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sexta-feira

Isto lembra-me alguém

Ontem, lia eu esta passagem, lembrei-me do Dom Pereira, o espreita.

Heinrich entra em Portugal em 1798
A fortaleza fronteiriça portuguesa de Elvas fica apenas a três léguas espanholas de Badajoz e das portas desta última terra pode ser distintamente vista no cimo da sua colina. Um, pequeno ribeiro, o Caia, que com o tempo seco pode ser atravessado a pé, forma a fronteira que é mais demarcada artificialmente que pela natureza. Deste lado Portugal parece extraordinário. Em vez dos vastos descampados, das aldeias afastadas, encontra-se uma terra povoada por casas isoladas e dispersas, cujo aspecto parece indicar uma cultura e uma civilização superiores. À medida que nos aproximamos de Elvas vemos os primeiros laranjais abertos ao longo do caminho, apesar de em Badajoz se ver já uma grande quantidade destes frutos. O traje, mesmo do português vulgar, é melhor: um gibão castanho-escuro ou preto e um chapéu são mais frequentes do que os casacos e barretes castanhos dos espanhóis. As mulheres são mais amáveis e comunicativas do que as castelhanas e parecidas com as biscainhas, trazem geralmente o cabelo solto, apenas ligeiramente apanhado por uma fita ou por um lenço. A cortesia, a maneira de ser fácil, alegre e amável do povo mais humilde fazem com que de imediato se simpatize mais com a nação portuguesa do que com a espanhola. E esta opinião não se altera enquanto neste país se ficar entre as classes mais baixas, experimentando-se porém uma opinião totalmente oposta assim que se conhecem as classes mais altas.
Em Notas de uma viagem a Portugal e através de França e Espanha, pág. 79, de Heinrich Friedrich Link, Biblioteca Nacional, Lisboa, 2005
O negrito é meu.

quinta-feira

Este blogue está em reflexao

as pessoas também, quando procuram o limite das coisas,
para viver ou para morrer, se interrogam
sobre um vidro embaciado que lhes devolveu as perguntas
e a água inacessível que as separa

Excerto de metamorfoses para 23 versos, n'Antologia dos Sessenta Anos, do Homo cimentus Vasco Graça Moura, pág.33, Ediçoes Asa, 2002

domingo

Cicatrizes de Guerra, Feridas de Paz: a Tragédia Israelo-Árabe

Sharon's wall, though it certainly is not a contribution to mutual trust, was conceived as a clear move against the one-state solution. It is an acknowledgement that Zionism has lost the demographic race. Demography and the dream of Greater Eretz-Israel simply could not be reconciled. The wall is a defiant, resolute and bold manifestation that Israel would not allow this fact to usher in a one-state solution. But it is also an acknowledgement by the Israeli Right that it has lost the battle for Eretz-Israel. But unlike the case of Gaza, a small and compact area with not too many 'ideological' settlers, where Sharon plans a total withdrawal, if he ever advances a disengagement plan from the West Bank this will surely be a far more modest affair. There, he might try to remove only a small number of settlements in a way that would leave the Palestinians essentially confined to scattered autonomous enclaves surrounded by settlements and encircled by a dense network of bypass roads.

There is, of course, not the slightest chance that the Palestinians would acquiesce to such a plan. A Palestinian international campaign for a one-state solution backed by a wide popular insurgence cannot be discarded if indeed the Palestinians come to the conclusion that a viable state is not in the offing for them. That the Palestinian insurgence might even expand into the Arab population of Israel as well is not, in such conditions, a far-fetched possibility. Nor is the potential response of the extremists in Israel difficult to imagine. Transfer schemes of all kinds against the Palestinian population and the Arab community in Israel could certainly be violently advanced and a resurgence of Jewish terrorism against Arab targets cannot be dismissed. What started in the 1930s as a civil war between Jews and Arabs in mandatory Palestine and had become since 1988 a struggle for separate statehood, would thus revert to its original condition of a ruthless civil war.

Such a scenario can be averted either through an immediate resumption of negotiations on the basis of a two-state solution along the 1967 borders, or through a unilateral disengagement where Israel would pull out from the bulk of the West Bank and allow a contiguous, viable Palestinian space to exist. Ideally, if the latter option is taken, Israel should leave the door open at the same time for future negotiations for a contractual settlement with the Palestinians. Alas, neither of these options enjoyed a realistic chance in Sharon's right-of-centre coalition, especially as long as Arafat was in control of the Palestinian Authority. There seemed to be no political conditions to produce such bold moves.

(...)

