Nas estranjas já se viraram para mim com aquele ar compadecido de quem olha para uma refugiada de uma terra controlada pelas batinas negras, cérebros conservadores e viúvas vestidas de negro, felizes pelo falecido ter ido desta pra melhor e já nao lhes espalhar nódoas negras pelo corpo (pensam que eu estou a fazer só jogos de palavras?). Eu eriço-me e minto. Acho que é nestes momentos que eu vejo que gosto de Portugal. Pode ser mau, mas é meu, carago e nao se amerdem a pensar mal, seus estranjeirotes.
Bem, continuando, eu digo-lhes que ser pelo aborto nao é necessariamente ser avançado. Que há motivos contrários completa e totalmente respeitáveis de humanismo. Nisto eu acredito, mas minto quando faço entender que é este o motivo principal em Portugal. Os portugueses sao maioritariamente contra o aborto por hipocrisia. Fina, doente, repelente. O que mais chateia um portugues é que alguem possa ser feliz sem castigo. O que mais chateia um portugues é nao poder moralizar, nem que seja indirectamente. O que mais chateia um portugues é nao poder por o indicador no ar e dizer "estava mesmo a pedi-las."
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terça-feira
sábado
Violencia Doméstica - nao há que preocupar que estamos na frente da Palestina
O problema, argumenta Dulce Rocha, vice-presidente da Associação Portuguesa das Mulheres Juristas (APMJ) , é que "são raras as condenações", acrescentando: "Quer no crime de violência doméstica, quer no de maus-tratos a crianças, há uma impunidade manifesta deste tipo de comportamentos. É mais fácil uma pessoa ser presa devido a um crime de furto do que de maus-tratos. A prática judicial não tem acompanhado a evolução da situação em Portugal. Bater na mulher é um comportamento que é tolerado na sociedade e isso não favorece a defesa dos direitos humanos."
The chief of police told Human Rights Watch that “a woman in Hebron could get her eye gouged out but be too afraid of society to report the abuse.”
(...) discriminatory legislation in force in the West Bank and Gaza, described in the subsections below, does not act as a deterrent to violence, nor does it provide victims with adequate redress for the abuse they have suffered. In fact, the penal laws in particular and the way in which they have been interpreted and applied in practice have led to virtual impunity for perpetrators of violence against Palestinian women and girls.
A falta de provas é a principal justificação para que estes processos não cheguem à fase final de julgamento. E o novo Código Penal ainda vai tornar a prova mais difícil, segundo Dulce Rocha: "Com a redacção actual já é difícil ver o agressor no banco dos réus, mas no futuro será pior. A proposta de alteração refere que os maus tratos têm de ser reiterados e praticados de forma intensa", explica.
Palestinian women in violent or life-threatening marriages have two legal options available to them: pressing charges for spousal abuse or initiating a divorce on the basis of physical harm. Both require evidence of extreme violence and impose a high evidentiary burden on the victim.
Because there is no specific domestic violence legislation in the OPT [Occupied Palestinian Territories], adult victims of violence must rely on general penal provisions on assault when they seek to press charges. These laws provide little remedy to victims unless they have suffered the most extreme forms of injury. Article 33 of the Jordanian penal code (applied in the West Bank) outlines the penalties for violence based on the number of days the victim is hospitalized. As is the situation with all assault cases, if the victim requires less than 10 days of hospitalization, a judge has the authority to dismiss the case at his own discretion as a “minor offense.” In such cases, public prosecutors also try to reconcile the parties rather than pressing charges. The law permits a judge to impose a slightly higher sentence when the victim is hospitalized between 10 and 20 days. According to the law, mandatory prosecution is required only in cases where the victim is hospitalized for more than 20 days. Since victims of domestic violence may go to the hospital several times to treat their injuries with no intention of pressing formal charges, they may have no medical records to support claims of long-term abuse should they later decide to press charges or seek a divorce.
The chief of police told Human Rights Watch that “a woman in Hebron could get her eye gouged out but be too afraid of society to report the abuse.”
(...) discriminatory legislation in force in the West Bank and Gaza, described in the subsections below, does not act as a deterrent to violence, nor does it provide victims with adequate redress for the abuse they have suffered. In fact, the penal laws in particular and the way in which they have been interpreted and applied in practice have led to virtual impunity for perpetrators of violence against Palestinian women and girls.
