domingo
A nova inquisição?
A situação é pior do que eu pensava. Imaginem que um dia no futuro eu serei enviada a tribunal e que os meus postes neste blogue sirvam como a prova do meu ateísmo e eu seja obrigada a escolher entre uma religião e o ateísmo? Tenho que começar a pensar na minha decisão, entre a cobardia e um certo gosto pela ironia histórica. Seja como for, comprovaria a minha suspeita de que o nosso futuro não está situado na linha reta de cada vez mais valores humanistas, mas num círculo.
Sobre as regras - parte II e os ideais - parte I
Na continuação deste meu poste e pegando nos comentários aí escritos do jj.amarante e da Rita Maria,
Na minha relação com a religião com que fui criada passei por várias fases. Acho improvável que sendo quem sou neste momento eu possa retornar a ser religiosa sem ser deixando de ser quem sou. Mas tenho olhado para a religião como uma necessidade humana que importa, na minha percepção, não negar liminarmente por nós ateus. É um equilíbrio muito difícil de conseguir. Mais interessante para mim do que os religiosos, são os ateus e o percurso longo que cada um de nós tem de percorrer e se estou acostumada a ver os ateus que sabem minimamente da religião de que se afastaram, estou agora interessada numa nova casta de ateus, que cresceram assim e que têm que fazer um outro caminho. A minha irmã, que também é uma não crente, resolveu colocar os seus filhos em Aulas de Religião e eu concordei porque me pareceu que caso contrário correriamos o risco de sermos convidados para algum batizado aquando da sua chegada à idade adulta. Mas a minha irmã partiu de um outro pressuposto: o de que para compreender a sociedade em que vivemos precisamos de aprender também sobre a religião que formou a sociedade em que vivemos. Pouco a pouco tenho vindo a concordar com o ponto dela. O relato do Rui Tavares é mais um pormenor nessa ligação subtil entre o hoje secular e o ontem e hoje religiosos, que afeta os ateus.
Quando postei sobre regras estava a pensar naquelas que definem acordos necessários para que todos nós possamos viver em sociedade em harmonia, como decidir que se guia do lado direito. Não estava a pensar em ideais. Estava a pensar neste poste da Fernanda Câncio e nisto:
Penso que é necessário discriminar entre os ideais e as regras. Esta foi uma das minhas irritações com a chamada constituição, porque para mim a constituição é uma declaração de ideais e não um aglomerado frankensteiniano de regras e ideais como o que nos foi apresentado. A necessidade de uma constituição europeia clara parece existir quando somos confrontados com as notícias de dislates vários das nossas instituições quando confrontadas com grupos de pessoas imigradas recentemente que intentam em impôr costumes que nos afrontam. É necessário definir em constituição o que é um afrontamento válido, o que são ideais universais, aqueles que devem ser defendidos e impostos a todos neste espaço em que vivemos. Porque é extremamente importante fazermos esta reflexão e esta definição, fico zangada quando se mistura o que é um ideal com o que é uma regra. A homogeneidade populacional anterior parecia não necessitar de tal preciosismo, mas estes são outros tempos, senão ainda em Portugal, noutros países. Misturar regras com ideais é dificultar o raciocínio e termos de ler que o cardeal da igreja britânica acha que é aceitável que um grupo de pessoas por professar uma religião diferente podem sair fora da esfera do direito do estado em que vivem. Como se o estado definisse só um conjunto de regras e portanto que importa que outras pessoas queiram regras diferentes, mas e os direitos fundamentais, senhor cardeal? Outra faceta, é as pessoas menosprezarem um direito fundamental como se fosse uma mera regra, como o direito de liberdade de expressão, que não pode ser colocado em causa por delicadezas de sentimento de um grupo de pessoas. É, do meu ponto de vista, essencial que façamos esta discriminação, para sabermos onde podemos comprometer regras e onde não se pode nunca de forma alguma comprometer ideais.
Finalmente, aproveitando que o poste do Rui Tavares citado pelo jj.amarante foi escrito durante a campanha do referendo sobre o aborto, faço esta pergunta: a lei de despenalização do aborto é um direito ou uma regra?
