Nao há respeito pelo silencio. Já todos sabemos disso, pelo menos aqueles que nao vivem em ilhas desertas e até desejam que lhes gritem. Mas está-se muito pior que no meu tempo (o que eu desejei ter idade para comecar a dizer isto). Nao se entende o silencio. Parece que o silencio é a ausencia de barulho feito por seres viventes: o bébé a chorar, o casal a brigar, o vizinho a ressonar, o cao a ladrar, até o galo ou os grilos, por estas orelhas que hao de apodrecer no humus materno, já ouvi pessoas queixarem-se que acordaram com o galo ou que nao conseguiram adormecer com os grilos! Que mundo louco é este em que vivo? Pois aí fui de bilhete de comboio na mao, acomodar-me numa carruagem para dormir, como bem dizia à entrada, para uma boa dormidela até aos Alpes Suicos. Na carruagem tinham escrito confortável, nao um adolescente qualquer, nao, grafiti formalizado e permitido, pelo que me senti confiante e até deslumbrei que aquilo tinha dois andares, olha que fino, dois andares numa carruagem. Pois, meus amig@s, nao deitei nenhuma das sobrancelhas... Descobri como é um secador do cabelo por dentro. Disseram-me que era o ar condicionado e houve grande espanto que eu em vez de me sentir confortável, como seria o óbvio sentir depois de ter lido o exterior da carruagem, me sentisse cansada, até zangada. Muito pior seria estar com os outros, a dormir 4 ou 6 no mesmo compartimento. E eu sonhei acordada com o ressonar de 5 seres humanos, em vez da ventoinha parasitica que se albergava nas paredes da minha carruagem. Há momentos em que nao suporto este mundo. E é por isso, que neste momento de publicação, eu estarei num avião, porque pelo menos é uma tortura menos demorada. Com tanto ar condicionado ainda a peugada é igual.
quarta-feira
Que se lixe a peugada
Nao há respeito pelo silencio. Já todos sabemos disso, pelo menos aqueles que nao vivem em ilhas desertas e até desejam que lhes gritem. Mas está-se muito pior que no meu tempo (o que eu desejei ter idade para comecar a dizer isto). Nao se entende o silencio. Parece que o silencio é a ausencia de barulho feito por seres viventes: o bébé a chorar, o casal a brigar, o vizinho a ressonar, o cao a ladrar, até o galo ou os grilos, por estas orelhas que hao de apodrecer no humus materno, já ouvi pessoas queixarem-se que acordaram com o galo ou que nao conseguiram adormecer com os grilos! Que mundo louco é este em que vivo? Pois aí fui de bilhete de comboio na mao, acomodar-me numa carruagem para dormir, como bem dizia à entrada, para uma boa dormidela até aos Alpes Suicos. Na carruagem tinham escrito confortável, nao um adolescente qualquer, nao, grafiti formalizado e permitido, pelo que me senti confiante e até deslumbrei que aquilo tinha dois andares, olha que fino, dois andares numa carruagem. Pois, meus amig@s, nao deitei nenhuma das sobrancelhas... Descobri como é um secador do cabelo por dentro. Disseram-me que era o ar condicionado e houve grande espanto que eu em vez de me sentir confortável, como seria o óbvio sentir depois de ter lido o exterior da carruagem, me sentisse cansada, até zangada. Muito pior seria estar com os outros, a dormir 4 ou 6 no mesmo compartimento. E eu sonhei acordada com o ressonar de 5 seres humanos, em vez da ventoinha parasitica que se albergava nas paredes da minha carruagem. Há momentos em que nao suporto este mundo. E é por isso, que neste momento de publicação, eu estarei num avião, porque pelo menos é uma tortura menos demorada. Com tanto ar condicionado ainda a peugada é igual.
terça-feira
segunda-feira
Episódio da vida de uma pessoa ensonada: limites
Mas já o expulsei. Ausentei-me por uns momentos e encontrei-o na minha cadeira, ao telemóvel, a brincar com o meu teclado. Há limites e os meus são o meu computador e todos os seus periféricos. Tira a mãozinha.
sexta-feira
simpatias e confissöes III
A minha pergunta é só esta: nao é esta a altura de falarmos? Porque neste momento, há os Geert Wilders que falam por nós e um sistema que se vende por uma ideia de tolerancia que nao é a mais justa. Para além da nossa tolerancia ser apenas o nao me chateies, essa tolerancia institucional serve os ideologos fanáticos e nao os comuns cidadaos que querem mais que o privilegio de existir sem chatear.
Seria bom falarmos, a sério. Sem clichés e ilusoes.
P.S.: contava-me um norueguês como a mäe arengava sobre os norte-americanos e o que eles tinham feito aos pobres pretos, mas os sama, esses eram todos uns malandros e ladrões a morar no fundo do fiorde.
p.s.: o teclado norueguês tem acentos! :)
segunda-feira
simpatias e confissões II
sábado
simpatias e confissões
E agora, como isto é um blogue, deixo a minha opinião: o que se vê é uma contra-reação a uma cultura de compreensão por comportamentos anti-liberdade, anti-direitos humanos, porque vêm de imigrantes de países que existem como símbolos de vitimas, vitimas da nossa colonização, do nosso imperialismo, sei lá que mais. Temos de os respeitar e compreender. E nos Países Baixos, mata-se e obriga-se pessoas a andar de guarda-costas e pressiona-se para eliminar direitos conquistados a muito custo. Eu confesso que tenho mais compreensão e simpatia por quem votou no partido de Geert Wilders e questiono-me sobre este homem, que precisa de ser corajoso ou insano para levar a vida que ele leva.