A falta de provas é a principal justificação para que estes processos não cheguem à fase final de julgamento. E o novo Código Penal ainda vai tornar a prova mais difícil, segundo Dulce Rocha: "Com a redacção actual já é difícil ver o agressor no banco dos réus, mas no futuro será pior. A proposta de alteração refere que os maus tratos têm de ser reiterados e praticados de forma intensa", explica.
Palestinian women in violent or life-threatening marriages have two legal options available to them: pressing charges for spousal abuse or initiating a divorce on the basis of physical harm. Both require evidence of extreme violence and impose a high evidentiary burden on the victim.
Because there is no specific domestic violence legislation in the OPT [Occupied Palestinian Territories], adult victims of violence must rely on general penal provisions on assault when they seek to press charges. These laws provide little remedy to victims unless they have suffered the most extreme forms of injury. Article 33 of the Jordanian penal code (applied in the West Bank) outlines the penalties for violence based on the number of days the victim is hospitalized. As is the situation with all assault cases, if the victim requires less than 10 days of hospitalization, a judge has the authority to dismiss the case at his own discretion as a “minor offense.” In such cases, public prosecutors also try to reconcile the parties rather than pressing charges. The law permits a judge to impose a slightly higher sentence when the victim is hospitalized between 10 and 20 days. According to the law, mandatory prosecution is required only in cases where the victim is hospitalized for more than 20 days. Since victims of domestic violence may go to the hospital several times to treat their injuries with no intention of pressing formal charges, they may have no medical records to support claims of long-term abuse should they later decide to press charges or seek a divorce.
terça-feira
aLembra Portugal
As pessoas acham piada quando digo isto, mas e' verdade. Vinda de Hamburgo para esta terrinha dos EUA, ha' coisas que alembram-me Portugal. Em que?
A extrema dependencia do carro, uma literal extensao das pessoas, nem que se viva a 10 minutos a pe' do trabalho, numa cidade plana e com um sol radioso la' fora. Um desperdicio.
No supermercado, pela variedade estonteante de artigos e a quantidade absurda de sacos de plastico que nos dao no fim, com o pormenor hilariante da recusa de colocar um sabonete no mesmo saco da manteiga, ou o pao com os pensos higienicos. E' a contaminacao funcional!
O "How're you!" sem significado, atirado em corrida ao qual e' suposto re-atirar "Fine" e vem-me a acotovelar-se 'a presenca da consciencia os inumeros "Tudo bem?" que tive de engolir irritada em Portugal. "Bom dia", digam simplesmente "Bom dia".
A extrema dependencia do carro, uma literal extensao das pessoas, nem que se viva a 10 minutos a pe' do trabalho, numa cidade plana e com um sol radioso la' fora. Um desperdicio.
No supermercado, pela variedade estonteante de artigos e a quantidade absurda de sacos de plastico que nos dao no fim, com o pormenor hilariante da recusa de colocar um sabonete no mesmo saco da manteiga, ou o pao com os pensos higienicos. E' a contaminacao funcional!
O "How're you!" sem significado, atirado em corrida ao qual e' suposto re-atirar "Fine" e vem-me a acotovelar-se 'a presenca da consciencia os inumeros "Tudo bem?" que tive de engolir irritada em Portugal. "Bom dia", digam simplesmente "Bom dia".
segunda-feira
O estado da nacao
3. Parece que um quarto dos portugueses não se importavam que Portugal fosse parte do Estado Espanhol. A mim não me choca nada, desde um ponto de vista nacionalista - um ponto que não tenho. O que me choca é que haja tanta gente que pensa que para ter uma sociedade (mais) decente é preciso imaginar a pertença a outro estado, em vez de mudar o estado das coisas no sítio onde acontece viver-se. 
Exacto. A minha grande pena e' que este pessoal nao emigre. Queixam-se, queixam-se, mas nao emigram. E e' que Espanha e' ja' ali ao lado. E' um pulinho. Com a UE nem e' preciso visto. Se compartilha da opiniao do quarto e me esta' a ler, faca um favor ao resto de nos: de o pulo e seja feliz.

Exacto. A minha grande pena e' que este pessoal nao emigre. Queixam-se, queixam-se, mas nao emigram. E e' que Espanha e' ja' ali ao lado. E' um pulinho. Com a UE nem e' preciso visto. Se compartilha da opiniao do quarto e me esta' a ler, faca um favor ao resto de nos: de o pulo e seja feliz.
terça-feira
O absurdo letal em português
Hoje li isto no DN e li este texto da Fernanda Câncio. Fui submergida por uma tristeza e um desapontamento enorme, pela sociedade portuguesa, pela justiça, pela vítima, por um país que eu quero sentir como meu, mas que se recusa a ser.
