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quarta-feira
Perplexidade
No Vaticano perguntei perplexa a um guarda suiço que pecado tinha cometido para estar ali naqueles preparos. Ele respondeu-me perplexo que tinha vindo voluntário. Há mesmo gente para tudo.
terça-feira
Contaminação germânica
A Fonte de Trevi rodeada de gente. O barbudo no meio do conjunto escultório parece que tropeçou numa casca de alga. Olho à volta e penso que despropósito colocar uma fonte ali. As pessoas atiram moedas para dentro da água desejando retornar a Roma. Que despropósito de desejo, penso eu. Estamos ao sol e por entre as gentes, vendedores de cor e pequena estatura tentam vender bugigangas. Olho sonolenta um italiano alto, que se aproxima de um destes vendedores e lhe cobre a omoplata com a manápula, enquanto pergunta o preço. O vendedor retorce-se de debaixo da mão enorme e desperto da preguiça pela sensação de perigo. A manápula agarra agora o vendedor e eu chamo a atenção do meu amigo. O vendedor consegue fugir, mas o italiano alto fica-lhe com as bugigangas. Eu e o meu amigo olhamo-nos a tentar definir o que fazer. O italiano continua a sua saga de apreensão e resolvemos denunciá-lo aos Vigilii, que nos informam que o italiano das manápulas é um deles a apreender mercadoria ilegal. Eu fico indignada: "Mas não há crimes verdadeiros em Roma?". Resolvo avisar os vendedores da presença do italiano das manápulas, mas o meu amigo diz-me que isso seria ilegal. Eu acuso-o de alemão, mas na altura da verdade falta-me a coragem de ir contra a lei. Triste contaminação germânica...
quarta-feira
O som do falar
Um dia, no convés de um barco, encontrava-se uma portuguesa a ler um livro, uma mexicana também a ler e um russo simplesmente a bronzear-se. O russo pareceu muito belo quando se virou e recostado no braço direito, olhou para a portuguesa e pediu-lhe para ela ler alto. A portuguesa achou o pedido estranho, pois ele não ia entender. Mas ele respondeu que queria só ouvir o som da fala portuguesa. Ela assentiu e começou a ler alto. A mexicana parou de ler e começou a escutar. A portuguesa gostou de se ouvir e de sentir que os outros a ouviam. Sentia-se a cantar, pois era à música da sua fala que os outros atendiam. Após várias páginas a portuguesa parou. Por nada. Podia ter continuado, estava a gostar, não estava cansada, mas ali parou e olhou para os ouvintes. O russo pediu à mexicana que lesse o livro dela. De novo a música começou, agora em espanhol. A portuguesa não tentou perceber e o russo, de novo, não entendia nada da língua. A mexicana parou por seu acordo. Houve um silêncio preenchido de sol e de mar a bater no casco do barco. Quando a portuguesa estava para adormecer ouviu o russo dizer: "o português é como o vento a passar entre as folhas de uma árvore e o espanhol como a água a passar entre as rochas num ribeiro." Esta cronista disse: "O russo é como pedras a rebolar por uma montanha abaixo."
Perigo para a pedagogia
Uma dúzia de criancinhas, com coletes reflectores, fazem uma fila entre as árvores e a pista de bicicletas, que corre paralela à estrada. Estão com três adultos também equipados com reflectores. Uma senhora coloca-se junto à pista para bicicletas e olha para a direita e para a esquerda. Dá três passos e faz o mesmo junto à estrada. Estende o braço direito sobre a estrada e deixa-o à espera por uns segundos. As crianças e os dois adultos observam compenetrados. A senhora passa a estrada, na passadeira, maquinalmente, acentuadamente, teatralizando os passos como um mimo. Ao chegar ao outro lado, as criancinhas e os dois adultos aplaudem exultantes. Uma portuguesa de ar descontraído e mãos nos bolsos faz diagonal ao cruzamento, quebrando várias regras geométricas de estrada, enquanto observa embevecida a lição.
segunda-feira
Brilhantismo
Dei o artigo do Jim Hansen a um amigo. Quando estávamos num bar ele
disse-me que tinha gostado muito, um texto claro e descomprometido. Na
conversa eu disse-lhe que o mundo iria mudar irremediavelmente e era
tudo. "Mas o artigo tem esperança. Se nos próximos dez anos fizermos
algo pode não ser irremediável" - dizia ele. Eu disse-lhe para olhar
pela janela e dizer-me o que via. Ele cantarolou: "Carro, nada, carro,
carro, nada, carro, nada, nada, carro, carro, carro..." Eu, na altura,
achei a resposta brilhante, contudo na mesma altura eu estava concentrada na
sua boca, numa de lhe dar um beijo...
disse-me que tinha gostado muito, um texto claro e descomprometido. Na
conversa eu disse-lhe que o mundo iria mudar irremediavelmente e era
tudo. "Mas o artigo tem esperança. Se nos próximos dez anos fizermos
algo pode não ser irremediável" - dizia ele. Eu disse-lhe para olhar
pela janela e dizer-me o que via. Ele cantarolou: "Carro, nada, carro,
carro, nada, carro, nada, nada, carro, carro, carro..." Eu, na altura,
achei a resposta brilhante, contudo na mesma altura eu estava concentrada na
sua boca, numa de lhe dar um beijo...
sexta-feira
Se és hetero diz não ao casamento
Teresa e Helena voltam a ver negada a pretensão de se casar.
