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quarta-feira

Ide ver



P.S.: uma amiga disse-me que a polícia foi chamada 91 vezes durante a feitura deste filme. Esta dúvida andava a rondar-me.

domingo

Lots of fun



Idlewild de Bryan Barber

quinta-feira

Aaltra


Penso que em toda a minha vida só vi três filmes belgas, mas todos eles eram de humor negro. Não sei se é coincidência, se é só o que sai para fora, mas um dia destes ainda me apanham a dizer que sentido de humor, do bom, do que eu gosto é o belga. Qual humor inglês! Foi chão que deu uvas.

Aaltra é um road movie em cadeiras de rodas. Imaginem bem o que pode acontecer numa viagem destas. Parem. Não conseguem. Não vão conseguir imaginar como passo a passo, correcção, rodadela em rodadela, dois imobilizados andam à boleia pelas estradas do norte da Europa, metendo-se e provocando situações politicamente incorrectas. É a cadeira motorizada que roubam a um casal velhinho para depois andarem em corridas na rotunda da terra ou as vezes em que os que resolvem ajudá-los acabam por os abandonar em maldições à beira de alguma estrada.

Não há aqui nenhuma comiseração, não há alegria ou tristeza sem remissão. Não há pinturas emocionais ou maniqueísmos, não há sequer cor. Há simplesmente um espelho que mostra o mundo dos outros direito quando parece distorcido. Ou vice-versa, que cada um veja o filme e o julgue. Não perde tempo.

domingo

Nunca saberei como é o paraíso



Soube realmente deste filme palestiniano (vi uns cartazes por aí, mas não liguei) aquando dos óscares americanos. Era um dos filmes nomeados para melhor película estrangeira e associações judaicas nos EUA e em Israel protestavam que o filme fosse nomeado. O argumento de que me lembro era de que constituía um desrespeito para com as vítimas dos ataques suicidas. Na altura presumi que o filme de alguma forma fazia a apologia da violência. Ontem vi-o e dei-me conta que o que incomodou essas associações judaicas foi o facto do filme dar humanidade aos suicidas. São pessoas. Será que aqueles que protestavam viram o filme? Ou será só uma reacção pavloviana de negar os palestinianos?

Paradise Now não lava os palestinianos, nem os demoniza. Li que durante as filmagens, a equipe recebeu ameaças tanto de palestinianos como de israelitas. Uma demonstração como o filme é uma expressão de uma situação difícil sem maniqueísmos. Naquela região só se aceitam visões que sustentem a política de ódio, a negação da existência, o sangue nas mãos de ambas as partes.

O filme é assim valioso pelo que contém e por ser uma obra conjunta de palestinianos e israelitas. Abre uma brecha para olharmos para dentro de um muro que se constrói. "Tendo os israelitas convencido o mundo de que são opressores e vítimas, então fiquemos nós vítimas e assassinos." Esta é a frase, não textual, de um dos suicidas. Eles são escolhidos e docilmente se prestam a serem assassinos e vítimas e mártires pela causa que lhes é trazida pelos funcionários do terror. Movimentam-se entre a dúvida, a resolução e a tristeza. A preparação dos suicidas é ritual. Antes de sairem para a missão, comem com todos os outros operacionais, cena composta a ser uma alusão óbvia à última ceia de Jesus Cristo. Existe esse senso de que aqueles homens são sacrificados e que aqueles que os aprestam são Judas. Fiquei extremamente surpreendida por esta simbologia cristã, pois trata-se de um filme feito por judeus e muçulmanos. Outro momento meu, este de prazer sem mácula, foi quando identifiquei a palavra "Oxalá"; identifiquei-a mil anos após a palavra ter entrado na nossa língua...

É um filme que vale muito a pena.

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No filme há uma mulher que personifica o palestiniano estrangeirado que tem a voz de moderação. Há dois dias li um texto de Martin Kramer em que ele analisa as opiniões dos intelectuais palestinianos relativamente ao Hamas. Começa por colectar as opiniões de Edward Said, o representante da intelectualidade palestiniana, ainda hoje, mesmo após a sua morte em 2003. Seguidamente, colecta as opiniões de vários intelectuais em reacção à vitória do Hamas nas passadas eleições. Uma leitura interessante.

