quarta-feira

Até o cao!

É verdade, confesso, estive a ver isto: a apresentaçao do novo cao da família ?-Obama aos media americanos (agora torço o nariz, espeto-o para cima e suspiro com compenetrada gravidade, no verdadeiro estilo de superioridade europeia). Mas voltemos ao que interessa: o cao. Se repararem no filme, caso se queiram submeter a tal degradaçao de carater, é que o cao é mesmo portugues! Ele anda por ali a farejar meio maluco, como se nao conhecesse quem lhe pega na trela, de cauda esticada como antena de carro, mas basta o Barack Obama lhe tocar com o dedo mindinho e aquela cauda começa a abanar como uma hélice de aviao. Ele sabe bem a quem lamber as botas. Portugues de cauda a focinho.

terça-feira

Tweet ao fim da tarde

Estou muito chateada: roí uma unha até ao sabugo. Au!

Tweet a meio da tarde

Estou muito chateada: acabei de rasgar as calças.

Grrrrrrr

Eu por vezes acordo mal disposta, como é o caso hoje (depois de quatro dias grátis de lazer é difícil retornar ao mesmo ram-ram), e como sou uma pessoa normal, rabujo contra algo, mas como sou esquisita, arranjo temas de rabujo que eu estou consciente serem esquisitos. Hoje vinha pelo caminho (difícil continuar mal-disposta com o prato que a Primavera nos tem dado por aqui, mas eu sou teimosa) a rabujar contra a igreja católica e o papel desta na supressao da mulher durante os tempos, com a breve excepçao de quando o cristianismo começou, um movimento de esperança para todos os oprimidos e que inicialmente foi capaz de aceitar as mulheres. Felizmente, apesar de eu estar para lá da normalidade, os meus pais, segundo o último telefonema, ainda me amam.

quinta-feira

Ficou como eu gosto



Talvez deva pôr uma história nisto. Pois andava eu a deambular numa zona sem particulares atrativos, num dia ameno em que a Primavera começa a despontar (visualizar rebentos na parte superior), quando tirei uma foto. Por falar em Primavera, ela é muito melhor cá cima.

quarta-feira

A cruz política

Porque é que as pessoas nao se interessam por política? Eu acho que ninguém com sentido de retidao pode-se querer envolver em tal coisa. Sinceramente, quando eu ouço que o Durao Barroso quer ser presidente da Uniao europeia ou o Santana Lopes presidente da Camara de Lisboa e que o resto os apoia, eu só consigo sentir a política como um herpes. Uma coisa que aparece de vez em quando e a gente só queria um dia poder livrar-se disto, mas nao, sabemos que vai ser até ao fim das nossas vidas.

sexta-feira

segunda-feira

Schadenfreude.

Cala-te boca

Nesta última semana fui escrevendo largos postes, mas nao os publiquei.
Porque nao.
Podia ter sido porque sim.
Talvez eu tenha tentado poupar a estima que alguns ainda me tem. Porque num poste eu discutia a justeza da denominaçao Papa, principalmente quando contraposto a Aiatolá. Porque é que se precavem a audiencia para resguardar a tola? Haverá uma correspondencia católica? Será o Papa, um Papao de tolas? Haverá a conspiraçao do o no papa? Quem é realmente o Papa?
{aqui música tenebrosa} Noutro poste eu declarava o meu amor pelas Testemunhas de Jeová...
Noutro poste eu chamava toda a gente abébia e noutro ainda chamava toda a gente que gosta do último filme em que aparece o Clint Eastwood abébias ao quadrado e toda a gente que gostou daquela coisa com o Brad Pitt abébias ao cubo e toda a gente que acha o Slumdog Millionaire um filme espetacular, espetacularmente abébias.
Pelo meio da semana escrevi "A felicidade é um estado momentaneo de estupidez. Sim, ok, estou errada. Pode nao ser momentaneo." Pelo fim da semana escrevia isto á Helena: "Eu penso que há um influxo de temperança entre os ateus e os cristaos: os ateus limitam os ímpetos dogmáticos e os cristaos limitam os ímpetos materialistas. Se nos conseguíssemos entender acho que poderiamos vir a ser felizes juntos." Enfim... Quase parece que encontrei o Obama e o Bambi para uma bica. Acho que demonstrei a necessidade de me auto-censurar.

quarta-feira

Implicaçoes teológicas



Mensagem aos arqueólogos do futuro que estudam este presente que é passado: Eu tinha isto num canto escuro e poeirento da minha pasta de pessoais no meu computador no trabalho. Nao tenho a minima das minimas ideias de quem é.

segunda-feira

Acabar com a discriminaçao discriminando

Na UE há muita conversa sobre apoiar o igualitarismo entre os sexos e combater a discriminaçao baseado na idade, bla, bla, bla, bla....

