segunda-feira
O aspirador humano
Agora que o estado da Geórgia e seus apêndices de acontecimento estão naquele banho-maria conspirativo e a única coisa que me custa, para além do Putin (desconfio que porque já não falo português e só penso em português, digo o nome do homem puta à francês, e não sou capaz de dobrar a língua e dizer-lhe o nome de outra forma) é o Saskalichivia ainda ser presidente do país, ainda que tenha demonstrado a sua estupidez com expoente elevado. Nem uma manifestação, o que corrobora a minha baixa opinião das massas.
Mas como ia principiar a dizer, agora tive tempo para me dar conta das olímpiadas (mais ou menos, os alemães comentavam as medalhas, mas eu ignorei-os dizendo que há coisas mais importantes no mundo). Os fatos dos ginastas, que costumam ser uma dor de olhos, continuam a ser uma dor de olhos, havendo um pouquinho de alívio, assim parecido ao champoo a entrar nos olhos, nos fatos dos chineses. Por falar em chineses, esses seres perfeitos que vão percebendo a beleza visual associado às olímpiadas, deviam expulsar os corredores alemães, que destroem a harmonia de alturas. Tudo ali num montinho perfeito, se ignorarmos as estacas pálidas. Tentei ver o Usain Jamaicano ganhar os 100 metros, mas distrai-me sempre com o cu espichado doutro corredor, coisa que aliás me acontece sempre nesta modalidade. Alguém estudou a prevalência de cus espichados nos corredores masculinos de velocidade? É impressionante. Os quenianos são magros demais e ainda não vi gajo nenhum realmente bom. Estas olímpiadas foram até agora uma estopada.
A única coisa realmente interessante foi saber que o Michael Phelps come 12 000 calorias por dia. É todo um mundo de questões que se abre. Como é que ele arranja tempo para comer? O treinador manda com os frangos assados para a piscina? Só come Haagen Dasz (o que influi dentro de mim muito ódio e inveja)? É um aspirador com forma humana e pés de peixe (viram-lhes os pés? ele deve ter decidido ser nadador, porque assim podia usar os únicos sapatos que lhe servem: as pranchas de surfe.)? Opá, agora que já não há combates à porta da europa, posso retornar às minhas más piadas. Aaaaaaaaaaaaaaaahhhh
Mas como ia principiar a dizer, agora tive tempo para me dar conta das olímpiadas (mais ou menos, os alemães comentavam as medalhas, mas eu ignorei-os dizendo que há coisas mais importantes no mundo). Os fatos dos ginastas, que costumam ser uma dor de olhos, continuam a ser uma dor de olhos, havendo um pouquinho de alívio, assim parecido ao champoo a entrar nos olhos, nos fatos dos chineses. Por falar em chineses, esses seres perfeitos que vão percebendo a beleza visual associado às olímpiadas, deviam expulsar os corredores alemães, que destroem a harmonia de alturas. Tudo ali num montinho perfeito, se ignorarmos as estacas pálidas. Tentei ver o Usain Jamaicano ganhar os 100 metros, mas distrai-me sempre com o cu espichado doutro corredor, coisa que aliás me acontece sempre nesta modalidade. Alguém estudou a prevalência de cus espichados nos corredores masculinos de velocidade? É impressionante. Os quenianos são magros demais e ainda não vi gajo nenhum realmente bom. Estas olímpiadas foram até agora uma estopada.
A única coisa realmente interessante foi saber que o Michael Phelps come 12 000 calorias por dia. É todo um mundo de questões que se abre. Como é que ele arranja tempo para comer? O treinador manda com os frangos assados para a piscina? Só come Haagen Dasz (o que influi dentro de mim muito ódio e inveja)? É um aspirador com forma humana e pés de peixe (viram-lhes os pés? ele deve ter decidido ser nadador, porque assim podia usar os únicos sapatos que lhe servem: as pranchas de surfe.)? Opá, agora que já não há combates à porta da europa, posso retornar às minhas más piadas. Aaaaaaaaaaaaaaaahhhh
quinta-feira
terça-feira
domingo
O meu contributo
Eu trabalho num daqueles sítios com gente de todo o lado. Um dos cuidados que tenho é não ser muito simpática com os recém-chegados, porque, para além de ser contra os meus princípios, pode resultar no síndrome do cão a perseguir-me até casa. Mas, num dia com sol, lá descambei para a minha simpatia contagiosa (porra para os meus genes) e tenho uma siberiana a perseguir-me com o seu sorriso envergonhado. Se não fosse o facto dela ser russa e não americana, pelo que é provável que o seu sorriso não seja falso, não me sentiria tão mal com a rasteira que eu amanhã lhe vou passar.
sexta-feira
O que se come
Uma galeria de fotos no Time, de famílias á volta do mundo e o que elas costumam comer. Eu cá ia para o Egito e fugia da Polónia. A casa dos butaneses é a mais bonita, talvez nao confortável, mas extremamente artistica.

A família Ahmed do Cairo, Egito.

A família Ahmed do Cairo, Egito.
quarta-feira
O pau para toda a culpa
Será que as mulheres estão num sistema igualitário com os homens? Eu penso que não. As mulheres têm que fazer escolhas que os homens não têm e têm que ouvir coisas que eles não têm. Resolvem não ter família e têm de ouvir que são más mulheres; resolvem ter família e trabalhar e tentam ser super-mulheres, já que a real partilha de tarefas em casa é ainda fraca, não o conseguem e têm de ouvir que são más mães; resolvem, se puderem, ficar em casa e têm de ouvir que não trabalham. Os homens não são obrigados a estas escolhas e não têm de ouvir que são a causa de poucas e infelizes crianças. É como as histórias biblícas: a mulher tem sempre a culpa, seja porque é muito esperta, seja porque é muito estúpida. Ou seja, são gerações e gerações a queimar bruxas e chegamos a este século e ainda somos queimadas, não literalmente (pelo menos por estas bandas), mas na opinião pública. Se bem percebo, pelo menos quando se fala de casamento para os homossexuais, a família é muito querida. Se por família querem dizer uma mulher a tomar conta de um homem e crianças, consigo então perceber porque é que os homossexuais não podem constituir-se em famílias. Porque na verdade, uma família é uma mulher e quem ela tem de tomar conta.
segunda-feira
O futuro dos velhos e dos novos
Querida Sabine,
mandaste-me há uns tempos uma ligação que me não convenceu. Infelizmente o título foi mal escolhido. Cria expectativas que não cumpre. Diz que é sobre cenários e tendências para os próximos 20 anos, contudo quando se lê é sobre hoje. Aquilo são os pontos das preocupações e dos medos atuais refletidos e magnificados no amanhã.
Por exemplo, relativamente ao envelhecimento da sociedade europeia tem a dizer isto:
"Problemas: No Ocidente, pressão sobre as populações mais velhas consideradas como um fardo.
Custos de saúde aumentados."
Isto é muito pouco.
Primeiro: um dos pontos que não aparece na ligação que me mandaste e que me parece uma falta de palmatória, é que com a desagregação da família alargada, a sociedade está demograficamente estratificada. Os adolescentes andam com adolescentes, os vintões com os vintões, os trintões com os trintões, etc. e não há grande mistura geracional. Cada estrato acha-se o rei do seu domínio e cada estrato vive na ilusão que sabe tudo o que há para saber. Isto, para além de ridículo, é o motor de muito do que acontecerá no futuro.
Segundo: a discussão é de uma riqueza que colocá-la em dois pontinhos é confrangedor. Na Alemanha, o sistema de pensões é realmente um "welfare state"*. Além disso, a geriatria nao vem de uma ditadura que os manteve analfabetos, pelo que na Alemanha não se fala só na faceta dos coitadinhos dos velhos, mas da gerontocracia. Porque não sendo analfabetos, há a possibilidade que estas pessoas se unam para lutar pelos seus interesses. Neste caso, podem tomar a democracia. Portanto, a maioria depende de um sistema que é alimentado pela minoria. Este sistema é controlado pelo governo, que está na mão da maioria e aqui estamos noutra parte da discussão em que os coitadinhos são os novos, sugados pelos avós. Mas será que isto irá acontecer? Têm ou terão os velhos a noção de grupo? Isto é que é uma pergunta interessante para um cenário de futuro do envelhecimento. Atualmente, na Alemanha, os sindicatos de trabalhadores são populados pela gerontocracia, que têm mais tempo nas mãos e ideias que, pelos nossos olhos, os novos, estão ultrapassadas e são economicamente contraprodutivas.
Nos EUA, um estudo (de um tipo chamado J.W. Button, que vi num livro que referencio mais abaixo) mostrou que em zonas eleitorais com mais idosos (que, além disso, votam em maior número percentual, que os mais novos) há menor apoio a políticas sociais pró-educação. Mas este é um estudo. Outros mostram outros fatores com maior importância nos apoios do eleitorado ao financiamento educativo: o sexo do eleitor (as mulheres são mais pró-educação), o nível de educação (mais letrado, mais pronto a apoiar a educação), o estatuto social, a cor política.
Terceiro: os velhos de amanhã são os novos de hoje. Portanto, que tipo de velhos seremos nós? Um dos cenários que vejo expectáveis para o futuro é que trabalharemos até cairmos para o lado. Isto significa que seremos um peso a considerar no local de trabalho e poderemos contrabalançar o ageísmo atual. É um cenário.
Em novita, convivi muito mais com pessoas muito mais velhas que eu, do que com os meus pares (achava-os parvalhões), pelo que sou incapaz de ver os velhos como coitadinhos. Também sou incapaz de me ver a mim no futuro como uma coitadinha. Ficaria extremamente desapontada se como velha, não serei mais que um peso no sistema de saúde. O que me traz ao último ponto: num mundo em que morrer já não é um processo natural, a decisão de morrer deverá estar cada vez mais na mão do vivo. Contudo, a morte deverá continuar a ser fundamental no âmbito psicossocial, caso contrário, a sociedade que criaremos será um sítio muito frio. Definir as guias para isto vai ser muito difícil, mas uma das grandes discussões dos próximos 20 anos.
Há um livro, infelizmente em alemão, sobre o futuro do envelhecimento. É uma compilação de textos de estudiosos alemães. Como o meu alemão é um tadinho, tenho extremas dificuldades em absorver o que aquele livro diz, mas para quem quer saber sobre esta problemática e sabe alemão, é um livro que aconselho. Talvez daqui a uns tempos seja traduzido. É o "Die Zukunft des Alterns: Die Antwort der Wissenschaft" (O futuro do envelhecimento: a resposta da ciência), editado por Peter Gruss.
*Em Portugal, o sistema de pensões é um esforço insuficiente: poucos pensionistas podem viver com o dinheiro que recebem (no melhor dos casos, sobrevivem). Os que se salvam são os que têm outros meios de aumentar o rendimento e ainda têm apoio familiar. Além disso, penso que em Portugal há outra tolerância à pobreza. Afinal, eles sempre foram pobres e a vida foi uma luta. Portanto, tudo o que vem a mais é bem-vindo e não posto para lamentações (para lá da linha de base lamentativa de um português médio). Os alemães são mais assertivos no que lhes é devido. Os portugueses novos resumem o seu papel nos problemas sociais do seu futuro envelhecimento em dois míseros pontos.
mandaste-me há uns tempos uma ligação que me não convenceu. Infelizmente o título foi mal escolhido. Cria expectativas que não cumpre. Diz que é sobre cenários e tendências para os próximos 20 anos, contudo quando se lê é sobre hoje. Aquilo são os pontos das preocupações e dos medos atuais refletidos e magnificados no amanhã.
Por exemplo, relativamente ao envelhecimento da sociedade europeia tem a dizer isto:
"Problemas: No Ocidente, pressão sobre as populações mais velhas consideradas como um fardo.
Custos de saúde aumentados."
Isto é muito pouco.
Primeiro: um dos pontos que não aparece na ligação que me mandaste e que me parece uma falta de palmatória, é que com a desagregação da família alargada, a sociedade está demograficamente estratificada. Os adolescentes andam com adolescentes, os vintões com os vintões, os trintões com os trintões, etc. e não há grande mistura geracional. Cada estrato acha-se o rei do seu domínio e cada estrato vive na ilusão que sabe tudo o que há para saber. Isto, para além de ridículo, é o motor de muito do que acontecerá no futuro.
Segundo: a discussão é de uma riqueza que colocá-la em dois pontinhos é confrangedor. Na Alemanha, o sistema de pensões é realmente um "welfare state"*. Além disso, a geriatria nao vem de uma ditadura que os manteve analfabetos, pelo que na Alemanha não se fala só na faceta dos coitadinhos dos velhos, mas da gerontocracia. Porque não sendo analfabetos, há a possibilidade que estas pessoas se unam para lutar pelos seus interesses. Neste caso, podem tomar a democracia. Portanto, a maioria depende de um sistema que é alimentado pela minoria. Este sistema é controlado pelo governo, que está na mão da maioria e aqui estamos noutra parte da discussão em que os coitadinhos são os novos, sugados pelos avós. Mas será que isto irá acontecer? Têm ou terão os velhos a noção de grupo? Isto é que é uma pergunta interessante para um cenário de futuro do envelhecimento. Atualmente, na Alemanha, os sindicatos de trabalhadores são populados pela gerontocracia, que têm mais tempo nas mãos e ideias que, pelos nossos olhos, os novos, estão ultrapassadas e são economicamente contraprodutivas.
Nos EUA, um estudo (de um tipo chamado J.W. Button, que vi num livro que referencio mais abaixo) mostrou que em zonas eleitorais com mais idosos (que, além disso, votam em maior número percentual, que os mais novos) há menor apoio a políticas sociais pró-educação. Mas este é um estudo. Outros mostram outros fatores com maior importância nos apoios do eleitorado ao financiamento educativo: o sexo do eleitor (as mulheres são mais pró-educação), o nível de educação (mais letrado, mais pronto a apoiar a educação), o estatuto social, a cor política.
Terceiro: os velhos de amanhã são os novos de hoje. Portanto, que tipo de velhos seremos nós? Um dos cenários que vejo expectáveis para o futuro é que trabalharemos até cairmos para o lado. Isto significa que seremos um peso a considerar no local de trabalho e poderemos contrabalançar o ageísmo atual. É um cenário.