Desde o crime que fui lendo notícias que me surgiam absurdas, demasiadamente falhas de lógica para eu não escolher esperar e ter esperança que os preconceitos não levassem a melhor no sistema judicial. É que mesmo havendo preconceito, os senhores procuradores são pessoas de raciocínio, não?, vão compreender que as outras pessoas também são pessoas de raciocínio e vão perceber quando eles estão a ser imbecis, não?, eles não vão querer parecer imbecis, pois não?, nem personagens de uma novela de Kafka ou Dostoevsky? Não, pois não?
Eu já nem falo de justiça, eu já nem falo da senhora de olhos tapados, já só falo de lógica, de não distorcer factos até ao absurdo.
A falta de provas que sustentasse a acusação de homicídio levou os procuradores a alterarem a qualificação dos crimes. O relatório da autópsia indicou que a morte foi provocada por afogamento (o corpo foi lançado pelos menores para um fosso com água), não tendo sido as agressões a originar o óbito de Gisberta Júnior.
Quererei eu retornar a um país em que adolescentes podem-me mandar para dentro de um poço e morrendo afogada, argumentarem que quem me matou foi a água?! Claro que há aqui dois pormenores subtis: é preciso que eles pensem que já me mataram e que o que me tenham feito antes não resultasse directamente na minha morte. A culpa é da água que finalizou o serviço. Se não houvesse água a culpa poderia ser da força da gravidade. Se mesmo assim não morresse e ninguém me encontrasse a culpa poderia ser de falta de comida, de falta de água, de falta de tratamento médico, mas quiçá nunca do que me levou em primeiro lugar para dentro do poço! É inusitado, mas há sempre alguma coisa que nos provoca a morte se não tiverem cuidado com o nosso corpo ainda vivo! Coisas que menores não conseguem abarcar pela sua complexidade extrema.
Ao que apurou o DN, da parte da defesa dos menores implicados, houve advogados que promoveram alegações em que sustentaram que não houve tentativa de homicídio. Não contestaram, contudo, que fossem aplicadas medidas tutelares, realçando apenas que o tribunal devia ter em conta atenuantes derivadas do contexto social e psicológico em que os menores viviam.
Os putos torturaram durante dias uma pessoa, deitaram-na a um poço e não houve tentativa de homicídio. O que será tentativa de homicídio? Foi devagar demais, é isso? Há dois dias estive num antigo campo de concentração nazi. Os prisioneiros eram forçados a fazer trabalhos absurdos, inúteis e fisicamente violentos até à morte. Dependia da fortaleza das pessoas quando chegavam ao campo, mas geralmente o máximo de tempo que as pessoas sobreviviam era 3 meses. Presumo que segundo estes advogados estes homens não foram assassinados. Ninguém os queria matar. Foram as condições de trabalho. Insano!
Atenuantes? Eu não queria ter estas dúvidas a vergastar-me, mas:
*) se a vítima não fosse transsexual haveria atenuantes?
*) se a vítima não fosse prostituta haveria atenuantes?
*) etc.
*) resumindo: é o ser da vítima a atenuante?
Outro aspecto que me deixa doente é a ausência (eu ainda com esperanças de ser só ausência) de informação sobre o apuramento de responsabilidades ou a compreensão do tal contexto social e psicológico que levou os adolescentes a cometer aquele crime extremo. Pelo contrário. Os responsáveis d'A Oficina de S. José foram desculpabilizados e li declarações incríveis dos srs padres, que, no mínimo dos mínimos, os colocariam como incapazes de ter a seu cargo menores. No entanto, a Oficina de S. José continua a ter jovens à sua responsabilidade! Quando os adolescentes forem internados em instituições, o que será feito? Vão-lhes ensinar a fragilidade do corpo humano? Biologia? O respeito pelos outros? A cobardia e o horror de torturar pessoas indefesas? E quando sairem? O que está a ser pensado para prevenir outros jovens de ter uma mentalidade tão doente? As posições relativas aos srs padres da Oficina e o silêncio levam-me a ter medo, muito medo, demasiado medo. O julgamento é à porta fechada. Será mesmo para proteger os menores? Serei eu malévola quando duvido? Quando acredito que é uma forma de varrer rapidamente o caso para fora do conhecimento dos jornais e no cômputo final de quem quer ter a certeza que vai haver consequências? Nem digo de punição, pelo menos de identificação do problema e estratégias para que isto não torne a acontecer. É para mim louco que se tente ignorar o problema desta maneira. Por favor, venha alguém dizer-me que estou errada!