Tem piada que ontem estava a conversar com uma amiga americana que anda em complicações para arranjar o visto para o namorado dinamarquês para se mudarem para os EUA. Da mesma forma, um amigo francês viu-se à nora para se acompanhar pela namorada de origem indiana, mas nacionalidade sueca, para a Austrália (os australianos devem ser os racistas mais desavergonhados na superfície do planeta). Em ambos os casos eu perguntei-lhes porque é que não se casavam e limitavam as chatices. Eles responderam-me que não queriam usar um sistema discriminatório. Chego à conclusão que é mesmo isso: os heterossexuais não devem usar um sistema que discrimina. Apetece mesmo dizer a esta gente que metam o seu casamento pelo ** acima.
Tem piada que ontem estava a conversar com uma amiga americana que anda em complicações para arranjar o visto para o namorado dinamarquês para se mudarem para os EUA. Da mesma forma, um amigo francês viu-se à nora para se acompanhar pela namorada de origem indiana, mas nacionalidade sueca, para a Austrália (os australianos devem ser os racistas mais desavergonhados na superfície do planeta). Em ambos os casos eu perguntei-lhes porque é que não se casavam e limitavam as chatices. Eles responderam-me que não queriam usar um sistema discriminatório. Chego à conclusão que é mesmo isso: os heterossexuais não devem usar um sistema que discrimina. Apetece mesmo dizer a esta gente que metam o seu casamento pelo ** acima.
segunda-feira
wow
estive a falar (melhor, ouvir) a Meryl Streep da ciencia. Podia ter ficado até sempre, mas como sempre com esta gente, estao de partida. Esteve a contar do glaciar da sua juventude que já nao existe. snif snif
quarta-feira
terça-feira
O Opel Manta
Ele, olhar divertido - Está um opel manta estacionado na Universidade!
Eu, olhar "aaah?" - E?
Ele, olhar "tás a mangar?" - Um opel manta....
Eu, olhar "isto deve ser uma piada alema" - E?
Ele, olhar "nao tou a acreditar q ela n sabe" - os opel manta sao guiados por aqueles parolos estúpidos que deixam o vidro aberto e poem o cotovelo para fora e a música aos altos berros.
Eu, olhar "já tou a ficar entediada com isto" - E depois?
Ele, olhar pedante - Na Universidade! Achas que combina?
Eu, olhar divertidamente apontador - O que? Estás-me a dizer que nao há estúpidos na Universidade?
Ele virou costas e foi-se embora.
Eu, olhar "aaah?" - E?
Ele, olhar "tás a mangar?" - Um opel manta....
Eu, olhar "isto deve ser uma piada alema" - E?
Ele, olhar "nao tou a acreditar q ela n sabe" - os opel manta sao guiados por aqueles parolos estúpidos que deixam o vidro aberto e poem o cotovelo para fora e a música aos altos berros.
Eu, olhar "já tou a ficar entediada com isto" - E depois?
Ele, olhar pedante - Na Universidade! Achas que combina?
Eu, olhar divertidamente apontador - O que? Estás-me a dizer que nao há estúpidos na Universidade?
Ele virou costas e foi-se embora.
domingo
Porque sim, pá
Ontem encontrei um tuga numa festa. Dez minutos de conversação e passamos o resto da festa a evitarmo-nos. Para além de ignorante orgulhoso, há aquela postura do Portugal atrasado e quando "explica" (entre aspas, porque nao houve realmente explicaçao, houve uma enumeraçao de cliches) porque acha o país atrasado compreende-se que mais do que o país, o tipo é que é atrasado. Ah, ele é pelo sim no referendo, que ele nem sabia que ia acontecer, porque... Porque é moderno. Tão a ver? A razão é essa. Ele é pelo "Sim" porque os países não atrasados são pelo "Sim". Enfim...