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Actualização:
A realidade.

A justiça de rua.

No filme, um dos suicidas perdeu o pai aos dez anos: foi executado por colaboracionismo com os israelitas. É uma das suas dores e questões interiores. A mulher que ele começa a amar é respeitada e quase venerada porque o pai dela foi um homem que morreu pela causa. Ainda antes de saberem da missão, o amigo diz-lhe, que sorte ele tem, ela é a filha de Abu!

terça-feira

As longas do novo cinema português em Hamburgo

O que é bom sempre se acaba. Terminou o certame do novo cinema português em Hamburgo. Um grande obrigado ao Instituto Camões e à Associação Luso-Hanseática, que apoiaram a iniciativa. No global, relativamente às longas-metragem, vi dois filmes extraordinários e uma seca. O que a minha pessoa se lembrou de escrever sobre cada um segue já a seguir:

"Kiss me" - Uma xaropada. Pessoal, não é por se pôr uma mulher belíssima num filme que este resulta! Ouviram? Aprendam a usar a banda sonora. Esta deve ser um acompanhamento de bom gosto, não uma forma de ridicularizar ou um empecilho. Christ! Os momentos em que a música está no sítio certo é na verdade quando esta é também personagem: a Laura (Marisa Cruz) a cantar o Kiss Me, na cena do Rachmaninov, no baile ou nos tangos. De resto um desastre auditivo de bradar às Valquírias e pedir-lhes vingança.

Os actores são bons. A Marisa Cruz surpreendeu-me. Todos conseguem vestir bem as personagens que têm e se alguma cena corre menos bem a culpa é do argumento ou da montagem. Os meus parabéns.

A ideia subjacente ao filme é boa, poderia ter resultado. Mas não resulta. O filme é como ir em primeira do Porto a Tavira. Quando a coisa está a ganhar velocidade dá-se conta que é só um declive no terreno. O alemão ao meu lado estava também entediado. Pensei em perguntar-lhe se tinha um canivete. Cortávamos os pulsos para nos entretermos. Mas lá conseguimos sobreviver e no fim saltamos por cima dumas portuguesas empinocadas e amandamo-nos para a liberdade do Verão. Ah, aragem, kiss me!

"A costa dos murmúrios" - é um filme perfeito. Poderia parar aqui porque não há palavras para a perfeição. Se continuo estrago tudo.

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Não, eu escrevo, eu escrevo. Começo pela banda sonora que eu sou peixe que morre pelo ouvido. É perfeita. Estou tramada. Só me sai este adjectivo. É um filme muito português no sentido de ser intimista. Tudo fala por dentro, pelos olhos e pelos diálogos esparsos. Cada cena dá um pouco mais de cada personagem, que pode ser por um sorriso, por uma frase, por um enquadramento, pelo maneio de uma cintura, pelo timbre da voz, tudo no sítio certo, na medida certa. A história é-nos dada no passo de um passeio à beira-mar, somos mantidos em competência na expectativa, lembrados nos momentos adequados de que algo está para vir, deixados em união docemente dolorosa com aquelas vidas no écran. Cada migalha é comida com deleite respeitoso. No fim percebe-se o quanto tudo foi absolutamente disposto da forma mais... perfeita. Estou apaixonada pela Beatriz Batarda. Que é... Pois. Gostava de abraçar o Luís (Filipe Duarte) e salvá-lo. Agora um grande suspiro e a lágrima que não chegou a desprender na sala do cinema.

"Alice" - Lisboa e Mário e Luísa.