O que se denota na justiça portuguesa é a importância do rácio estatuto da vítima versus estatuto do suspeito. A vítima é uma criança, o corpo não foi encontrado, os suspeitos são pobres e desarticulados, mas tudo fica rapidamente provado, a pena é célere, demasiadamente célere, de tal maneira que se fica desconfiado. Temos vários jovens, quando crianças enfiados numa instituição de solidariedade social, a apontar o dedo a suspeitos importantes, o caso arrasta-se durante anos, sem fim à vista. Suspeita-se principalmente que as supostas vítimas estão todas combinadas. Paninhos quentes e macro-compreensões para as supostas vítimas é que não se ouvem, ainda que venham de um contexto social e psicológico difícil. Deve ser porque são supostas. A vítima é uma pária (transexual, prostituta, doente com HIV e tuberculose) e os adolescentes abandonados, fruto de famílias disfuncionais, nem suspeitos são, há corpo, há marcas de sevícias, mas subentende-se que não têm pingo de maldade dentro deles. São tão inocentes que não têm capacidade de compreender o raciocínio de poço+água+pessoa=morte. Se pensavam que a Gisberta estava morta antes de a terem atirado ao poço são incapazes de compreender que "tortura corporal continuada"+pessoa+ "delta tempo"=morte. A morte não existe para estas crianças, ainda que elas tenham mais de doze anos. Porque provêm de meios sociais desfavorecidos e todos sabemos que em meios sociais desfavorecidos a compreensão do que é e provoca a morte é tardia.
Pelo menos, srs procuradores, mantenham uma aparência de respeito pela inteligência dos outros. Digam que os adolescentes são todos débeis mentais. É mais fácil de engolir. É mais fácil para nos iludirmos e não vermos a merda de justiça que promovem ou que a justiça é simplesmente o espelho do país preconceituoso e hipócrita que é Portugal. O país que representam eu não o quero para nada. Obrigado por mo mostrarem tão declaradamente.
Desde o crime que fui lendo notícias que me surgiam absurdas, demasiadamente falhas de lógica para eu não escolher esperar e ter esperança que os preconceitos não levassem a melhor no sistema judicial. É que mesmo havendo preconceito, os senhores procuradores são pessoas de raciocínio, não?, vão compreender que as outras pessoas também são pessoas de raciocínio e vão perceber quando eles estão a ser imbecis, não?, eles não vão querer parecer imbecis, pois não?, nem personagens de uma novela de Kafka ou Dostoevsky? Não, pois não?
Eu já nem falo de justiça, eu já nem falo da senhora de olhos tapados, já só falo de lógica, de não distorcer factos até ao absurdo.
A falta de provas que sustentasse a acusação de homicídio levou os procuradores a alterarem a qualificação dos crimes. O relatório da autópsia indicou que a morte foi provocada por afogamento (o corpo foi lançado pelos menores para um fosso com água), não tendo sido as agressões a originar o óbito de Gisberta Júnior.
Quererei eu retornar a um país em que adolescentes podem-me mandar para dentro de um poço e morrendo afogada, argumentarem que quem me matou foi a água?! Claro que há aqui dois pormenores subtis: é preciso que eles pensem que já me mataram e que o que me tenham feito antes não resultasse directamente na minha morte. A culpa é da água que finalizou o serviço. Se não houvesse água a culpa poderia ser da força da gravidade. Se mesmo assim não morresse e ninguém me encontrasse a culpa poderia ser de falta de comida, de falta de água, de falta de tratamento médico, mas quiçá nunca do que me levou em primeiro lugar para dentro do poço! É inusitado, mas há sempre alguma coisa que nos provoca a morte se não tiverem cuidado com o nosso corpo ainda vivo! Coisas que menores não conseguem abarcar pela sua complexidade extrema.