sexta-feira
O direito de, em Portugal, só ter de saber portugues
Se passarem pelo aeroporto de Faro e virem umas máquinas de pagamento do parqueamento vandalizadas fui eu. Nessas máquinas, as instruçoes vinham somente em duas línguas estrangeiras. Eu adicionei o portugues. Isto nao é o único exemplo nos Algarves. Eu considero que, em Portugal, um portugues tem o direito de nao ter de saber mais do que portugues nas lides diárias. Aviso já a Província do Algarve: para a próxima levo um marcador melhor e mais difícil de lavar. E se me lixam muito começo a riscar por cima das instruçoes em ingles.
domingo
Extrapolar
Penso que todos temos a mania de extrapolar. Temos a fraqueza mental de a partir de uma característica fazermos o tipo. É desta forma que eu mostro a minha surpresa porque alguém vegan é também materialista e o meu interlocutor mostra estranheza que um gay seja de direita. Ele era um polaco ateu e eu sou uma portuguesa liberal. Nao há tipos.
terça-feira
aLembra Portugal
As pessoas acham piada quando digo isto, mas e' verdade. Vinda de Hamburgo para esta terrinha dos EUA, ha' coisas que alembram-me Portugal. Em que?
A extrema dependencia do carro, uma literal extensao das pessoas, nem que se viva a 10 minutos a pe' do trabalho, numa cidade plana e com um sol radioso la' fora. Um desperdicio.
No supermercado, pela variedade estonteante de artigos e a quantidade absurda de sacos de plastico que nos dao no fim, com o pormenor hilariante da recusa de colocar um sabonete no mesmo saco da manteiga, ou o pao com os pensos higienicos. E' a contaminacao funcional!
O "How're you!" sem significado, atirado em corrida ao qual e' suposto re-atirar "Fine" e vem-me a acotovelar-se 'a presenca da consciencia os inumeros "Tudo bem?" que tive de engolir irritada em Portugal. "Bom dia", digam simplesmente "Bom dia".
A extrema dependencia do carro, uma literal extensao das pessoas, nem que se viva a 10 minutos a pe' do trabalho, numa cidade plana e com um sol radioso la' fora. Um desperdicio.
No supermercado, pela variedade estonteante de artigos e a quantidade absurda de sacos de plastico que nos dao no fim, com o pormenor hilariante da recusa de colocar um sabonete no mesmo saco da manteiga, ou o pao com os pensos higienicos. E' a contaminacao funcional!
O "How're you!" sem significado, atirado em corrida ao qual e' suposto re-atirar "Fine" e vem-me a acotovelar-se 'a presenca da consciencia os inumeros "Tudo bem?" que tive de engolir irritada em Portugal. "Bom dia", digam simplesmente "Bom dia".
sexta-feira
10-12 anos
Ontem discutia-se a guerra no Iraque e um tipo disse que os EUA teriam, provavelmente, de ficar mais 10-12 anos. Que no', em que no' esta gente se meteu. E' o que da' nao me pedirem conselho.
terça-feira
Na zona dos calhaus

No sabado subi isto. A liderar a fila de caminhantes, distraida com a beleza, a vislumbrar de vez em quando uma especie de hamster e uma especie de esquilo e mais uns passaros, a pensar na minha vida, nem me dei conta que estava a rebentar comigo (sou distraida). Agora tenho fama de estar em forma (o que eu nao neguei, escolhendo fazer um simples sorriso mona lisa). Resultado: estive durante o domingo de molho no sofa a ver tenis, pois sentia agudamente todas as particularidades fibricas do meu rabo. Agora, eu nao percebo um cu de tenis. A unica vez que "experimentei" tenis foi a ver um Roland Garros, quando num Verao estava a "estudar" para as especificas para a entrada na Universidade (as notas foram uma miseria, mas sendo Portugal Portugal, consegui mesmo assim estar confortavelmente acima da media). Portanto, domingo, esparramada no sofa, estive o primeiro jogo a decifrar as regras e depois foi papar aquilo tudo. Ja' tenho preferencias e ja' consigo encetar uma conversa sobre tenis. A nivel blogosferico sou uma expert. Isto num Domingo de rabo dorido.
quinta-feira
Os caes
Eu e o meu amigo taiwanes fomos para um passeio e ao ver os caes da pradaria, eu comentei:
- Eles sao tao anafadinhos que eu me pergunto se nao farao um churrasco saboroso.
O meu amigo taiwanes fez um trejeito, mas nao disse nada.
- Qual e' o problema? Afinal seria como comer cao.
- Em Taiwan nao se come cao.
- Eu quando for 'a China quero provar cao.
- Estas a brincar.
- Nao, qual e' o problema de comer cao?
- Os caes nao se comem.
- Porque?
- Porque nao esta certo.
- Qual e' a diferenca entre comer cao ou vaca?
- O cao e' o melhor amigo do homem!
- E'? Eu ja' ouvi falar de pessoas mortas por caes, mas nunca por vacas.