Quando me conhecem as pessoas geralmente perguntam-me se sou de Lisboa. Há como um brio por mostrarem que sabem a capital de Portugal e devem saber que, por norma, não erram. Ficam sempre com um ar desiludido quando digo que não. Mas aí devem também saber do Porto ou do Algarve, pelo que fazem a pergunta que os atola: "Então de onde és?" Eu digo muito devagarinho. Que cara triste fazem. Venho então em seu auxílio: formo, traço um rectângulo e digo: aqui é Lisboa, aqui é o Porto e eu sou daqui. Ficam muito contentes e dizem o nome da minha cidade devagar e mal. Mais tarde hei-de dizer como Lisboa é linda, o sol, o rio, o casario, mas que nunca moraria lá. Só faço visita a lugares seleccionados. Quem não foi a Lisboa não me entende. Mas a minha amiga francesa perguntou em "Alice": "É Lisboa?". "Sim , é." E fez um ar entendido, como se eu tivesse absoluta razão de não pôr qualquer hipótese de lá morar, no meu jeito decisivo e fatal. Lisboa é muito fria em "Alice", tão indiferente esta Lisboa molhada, cinza e azul.

Essa amiga francesa também me perguntou em mais uns tons de Sassetti combinados aos olhos e ao perfil triste de Mário, se a história ia acabar bem. Respondi-lhe: "É um filme português." enquanto abanava a cabeça. Foi este fatalismo que me enterrou no fim, sabendo que Mário não ia voltar atrás, que Mário iria caminhar em frente naquele preciso momento, refazer a vida com Luísa, naquele momento. O queixo começou-me a tremer e, no genérico, eu chorei desconsoladamente por ser tão fatal.

Beatriz Batarda e Nuno Lopes são incríveis. Sem palavras. Só eles, é a sensação que dá. Só eles poderiam ser o Mário e a Luísa. Dar corpo à dor, à perda, à solidão, à esperança. Que inveja, que alguém seja tão bom no que faz.

sexta-feira

Mais curtas

"As melhores", anunciavam no folheto do cinema. Se eu não adormeci nas primeiras, que não foram etiquetadas de melhores então estas iam ser o máximo. Não é que foram? Não estou muito habituada a ter as expectativas alcançadas, pelo que ainda me sinto estupefacta. E isto já foi na segunda-feira.

Uma eu já sabia que era muito boa. "A suspeita" (1999) de José Miguel Ribeiro e já aviso: se não viram não merecem respirar. É um filme "stop-motion" e é perfeito. Outro que nem consigo acreditar que gostei é o "I'll see you in my dreams" (2004) de Miguel Angél Vivas. É um filme de zombies. Eu detesto filmes de zombies. No género prefiro vampiros. Pelo menos são sexy e inteligentes. É impossível ter pachorra para pessoal tão mal vestido e que só grunhe. Mas aqui os zombies suportam-se bem. A impressão que dá é que um grupinho juntou-se à volta de uns copos e começou, na brincadeira, a arquitectar um gozo de filme. E saiu muito bem. Além disso, agora quando encontro o amigo que foi comigo começamos a dizer as palavras iniciais [finais], mais ou menos, assim: "Árvores, árvores e mais árvores. Estou farto desta aldeia, mas o que eu já não posso é com a merda dos zombies!" O suspense está muito bem montado e está sempre a surpreender. Além do humor. Amei o "História trágica com final feliz" (2005) de Regina Pessoa, ainda que o meu amigo tenha achado uma coisa batida. É desenho animado. O "Cinemaamor" (1999) de Jacinto Lucas Pires é uma delícia, assim como um refresco numa esplanada no Verão. Para completar e também não é mau (o seu favorito, disse o senhor que organizou o certame): "A drogaria" (2001) de Elsa Bruxelas.