Na minha relação com a religião com que fui criada passei por várias fases. Acho improvável que sendo quem sou neste momento eu possa retornar a ser religiosa sem ser deixando de ser quem sou. Mas tenho olhado para a religião como uma necessidade humana que importa, na minha percepção, não negar liminarmente por nós ateus. É um equilíbrio muito difícil de conseguir. Mais interessante para mim do que os religiosos, são os ateus e o percurso longo que cada um de nós tem de percorrer e se estou acostumada a ver os ateus que sabem minimamente da religião de que se afastaram, estou agora interessada numa nova casta de ateus, que cresceram assim e que têm que fazer um outro caminho. A minha irmã, que também é uma não crente, resolveu colocar os seus filhos em Aulas de Religião e eu concordei porque me pareceu que caso contrário correriamos o risco de sermos convidados para algum batizado aquando da sua chegada à idade adulta. Mas a minha irmã partiu de um outro pressuposto: o de que para compreender a sociedade em que vivemos precisamos de aprender também sobre a religião que formou a sociedade em que vivemos. Pouco a pouco tenho vindo a concordar com o ponto dela. O relato do Rui Tavares é mais um pormenor nessa ligação subtil entre o hoje secular e o ontem e hoje religiosos, que afeta os ateus.
Quando postei sobre regras estava a pensar naquelas que definem acordos necessários para que todos nós possamos viver em sociedade em harmonia, como decidir que se guia do lado direito. Não estava a pensar em ideais. Estava a pensar neste poste da Fernanda Câncio e nisto:
Há muitos anos atrás, arranjei num Outubro, um trabalho a ganhar o salário minimo nacional da altura. Seis meses depois arranjei outro trabalho a ganhar para aí o dobro e uns meses depois fui já nao me lembro onde candidatar-me ao arrendamento jovem. Havia uma base minima de apoio que era calculada pegando na declaração de IRS e dividindo por 12, o que no meu caso era: tres salarios minimos nacionais dividindo por 12 = mesada de papa e mama. A senhora informou-me que eu assim nao podia candidatar-me. Eu expliquei-lhe que aquilo nao tinha nada a ver com a minha situação e que podia trazer um comprovativo do meu rendimento atual. A senhora disse que nao, que a equaçao era aquela e acabou-se. Já nao me lembro quanto tempo fiquei a gaguejar "mas", mas a senhora lá passou ao ponto dois: como fazer gincana ao sistema. Os olhos sairam-me das órbitas e eu removi-me do antro. Nao quero que pensem que eu sou um anjo, porque nos finalmentes eu fiz a gincana ao sistema. Mas cá está o meu ponto: há a regra que é estúpida e portanto a solução é ser chico-esperto e isto é ensinado pelas pessoas que aplicam as regras. Agora, digam-me onde está a mula. Eu proporia quem fez a regra...
Penso que é necessário discriminar entre os ideais e as regras. Esta foi uma das minhas irritações com a chamada constituição, porque para mim a constituição é uma declaração de ideais e não um aglomerado frankensteiniano de regras e ideais como o que nos foi apresentado. A necessidade de uma constituição europeia clara parece existir quando somos confrontados com as notícias de dislates vários das nossas instituições quando confrontadas com grupos de pessoas imigradas recentemente que intentam em impôr costumes que nos afrontam. É necessário definir em constituição o que é um afrontamento válido, o que são ideais universais, aqueles que devem ser defendidos e impostos a todos neste espaço em que vivemos. Porque é extremamente importante fazermos esta reflexão e esta definição, fico zangada quando se mistura o que é um ideal com o que é uma regra. A homogeneidade populacional anterior parecia não necessitar de tal preciosismo, mas estes são outros tempos, senão ainda em Portugal, noutros países. Misturar regras com ideais é dificultar o raciocínio e termos de ler que o cardeal da igreja britânica acha que é aceitável que um grupo de pessoas por professar uma religião diferente podem sair fora da esfera do direito do estado em que vivem. Como se o estado definisse só um conjunto de regras e portanto que importa que outras pessoas queiram regras diferentes, mas e os direitos fundamentais, senhor cardeal? Outra faceta, é as pessoas menosprezarem um direito fundamental como se fosse uma mera regra, como o direito de liberdade de expressão, que não pode ser colocado em causa por delicadezas de sentimento de um grupo de pessoas. É, do meu ponto de vista, essencial que façamos esta discriminação, para sabermos onde podemos comprometer regras e onde não se pode nunca de forma alguma comprometer ideais.
Finalmente, aproveitando que o poste do Rui Tavares citado pelo jj.amarante foi escrito durante a campanha do referendo sobre o aborto, faço esta pergunta: a lei de despenalização do aborto é um direito ou uma regra?
sábado
sexta-feira
E já que estamos numa do que é que a Europa fez por nós (nós?)
