quinta-feira

Petição STOP ao Cancro do Cólo do Útero

Todos os anos 50.000 mulheres são diagnosticadas e 25.000 morrem devido a cancro do cólo do útero. A existência de programas eficazes de prevenção podem prevenir a grande maioria destes casos.

Assine a Petição STOP ao Cancro do Cólo do Útero, para chamar a atenção do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia e de todos os Governos Nacionais da Europa para implementarem programas de rastreio organizados contra o cancro do cólo do útero que providenciarão uma proteção mais eficaz contra o cancro do cólo do útero em todas as mulheres da Europa.

I can not get enough:

quarta-feira

A nova estrela pop

Há tanta coisa nas pessoas que não percebo, apesar de ter herdado os miolos na minha família (swallow that thought), que me põe feliz de ter tido a inteligência de me dedicar a estudar a natureza. O Obama vem a Berlim. Estão à espera que apareça um milhão de almas para o ouvir. Ou a quantidade de americanos na Alemanha extravasa qualquer censo, ou eu não entendo porque é que as pessoas não se põem a ver um filme da Disney no conforto de suas salas, em vez de ir ouvir um homem que vai dizer tanta coisa lamecho-política, com o ar de quem acredita, que num mundo lógico, borboletas nasceriam de sua boca e se desintegrariam nos ares. O Obama é o estilo de gajo que mandaria uma carta a declarar guerra ao Irão com coraçõezinhos nos is. Esta necessidade parva das pessoas de erigirem estrelas faz-me passar da molécula.

P.S.: agora vou ouvir X&Y dos Coldplay a ver se acalmo a molécula. Licencinha.

terça-feira

Opá, deixa-me rir

Fiquei muito curiosa quando ouvi falar sobre um editorial do Sr. José Manuel Fernandes e uma sua pergunta:"Será o seu número [famílias monoparentais] desproporcionalmente maior entre as comunidades africanas?" Porque haveria isto de lembrar a alguém com os pés assentes em Portugal? Continua-se a ler o editorial e chega-se a Obama e percebe-se que o José Manuel Fernandes está a par das preocupações americanas.

Assim, não só os jornais portugueses estão apinhados de opiniões, estas são requentadas com preocupações e problemas sociológicos de países estrangeiros. Fica-se a saber que se um grupo de pessoas tem tendências criminosas e têm a mesma cor de pele, mesmo que vivam em dois países com vivências muito diferentes e em que as duas comunidades africanas têm histórias pouco similares, de tal forma que provavelmente só a palavra "africana" é que as aproxima, no entanto, pode-se, com toda a probabilidade, usar a mesma explicação para a sua criminalidade. Como isto é tão idiota, que chega a ser não comentável, vou-me rir.

Li o editorial através do Womenage a trois. Obrigado pela disponibilização.

segunda-feira

Isto é um caso de polícia

A minha grande questão sobre o passado da Quinta da Fonte é se as pessoas responsáveis pelo alojamentos viram, para lá da real pobreza dos alojados, o seu cadastro.

E depois para o futuro, em vez de andarem a falar de pacificar comunidades, eu gostava de saber se estão a investigar quem tem/usou armas e pô-los a andar. Essa conversa-bem de pacificar pessoas que recorrem a armas para resolver desavenças parece-me não efectivo e extremamente estúpido.

Às armas, Às armas

A parte desalojada da Quinta da Fonte diz: "«Somos cidadãos portugueses, não somos imigrantes. Por isso temos Bilhete de Identidade, por isso votamos. Queremos que o Governo trate dos nossos problemas como trata dos dos outros. Não podemos ser discriminados»."

Isto é fascinante, porque faz-me sentir muito discriminada. Eu nao sabia que o governo devia resolver os meus problemas e, como portadora de BI e de cartao de eleitor, quero aqui comunicar que estou a redigir um documento que enviarei em pouco tempo com todos os problemas que quero que me sejam resolvidos. E se nao me responderem, bem, vou á Quinta da Fonte, compro uma arma e acampo á frente de um sitio qualquer. Estao avisados.

Bom jogo

Então portantos a notícia é que pretos e ciganos andaram aos tiros e os pretos ganharam. E agora os ciganos querem que os beges lhes resolvam os problemas que os pretos lhes arranjaram. É assim? Portantos, balanço do jogo antes do prolongamento: pretos 1, beges 0.