Em novita, convivi muito mais com pessoas muito mais velhas que eu, do que com os meus pares (achava-os parvalhões), pelo que sou incapaz de ver os velhos como coitadinhos. Também sou incapaz de me ver a mim no futuro como uma coitadinha. Ficaria extremamente desapontada se como velha, não serei mais que um peso no sistema de saúde. O que me traz ao último ponto: num mundo em que morrer já não é um processo natural, a decisão de morrer deverá estar cada vez mais na mão do vivo. Contudo, a morte deverá continuar a ser fundamental no âmbito psicossocial, caso contrário, a sociedade que criaremos será um sítio muito frio. Definir as guias para isto vai ser muito difícil, mas uma das grandes discussões dos próximos 20 anos.
Há um livro, infelizmente em alemão, sobre o futuro do envelhecimento. É uma compilação de textos de estudiosos alemães. Como o meu alemão é um tadinho, tenho extremas dificuldades em absorver o que aquele livro diz, mas para quem quer saber sobre esta problemática e sabe alemão, é um livro que aconselho. Talvez daqui a uns tempos seja traduzido. É o "Die Zukunft des Alterns: Die Antwort der Wissenschaft" (O futuro do envelhecimento: a resposta da ciência), editado por Peter Gruss.
*Em Portugal, o sistema de pensões é um esforço insuficiente: poucos pensionistas podem viver com o dinheiro que recebem (no melhor dos casos, sobrevivem). Os que se salvam são os que têm outros meios de aumentar o rendimento e ainda têm apoio familiar. Além disso, penso que em Portugal há outra tolerância à pobreza. Afinal, eles sempre foram pobres e a vida foi uma luta. Portanto, tudo o que vem a mais é bem-vindo e não posto para lamentações (para lá da linha de base lamentativa de um português médio). Os alemães são mais assertivos no que lhes é devido. Os portugueses novos resumem o seu papel nos problemas sociais do seu futuro envelhecimento em dois míseros pontos.
sexta-feira
quarta-feira
A comentadora
Já li isto por aí, não sei bem em que blogue (se calhar lembrava-me se fizesse um esforço, mas acabei de comer uma pratada de salada de pepino e estou a arrotar e tenho a sensação que algo mau pode acontecer se eu forçar o que quer que seja), que é isto de associarem Portugal a futebol. Tem uma certa piada quando se está no cu de judas e em vez de um olhar em branco, fazem um sorriso satisfeito e dizem Figo ou Ronaldo (irrita-me que não digam Cristiano, que vai mais com os meus gostos estéticos e ordenadores das celebridades, Ronaldo é o gajo com o lapso entre dentes). Mas a certa altura é um pouco, o que é que eu tenho a ver com isso. O Petit vai pra Colónia, para um clube que veio da segunda divisão. Comentários da portuguesa de serviço... Ora bem, estou com calor, apetece-me um gelado e Petit como o nome indica é pequeno, o que pode explicar muita coisa. Obrigada.
terça-feira
Gone are the days, the nights
And since I met you
I've had no reason to hide
And since I left you
I've had no reasons to fight
Why?
Gone are the days, the nights
The hands that held the life
The life that I had tried to find
I must be losing my mind
Every time
I must be losing my mind
My research was flawed
Um cientista espera algo e este expectável tem que ser muito cuidadosamente gerido. Se o que se espera dá certas linhas por onde orientar a investigação, o expectável tem de estar constantemente a ser interrogado, para que o expectável não contamine o que se encontra. O que se espera diz onde cavar, mas quando se cava, a terra deve ser só interrogações.

A página do artista
...clicar na imagem para aumentar...

A página do artista
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segunda-feira
Linguajar cientifico, mais ou menos
A esperança tem o risco associado da desilusao. Esse risco é exorbitante quando está associado a pessoas. Neste ponto da campanha de observaçoes, que se realizam há trinta e tres anos na estaçao Abrunho, conclui-se que a esperança pessoal de melhoria perceptível da personalidade é possível. Contudo, a exo-esperança é objetivamente uma imbecilidade.
domingo
sexta-feira
idiossincrasias
Em Portugal ainda se diz bom como o milho? Ou há outras formas de dizer que há um ser humano a passar que nos transtorna as hormonas? Na Alemanha a expressao é picante como uma ratazana. Nao me perguntem, mas afinal porque é que o milho é assim tao bom? Também nao se percebe.
O CONTEXTO
Das páginas da Arts & Letters Daily chego a um artigo sobre a "inquisição" nos Países Baixos (a escolha da palavra é do cartunista). É uma história requentada de cartunes e liberdade de expressão e estava preparadinha para gritar Aqui D'El rei.
Foi o que fiz aquando dos cartunes dinamarqueses, mas já naquela altura recuei um pouco quando soube que o jornal em que publicaram os cartunes era de extrema-direita e tinha historial de provocação de minorias. Os cartunes não me pareceram dizer mentiras e julguei na altura que era altura dos muçulmanos se darem conta da imagem que todos nós estavamos a criar deles, devido a posturas violentas em nome da sua religião que vezes sem conta nos vinham de radicais muçulmanos, que poucos muçulmanos vinham contradizer. Viu-se um esforço monumental em usar violência para manifestarem-se contra ideais do Ocidente, mas pouco esforço para se manifestarem contra aqueles entre eles que semeiam destruição. Aqueles cartunes eram uma mensagem necessária para os muçulmanos.
Mas quanto aos tais ideais ocidentais, como a liberdade de expressão, é altura de pôr contexto nessa liberdade. Este artigo serve bem para eu dizer que não me parece que a liberdade de expressão é total. Depende do contexto. O artigo dá-nos conta de um desenhador que é obcecado por muçulmanos. Repetidamente ele desenha cartunes contra os muçulmanos e associa cenas provocadoras de sexo que não dizem nada para além de que ele quer provocar. Ao contrário dos outros cartunes que expunham uma crescente associação nos olhos ocidentais de praticantes de uma religião e violência, que dá possibilidade a introspecções e análises. Neste caso é só provocação e porque continuada, acaba por ser o esforço de denegrir uma porção de seres humanos. Somente isso. Além disso, na actual dificuldade de relacionamento na Europa, a sua actividade passa a incitar sentimentos perigosos e desincentivar compreensão. Neste contexto parece-me bem que o chamem à justiça.
O cartunista diz que a beleza está nos olhos de quem vê e assim se defende, mas aqui não se trata de beleza, mas de uma mensagem. A mensagem dele é univocamente anti-alguém. E não foi só um cartune, foi uma linha de montagem sobre um grupo determinado de pessoas.
No artigo dão dois exemplos de sensibilidades a serem postas em causa.
In Britain, a local police force got caught up recently in a flap over its use of a German shepherd puppy to promote an emergency hotline. A Muslim councilor, noting that dogs are viewed as unclean in Islam, complained that the puppy could turn off believers. The police force apologized and regretted not consulting its diversity officer.
In Switzerland, meanwhile, a bombastic anti-immigration political party is campaigning to ban all Muslim prayer towers, known as minarets. This week it gathered enough signatures to force a national referendum on the issue. The Swiss government says such a ban would violate freedom of religion and pose a security threat by provoking Muslims.
O caso na Grã-Bretanha parece-me empolado pelo jornalista. Fazem uma campanha que quer chegar a todos e um representante muçulmano queixou-se (ou chamou a atenção?) que a campanha talvez não atingisse os muçulmanos. So what, qual é a novidade que uma campanha de informação ou publicidade tem de ter em atenção os seus receptores, para ter a certeza que é ouvida?
No caso da Suiça, o problema são mesmo os suiços e a sua intolerância.
Há uns tempos quando deixaram de fazer uma peça de teatro, penso, na Áustria, penso, porque lá pelo meio referenciavam aspectos religiosos, que eram não só da religião muçulmana, mas também cristã, achei mal terem cedido, porque o intuito não era provocatório e a mensagem era muito mais vasta.
A minha conclusão é que a liberdade de expressão deve ser analisada na mensagem a jusante e a jusante está o que o receptor pode retirar. Se o receptor só pode retirar tribalismos básicos, a mensagem incita a uma atmosfera de divisão e finalmente violência. Isto para mim é crime. Pode ser um crime água mole em pedra dura tanto bate até que fura, mas lentamente pode matar. E nisto vem-me Ruanda à cabeça.
Foi o que fiz aquando dos cartunes dinamarqueses, mas já naquela altura recuei um pouco quando soube que o jornal em que publicaram os cartunes era de extrema-direita e tinha historial de provocação de minorias. Os cartunes não me pareceram dizer mentiras e julguei na altura que era altura dos muçulmanos se darem conta da imagem que todos nós estavamos a criar deles, devido a posturas violentas em nome da sua religião que vezes sem conta nos vinham de radicais muçulmanos, que poucos muçulmanos vinham contradizer. Viu-se um esforço monumental em usar violência para manifestarem-se contra ideais do Ocidente, mas pouco esforço para se manifestarem contra aqueles entre eles que semeiam destruição. Aqueles cartunes eram uma mensagem necessária para os muçulmanos.
Mas quanto aos tais ideais ocidentais, como a liberdade de expressão, é altura de pôr contexto nessa liberdade. Este artigo serve bem para eu dizer que não me parece que a liberdade de expressão é total. Depende do contexto. O artigo dá-nos conta de um desenhador que é obcecado por muçulmanos. Repetidamente ele desenha cartunes contra os muçulmanos e associa cenas provocadoras de sexo que não dizem nada para além de que ele quer provocar. Ao contrário dos outros cartunes que expunham uma crescente associação nos olhos ocidentais de praticantes de uma religião e violência, que dá possibilidade a introspecções e análises. Neste caso é só provocação e porque continuada, acaba por ser o esforço de denegrir uma porção de seres humanos. Somente isso. Além disso, na actual dificuldade de relacionamento na Europa, a sua actividade passa a incitar sentimentos perigosos e desincentivar compreensão. Neste contexto parece-me bem que o chamem à justiça.
O cartunista diz que a beleza está nos olhos de quem vê e assim se defende, mas aqui não se trata de beleza, mas de uma mensagem. A mensagem dele é univocamente anti-alguém. E não foi só um cartune, foi uma linha de montagem sobre um grupo determinado de pessoas.
No artigo dão dois exemplos de sensibilidades a serem postas em causa.
In Britain, a local police force got caught up recently in a flap over its use of a German shepherd puppy to promote an emergency hotline. A Muslim councilor, noting that dogs are viewed as unclean in Islam, complained that the puppy could turn off believers. The police force apologized and regretted not consulting its diversity officer.
In Switzerland, meanwhile, a bombastic anti-immigration political party is campaigning to ban all Muslim prayer towers, known as minarets. This week it gathered enough signatures to force a national referendum on the issue. The Swiss government says such a ban would violate freedom of religion and pose a security threat by provoking Muslims.
O caso na Grã-Bretanha parece-me empolado pelo jornalista. Fazem uma campanha que quer chegar a todos e um representante muçulmano queixou-se (ou chamou a atenção?) que a campanha talvez não atingisse os muçulmanos. So what, qual é a novidade que uma campanha de informação ou publicidade tem de ter em atenção os seus receptores, para ter a certeza que é ouvida?
No caso da Suiça, o problema são mesmo os suiços e a sua intolerância.
Há uns tempos quando deixaram de fazer uma peça de teatro, penso, na Áustria, penso, porque lá pelo meio referenciavam aspectos religiosos, que eram não só da religião muçulmana, mas também cristã, achei mal terem cedido, porque o intuito não era provocatório e a mensagem era muito mais vasta.
A minha conclusão é que a liberdade de expressão deve ser analisada na mensagem a jusante e a jusante está o que o receptor pode retirar. Se o receptor só pode retirar tribalismos básicos, a mensagem incita a uma atmosfera de divisão e finalmente violência. Isto para mim é crime. Pode ser um crime água mole em pedra dura tanto bate até que fura, mas lentamente pode matar. E nisto vem-me Ruanda à cabeça.
quinta-feira
CLAP CLAP CLAP CLAP
Contra o pensamento ocioso.
Graças ao altíssimo, que estou farta de tanto texto de queixume sem visao activa. Se os artigos de opiniao reflectissem o portugues comum, entao o país Portugal seria ainda pior que aquele pintado nos artigos de opiniao. Só se pode esperar que os portugueses nao leiam jornais, para nao serem mal influenciados.
Graças ao altíssimo, que estou farta de tanto texto de queixume sem visao activa. Se os artigos de opiniao reflectissem o portugues comum, entao o país Portugal seria ainda pior que aquele pintado nos artigos de opiniao. Só se pode esperar que os portugueses nao leiam jornais, para nao serem mal influenciados.
Petição STOP ao Cancro do Cólo do Útero
Todos os anos 50.000 mulheres são diagnosticadas e 25.000 morrem devido a cancro do cólo do útero. A existência de programas eficazes de prevenção podem prevenir a grande maioria destes casos.
Assine a Petição STOP ao Cancro do Cólo do Útero, para chamar a atenção do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia e de todos os Governos Nacionais da Europa para implementarem programas de rastreio organizados contra o cancro do cólo do útero que providenciarão uma proteção mais eficaz contra o cancro do cólo do útero em todas as mulheres da Europa.
Assine a Petição STOP ao Cancro do Cólo do Útero, para chamar a atenção do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia e de todos os Governos Nacionais da Europa para implementarem programas de rastreio organizados contra o cancro do cólo do útero que providenciarão uma proteção mais eficaz contra o cancro do cólo do útero em todas as mulheres da Europa.
quarta-feira
A nova estrela pop
Há tanta coisa nas pessoas que não percebo, apesar de ter herdado os miolos na minha família (swallow that thought), que me põe feliz de ter tido a inteligência de me dedicar a estudar a natureza. O Obama vem a Berlim. Estão à espera que apareça um milhão de almas para o ouvir. Ou a quantidade de americanos na Alemanha extravasa qualquer censo, ou eu não entendo porque é que as pessoas não se põem a ver um filme da Disney no conforto de suas salas, em vez de ir ouvir um homem que vai dizer tanta coisa lamecho-política, com o ar de quem acredita, que num mundo lógico, borboletas nasceriam de sua boca e se desintegrariam nos ares. O Obama é o estilo de gajo que mandaria uma carta a declarar guerra ao Irão com coraçõezinhos nos is. Esta necessidade parva das pessoas de erigirem estrelas faz-me passar da molécula.
P.S.: agora vou ouvir X&Y dos Coldplay a ver se acalmo a molécula. Licencinha.
P.S.: agora vou ouvir X&Y dos Coldplay a ver se acalmo a molécula. Licencinha.
terça-feira
Opá, deixa-me rir
Fiquei muito curiosa quando ouvi falar sobre um editorial do Sr. José Manuel Fernandes e uma sua pergunta:"Será o seu número [famílias monoparentais] desproporcionalmente maior entre as comunidades africanas?" Porque haveria isto de lembrar a alguém com os pés assentes em Portugal? Continua-se a ler o editorial e chega-se a Obama e percebe-se que o José Manuel Fernandes está a par das preocupações americanas.
