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segunda-feira
Guerra
Parece que sim. Acabei de vir de consolar um amigo. Eu li na net à tarde sobre um cartoon em que Hitler está na cama com a Anne Frank. Acabei por chegar à página da Liga Árabe Europeia (LAE). Contei-lhe. Tinha esquecido que familiares dele morreram no holocausto. Ele leu e viu. Companheiro de indignação desta semana, caminhava de trás para a frente, na cozinha, tentando demonstrar-me a diferença. Eu respondi-lhe que um muçulmano responderá que para ele Moamé é tão importante para ele quanto a sua história de perda e horror. Que a ofensa está, para eles, ao mesmo nível. Como podemos dizer que não? Para nós o respeito pela vida humana é mais importante que religião, mas... Mas eles estão a mentir! Não havia mentira naqueles cartoons? Mas isto é uma provocação reles! Ele escreveu uma carta electrónica à LAE. Ajudei-o. Abracei-o. Não há guerra sem ferimentos.
domingo
Um país de direito
Nem que por mais nada, este caos dos cartoons, teve o aspecto positivo de me fazer envolvida em discussões interessantes. Uma delas foi discutir democracia com um chileno, que a certa altura se desculpou dizendo que como eu poderia compreender, devido a prerrogativas históricas, os processos democráticos são para ele conceitos não claros. Disse-lhe que por aqui a democracia também não é um conceito absolutamente transparente, mas o que interessa é que o possamos discutir.
O que ele me disse a certa altura era que eu não respeitava a democracia nesses países que eu apelidava de muçulmanos*. Eles votaram em dirigentes que defendem leis religiosas, mas como esses dirigentes emanam da lei da maioria, eu devia respeitar. Atendendo aqueles países que são democráticos (a maioria não o é), eu respondi que um estado de direito tem como base o processo democrático, mas não é tudo. O respeito pela diferença e pelas minorias é um factor fundamental. E qual o sistema de protecção utilizado? Eu disse "A constituição". Este é o documento que definindo os direitos do ser humano independentemente da cultura, da religião, do género, impede que a lei particular ditada pela maioria tropece nos direitos fundamentais da minoria.
Com respeito à discussão sobre o casamento dos homossexuais, li algures alguém que dizia que a Constituição, ainda que não o declarando explicitamente, é obviamente um reflexo dos ideais da sociedade que a redigiu. Pois será, mas não devia. É-o porque os seres humanos são preconceituosos. Sê-lo-á a nossa, portuguesa, porque o preconceito continua a ser aceitável, mesmo entre as chamadas elites pensantes. Mas não devia ser. A Constituição devia conter somente os preceitos universais para o bem estar do ser humano. O direito à felicidade, ao trabalho, à saúde, à educação, à liberdade, ao amor, e como somos seres extremamente sociais, o direito à não ostracização.
Senão eu faço a mesma pergunta que o meu amigo chileno: o que constituirá o contraponto à lei da maioria?
* Ele condenou o meu uso de "muçulmanos" para caracterizar esses países. Semântica. Este é um problema político, dizia-me ele. Religião e Política são separados. Aqui, meu caro, não nesses países, em que os gritos de protesto a tresandar a ódio e morte começam nas mesquitas pelas bocas dos imãs.
O que ele me disse a certa altura era que eu não respeitava a democracia nesses países que eu apelidava de muçulmanos*. Eles votaram em dirigentes que defendem leis religiosas, mas como esses dirigentes emanam da lei da maioria, eu devia respeitar. Atendendo aqueles países que são democráticos (a maioria não o é), eu respondi que um estado de direito tem como base o processo democrático, mas não é tudo. O respeito pela diferença e pelas minorias é um factor fundamental. E qual o sistema de protecção utilizado? Eu disse "A constituição". Este é o documento que definindo os direitos do ser humano independentemente da cultura, da religião, do género, impede que a lei particular ditada pela maioria tropece nos direitos fundamentais da minoria.