Minúsculo ensaio comparativo da retrete


Tenho experiência de três tipos de retretes. Isto demonstra que tenho de fazer um esforço para visitar outros países, para lá desta parte a que chamam ocidente. Mas devo dizer que prefiro o tipo de retrete que usam em Portugal. A retrete em que a merda cai sobre uma saliência, para que possa ser analisada, não me interessa, pois eu por sistema não olho para a merda que faço. Depois aquelas que têm água quase até à borda, provavelmente para guardar as pessoas de limparem o que quer que seja, são ainda piores. Haverá pior sensação que ser salpicado no rabo pela merda que se está a fazer? As retretes em Portugal são um meio caminho muito bem apiaçado. Será que implicou estudos da provável trajectória do projetil?

domingo

A escola é um ponto de partida

A Sabine que me vai enviando notícias de por aí, enviou-me certas e insultuosas opiniões da Sra Filomena Mónica. Em experiência própria, venho de uma família que de uma geração para outra passou de elementos analfabetos, para uma geração que acedeu à Universidade. Eu não me considero a mim ou aos meus irmãos medíocres, bem pelo contrário. A escola não me ensinou tudo, nem penso que a escola nos possa ensinar tudo. Passei por escolas públicas sem excelências, mas que me abriram horizontes que os meus pais não podiam. Os meus pais simplesmente mandaram-nos para a escola e eu e os meus irmãos resolvemos seguir o que ela nos mostrou. Eu só segui por vontade própria e não sei o que é não ter essa vontade. Desde que me lembro gostei de aprender e sempre quis ir para a Universidade e continuar a aprender e continuei para lá da Universidade. A escola não matou essa sede, só a alimentou, mesmo que não tenha tido professores que me exigiram excelência. Tive professores calões, aplicados, cansados, parvos, fantásticos, motivados e desmotivados, professores que metiam baixa durante um ano completo, que falavam da sua vida privada em vez da lição, e no entanto sobrevivi. Tive professores que por vontade própria nos mostravam livros e jornais, imagens e comidas de outros países, para lá das suas línguas, nos diziam que mesmo que lessemos sem parar, nunca conseguiriamos ler todos os livros do mundo e eu abri a boca em deslumbramento com todos esses livros que nunca poderia vir a ler, mas insaciável para poder ler o maior número possível. Professores que montavam aulas-extra para apoio no seu próprio tempo ou que nos levavam em excursões para ver pedras e nos diziam que as pedras não eram só pedras, mas tinham mensagens muito antigas. Como poderiam os meus pais ter-me dito que uma pedra é mais que uma pedra? Frequentei escolas em pré-fabricados permanentes, onde tinhamos frio, escolas sem espaços comuns deixando-nos na rua à chuva, sem bibliotecas, escolas longe de casa, exigindo que me levantasse muito cedo e retornando muito tarde, sem tempo para estudar. E no entanto a escola que tive conseguiu deslumbrar-me. A questão é que a escola mostrou-me o mais que existia. A escola não me fez, mas mostrou-me o que poderia ser caso eu quisesse. Dizer que o 25 de Abril fechou portas é cuspir na realidade de pessoas como eu e os meus irmãos. O 25 de Abril disse tu podes. Portanto, movam as objectivas para as pessoas e para as suas ambições. Eu desconfio que se há um problema (não estou certa dessa mediocridade generalizada) o grande problema não é a escola, mas um mundo em que as pessoas pensam que o saber vem empacotado e pode ser injectado, de um mundo que pensa que o conhecimento é passivo. De um mundo que está à espera que a escola seja um lugar que enfia saber pela boca abaixo, em vez de ser o sítio que nos diz que um livro é mais que papel, que nos mostra num microscópio uma realidade paralela, que nos fala de perspectiva e nos diz para olhar para o horizonte com olhos de artista, que nos conta de guerras e atrocidades e nos põe a questionar a humanidade, que nos fala de um senhor de oculinhos redondos que escreveu "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce" e nos dá a autoridade desse sonho, apesar de nos sentirmos pequenos. Se calhar o problema é pensar que a escola em termos de conhecimento é em si um fim em vez de um ponto de partida. O sonho e a obra são coisas nossas, não dos professores. E se as pessoas não querem sonhar, nem obrar, não é a escola que as vai obrigar. Se calhar o problema é que as pessoas esqueceram que houve um tempo em que não se podia sonhar e veêm o sonho como adquirido e desprezível.