Assim, não só os jornais portugueses estão apinhados de opiniões, estas são requentadas com preocupações e problemas sociológicos de países estrangeiros. Fica-se a saber que se um grupo de pessoas tem tendências criminosas e têm a mesma cor de pele, mesmo que vivam em dois países com vivências muito diferentes e em que as duas comunidades africanas têm histórias pouco similares, de tal forma que provavelmente só a palavra "africana" é que as aproxima, no entanto, pode-se, com toda a probabilidade, usar a mesma explicação para a sua criminalidade. Como isto é tão idiota, que chega a ser não comentável, vou-me rir.
Li o editorial através do Womenage a trois. Obrigado pela disponibilização.
Assim, não só os jornais portugueses estão apinhados de opiniões, estas são requentadas com preocupações e problemas sociológicos de países estrangeiros. Fica-se a saber que se um grupo de pessoas tem tendências criminosas e têm a mesma cor de pele, mesmo que vivam em dois países com vivências muito diferentes e em que as duas comunidades africanas têm histórias pouco similares, de tal forma que provavelmente só a palavra "africana" é que as aproxima, no entanto, pode-se, com toda a probabilidade, usar a mesma explicação para a sua criminalidade. Como isto é tão idiota, que chega a ser não comentável, vou-me rir.
Li o editorial através do Womenage a trois. Obrigado pela disponibilização.
segunda-feira
Isto é um caso de polícia
A minha grande questão sobre o passado da Quinta da Fonte é se as pessoas responsáveis pelo alojamentos viram, para lá da real pobreza dos alojados, o seu cadastro.
E depois para o futuro, em vez de andarem a falar de pacificar comunidades, eu gostava de saber se estão a investigar quem tem/usou armas e pô-los a andar. Essa conversa-bem de pacificar pessoas que recorrem a armas para resolver desavenças parece-me não efectivo e extremamente estúpido.
E depois para o futuro, em vez de andarem a falar de pacificar comunidades, eu gostava de saber se estão a investigar quem tem/usou armas e pô-los a andar. Essa conversa-bem de pacificar pessoas que recorrem a armas para resolver desavenças parece-me não efectivo e extremamente estúpido.
Às armas, Às armas
A parte desalojada da Quinta da Fonte diz: "«Somos cidadãos portugueses, não somos imigrantes. Por isso temos Bilhete de Identidade, por isso votamos. Queremos que o Governo trate dos nossos problemas como trata dos dos outros. Não podemos ser discriminados»."
Isto é fascinante, porque faz-me sentir muito discriminada. Eu nao sabia que o governo devia resolver os meus problemas e, como portadora de BI e de cartao de eleitor, quero aqui comunicar que estou a redigir um documento que enviarei em pouco tempo com todos os problemas que quero que me sejam resolvidos. E se nao me responderem, bem, vou á Quinta da Fonte, compro uma arma e acampo á frente de um sitio qualquer. Estao avisados.
Isto é fascinante, porque faz-me sentir muito discriminada. Eu nao sabia que o governo devia resolver os meus problemas e, como portadora de BI e de cartao de eleitor, quero aqui comunicar que estou a redigir um documento que enviarei em pouco tempo com todos os problemas que quero que me sejam resolvidos. E se nao me responderem, bem, vou á Quinta da Fonte, compro uma arma e acampo á frente de um sitio qualquer. Estao avisados.
Bom jogo
Então portantos a notícia é que pretos e ciganos andaram aos tiros e os pretos ganharam. E agora os ciganos querem que os beges lhes resolvam os problemas que os pretos lhes arranjaram. É assim? Portantos, balanço do jogo antes do prolongamento: pretos 1, beges 0.
Minúsculo ensaio comparativo da retrete

Tenho experiência de três tipos de retretes. Isto demonstra que tenho de fazer um esforço para visitar outros países, para lá desta parte a que chamam ocidente. Mas devo dizer que prefiro o tipo de retrete que usam em Portugal. A retrete em que a merda cai sobre uma saliência, para que possa ser analisada, não me interessa, pois eu por sistema não olho para a merda que faço. Depois aquelas que têm água quase até à borda, provavelmente para guardar as pessoas de limparem o que quer que seja, são ainda piores. Haverá pior sensação que ser salpicado no rabo pela merda que se está a fazer? As retretes em Portugal são um meio caminho muito bem apiaçado. Será que implicou estudos da provável trajectória do projetil?
domingo
A escola é um ponto de partida
A Sabine que me vai enviando notícias de por aí, enviou-me certas e insultuosas opiniões da Sra Filomena Mónica. Em experiência própria, venho de uma família que de uma geração para outra passou de elementos analfabetos, para uma geração que acedeu à Universidade. Eu não me considero a mim ou aos meus irmãos medíocres, bem pelo contrário. A escola não me ensinou tudo, nem penso que a escola nos possa ensinar tudo. Passei por escolas públicas sem excelências, mas que me abriram horizontes que os meus pais não podiam. Os meus pais simplesmente mandaram-nos para a escola e eu e os meus irmãos resolvemos seguir o que ela nos mostrou. Eu só segui por vontade própria e não sei o que é não ter essa vontade. Desde que me lembro gostei de aprender e sempre quis ir para a Universidade e continuar a aprender e continuei para lá da Universidade. A escola não matou essa sede, só a alimentou, mesmo que não tenha tido professores que me exigiram excelência. Tive professores calões, aplicados, cansados, parvos, fantásticos, motivados e desmotivados, professores que metiam baixa durante um ano completo, que falavam da sua vida privada em vez da lição, e no entanto sobrevivi. Tive professores que por vontade própria nos mostravam livros e jornais, imagens e comidas de outros países, para lá das suas línguas, nos diziam que mesmo que lessemos sem parar, nunca conseguiriamos ler todos os livros do mundo e eu abri a boca em deslumbramento com todos esses livros que nunca poderia vir a ler, mas insaciável para poder ler o maior número possível. Professores que montavam aulas-extra para apoio no seu próprio tempo ou que nos levavam em excursões para ver pedras e nos diziam que as pedras não eram só pedras, mas tinham mensagens muito antigas. Como poderiam os meus pais ter-me dito que uma pedra é mais que uma pedra? Frequentei escolas em pré-fabricados permanentes, onde tinhamos frio, escolas sem espaços comuns deixando-nos na rua à chuva, sem bibliotecas, escolas longe de casa, exigindo que me levantasse muito cedo e retornando muito tarde, sem tempo para estudar. E no entanto a escola que tive conseguiu deslumbrar-me. A questão é que a escola mostrou-me o mais que existia. A escola não me fez, mas mostrou-me o que poderia ser caso eu quisesse. Dizer que o 25 de Abril fechou portas é cuspir na realidade de pessoas como eu e os meus irmãos. O 25 de Abril disse tu podes. Portanto, movam as objectivas para as pessoas e para as suas ambições. Eu desconfio que se há um problema (não estou certa dessa mediocridade generalizada) o grande problema não é a escola, mas um mundo em que as pessoas pensam que o saber vem empacotado e pode ser injectado, de um mundo que pensa que o conhecimento é passivo. De um mundo que está à espera que a escola seja um lugar que enfia saber pela boca abaixo, em vez de ser o sítio que nos diz que um livro é mais que papel, que nos mostra num microscópio uma realidade paralela, que nos fala de perspectiva e nos diz para olhar para o horizonte com olhos de artista, que nos conta de guerras e atrocidades e nos põe a questionar a humanidade, que nos fala de um senhor de oculinhos redondos que escreveu "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce" e nos dá a autoridade desse sonho, apesar de nos sentirmos pequenos. Se calhar o problema é pensar que a escola em termos de conhecimento é em si um fim em vez de um ponto de partida. O sonho e a obra são coisas nossas, não dos professores. E se as pessoas não querem sonhar, nem obrar, não é a escola que as vai obrigar. Se calhar o problema é que as pessoas esqueceram que houve um tempo em que não se podia sonhar e veêm o sonho como adquirido e desprezível.
Se vamos falar na "raiz do mal da educação", que é o título expectável na nossa excelente imprensa, eu penso que este está em pessoas que vivem numa sociedade que prima pela mediocridade, visível, por exemplo, em veículos de informação péssimos, apinhados de opiniões medíocres, em vez de factos sobre os quais possamos nós próprios pensar. Não há professor que consiga remar contra isto. A minha pessoa já não se irrita, só desespera. E sonho que antes de fecharem as faculdades das ciências de educação, expulsem primeiro os opinionistas de tudo e de nada para onde deviam andar: a blogosfera.
Se vamos falar na "raiz do mal da educação", que é o título expectável na nossa excelente imprensa, eu penso que este está em pessoas que vivem numa sociedade que prima pela mediocridade, visível, por exemplo, em veículos de informação péssimos, apinhados de opiniões medíocres, em vez de factos sobre os quais possamos nós próprios pensar. Não há professor que consiga remar contra isto. A minha pessoa já não se irrita, só desespera. E sonho que antes de fecharem as faculdades das ciências de educação, expulsem primeiro os opinionistas de tudo e de nada para onde deviam andar: a blogosfera.
sábado
fadela
Hoje ia a andar pela rua e dei-me conta de uma coisa. Assim, num repente, enquanto cheirava a rua molhada de fresco e fazia aquele ar satisfeito com certas coisas que acontecem à minha volta, como um gato anafado que encontrou o canto perfeito ao sol para lamber as partes privadas. Dei-me conta que não há significados ou sentidos ou direcções. Não há. Somos nós no nosso pequeno mundo que damos nomes e categorizamos e agrupamos e agora que me dei conta desta evidência que só não apanhei na adolescência porque estava demasiadamente ocupada a achar que sabia tudo, tenho muita pena de mim, porque o que eu faço é dar nomes e categorizar e agrupar e suo muito a fazer isto e fico nervosa e chateio-me e cenas. A questão agora é saber em que canto morrer. Porque viver é este lamber de partes. E se Deus estiver a prestar atenção a nós não lhe tenho respeito. Tenho poucas certezas senão mesmo nenhumas, mas uma coisa sei: há coisas mais interessantes para fazer no Universo.
quinta-feira
terça-feira
Insonho
Às vezes nas noites de insónia coloco uma mesma canção a repetir-se noite fora. Pela noite os mesmos sons e eu segui-os de coração, a canção recomeça e eu segui-a todas as vezes pela noite. Hoje, por exemplo, tenho Between the Bars de Elliot Smith, mas como é um pouco ensonada, já fiz batota com os Angeles. Já notaram que os sons mudam consoante a hora e a noite? Há noites em que os sons vêm de muito longe, mas são estranhamente nítidos, como se a estação de comboios fosse mesmo ali ao virar da esquina e não do outro lado da cidade. É assim em todas as cidades, com os comboios a espraiarem-se à noite. Na outra noite ouvia-se um som repetitivo como alguém a bater metal em metal, um som imaginado a sair de uma prisão e eu forcei-me a sentir que devia ajudar a pessoa, que bateu metal em metal até às 6 e 12 da manhã e eu segui o som noite fora pela manhã e não vi se era alguém a pedir ajuda. Não era o vento, não podia ser o vento, eu o teria ouvido. O som do metal desvaneceu-se e eu fiquei acordada com a manhã. Este fastidio da noite, a ilusão da solidão e do eco e eu num espaço pequeno a repetir os mesmos sons distraindo a noite na minha insónia. Não sei explicar o contentamento que por vezes me submerge neste pequeno mundo de sons distintos, repetitivos e ecoados. São 4 e 13 e ouvi o primeiro pássaro. A cacofonia da manhã começa.
segunda-feira
Estupidamente bom
Este fds vi um filme, que ainda nao consegui esquecer. O mais esquisito é que esta foi a segunda vez que comecei a ver o filme, a primeira desistencia por KO de aborrecimento. Assim, de novo me veio o DVD parar á mao e de novo me sentei a ver o filme. Desta vez vi o filme todo e na cena final levei um balázio. Assim, pimbas, toma que já aprendeste. Este filme foi como estar a fazer um puzzle sem saber que imagem teria no final e quando o puzzle está feito, tem-se a pergunta á resposta e a resposta dispersa pelo filme. Logo, estou até agora a catar as respostas pelo que me lembra do filme. Um filme que me aborreceu quando o vi, desvaria-me de interesse quando o lembro. Isto nao se admite.
P.S.: É o estúpido do Caché do idiota do Haneke.
P.S.: É o estúpido do Caché do idiota do Haneke.
quinta-feira
terça-feira
Fase
Eu ando por aqui, mas fui acometida por um sentimento de alienaçao. Isto resulta na incapacidade de me sentir indignada ou de dar importancia ás minhas opinioes. Isto, eu sei, é gravíssimo.
Escrevi um poste na semana passada e anulei-o pouco depois. As palavras eram-me estranhas. Estas que escrevo agora sao estranhas. E no entanto, continuo a funcionar, ainda que sem opiniao e sem capacidade de indignaçao. Nao sei como, mas é possível.
Mas isto nao é só no escrever, é também no ler. Passo pelos blogues dos outros e é tédio absoluto, exceto os blogues pessoais. Parece que estou na fase: nao me interessa o que pensas, interessa-me, se me interessar, o que sentes.
Escrevi um poste na semana passada e anulei-o pouco depois. As palavras eram-me estranhas. Estas que escrevo agora sao estranhas. E no entanto, continuo a funcionar, ainda que sem opiniao e sem capacidade de indignaçao. Nao sei como, mas é possível.
Mas isto nao é só no escrever, é também no ler. Passo pelos blogues dos outros e é tédio absoluto, exceto os blogues pessoais. Parece que estou na fase: nao me interessa o que pensas, interessa-me, se me interessar, o que sentes.
domingo
Estou hipotérmica
Talvez amanhã quando for comprar a habitual melancia, o senhor da frutaria turca me faça um desconto. Tirando esse pensamento estou negativamente passada com o facto da República Checa ter perdido. Nem percebi o que se passou. Resolveram jogar à defesa (o que eu pensei) ou faltou-lhes as pernas (como diz aqui o meu amigo)? Está demasiadamente frio para me pôr duas horas a ver um jogo na rua e eu para o fim já não via nada com a tremura dos dentes.
Quanto aos portugueses, não vi, nem quis ver, porque devo confessar que estava com pena dos suiços, que se não ganhassem era uma vergonha. Eu deixo-me ir por estes sentimentos. Sou um coração de manteiga não derretida.