E agora desapareço antes que leve com um ovo eletrónico.
quarta-feira
La coisa ins verso
ARTICLE 60: REPRESENTATION
If a person, if only for an hour at a time, could borrow the bodies of others,
I would borrow yours, my brother, so that you could walk beside a river somewhere.’
* Eva Runefelt
* PART IV - Policies and Action
ARTICLE 74: SECURITY
One cat I got from an abandoned building site. His eye was glued shut, an ear
partly severed and in his fur you could still see the teeth marks of the dogs. He
lived under a cupboard for a week and didn’t sleep, each time I got on my knees
to look for him I’d find him crouching, with a glazed look, I could only tell he
was still alive from the sucking motion of his flanks, a frightened oxygen pump.
Later he would sometimes let you stroke him, if you were very careful he
wouldn’t bite. But one night he jumped onto the bed, a claw slashed into my
eyebrow, blood ran down my nose into my mouth, I dived under a pillow to
dodge the tiger in my house.
Another cat I found in the street, in a porch in the cold rain. She was so small
that she was still full of trust. The first night she already slept in my bed, fell into
such a deep sleep that all the life slid out of her young muscles, I played with her
paws, tail, she became a toy cat filled with sand. At night she didn’t hear
the neighbours’ dogs. That sleep is called: safety.
A friend who is deaf says: he’s got the sweetest tom cat in the world. One night
it jumps onto his head, his stomach, it viciously bites his toes. When he looks up,
bewildered, he sees how, in the dim light, the door handle of the bedroom moves
down, moves down without making any sound.
This is how cats talk to us: about the depths of sleep, the wild flesh of ancient fears.
ARTICLE 55: TIME OF TRANSITION
We live in a time of transition, which our grandchildren
May designate an epoch. We know nothing about ourselves but they
Will classify us as butterflies in History’s specimen cases.
We will be gazing through the glass with our lifeless
Eyes, and our children’s children, the conquerors
Of stars, will be thumbing through family albums. This
Old fashioned elderly gentleman is me, the photograph
Already faded. I’m standing motionless, eyes fixed
On the setting sun. In the top left corner
You can see a shining dot. And that’s precisely why
This old photograph has such significance. That was
The first sign. Then came the others.
ARTICLE 24: THE RIGHT TO LAZINESS
The good gardener prizes the shadow of the apple tree.
terça-feira
sábado
A cruz de ser portuguesa no estrangeiro
P.S.: Isto sem qualquer juizo mau sobre o Cristiano. Mas presumo que o Cristiano ia fazer o seu afamado olhar fodas-mas-wat-the-fuck-dizes-tu-meu-cabrao, se lhe perguntassem sobre a minha pessoa.
P.S.2: E tambem nao sou especialista em peixe!
P.S.3: A piada sobre bigodes... Ah ah ahaaaaa zzzzzzzzzzzzzzzzzz.. Chatinha... Nao dava para inventarem outra?
Se nao sabem: em que dia e' que se vendem mais maquinas de barbear em Portugal? O dia da mae!
A T-shirt: "Nao me estou a cagar e tenho a(s) pila (mamas) grande(s)!"
A Rita faz a defesa do "pra que e' que eu hei-de limpar se a casa ate' ta' limpa", em que a casa e' a democracia e prontos estao a seguir a analogia. Eu devo agradecer a Rita que subiu o atinado um degrau na linha intelectual tuga, em que o atinado foi promovido de toto a arrogante. Obrigada, Rita.
segunda-feira
Os que merecem voz
domingo
O meu plano
P.S.: É óbvio que faco excepcoes a boas justificacoes.
sábado
sexta-feira
Nostalgias programativas
Mais tarde, apaixonei-me pelo Jeremy Irons e o outro gajo que não se tornou famoso, no Revisitar Bride qualquer coisa e pelo Hari Kumar na Jóia da Coroa (ele aparece nos dois primeiros episódios e no último e eu andei a ver os episódios todos, enfim...). Nesta altura, enquanto me apaixonava por atores, gostava do Dartacão, por razões que completamente me ultrapassam e deviam ser investigadas (eu acho que colocaram droga naquela coisa). Também via o LA Law. E o Poirot e a Miss Marple e o Perry Mason e o programa do Hitchcok em que ele aparece de perfil. Só a música deste programa me fazia pesadelos. Depois ou antes dava a Quinta Dimensão, que via, mas de que não me lembro um único episódio, apesar de os ter visto todos.
Todas as sitcoms que alguma vez deram na televisão? Vi-as todas. Até do Alf gostei.
Richard Attenborough? Nunca gostei mais da natureza fora do meu prato. Mas gostava ainda mais do Herman José a gozar com o Richard Attenborough. Adorava de alma o Herman José e os seus programas. Adorei-o e aos seus programas até ele arranjar um programa de variedades e pintar o cabelo de louro branco.
Agora, ah agora, a inocência do mundo desaparecida, as expectativas desavindas, as ilusões esvanecentes, fico-me cínica de sorriso esgaçado a gostar do Dr. House...
Sim, a sério?
É difícil seguir uma campanha quando as pessoas que campanham não falam muito da Europa. Na nossa estação, o porta-voz do partido socialista [na França] Benoît Hamon disse "Vamos fazer destas eleições um voto de protesto às políticas de Sarkozy". Ele tem todo o direito de dizer isto, de dar esta direção. O problema é que os assuntos europeus ficam fora da campanha. Como podemos então interessar os franceses se os candidatos não se interessam? As pessoas que mais falam dos assuntos europeus são os eurocépticos, na verdade, os eurocépticos com as ideias mais extremas.Diz Sophie Larmoyer, Chefe da secção de notícias externas da Europe 1.
