Ontem andei nesta página e, entre vários, li os três artigos a que faço ligação, onde se realiza uma análise dos dois pesos e duas medidas usadas pelos media dos EUA e da Grã-Bretanha para noticiarem os conflitos em que Israel está envolvida.
Blaming the Victim, Gaza, de David Edwards, 10 de Julho de 2006
Demolishing Lebanon, de David Edwards, 30 de Julho de 2006
Five myths that help Israel’s war crimes, de Jonathan Cook, 25 de Julho de 2006.
Depois de passar uma boa parte da madrugada a ler diversos artigos com este tipo de análise, fui até à janela fumar um cigarro e pensei que realmente deve haver anti-semitismo no tratamento do conflito no Médio Oriente. Só que este anti-semitismo é contra os árabes.
No arrastão outro exemplo de distorção dos média, mas agora nacional. O sr. José Manuel Fernandes está atido a que ninguém sabe ou quer ir ver debaixo da sua parvalheira. Segundo o autor do arrastão, o JMF escreve no Público (eu já desisti da minha assinatura) que um dos soldados da ONU escreveu um méil a um superior onde diz que o Hezbollah estaria a usar o posto como escudo humano. Ora, eu li a página que é dada no arrastão, em que se encontra transcrita a totalidade do méil enviado pelo soldado canadiano. Se é mesmo este o méil (e não há nada no texto, na forma como é escrito e nos pormenores que faça pensar que não) então tal como o Daniel Oliveira diz, não há qualquer identificação de que o posto da ONU estivesse a ser utilizado como escudo humano. A possibilidade de erro de leitura é impossível. A não ser que se sofra de iliteracia em inglês ou simplesmente se queira mesmo ler algo mesmo assim, assim, como se quer. Estão a ver o processo do José Manuel Fernandes editar informação? Mantenham este pensamento.
Mostrar mensagens com a etiqueta media. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta media. Mostrar todas as mensagens
sábado
sexta-feira
As cronicas sao opinioes, que nao sao verdades
As crónicas de jornal tornaram-se um meio em que alguém, sem base, define verdades. Os escritos do Dom Pereira, o espreita são um caso sintomático. A culpa é de quem os lê, claro, que no meio de uma argumentação, vem com o dito opinativo, na postura: se o supra-sumo disse, é verdade. Poupem-me. Opinião não é verdade. É preciso material de base, númerozinhos, sustança. E mesmo assim...
A virtude da opinião é fazer raciocinar e construir a contra-opinião e com isto vamos tecendo a manta da nossa opinião. Até que a gente se sente e coloque alicerces na confusão, só existe opinião. OK?
Caso de estudo interessante no canhoto.
A virtude da opinião é fazer raciocinar e construir a contra-opinião e com isto vamos tecendo a manta da nossa opinião. Até que a gente se sente e coloque alicerces na confusão, só existe opinião. OK?
Caso de estudo interessante no canhoto.
quinta-feira
Coisas que me irritam
Os inquéritos nos jornais electrónicos. Será que não conseguem pensar em perguntas em que se possa realmente responder com um sim ou com um não? Porque é que eu penso sempre: depende. Sabem como isto me poe fora de mim? Será assim tão difícil fazerem uma simples pergunta? Sim ou Não?
quarta-feira
A BBC e as suas decisões editoriais
Durante o caso dos cartoons dinamarqueses a BBC não os mostrou. Justificaram-se dizendo que para informar não era preciso mostrá-los e que só iria ofender desnecessariamente muito dos seus leitores. Duvido que sem ver os cartoons as pessoas pudessem avaliar a gravidade da ofensa, mas lá está, é direito deles.
Agora surgiram novas imagens relativas ao caso de torturas e humilhações na prisão de Abu Ghraib. Não são novos casos de tortura, é mais material visual do ocorrido. Na página da internet da BBC tem-se acesso às fotografias e um vídeo. Avisam-se que podem ser chocantes. Para avaliar da significância das novas imagens abri o das fotografias. São tristes e desnecessárias. O caso já veio para a arena, já foi discutido, pessoas foram condenadas. Para quê mostrar as fotografias de seres humanos rebaixados? O que trazem aquelas fotografias de novo?
O meu respeito pela BBC e pelas suas decisões editoriais despenhou.
Agora surgiram novas imagens relativas ao caso de torturas e humilhações na prisão de Abu Ghraib. Não são novos casos de tortura, é mais material visual do ocorrido. Na página da internet da BBC tem-se acesso às fotografias e um vídeo. Avisam-se que podem ser chocantes. Para avaliar da significância das novas imagens abri o das fotografias. São tristes e desnecessárias. O caso já veio para a arena, já foi discutido, pessoas foram condenadas. Para quê mostrar as fotografias de seres humanos rebaixados? O que trazem aquelas fotografias de novo?