Each and every one of the options, including that of the imposed settlement, that are theoretically open to the parties would inevitably unleash internal earthquakes of unprecedented dimensions within both societies, the Palestinian and the Israeli. If the parties fail to return to the two-state solution, a civil war between Jews and Arabs within the one 'South African' state is inevitable. In either of the remaining options, profound cleavages would also open, and civil strife would certainly be unleashed, this time, however, within each of the separate societies. But this, at least, would be a sacrifice in the service of a moral cause: a life of independence and dignity for each nation in its own state. In the Israeli-Palestinian conflict the possibility of peace without agony was missed years ago. From now on nobody can spare the parties their Calvary. Both Palestinians and Israelis rightly earned it with their political short-sightedness and sometimes sheer human stupidity.

Em "Scars of War, Wounds of Peace: The Israeli-Arab Tragedy" de Shlomo Ben-Ami , págs 303-4, Oxford University Press, 2006.

sábado

No IV volume do Livro dos Sonhos Recorrentes

4:517 - O sonho do apaixonamento, do casamento, da morte e do amor. Este sonho parece demorar horas, no entanto, demora sempre cinco minutos, entre eu voltar dos campos e ser acordado para o jantar. Eu sonho com o conhecer a minha mulher, há 50 anos, e é exactamente como foi. Sonho com o nosso casamento e posso até ver as lágrimas de orgulho de meu pai. Está tudo lá, exactamente como aconteceu. Então, sonho com a minha própria morte, que eu ouvi ser impossível, mas vós tendes de acreditar em mim. Eu sonho com a minha mulher, no meu leito de morte, a dizer que me ama, e ainda que ela pense que eu não a posso ouvir, eu posso, e ela diz que não modificaria nada. Sinto como se tivesse vivido este momento mil vezes, como se tudo fosse familiar, exactamente até ao momento da minha morte, que irá acontecer outra vez um número infinito de vezes, que nos iremos conhecer, casar, ter os nossos filhos, ter sucesso no que tivemos, falhar nas formas como falhamos, tudo exactamente na mesma, sempre incapazes de modificar o que seja. Estou outra vez no fundo de uma roda imparável e quando sinto os meus olhos a fechar na morte, como o fizeram e farão mil vezes, eu acordo.

Em Tudo é Iluminado (Everything is Iluminated) por Jonathan Safran Foer.

Tradução minha

quarta-feira

Balanço do ano 2006 até hoje

Filmes que eu mais amei:
Brokeback Mountain, Ang Lee
O Fiel Jardineiro, Fernando Meirelles
Match Point, Woody Allen

Livros que eu mais amei:
Tudo está iluminado, Jonathan Safran Foer
The courtier and the heretic: Leibniz, Spinoza, and the fate of God in the modern world, Mathew Stewart
O profeta do castigo divino, Pedro Almeida Vieira

Albuns de música que eu ouvi milhentas vezes:
Rogue Wave, Descended like vultures [2005]
Emilie Simon, Végétal [2006]
David Sylvian, Dead bees on a cake [1999]

Agora os odiados, desprezados e cuspidos:
Filmes:
Jarhead, Sam Mendes
Infiltrado (Inside Man), Spike Lee
Closer [2004], Mike Nichols
Livros:
The discovery of heaven, Harry Mulisch
On Bullshit, Harry G. Frankfurt
Músicas:
James Blunt [cada vez que o apanho nesse mundo poluído de sons arrepio-me toda]

quinta-feira

Everything is iluminated

They exchanged notes, like children. My grandfather made his out of newspaper clippings and dropped them in her woven baskets, into which he knew only she would dare stick a hand. Meet me under the wooden bridge, and I will show you things you have never, ever seen. The "M" was taken from the army that would take his mother's life: GERMAN FRONT ADVANCES ON SOVIET BORDER; the "eet" from their approaching warships: NAZI FLEET DEFEATS FRENCH AT LESACS; the "me" from the peninsula they were blue-eyeing: GERMANS SURROUND CRIMEA; the "und" from too little, too late: AMERICAN WAR FUNDS REACH ENGLAND; the "er" from the dog of dogs: HITLER RENDERS NONAGGRESSION PACT INOPERATIVE... and so on, and so on, each note a collage of love that could never be, and war that could.

In Everything is iluminated, Jonathan Safran Foer

Tudo é/está iluminado

Estou apaixonada por um livro. Mantas de retalhos postas umas em cima das outras. Dois jovens que fazem de conta o que sao. Velhos que fazem de conta um passado. Uma aldeia que faz de conta. Apaixonamentos, amores, casamentos, mortes. Em caixas. O fim do mundo que aconteceu mil vezes e há-de voltar a acontecer mil vezes mais. O amor, o amor pelo amor e não pela pessoa, o amor que já existe antes de o ser, o amor por quem há-de nascer, o amor por quem não se conhece. Mas ao mesmo tempo o amor que nao pode, mas poderia, se nao fosse quem amasse. Ser-se. Escolher-se. Escolher não ser cobarde, não poder não escolher não ser cobarde.