Devo dizer-vos que cada vez gosto menos de jornalistas. Se eu pudesse votar em jornalistas, abstinha-me. Se algum dia um jornalista me tentar entrevistar, obrigo-o a engolir o gravador. A próxima vez que passar por uma câmara de filmar, dou-lhe um empurrão.
A sério, os jornalistas coitadinhos só podem seguir a manada. Dizem eles, enquanto vão à frente.
Não, a sério. Fui à net ver o programa especial eleições parlamento europeu com a Fátima Ferreira em que ela entrevistou os treze candidatos. Um feito heróico, como ela bem demonstrou no seu ar cansado-ponderoso, pois como é que os treze podem ter tempo para dizer algo de jeito? Não há tempo! Especialmente quando se fazem perguntas como "Devem aumentar os impostos agora?", porque todos sabemos que os deputados europeus irão decidir o aumento dos impostos agora. Também vi um programa de debate DEDICADO ao parlamento europeu moderado por uma jornalista chamada Fernanda Gabriel em que ela pergunta TRÊS vezes a deputados sobre a apresentação de candidatos à presidência da Comissão Europeia pelos partidos (não grupos, partidos, sim, mesmo isso que leram) depois de ter sido informada no programa por dois diferentes deputados, em duas intervenções, que isso não é da responsabilidade dos grupos políticos no parlamento europeu!
Não, agora a sério. Podem os que estão atrás na manada simplesmente passar a ferro os que estão à frente da manada? Obrigada.
Acabando em tom de seriedade: a Helena e outros estão muito preocupados, atemorizados, trespassados porque 4 deputados eurocépticos e anti-imigração dos Países Baixos foram eleitos para o parlamento europeu. Temos de olhar para o lado positivo que está ali nas últimas palavras de Sophie Larmoyer: finalmente vamos ouvir falar da União Europeia.
quarta-feira
sexta-feira
se gostas de meter o bedelho na vida dos outros
Vou usar esta canção numa situação completamente fora: resposta ao inferno por que estou a passar no meu escritório em que um colega teima em passar a música alemã da eurovisão. Mais um "kiss kiss bang bang" e eu cometo um ato de violência!
quinta-feira
Levantado processo disciplinar a enfermeiro por reclamar em carta ao Presidente da República!
Na exposição ao PR, o enfermeiro queixa-se de ter sido transferido compulsivamente do serviço de otorrino para a pneumologia enquanto estava de férias, sem que lhe fosse dada oportunidade para se defender. "Não seria lógico, num quadro de alguma falta disciplinar, a instauração de um processo?", questionou.
(...)
Além do seu caso particular, o enfermeiro refere a existência de "um acumular de situações naquele serviço de extrema gravidade", acusando-o "de ser uma fábrica de números" e de estar instalada "uma concepção autoritária do poder". Pede a Cavaco Silva que "tenha um olhar atento e preocupado". E disponibiliza-se para prestar esclarecimentos.
(...)
Segundo o BE:
Alguns dias depois, esta carta, dirigida ao Sr. Presidente da República, serviu de pretexto para o Conselho de Administração (CA) decidir a abertura de um processo disciplinar contra o referido enfermeiro, tendo em vista o seu despedimento com justa causa, invocando para isso a natureza difamatória da missiva e o carácter ilícito do acto de escrever ao mais alto representante da nação.
Voltando ao i:
(...)
Contactado pelo i, o hospital confirma que a carta a Cavaco Silva é o motivo para ambos os processos, e explica que não está em causa a opinião pessoal do enfermeiro quanto às chefias, mas sim as acusações que faz "pondo em causa o bom nome da unidade no tratamento dos doentes". Sobre as denúncias do enfermeiro na carta, a unidade recusa fazer quaisquer outros comentários.
(...)
O Bloco de Esquerda já levou o caso à Assembleia da República, questionando a ministra da Saúde, Ana Jorge, sobre o assunto na última reunião da comissão parlamentar de saúde. Tendo ficado sem resposta, o deputado João Semedo apresentou um requerimento pedindo à ministra uma posição.
(...)
Questionada pelo i, a Presidência da República responde apenas que "tem por princípio não comentar publicamente a correspondência que recebe". Também o Ministério da Saúde recusou prestar declarações.
(...)
os ênfases nas fontes são meus. sou eu a passar-me
'''''''--------------------------------------------------------------------------------
Atualização no i:
Processo a enfermeiro é "inaceitável", diz Cavaco Silva
´´´´-----------------------------------------------------------------------------------
Nova atualização no i:
A pressão do Palácio de Belém acabou por dar frutos, e a administração do S. João, invocando atender "ao superior interesse público e à consideração que merecem todas as instituições democráticas", decidiu-se pelo arquivamento do processo.
Já comeca a fazer escola escrever "interesse publico" quando se quer justificar merda. Talvez fosse melhor ir fazer formacao em democracia, meus senhores, nao é vergar o pescoco as instituicoes democraticas, é perceber a democracia! Idiotas.
quarta-feira
ficheiros pdf em ingles, frances e alemao em cima
O título original é um pouco diferente, mas depois de ler as entrevistas penso que este é mais apropriado.
terça-feira
Regressão
No mundo dos adultos, ando eu a escrever destes postes!
sexta-feira

:fonte:
Harvest of Suicide
, de Vandana Shiva
Excerto:
"De acordo com dados oficiais, mais de 160 mil agricultores suicidaram-se desde 1997 na India. Estes suicídios são mais fequentes nas áreas de cultura de algodão e parecem diretamente ligados à existência de monopólios sobre as sementes. O fornecimento de sementes de algodão na India tem progressivamente passado das mãos de agricultores para as mãos de produtores globais de sementes como a Monsanto. Estas corporações gigantescas começaram a controlar as companhias locais de sementes através de aquisições, criação de consórcios e através de sistemas de licenciamento que conduzem ao monopólio no mercado de sementes.