Quando concorres a algo na UE as tres primeiras perguntas, as TRES primeiras perguntas na tua candidatura dao a tua idade e o teu sexo.

Chegando aqui eu penso que devo estar pedrada e nao estou a ver algo óbvio ou aquilo que me parece óbvio nao o é, o mundo simplesmente nao faz sentido.

Estou confusa, mas se a ideia é acabar com a discriminaçao, nao faz sentido nao fazer as perguntas que potenciam a tua discriminaçao? Quando eu fiz esta pergunta em voz alta, responderam-me que eles precisam de saber o meu sexo para fazer discriminaçao positiva. De novo: quao pedrada estou eu neste momento?

sexta-feira

o egoísmo vale a pena

há a impossibilidade de nao comunicar. de em cada movimento não se deixar transparecer o que vai por baixo da pele. sai e foge-nos como o cheiro. parece que somos nús, desamparados na incapacidade de nada dizer. até que de algum modo sabemos o que os outros pensam de nós. então sabemos que ou nao nos conhecemos ou a linguagem que emanamos é só nossa. se nao nos conhecermos seremos livros escritos em línguas mortas. em nós o egoísmo vale a pena.

terça-feira

No centro do poder alemão

Imaginem-se no planeta Siza Vieira e por entre vistas de curvas estilosas, brancos e sombras de vários tons, aconchegada num canto a que se tem de descer, encontram a cantina dos senhores deputados:



É muito gira, era só isso que eu vinha aqui adicionar.

quinta-feira

perceção

É favor seguir nesta direção para um texto que não obedece qualquer acordo ortográfico.

Notas duma odiosa

Ser portuguesa é muito difícil. Lenta e pausadamente anda-se a pastar a vida, sem grandes preocupações para lá de manter a atenção aos carros aquando da aventura do ar livre citadino, no esquecimento diário de pentear o cabelo (imaginando alegremente o calmo desespero da mãe que é minha), quando de esquinas súbitas dedos horizontais e sorrisos sabidos se nos apontam e algo como uma espécie de recorde de vergonha é-nos atirado à cara. O que é que vocês andaram a fazer?*

Ofereci o livro "Jangada de Pedra" a um colega, porque ele achou piada ao conceito. Tenho a impressão que pus demasiado enfâse (talvez tenha puxado a gravata à verdade) ao desalento dos espanhóis e dos portugueses quando se viram no mesmo barco. Vejo desapontamento no horizonte. Contudo, demonstrando que a generosidade é má política, ele falou de me dar um livro chamado (tapem os ouvidos) "Cona ácida". Parece que é feminista.

Este sábado vou a Berlim. Dá chuva. Nos últimos dias, no reino alemão, um edifício aterrou e um tiroteio espalhou-se. Vou ter que sair de casa. Está lá uma exposição sobre a vida e o trabalho de Manoel de Oliveira. Os prenúncios adensam-se.

* É claro que isto pode ser uma vingança coletiva à minha pessoa e não ter nada a ver convosco, já que a minha máxima capacidade para palear vai no sentido "Então agora proibem os autocarros ateus? O Berlusconi, digitalizar (literalmente) os ciganos, o Vaticano no meio. Não achas que a Itália se está a tornar um país fascista?" "O que é que anda a passar com os filandeses? É sempre o mosca morta com o telemóvel que se passa dos carretos." "Então pá? Que se passa lá na Grécia? Acabou o queijo de cabra?".