Este livro é magnífico e há tradução em português:

Está Tudo Iluminado
Jonathan Safran Foer

Colecção: Grafias
Editora: Temas & Debates

O formato, a própria escrita é importante, portanto a qualidade da tradução é essencial. Não tenho ideia disto...

Eu tinha traduzido o título para Tudo é iluminado. Eu continuo a preferir a minha visão. Tem optimismo. A luz existe sempre, temos de ser nós a encontrá-la. Como diz Alex (querido descobridor):

We all choose things, and we also all choose against things. I want to be the kind of person who chooses for more than chooses against, but like Safran, and like you, I discover myself choosing this time and the next time against what I am certain is good and correct, and against what I am certain is worthy. I choose that I will not, instead of that I will. None of this is effortless to say.

sexta-feira

1/3 do On Bullshit

Ok, não o acabei. Li 22 das 67 páginas A6. Vai dar para mais duas idas à casa-de-banho. Até agora foi um pouco seca e andou as 22 páginas à volta do conceito humbug! Só agora é que vai falar de bullshit!

Cenas

Há cerca de um mês, a Helena publicitou o livro On Bullshit de um Harry G. Frankfurt. Achei piada, fui à Amazon e encomendei-o. Distraidamente, está-se a ver, porque o livro chegou e eu fiquei surpreendida. Eu estava à espera de literatura para duas semanas... O livro tem as seguintes dimensoes: 10,5cm de largura, 16cm de altura, 1cm de espessura; as letras têm 2mm de altura e o espaço entre linhas são outros 2mm. Para quem não consegue visualizar: o livro é microscópico. O meu livro de endereços é maior! Eu sei que quantidade não é qualidade, mas eu sinceramente pensei haver mais para dizer sobre bullshit. Já que o Frankfurt resolveu ironizar escrevendo um livro vincando bem que é sem bullshit, eu ironizo lendo o livro numa ida à casa-de-banho. Portantos, aí vou eu.

quinta-feira

Uma História

Pouco depois do início do exílio nos telhados, os Wisps de Ardisht deram-se conta que muito em breve se acabariam os fósforos para acender os seus amados cigarros. Eles mantiveram uma contagem a giz na parede de uma das mais altas chaminés. Quinhentos. No dia seguinte, trezentos. No dia seguinte, cem. Eles racionaram-nos, queimaram-nos até chegar o lume aos dedos, tentando acender pelo menos trinta cigarros com cada. Quando chegaram aos vinte, acender um fósforo tornou-se uma cerimónia. Aos dez, as mulheres choravam. Nove. Oito. O líder do clã deixou cair o sétimo do telhado por acidente, atirando-se de seguida, em vergonha. Seis. Cinco. Era inevitável. O quarto foi apagado pela brisa - um enorme erro do novo líder do clã, que também se atirou para a morte, ainda que o mergulho de nariz não tenha sido escolha própria. Três: morreremos sem eles. Dois: É demasiadamente penoso continuar. Então, no momento de mais profundo desespero, uma grande ideia surgiu, por uma criança, ainda por cima: certifiquem-se que há sempre alguém a fumar. Cada cigarro pode ser aceso com um outro. Sempre que haja um cigarro aceso haverá a promessa de outro. O fim de cinza luzente é a semente de continuidade! Horários foram delineados: o turno da madrugada, o fumar da manhã, o puff do almoço, o serviço da tarde e da tardinha, a passa do crepúsculo, a sentinela solitária da meia-noite. O céu estava sempre aceso com pelo menos um cigarro, a candeia da esperança.

Em Tudo é iluminado (Everything is iluminated) de Jonathan Safran Foer

Tradução minha

terça-feira

O amor é um caso de farmácia

Os neuroquímicos envolvidos na ligação sentimental e os envolvidos no desejo e prazer sexual são diferentes. Os primeiros são a oxitocina e a vasopressina, ambas produzidas nas gónadas e no hipótalamo. Para o sexo o mais importante é a testosterona. Contudo, estas substâncias afectam-se mutuamente. Em certas condições o aumento em testosterona também aumenta os níveis de oxitocina e vasopressina, de forma a que o prazer sexual promove o estabelecimento ou o fortalecimento da ligação amorosa. Inversamente, o aumento em oxitocina e vasopressina pode resultar no aumento da testosterona, de forma a que a atracção também possa conduzir a luxúria. Quando isto acontece o romance leva a desejos sexuais. Contudo, se os níveis de testosterona excedem certos limites pode-se criar um efeito paradoxal: os níveis de oxitocina e vasopressina diminuem muito e logo as possibilidades de ligação sentimental. Assim, um pouco de excitação sexual ajuda o enamoramento, mas demasiado mata-o. Também demasiada vasopressina diminui a testosterona e logo o desejo. Há aqui um problema complexo de doseamento.