Para além das curtas há as longas. Mas isso faço outro poste. Depois de ver "Alice". Estou cheia de expectativa.

quarta-feira

4 da manhã e às 11 curtas

É aquilo que não se pensa até se experimentar. Por agora, em Hamburgo, amanhece às 4 da manhã. Isto dá cabo de uma noite na farra. Nunca tinham pensado nisso, pois não? Eu também não, até ver o céu a aclarar e eu com a Maria Joana numa mão e a bionade* na outra e a noite, fucking hell, só agora começou ou é impressão minha? Deixamos a rua e dirigimo-nos para algum bar-discoteca. O seguimento é entre portas que estamos transformados em vampiros. Quando sairmos havemos de pôr os óculos escuros, se nos lembramos de os trazer, descer até ao Fishmarkt e beber um cappuccino ou outra proprocionalidade de café e leite, que isto pra quem tem a boca feita em papel tanto faz, algo quente sabe sempre bem, desde que seja quente. Depois, se conseguirmos não adormecer no autocarro e acordar nos arrabaldes, havemos de chegar rápido e incólumes a casa e com sorte até nos deitamos depois de lavar os dentes. Com sorte e com algum juízo.

Este sábado estivemos a jogar um jogo de sociedade até tarde, pelo que quando emergimos da boca do metro o céu já se tingia. O rio de gente corria ao contrário. Ando sempre ao contrário? Localizamos os outros companheiros por telemóvel e dirigimo-nos para o centro da coolness: pudel. Mais tarde, já no Fishmarkt, um chico-esperto debitou a ideia de apanharmos a linha 62 do barco e fazer a volta. Normalmente teria dito que não, mas às 11h havia uma sessão única de curtas portuguesas no cinema Abaton. Não estava nada à espera de conseguir assistir numa hora tão matutina de um Domingo, mas já eram 8h e se eu esticasse a noite... O sol estava amigo, na proa o vento cortava, Blankenese do lado direito, zona rica, à esquerda o porto de contentores. No retorno, rendida ao convés pelo frio, vi-me rodeada de famílias bem dormidas. A menina de lenço comia compenetrada a sandes, as crianças eram bem comportadas, os pais eram feios, os homens gordos, as mulheres magras, os louros envelhecem mal. Os meus companheiros dormitavam de caras esparramadas sobre os braços em cruz. O sol bateu-me na cara e eu fechei os olhos, num prazer duplo. Chegamos: Adeus, boa noite.

Meto-me num café, como um super-pequeno-almoço. Meto mais cafeína no corpo e penso que estou a cometer um erro. Filmes portugueses neste estado? Vou adormecer no cinema, está visto. O primeiro filme é de 1929. É de Manuel de Oliveira. Não Manoel. Mudou de nome como a antiga primeira dama. Se eu me tornar famosa o que farei eu com o meu nome? Não tenho "u" para mudar para "o", e duplicar o "t" no meu caso seria ridículo. "Douro faina fluvial": é interessante ver pessoas em 1929 a trabalhar no cais do Douro no Porto, os barcos a serem carregados e descarregados, as pessoas são encardidas e simpáticas. O realizador constrói pequenas histórias e eu sorrio. Segue-se "Rio Vermelho" de Raquel Freire e de novo o Douro, mas hoje, e o Douro parece limpo e as pessoas nadam nele e alguém nasce nele e chama-se Maria do Além. "Respirar (debaixo d'água)" de António Ferreira, já tinha visto, foi no que se descobriu o natural Alexandre Pinto, a história é bonita e triste, como é um primeiro amor. "Portugal já faz automóveis", de novo Manuel de Oliveira, em 1938, um senhor mostra o carro orgulhoso, abre as várias portas. Acho que já vi algo assim, uma publicidade americana dos anos 50: uma dona de casa abria os vários electrodomésticos. Antes das feministas e da queima dos soutiens. Há uma avenida perfeita, o empedramento incólume, tílias a toda à volta, como na terra onde cresci. O senhor conduz o carro à volta e pára muito junto à câmara. O senhor é corredor. Num enquadramento as taças que ganhou dispõem-se sobre o capot. Rio-me. Estarei enganada se pensar que o Manuel de Oliveira está a gozar? Talvez seja demasiamente simples. Mas quem sabe: este é o Manuel, não o Manoel.

Gostei imenso. Não adormeci.

* refrigerante biológico.