Quando isto acontece, as sementes passam de um produto comum a serem "propriedade intelectual" das companhias como a Monsanto, e desta forma a corporação pode reclamar proveitos ilimitados através do pagamento de royalties. Para os agricultores isto significa o aprofundamento das suas dívidas.
Para além disso, as sementes passam de um recurso regenerativo e renovável para um recurso não-renovável e uma mercadoria. A escassez de sementes deriva diretamente do monopólio de sementes, que aplicam como arma limite a semente "exterminador" que é criada para ser estéril. Isto significa que os agricultores não podem independentemente renovar o seu stock, mas necessitam de retornar ao monopolista a cada estação de plantio. Para os agricultores isto significa mais custos, para as companhias mais lucro."
tradução minha.
terça-feira
segunda-feira
Permita-me abordar a questão da democracia
Para terminar, senhor Farage. Houve quatro referendos sobre a Constituição. Um na Holanda: contra; um em França: contra. Houve mais dois: em Espanha, com 72% a favor, e no Luxemburgo, com 60% a favor. No conjunto dos países que organizaram um referendo houve uma maioria de cidadãos a favor da Constituição. Respeite, o senhor também, a democracia.”
Nigel Farage, Ind/Dem: “O que está a dizer senhor Shultz, as implicações do que está a dizer em relação ao conceito de democracia são verdadeiramente terríveis. Está a dizer que não devemos perguntar aos alemães que opinião têm, que temos que os guiar. É assustador! Nunca me esquecerei que no dia a seguir ao “não” irlandês você disse no parlamento que ‘não nos devemos render ao populismo’ e espero que peça desculpa pelo que disse. É absolutamente… Você é anti-democrático. Você acredita que uma classe dirigente sabe o que é melhor para o cidadão comum. É monstruoso!”
Martin Schulz, PSE: “É uma honra ser tratado de anti-democrático por si. Muito obrigado!”
Antes que pensem que eu posto isto porque partilho as opiniões do Sr. Farage, afirmo já que não. Desculpem, mas não tenho uma alta opinião sobre as capacidades do cidadão comum em não ser manipulado através dos seus preconceitos. Nunca Portugal teria entrado na UE se o tivessem perguntado aos franceses, nunca a Polónia teria entrado na UE se o tivessem perguntado aos alemães. Nunca teria existido UE se o tivessem perguntado aos cidadãos. Alguém imagina o cidadão comum francês a querer juntar-se ao cidadão comum alemão e ao cidadão comum britânico e ao cidadão comum... Portanto, sejamos honestos e ponhamos a UE a referendo e terminemos já com isto. Na Suiça, onde se pergunta muita coisa aos cidadãos, nos anos 90 as mulheres tiveram finalmente o direito de votar em todos os cantões e ainda havia para lá um cantão perdido que não se tinha decidido a tal. Foi preciso o governo central dizer "desculpem lá, mas c'est fini!" Cá para mim, se tivesse sido por referendo, a escravatura ainda era legal. E vocês dizem, que ideia, somos tão civilizados. Li este artigo sobre o Dubai e o que mais impressão me fez foi como os europeus que aí vivem veem e aproveitam-se daquele sistema. Sem pejos ou problemas de consciência. Desculpem, o cidadão comum? O cidadão comum come-te o figado se acha que não és um deles e se ninguém existe que o puna. Se não concordam, exemplifiquem com um daqueles avanços civilizacionais de que gostamos de nos orgulhar que tenha sido promovido por voto popular.
Portanto, eu acho que referendos em que haja a figura dos "outros" não devem existir. Mas concordo com referendos sobre "nós". E não concordo com referendos em que só existe uma resposta possível e em que a resposta impossível não traz consequências. Quem votasse "não" saía e aí já podiamos tirar conclusões sobre a opinião do cidadão comum sobre a UE.
Esta confusão é culpa dos governos que não têm tomates para definir que se não existe aceitação do tratado saem e deixam os outros que aceitam ir no seu caminho, e mais destomatados são os que não arcam com a responsabilidade sem que possam oferecer subsídios ao cidadão comum.
Mas não é por não concordar com Nigel Farage que eu não o ache importante para a democracia:
P.S.: Eu diria que se fazem referendos nos EUA. Só que são ao nível estadual (e muito provavelmente local) e eles referendam tudo o que alguém se lembrar pôr a referendo e que tenha um nr. minimo de assinaturas. Quando estive no Colorado em 2006 estava a referendo, entre outras questões de que já não me lembro, a legalização da marijuana e usar certo dinheiro para comprar autocarros e outros materiais escolares.
P.S.2: snowgaze disse...
na Alemanha não há referendos??? Então e o referendo para decidir se parte das pequenas bibiliotecas municipais espalhadas pela cidade deveriam continuar abertas? E o referendo para decidir se se podiam construir prédios muito altos dentro da cidade? (estes dois em Munique) Não contam como referendos porquê?
11/Mai/2009 13:23:00
domingo
A nova inquisição?