Ao que apurou o DN, da parte da defesa dos menores implicados, houve advogados que promoveram alegações em que sustentaram que não houve tentativa de homicídio. Não contestaram, contudo, que fossem aplicadas medidas tutelares, realçando apenas que o tribunal devia ter em conta atenuantes derivadas do contexto social e psicológico em que os menores viviam.
Os putos torturaram durante dias uma pessoa, deitaram-na a um poço e não houve tentativa de homicídio. O que será tentativa de homicídio? Foi devagar demais, é isso? Há dois dias estive num antigo campo de concentração nazi. Os prisioneiros eram forçados a fazer trabalhos absurdos, inúteis e fisicamente violentos até à morte. Dependia da fortaleza das pessoas quando chegavam ao campo, mas geralmente o máximo de tempo que as pessoas sobreviviam era 3 meses. Presumo que segundo estes advogados estes homens não foram assassinados. Ninguém os queria matar. Foram as condições de trabalho. Insano!
Atenuantes? Eu não queria ter estas dúvidas a vergastar-me, mas:
*) se a vítima não fosse transsexual haveria atenuantes?
*) se a vítima não fosse prostituta haveria atenuantes?
*) etc.
*) resumindo: é o ser da vítima a atenuante?
Outro aspecto que me deixa doente é a ausência (eu ainda com esperanças de ser só ausência) de informação sobre o apuramento de responsabilidades ou a compreensão do tal contexto social e psicológico que levou os adolescentes a cometer aquele crime extremo. Pelo contrário. Os responsáveis d'A Oficina de S. José foram desculpabilizados e li declarações incríveis dos srs padres, que, no mínimo dos mínimos, os colocariam como incapazes de ter a seu cargo menores. No entanto, a Oficina de S. José continua a ter jovens à sua responsabilidade! Quando os adolescentes forem internados em instituições, o que será feito? Vão-lhes ensinar a fragilidade do corpo humano? Biologia? O respeito pelos outros? A cobardia e o horror de torturar pessoas indefesas? E quando sairem? O que está a ser pensado para prevenir outros jovens de ter uma mentalidade tão doente? As posições relativas aos srs padres da Oficina e o silêncio levam-me a ter medo, muito medo, demasiado medo. O julgamento é à porta fechada. Será mesmo para proteger os menores? Serei eu malévola quando duvido? Quando acredito que é uma forma de varrer rapidamente o caso para fora do conhecimento dos jornais e no cômputo final de quem quer ter a certeza que vai haver consequências? Nem digo de punição, pelo menos de identificação do problema e estratégias para que isto não torne a acontecer. É para mim louco que se tente ignorar o problema desta maneira. Por favor, venha alguém dizer-me que estou errada!
O que se denota na justiça portuguesa é a importância do rácio estatuto da vítima versus estatuto do suspeito. A vítima é uma criança, o corpo não foi encontrado, os suspeitos são pobres e desarticulados, mas tudo fica rapidamente provado, a pena é célere, demasiadamente célere, de tal maneira que se fica desconfiado. Temos vários jovens, quando crianças enfiados numa instituição de solidariedade social, a apontar o dedo a suspeitos importantes, o caso arrasta-se durante anos, sem fim à vista. Suspeita-se principalmente que as supostas vítimas estão todas combinadas. Paninhos quentes e macro-compreensões para as supostas vítimas é que não se ouvem, ainda que venham de um contexto social e psicológico difícil. Deve ser porque são supostas. A vítima é uma pária (transexual, prostituta, doente com HIV e tuberculose) e os adolescentes abandonados, fruto de famílias disfuncionais, nem suspeitos são, há corpo, há marcas de sevícias, mas subentende-se que não têm pingo de maldade dentro deles. São tão inocentes que não têm capacidade de compreender o raciocínio de poço+água+pessoa=morte. Se pensavam que a Gisberta estava morta antes de a terem atirado ao poço são incapazes de compreender que "tortura corporal continuada"+pessoa+ "delta tempo"=morte. A morte não existe para estas crianças, ainda que elas tenham mais de doze anos. Porque provêm de meios sociais desfavorecidos e todos sabemos que em meios sociais desfavorecidos a compreensão do que é e provoca a morte é tardia.