Com respeito à discussão sobre o casamento dos homossexuais, li algures alguém que dizia que a Constituição, ainda que não o declarando explicitamente, é obviamente um reflexo dos ideais da sociedade que a redigiu. Pois será, mas não devia. É-o porque os seres humanos são preconceituosos. Sê-lo-á a nossa, portuguesa, porque o preconceito continua a ser aceitável, mesmo entre as chamadas elites pensantes. Mas não devia ser. A Constituição devia conter somente os preceitos universais para o bem estar do ser humano. O direito à felicidade, ao trabalho, à saúde, à educação, à liberdade, ao amor, e como somos seres extremamente sociais, o direito à não ostracização.
Senão eu faço a mesma pergunta que o meu amigo chileno: o que constituirá o contraponto à lei da maioria?
* Ele condenou o meu uso de "muçulmanos" para caracterizar esses países. Semântica. Este é um problema político, dizia-me ele. Religião e Política são separados. Aqui, meu caro, não nesses países, em que os gritos de protesto a tresandar a ódio e morte começam nas mesquitas pelas bocas dos imãs.
sábado
Letícia, quero-te bem
Quando falo do drama da bébé Letícia, abusada pelos pais, agora num hospital em Coimbra, à minha família ou lendo o que se escreve pela Net fica a sensação de ingenuidade. Como se pode pensar que os pais podem ser assim? Talvez seja porque eu tenho uma irmã a trabalhar com crianças em risco, mas eu nunca confiei no amor dos pais. Lembra-me de ser jovem, muito jovem e uma das coisas do mundo que me deixavam confusa é que não se tivesse que prestar provas para se ser pai ou mãe. Eu estudava e fazia provas e passava de ano e diziam-me que eu tinha de prestar provas para guiar um carro e prestar provas para ter uma profissão, mas não para fazer e criar uma criança. Porquê, perguntava eu? Criar uma pessoa! É muito mais importante! Como se pode confiar? Porque há o amor e não há amor maior que o de uma mãe, dizia-me a minha, que sei que me ama, não o dúvido, mas será assim com todas as crianças? Uma dúvida que começou em mim em tenra idade deixa perplexos pessoa graúda, como se de repente algo novo surgisse. Sinto-me novamente confusa com tanta ingenuidade.
segunda-feira
Mas a realidade não interessa nada!
O MST recebe elogios de alguns quadrantes blogueiros porque foi contra o politicamente correcto que é ser pró-gay e pró-lésbica. Este politicamente correcto é uma abstração teórica. Portugal é um país onde se ostraciza o homossexual, em que estes têm de viver escondidos e os que se mostram fazem-no no contra-ataque.
Este politicamente correcto é em discussões sem sentido prático, de pessoas que não vivem em Portugal, mas vivem nos livros sociológicos de outros países. Vivendo em Portugal, experimentam vivências fora de Portugal. Ou então extrapolam eventos como as gay parades para o dia-a-dia. Onde? Onde existem essas gay parades diárias? Ou será que se referem a programas televisivos em que a figura do homossexual é encaixilhado na imagem do preconceito? Dizia um bloguista d'O Acidental que se chateia que alguém se lhe apresente como homossexual. Mas já pensou porque o fazem? Eu também já tive a experiência, na Alemanha, de alguém se me apresentar de sopetão como judeu e eu fiquei na posição de lhe desejar muitas felicidades na sua religião (que afinal até nem era a religião da pessoa, mas uma descendência tortuosa). Mas porque é que essa pessoa se sentiu na necessidade de o fazer? Essa é que é a questão. Entender essa necessidade e que esta provém de uma não aceitação (que no caso do pseudo-judeu que eu conheci na Alemanha é do foro histórico) tem muito mais valia do que este parlapuê hipócrita ao mesmo nível do preconceito puro.
Vivendo num país altamente homofóbico, onde nunca em toda a minha vida vi qualquer manifestação de amor homossexual, esta gente impreca contra os exibicionistas gays e lésbicas.