Quanto aos portugueses, não vi, nem quis ver, porque devo confessar que estava com pena dos suiços, que se não ganhassem era uma vergonha. Eu deixo-me ir por estes sentimentos. Sou um coração de manteiga não derretida.
sábado
Detesto o Natal
Há aquela frase aterrorizante do "Devia ser Natal todos os dias.", que me dá arrepios espinha abaixo. A única coisa boa do Natal é ser uma vez por ano e isso é olhar para o momento com espírito positivo. Eu sinceramente propunha que o Natal fosse de quatro em quatro anos e que o Campeonato Europeu de futebol fosse todos os anos. Digam-me o que é que o Natal tem de bom? Estar com a família por aí, mas não é realmente preciso o Natal para estar com eles e o melhor mesmo é estar com eles sem as exigências mesquinhas da época. Um Campeonato Europeu de Futebol é uma festa durante um mês, criando-se uma atmosfera impossível de reproduzir. Durante esse mês criam-se camaradagens e empolgamo-nos com os jogos. Em vez de ir para casa, saio para a rua, conheço pessoas, ando basicamente em festa a partir do momento que saio do trabalho. O Natal reproduz-se muito facilmente: aglomera-se família numa casa, compram-se uma data de prendas, passa-se uma noite com a família onde o momento alto é abrir as ditas prendas e fim.
P.S.: sim, ok, aquilo é a consoada, mas o dia seguinte é ainda pior: come-se muito e transladam-se os corpos para a frente da televisão. E eu apanhei um avião pra isto.
P.S.: sim, ok, aquilo é a consoada, mas o dia seguinte é ainda pior: come-se muito e transladam-se os corpos para a frente da televisão. E eu apanhei um avião pra isto.
quinta-feira
Nao somos todos verdes
Estive a ler o discurso do Cavaco Silva do dia 10 de Junho, mas nao foi lá que ele disse raça. Portanto, ainda nao sei realmente o que aconteceu. Se realmente é o homem ou um surto viral do politicamente correto. A palavra raça agora nao se diz, seja em que situaçao for, a nao ser seres nao humanos, imagino. Será que a minha piadinha de que em Portugal somos rafeiros é possível? Posso? Ou também é crime lingual?
Seja como for e nao tomando partidos, que eu nao tenho a minima ideia do contexto da palavra na frase e na situaçao, eu aponto este texto que li há muito poucos dias, talvez no mesmíssimo momento em que o Cavaco Silva expelia pela boca a palavra raça, talvez querendo dizer coragem, talvez querendo dizer aquele je ne sais quoi de rafeiro que os portugueses tem, talvez querendo dizer pelo nas ventas, talvez querendo dizer aquela espécie humana de altura abaixo da média europeia, talvez aquele pessoal todo que ouve fado e começa a fungar, talvez tentando animar os tugas choroes a serem mais vertebrais, talvez tentando incutir um certo sentimento de solidariedade (que nao existe), talvez num processo de telepatia, benza deus, espero que esta última nao.
É que se nao somos todos brancos, também nao somos todos verdes.
P.S.: Estive a olhar para a minha última frase e é passível de eu ser também apedrejada. Bem, nao sou famosa, é o que me vale.
Seja como for e nao tomando partidos, que eu nao tenho a minima ideia do contexto da palavra na frase e na situaçao, eu aponto este texto que li há muito poucos dias, talvez no mesmíssimo momento em que o Cavaco Silva expelia pela boca a palavra raça, talvez querendo dizer coragem, talvez querendo dizer aquele je ne sais quoi de rafeiro que os portugueses tem, talvez querendo dizer pelo nas ventas, talvez querendo dizer aquela espécie humana de altura abaixo da média europeia, talvez aquele pessoal todo que ouve fado e começa a fungar, talvez tentando animar os tugas choroes a serem mais vertebrais, talvez tentando incutir um certo sentimento de solidariedade (que nao existe), talvez num processo de telepatia, benza deus, espero que esta última nao.
É que se nao somos todos brancos, também nao somos todos verdes.
P.S.: Estive a olhar para a minha última frase e é passível de eu ser também apedrejada. Bem, nao sou famosa, é o que me vale.
quarta-feira
terça-feira
Latim
Número de alunos a aprender Latim diminuiu 80 por cento em dois anos
Por experiência própria sei que o ter aprendido latim é uma vantagem, pelo menos para aprender alemão. Os meus colegas italianos punham-me debaixo do braço, com uns racíocinios que me deixavam completamente fora de corrida. Esta não foi a primeira vez que fiquei triste por nunca ter tido latim. Quando estudei biologia, naquela parte mega-seca de dar nomes aos bichos, sentia que se soubesse latim aquilo não teria sido tão seca. O que tem mais piada é que eu acho que teria escolhido latim no liceu se me tivesse sido possível, mas eu era da área científica e latim não era uma opção. O meu interesse na altura era somente romântico, se bem que com uma certa precaução amedrontada depois de ler o "Manhã submersa" do Vergílio Ferreira. Eu punha-me a namorar os livros de latim dos meus colegas e a perguntar-lhes se o professor deles me deixaria assistir às aulas. Contudo, não havia possibilidade de horário para eu o fazer e assim nunca estudei latim.
Provavelmente, estivesse eu no liceu hoje, não pensaria em ter latim. Hoje a escola começa cedo a ser funcionalista e no entanto na Universidade em que esse propósito devia existir, as pessoas deixaram de encher os cursos de direito?
Por experiência própria sei que o ter aprendido latim é uma vantagem, pelo menos para aprender alemão. Os meus colegas italianos punham-me debaixo do braço, com uns racíocinios que me deixavam completamente fora de corrida. Esta não foi a primeira vez que fiquei triste por nunca ter tido latim. Quando estudei biologia, naquela parte mega-seca de dar nomes aos bichos, sentia que se soubesse latim aquilo não teria sido tão seca. O que tem mais piada é que eu acho que teria escolhido latim no liceu se me tivesse sido possível, mas eu era da área científica e latim não era uma opção. O meu interesse na altura era somente romântico, se bem que com uma certa precaução amedrontada depois de ler o "Manhã submersa" do Vergílio Ferreira. Eu punha-me a namorar os livros de latim dos meus colegas e a perguntar-lhes se o professor deles me deixaria assistir às aulas. Contudo, não havia possibilidade de horário para eu o fazer e assim nunca estudei latim.
Provavelmente, estivesse eu no liceu hoje, não pensaria em ter latim. Hoje a escola começa cedo a ser funcionalista e no entanto na Universidade em que esse propósito devia existir, as pessoas deixaram de encher os cursos de direito?
O colesterol
Cheguei à conclusão que em Portugal se gosta de falar de colesterol. Cada um tem uma história para contar, desde o pouco imaginativo, que só tem um número para dizer, o muito imaginativo que tem uma história absorvente de altos e baixos, o experimentativo, que já fez experiências entre o que come e bebe e como isso afecta o colesterol, o queixinhas, que se queixa do colesterol, o professoral que explica os tipos de colesterol e por aí em frente que não há limites ao colesterol daquela gente, que os benza deus. Eu sou contra o colesterol. O colesterol irrita-me. Não sei o meu colesterol, nem vejo daí grande benesse à minha saúde. Para mim o colesterol é como as rugas: indica idade e nem eu conto as rugas ao espelho, nem uma pessoa deixa de ir morrendo com a idade. Que uma pessoa tem que comer equilibradamente, fazer exercício e não fumar é uma coisa, que se tenha que trazer o colesterol à baila como uma medida quantitativa de quanto temos de mudar de vida é outra. E andar a tomar medicamentos para o colesterol sem mudar de vida é hipocrisia de saúde. Tenho dito.
segunda-feira
Palhaços
O jornalismo está ridículo. Com a seleção de futebol isto é tão claro que bate na cara. Quando a seleção estava em Viseu, os jornalistas visitaram uma aldeiazinha lá perto e perguntavam às pessoas se apoiavam a seleção, se tinham posto a bandeira e as pessoas lá juravam a pés juntos que sim e os que não tinham posto a bandeira pediam desculpa. Mostraram uma imagem que provavelmente os jornalistas pensaram castiça, das pessoas a sairem da igreja e preparem-se se não viram, perguntaram se era pedido na missa pela seleção! Caiu-se-me as mamas ao chão com o tamanho da estupidez e a pessoa a quem perguntaram esta enormidade também.
Hoje no Público há uma notícia em que se diz que os emigrantes em Neuchatel, onde a seleção está sedeada, comemoraram o feriado de 10 de Junho a 8 de Junho em honra da seleção. O título é que pela seleção até se muda o feriado. É óbvio que ninguém pode acreditar nisto, portanto, com base neste tipo de jornalismo só resta uma conclusão: os jornalistas um dia foram diabolicamente raptados numa ilha de um cientista maluco que lhes tirou os cérebros, colocou-os nuns frascos, mantem-los sobre uma dose racionada de choques eléctricos, libertou os corpos que agora andam por aí a fazer jornalismo e que acreditam que todas as pessoas que não têm o cérebro resgatado na ilha são imbecis.
Se a minha teoria cientista maluco não for verdade, continuo com a mesma dúvida: de onde veio esta gente? De que escola, que idade têm, eu imagino-os com vinte anos e acne, saídos de uma escola privada onde pensaram que estavam a aprender jornalismo, mas na verdade estavam a aprender artes circenses. Agora estão a fazer estágios de palhaço nos media.
Hoje no Público há uma notícia em que se diz que os emigrantes em Neuchatel, onde a seleção está sedeada, comemoraram o feriado de 10 de Junho a 8 de Junho em honra da seleção. O título é que pela seleção até se muda o feriado. É óbvio que ninguém pode acreditar nisto, portanto, com base neste tipo de jornalismo só resta uma conclusão: os jornalistas um dia foram diabolicamente raptados numa ilha de um cientista maluco que lhes tirou os cérebros, colocou-os nuns frascos, mantem-los sobre uma dose racionada de choques eléctricos, libertou os corpos que agora andam por aí a fazer jornalismo e que acreditam que todas as pessoas que não têm o cérebro resgatado na ilha são imbecis.
Se a minha teoria cientista maluco não for verdade, continuo com a mesma dúvida: de onde veio esta gente? De que escola, que idade têm, eu imagino-os com vinte anos e acne, saídos de uma escola privada onde pensaram que estavam a aprender jornalismo, mas na verdade estavam a aprender artes circenses. Agora estão a fazer estágios de palhaço nos media.
sexta-feira
Deutschland ueber alles
Eu de vez em quando vejo esta frase por aí sendo usada no sentido de Alemanha acima de tudo, sendo o tudo, outros povos, outros interesses. O sentido original desta frase não foi o de nacionalismo desenfreado, vamos pôr os nossos capacetes de bico e passar a ferro uns tantos pela nossa pátria. O sentido da frase nasceu na altura da unificação dos diferentes reinos no país Alemanha. Assim, o sentido é, acima destes retalhos de terra, a terra unida dos alemães. Era só para o caso de não saberem.
quinta-feira
Pois falemos de comida
Dei-me conta que os portugueses começam a ser poluídos pela soberba dos italianos. Eu gosto de comida italiana, gosto, sem dúvida alguma gosto. O que acontece é que os italianos aumentam desproporcionadamente os méritos da sua comida e acerrimamente. Basta dizer que eles conseguem passar horas a defender a radical diferença em sabor entre uma massa em espiral e uma massa cilíndrica. A discussao debruçou-se sobre os reconditos da mecanica de mastigaçao. Penso que já deu para entender como eles sao loucos quando se lhes dá trela e eu dou.
Pois estava eu a ler o Fugas do Público quando leio um artigo sobre risotto (as receitas italianas com arroz). A forma como o artigo estava escrito era como se em Portugal nunca jamais tivessemos visto arroz. Pessoalmente, eu escreveria o artigo como uma outra dimensao do arroz. Nao a descoberta de marcianos na praia do Guincho. Os italianos realmente construiram um mundo de sabores muito interessante e a crítica que farei a seguir sei que está dependente de eu ser portuguesa. O risotto é muito imaginativo e constrói sabores prodigiosos, mas é um prato em que geralmente cada garfada é a mesma da anterior. Vejam o arroz de cabidela: cada garfada é diferente, é impossível nao querer mais, é como um jogo de computador que já se conhece, mas parece que quanto mais se joga mais excitante fica. O risotto á quinta garfada é um território conhecido que já nao apetece explorar, mas sentarmo-nos para trás e escrever sobre isso. Os italianos sao prodigiosos em escrever sobre isso e exageram a tais limites que já nao se fala de arroz, mas da descoberta marítima para a India. Devo dizer, que segundo os italianos, os pastéis de belém também foram descobertos por eles.
Também li há uns dias que os franceses querem propor a culinária francesa a património imaterial da humanidade. O que poe a soberba dos italianos numa perspectiva bem atraente. Um só frances irrita o mesmo que oitenta arrobas de italianos. Os italianos sao melhores comensais. Os franceses infelizmente levam-se demasiadamente a sério. Mas algo que todos concordamos: os alemaes do norte nao cozinham, eles assassinam os ingredientes. E no fim, para terem a certeza que ninguém sobrevive, afogam-nos num molho qualquer.
P.S.: Há excepçoes claro, como por exemplo, algumas coisas simples que os alemaes do norte fazem com os espargos, que sao desta estaçao. É uma emoçao quando chega Maio.
P.S.2: Ainda assim, os alemaes do norte sabem o que é comida, ainda que torturada, eu tenho a impressao que se fosse servida uma salada de plástico a ingleses, eles comiam-na sem pestanejar.
P.S.3: Generalizar é baixaria, mas aceitem, toda a generalizaçao tem um fundinho de verdade.
Pois estava eu a ler o Fugas do Público quando leio um artigo sobre risotto (as receitas italianas com arroz). A forma como o artigo estava escrito era como se em Portugal nunca jamais tivessemos visto arroz. Pessoalmente, eu escreveria o artigo como uma outra dimensao do arroz. Nao a descoberta de marcianos na praia do Guincho. Os italianos realmente construiram um mundo de sabores muito interessante e a crítica que farei a seguir sei que está dependente de eu ser portuguesa. O risotto é muito imaginativo e constrói sabores prodigiosos, mas é um prato em que geralmente cada garfada é a mesma da anterior. Vejam o arroz de cabidela: cada garfada é diferente, é impossível nao querer mais, é como um jogo de computador que já se conhece, mas parece que quanto mais se joga mais excitante fica. O risotto á quinta garfada é um território conhecido que já nao apetece explorar, mas sentarmo-nos para trás e escrever sobre isso. Os italianos sao prodigiosos em escrever sobre isso e exageram a tais limites que já nao se fala de arroz, mas da descoberta marítima para a India. Devo dizer, que segundo os italianos, os pastéis de belém também foram descobertos por eles.