Ele ri-se.
- A diferenca e' so' sentimental. Moralmente nao ha' qualquer diferenca.
Ai' ele desiste e comeca a contar-me que afinal em Taiwan tambem se come cao e como ha' caes considerados melhores para comer conforme a cor do pelo. Eu perguntei-lhe se por acaso, quando for 'a China eu levar um cao, se lhe pintar o pelo cor-de-rosa, se elimino o risco dele ser comido. Ele contou-me a historia do casal de ocidentais que levaram o cao para a China com o tragico resultado de Tiestes e a conversa continuou gastronomica ate' que ele me descreveu o prato dos tres gritinhos...
Musica com suspense: tatatatata...
Continua
- Eles sao tao anafadinhos que eu me pergunto se nao farao um churrasco saboroso.
O meu amigo taiwanes fez um trejeito, mas nao disse nada.
- Qual e' o problema? Afinal seria como comer cao.
- Em Taiwan nao se come cao.
- Eu quando for 'a China quero provar cao.
- Estas a brincar.
- Nao, qual e' o problema de comer cao?
- Os caes nao se comem.
- Porque?
- Porque nao esta certo.
- Qual e' a diferenca entre comer cao ou vaca?
- O cao e' o melhor amigo do homem!
- E'? Eu ja' ouvi falar de pessoas mortas por caes, mas nunca por vacas.
Ele ri-se.
- A diferenca e' so' sentimental. Moralmente nao ha' qualquer diferenca.
Ai' ele desiste e comeca a contar-me que afinal em Taiwan tambem se come cao e como ha' caes considerados melhores para comer conforme a cor do pelo. Eu perguntei-lhe se por acaso, quando for 'a China eu levar um cao, se lhe pintar o pelo cor-de-rosa, se elimino o risco dele ser comido. Ele contou-me a historia do casal de ocidentais que levaram o cao para a China com o tragico resultado de Tiestes e a conversa continuou gastronomica ate' que ele me descreveu o prato dos tres gritinhos...
Musica com suspense: tatatatata...
Continua
terça-feira
O que e' que isto significa?
A senhora da cafetaria viu-me a zanzar 'a volta da maquina do cafe e nao faz mais nada: deu-me um cafe e pos-me um dolar na mao. Fiquei atonita. Subrepticiamente deixei o dolar junto 'a caixa registadora. E e' que nao percebi.
P.S.: O cafe ja' tem acucar. Bleehhhh.
P.S.: O cafe ja' tem acucar. Bleehhhh.
segunda-feira
Os grilos
Ontem 'a noite uns americanos perguntaram-me o que eu estava a achar da cidade deles. Eu la' fiz o meu elogio e acabei por passar pelos grilos. Grilos? Sim, gosto de passear 'a noite e ouvir os grilos. Ha' imenso tempo que nao tinha essa experiencia. Eles olham uns para os outros e saiem porta fora para ouvir os grilos a que nunca dao atencao.
sábado
Isto e' demasiado selvagem para mim
Porque e' que os coelhos e as cobras se metem 'a frente da minha bicicleta? Porque e' que ha' resina nas pedras? Sinceramente...
Na... :-) Esta merda ate' e' fixe... Vi veados e caes da pradaria, sapos, passaros de papo vermelho [american robins], ouvem-se grilos 'a noite. Estou apanhadinha por esta terra. Quero e nao quero ver ursos e pumas. Quero e nao quero...
Na... :-) Esta merda ate' e' fixe... Vi veados e caes da pradaria, sapos, passaros de papo vermelho [american robins], ouvem-se grilos 'a noite. Estou apanhadinha por esta terra. Quero e nao quero ver ursos e pumas. Quero e nao quero...
terça-feira
Sobrevivi
POis, sobrevivi. Por agora.
Estou nos estates, numa cidadezinha do Colorado. Se mais alguem me sorrir daquela surpreendente forma superficial, eu vou gritar. O meu colega de apartamento confessou-me que estava com medo da nova companheira alema... A pobre fama dos alemaes. A pobre fama dos alemaes. Como eu tenho saudades deles... {suspiro}
Ate' agora, o melhor e' que tenho uma bicicleta e ha' imensas pistas pela cidade: sao os passeios para peoes que estao praticamente vazios. :-)
Estou nos estates, numa cidadezinha do Colorado. Se mais alguem me sorrir daquela surpreendente forma superficial, eu vou gritar. O meu colega de apartamento confessou-me que estava com medo da nova companheira alema... A pobre fama dos alemaes. A pobre fama dos alemaes. Como eu tenho saudades deles... {suspiro}
Ate' agora, o melhor e' que tenho uma bicicleta e ha' imensas pistas pela cidade: sao os passeios para peoes que estao praticamente vazios. :-)
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