Às vezes ler muito faz mal. Deve-se regrar a leitura com um pouco de realidade.
P.S.: o mais triste é se agora sobre a cobertura de ser-se politicamente incorrecto se possa ser correctamente homofóbico.
Este politicamente correcto é em discussões sem sentido prático, de pessoas que não vivem em Portugal, mas vivem nos livros sociológicos de outros países. Vivendo em Portugal, experimentam vivências fora de Portugal. Ou então extrapolam eventos como as gay parades para o dia-a-dia. Onde? Onde existem essas gay parades diárias? Ou será que se referem a programas televisivos em que a figura do homossexual é encaixilhado na imagem do preconceito? Dizia um bloguista d'O Acidental que se chateia que alguém se lhe apresente como homossexual. Mas já pensou porque o fazem? Eu também já tive a experiência, na Alemanha, de alguém se me apresentar de sopetão como judeu e eu fiquei na posição de lhe desejar muitas felicidades na sua religião (que afinal até nem era a religião da pessoa, mas uma descendência tortuosa). Mas porque é que essa pessoa se sentiu na necessidade de o fazer? Essa é que é a questão. Entender essa necessidade e que esta provém de uma não aceitação (que no caso do pseudo-judeu que eu conheci na Alemanha é do foro histórico) tem muito mais valia do que este parlapuê hipócrita ao mesmo nível do preconceito puro.
Vivendo num país altamente homofóbico, onde nunca em toda a minha vida vi qualquer manifestação de amor homossexual, esta gente impreca contra os exibicionistas gays e lésbicas.
Às vezes ler muito faz mal. Deve-se regrar a leitura com um pouco de realidade.
P.S.: o mais triste é se agora sobre a cobertura de ser-se politicamente incorrecto se possa ser correctamente homofóbico.
terça-feira
Os torturadores
Estava para aqui a ler sobre o debate sobre tortura nos EUA, em mais um capítulo na luta contra o terrorismo.
Desde o 11 de Setembro que se assiste a uma degeneração de valores na sociedade aterrorizada. Pergunto-me se será necessário tornarmo-nos mais como terroristas para combater terroristas?
Relativamente à tortura, para lá da dúbia utilidade de um depoimento feito sob tortura, o que se estará a semear em termos da brutalização da sociedade que o permite e dos indivíduos que aplicam a tortura? Procuram-se os sádicos já existentes ou corrompem-se mentes? Criando-se os lobos, quem será o cão polícia?
É isto que se quer? É por isto que se luta?
Desde o 11 de Setembro que se assiste a uma degeneração de valores na sociedade aterrorizada. Pergunto-me se será necessário tornarmo-nos mais como terroristas para combater terroristas?
Relativamente à tortura, para lá da dúbia utilidade de um depoimento feito sob tortura, o que se estará a semear em termos da brutalização da sociedade que o permite e dos indivíduos que aplicam a tortura? Procuram-se os sádicos já existentes ou corrompem-se mentes? Criando-se os lobos, quem será o cão polícia?
É isto que se quer? É por isto que se luta?
sexta-feira
O preto, o branco e o cinzento
Os vandalismos e os confrontos da última semana em Paris são daqueles acontecimentos que me calam. Ouço os opinamentos e surpreendo-me com a capacidade de colocar tudo bem arranjadinho numa estrutura a preto e branco. A primeira vez que me dei conta do caso foi 4 dias após o início quando o vi escarrapachado no monitor da minha amiga americana. "Riots in Paris?". Aprochego-me para ler a notícia. "Yes, poor boys." Eu não disse nada porque não sabia nada e porque estou habituada a que ela tenha uma visão muito maniqueísta do mundo. A colega de gabinete dela que tem um filho adolescente mulato acercou-se e disse "At least they speak about it. Here in Germany everyone avoids to recognise the problem of police racism.", "Yes?!?" Eu completamente surpreendida. "The police can arrest someone for 1 day without charge and they do it to non white teenagers. Just because they hang around."