Pelo menos, srs procuradores, mantenham uma aparência de respeito pela inteligência dos outros. Digam que os adolescentes são todos débeis mentais. É mais fácil de engolir. É mais fácil para nos iludirmos e não vermos a merda de justiça que promovem ou que a justiça é simplesmente o espelho do país preconceituoso e hipócrita que é Portugal. O país que representam eu não o quero para nada. Obrigado por mo mostrarem tão declaradamente.
segunda-feira
Perder a calma
A minha irmã esteve a explicar-me como se perde o controlo num jogo de futebol fazendo analogias com o trabalho de parto. Parece que os jogadores podiam ter-se esquecido de como respirar. Afinal, não correu assim tão mal.
O jogo
Não o vi. Na primeira parte estive à espera de um amigo que chegava de Itália e na segunda parte, incapaz de ver o rugby, virava costas e abraçava-me a ele. E nem tive psíquico para usufruir.
sexta-feira
Zen
Hoje estou melhor. Uns zen andaram a dar-me consolo.
Tem piada, que estive a pensar com quem convivia em Portugal e a diferença entre pessoas não são ideias. É mais como te vestes. Na Universidade ninguém discutia política ou filosofia. Ninguém discutia. Falava-se dos relatórios, dos exames, das festas... Lembrei-me disto, pensando que nunca ouvi nenhum discurso que fosse para lá do "coisas". Talvez quando se apaixonam, se interessam, mas ainda assim é o "eu".
É claro que num mundo assim, quem tem alguma ideia, nem que seja emprestada de um livro que se leu como se fosse a Biblia, é rei e se essas ideias apoiarem o senso "coisas" e "eu", então terá a carneirada atrás, se a carneirada estiver na pausa do pasto. O dono da ideia não se interessa pela própria ideia, que sofrerá sempre de relativismo, mas pelo que essa ideia lhe poderá dar no mercado de ideias.
Cheguei à Alemanha e há esta malta que na maioria fez trabalho voluntário no estrangeiro como se pertencesse ao currículo da vida, que tiveram diversos trabalhos antes de acabar a universidade e que discutem ideias e têm preocupações "pessoas" e que as aplicam no seu dia-a-dia. Além disso, têm princípios. Nunca tinha pensado nisto e agora deixa-me assombrada. Nas discussões que se têm, dei-me conta que eu sou o contra-ponto de origem demarcada portugal. Isto deixa-me ainda mais assombrada. Por seu lado, em Portugal, eu sou denominada de niilista.
Tem piada, que estive a pensar com quem convivia em Portugal e a diferença entre pessoas não são ideias. É mais como te vestes. Na Universidade ninguém discutia política ou filosofia. Ninguém discutia. Falava-se dos relatórios, dos exames, das festas... Lembrei-me disto, pensando que nunca ouvi nenhum discurso que fosse para lá do "coisas". Talvez quando se apaixonam, se interessam, mas ainda assim é o "eu".
É claro que num mundo assim, quem tem alguma ideia, nem que seja emprestada de um livro que se leu como se fosse a Biblia, é rei e se essas ideias apoiarem o senso "coisas" e "eu", então terá a carneirada atrás, se a carneirada estiver na pausa do pasto. O dono da ideia não se interessa pela própria ideia, que sofrerá sempre de relativismo, mas pelo que essa ideia lhe poderá dar no mercado de ideias.
Cheguei à Alemanha e há esta malta que na maioria fez trabalho voluntário no estrangeiro como se pertencesse ao currículo da vida, que tiveram diversos trabalhos antes de acabar a universidade e que discutem ideias e têm preocupações "pessoas" e que as aplicam no seu dia-a-dia. Além disso, têm princípios. Nunca tinha pensado nisto e agora deixa-me assombrada. Nas discussões que se têm, dei-me conta que eu sou o contra-ponto de origem demarcada portugal. Isto deixa-me ainda mais assombrada. Por seu lado, em Portugal, eu sou denominada de niilista.
quinta-feira
Essas imposiçoes anti-tabágicas
Porquê? Isto estava no programa do governo? Quando se estava a discutir o casamento entre homossexuais não disseram que havia assuntos muito mais importantes para os portugueses? É isto? Houve aí mortes em catadupa de fumadores passivos? Com o desemprego a subir (ah, vejam este artigo que apanhei no Blasfémias), as empresas a fechar, nós a sermos menos ricos que os checos, resolve-se proibir os donos dos seus estaminés de os usarem como bem entenderem? Ai essas prioridades...