Sobre as regras - parte II e os ideais - parte I
Na minha relação com a religião com que fui criada passei por várias fases. Acho improvável que sendo quem sou neste momento eu possa retornar a ser religiosa sem ser deixando de ser quem sou. Mas tenho olhado para a religião como uma necessidade humana que importa, na minha percepção, não negar liminarmente por nós ateus. É um equilíbrio muito difícil de conseguir. Mais interessante para mim do que os religiosos, são os ateus e o percurso longo que cada um de nós tem de percorrer e se estou acostumada a ver os ateus que sabem minimamente da religião de que se afastaram, estou agora interessada numa nova casta de ateus, que cresceram assim e que têm que fazer um outro caminho. A minha irmã, que também é uma não crente, resolveu colocar os seus filhos em Aulas de Religião e eu concordei porque me pareceu que caso contrário correriamos o risco de sermos convidados para algum batizado aquando da sua chegada à idade adulta. Mas a minha irmã partiu de um outro pressuposto: o de que para compreender a sociedade em que vivemos precisamos de aprender também sobre a religião que formou a sociedade em que vivemos. Pouco a pouco tenho vindo a concordar com o ponto dela. O relato do Rui Tavares é mais um pormenor nessa ligação subtil entre o hoje secular e o ontem e hoje religiosos, que afeta os ateus.
Quando postei sobre regras estava a pensar naquelas que definem acordos necessários para que todos nós possamos viver em sociedade em harmonia, como decidir que se guia do lado direito. Não estava a pensar em ideais. Estava a pensar neste poste da Fernanda Câncio e nisto:
Há muitos anos atrás, arranjei num Outubro, um trabalho a ganhar o salário minimo nacional da altura. Seis meses depois arranjei outro trabalho a ganhar para aí o dobro e uns meses depois fui já nao me lembro onde candidatar-me ao arrendamento jovem. Havia uma base minima de apoio que era calculada pegando na declaração de IRS e dividindo por 12, o que no meu caso era: tres salarios minimos nacionais dividindo por 12 = mesada de papa e mama. A senhora informou-me que eu assim nao podia candidatar-me. Eu expliquei-lhe que aquilo nao tinha nada a ver com a minha situação e que podia trazer um comprovativo do meu rendimento atual. A senhora disse que nao, que a equaçao era aquela e acabou-se. Já nao me lembro quanto tempo fiquei a gaguejar "mas", mas a senhora lá passou ao ponto dois: como fazer gincana ao sistema. Os olhos sairam-me das órbitas e eu removi-me do antro. Nao quero que pensem que eu sou um anjo, porque nos finalmentes eu fiz a gincana ao sistema. Mas cá está o meu ponto: há a regra que é estúpida e portanto a solução é ser chico-esperto e isto é ensinado pelas pessoas que aplicam as regras. Agora, digam-me onde está a mula. Eu proporia quem fez a regra...
Penso que é necessário discriminar entre os ideais e as regras. Esta foi uma das minhas irritações com a chamada constituição, porque para mim a constituição é uma declaração de ideais e não um aglomerado frankensteiniano de regras e ideais como o que nos foi apresentado. A necessidade de uma constituição europeia clara parece existir quando somos confrontados com as notícias de dislates vários das nossas instituições quando confrontadas com grupos de pessoas imigradas recentemente que intentam em impôr costumes que nos afrontam. É necessário definir em constituição o que é um afrontamento válido, o que são ideais universais, aqueles que devem ser defendidos e impostos a todos neste espaço em que vivemos. Porque é extremamente importante fazermos esta reflexão e esta definição, fico zangada quando se mistura o que é um ideal com o que é uma regra. A homogeneidade populacional anterior parecia não necessitar de tal preciosismo, mas estes são outros tempos, senão ainda em Portugal, noutros países. Misturar regras com ideais é dificultar o raciocínio e termos de ler que o cardeal da igreja britânica acha que é aceitável que um grupo de pessoas por professar uma religião diferente podem sair fora da esfera do direito do estado em que vivem. Como se o estado definisse só um conjunto de regras e portanto que importa que outras pessoas queiram regras diferentes, mas e os direitos fundamentais, senhor cardeal? Outra faceta, é as pessoas menosprezarem um direito fundamental como se fosse uma mera regra, como o direito de liberdade de expressão, que não pode ser colocado em causa por delicadezas de sentimento de um grupo de pessoas. É, do meu ponto de vista, essencial que façamos esta discriminação, para sabermos onde podemos comprometer regras e onde não se pode nunca de forma alguma comprometer ideais.
Finalmente, aproveitando que o poste do Rui Tavares citado pelo jj.amarante foi escrito durante a campanha do referendo sobre o aborto, faço esta pergunta: a lei de despenalização do aborto é um direito ou uma regra?
sábado
sexta-feira
E já que estamos numa do que é que a Europa fez por nós (nós?)
Portugal é o quarto a receber mais.
Alguém me explique porque é que a Alemanha não bate o pé a isto. Ah, espera, deve ser isto: The top ten per cent of German farm subsidy recipients get 54 per cent of the money. The top twenty per cent get 71 per cent. Among the biggest recipients of farm subsidies are big German agribusinesses, food companies and large landowners.
terça-feira
Declaracao de detesto
Fico enjoada quando após eu me indignar com a declaracao vinda do Sócrates, de que o PS apoiará o Durao Barroso a continuar na Comissao, me dizem que concordam, porque afinal o Durao Barroso é portugues. Ser portugues é um limpa-nódoas! Permitam-me muito vivamente discordar. Apaixonadamente discordar. Eu até poria a coisa ao contrário: um portugues para sair de Portugal para uma posicao de relevancia, devia ter um ónus maior em provar que é muito bom, para, no minimo, nao envergonhar os restantes de nós. Eu, ao Durao Barroso, escondia-o na cave.