Cinzento, cinzento, cinzento.
A Alemanha tem um aspecto que permite que nunca se atinja o nível virulento de confrontação parisiense. Controla-se a construção de bairros que se possam tornar guetos. Não se consegue discernir à primeira bairros de maioria alemã de bairros de maioria imigrada. Mistura-se. Em Hamburgo, quando se fala de bairros turcos e portugueses é porque são os mais vivos, de pessoas, de bares e restaurantes, de cores (no Lonely Planet, um dos pontos altos de Hamburgo é ir jantar ao bairro português junto ao porto). Não há nos subúrbios desta cidade de 2 milhões e multicultural nada como os banlieues.
Um dia, andava a passear com uma amiga portuguesa (de visita) uma terrinha nos arrabaldes de Hamburgo. Iamos distraídas e quando nos demos conta estávamos num pequeno bairro de imigrantes. Fiquei surpreendida, pois era um aglomerado de casas modestas de um piso e aquelas pessoas viviam ali declaradamente separadas do resto. No campo, as crianças a brincar livres, adolescentes a compôr as bicicletas e as motos à porta. A minha amiga sentiu-se desconfortável, provavelmente a pensar nos acampamentos ciganos. Quando me apercebi também me quis vir embora. O castiço é que eu não tenho medo dos adultos, mas ponham-me uma criança de dez anos à frente e eu começo a transpirar. Isto deriva de várias experiências em que eu fui chingada por crianças ciganas e me atiraram pedras e latas. Desde aí tenho sempre o cuidado de evitar os seus acampamentos.
Cinzento, cinzento, cinzento.
Parece-me absurdo o discurso "coitadinhos destes pobres jovens, só exteriorizam a frustração perante uma sociedade que os marginaliza". Que dizer daqueles que têm vidas difíceis, mas são responsáveis e trabalhadores e até são vizinhos destes pobrezinhos e veêm o carro, que lhes custou muito a pagar, a transformar-se em sucata numa noite de "justa" revolta?
Nem preto nem branco.
Mas também é absurdo considerá-los meros criminosos. Deixar construir bairros horríveis, depósitos de pessoas, sem verde, sem espaço, sem horizontes, anónimos, sem locais para conversar, para poder construir uma comunidade, uma identidade, prisões de cimento. Ignorar, alienar e ficar muito surpreendido quando algo assim acontece e numa de politicamente correcto gritar "Pobrezinhos", ou egoisticamente gritar "Ralé".
Que tal exigir dos nossos governantes medidas preventivas de civilização? É que há pessoas que sabem e estudam estas coisas há décadas. Não são só teorias sociológicas, arquitectónicas ou urbanisticas. Qual a prioridade? Construir estádios de futebol ou providenciar condições para as pessoas viverem como as pessoas devem viver e não em gaiolas de cimento?
Além disso, apavora-me a leniência total. Uma senhora, aqui na Alemanha, contou-me que nos tribunais alemães era prática corrente dar a pena mais leve por crimes de honra. Os magistrados consideravam que era algo cultural. Eu fico fora de mim e grito: cultura não é assassínio! Cultura não é mutilação!
Os direitos humanos são independentes da cultura. Cultura é o falar, o escrever, o pintar, o cantar, a comida, os gestos, é a expressão da humanidade. Não a sua diminuição!
Cinzento, cinzento, cinzento.
A Alemanha tem um aspecto que permite que nunca se atinja o nível virulento de confrontação parisiense. Controla-se a construção de bairros que se possam tornar guetos. Não se consegue discernir à primeira bairros de maioria alemã de bairros de maioria imigrada. Mistura-se. Em Hamburgo, quando se fala de bairros turcos e portugueses é porque são os mais vivos, de pessoas, de bares e restaurantes, de cores (no Lonely Planet, um dos pontos altos de Hamburgo é ir jantar ao bairro português junto ao porto). Não há nos subúrbios desta cidade de 2 milhões e multicultural nada como os banlieues.