O meu respeito pela BBC e pelas suas decisões editoriais despenhou.
sexta-feira
Dar a voz aos muçulmanos de razão
Excerto dum artigo de Timothy Garton Ash no Guardian:
I think the British media have done exactly what they should by letting us hear the voices of Muslim extremists but setting them against moderate and reasonable Muslim voices, as well as those of non-Muslims. There was a riveting discussion on Newsnight, in which two British Muslim women calmly argued with the ranting, demagogic, but in style and accent also recognisably British, extremist Anjem Choudary, of the al-Ghuraba groupuscule. Perhaps it would have been better still if the discussion had been chaired by, say, Zeinab Badawi rather than Jeremy Paxman; but the essential point is that it provided a civilised platform on which Muslims could argue with fellow Muslims. Reporters sweepingly write of "Muslim anger" erupting across the world, but many British Muslims are as angry with the jihadist provocateurs as they are with the Danish cartoonists, as we will doubtless see in the demonstration planned by British Muslims in London this Saturday.
(...)
But the real dividing line is between moderates and extremists on both sides, between men and women of reason and dialogue, whether Muslim or non-Muslim, and men and women of hatred, such as Abu Hamza or Nick Griffin. Not for the first time in recent history, the means are more important than the ends. In fact, the means you choose determine where you'll end up.
This is not a war, and it's not going to be won or lost by the west. It's an argument inside Islam and inside Europe, where millions of Muslims already live. If reason prevails over hate, it will be because most British, French, German, Spanish, Italian, Dutch, Danish and altogether European Muslims prevail over their own extremist minorities. We non-Muslim Europeans can contribute to that outcome, by our policies abroad, towards Iraq, Iran, Israel and Palestine, and at home, on immigration, education, jobs and so forth. We can also contribute by cultural sensitivity and self-restraint, but we cannot compromise on the essentials of a free society. Offering platforms of civilised free speech for European Muslims to conduct their debate with each other, as the British media have done this week, is one of the best answers we can give to hate.
Via Lutz.
I think the British media have done exactly what they should by letting us hear the voices of Muslim extremists but setting them against moderate and reasonable Muslim voices, as well as those of non-Muslims. There was a riveting discussion on Newsnight, in which two British Muslim women calmly argued with the ranting, demagogic, but in style and accent also recognisably British, extremist Anjem Choudary, of the al-Ghuraba groupuscule. Perhaps it would have been better still if the discussion had been chaired by, say, Zeinab Badawi rather than Jeremy Paxman; but the essential point is that it provided a civilised platform on which Muslims could argue with fellow Muslims. Reporters sweepingly write of "Muslim anger" erupting across the world, but many British Muslims are as angry with the jihadist provocateurs as they are with the Danish cartoonists, as we will doubtless see in the demonstration planned by British Muslims in London this Saturday.
(...)
But the real dividing line is between moderates and extremists on both sides, between men and women of reason and dialogue, whether Muslim or non-Muslim, and men and women of hatred, such as Abu Hamza or Nick Griffin. Not for the first time in recent history, the means are more important than the ends. In fact, the means you choose determine where you'll end up.
This is not a war, and it's not going to be won or lost by the west. It's an argument inside Islam and inside Europe, where millions of Muslims already live. If reason prevails over hate, it will be because most British, French, German, Spanish, Italian, Dutch, Danish and altogether European Muslims prevail over their own extremist minorities. We non-Muslim Europeans can contribute to that outcome, by our policies abroad, towards Iraq, Iran, Israel and Palestine, and at home, on immigration, education, jobs and so forth. We can also contribute by cultural sensitivity and self-restraint, but we cannot compromise on the essentials of a free society. Offering platforms of civilised free speech for European Muslims to conduct their debate with each other, as the British media have done this week, is one of the best answers we can give to hate.
Via Lutz.
quinta-feira
Comentário na BBC...
... que raspa um dos pontos do meu pensamento.
Let me admit up front that I'm an atheist and have no love for any of the Big Three religions. That said, I'd like to point something out: When there's something really offensive to Christians, Pat Robertson gets all mad for a day or two, but life goes on. When there's something offensive to Jews, Abraham Foxman gets all mad for a day or two, but life goes on. When there's something offensive to Islam, it's the top story on the BBC for several days in a row. Get my drift?
James Sweet, Rochester, NY, USA
Let me admit up front that I'm an atheist and have no love for any of the Big Three religions. That said, I'd like to point something out: When there's something really offensive to Christians, Pat Robertson gets all mad for a day or two, but life goes on. When there's something offensive to Jews, Abraham Foxman gets all mad for a day or two, but life goes on. When there's something offensive to Islam, it's the top story on the BBC for several days in a row. Get my drift?