Irreversível

Resolvemos ver o filme Irréversible de Gaspar Noé com Monica Bellucci e Vincent Cassel (2002). Todos sabiamos da cena de violação que dura 9 minutos. Todos concordamos que neste ponto punhamos o filme em rápido e nos poupávamos a célebre cena choque. Pobres ingénuos. Quando se vai ao inferno não há zonas frias.

Ainda o filme não tinha começado e eu só com o genérico já estava como quando estou na montanha russa, a fase da subida na expectativa enervante da descida. Não há imagem, são só as letras vermelhas a acenderem-se num fundo preto, com uma batida que promete pesadelo.

O filme começa no desenlace de toda a tragédia e anda para trás. O preto e o vermelho persistem. A vingança, a caça, a violação... Esta cena começa com Alex (Bellucci) a caminhar de costas. Sensual, fluida, o som dos saltos. Ela quer passar a estrada. Uma mulher diz-lhe que é mais seguro usar a passagem subterrânea. Ela fá-lo e o túnel é demasiado vermelho e longo. Acontece; nós passamos rápido a cena, mas para mim o pior foi o fim, pior que a violação. Não há palavras que possam descrever o horror da maldade ou o que para mim me surgiu como sacrificial. E este mote do sacrifício fortifica-se ao continuar-se para trás e ao conhecer Alex. Esta minha visão pode e será muito pessoal, mas Alex surge-me não só uma mulher, mas a essência da mulher. Tal como uma imagem fala por mil palavras, Alex incorpora as mulheres e é assim que o que lhe acontece me surgiu sacrificial, uma imolação da mulher. A imagem não me larga, o filme não me larga, o desconforto não me larga, Alex naquela imagem de volúpia em que conhece a sua gravidez não me larga.

Gostei imenso do filme como filme. É impossível dizer que gostei do inferno. Penso no dito de Oscar Wilde de que não há livros morais ou imorais. Só bons ou maus livros. Pois...

segunda-feira

Coisas que me preocupam

Li que o Bénard da Costa vai-se reformar. Mas continua a escrever nos jornais, não? Quem é que vai explicar os filmes do Manoel de Oliveira?

quarta-feira

Balanço do ano 2006 até hoje

Filmes que eu mais amei:
Brokeback Mountain, Ang Lee
O Fiel Jardineiro, Fernando Meirelles
Match Point, Woody Allen

Livros que eu mais amei:
Tudo está iluminado, Jonathan Safran Foer
The courtier and the heretic: Leibniz, Spinoza, and the fate of God in the modern world, Mathew Stewart
O profeta do castigo divino, Pedro Almeida Vieira

Albuns de música que eu ouvi milhentas vezes:
Rogue Wave, Descended like vultures [2005]
Emilie Simon, Végétal [2006]
David Sylvian, Dead bees on a cake [1999]

Agora os odiados, desprezados e cuspidos:
Filmes:
Jarhead, Sam Mendes
Infiltrado (Inside Man), Spike Lee
Closer [2004], Mike Nichols
Livros:
The discovery of heaven, Harry Mulisch
On Bullshit, Harry G. Frankfurt
Músicas:
James Blunt [cada vez que o apanho nesse mundo poluído de sons arrepio-me toda]

sábado

Boa noite e boa sorte


O filme é de mensagem: as liberdades de pensamento e o papel do jornalismo em televisão como o quarto poder. Custou-me um bocado a concentrar com o fumo. Gostei? Pois, não sei. Mas tenho a impressão que quando não estava a pensar no ir comprar tabaco, que estava entediada.

P.S.: ex-fumadora tem destas recaídas. :-)

quinta-feira

A última do Spike Lee


Imaginem que são convidadas para um restaurante de luxo. Esmeram-se na vestimenta e nos retoques, estão luzentes. Chegam e está como esperado. Alta qualidade. Um primor. Nisto vem a comida. É um hamburguer. Por atacado é assim o último filme do Spike Lee. A carne é de boa qualidade, mas é um simples hamburguer.

O que mais gostei do filme está no início e no fim e é uma música de Bollywood (raramente estou que não vou para me levantar e dançar no cinema).