Um dia, andava a passear com uma amiga portuguesa (de visita) uma terrinha nos arrabaldes de Hamburgo. Iamos distraídas e quando nos demos conta estávamos num pequeno bairro de imigrantes. Fiquei surpreendida, pois era um aglomerado de casas modestas de um piso e aquelas pessoas viviam ali declaradamente separadas do resto. No campo, as crianças a brincar livres, adolescentes a compôr as bicicletas e as motos à porta. A minha amiga sentiu-se desconfortável, provavelmente a pensar nos acampamentos ciganos. Quando me apercebi também me quis vir embora. O castiço é que eu não tenho medo dos adultos, mas ponham-me uma criança de dez anos à frente e eu começo a transpirar. Isto deriva de várias experiências em que eu fui chingada por crianças ciganas e me atiraram pedras e latas. Desde aí tenho sempre o cuidado de evitar os seus acampamentos.
Cinzento, cinzento, cinzento.
Parece-me absurdo o discurso "coitadinhos destes pobres jovens, só exteriorizam a frustração perante uma sociedade que os marginaliza". Que dizer daqueles que têm vidas difíceis, mas são responsáveis e trabalhadores e até são vizinhos destes pobrezinhos e veêm o carro, que lhes custou muito a pagar, a transformar-se em sucata numa noite de "justa" revolta?
Nem preto nem branco.
Mas também é absurdo considerá-los meros criminosos. Deixar construir bairros horríveis, depósitos de pessoas, sem verde, sem espaço, sem horizontes, anónimos, sem locais para conversar, para poder construir uma comunidade, uma identidade, prisões de cimento. Ignorar, alienar e ficar muito surpreendido quando algo assim acontece e numa de politicamente correcto gritar "Pobrezinhos", ou egoisticamente gritar "Ralé".
Que tal exigir dos nossos governantes medidas preventivas de civilização? É que há pessoas que sabem e estudam estas coisas há décadas. Não são só teorias sociológicas, arquitectónicas ou urbanisticas. Qual a prioridade? Construir estádios de futebol ou providenciar condições para as pessoas viverem como as pessoas devem viver e não em gaiolas de cimento?
Além disso, apavora-me a leniência total. Uma senhora, aqui na Alemanha, contou-me que nos tribunais alemães era prática corrente dar a pena mais leve por crimes de honra. Os magistrados consideravam que era algo cultural. Eu fico fora de mim e grito: cultura não é assassínio! Cultura não é mutilação!
Os direitos humanos são independentes da cultura. Cultura é o falar, o escrever, o pintar, o cantar, a comida, os gestos, é a expressão da humanidade. Não a sua diminuição!
quarta-feira
Viver numa bolha III
Eu já vou no quarto poste e começo a chutar-me para canto, ou neste caso, bolha.
Desta vez falei com uma assistente social, habituada a contactar com pessoas e a acercar-se dos seus problemas. Disse-me ela que não são os pobres que recorrem ao aborto. Esses vão em frente e têm muitos filhos.
Os outros, na maioria, são irresponsáveis. Arriscam na assumpção em voga de que isto só acontece aos outros.
A questão que se me pôe é: quando as pessoas são irresponsáveis porque hão-de os outros de lhes pôr o Serviço Nacional de Saúde ao dispôr?
Isto são mesmo questões que me apoquentam.
Desta vez falei com uma assistente social, habituada a contactar com pessoas e a acercar-se dos seus problemas. Disse-me ela que não são os pobres que recorrem ao aborto. Esses vão em frente e têm muitos filhos.
Os outros, na maioria, são irresponsáveis. Arriscam na assumpção em voga de que isto só acontece aos outros.
A questão que se me pôe é: quando as pessoas são irresponsáveis porque hão-de os outros de lhes pôr o Serviço Nacional de Saúde ao dispôr?
Isto são mesmo questões que me apoquentam.
terça-feira
Aborto um direito?
