Ainda sobre a Concepção Inteligente (CI), ou melhor, os seus apoiantes, fui desencantar o excerto de uma carta de um leitor da "New Scientist" de 9 de Julho de 2005. Na altura achei a questão do Sr. Vasudev Godbole perspicaz.
Porque é que as pessoas têm a necessidade de adoptar este tipo de pontos de vista?
Um engenheiro que construa um avião que voe de Londres a Nova Iorque sem piloto é mais inteligente que um engenheiro cujo avião necessite de piloto. Contudo, os passageiros provavelmente sentir-se-ão melhor viajando no segundo tipo de avião. Da mesma forma, o Deus que crie a evolução sem necessidade de mais intervenção é mais inteligente que o Deus cuja criação necessite de supervisão e manutenção constante. Talvez as pessoas se sintam mais amadas pelo segundo tipo de Deus e, proveniente de um sentimento de gratidão, declaram que este é o mais inteligente.
Este problema psicológico está na raiz da maior parte da hostilidade dirigida aos evolucionistas pelos apoiantes da CI. (...) "Como se atrevem a negar ou a comportarem-se com ingratidão para com um Deus protector?" - esta é a questão amarga que eles fazem. Estão 110% seguros de que o Deus que intervém a cada meia hora é mais carinhoso e protector que O que só intervém no infinito. No âmago psicológico dos apoiantes da CI isto é que os motiva e impulsiona para a ridicularização e demonização dos evolucionistas.
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domingo
terça-feira
Teoria do Monstro Esparguete
Nos EUA existe uma grande celeuma relativamente ao ensino nas aulas de ciência da Concepção Inteligente a par da Teoria da Evolução Natural. [Definições em entrada deste blogue "Errata ao Público"]
Esta incursão da fé, no que deveria ser reino somente do racional, dá uma ideia da religiosidade nos EUA, na vertente "mais papista que o papa". A questão nem é que se queira ensinar a Concepção Inteligente na escola, mas que o queiram fazer nas aulas de ciência!
Este debate é ao nível do ensino secundário e não universitário. Pessoalmente penso que esta situação, para nós estranha, poderá ser vantajosa para a ciência americana (portanto mundial), ao alimentar os fundos para a investigação da Teoria da Evolução Natural. Assim, ter-se-ão mais meios para estudar o campo da biologia evolutiva, produzindo mais conhecimento, que irá apoiar ou desapoiar a teoria, produzindo explicações e questões. O normal na Ciência.
A desvantagem cai na ignorância de quem sai dos liceus e, em corolário, da população americana em geral. Tendo em atenção as últimas eleições penso que a UN deveria tomar uma resolução para o salvamento destas pessoas. Senão vai à força! A dificuldade será arranjar outro Bush...
Para ver uma espécie de reclamação humorosa ir a este sítio. O reclamante não só obteu resultados palpáveis, como agora transformou a sua Teoria do Monstro Esparguete num sucesso comercial. Querem comprar umas canecas ou umas camisolas?
Actualização: Esparguete no New York Times
Esta incursão da fé, no que deveria ser reino somente do racional, dá uma ideia da religiosidade nos EUA, na vertente "mais papista que o papa". A questão nem é que se queira ensinar a Concepção Inteligente na escola, mas que o queiram fazer nas aulas de ciência!
Este debate é ao nível do ensino secundário e não universitário. Pessoalmente penso que esta situação, para nós estranha, poderá ser vantajosa para a ciência americana (portanto mundial), ao alimentar os fundos para a investigação da Teoria da Evolução Natural. Assim, ter-se-ão mais meios para estudar o campo da biologia evolutiva, produzindo mais conhecimento, que irá apoiar ou desapoiar a teoria, produzindo explicações e questões. O normal na Ciência.
A desvantagem cai na ignorância de quem sai dos liceus e, em corolário, da população americana em geral. Tendo em atenção as últimas eleições penso que a UN deveria tomar uma resolução para o salvamento destas pessoas. Senão vai à força! A dificuldade será arranjar outro Bush...