Se vamos falar na "raiz do mal da educação", que é o título expectável na nossa excelente imprensa, eu penso que este está em pessoas que vivem numa sociedade que prima pela mediocridade, visível, por exemplo, em veículos de informação péssimos, apinhados de opiniões medíocres, em vez de factos sobre os quais possamos nós próprios pensar. Não há professor que consiga remar contra isto. A minha pessoa já não se irrita, só desespera. E sonho que antes de fecharem as faculdades das ciências de educação, expulsem primeiro os opinionistas de tudo e de nada para onde deviam andar: a blogosfera.

sábado

fadela

Hoje ia a andar pela rua e dei-me conta de uma coisa. Assim, num repente, enquanto cheirava a rua molhada de fresco e fazia aquele ar satisfeito com certas coisas que acontecem à minha volta, como um gato anafado que encontrou o canto perfeito ao sol para lamber as partes privadas. Dei-me conta que não há significados ou sentidos ou direcções. Não há. Somos nós no nosso pequeno mundo que damos nomes e categorizamos e agrupamos e agora que me dei conta desta evidência que só não apanhei na adolescência porque estava demasiadamente ocupada a achar que sabia tudo, tenho muita pena de mim, porque o que eu faço é dar nomes e categorizar e agrupar e suo muito a fazer isto e fico nervosa e chateio-me e cenas. A questão agora é saber em que canto morrer. Porque viver é este lamber de partes. E se Deus estiver a prestar atenção a nós não lhe tenho respeito. Tenho poucas certezas senão mesmo nenhumas, mas uma coisa sei: há coisas mais interessantes para fazer no Universo.

quinta-feira

Lamúria

Ah, tanta coisa que não me interessa...

terça-feira

Insonho

Às vezes nas noites de insónia coloco uma mesma canção a repetir-se noite fora. Pela noite os mesmos sons e eu segui-os de coração, a canção recomeça e eu segui-a todas as vezes pela noite. Hoje, por exemplo, tenho Between the Bars de Elliot Smith, mas como é um pouco ensonada, já fiz batota com os Angeles. Já notaram que os sons mudam consoante a hora e a noite? Há noites em que os sons vêm de muito longe, mas são estranhamente nítidos, como se a estação de comboios fosse mesmo ali ao virar da esquina e não do outro lado da cidade. É assim em todas as cidades, com os comboios a espraiarem-se à noite. Na outra noite ouvia-se um som repetitivo como alguém a bater metal em metal, um som imaginado a sair de uma prisão e eu forcei-me a sentir que devia ajudar a pessoa, que bateu metal em metal até às 6 e 12 da manhã e eu segui o som noite fora pela manhã e não vi se era alguém a pedir ajuda. Não era o vento, não podia ser o vento, eu o teria ouvido. O som do metal desvaneceu-se e eu fiquei acordada com a manhã. Este fastidio da noite, a ilusão da solidão e do eco e eu num espaço pequeno a repetir os mesmos sons distraindo a noite na minha insónia. Não sei explicar o contentamento que por vezes me submerge neste pequeno mundo de sons distintos, repetitivos e ecoados. São 4 e 13 e ouvi o primeiro pássaro. A cacofonia da manhã começa.

segunda-feira

Estupidamente bom

Este fds vi um filme, que ainda nao consegui esquecer. O mais esquisito é que esta foi a segunda vez que comecei a ver o filme, a primeira desistencia por KO de aborrecimento. Assim, de novo me veio o DVD parar á mao e de novo me sentei a ver o filme. Desta vez vi o filme todo e na cena final levei um balázio. Assim, pimbas, toma que já aprendeste. Este filme foi como estar a fazer um puzzle sem saber que imagem teria no final e quando o puzzle está feito, tem-se a pergunta á resposta e a resposta dispersa pelo filme. Logo, estou até agora a catar as respostas pelo que me lembra do filme. Um filme que me aborreceu quando o vi, desvaria-me de interesse quando o lembro. Isto nao se admite.

P.S.: É o estúpido do Caché do idiota do Haneke.

quinta-feira

Estou muito sábia hoje

Opinar é hoje o equivalente ao catar piolhos ontem.

terça-feira

Fase

Eu ando por aqui, mas fui acometida por um sentimento de alienaçao. Isto resulta na incapacidade de me sentir indignada ou de dar importancia ás minhas opinioes. Isto, eu sei, é gravíssimo.

Escrevi um poste na semana passada e anulei-o pouco depois. As palavras eram-me estranhas. Estas que escrevo agora sao estranhas. E no entanto, continuo a funcionar, ainda que sem opiniao e sem capacidade de indignaçao. Nao sei como, mas é possível.

Mas isto nao é só no escrever, é também no ler. Passo pelos blogues dos outros e é tédio absoluto, exceto os blogues pessoais. Parece que estou na fase: nao me interessa o que pensas, interessa-me, se me interessar, o que sentes.

domingo

Estou hipotérmica

Talvez amanhã quando for comprar a habitual melancia, o senhor da frutaria turca me faça um desconto. Tirando esse pensamento estou negativamente passada com o facto da República Checa ter perdido. Nem percebi o que se passou. Resolveram jogar à defesa (o que eu pensei) ou faltou-lhes as pernas (como diz aqui o meu amigo)? Está demasiadamente frio para me pôr duas horas a ver um jogo na rua e eu para o fim já não via nada com a tremura dos dentes.