Vinha hoje no Público. Uma audição no Parlamento Europeu com o tema "Tornar o aborto um direito para todas as mulheres da União Europeia". Iriam testemunhar três mulheres portuguesas, sendo que uma delas fez três abortos antes dos 16 anos!
Eu não consigo ver o aborto como um direito. Consigo vê-lo como um mal menor, como um último recurso em certas situações, a par de uma rede de informação, aconselhamento, educação sexual sem hipocrisias e pruridos...
O corpo é meu. Eu sou eu, mas eu vivo numa sociedade e tenho certos deveres e direitos. Não será meu dever respeitar o meu corpo? Não poderá a sociedade exigir-mo?
Contudo, a sociedade só me pode pedir essa responsabilidade se me informou, me educou, me aconselhou e me disponibilizou os métodos contraceptivos.
A sociedade portuguesa tem uma higiene mental ao nível sexual tão podre que uma jovem fez TRÊS abortos antes dos dezasseis! É culpa nossa. Vamos a deixar-nos de hipocrisias!
Eu não consigo ver o aborto como um direito. Consigo vê-lo como um mal menor, como um último recurso em certas situações, a par de uma rede de informação, aconselhamento, educação sexual sem hipocrisias e pruridos...
O corpo é meu. Eu sou eu, mas eu vivo numa sociedade e tenho certos deveres e direitos. Não será meu dever respeitar o meu corpo? Não poderá a sociedade exigir-mo?
Contudo, a sociedade só me pode pedir essa responsabilidade se me informou, me educou, me aconselhou e me disponibilizou os métodos contraceptivos.
A sociedade portuguesa tem uma higiene mental ao nível sexual tão podre que uma jovem fez TRÊS abortos antes dos dezasseis! É culpa nossa. Vamos a deixar-nos de hipocrisias!
segunda-feira
Comentário ao "O Islão É Integrável no Ocidente?"
Comento a última entrada do "A mão invísivel" sobre a questão: O Islão É Integrável no Ocidente?.
Se no geral eu ia acenando apoiante da sua percepção, em detalhes penso que mistura alhos com bogalhos. O islamismo é uma minoria que não tem comparação com as mulheres, os negros ou os homossexuais. A discussão relativamente a estes grupos é não o de lhes dar direitos maiores, mas os mesmos direitos.
Os homossexuais terem o direito de fazerem um casamento civil tal como os heterossexuais, situação que não restringe os direitos ou o bem estar dos outros. A adopção é um caso especial, pois interfere com a vida de outro ser humano. A discussão é acesa no que concerne o melhor interesse da criança. Ouvi a opinião de um par de técnicas envolvidas em processos de adopção que me explicaram que uma criança a ser adoptada tem geralmente uma bagagem de situações a resolver no seu intímo e não só. Receia-se que a adopção por homossexuais possa constituir um fardo a mais. O busílis não está só em se uma criança precisa da figura materna e paterna para um desenvolvimento equilibrado como pessoa, mas também o peso sobre essa família invulgar de uma sociedade extremamente preconceituosa.
As mulheres precisam de apoio para que possam conjugar o seu papel de mãe e de trabalhadoras competitivas. A pena de nada se fazer a este nível está à vista na baixa de natalidade. Também não concordo com quotas.
Quanto aos negros a situação refere-se a inverter situações de racismo e preconceito que não lhes permitiu/permite criar o seu espaço de sucesso na sociedade. A criação de quotas não será a resposta em Portugal, mas a situação em Portugal ou na Europa nunca foi comparável à dos EUA, onde a segregação racial antes dos anos 60 era gravíssima, mantendo na prática os negros sob escravidão nos estados sulistas e em bolsas de desprezo no Norte. Num cenário destes a utilização de métodos de beneficiação de uma raça que vem de tão baixo na escala social poderá ser a única forma mais rápida de instalar a justiça. Mesmo assim levou 40 anos.