James Sweet, Rochester, NY, USA
quarta-feira
Já não há pachorra
A sensação que tenho é que a comunicação social portuguesa está numa campanha para deprimir os portugueses. Se não têm nada de bom a opinar, limitem-se aos factos. Do que eu tenho visto seria uma revolução. Factos, factos, fatos, fatos, pois aquele fato do Sócrates é comparativamente com o do Zapatero de pior corte. Não é corte inglês. Não há pachorra.
domingo
Não se pesquisa nos sites dos jornais portugueses
Deve ser mais fácil ter resposta a uma carta para o Pai Natal. Porquê? Porque é assim tão difícil? Porque é que posso comprar jornais turcos, chineses, árabes, franceses, espanhóis, gregos, italianos (etc...) e não posso comprar jornais portugueses em Hamburgo? Porque é que não respondem às minhas cartas electrónicas? Porque é que o quarto poder é tão português como os outros? Que seria de mim sem a blogosfera para saber notícias? Porque estou sem paciência?
Porra pra isto!
Snif... Snif...
Porra pra isto!
Snif... Snif...
segunda-feira
Há constituições e constituições
É interessante que uma revista como a vossa apoie a constituição iraquiana quando, há alguns meses, se opuseram à versão europeia. Talvez que a vossa oposição a este último documento abrande se se der um papel oficial à religião e se introduzir a exigência de que os juízes do Tribunal Europeu sejam educados na lei do Levítico?
KYRRE HOLM de Oslo, Noruega ao The Economist no The Economist desta semana, secção Cartas.
Tradução minha.
KYRRE HOLM de Oslo, Noruega ao The Economist no The Economist desta semana, secção Cartas.
Tradução minha.
quarta-feira
Viver numa bolha
Uma amiga respondeu-me ao meu último poste dizendo que achava impossível que com a comunicação social de hoje uma jovem de 16 anos não estivesse informada sobre doenças de transmissão sexual, métodos contraceptivos...
Eu sorri e pensei que eu acho exactamente o contrário. Com a comunicação social de hoje aprende-se pouco. Estão mais interessados em notícias flamejantes, chocantes, esfusiantes, do que o aborrecimento de informar com conta e medida. Para ser-se informado tem de se procurar a informação e uma jovem de menos de dezasseis anos pode não ter os meios ou o discernimento de saber onde procurar.
Imaginei-me com dezasseis anos. Com dezasseis anos eu não tinha qualquer ideia sobre métodos contraceptivos. Sabia a biologia da coisa, mas ninguém se tinha dado ao trabalho de me explicar o pragmático da questão. Tive sorte. A minha vida sexual começou mais tarde, quando já tinha procurado por mim a informação. Se tivesse ficado grávida na altura estava lixada.
As pessoas vivem em bolhas. As pessoas não entendem que para se procurar a informação é necessário perceber que se necessita de informação. Que nem toda a gente é bem ou tia. É por isto que é necessário estender a mão. É necessário que a informação chegue antes.
Eu sorri e pensei que eu acho exactamente o contrário. Com a comunicação social de hoje aprende-se pouco. Estão mais interessados em notícias flamejantes, chocantes, esfusiantes, do que o aborrecimento de informar com conta e medida. Para ser-se informado tem de se procurar a informação e uma jovem de menos de dezasseis anos pode não ter os meios ou o discernimento de saber onde procurar.
Imaginei-me com dezasseis anos. Com dezasseis anos eu não tinha qualquer ideia sobre métodos contraceptivos. Sabia a biologia da coisa, mas ninguém se tinha dado ao trabalho de me explicar o pragmático da questão. Tive sorte. A minha vida sexual começou mais tarde, quando já tinha procurado por mim a informação. Se tivesse ficado grávida na altura estava lixada.
As pessoas vivem em bolhas. As pessoas não entendem que para se procurar a informação é necessário perceber que se necessita de informação. Que nem toda a gente é bem ou tia. É por isto que é necessário estender a mão. É necessário que a informação chegue antes.
sábado
Trauma pós-guerra, presume-se
Há 60 anos, os EUA lançaram uma bomba atómica sobre Hiroxima.
Na altura o Le Monde escreve como cabeçalho: Uma revolução científica: Os americanos lançam a sua primeira bomba atómica sobre o Japão.
Na altura o Le Monde escreve como cabeçalho: Uma revolução científica: Os americanos lançam a sua primeira bomba atómica sobre o Japão.
Subscrever:
Mensagens (Atom)