Também li há uns dias que os franceses querem propor a culinária francesa a património imaterial da humanidade. O que poe a soberba dos italianos numa perspectiva bem atraente. Um só frances irrita o mesmo que oitenta arrobas de italianos. Os italianos sao melhores comensais. Os franceses infelizmente levam-se demasiadamente a sério. Mas algo que todos concordamos: os alemaes do norte nao cozinham, eles assassinam os ingredientes. E no fim, para terem a certeza que ninguém sobrevive, afogam-nos num molho qualquer.
P.S.: Há excepçoes claro, como por exemplo, algumas coisas simples que os alemaes do norte fazem com os espargos, que sao desta estaçao. É uma emoçao quando chega Maio.
P.S.2: Ainda assim, os alemaes do norte sabem o que é comida, ainda que torturada, eu tenho a impressao que se fosse servida uma salada de plástico a ingleses, eles comiam-na sem pestanejar.
P.S.3: Generalizar é baixaria, mas aceitem, toda a generalizaçao tem um fundinho de verdade.
quarta-feira
Filha ingrata jura que ama quando se lembra
Pois sim, há net em Viseu, mas isto de férias, é até para os normais passatempos.
Retornei e vim muito bem, muito revigorada com aquele je ne sais quoi que os ventos de Portugal transportam. Anda tudo anafadinho a falar de uma crise que é como as bruxas. Pelas janelas de Viseu as bandeiras seguiam-se preservando-me de não saber em que país estaria caso batesse a cabeça e acordasse amnésica. Mas de resto ninguém fala seriamente da seleção, a não ser para as chalaças e não é nada irritante a não ser que se ligue a televisão fora da RTP2, pelo que concluo que o carpir pela blogosfera é de quem precisa de se carpir. As pessoas olham-me tristemente por viver em país em que não se sabe o que é comer ou beber bem, o que eu confirmo. Não minto e as pessoas ficam muito satisfeitas, o que me agrada.
Eu sei, devia ir mais vezes, mas eu esqueço-me do que não está à frente do meu nariz. Além que o meu coração tem a mania danada de vir comigo para onde quer que vá. Mas vou escrever na minha agenda em certos dias para me lembrar de ter saudades. A culpa é minha, não é vossa.
Retornei e vim muito bem, muito revigorada com aquele je ne sais quoi que os ventos de Portugal transportam. Anda tudo anafadinho a falar de uma crise que é como as bruxas. Pelas janelas de Viseu as bandeiras seguiam-se preservando-me de não saber em que país estaria caso batesse a cabeça e acordasse amnésica. Mas de resto ninguém fala seriamente da seleção, a não ser para as chalaças e não é nada irritante a não ser que se ligue a televisão fora da RTP2, pelo que concluo que o carpir pela blogosfera é de quem precisa de se carpir. As pessoas olham-me tristemente por viver em país em que não se sabe o que é comer ou beber bem, o que eu confirmo. Não minto e as pessoas ficam muito satisfeitas, o que me agrada.
Eu sei, devia ir mais vezes, mas eu esqueço-me do que não está à frente do meu nariz. Além que o meu coração tem a mania danada de vir comigo para onde quer que vá. Mas vou escrever na minha agenda em certos dias para me lembrar de ter saudades. A culpa é minha, não é vossa.
quinta-feira
ai Jesus que lá vou eu

figura de Laerte.
Indo eu, indo eu,
a caminho de Viseu,
Indo eu, indo eu,
a caminho de Viseu,
Encontrei o meu amor,
ai Jesus que lá vou eu,
Encontrei o meu amor,
ai Jesus que lá vou eu,
Ora zuz, truz, truz,
ora zas, traz, traz,
Ora zuz, truz, truz,
ora zas, traz, traz,
ora chega, chega, chega,
ora arreda lá p'ra trás,
ora chega, chega, chega,
ora arreda lá p'ra trás.
quarta-feira
Desastre
Ontem uma amiga contava-me do seu desastre: o preservativo rompeu. A seguir retornaram e o outro preservativo também rompeu. Mas eu fiquei entalada entre as quecas e perguntei-lhe porque é que tinha usado preservativo á segunda vez. Isto é interessante por dois motivos conectados: primeiro porque ainda me esqueço das doenças sexualmente transmissiveis, segundo porque a minha amiga riu-se e disse que o # e o$ e o % tinham perguntado o mesmo, enquanto a @, a ^ e a * se tinham passado por ela tê-lo feito outra vez. Eu estou com os os, nao com as as, eu fiz a pergunta dos gajos. Eu sou uma acéfala irresponsável, que pensa que o perigo é só os bébés! Estao a ver o meu desastre?
terça-feira
adeus
Trabalho junto a um arranha-céus e de tempos a tempos alguém suicida-se dali. Hoje pela primeira vez ouvi o grito do suicida. Eu senti a necessidade de colocar importância nos meus sentimentos, de não abanar a mão em sinal da prática inutilidade de mim. É nestes momentos que a religião faz falta, como cerimonial, como repositório de atos significantes. Mas como sou ateísta vim para aqui escrever a minha vontade de assinalar: hoje alguém decidiu morrer onde eu o ouvi e eu queria de alguma qualquer forma poder mandar um adeus.
O que significa um sorriso
Philip G. Zimbardo no seu livro “The Lucifer effect: understanding how good people turn evil” tece uma credível tese de que em Abu Ghraib os principais culpados da indignidade das fotos não foram os fotógrafos, mas quem criou aquele ambiente. Pessoas consideradas normais ou seja como cada um de nós nos consideramos, seriam afetadas pelo ambiente criado e atuariam de formas consideradas anormais e neste caso, de formas repulsivas. Quem criou aquele ambiente, os responsáveis superiores escaparam a prosecução. Neste artigo diz-se algo mais: quem matou conseguiu escapar pelas malhas desculpantes, quem fotografou foi para a prisão. Contudo, no cômputo final, quem fotografou foi quem mostrou o horror do que se passava naquele sítio.
segunda-feira
monólogo
O desejo sem o conhecimento do desejado
É a fórmula da impossibilidade do acto
Fica no ar o desejo
sem saber em que direçao ir
Portanto desejo algo
sento-me e espero que se identifique
enquanto espero pergunto-me
o que significa o desejo
porque simplesmente nao há mais que faça
portanto penso se algum dia o desejo se cumprir
o que haverá para lá do desejo?
sou fatalista e de fins, proponho a morte
Após o desejo, a morte? E se assim for
caso o desejo me procure, irei ao seu encontro?
Irás, que tudo tem fim, até o desejo e a morte.
É a fórmula da impossibilidade do acto
Fica no ar o desejo
sem saber em que direçao ir
Portanto desejo algo
sento-me e espero que se identifique
enquanto espero pergunto-me
o que significa o desejo
porque simplesmente nao há mais que faça
portanto penso se algum dia o desejo se cumprir
o que haverá para lá do desejo?
sou fatalista e de fins, proponho a morte
Após o desejo, a morte? E se assim for
caso o desejo me procure, irei ao seu encontro?
Irás, que tudo tem fim, até o desejo e a morte.
quarta-feira
Deve ser isso
Ainda não entendi porque a Manuela Ferreira Leite tem que dizer como vota. Porque anda na política? Pensei que mais do que esconder algo, o voto é algo privado, que é decisão nossa e só nossa descerrar. É preciso saber em quem ela votou, para compreender a que ela vem? Se o voto já não é secreto, proponho que passemos a votar por multibanco, que facilitava muito. Já agora, se me perguntarem sobre a minha vida sexual e eu me recusar a responder, é sinal de que sou puta? Ou isto só se aplica a putas profissionais? Ah, deve ser isso.
terça-feira
O parvo
O assessor disse: “é costume” e “não se importaram”.
É óbvio que o costume é haver animálias no governo e que o resto do pessoal não se "importa". O estado do país num avião. Gil Vicente volta, que há material para ti.
Adenda: Porque é que agora deu este furor e nao daria antes? Quem está por detrás dos jornalistas nao é parvo. Antes era prerrogativa da TAP decidir se deixava fumar dentro dos seus avioes. Agora há uma lei que é de aplicaçao geral, incluindo ministros. O PM e compinchas acham que como o aviao foi requisitado, que é um espaço privado e nao público. Portanto, se eu alugar um bar para uma festa privada, eu poderia definir que se pode fumar na minha festa. Contudo, isto é assim, se o dono do espaço assim o conceder e pelo relato, havia os normais sinaizinhos dos avioes a informar que nao se podia fumar. Presumo que a TAP poderia deixar fumar no caso em particular, mas talvez haja previstos adicionais na tal lei do tabaco que ignoro. O facto de tirarmos exemplo disto é moralismo serodio? Eu sou fumadora e se há moralismo nao é de fumo, mas de respeito por leis e por co-viajantes. Em caso de dúvidas, que neste caso seriam só para cegos, pergunta-se. O Sócrates vir agora dizer que vai deixar de fumar é ridículo e ainda irrita mais. Pior que alguém prevaricar, é alguém fazer-se de estúpido.
É óbvio que o costume é haver animálias no governo e que o resto do pessoal não se "importa". O estado do país num avião. Gil Vicente volta, que há material para ti.
Adenda: Porque é que agora deu este furor e nao daria antes? Quem está por detrás dos jornalistas nao é parvo. Antes era prerrogativa da TAP decidir se deixava fumar dentro dos seus avioes. Agora há uma lei que é de aplicaçao geral, incluindo ministros. O PM e compinchas acham que como o aviao foi requisitado, que é um espaço privado e nao público. Portanto, se eu alugar um bar para uma festa privada, eu poderia definir que se pode fumar na minha festa. Contudo, isto é assim, se o dono do espaço assim o conceder e pelo relato, havia os normais sinaizinhos dos avioes a informar que nao se podia fumar. Presumo que a TAP poderia deixar fumar no caso em particular, mas talvez haja previstos adicionais na tal lei do tabaco que ignoro. O facto de tirarmos exemplo disto é moralismo serodio? Eu sou fumadora e se há moralismo nao é de fumo, mas de respeito por leis e por co-viajantes. Em caso de dúvidas, que neste caso seriam só para cegos, pergunta-se. O Sócrates vir agora dizer que vai deixar de fumar é ridículo e ainda irrita mais. Pior que alguém prevaricar, é alguém fazer-se de estúpido.
segunda-feira
Boquiaberta e céptica
O que está errado desde o início é legislação quanto à língua. Por incrível que pareça, é ilegal publicar em Portugal jornais ou livros com palavras como "atual" em vez de "actual" ou "ótimo" em vez de "óptimo". Em contrapartida, a tradução portuguesa oficial da declaração universal dos direitos humanos, por exemplo, é uma vergonha. Mas respeita a ortografia.
Eu até agora achava que as opinioes do Desidério Murcho sobre o acordo ortográfico eram, no mínimo, histéricas, mas finalmente estaria aqui um exemplo em que poderia começar a compreender o seu ponto de vista. Gostava de ver esta lei. Se alguém ma puder indicar, agradecia.
Eu até agora achava que as opinioes do Desidério Murcho sobre o acordo ortográfico eram, no mínimo, histéricas, mas finalmente estaria aqui um exemplo em que poderia começar a compreender o seu ponto de vista. Gostava de ver esta lei. Se alguém ma puder indicar, agradecia.
quinta-feira
Pancas
Há uns dias vi um documentário sobre uma panca que nunca me tinha passado pela cabeça que existia e eu pensava que já tinha ouvido de tudo, mas a panca humana parece ser infinita. Era sobre pessoas que veêm partes do seu corpo como estranhas a si e vivem obcecadas em se verem livres dessas excrecências. Magoam-se e, por vezes, morrem na sua procura de se verem livres de pernas, braços, o que seja que nas suas mentes está a mais. Um cirurgião na Grã-bretanha resolveu que o melhor é mesmo amputá-las porque pelo menos ele fá-lo de uma forma segura, já que estas pessoas recorrem ao que for, ao talhante da esquina se tal for necessário. Algo que parece existir em comum entre estas pessoas é que começaram com a panca em crianças e um senhor falava de que se lembrava exactamente do momento em que a panca começou: viu um amputado na rua quando tinha uns seis anos e aquilo ficou-lhe fixado. Eu também tenho pancas e lembro-me também quando começaram e começaram quando eu era pequena. Portanto, a panca é uma questão de sorte do que nos passa à frente do nariz na idade de sermos condicionados, aliado à propensão de ficarmos pancões. Como pais não há forma de controlar as pancas dos filhos. Já repararam nisto?
quarta-feira
Filme matuto

Estes filmes são um espanto. Pode muito bem acontecer que eu saia do cinema a imprecar e a remoer o dinheiro que paguei. Mas depois começo a matutar e acabo por gostar do filme. O apaixonamento tardio torna estes filmes uma experiência distendida e surpreendente, dando-me um prazer que se deslarga como a energia numa bolacha para diabéticos. O último em que isto me aconteceu foi o "Frailty". Se não viram o filme, não continuem a ler. Vou explicar e pôr a boca no trombone.
A maior parte do filme parece não carregar qualquer mistério. Está tudo às caras e só é pedido aquele sentimento dual de horror com alguém que faz horrores, mas pena e misericórdia porque ele é louco. O ator Bill Paxton, que também é o realizador, carrega muito bem o papel e o filme. Assim, uma pessoa muito religiosa tem um sonho em que um anjo lhe diz que é um vingador de Deus. O anjo comunica-lhe o nome de demónios, disfarçados de seres-humanos, e ele tem de os destruir. Os demónios parecem não saber que são demónios, bem, mas claro, o homem é louco. Ele é viúvo e tem dois filhos pequenos, a quem ele exige ajuda. O mais velho dos dois já tem idade suficiente para perceber que o pai está doido e rebela-se o melhor que pode. Portanto, o sentimento dual torna-se agudo, num cenário de um pai amoroso, mas que na realidade está a abusar psicologicamente dos seus filhos, a um ponto tal que é tortura.
Há uma cena, a que não dei grande importância (o homem afinal é louco), em que ele diz ao filho rebelde que o anjo lhe comunicou que ele (o filho) é um demónio, mas que ele (o pai) não acredita e que ambos vão demonstrar ao anjo que ele é dos bons. Um dia o filho rebelde acaba por matar o pai. Ele enterra o pai e diz ao irmão que quando ele (o irmão vingador) um dia vier por ele (o filho assassino) que o enterre ali, junto ao pai. O irmão promete. Esta é uma cena extremamente importante, que só dei conta da importância no fim do filme, como muitas outras. Neste momento, o filho rebelde acredita que é um demónio.