Se quiserem saber para onde vai o dinheiro da PAC, discriminado para cada país, cada região, cada recipiente.
Portugal é o quarto a receber mais.
Alguém me explique porque é que a Alemanha não bate o pé a isto. Ah, espera, deve ser isto: The top ten per cent of German farm subsidy recipients get 54 per cent of the money. The top twenty per cent get 71 per cent. Among the biggest recipients of farm subsidies are big German agribusinesses, food companies and large landowners.
Portugal é o quarto a receber mais.
Alguém me explique porque é que a Alemanha não bate o pé a isto. Ah, espera, deve ser isto: The top ten per cent of German farm subsidy recipients get 54 per cent of the money. The top twenty per cent get 71 per cent. Among the biggest recipients of farm subsidies are big German agribusinesses, food companies and large landowners.
terça-feira
Declaracao de detesto
Eu detesto o Durao Barroso. Detesto-o desde aquela mentira desnecessária de dizer que nunca nos deixaria porque Portugal estava mal e precisava de estabilidade e pouco depois lá vai o Barroso para a Comissao. E eu pergunto porque? Eu consigo perceber que alguém queira mudar de emprego, mas para que mentir, para que ser mentiroso sem precisao? Mais uma tonelada de detestar porque deixou de presente o Santana Lopes, uma doenca crónica, ainda sem cura à vista. Depois detesto-o porque andou, como primeiro ministro de Portugal, a beijar as galochas do Blair, do Bush e do Aznar. Que ele fosse lá servir de carpete como Durao Barroso, o cidadao, se tal fosse possível sendo primeiro-ministro, ainda vá, mas nao, foi lá representando-nos e eu por proxi estava lá a beijar cus, coisa que ainda hoje me poe capaz de requebros de vómito. Detesto-o platonicamente, que nunca o conheci, mas detesto-o vivamente. Detesto-o com paixao, era capaz de lhe mandar com sapatos, tomates e ovos. Assobiar-lhe, dar-lhe estaladas e faze-lo ouvir a Manuela Moura Guedes cantar até ao fim dos dias. É um parasita, um oportunista, um lambe-botas. Detesto-o.
Fico enjoada quando após eu me indignar com a declaracao vinda do Sócrates, de que o PS apoiará o Durao Barroso a continuar na Comissao, me dizem que concordam, porque afinal o Durao Barroso é portugues. Ser portugues é um limpa-nódoas! Permitam-me muito vivamente discordar. Apaixonadamente discordar. Eu até poria a coisa ao contrário: um portugues para sair de Portugal para uma posicao de relevancia, devia ter um ónus maior em provar que é muito bom, para, no minimo, nao envergonhar os restantes de nós. Eu, ao Durao Barroso, escondia-o na cave.
Fico enjoada quando após eu me indignar com a declaracao vinda do Sócrates, de que o PS apoiará o Durao Barroso a continuar na Comissao, me dizem que concordam, porque afinal o Durao Barroso é portugues. Ser portugues é um limpa-nódoas! Permitam-me muito vivamente discordar. Apaixonadamente discordar. Eu até poria a coisa ao contrário: um portugues para sair de Portugal para uma posicao de relevancia, devia ter um ónus maior em provar que é muito bom, para, no minimo, nao envergonhar os restantes de nós. Eu, ao Durao Barroso, escondia-o na cave.
Comecando um poste sobre regras
Na sociedade portuguesa é suposto nao cumprir as regras. Nao é síndrome do portugues, mesmo que o portugues nao queira ser chico-esperto, o portugues tem de o ser porque as regras estao feitas para isso. Faz-me lembrar uma frase que ouvi em miúda, talvez nao tao miúda, que ficou-me gravada, que era "Portugal tem das melhores leis do mundo." É claro que quando se poe mundo numa frase já se está a errar. Quem pode saber do mundo? Mas imaginemos que é verdade. Melhor como? Nesse dia em que ouvi essa frase e a boca se fez num O (uau, temos as melhores leis do mundo), tirei a conclusao: "a culpa é do portugues, que tendo das melhores leis do mundo, nao as sabe usar". Vinte anos depois a conclusao que eu tiro é outra: "essas leis nao sao para pessoas, nem para a vida que as pessoas fazem, sao para um ideal de pessoas e para um ideal de situacoes que vivem na cabeca de quem faz as leis".
quinta-feira
Que país?
A única coisa que é possível e certo concluir do caso Freeport é que os investigadores públicos nao sao independentes. Respondam-me: porque é que o caso hibernou de 2005 até hoje?