Comecando um poste sobre regras
quinta-feira
Que país?
Uma pessoa é inocente até prova em contrário. Eu nao digo isto porque quero defender o Sócrates. Eu digo isto por um país que nao pode ser governado por suspeitas. Por um país em que nao pode ser possível atirar merda para o ar e ganha quem atirar mais merda. Isto nao pode funcionar assim por amor de nós todos, por amor da justica.
Que sistema é este, em que um inocente nunca poderá provar a sua inocencia e um culpado nunca verá a sua culpabilidade provada?
quarta-feira
sexta-feira
A desnecessidade
quarta-feira
Os media que parece que merecemos
No Público, hoje é o dia da Terra, pelo que confirmou-se o que eu suspeitava: o Público mudou-se (deve ser o "outsourcing" em reverso) para os EUA.
A Manuela Moura Guedes nao tem só uma cara com piada, também gosta de dizer piadas. A próxima vez que for à cirurgia plástica deve ser para mudar de nariz: daqueles vermelhos e redondos.
P.S.: Isto foi há uns dez anos, lembro-me que era uma Terça-feira, pois o comentador de serviço no telejornal de um canal privado era o Miguel Sousa Tavares (o meu grande ídolo da juventude). A grande notícia da altura, que foi escalpelizada com grave esmero pela Manuela Moura Guedes e a sua equipe foi o rejunevescimento da cara de uma socialite muito famosa, que agora nao me vem o nome à cabeça, mas há-de vir, que ela foi a primeira socialite de que soube o nome e estou aqui a pensar e só sei de mais uma, aquela que tem como primeiro nome o diminutivo de ancinho e o último é Jardim, pelo que a senhora combina roupas e nomes, uma vilha! O Miguelito começou a torcer-se todo enquanto a notícia passava nas suas diversas facetas e quando a Manela lhe pediu um comentário à desrugaçao da tal socialite ele quase teve um AVC! Foi das melhores cenas que eu alguma vez vi na televisao e imaginem, soube tao bem que me lembro hoje como se tivesse sido ontem. Ele recusou-se a fazer o comentário e disse algo que espremido era "tenha vergonha na cara". A Manela chateou-se e respondeu que eles mostravam o que o povo queria. Isto foi há cerca de dez anos. Agora, dos excertos que vejo dos telejornais nas minhas férias, conseguiu-se descer da retrete para o esgoto. E a Manela continua a nao ter espelhos em casa, nem vergonha na cara.
terça-feira
Planos pra minha reforma
Porque nao?
quarta-feira
Os meus cheiros favoritos:
a terra molhada pela chuva de verao,
a erva cortada de fresco,
a giestas,
a morangos,
a graos de café,
à minha escola primária.
Até o cao!
terça-feira
Grrrrrrr
sexta-feira
quinta-feira
Ficou como eu gosto
quarta-feira
A cruz política
sexta-feira
segunda-feira
Cala-te boca
Porque nao.
Podia ter sido porque sim.
Talvez eu tenha tentado poupar a estima que alguns ainda me tem. Porque num poste eu discutia a justeza da denominaçao Papa, principalmente quando contraposto a Aiatolá. Porque é que se precavem a audiencia para resguardar a tola? Haverá uma correspondencia católica? Será o Papa, um Papao de tolas? Haverá a conspiraçao do o no papa? Quem é realmente o Papa?
{aqui música tenebrosa} Noutro poste eu declarava o meu amor pelas Testemunhas de Jeová...
Noutro poste eu chamava toda a gente abébia e noutro ainda chamava toda a gente que gosta do último filme em que aparece o Clint Eastwood abébias ao quadrado e toda a gente que gostou daquela coisa com o Brad Pitt abébias ao cubo e toda a gente que acha o Slumdog Millionaire um filme espetacular, espetacularmente abébias.
Pelo meio da semana escrevi "A felicidade é um estado momentaneo de estupidez. Sim, ok, estou errada. Pode nao ser momentaneo." Pelo fim da semana escrevia isto á Helena: "Eu penso que há um influxo de temperança entre os ateus e os cristaos: os ateus limitam os ímpetos dogmáticos e os cristaos limitam os ímpetos materialistas. Se nos conseguíssemos entender acho que poderiamos vir a ser felizes juntos." Enfim... Quase parece que encontrei o Obama e o Bambi para uma bica. Acho que demonstrei a necessidade de me auto-censurar.
quarta-feira
Implicaçoes teológicas
segunda-feira
Acabar com a discriminaçao discriminando
Quando concorres a algo na UE as tres primeiras perguntas, as TRES primeiras perguntas na tua candidatura dao a tua idade e o teu sexo.
Chegando aqui eu penso que devo estar pedrada e nao estou a ver algo óbvio ou aquilo que me parece óbvio nao o é, o mundo simplesmente nao faz sentido.
Estou confusa, mas se a ideia é acabar com a discriminaçao, nao faz sentido nao fazer as perguntas que potenciam a tua discriminaçao? Quando eu fiz esta pergunta em voz alta, responderam-me que eles precisam de saber o meu sexo para fazer discriminaçao positiva. De novo: quao pedrada estou eu neste momento?
sexta-feira
o egoísmo vale a pena
terça-feira
No centro do poder alemão
quinta-feira
Notas duma odiosa
Ofereci o livro "Jangada de Pedra" a um colega, porque ele achou piada ao conceito. Tenho a impressão que pus demasiado enfâse (talvez tenha puxado a gravata à verdade) ao desalento dos espanhóis e dos portugueses quando se viram no mesmo barco. Vejo desapontamento no horizonte. Contudo, demonstrando que a generosidade é má política, ele falou de me dar um livro chamado (tapem os ouvidos) "Cona ácida". Parece que é feminista.