"Hardwired behavior: What neuroscience reveals about morality" de Laurence Tancredi. Cambridge University Press, 2005. Pág. 106.

Tradução minha

sexta-feira

O conselho de Flora Tristán

- Ninguém tem o direito de desperdiçar uma oportunidade assim - confirmou Flora com um gesto. - Esqueça-se do seu luto, saia deste sarcófago. Comece a viver. Estude, faça o bem, ajude os milhões de seres que, eles sim, padecem de problemas muito reais e concretos, a fome, a doença, o desemprego, a ignorância, e não podem fazer-lhes frente. O seu não é um problema, é uma solução. A viuvez salvou-a de ter de descobrir a escravidão que o casamento significa para a mulher. Não brinque a quem se sente uma heroína de novela romântica. Siga o meu conselho. Regresse à vida e ocupe-se de coisas mais generosas do que cultivar a sua dor. Por último, se não quer dedicar o seu tempo a fazer o bem: goze, divirta-se, viaje, arranje um amante. Era o que o seu marido teria feito se a senhora morresse de tuberculose.


O Paraíso na outra esquina de Mario Vargas Llosa

quinta-feira

Leio Llosa

O paraíso na outra esquina.

A história alternada de dois sonhadores que buscam os seus sonhos: Paul Gauguin, o pintor, e Flora Tristán, a avó revolucionária.

Tive uma discussão com um meu amigo sobre Gauguin, pois eu disse-lhe que eu detestava o pintor como pessoa. Ele chamou-me burguesa. Eu respondi-lhe que o que norteia a minha opinião não é a moral, mas o respeito e amor pelas pessoas. Abandonar 5 filhos, ter sexo quando se tem sifílis, ter fantasias sobre canibalismo realmente não me leva a admirar alguém. O livro continua a ser magnífico e os sonhadores fazem sempre vitimas colaterais, até Flora, se bem que eu a admire. A luta por um paraíso social é mais fácil de admirar do que a busca de um paraíso individual.

O que se diz no sapo.

quarta-feira

Livros 2005 - III



6 - É um best-seller que mete de tudo: mistério, intriga, espionagem na Inglaterra da restauração, religião, os princípios do experimentalismo na ciência... Além disso, tem um pormenor que é a cereja no bolo: a mesma história é contada em quatro perspectivas diferentes. É um daqueles livros que não se quer despegar.

p.s.: além disso, tem um heretismo... ao mesmíssimo nível do "Código Da Vinci". distracção dos cléricos ou o Dan Brown tem cunha?



5 - Um romance belíssimo. Sobre uma família, que se verte na ideia da importância da família em quem se é, definindo um mundo de amor, rancores, doçuras, amargos. Uma família de cinco elementos em que cada um tem a sua fala. O espaço de cada um nascido de uma aliança chamada família. As manipulações, o melhor e o pior que nasce de uma família. O tal. O núcleo da sociedade de que falam os políticos a pescar votos. A família modelo. A família num livro que rememoro.

Os livros que gostei mais em 2005 - II

Dois livros do momento: um é um livro de história sobre o Iraque e o outro um livro sobre furacões.



8 - O Sr. William Polk tentou colmatar a ignorância dos seus conterrâneos sobre um país que eles através do seu voto colocaram na mirada de um governo que pretende instalar a liberdade à paulada. Dizem eles, mas em frente. É um livro muito abrangente e superficial que se lê como um romance. Muito bom para conhecer o mínimo. Depois se se quiser pode-se aprofundar.