Uma pessoa é inocente até prova em contrário. Eu nao digo isto porque quero defender o Sócrates. Eu digo isto por um país que nao pode ser governado por suspeitas. Por um país em que nao pode ser possível atirar merda para o ar e ganha quem atirar mais merda. Isto nao pode funcionar assim por amor de nós todos, por amor da justica.
Que sistema é este, em que um inocente nunca poderá provar a sua inocencia e um culpado nunca verá a sua culpabilidade provada?
Uma pessoa é inocente até prova em contrário. Eu nao digo isto porque quero defender o Sócrates. Eu digo isto por um país que nao pode ser governado por suspeitas. Por um país em que nao pode ser possível atirar merda para o ar e ganha quem atirar mais merda. Isto nao pode funcionar assim por amor de nós todos, por amor da justica.
Que sistema é este, em que um inocente nunca poderá provar a sua inocencia e um culpado nunca verá a sua culpabilidade provada?
quarta-feira
sexta-feira
A desnecessidade
Eu detesto viajar nos dias anteriores a viajar. Se vou de férias arengo-me sobre a desnecessidade de me colocar dentro de caixas-rolantes. E carpo-me em silencio, pelas horas nas bichas e as imagens a passar pela janela e a seca, a imensa seca e sair do outro lado e nao estar lá a minha casa. Ando uma semana a sofrer a viagem e durante a viagem estou tao preparada para o desastre, que tudo me parece espetacularmente bem, ótimo. Do outro lado provavelmente divirto-me terrivelmente e no dia anterior á volta começo a sofrer a necessidade que a viagem passe muito depressa para retornar a casa. A ansiedade é tanta que o sofrimento aumenta com a diminuiçao da distancia e quando finalmente chego... Nada.
quarta-feira
Os media que parece que merecemos
No Diário de Notícias "Massacre no Liceu Columbine comemora 10 anos". Prémio para a frase mais absurda dos últimos tempos.
No Público, hoje é o dia da Terra, pelo que confirmou-se o que eu suspeitava: o Público mudou-se (deve ser o "outsourcing" em reverso) para os EUA.
A Manuela Moura Guedes nao tem só uma cara com piada, também gosta de dizer piadas. A próxima vez que for à cirurgia plástica deve ser para mudar de nariz: daqueles vermelhos e redondos.
P.S.: Isto foi há uns dez anos, lembro-me que era uma Terça-feira, pois o comentador de serviço no telejornal de um canal privado era o Miguel Sousa Tavares (o meu grande ídolo da juventude). A grande notícia da altura, que foi escalpelizada com grave esmero pela Manuela Moura Guedes e a sua equipe foi o rejunevescimento da cara de uma socialite muito famosa, que agora nao me vem o nome à cabeça, mas há-de vir, que ela foi a primeira socialite de que soube o nome e estou aqui a pensar e só sei de mais uma, aquela que tem como primeiro nome o diminutivo de ancinho e o último é Jardim, pelo que a senhora combina roupas e nomes, uma vilha! O Miguelito começou a torcer-se todo enquanto a notícia passava nas suas diversas facetas e quando a Manela lhe pediu um comentário à desrugaçao da tal socialite ele quase teve um AVC! Foi das melhores cenas que eu alguma vez vi na televisao e imaginem, soube tao bem que me lembro hoje como se tivesse sido ontem. Ele recusou-se a fazer o comentário e disse algo que espremido era "tenha vergonha na cara". A Manela chateou-se e respondeu que eles mostravam o que o povo queria. Isto foi há cerca de dez anos. Agora, dos excertos que vejo dos telejornais nas minhas férias, conseguiu-se descer da retrete para o esgoto. E a Manela continua a nao ter espelhos em casa, nem vergonha na cara.
No Público, hoje é o dia da Terra, pelo que confirmou-se o que eu suspeitava: o Público mudou-se (deve ser o "outsourcing" em reverso) para os EUA.
A Manuela Moura Guedes nao tem só uma cara com piada, também gosta de dizer piadas. A próxima vez que for à cirurgia plástica deve ser para mudar de nariz: daqueles vermelhos e redondos.