Este sábado vou a Berlim. Dá chuva. Nos últimos dias, no reino alemão, um edifício aterrou e um tiroteio espalhou-se. Vou ter que sair de casa. Está lá uma exposição sobre a vida e o trabalho de Manoel de Oliveira. Os prenúncios adensam-se.
* É claro que isto pode ser uma vingança coletiva à minha pessoa e não ter nada a ver convosco, já que a minha máxima capacidade para palear vai no sentido "Então agora proibem os autocarros ateus? O Berlusconi, digitalizar (literalmente) os ciganos, o Vaticano no meio. Não achas que a Itália se está a tornar um país fascista?" "O que é que anda a passar com os filandeses? É sempre o mosca morta com o telemóvel que se passa dos carretos." "Então pá? Que se passa lá na Grécia? Acabou o queijo de cabra?".
terça-feira
A pasmaceira diária das notícias
Enfatizando
O pai da menina, evangélico, tinha-se mostrado contra. O padrasto, que se encontra detido e arrisca agora uma pena de 15 anos de prisão, não está abrangido: "Ele cometeu um crime enorme, mas não está incluído na excomunhão. Foi um pecado gravíssimo, mas, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente", enfatizou o arcebispo, que comparou o procedimento ao Holocausto.
Eu a enfatizar: Mas mais grave do que isso, sabe o que é? Violar uma criança, eliminar a inocencia de um inocente.
segunda-feira
O mundo exaspera-me
P.S.: A Helena escreveu hoje do caso-exaspero no Brasil, que na semana passada já me teria promovido cabelos brancos, se a minha herança genética de XX nao fosse tao espetacular.
quinta-feira
A nossa sorte
Para mim, o filme está bem construído, no sentido de que nao me senti tentada a julgar. Observei o que cada um deles conseguiu alcançar e senti-me horrorizada pela cegueira dela e triste pela incapacidade dele de nao se libertar. Num mundo melhor tudo seria como nós nos imaginariamos a atuar, nós conseguiriamos ter a incapacidade dela, mas ser honestos e até sábios e nós conseguiriamos na perfeiçao fazer a escolha entre amar e perdoar ou nao perdoar e nao amar (esse amor que se fixou naquela decisao, que nem será amor, o que é um amor fixado?). E no entanto, no entanto, quantos erros pequenos que fizemos esquecemos, qual a nossa sorte de nao termos enfrentado tragédias a sério, em que o esquecimento nao é possível? A nossa sorte de nao termos encontrado as encruzilhadas que nos conduzem a lugares de que nao é possível retornar?
domingo
Nota muito positiva {conclui-se que nao é bem assim}
P.S.:"Blogger Rita Maria disse...
Eu gosto da Alemanha e gosto até muito dos alemaes, mas sim, as pessoas aqui chateiam-se com críticas e vao fazer críticas ao teu trabalho directamente à gerência, sem pensar sequer que tepodiam apontar primeiro os erros a ti....nao sao nem directas, nem solidárias e eu sou boa pessoa, juro.
O que vale é que a gerência gosta de mim...
6/Mar/2009 10:51:00
Blogger abrunho disse...
Fiz uma sondagem entre os meus colegas alemaes e ficou concluido que eu é que nao percebo alemao. :)
9/Mar/2009 22:53:00"
Eu tentei ser positiva, eu tentei...
O direito da escolha
Assim, na Alemanha, o Estado processa eficientemente engenharia social. E quando eu vocifero contra isto, os alemaes ficam surpreendidos que eu ache mal. Eu dou-lhes o meu exemplo, o que seria eu na Alemanha com as minhas raizes? E eles respondem que seria cozinheira, mas acrescentam que eu seria feliz. Talvez, talvez eu fosse feliz, quem sabe, como podem eles saber dessa eficiente definiçao aos 11 anos de idade? Mas ainda que fosse verdade, essa felicidade certa prescrita por outros aos meus onze anos de idade, eu sinceramente prefiro um mundo em que eu tenha a possibilidade de escolher a minha própria (in)felicidade. Para mim este é um direito básico de qualquer ser-humano.
P.S.: Eu elimino o meu anterior post-scriptum porque é capaz de ser demasiadamente mauzinho. A Helena acha que isto é uma forma de organização civil. Eu desconfio de uma organização civil que passa pelo Estado.
quinta-feira
O leitor, the reader, der Vorleser
Agora que o vi, surpreende-me que das recensoes que li antes do filme ninguem viu o mesmo filme que eu. Li mais umas depois do filme e parece que há um filme que só eu vi, só meu, só eu senti o que senti, só eu. Um filme muito triste só meu.