Quanto aos portugueses, não vi, nem quis ver, porque devo confessar que estava com pena dos suiços, que se não ganhassem era uma vergonha. Eu deixo-me ir por estes sentimentos. Sou um coração de manteiga não derretida.

sábado

Detesto o Natal

Há aquela frase aterrorizante do "Devia ser Natal todos os dias.", que me dá arrepios espinha abaixo. A única coisa boa do Natal é ser uma vez por ano e isso é olhar para o momento com espírito positivo. Eu sinceramente propunha que o Natal fosse de quatro em quatro anos e que o Campeonato Europeu de futebol fosse todos os anos. Digam-me o que é que o Natal tem de bom? Estar com a família por aí, mas não é realmente preciso o Natal para estar com eles e o melhor mesmo é estar com eles sem as exigências mesquinhas da época. Um Campeonato Europeu de Futebol é uma festa durante um mês, criando-se uma atmosfera impossível de reproduzir. Durante esse mês criam-se camaradagens e empolgamo-nos com os jogos. Em vez de ir para casa, saio para a rua, conheço pessoas, ando basicamente em festa a partir do momento que saio do trabalho. O Natal reproduz-se muito facilmente: aglomera-se família numa casa, compram-se uma data de prendas, passa-se uma noite com a família onde o momento alto é abrir as ditas prendas e fim.

P.S.: sim, ok, aquilo é a consoada, mas o dia seguinte é ainda pior: come-se muito e transladam-se os corpos para a frente da televisão. E eu apanhei um avião pra isto.

quinta-feira

Nao somos todos verdes

Estive a ler o discurso do Cavaco Silva do dia 10 de Junho, mas nao foi lá que ele disse raça. Portanto, ainda nao sei realmente o que aconteceu. Se realmente é o homem ou um surto viral do politicamente correto. A palavra raça agora nao se diz, seja em que situaçao for, a nao ser seres nao humanos, imagino. Será que a minha piadinha de que em Portugal somos rafeiros é possível? Posso? Ou também é crime lingual?

Seja como for e nao tomando partidos, que eu nao tenho a minima ideia do contexto da palavra na frase e na situaçao, eu aponto este texto que li há muito poucos dias, talvez no mesmíssimo momento em que o Cavaco Silva expelia pela boca a palavra raça, talvez querendo dizer coragem, talvez querendo dizer aquele je ne sais quoi de rafeiro que os portugueses tem, talvez querendo dizer pelo nas ventas, talvez querendo dizer aquela espécie humana de altura abaixo da média europeia, talvez aquele pessoal todo que ouve fado e começa a fungar, talvez tentando animar os tugas choroes a serem mais vertebrais, talvez tentando incutir um certo sentimento de solidariedade (que nao existe), talvez num processo de telepatia, benza deus, espero que esta última nao.

É que se nao somos todos brancos, também nao somos todos verdes.

P.S.: Estive a olhar para a minha última frase e é passível de eu ser também apedrejada. Bem, nao sou famosa, é o que me vale.

terça-feira

Latim

Número de alunos a aprender Latim diminuiu 80 por cento em dois anos

Por experiência própria sei que o ter aprendido latim é uma vantagem, pelo menos para aprender alemão. Os meus colegas italianos punham-me debaixo do braço, com uns racíocinios que me deixavam completamente fora de corrida. Esta não foi a primeira vez que fiquei triste por nunca ter tido latim. Quando estudei biologia, naquela parte mega-seca de dar nomes aos bichos, sentia que se soubesse latim aquilo não teria sido tão seca. O que tem mais piada é que eu acho que teria escolhido latim no liceu se me tivesse sido possível, mas eu era da área científica e latim não era uma opção. O meu interesse na altura era somente romântico, se bem que com uma certa precaução amedrontada depois de ler o "Manhã submersa" do Vergílio Ferreira. Eu punha-me a namorar os livros de latim dos meus colegas e a perguntar-lhes se o professor deles me deixaria assistir às aulas. Contudo, não havia possibilidade de horário para eu o fazer e assim nunca estudei latim.

Provavelmente, estivesse eu no liceu hoje, não pensaria em ter latim. Hoje a escola começa cedo a ser funcionalista e no entanto na Universidade em que esse propósito devia existir, as pessoas deixaram de encher os cursos de direito?