As mulheres e os homossexuais têm como grupo a mesma cultura, o mesmo percurso, o mesmo zelo religioso da maioria que os oprime. Os negros também são na maioria como o resto da população, com a excepção da cor da pele e um percurso histórico diferente. Todos eles só não têm as mesmas oportunidades.
A questão do islamismo é outra. Têm uma cultura e religião diferentes e pedem um espaço muito próprio para praticarem um estilo de vida diferente. Mas em situações de moderação e respeito será o seu estilo de vida incapaz de conviver com o nosso estilo de vida? Não será injusto amassar toda a comunidade islâmica no pacote cinza do fundamentalismo?
Obviamente o Ocidente deverá traçar limites. Até a tolerância tem limites e parece-me que ainda existe um um discurso de tolerância levado a tal extremo que tolera o ignóbil. Acabar com o discurso de esquerda de aceitar tudo como cultura (cortar o clítoris a meninas não é cultura, ó idiotas intelectualóides! Eu não acredito na liberdade de discursar o ódio e incitar à violência e à morte).
Pergunta se o islamismo é integrável no Ocidente. O islamismo moderado é. Vivo em Hamburgo e vejo islâmicos todos os dias e não sinto qualquer tipo de ameaça. Quando vejo as mulheres de lenço não me incomodo, se bem que ainda me questiono quando vejo as crianças de lenço ou uma vez vi uma senhora de burqa e quase me espetei de bicicleta contra uma árvore. Contei este episódio a amigos e eles observaram-me de forma estranha. Dei-me conta que me achavam intolerante. Explicaram-me que usar burqas e lenços é a cultura deles. Eu retorqui que se as mulheres o fazem por querer, eu não tenho nada contra, mas esta certeza tem de ser assegurada. Eu quero que se uma delas não quiser usar lenço que tenha a liberdade para o fazer. Eu acredito que na generalidade assim seja. Eu vejo grupos de raparigas, umas com e outras sem lenço. Há uns dias vi uma mulher deslumbrante na rua. Usava lenço e um manto-vestido que esvoaçava à volta do corpo elegante. Os sapatos eram de salto alto e acentuavam o porte orgulhoso e seguro. A sua beleza natural parecia acentuada por toda uma aura de exotismo e afirmação silenciosa. Talvez eu me engane, mas no seu rasto não havia subjugação, mas somente uma escolha.
Hoje a grande questão do islamismo na Europa é a sua colagem a uma entidade transnacional de morte. Esta organização, como se concluiu nos últimos ataques a Londres, atrai com sucesso jovens de segunda geração, aparentemente bem integrados, bem educados e de classe média. Que laços de lealdade os levaram àquela acção? Eu não descarto problemas de desajustamento que jovens de outras origens étnicas resolvem geralmente em estróinices.
Concordo que o Ocidente deve EXIGIR a secularização do Islamismo no seu seio (fora também seria desejável, mas aí são outros quinhentos). Caso isto não se verifique então... Então também concordo que o futuro será um incógnita triste.
Se no geral eu ia acenando apoiante da sua percepção, em detalhes penso que mistura alhos com bogalhos. O islamismo é uma minoria que não tem comparação com as mulheres, os negros ou os homossexuais. A discussão relativamente a estes grupos é não o de lhes dar direitos maiores, mas os mesmos direitos.
Os homossexuais terem o direito de fazerem um casamento civil tal como os heterossexuais, situação que não restringe os direitos ou o bem estar dos outros. A adopção é um caso especial, pois interfere com a vida de outro ser humano. A discussão é acesa no que concerne o melhor interesse da criança. Ouvi a opinião de um par de técnicas envolvidas em processos de adopção que me explicaram que uma criança a ser adoptada tem geralmente uma bagagem de situações a resolver no seu intímo e não só. Receia-se que a adopção por homossexuais possa constituir um fardo a mais. O busílis não está só em se uma criança precisa da figura materna e paterna para um desenvolvimento equilibrado como pessoa, mas também o peso sobre essa família invulgar de uma sociedade extremamente preconceituosa.