Para ver uma espécie de reclamação humorosa ir a este sítio. O reclamante não só obteu resultados palpáveis, como agora transformou a sua Teoria do Monstro Esparguete num sucesso comercial. Querem comprar umas canecas ou umas camisolas?
Actualização: Esparguete no New York Times
sexta-feira
Errata ao Público
Ontem vinha um artigo no Público intitulado "Criacionismo deve ser ensinado a par da evolução nas escolas, diz George W. Bush". Igualavam o Criacionismo com a Concepção Inteligente, o que é errado. Têm em comum o serem ofensivas de base religiosa contra os fundamentos da ciência e concretamente contra a Teoria da Evolução por Selecção Natural, mas conceptualmente e com virulência diferentes.
A Teoria da Evolução por Selecção Natural expressa a descendência de todos os organismos a partir de um antepassado comum, que foram divergindo em novas espécies pela acumulação gradual de modificações genéticas, sem um fim definido. Cada uma das modificações terão sido vantajosas ou, pelo menos, não tornaram a sobrevivência dos organismos portadores impossível.
A Teoria da Evolução por Selecção Natural é um sistema explicativo, cuja actualidade e aceitação científica se deve à sua capacidade em explicar e prever diversos fenómenos observáveis, e nomeadamente o facto de ser possível testá-la empiricamente. Sobrevive no debate científico desde que Darwin primeiro a concebeu na primeira metade do séc.XIX. Evoluiu ela própria no tempo, à medida que novos conhecimentos surgiam, sendo apoiada e enriquecida por outras descobertas e teorias como a da hereditariedade. Os seus fundamentos são utilizados hoje não só no campo da Biologia, mas noutros campos do saber. Tudo isto mostra a sua força como modelo explicativo.
O Criacionismo explica o aparecimento da Natureza como está na Biblia. Deus veio, trabalhou seis dias, criou tudo e descansou no sétimo. Baseia-se em fé.
A Concepção Inteligente aceita que os organismos descendam de um antepassado comum, aceita até um pouco de evolução natural, mas postulam a existência de um desígnio divino, que propositadamente guiou a evolução num determinado sentido. Baseia-se no ataque à Teoria da Evolução por Selecção Natural.
Mais tarde poderei comentar um pouco mais esta luta entre a religião e a ciência, que é mais notória nos EUA.
A Teoria da Evolução por Selecção Natural expressa a descendência de todos os organismos a partir de um antepassado comum, que foram divergindo em novas espécies pela acumulação gradual de modificações genéticas, sem um fim definido. Cada uma das modificações terão sido vantajosas ou, pelo menos, não tornaram a sobrevivência dos organismos portadores impossível.
A Teoria da Evolução por Selecção Natural é um sistema explicativo, cuja actualidade e aceitação científica se deve à sua capacidade em explicar e prever diversos fenómenos observáveis, e nomeadamente o facto de ser possível testá-la empiricamente. Sobrevive no debate científico desde que Darwin primeiro a concebeu na primeira metade do séc.XIX. Evoluiu ela própria no tempo, à medida que novos conhecimentos surgiam, sendo apoiada e enriquecida por outras descobertas e teorias como a da hereditariedade. Os seus fundamentos são utilizados hoje não só no campo da Biologia, mas noutros campos do saber. Tudo isto mostra a sua força como modelo explicativo.
O Criacionismo explica o aparecimento da Natureza como está na Biblia. Deus veio, trabalhou seis dias, criou tudo e descansou no sétimo. Baseia-se em fé.
A Concepção Inteligente aceita que os organismos descendam de um antepassado comum, aceita até um pouco de evolução natural, mas postulam a existência de um desígnio divino, que propositadamente guiou a evolução num determinado sentido. Baseia-se no ataque à Teoria da Evolução por Selecção Natural.
Mais tarde poderei comentar um pouco mais esta luta entre a religião e a ciência, que é mais notória nos EUA.
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