-se uma terra povoada por casas isoladas e dispersas, cujo aspecto parece indicar uma cultura e uma civilização superiores. À medida que nos aproximamos de Elvas vemos os primeiros laranjais abertos ao longo do caminho, apesar de em Badajoz se ver já uma grande quantidade destes frutos. O traje, mesmo do português vulgar, é melhor: um gibão castanho-escuro ou preto e um chapéu são mais frequentes do que os casacos e barretes castanhos dos espanhóis. As mulheres são mais amáveis e comunicativas do que as castelhanas e parecidas com as biscainhas, trazem geralmente o cabelo solto, apenas ligeiramente apanhado por uma fita ou por um lenço. A cortesia, a maneira de ser fácil, alegre e amável do povo mais humilde fazem com que de imediato se simpatize mais com a nação portuguesa do que com a espanhola. E esta opinião não se altera enquanto neste país se ficar entre as classes mais baixas, experimentando-se porém uma opinião totalmente oposta assim que se conhecem as classes mais altas.
Em Notas de uma viagem a Portugal e através de França e Espanha, pág. 79, de Heinrich Friedrich Link, Biblioteca Nacional, Lisboa, 2005O negrito é meu.
quinta-feira
O espreita
Estive a ler o texto completo do Pacheco Pereira e penso que o sr. passou-se. Desculpem não arranjar palavrear mais erudito, mas é que há palavras que dizem tudo. O Pacheco Pereira passou-se. O texto é nojento. Há bloguistas citados que são pessoas inteligentes, com boa argumentação e com quem se pode aprender. Ele pinta-os como seres tristes, pervertidos, doentes mentais a precisar de tratamento urgente. Mas onde pára esse ambiente tenebroso? Perversão para mim é ele andar a espreitar as caixas dos comentários dos outros com más intençoes. Isso sim. Cá pra mim, uma dessas alcunhas tenebrosas usa gabardine e chama-se JPP.
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