P.S.: Para as que gostam dos olhos verdes do Inside Man, aviso que o homem passa imenso tempo de óculos escuros.

domingo

Transamerica


Perdoa-se tudo a este filme porque é ternurento e hilariante. A Felicity Huffman não é tão fantástica como esperava, mas é boa ++. Outros actores conseguem construir personagens que nos envolvem, que de certa forma acabamos por amar (eu absolutamente amo a mãe - Fionnula Flanagan; não me pronuncio acerca do rapazinho - Kevin Zegers - porque penso ser incapaz de imparcialidade). Há muito extremo, mas é daqueles filmes que há que fazer fé e ir em frente. Vale a pena. A cena que me custou mais a engolir é aquela em que finalmente o rapaz sabe que ela é o pai (um bocadinho tapado o miúdo...). É um pouco talvez seguramente demais. Mas eu perdoo.

segunda-feira

Uma mensagem cristã

(...)

In her no-nonsense style, Annie Proulx said of Brokeback Mountain, “It is a story of destructive rural homophobia.” (...)

A reasonable hope of belonging to a safe place and to safe people is often an anxious prayer for many people. Who doesn’t desire to be safe in our own home, at work, at school, in our church, in our own skin? Yet this is not the real or perceived reality for most lesbian, gay, bisexual and transgendered people in our communities and congregations, even when “Will and Grace” airs on prime-time. Two-thirds of out LGBT youth in the U.S. were threatened or injured with a weapon at school last year. Matthew Shepherd’s crucifixion on a Wyoming stock fence, less than a year after the publication of Brokeback Mountain, still serves as a compelling symbol of the coercive, violent force of homophobia, and not only in the rural West. Wyoming is merely a metaphor.

I believe that the official rulings and language of our churches about something we call “homosexuality” only serves to strengthen homophobia’s hateful grip on our world. The recent United Methodist and Vatican rulings do not simply function as ecclesial decisions guarding ordination and church membership. Like judgments from the Inquisition, they are as lethal as a tire iron in the hands of violent men, for these rulings continue to isolate human beings from communities which are called upon to be life-giving. Couple this isolation with language that dehumanizes men and women as “innately disordered” or worse, and the self-hate and desperation often lead to death. Gay and lesbian teenagers in the U.S. attempt suicide at more than five times the national average. Annie Proulx noted the “fact that Wyoming has the highest suicide rate in the [U.S.], and that the preponderance of those people who kill themselves are elderly single men.” Ennis and Jack managed to stay alive for each other as long as they could, the way soldiers do in war, not fighting for great causes or honor, but for those particular soldiers with whom they had become inextricably bound.

Brokeback Mountain, in addition to magnifying the destructive power of homophobia, also shatters a compelling myth in our divisive discourse about sexuality, the myth that we freely choose our “sexual orientation.” When Jack and Ennis were raised to despise “queers” and when they knew first-hand the life-threatening risks of getting caught, they would have been insane to make such a choice - in 1963 or in 2006. They chose this love like they chose to be wet when it rained or cold when it snowed. “Without a single polemical speech, [Brokeback Mountain] dramatizes homosexuality as an inherent and immutable identity, rather than some aberrant and elective ‘agenda’ concocted by conspiratorial ‘elites.’” (Frank Rich, N.Y.Times, 12/18/05). Hopefully the church can let this myth die.

(...)

I wonder as I wander at the foot of Brokeback Mountain if the church has the capacity and courage to declare a Jubilee... a time and space in which it would listen to the sacred love stories of Jack and Ennis ... setting aside worn-out labels such as “homosexual” for words we understand: son, daughter, friend, neighbor, sister, brother, partner. Could we listen well to the flesh-and-blood stories of fear and desolation, joy, discovery, liberation, belonging, and love? Like the Truth and Reconciliation hearings in South Africa, could we bear to hear our own stories of crucifixion? Could we go to those places which have been off-limits to pulpits and pot-luck-suppers?