P.S.: Isto foi há uns dez anos, lembro-me que era uma Terça-feira, pois o comentador de serviço no telejornal de um canal privado era o Miguel Sousa Tavares (o meu grande ídolo da juventude). A grande notícia da altura, que foi escalpelizada com grave esmero pela Manuela Moura Guedes e a sua equipe foi o rejunevescimento da cara de uma socialite muito famosa, que agora nao me vem o nome à cabeça, mas há-de vir, que ela foi a primeira socialite de que soube o nome e estou aqui a pensar e só sei de mais uma, aquela que tem como primeiro nome o diminutivo de ancinho e o último é Jardim, pelo que a senhora combina roupas e nomes, uma vilha! O Miguelito começou a torcer-se todo enquanto a notícia passava nas suas diversas facetas e quando a Manela lhe pediu um comentário à desrugaçao da tal socialite ele quase teve um AVC! Foi das melhores cenas que eu alguma vez vi na televisao e imaginem, soube tao bem que me lembro hoje como se tivesse sido ontem. Ele recusou-se a fazer o comentário e disse algo que espremido era "tenha vergonha na cara". A Manela chateou-se e respondeu que eles mostravam o que o povo queria. Isto foi há cerca de dez anos. Agora, dos excertos que vejo dos telejornais nas minhas férias, conseguiu-se descer da retrete para o esgoto. E a Manela continua a nao ter espelhos em casa, nem vergonha na cara.
terça-feira
Planos pra minha reforma
Disse ao meu irmao para juntarmos o nosso dinheiro, comprarmos uma quinta e vivermos lá em feliz isolamento. Para minha surpresa ele concordou imediatamente, mas também começamos imediatamente a discordar nos particulares. Eu entrei disparada na decoraçao, nao fosse eu mulher, a descrever muros de 3 metros, arame farpado e caes assassinos. Ele diz que para o isolamento, basta nao haver estrada alcatroada. Homens e a sua passividade...
Porque nao?
Imagino-me com ternura. Serei uma velha saudável, porque imagino-me a matar tempo, nao a ser torturada pelo tempo. Eu e o tempo seremos inimigos, nao pelas rugas que ele me quer dar, mas por indiferença. Faremos de conta que nos ignoramos e quando eu morrer, lá para o fim da minha reforma, ele há-de sentir-me a falta.
quarta-feira
Os meus cheiros favoritos:
Ao sal do mar,
a terra molhada pela chuva de verao,
a erva cortada de fresco,
a giestas,
a morangos,
a graos de café,
à minha escola primária.
a terra molhada pela chuva de verao,
a erva cortada de fresco,
a giestas,
a morangos,
a graos de café,
à minha escola primária.
Até o cao!
É verdade, confesso, estive a ver isto: a apresentaçao do novo cao da família ?-Obama aos media americanos (agora torço o nariz, espeto-o para cima e suspiro com compenetrada gravidade, no verdadeiro estilo de superioridade europeia). Mas voltemos ao que interessa: o cao. Se repararem no filme, caso se queiram submeter a tal degradaçao de carater, é que o cao é mesmo portugues! Ele anda por ali a farejar meio maluco, como se nao conhecesse quem lhe pega na trela, de cauda esticada como antena de carro, mas basta o Barack Obama lhe tocar com o dedo mindinho e aquela cauda começa a abanar como uma hélice de aviao. Ele sabe bem a quem lamber as botas. Portugues de cauda a focinho.
terça-feira
Grrrrrrr
Eu por vezes acordo mal disposta, como é o caso hoje (depois de quatro dias grátis de lazer é difícil retornar ao mesmo ram-ram), e como sou uma pessoa normal, rabujo contra algo, mas como sou esquisita, arranjo temas de rabujo que eu estou consciente serem esquisitos. Hoje vinha pelo caminho (difícil continuar mal-disposta com o prato que a Primavera nos tem dado por aqui, mas eu sou teimosa) a rabujar contra a igreja católica e o papel desta na supressao da mulher durante os tempos, com a breve excepçao de quando o cristianismo começou, um movimento de esperança para todos os oprimidos e que inicialmente foi capaz de aceitar as mulheres. Felizmente, apesar de eu estar para lá da normalidade, os meus pais, segundo o último telefonema, ainda me amam.
sexta-feira
quinta-feira
Ficou como eu gosto
quarta-feira
A cruz política
Porque é que as pessoas nao se interessam por política? Eu acho que ninguém com sentido de retidao pode-se querer envolver em tal coisa. Sinceramente, quando eu ouço que o Durao Barroso quer ser presidente da Uniao europeia ou o Santana Lopes presidente da Camara de Lisboa e que o resto os apoia, eu só consigo sentir a política como um herpes. Uma coisa que aparece de vez em quando e a gente só queria um dia poder livrar-se disto, mas nao, sabemos que vai ser até ao fim das nossas vidas.
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