7 - Não é tão recente que fale do Katrina, mas fala de muitos outros furacões, que foram devastando, e alguns até salvando (não estou a brincar. Não me atreveria.). Mas não só! Para além da história, os furacões aparecem explicados (de uma forma acessível) - onde se formam, o que lhes dá origem, como é que uma tempestade tropical chega a furacão, etc. - nos limites do conhecimento actual, claro; aparecem desenhados e pintados; cantados em poemas e prosa. Torna-se assim um livro bonito pelo conteúdo e pela forma.

domingo

Rasteira

Ando a ler "As intermitências da morte" do José Saramago e já com intermitências de pensamento, desde pensar "este gajo está-se a plagiar a ele próprio!"; "este gajo escrevia como uma boa noite de sexo e agora é uma noite de desculpas de dor de cabeça!"; "que seca!"; já eu ia pousar o livro para nunca mais quando leio isto:

É possível que só uma educação esmerada, daquelas que já se vêm tornando raras, a par, talvez, do respeito mais ou menos supersticioso que nas almas timoratas a palavra escrita costuma infundir, tenha levado os leitores, embora motivos não lhes faltassem para manifestar explícitos sinais de mal contida impaciência, a não interromperem o que tão profusamente viemos relatando e a quererem que se lhes diga o que é que, entretanto, a morte andou a fazer desde a noite fatal em que anunciou o seu regresso.


Continuo a ler o livro.

sexta-feira

Os meus livros de 2005 - I

Agora vamos ao mais importante: livros. Retive a minha lista à espera de talvez um último livro que me apaixonasse durante as férias de Natal. Livros de autores portugueses, a tentar redimir-me de um ano desértico em leitura em português. Espinhos de viver longe. Contudo, não escolhi à altura e a minha lista permaneceu estrangeira. Existe ciência, mas não se preocupem os leigos, são livros fáceis e maravilhosamente apaixonantes para quem gosta de saber do mundo natural que o rodeia.

Começo com um livro de ciência e um livro de contos:



10 - A biography of water de Philip Ball
A biografia da água. É isso mesmo. E não há senhora tão complexa, misteriosa e bela como a água. Philip Ball é um dos editores da revista Nature e conseguiu um excelente livro que aborda os vários prismas da água: a física, a química, matéria prima da vida, a sua procura nos confins do universo, a sua beleza neste nosso planeta, o seu nascimento, o homem e a água, a civilização e a água. Com este livro compreende-se quem na verdade é omnisciente, omnipresente e omnipotente. Bendita seja entre todas as coisas. :-)



9 - Dream stuff de David Malouf
A qualidade mínima é bom. Alguns contos ainda me assombram hoje. Passam-se lá longe onde o mundo está de pernas para o ar. Espessura. As personagens... Tocamo-las, amamo-las, odiamo-las...

domingo

The Naked Woman

Andei a ler o livro "A mulher nua" de Desmond Morris. Achei o livro divertido, só um pouco seca quando o autor descreve a anatomia feminina como um biólogo e não como um homem maravilhado. Faz uma leitura leve e agradável com as suas histórias e explicações: do porquê de termos uma grande trunfa no cocuruto da cabeça, do maior sex-appeal das louras, o que é a ponta de Darwin, o sexo frequente como elemento de uma fisiologia equilibrada, a origem do beijo na boca, o pescoço como sumamente erótico na cultura japonesa, etc, etc.

"Assim, resumindo - no seu caminho evolutivo em direcção a uma cada vez maior neotenia, os machos assumiram comportamentos mais infantis, mas menos alterações físicas; enquanto que as fêmeas desenvolviam mais características físicas infantis mostrando menos qualidades mentais infantis."*
:-) Hehehe...

Como mulher a ler um livro escrito por um homem sobre o corpo feminino, no que ela tem de particular, eu não pude deixar de resvalar sempre para esse corpo tão pouco aclamado. Por muito tempo foi mal visto que uma mulher se expressasse relativamente ao corpo de um homem. Assim, devido a uma injustiça imposta à mulher surgiu uma injustiça imposta ao físico masculino. De tal forma que este só aparece como elemento de desejo nos meios homossexuais.

Pois enquanto eu lia sobre a mulher nua, eu pensava no homem nu e de como acho o corpo de um homem maravilhoso. Vós sois lindos.


© 2005 Paulo César Guerra - 1000imagens.com

* tradução minha.

quinta-feira

A vingança serve-se fria

Há uns tempos dei o livro "The pleasure of my company", do Steve Martin, a um amigo e de sorriso irónico disse-lhe que ele me fazia lembrar o personagem do livro.

Ele agora deu-me "A pomba" de Patrick Süskind. :-(

p.s.: Se não entenderam, vejam isto como uma possível motivação para a leitura.

domingo

De novo Murakami


Leio outro livro do Haruki Murakami: Sputnik Sweetheart. Um óptimo escritor, uma mestria na palavra. De novo funde o sonho com a realidade, mas agora numa outra forma de perda da pessoa. Um triângulo desencontrado: K ama Sumire e esta ama Miu. Miu é sofisticada, Sumire é devotada ao seu sonho de ser escritora até que..., K assiste. Até onde vai o amor de Sumire e de K?... :-) A ler, a ler. Vale a pena.