terça-feira

A pasmaceira diária das notícias

Achei esquisito a notícia da besteira excomunatória do bispo brasileiro só chegar agora a Portugal (ontem o José Bandeira tinha o cartune sobre o assunto. O cartune antes da notícia? Será que veio só no papel?). Na net andei a esfurancar o DN e pelo menos neste parece que hoje foi a primeira vez que isto foi relatado lá (fiz umas pesquisas no Público e nao encontrei nada, mas estou habituada a nao encontrar nada nas pesquisas no Público). Isto num país tao católico tao católico que parece só ser católico e com laços supostamente apertadinhos ao Brasil. Eu normalmente leio jornais alemaes e britanicos, pessoal menos católico e que tem a mania de querer falar espanhol comigo (os alemaes, os ingleses nem ingles sabem) e que tinham esta notícia escarrapachada em local visível há uma semana atrás. Portanto, as notícias no DN nético chegam com a mesma rapidez de há cem anos atrás.

Enfatizando

Argumentos insuficientes para o arcebispo de Olinda e Recife, José Cardoso Sobrinho, que resolveu excomungar os médicos e a mãe, que autorizou o aborto.

O pai da menina, evangélico, tinha-se mostrado contra. O padrasto, que se encontra detido e arrisca agora uma pena de 15 anos de prisão, não está abrangido: "Ele cometeu um crime enorme, mas não está incluído na excomunhão. Foi um pecado gravíssimo, mas, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente", enfatizou o arcebispo, que comparou o procedimento ao Holocausto.


Eu a enfatizar: Mas mais grave do que isso, sabe o que é? Violar uma criança, eliminar a inocencia de um inocente.

segunda-feira

O mundo exaspera-me

Hoje no escritório perguntaram-me pelo dia da mulher. A minha resposta foi "Hã?". Mas a certa altura achei que sim, que é um dia importante de sublinhar, pelas mulheres que sofrem injustiças terriveis pelo mundo por serem mulheres. Nisto contam-me da iraniana a quem um homem, por ter sido relegado por ela para casamento, lhe deitou ácido à cara. O caso foi a tribunal e foi julgado que ela, como tendo a importancia de metade de um homem, tinha o direito de deitar ácido num olho do homem. Ela recorreu e, grande vitória, foi julgado que afinal pode cegar o homem em ambos os olhos. Isto é considerado uma vitória para o lado da igualdade dos sexos. Eu fiquei estarrecida com toda a história e só digo uma coisinha: pessoas com mentalidade de pastores de camelos de há 4000 anos atrás, o máximo de tecnologia que deviam ser admitidos de possuir é calhaus e daqueles pequeninos.

P.S.: A Helena escreveu hoje do caso-exaspero no Brasil, que na semana passada já me teria promovido cabelos brancos, se a minha herança genética de XX nao fosse tao espetacular.

quinta-feira

A nossa sorte

Uma colega foi ver o filme "O Leitor" e disse-me que se tinha zangado imenso com ele. Porque é que ele fez o que fez durante duas décadas e tem o trabalho de arranjar trabalho e casa a ela, mas nao consegue um carinho? Eu diria que o que ele nao conseguiu foi o perdao. Talvez ele tenha conseguido um perdao, mas talvez nem esse, porque senao o que foi aquilo em Nova Iorque? Que bençao era aquela a que ele procurava? Alguém que conseguisse perdoar ou um apoio ao seu nao perdao?

Para mim, o filme está bem construído, no sentido de que nao me senti tentada a julgar. Observei o que cada um deles conseguiu alcançar e senti-me horrorizada pela cegueira dela e triste pela incapacidade dele de nao se libertar. Num mundo melhor tudo seria como nós nos imaginariamos a atuar, nós conseguiriamos ter a incapacidade dela, mas ser honestos e até sábios e nós conseguiriamos na perfeiçao fazer a escolha entre amar e perdoar ou nao perdoar e nao amar (esse amor que se fixou naquela decisao, que nem será amor, o que é um amor fixado?). E no entanto, no entanto, quantos erros pequenos que fizemos esquecemos, qual a nossa sorte de nao termos enfrentado tragédias a sério, em que o esquecimento nao é possível? A nossa sorte de nao termos encontrado as encruzilhadas que nos conduzem a lugares de que nao é possível retornar?