Mas eu estou mesmo a imaginar como é que eles se lembraram disto. São as viagenzinhas a Bruxelas. Dá-lhes a ideia de que podem legislar tudo e mais alguma coisa: o tamanho dos meloes, a cor dos táxis, o tempo de fritura das batatas-fritas. Vou avisando que se mexem com a minha liberdade de comer torresmos, frango assado com dioxinas, queijo da serra sem controle bacteriológico, vou prá rua e queimo pneus, que a paciência pra merdas destas tem limites.
P.S.: Pensando melhor, se calhar até já mexeram, que eu só como queijo do bom e torresmos em casa... Hmmm... Queres ver que já se me escapou uma manifestação.
Mas eu estou mesmo a imaginar como é que eles se lembraram disto. São as viagenzinhas a Bruxelas. Dá-lhes a ideia de que podem legislar tudo e mais alguma coisa: o tamanho dos meloes, a cor dos táxis, o tempo de fritura das batatas-fritas. Vou avisando que se mexem com a minha liberdade de comer torresmos, frango assado com dioxinas, queijo da serra sem controle bacteriológico, vou prá rua e queimo pneus, que a paciência pra merdas destas tem limites.
P.S.: Pensando melhor, se calhar até já mexeram, que eu só como queijo do bom e torresmos em casa... Hmmm... Queres ver que já se me escapou uma manifestação.
As miradas do homem português
Isto fez-me lembrar de, há um par de anos, ter ido a uma discoteca lisboeta com uma amiga minha, que é assim um monumento de construção alemã. Alta, loura, olho azul, cabelo encaracolado, ar de afrodite e que mais. Tinhamos ido a Portugal em trabalho. Como, na Alemanha, os homens são mais discretos e as louras altas não são assim tão raras, tinha-me esquecido do efeito arrasante. Naquela discoteca foi impossível e foi de sentir pena. Os homens e rapazes babavam-se. Literalmente. Sem o mínimo de discrição ou, assim, de orgulho. A minha avó descreveria a situação como "cães à volta de uma cadela com cio" e a analogia não estaria desfasada da realidade. Ela divertiu-se imenso e no dia a seguir contou aos colegas, um holandês, um norueguês e uma alemã, que tinham decidido ir prá caminha cedo. Completo gozo. Eu, cheia de vergonha, a desculpar o homem português. Coitados. Falta-lhes altura. Deixem-nos lá.
terça-feira
Frank X. Gaspar e "A Minha Terra"
Excerto de entrevista a escritor norte-americano de origem portuguesa, traduzida e disponibilizada por/no Poesia & Limitada.
(...) MP — O jornal The New York Times disse do livro [Leaving Pico] que ele é um retrato fiel da comunidade portuguesa e da luta que esta trava na América contra a integração. Acha que os portugueses são mesmo assim? Vivem aqui fisicamente mas o coração ficou em Portugal?
FG — Essa crítica do New York Times é muito interessante. Acho que o “retrato fiel” é um pouco exagerado, mas penso que captei uma pequena parte do modo de vida de uma pequena cidade. Mas não podemos ignorar que há tantas e tão diferentes comunidades portuguesas que nenhuma novela poderia falar por todas elas. Nós precisamos de mais novelas, mais novelistas, mais poetas e mais escritores. Se o coração ficou em Portugal? Absolutamente. Eles falam de Portugal com tanta saudade e tão persistentemente, mesmo sabendo que a vida material é melhor aqui nos Estados Unidos.E a palavra “Portugal” nunca é usada, é sempre “a minha terra”. Foi assim que eu ouvi falar da “minha terra”, que era como uma terra mágica ou o continente perdido da Atlântida. E a língua portuguesa era também essa linguagem perdida, que existia apenas nessas histórias. Eu nunca li muito acerca de Portugal em livros, não era possível encontrar muitas histórias acerca de nós. Era como se fôssemos de outro planeta. (...)
quinta-feira
Uma das merdas que me irritam
Eu nao discuto a mudança de imagem corporativa do BES. A minha opiniao traduz-se numa expressao que apresenta um rácio excelente entre a economia de palavras e a ideia que pretende expressar: "Caga nisso". É todo um mundo de pointless...
O que a mim me chateia na notícia sao as palavras inglesas que polvilham o texto. Nao é porque eu seja contra estrangeirismos, que aceito quando nao existe palavra em portugues que tenha o rácio que eu referi há pouco. Assim, como net, brainstorming, punch line, etc. e tal. Mas irrita-me quando esta gente da informática e da publicidade pretende escrever para os leigos e de repente num texto supostamente em portugues tem que se ir ao dicionário em ingles para perceber que porra de merda estao eles a falar. Que para eles, entre eles, se entendem melhor a falar esta zurrapa de língua eu estou-me a cagar, mas quando falam para os outros, tentem adoptar uma das línguas oficiais do mundo. Escrevam tudo em ingles, shit!