David Jenkins, professor na Escola de Teologia de Calder, Universidade de Emory, Atlanta

domingo

O novo mundo



O novo filme de Terrence Malick



é típico de poesia. Contemplamento... :-)



Agora é esperar até à próxima década pelo próximo filme.


Oh, Malick! Vê lá se te despachas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira

segunda-feira

Deixem-me lá escrever sobre aquela coisa que não interessa nada

Há uns anos que não prestava atenção aos óscares. Pelo simples facto de que não se baseiam em qualidade, mas em política, em interesses, em influências, mecanismos que não me interessam. Mas este ano foi diferente. Sei que o foi por Brokeback Mountain. Ver até onde vai a liberalidade da academia. Não me surpreendi.

Ainda assim, tendo em conta o currículo da Academia a dar prémios, Crash não é nada mau*. Só de lembrar o Shakespeare in Love a ganhar o óscar, ainda por cima no mesmo ano de Saving Private Ryan... Portanto, ainda que o Crash seja daqueles filmes que irritam pela simplicidade de pensamento (se estás de mau húmor vingas-te no primeiro que tenha uma cor diferente da tua), pelo uso, neste filme descabido, da mais elegante e bela cena do Magnólia (tentaram tapar a verdade com neve em vez de sapos, mas eu apanhei-os...), pelas formulazinhas bem intencionadas e pela redenção final (sem comentários), é ainda assim um filme que capta, com interpretações efectivas e afectivas, um filme que no cômputo final diz algo mais que entretenimento vazio.

Quanto a Brokeback Mountain: é um filme belíssimo, ainda que quando penso na história, penso mais na palavra escrita do conto denso e brilhante de Annie Proulx. Li que o filme está a ter muito sucesso com as mulheres. É normal. Além de não estarem preocupadas com os "perigos" que poderão espreitar a sua masculinidade só por ver o filme, as mulheres adoram uma boa história de amor. Não, não estou a dizer que esta história não é sobre dois homossexuais e a tragédia do "armário", como já li. Estou simplesmente a escrever que se a história fica no pensamento é por ser uma história de amor trágica, como um Paciente Inglês ou Romeu e Julieta. É claro que não fica em branco que actualmente os amores não têm que enfrentar pais desavindos (não estou a falar da India) e a morte será sempre irremediável. Lembremo-nos apenas que nesta nossa civilização ocidental ainda há entraves à felicidade fruto de estreiteza de espírito. Fica mais trágico quando a tragédia é resultado de mesquinhez. So fucking pointless.

* Dei-me conta agora que no ano passado deram o óscar de melhor filme ao Million Dollar Baby e fiquei boquiaberta. De vez em quando consegue passar pelo filtro um filme realmente notável. Ok, neste século também amei o American Beauty...

sexta-feira

Como está muito frio fui ao cinema

Vi dois filmes.

Um deles não gostei. Li em qualquer lado um escrito de um tipo que tinha gostado, principalmente porque era uma história, sem tomar partidos sobre a guerra ou sobre as políticas bélicas dos EUA. Eu preferia um pouco mais. Este filme só tem um mérito: é um excelente contranatalidade. É só as minhas hormonas começarem a gritar que querem que eu seja mãe, que eu vejo o filme e só de pensar que me pode sair um menino como aqueles na rifa, perco logo a vontade. É só por isto que estou a pensar adquiri-lo. Ah, o filme é "Máquina Zero" (Jarhead) do Sam Mendes.

O outro amei, adorei, apaixonada. É Woody Allen, sem comédias, sem ele a zanzar no filme com existencialismos, mas que obra-prima. Podem algumas almas aborrecerem-se com um filme que não salta nenhuma cena explicativa de uma tese, mas que também não tem excrecências. No final fica o gostinho de algo sublime. Este ano começou bem. "Match Point".

P.S.: Para além disso, tem a Scarlett Johansson que me dá vontade de me tornar lésbica... :-) Os rapazinhos são bonitos de poster, com olhos azuis, e eu gosto deles latinos. Não tenho paciência visual para bibelôs anglo-saxónicos.