Mais tarde sabe-se que o filho rebelde tornou-se em adulto num assassino em série. Também se fica a saber que o irmão mais novo tomou para si a tarefa divina do pai e acabou por fazer exactamente o que o irmão rebelde estava à espera: veio por ele e destrui-o. E mesmo no fim do filme é dado como certo que o pai não estava louco, que afinal era verdade que deus estava por dentro da história, na sua luta com o diabo e os seus demónios.
Em primeiro detestei esta intromissão de deus na história do filme, mas numa segunda leitura achei muito interessante. O filme mostra no fim que as pessoas que eram escolhidas como demónios, na verdade tinham cometido crimes horrorosos. De uma certa forma está a dar uma explicação para os criminosos: eles são demónios, ainda que o não saibam. É por isso que fazem o que fazem. É por isso que há pessoas que não resistem a matar ou violar. Numa altura em que se faz a procura desta intrínseca maldade nos genes destas pessoas, o filme diz que sim, que nasce com elas, mas porque não são pessoas, são demónios. Outra leitura extremamente interessante, é aquele filho que se torna assassino em série. Nós sabemos que quando ele mata o pai, há uma viragem para ele: ele é aos seus próprios olhos um demónio. Mas ter-se-á tornado ele um demónio porque o é ou porque o aceitou ou porque a experiência que sofreu na infância o transformou nesse demónio? Lembra a Bíblia, no que nesta contém de confuso entre o livre arbítrio do ser humano e o que já está previsto. Deus sabe antes que o faças, o que vais fazer, mas então como incluir aqui o livre arbítrio? Se for da sua natureza alguém ser um demónio, possui esse alguém o livre arbítrio de o não ser? E se Deus levou a essa transformação em demónio, quem é afinal culpado? É impressionante que um filme como "Frailty" possa conter este tipo de questões, que são velhas questões filosóficas e teológicas, e a inclusão disto num filme de horror (de bom gosto, já que não procura chocar o espectador com imagens explícitas gratuitas, apesar do que possam ter pensado com a figura que pus ali encima) e suspense é delicioso.
terça-feira
Já há muito que não fazia um bom descobrimento
Pelo bl-g-x-st cheguei a este blogue que, geralmente, passa a pente fino os conhecimentos de matemática e economia dos media ou simplesmente a capacidade crítica dos jornalistas. Divertido e instrutivo. Fica anotado.
sexta-feira
Conversê
As conversas que fazemos para não estarmos calados são atreitas a movimentos muito belos. Eu estive envolvida numa destas singelezas em que se começou com o horror dos vienensses a vitaminas, passou-se pela estatística dos gordos e magros na Europa (dois mais gordos: Alemanha e Grã-Bretanha, dois mais magros: Itália e Áustria), passou-se para a avaliação de fenótipos europeus e acabou-se com a minha estupenda espirituosidade em que respondendo à pergunta se os portugueses e os espanhóis diferem, eu respondi que os espanhóis são Picasso, os portugueses Miró. Podem-me bater palmas.
quinta-feira
quarta-feira
terça-feira
Nao entendo
Nesta notícia: Ericeira multada pelo Estado por utilizar óleos reciclados em carros do lixo, nao entendo porque é que os responsáveis da junta de frequesia da Ericeira nao fazem um manguito ás finanças e continuam a sua vida. As finanças que os metam em tribunal e que expliquem desde quando é legal obrigar a compra de um produto porque está nas listagens de pagamento de impostos, em detrimento doutro que se nao está nessas listagens é culpa de outra instituiçao que nao a junta de freguesia da Ericeira. Ou eu, nem em teoria, sei ou compreendo as leis do Estado? Nao entendo.
segunda-feira
domingo
Alguém sonha, alguém ordena e alguém vai ter um pesadelo
Parece que o governo acha que o Ministro do Ambiente, Nunes Correia, Dom Abetarda, precisa de ajuda na espoliação do património natural. Assim, para que o interesse nacional não se veja constrangido e já que desde que se proibiu o fumar em espaços públicos não há falta de ar puro, especialmente num país com ventos do Atlântico, além que o cinzento é seguramente uma cor mais afeita ao bom-humor que o verde, para além que áreas cobertas de cimento são melhores para a prática do exercício, como seja andar em patins em linha, actividade que muitos portugueses adoram, sendo que a erva é suficiente em rectângulos de dimensão suficiente para o jogo de futebol ou os cagares de cãezinhos de trela, para além que a natureza é comprovadamente dormitório de mosquitos e melgas, não os grandes, mas os pequenos, que além de aborrecerem como os grandes, provocam doenças mil, assim prepara-se este governo que tem o bem nacional, depreendendo-se aqui o bem de todos os portugueses e portuguesas que vivem no futuro país dos camelos, os verdadeiros com duas bossas, não os actuais de facto e fato, que, como dizia, imigrarão dos reinos do norte de áfrica para morar nos futuros desertos que rodearão os campos de golfe como mares de maravilhosa ondulação, que como dizia eu ainda, que este governo que tem o bem nacional em mente, pretende aprovar um diploma em que o futuro Portugal melhorado pode correr com maior vantajosa velocidade para esse futuro arenoso e inteiramente construido, cheirando a progresso até mundos longínquos e assim anunciar este país silencioso e resplandecente, capaz em toda a sua área de reflectir o sol na sua inteira luminosidade, sem sombra que lhe encubra o esplendor ou os turistas do norte do reino europeu que usam as praias lusitanas para se churrascar e viajam em budget (muito humildemente me atrevo a recomendar que se cobre o sol a esses mesquinhos visitantes, demonstrando a sabedoria dos novos tempos, em que o que é de todos, será, em nome de todos, de alguns). O novo mundo, como dizia eu, prepara-se em passos resolutos, como no diploma que deixa as competências da delimitação da Reserva Ecológica Nacional do Ministério do Ambiente para os Municípios, compartilhando com muitos mais dons abetardas essa tarefa incontornável para o país que se sonha. Aqui se saúda tal governo e se aponta o dedo a esses ingratos que pretendem opôr-se a este feito, como neste abaixo-assinado, que com envergonhada tristeza esta escritora já assinou, com esperança de travar um pouquinho o comboio do progresso que arrasa um mundo, que na sua fraqueza, lhe entristece perder. Deixa esta cronista desejos sinceros e puros de infelicidades e pragas a todos os abetardas, excepto os que têm corpos esbeltos forrados a penas, cujo destino vai sendo selado sem intervenção minha.
sábado
A Wikipédia e o Acordo Ortográfico de 1990
O facto de presentemente existirem duas ortografias oficiais diferentes dentro do espaço da língua portuguesa (uma no Brasil e outra nos restantes países lusófonos) prejudica grandemente um projecto transnacional como é a Wikipédia. Basta ver que muitas das intermináveis discussões e dos pontos de conflito entre wikipedistas centram-se nestas diferenças de escrita.
Assim sendo, a Wikipédia é adepta natural de uma norma gráfica o mais unificada possível. Espera-se que o Acordo Ortográfico de 1990, que tem exactamente esse propósito, venha a ser adoptado por todos os países lusófonos dentro de um prazo razoável. No entanto, estas novas normas ortográficas só serão admissíveis na Wikipédia quando entrarem legalmente em vigor em, pelo menos, um dos países signatários.
Na eventualidade de não haver uma adesão simultânea por parte de todos os oito países de língua portuguesa e de, ainda que provisoriamente, serem oficiais duas ou três normas ortográficas diferentes, todas serão válidas na Wikipédia, enquanto esta hipotética situação se mantiver. É claro que todos desejamos que este eventual período transitório seja tão breve quanto possível.
Seja como for, talvez seja importante lembrar que as normas do Acordo Ortográfico de 1990 admitem um conjunto relativamente alargado de ortografias duplas (António/Antônio, facto/fato, secção/seção, etc.), pelo que haverá que continuar a respeitar a opção dos autores por uma ou outra forma.
Um exemplo, para o pessoal perceber que o acordo ortográfico é importante para o trabalho em conjunto. Para que não se tenha que estar a discutir pormenores e entrar logo no que interessa. Até agora há trocas entre os países lusófonos, mandam-se novelas, livros, músicas. E se quisermos trabalhar no mesmo? Como é? Salgalhada? Batatada? Sim, perda de tempo.
Assim sendo, a Wikipédia é adepta natural de uma norma gráfica o mais unificada possível. Espera-se que o Acordo Ortográfico de 1990, que tem exactamente esse propósito, venha a ser adoptado por todos os países lusófonos dentro de um prazo razoável. No entanto, estas novas normas ortográficas só serão admissíveis na Wikipédia quando entrarem legalmente em vigor em, pelo menos, um dos países signatários.
Na eventualidade de não haver uma adesão simultânea por parte de todos os oito países de língua portuguesa e de, ainda que provisoriamente, serem oficiais duas ou três normas ortográficas diferentes, todas serão válidas na Wikipédia, enquanto esta hipotética situação se mantiver. É claro que todos desejamos que este eventual período transitório seja tão breve quanto possível.
Seja como for, talvez seja importante lembrar que as normas do Acordo Ortográfico de 1990 admitem um conjunto relativamente alargado de ortografias duplas (António/Antônio, facto/fato, secção/seção, etc.), pelo que haverá que continuar a respeitar a opção dos autores por uma ou outra forma.
Um exemplo, para o pessoal perceber que o acordo ortográfico é importante para o trabalho em conjunto. Para que não se tenha que estar a discutir pormenores e entrar logo no que interessa. Até agora há trocas entre os países lusófonos, mandam-se novelas, livros, músicas. E se quisermos trabalhar no mesmo? Como é? Salgalhada? Batatada? Sim, perda de tempo.
sexta-feira
quarta-feira
Filme cacetada na cabeça

O nome que dei ao poste diz tudo. Aqui vai o meu exemplo nas mais recentes visualizaçoes: 4 meses, 3 semanas, 2 dias. Assim, sendo vós pessoas de normal sensibilidade, esperai acabar o filme em choque, principalmente, e este é um aspecto importante dos filmes cacetada na cabeça, porque pode ser verdade. A história anda á volta de duas amigas na Roménia comunista e as suas andanças para fazer um aborto. O que o filme me proporcionou foi uma espreitadela para o outro lado da cortina de ferro. As pessoas tem de ser desenrascadas ou ter bons amigos que sejam desenrascados. É o chico-espertismo como condiçao de sobrevivencia. Há uma cena muito interessante de um jantar de, parece, famílias-bem lá do sítio e é interessante que tipo de desigualdades e preconceitos sao mostrados naquela conversa. Uma pessoa sente-se a ver um mundo igual e diferente. O chocante, para lá das violaçoes a que as raparigas se sujeitam para obter o aborto, é o que torna possível as suas sujeiçoes: o enorme poder que um sujeito obtem quando a sociedade torna uma necessidade num crime. Faz pensar, por exemplo, na imigraçao ilegal. As sujeiçoes que sao impostas a imigrantes por gente horrível que se aproveita de uma clandestinidade que á luz de valores cristaos é em si criticável. Isto a modo de um exemplo menos discutível que o poder fazer um aborto. Assim, para mim a moral da história deste filme foi que quando a sociedade coloca alguém na clandestinidade é fundamental asseverar que essa pessoa prejudica alguém e nao só carrega as hipocrisias duma massa de gente que se gosta de pensar livre da necessidade. Porque senao dá-se uma coutada a, dependendo do ponto de vista, crimes realmente crimes ou crimes muito mais perversos.
terça-feira
Faxina
Eu, a partir deste momento, irei começar a usar as novas regras do acordo ortográfico. Esta aplicação será realizada pacatamente à medida que vou aprendendo as regras. Começo o fácil deleite de chutar as consoantes mudas. Assim, aqui me lanço na feliz limpeza ortográfica.
segunda-feira
Por exemplo, Anthony Blair
Quanto a este meu poste vou dar um exemplo de uma pessoa perigosa a este nível: o Tony Blair.
Lembro-me de ler num artigo (penso que no New York Time Review of Books) sobre a preparaçao para a guerra no Iraque, que pessoas dos serviços secretos que na altura tinham ido fazer o ponto da situaçao ao Tony Blair, contavam que quando eles falavam das incertezas da informaçao que tinham em posse até ao momento, a reacçao do Tony Blair era perguntar-lhes se nao se estaria a livrar o Iraque de um homem mau. Isto era uma pergunta que aqueles homens nao tinham ido responder. O que isto demonstra é um homem que perante factos, responde com ideologia. Esta é a pior característica que um político pode ter.
Neste discurso, que ele fez há pouco, podemos observar como este homem ainda nao percebeu que o problema nele nao é ele ter fé, mas o facto dele, comprovadamente, deixar a fé cegá-lo aos factos. Por exemplo ele diz:
A comparaçao até nao é má. Nao só ter saúde é importante pessoalmente, é também importante para quem vota saber que o candidato está apto a exercer o seu cargo durante o tempo previsto. Ter fé é importante para Tony Blair e será assim importante na forma como ele gere a sua vida. Para quem vota será importante saber como a sua fé afecta as suas decisoes como político. No seu caso, a sua fé fá-lo um mau político e esse é que é o problema. Nao é ele ter fé, é ele ter uma fé que o cega quando tem que tomar decisoes políticas, como está no seu CV. Que a fé de um político lhe de propósito, lhe de alma (como diz o Tony Blair, o que um ateísta pode achar um pouco ofensivo, mas deixá-lo ir), que afecte as prioritarizaçoes na sua governamentaçao, nao há problema. O problema é alguém apresentar-lhe factos e ele ignorá-los em favor do que ele acredita na alma. Isto o Tony Blair nao compreende, vitimizando-se.
O que chateia neste discurso é que além de ele ter má-fé, ele é hipócrita. A Gra-Bretanha tem um historial péssimo em termos de deportaçao para países que sao conhecidos por nao acreditarem nos direitos humanos. Documentos sairam em que se verificou que Tony Blair foi informado da situaçao, mas a sua resposta foi "Deportem-nos". Agora, neste discurso, ele vem falar de lançar pontes entre fés. Isto de alguém que lançou pessoas aos leoes.