O que a mim me chateia na notícia sao as palavras inglesas que polvilham o texto. Nao é porque eu seja contra estrangeirismos, que aceito quando nao existe palavra em portugues que tenha o rácio que eu referi há pouco. Assim, como net, brainstorming, punch line, etc. e tal. Mas irrita-me quando esta gente da informática e da publicidade pretende escrever para os leigos e de repente num texto supostamente em portugues tem que se ir ao dicionário em ingles para perceber que porra de merda estao eles a falar. Que para eles, entre eles, se entendem melhor a falar esta zurrapa de língua eu estou-me a cagar, mas quando falam para os outros, tentem adoptar uma das línguas oficiais do mundo. Escrevam tudo em ingles, shit!
quarta-feira
sexta-feira
Bébé Letícia
Terminou a investigação sobre a actuação da CPCJ.
Aqui notícia no DN.
Tenho esperanças que não caia em saco roto. Estou farta deste país com as melhores leis e os melhores relatórios, muita coisa no papel, muitas vírgulas no sítio certo, muitas prateleiras abastecidas, mas depois ninguém lê, ninguém liga e continua-se no terreno, na vida da gente, a improvisar, a fazer conforme a cabeça, a confiar no voluntarismo, muito lindo no mundo das fadas, mas em certas áreas (como a protecção de menores) pode lixar a vida das pessoas para sempre. Estou zangada... É tudo.
Aqui notícia no DN.
Tenho esperanças que não caia em saco roto. Estou farta deste país com as melhores leis e os melhores relatórios, muita coisa no papel, muitas vírgulas no sítio certo, muitas prateleiras abastecidas, mas depois ninguém lê, ninguém liga e continua-se no terreno, na vida da gente, a improvisar, a fazer conforme a cabeça, a confiar no voluntarismo, muito lindo no mundo das fadas, mas em certas áreas (como a protecção de menores) pode lixar a vida das pessoas para sempre. Estou zangada... É tudo.
Poluição auditiva
Comprei uns tampões para os ouvidos para fazer face às músicas de Natal. Consegui suportar a tortura sem o uso de protecção. Contudo, num autocarro beirão de rádio a regurgitar música pimba, eles foram postos ao serviço da preservação da minha sanidade mental. Há limites para a dor.
quarta-feira
Já não há pachorra
A sensação que tenho é que a comunicação social portuguesa está numa campanha para deprimir os portugueses. Se não têm nada de bom a opinar, limitem-se aos factos. Do que eu tenho visto seria uma revolução. Factos, factos, fatos, fatos, pois aquele fato do Sócrates é comparativamente com o do Zapatero de pior corte. Não é corte inglês. Não há pachorra.
sexta-feira
Pobres santos
Há ironias sublimes e deliciosas. Ver a estátua de um santo (Sto António ou S. José, o menino nos braços) no jardim de um colégio de freiras envolvido em luzes como uma mera árvore de Natal foi uma imagem interessante. O paganismo subjuga a religião cristã no seu próprio domínio.
quarta-feira
Para que é que se embrulham as prendas?
Diremos: pelo elemento surpresa. O divertimento de quem dá no desembrulho questionativo de quem recebe.
Vou ter que reembrulhar todas as prendas que comprei hoje. As lojas pespegam as marcas onde podem no que eu senti uma ofensa a mim. Mas o mais anormal foi na perfumaria. O papel vermelho brilhante. Só. Eu extasiada em algo tão simples e bonito e aí aplicam um laçarote farfalhudo a dizer "perfume". Para que raio eu embrulho um perfume e escrevo no embrulho perfume? Não percebo.
Vou ter que reembrulhar todas as prendas que comprei hoje. As lojas pespegam as marcas onde podem no que eu senti uma ofensa a mim. Mas o mais anormal foi na perfumaria. O papel vermelho brilhante. Só. Eu extasiada em algo tão simples e bonito e aí aplicam um laçarote farfalhudo a dizer "perfume". Para que raio eu embrulho um perfume e escrevo no embrulho perfume? Não percebo.
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