As mulheres precisam de apoio para que possam conjugar o seu papel de mãe e de trabalhadoras competitivas. A pena de nada se fazer a este nível está à vista na baixa de natalidade. Também não concordo com quotas.
Quanto aos negros a situação refere-se a inverter situações de racismo e preconceito que não lhes permitiu/permite criar o seu espaço de sucesso na sociedade. A criação de quotas não será a resposta em Portugal, mas a situação em Portugal ou na Europa nunca foi comparável à dos EUA, onde a segregação racial antes dos anos 60 era gravíssima, mantendo na prática os negros sob escravidão nos estados sulistas e em bolsas de desprezo no Norte. Num cenário destes a utilização de métodos de beneficiação de uma raça que vem de tão baixo na escala social poderá ser a única forma mais rápida de instalar a justiça. Mesmo assim levou 40 anos.
As mulheres e os homossexuais têm como grupo a mesma cultura, o mesmo percurso, o mesmo zelo religioso da maioria que os oprime. Os negros também são na maioria como o resto da população, com a excepção da cor da pele e um percurso histórico diferente. Todos eles só não têm as mesmas oportunidades.
A questão do islamismo é outra. Têm uma cultura e religião diferentes e pedem um espaço muito próprio para praticarem um estilo de vida diferente. Mas em situações de moderação e respeito será o seu estilo de vida incapaz de conviver com o nosso estilo de vida? Não será injusto amassar toda a comunidade islâmica no pacote cinza do fundamentalismo?
Obviamente o Ocidente deverá traçar limites. Até a tolerância tem limites e parece-me que ainda existe um um discurso de tolerância levado a tal extremo que tolera o ignóbil. Acabar com o discurso de esquerda de aceitar tudo como cultura (cortar o clítoris a meninas não é cultura, ó idiotas intelectualóides! Eu não acredito na liberdade de discursar o ódio e incitar à violência e à morte).
Pergunta se o islamismo é integrável no Ocidente. O islamismo moderado é. Vivo em Hamburgo e vejo islâmicos todos os dias e não sinto qualquer tipo de ameaça. Quando vejo as mulheres de lenço não me incomodo, se bem que ainda me questiono quando vejo as crianças de lenço ou uma vez vi uma senhora de burqa e quase me espetei de bicicleta contra uma árvore. Contei este episódio a amigos e eles observaram-me de forma estranha. Dei-me conta que me achavam intolerante. Explicaram-me que usar burqas e lenços é a cultura deles. Eu retorqui que se as mulheres o fazem por querer, eu não tenho nada contra, mas esta certeza tem de ser assegurada. Eu quero que se uma delas não quiser usar lenço que tenha a liberdade para o fazer. Eu acredito que na generalidade assim seja. Eu vejo grupos de raparigas, umas com e outras sem lenço. Há uns dias vi uma mulher deslumbrante na rua. Usava lenço e um manto-vestido que esvoaçava à volta do corpo elegante. Os sapatos eram de salto alto e acentuavam o porte orgulhoso e seguro. A sua beleza natural parecia acentuada por toda uma aura de exotismo e afirmação silenciosa. Talvez eu me engane, mas no seu rasto não havia subjugação, mas somente uma escolha.
Hoje a grande questão do islamismo na Europa é a sua colagem a uma entidade transnacional de morte. Esta organização, como se concluiu nos últimos ataques a Londres, atrai com sucesso jovens de segunda geração, aparentemente bem integrados, bem educados e de classe média. Que laços de lealdade os levaram àquela acção? Eu não descarto problemas de desajustamento que jovens de outras origens étnicas resolvem geralmente em estróinices.
Concordo que o Ocidente deve EXIGIR a secularização do Islamismo no seu seio (fora também seria desejável, mas aí são outros quinhentos). Caso isto não se verifique então... Então também concordo que o futuro será um incógnita triste.
terça-feira
Mostrar a cor. Contra a pobreza global.
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