Li há uns tempos que ele estava a ser pensado para ser o primeiro "ministo dos negócios estrangeiros" da UE, á luz do tratado (contituiçao) que foi assinado em Lisboa há pouco tempo. Eu pensei primeiro que era anedota. Haverá alguém que já demonstrou mais que demonstrado que ele prefere o mundo das suas crenças que o mundo das pessoas? Haverá alguém que demonstrou mais que demonstrado ser um incompetente e um hipócrita nas relaçoes com outros países? Este homem para gerir relaçoes com o outro? Há um baixo-assinado baseado no sítio internético da Comunidade Europeia contra que ele seja nomeado para este cargo. Até agora ele foi uma vergonha para os bretoes, agora passaria a ser vergonha para todos os europeus da Uniao. E provavelmente continuaria a ser um perigo para os outros. Com a desculpa da fé.
Lembro-me de ler num artigo (penso que no New York Time Review of Books) sobre a preparaçao para a guerra no Iraque, que pessoas dos serviços secretos que na altura tinham ido fazer o ponto da situaçao ao Tony Blair, contavam que quando eles falavam das incertezas da informaçao que tinham em posse até ao momento, a reacçao do Tony Blair era perguntar-lhes se nao se estaria a livrar o Iraque de um homem mau. Isto era uma pergunta que aqueles homens nao tinham ido responder. O que isto demonstra é um homem que perante factos, responde com ideologia. Esta é a pior característica que um político pode ter.
Neste discurso, que ele fez há pouco, podemos observar como este homem ainda nao percebeu que o problema nele nao é ele ter fé, mas o facto dele, comprovadamente, deixar a fé cegá-lo aos factos. Por exemplo ele diz:
One of the oddest questions I get asked in interviews (and I get asked a lot of odd questions) is: is faith important to your politics? It’s like asking someone whether their health is important to them or their family. If you are someone ‘of faith’ it is the focal point of belief in your life. There is no conceivable way that it wouldn’t affect your politics.
A comparaçao até nao é má. Nao só ter saúde é importante pessoalmente, é também importante para quem vota saber que o candidato está apto a exercer o seu cargo durante o tempo previsto. Ter fé é importante para Tony Blair e será assim importante na forma como ele gere a sua vida. Para quem vota será importante saber como a sua fé afecta as suas decisoes como político. No seu caso, a sua fé fá-lo um mau político e esse é que é o problema. Nao é ele ter fé, é ele ter uma fé que o cega quando tem que tomar decisoes políticas, como está no seu CV. Que a fé de um político lhe de propósito, lhe de alma (como diz o Tony Blair, o que um ateísta pode achar um pouco ofensivo, mas deixá-lo ir), que afecte as prioritarizaçoes na sua governamentaçao, nao há problema. O problema é alguém apresentar-lhe factos e ele ignorá-los em favor do que ele acredita na alma. Isto o Tony Blair nao compreende, vitimizando-se.
O que chateia neste discurso é que além de ele ter má-fé, ele é hipócrita. A Gra-Bretanha tem um historial péssimo em termos de deportaçao para países que sao conhecidos por nao acreditarem nos direitos humanos. Documentos sairam em que se verificou que Tony Blair foi informado da situaçao, mas a sua resposta foi "Deportem-nos". Agora, neste discurso, ele vem falar de lançar pontes entre fés. Isto de alguém que lançou pessoas aos leoes.
Li há uns tempos que ele estava a ser pensado para ser o primeiro "ministo dos negócios estrangeiros" da UE, á luz do tratado (contituiçao) que foi assinado em Lisboa há pouco tempo. Eu pensei primeiro que era anedota. Haverá alguém que já demonstrou mais que demonstrado que ele prefere o mundo das suas crenças que o mundo das pessoas? Haverá alguém que demonstrou mais que demonstrado ser um incompetente e um hipócrita nas relaçoes com outros países? Este homem para gerir relaçoes com o outro? Há um baixo-assinado baseado no sítio internético da Comunidade Europeia contra que ele seja nomeado para este cargo. Até agora ele foi uma vergonha para os bretoes, agora passaria a ser vergonha para todos os europeus da Uniao. E provavelmente continuaria a ser um perigo para os outros. Com a desculpa da fé.
Ser denominável
Quando li este texto da Fernanda Câncio, lembrei-me de uma pequena história verdadeira. Fui a um piquenique. Nesse piquenique estavam dois cachopos que eram amigos do peito e que não se viam há algum tempo. Tinham sido companheiros numa instituição de acolhimento, até que um deles foi adoptado. O piquenique tinha sido combinado para eles se encontrarem e estarem juntos novamente. Eu fui de reboque. O cachopo que não tinha sido adoptado era um pequeno terrorista, cujas armas eram o politicamente incorrecto. Era confrontacional e a primeira coisa que fazia quando conhecia alguém era lançar bocas, mas tão absolutamente certeiras que causava admiração. Algumas não eram óbvias, mas via-se nas expressões surpreendidas e feridas que ele tinha acertado e havia ali sangramento. Mesmo que as pessoas fingissem que não. Na altura não lhe sabia o passado (perguntei mais tarde e não conto, mas é triste, muito triste e é triste ter maus pais), mas dava para perceber que naquele corpo pequeno havia muita revolta. Eu também fui logo eficientemente acertada (eu sorri o sorriso amarelo que é a única opção, porque pior que ser acertado é assumir que se foi acertado), mas simpatizei com ele. Penso que no fim do piquenique, só eu e um outro senhor é que o adorávamos, numa anti-reacção a toda a gente que o detestou. O reencontro dos dois amigos foi de uma alegria exuberante, mas ao longo do dia foi-se desenrolando uma pequena tragédia, porque eles agora já não eram iguais. Um tinha sido adoptado e o outro não e isto afinal era um cisma que nem ser pequeno ultrapassa. Tudo subtil e que só entendi completamente depois. Havia amargura nas corridas, alguma tristeza nos risos, inveja q.b. Mas eles eram ainda amigos, até que o cachopo não adoptado chamou "preto" ao cachopo adoptado. Este ripostou que não era preto, que era castanho e demonstrou com as cores à sua volta. Os adultos riram com a resposta e não se pensou que o cachopo adoptado, ao fim do dia, fosse dizer aos pais que não queria nunca mais ver o amigo. Quando me contaram este desenlace, percebi que aquele pequenique tinha sido uma grande tragédia para ambos os companheiros. O que parecia ir ser um piquenique banalérrimo, que hoje eu teria esquecido, ficou-me gravado. Fui sempre pensando na sorte de ambos os amigos. Só os vi naquele dia e continuo a perguntar por eles quando encontro pessoas que ainda poderão ter notícias deles. Eles realmente nunca mais se encontraram. Talvez agora, adultos? Sei que o pequeno politicamente incorrecto, felizmente, encontrou alguém que finalmente o amou (apesar das bocas que lhe terá presenteado no início) e gosto de imaginar que lhe tirou a necessidade de ser mau com palavras. Admiro uma senhora que nunca vi, mas que resolveu ver por baixo da revolta. Que ele nunca mais perderá amigos porque, num momento menos bom, os chama "pretos". Porque outro alguém viu através da sua superfície de revoltado, o puto fantástico que ali estava. Porque o amigo dele era castanho na pele e ele era branco na pele, mas, para além disso, tinha a cor da raiva e seria fundamental para ambos que as pessoas pudessem ver para lá das cores á superfície. Pelo menos, os adultos.
Esta história nao segue o raciocíno da Fernanda Cancio. Na minha história o chamar "preto" veio de amargura e o amigo nao perdoou e nao o recrimino por isso. Parece-me até que o miúdo branco tem mais a ver com a história da Fernanda Cancio, porque, na altura, o que me causou uma certa piedade foi o facto de todos aqueles que o nao conheciam antes do piquenique, o terem tomado pelo que ele era á superfície. Isto adultos, que supostamente tem mais que dois dedos de testa. Mas também nao tem a ver com a história da Fernanda Cancio, porque usar óculos ou ter cor nao diz absolutamente nada sobre a pessoa. As pessoas continuam a ser todas elas desconhecimento, sao potenciais tudo, pelo que pessoas inteligentes deveriam deixar de ater-se a adjectivos tao vazios. Ser gordo ou revoltado já pode dizer algo mais sobre a pessoa e talvez diga que essa pessoa o menos que precisa é ser posto numa gaveta, principalmente quando é uma criança. Mas se os adultos sao estúpidos, como seria possível que os seus filhos nao o fossem? A Fernanda Cancio nao está a falar dos putos, está a falar dos pais dos putos que nao acham mal nenhum que se chame nomes aos outros. Faz parte do crescimento, parece. Para quem levou um selo faz parte do crescimento lidar com o que lhe chamaram. O que é verdade. Quem foi denominado tem de lidar com os sentimentos de inferioridade que lhe foram inculcados. Se tiverem sorte, é só na escola. Sei de uma história de heroísmo, de uma pessoa com deficiencia motora que teve de lidar com a própria mae, que a queria em casa, porque tinha vergonha que lhe vissem a filha. E dizia-lhe para ela perceber bem que ela era entrevada, uma coitadinha, e que era uma vergonha que ela andasse por fora, a estudar, a sair com amigos e, miséria das misérias, a ter namorado. Diz-se que o que nao mata, fortalece. Os putos que chamam nomes na escola nao sao revoltados, sao, na sua maior parte, somente mal-educados por pais que depois vao para as caixas de comentários dizer que deixar os putos serem mal educados é parte do crescimento dos que levam com a má-educaçao. Se isto nao é estupidez, nao sei que outra coisa seja.
Esta história nao segue o raciocíno da Fernanda Cancio. Na minha história o chamar "preto" veio de amargura e o amigo nao perdoou e nao o recrimino por isso. Parece-me até que o miúdo branco tem mais a ver com a história da Fernanda Cancio, porque, na altura, o que me causou uma certa piedade foi o facto de todos aqueles que o nao conheciam antes do piquenique, o terem tomado pelo que ele era á superfície. Isto adultos, que supostamente tem mais que dois dedos de testa. Mas também nao tem a ver com a história da Fernanda Cancio, porque usar óculos ou ter cor nao diz absolutamente nada sobre a pessoa. As pessoas continuam a ser todas elas desconhecimento, sao potenciais tudo, pelo que pessoas inteligentes deveriam deixar de ater-se a adjectivos tao vazios. Ser gordo ou revoltado já pode dizer algo mais sobre a pessoa e talvez diga que essa pessoa o menos que precisa é ser posto numa gaveta, principalmente quando é uma criança. Mas se os adultos sao estúpidos, como seria possível que os seus filhos nao o fossem? A Fernanda Cancio nao está a falar dos putos, está a falar dos pais dos putos que nao acham mal nenhum que se chame nomes aos outros. Faz parte do crescimento, parece. Para quem levou um selo faz parte do crescimento lidar com o que lhe chamaram. O que é verdade. Quem foi denominado tem de lidar com os sentimentos de inferioridade que lhe foram inculcados. Se tiverem sorte, é só na escola. Sei de uma história de heroísmo, de uma pessoa com deficiencia motora que teve de lidar com a própria mae, que a queria em casa, porque tinha vergonha que lhe vissem a filha. E dizia-lhe para ela perceber bem que ela era entrevada, uma coitadinha, e que era uma vergonha que ela andasse por fora, a estudar, a sair com amigos e, miséria das misérias, a ter namorado. Diz-se que o que nao mata, fortalece. Os putos que chamam nomes na escola nao sao revoltados, sao, na sua maior parte, somente mal-educados por pais que depois vao para as caixas de comentários dizer que deixar os putos serem mal educados é parte do crescimento dos que levam com a má-educaçao. Se isto nao é estupidez, nao sei que outra coisa seja.
quinta-feira
segunda-feira
under the guise of religion, science or reason
Um senhor chamado Chris Hedges adicionou um ponto importantíssimo ao que eu aflorava (muito levemente) aqui:
The greatest danger that besets us does not come from believers or atheists. It comes from those who, under the guise of religion, science or reason, imagine that we can free ourselves from the limitations of human nature and perfect the human species.
O maior perigo que enfrentamos nao vem dos crentes ou dos ateístas. Vem dos que, sob o disfarce da religiao, da ciencia ou da razao, imaginam que nos podemos libertar das limitaçoes da natureza humana e aperfeiçoar a espécie humana.
The greatest danger that besets us does not come from believers or atheists. It comes from those who, under the guise of religion, science or reason, imagine that we can free ourselves from the limitations of human nature and perfect the human species.
O maior perigo que enfrentamos nao vem dos crentes ou dos ateístas. Vem dos que, sob o disfarce da religiao, da ciencia ou da razao, imaginam que nos podemos libertar das limitaçoes da natureza humana e aperfeiçoar a espécie humana.
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religião
domingo
Ignorância histórica
Porque é que aprendemos história? A resposta padrão é de que é para prevenir os erros do passado. Pessoalmente, do que me lembro do meu percurso escolar, parece-me que era mais a intenção de nos inculcar nostalgia pelos tempos de ouro da nossa pátria. Levei com os descobrimentos e com os Lusíadas duas vezes. Mas devo estar a ser injusta, devia ser por causa do ensino obrigatório, tinha que se dar estas necessárias lições muito cedo para os que iam ficar-se, e depois outra vez, supostamente mais profundamente quando já podiamos entender melhor. Os meus colegas de humanísticas levaram uma terceira vez, talvez de outro ângulo. Achei os descobrimentos uma seca, acho que me senti mais patriótica na leitura da crónica de Fernão Lopes sobre o povo a levantar-se em favor do seu rei. Gostei sempre muito quando o povo se resolveu a decidir, se bem que agora tenho um certo temor do poder irracional da turba. Mas enfim, em termos históricos aquilo correu bem. Mas se realmente há que aprender com a história, o patriotismo parece-me coisa a desaprender. A história também é para percebermos o presente e parece-me que este deve ser o enfoque. Em vez de maldizer o povo português na sua mesquinhez consumista, mais vale olhar as privações que passou e esperar que esta maleita lhe passe. O mais interessante para mim é a história em termos científicos e pensei nisto na área da vacinação. A vacinação é uma medida médica social. Os riscos para o indivíduo, que ao longo das décadas têm vindo a reduzir-se drasticamente, mas não era tanto assim no início, versus a protecção da saúde da comunidade. Morria-se muito de doenças que hoje só se lê na caderneta de vacinas e talvez muito de vez em quando talvez se leia nos media, ainda matar muitos em países com menos meios. As pessoas esquecem isto e em países com uma cultura individualista grande surgem focos anti-vacinação, o que visto em termos históricos é absurdo. Os médicos pôem as culpas à iliteracia científica, mas, nos países ricos é também ignorância histórica. Seria salutar ensinar em história de que se morria antes e explicar porque hoje se morre de outras coisas. Duas aulas e não se teria tanto disparate mortal. Mas isto é mais coisa de americanos e anglo-saxónicos com a mania de que sozinhos prevalecem. Uns já estão numa ilha, era fazer o mesmo aos outros.
sábado
Filme what the fuck
Os filmes what the fuck são aqueles que são considerados obras-primas, mas a ti a prima passa-te ao lado. Um exemplo muito recente é o "No country for old men". Uma pessoa acaba por pensar que aquilo tem um significado mais profundo para os americanos e para os não americanos com panca por westerns modernos. Como eu não pertenço a nenhum dos grupos fico a dizer what the fuck just happened? Eu não acreditei em nenhuma das personagens, sem ser preciso falar do pobre Bardem e o seu penteado. Como é que um homem com tal coisa na cabeça pode ser descrito como fantasma, no sentido de que ninguém o vê? Contudo, a revelação do filme é ouvir um espanhol sem sotaque. Bem, deêm um óscar a este homem. O xerife carrega a sentimentalidade toda do filme, parece que antigamente os xerifes não andavam com armas, era só flores e amor, agora é uma desgraça, ajuda-se um estranho a mudar o pneu, actua-se como um posto de informações e pimbas lá se te voam os miolos. Ah, mas espera, ele vai visitar um velho com muitos gatos que lhe diz que afinal em 1909 já tinha acontecido ao tio dele ser morto por nada. Ah, prontos, o mundo retornou aos eixos. Simpatizei com o tipo que achou o dinheiro para depois andar a saltitar de motel em motel a fugir daquele que teve um mau dia no cabeleireiro. Pelo menos isso. Mas alguém neste mundo de pessoas mais ou menos com cabelos normais acredita que uma mulher se põe com aquela filosofia com um psicopata que lhe matou o marido mais o equivalente a uma pequena aldeia? Tens que ser tu a escolher matar-me. Sim, naquele ponto do filme nós sabemos que ele tem problemas a decidir-se. Também se lhe nota na unidimensionalidade que ele vai ter enormes problemas de consciência. Esta personagem é particularmente irritante, porque é um desperdício de um actor espectacular. Eu sei, não importa que as personagens pareçam sem substância, mas se o que importa é a matança e os ângulos artísticos, porque é que temos de assistir ao triste espectáculo deles a dizerem disparates? Aqui temos a receita, cenas que fazem bem ao filme, mas personagens de meter dó. O que é que o Harrelson lá foi fazer? Mais um castiço pró mau penteado fazer um furo? Desculpem, what the fuck just happened?
sexta-feira
Filme singelo
Tenho um fraco por, o que chamo, filmes singelos. Imaginem que eu todos os dias passo por uma rua. Imaginem que um dia alguém vem comigo e me mostra a rua de uma outra perspectiva e que faz essa demonstracao de forma artística, de tal forma que essa rua, aos meus olhos, acende-se. Nada novo na rua, excepto os olhos de quem a ve. Agora imaginem que a rua é a vida e a pessoa que guia o olhar sao os filmes singelos. Assim, apaixonarmo-nos e fazermos papel de ursos, ou apaixonarmo-nos e ficarmos com remorsos por nao termos feito papel nenhum, a primeira vez que beijamos, que apalpamos, que vemos, a mentira envergonhada, a excitaçao dar lugar ao cinismo e ao aborrecimento, o aparente paradoxo do amor e do ódio entrelaçados, descobrirmos coisas muito simples demasiado tarde, cair-nos a alma com a morte de um pássaro ou olharmos embevecidos um gato a torturar um rato, passa a ganhar a dimensao de uma epopeia, repetida milhoes de vezes certamente, mas propensa a novidade na nossa efémera vida, se soubermos o quanto especial o é para nós. No entanto, esquecemos até que algo singelo e especial nos lembra. Por isso, tenho um grande fraco por filmes singelos.

Esta introduçao vem a propósito de um filme que eu vi agora, mas já é de 2005. Nada, absolutamente nada do que passa na vida das pessoas no filme é algo que nao poderia passar na minha vida ou na vida de pessoas que eu poderia conhecer ou vir a conhecer. Na verdade, a nao ser que estivessemos enclausurados, aquilo acontece de uma forma similar a mim e ás pessoas que conheço e vou conhecer. O que muda sao os olhos de quem ve. Os filmes singelos sao sobre a vida, a vida de todos os dias, a vida sem marcos de extraordinariedade. E no entanto... Que extraordinário é o olhar e que extraordinária é a vida de cada pessoa á luz desse olhar.
Um homem e uma mulher encontram-se numa rua. O encontro nao é casual. Antes, a mulher apaixonou-se por aquele homem. Cada um vai para o seu respectivo carro e a certo ponto da rua vao-se separar. Enquanto caminham e enchendo o espaço com palavras que é necessário encher quando se caminha com outra pessoa, eles acabam por construir naquele caminho as suas vidas juntos.
Um senhor compra um peixe vermelho para a filha, mas esquece o saco de plástico com o peixe sobre o tejadilho do carro quando arranca para casa. O destino daquele peixe torna-se uma ponte de solidariedade e o presságio mais que certo, de que é necessário aprender a dizer adeus.
Em súmula, adorei o filme.
Me and you and everyone we know de Miranda July.

Esta introduçao vem a propósito de um filme que eu vi agora, mas já é de 2005. Nada, absolutamente nada do que passa na vida das pessoas no filme é algo que nao poderia passar na minha vida ou na vida de pessoas que eu poderia conhecer ou vir a conhecer. Na verdade, a nao ser que estivessemos enclausurados, aquilo acontece de uma forma similar a mim e ás pessoas que conheço e vou conhecer. O que muda sao os olhos de quem ve. Os filmes singelos sao sobre a vida, a vida de todos os dias, a vida sem marcos de extraordinariedade. E no entanto... Que extraordinário é o olhar e que extraordinária é a vida de cada pessoa á luz desse olhar.
Um homem e uma mulher encontram-se numa rua. O encontro nao é casual. Antes, a mulher apaixonou-se por aquele homem. Cada um vai para o seu respectivo carro e a certo ponto da rua vao-se separar. Enquanto caminham e enchendo o espaço com palavras que é necessário encher quando se caminha com outra pessoa, eles acabam por construir naquele caminho as suas vidas juntos.
Um senhor compra um peixe vermelho para a filha, mas esquece o saco de plástico com o peixe sobre o tejadilho do carro quando arranca para casa. O destino daquele peixe torna-se uma ponte de solidariedade e o presságio mais que certo, de que é necessário aprender a dizer adeus.
Em súmula, adorei o filme.
Me and you and everyone we know de Miranda July.
quarta-feira
terça-feira
segunda-feira
domingo
A inutilidade de discutir religiao
Continuo sem ler o livro do Dawkins "The god delusion", mas continuo a le-lo indirectamente pelas criticas que despontam aqui e além a ele e aos outros livros anti-religiao que tem aparecido. Interessa-me muito mais ler o que os outros criticam nestes livros, do que se pode dizer contra as crenças religiosas. A religiao responde a impulsos primários do ser-humano que nao sendo respondidos pela religiao serao respondidos de outra forma. Acho piada quando os criticos do livro de Dawkins trazem a lume Hitler e o seu ateísmo como contra-ataque. Na verdade, o que a Alemanha Nazi demonstra é que esses impulsos primários de que falo podem ter vazao tanto em religiao como em cultos de personalidade e fervores nacionalistas. Tenho a certeza que os filósofos estao muito mais perto da verdadeira alma da discussao quando analisam a natureza humana, do que esta gente toda a discutir religiao.
sexta-feira
Isto é outro nível
Sobre aquele vídeo Youtube da aluna e da professora a lutar por um telemóvel. Andei pela blogaria a ler opinioes (o normal, portanto) e quero aqui deixar a minha impressao (normal). Eu nao vou dizer que estamos perdidos e antigamente é que era, nem vou dizer que antigamente era igual. Eu tenho 32 anos de idade. Havia cenas de insubordinacao na minha idade da idiotice, mas há um aspecto da luta mostrada no Youtube, que eu acharia impensável naquela altura e que me deixaria de boca aberta na altura e me deixou de boca aberta agora (nao entrou mosca que por aqui está muito frio para esses bichos): o contacto físico. Nós faziamos coisas 'a cobardola, nas costas, pela frente de longe, 'a fugida, a assobiar pro' lado a fingir que nao foi nada connosco, uns a vigiar e outros a actuar. Agora, andar numa de corpo-a-corpo? Falar de cima ali a centímetros de uma professora? Isto é claramente outro nível de topete. Eu com 15 anos ficaria a olhar para aquela miúda como se ela tivesse um alo de transcendente. Provavelmente evitaria comunicar com ela, com medo que o seu olhar me transformasse em pó. Nós faziamos, mas nós eramos cobardolas. Na minha opiniao e baseada em poucos individuos, pois acho os adolescentes insuportáveis (incluindo-me a mim se me pudesse encontrar comigo com aquela idade), e no tal vídeo, essas novas promessas com borbulhas nao vao levar ao fim do mundo civilizado, mas vem de outro nível de idiotice.
P.S.: Eu continuo a apoiar o envio de humanóides dos 13 aos 20 anos para uma ilha. Eles sao insuportáveis mesmo sem telemóveis. É da fase que vivem e tem de ser, pelo que o melhor para os restantes que já ultrapassaram aquilo, é po-los de quarentena. Apoio qualquer iniciativa neste sentido.
P.S.: Eu continuo a apoiar o envio de humanóides dos 13 aos 20 anos para uma ilha. Eles sao insuportáveis mesmo sem telemóveis. É da fase que vivem e tem de ser, pelo que o melhor para os restantes que já ultrapassaram aquilo, é po-los de quarentena. Apoio qualquer iniciativa neste sentido.
quarta-feira
Ser eremita
Vivemos numa ditadura da maioria. É a chamada democracia, que é a melhor de todas as ditaduras. Nenhum político pode ser boa pessoa, simplesmente porque a maioria nao vota em boas pessoas. Na maioria funcionam os instintos básicos, nos quais vale mais uma mentira carismática (muitíssimo mais), que uma verdade monocromática (simples e sensaborona). O melhor mesmo é um político atingir a maioria sem palavras. Bem aventurado aquele que se difunde só por imagens. Para isto há os media que tornam tudo tragável. A soluçao? Acima. Mas essa soluçao é para uma minoria surda, muda e cega. A soluçao? Nao há.
segunda-feira
A vingança serve-se viva
Quando alguém absolutamente malévolo morre, tem-se tendência a expressar um certo contentamento como se o mundo se tivesse vingado e talvez alguém seja mais feliz. Contudo, a vingança faz-se em vida e não em morte. Além disso, que as más notícias vêm aos pares, há sempre novos malévolos à espera da sua oportunidade. Concluindo, só as pessoas boas podem trazer qualquer tipo de contentamento.
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desvarios,
O que vale é que o mundo é grande
domingo
sexta-feira
Amizade
No Seinfeld há muita brincadeira sobre as relaçoes de amizade. Como terminar uma relaçao de amizade quando a outra pessoa nao nos deixa em paz? Convida-se a outra pessoa para um almoço e dá-se a notícia muito levemente? E diz-se o que? Que nao somos compatíveis? Será que mantemos relaçoes de amizade com pessoas que nos irritam só para termos a impressao que somos populares? Que níveis de fidelidade ou que padroes de comportamento se exige aos amigos? De que forma se é sensível 'as necessidades dos outros, em vez da própria necessidade e da própria ideia do que é um amigo? Porque é que o pior tipo de amigo que se pode ter é o missionário? Quantas vezes, em sumúla, a amizade é como ter piolhos num país em que é pena capital usar quitoso?
quarta-feira
Gota de água
Está visto que depois de ter desistido de informaçao na televisao, quando ainda estava em Portugal, vou ter de desistir de informaçao nos jornais portugueses. A partir de agora, Portugal restringir-se-á á minha família, aos blogues (podem rir) e a notícias sobre pastéis de nata na imprensa internacional. Tenho a impressao que irei sobreviver.
segunda-feira
Certitude
Uma das melhores coisas na Alemanha é a respeitabilidade de se ser honesto. Em Portugal, ser honesto é ser papalvo. Só é roubar tirar de um indivíduo. O Estado é uma árvore que importa pilhar. Quem nao pilha é parvo. O que quer que se faça em Portugal dá sabor amargo, ser honesto e ético é amargo e ser desonesto e nao ético é amargo. Na Alemanha, as pessoas sao rectas e se bem que isto possa ser irritante, quando demasiadas rectas se tornam paralelas ao senso-comum, pelo menos há uma clareza de proposito e de aplicacao. 2+2 sao quatro.
Outra face do prisma portugues, é a capacidade que existe socialmente de ver o cisco nos outros, enquanto a cavaca está espetada num dos olhos.
Há uns dias estive com uns portugueses e depois de se terem queixado da corrupçao, dos interesses, dos nepotismos, passaram á parte em que me contaram as suas pilhagens individuais. Eu nao digo nada, calmamente vivendo a certitude deste espectáculo. Obviamente, eles acham a Alemanha o exemplo a seguir. A minha mae continua a criticar-me a falta de amigos portugueses. Em minha defesa, a certitude cansa-me. A minha quota está completa.
Tenho amigos desonestos, mas eles nao me fazem discursos de padre virgem. Dava um certo jeito para eu suportar os portugueses que acabo por nao conhecer.
P.S.: Os italianos e os portugueses sao aparentados na sua especial lógica.
Outra face do prisma portugues, é a capacidade que existe socialmente de ver o cisco nos outros, enquanto a cavaca está espetada num dos olhos.
Há uns dias estive com uns portugueses e depois de se terem queixado da corrupçao, dos interesses, dos nepotismos, passaram á parte em que me contaram as suas pilhagens individuais. Eu nao digo nada, calmamente vivendo a certitude deste espectáculo. Obviamente, eles acham a Alemanha o exemplo a seguir. A minha mae continua a criticar-me a falta de amigos portugueses. Em minha defesa, a certitude cansa-me. A minha quota está completa.
Tenho amigos desonestos, mas eles nao me fazem discursos de padre virgem. Dava um certo jeito para eu suportar os portugueses que acabo por nao conhecer.
P.S.: Os italianos e os portugueses sao aparentados na sua especial lógica.
quinta-feira
terça-feira
Arnulfo, o perfeccionista
No seu próprio aniversário, o Arnulfo telefona à mãe a dar-lhe os parabéns.
segunda-feira
sábado
sexta-feira
quinta-feira
Arnulfo, o perfeccionista
Quando o Arnulfo esteve na Alemanha em Erasmus inscreveu-se na escola de línguas em Portugiesisch.
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