segunda-feira
O fenómeno do anulamento de uma pessoa
quinta-feira
Sugestão: meter a estupidez no armário
Seus energúmenos encapuçados de pessoas de boas famílias: ISTO NEM DEVIA SER DISCUTIDO, ESTA DISCUSSÃO PÁRA NUM ESTADO COM DIREITOS IGUAIS PARA TODOS, E O CASAMENTO CIVIL DÁ DIREITOS IMPORTANTES QUE É OPÇÃO DE QUALQUER UM QUERER OU NÃO, SEM TER QUE SE JUSTIFICAR (repito CIVIL, no mundo das saias pretas eu não me meto, como gostaria que esse mundo deixasse O MEU MUNDO em paz). PÁREM DE INVENTAR O QUE FOI O CASAMENTO (leiam livros, suas ignorâncias) E PÁREM DE QUERER PARAR O MUNDO NUM LOCAL QUALQUER DA IDADE MÉDIA (que tal O FUTURO?), PÁREM DE MISTURAR E CONFUNDIR (e.g. e isto já foi dito até ao vómito, a adopção é independente do casamento! já viram como funciona a adopção? já viram que um homossexual já pode adoptar? duuuuhhh) PÁREM DE CONDESCENDÊNCIAS (que é basicamente a capacidade de ao mesmo tempo cuspir e beijar (n)uma pessoa, o que eu acho NOJENTO) E PÁREM DE DIZER QUE HÁ PRIORIDADES COMO A CRISE! SÃO VOCÊS QUE ARRASTAM ISTO E SE PARAREM DE ESPALHAR TUDO O QUE VOS PASSA PELA CABEÇA NO QUE VOS PARECE ARGUMENTAÇÃO, TALVEZ ISTO JÁ PUDESSE ESTAR RESOLVIDO. Eu estou tensa e a culpa não é d@s florzinhas!
p.s.: ligação a texto exemplo do estilo anti-flor.
quarta-feira
Lições do museu de arte antiga
Tenho a certeza que não houve um único vizinho do Sebastião que tenha dito aos jornalistas que ele parecia tão calmo e nunca se pensaria que ele pudesse fazer aquilo. Ele foi o caso impar do obviamente alucinado. No museu decidiram dar-lhe mais interessantes companhias: o mancebo giro de que ninguém sabe o nome e que lá deve ter morrido por causa do alucinado e o incrível retrato da freira com buço. Eu digo incrível porque pertence aos poucos retratos em que me fico a imaginar quem seria a pessoa. Não me apeteceu conhecer a mona lisa como queria saber daquela mulher. Para dizer a verdade, se visse a lisa na rua, eu resmungaria para a minha companhia, "olha prá pindérica, armada em boa."
O Nuno Gonçalves não gostava de ler, mas tinha uma panca esquisita por botões, cintos e malhas. Os livros são umas coisas baças em comparação. Obviamente, o Nuno adorava acessórios (piscar de olho entendido). Já ouvi falar por experiência própria de meias desemparelhadas, mas que ideia foi a da senhora de sair de casa com mangas diferentes?
Finalmente, daria toda a minha fortuna para ter um biombo niamba ou como se chama. Sabem aqueles em que parece que os portugueses e os seus escravos foram passear para o Carnaval enquanto os japoneses espreitam? E os portugueses são pintados narigudos porque foi uma proeminência que espantou os asiáticos e eu andei a palminhar cada figurinha para ver se algum estava a escarrar para o chão ou a mijar nalgum canto. Os japoneses foram incrivelmente simpáticos para os portugueses. Ou seria demais nojento para um biombo?
segunda-feira
Da lua nao há diferença
sexta-feira
Será que estes jornalistas algum dia param a pensar: "que faço no mundo?"
quinta-feira
Intermezzo
sábado
sexta-feira
Oh D. Policarpo
quinta-feira
Esclarecimento
quarta-feira
Apenas
Aos palestinianos seja Deus a dar redenção por cada vez que foram usados e terão o paraíso só pra eles. Que seja Deus, porque aqui em baixo discute-se que o desespero não é desculpa. Viver numa prisão não é desculpa. Viver com o arbítrio dos prepotentes não vale. Viver os dias a paredes meias com a injustiça não é argumento. O mundo só promete a benção em caso de paciência de santo, senão mesmo divina. Votar mal? Sem opções na política? Isso é para nós que discutimos a falta de opções na escolha. Para os palestinianos não há desculpas para defraudarem a democracia ou as nossas expectativas na democracia deles. Sejam apenas o que nos der jeito que sejam. Haverá melhor palavra para os palestinianos? Apenas. Só não são símbolos para o governo israelita que tem que ser pragmático na resolução do problema da sua existência. Para esses, os palestinianos ainda não são o que deveriam ser: apenas pó.
A única coisa que todos, mas todos, pedem aos palestinianos é que sejam mártires. Deste lado da cristandade quer-se o martírio de jesus, de gandi, de tianamen. Haverá algo mais admirável que o martírio dos outros? Voltem a face, deitem-se debaixo dos tanques, encarem as pedradas e os escarros, deixem-se morrer. Infelizmente para o nosso lado, há o outro lado, que não se importa de os ver mortos, mas um martírio mais abrangente, que leve daqui vítimas e algozes numa cajadada só. A única opção para um palestiniano é a morte. Há consenso universal: um bom palestiniano está morto.
Entre o consenso e a impotencia, pergunto-me, porque entre, vai em quantos, 900 mortos, temos de passar pelas crónicas míseras? Na aldeia em que cresci, pelo menos no dia dos enterros, as comadres escondem-se. Nao seria possível o último respeito? Nem na morte? Estou farta, farta, farta até à pontinha da minha capacidade humana para os jornais e os seus cronistas. E se me vierem dizer que precisamos dos cronistas para sabermos que o Hamas se aproveita da situaçao, isso é como dizer que precisamos das comadres para resolver crimes.
sexta-feira
Apenas
"No dia em que escrevo, quarta-feira, confirma-se que mais uma vez uma cadeia de televisão europeia, a France 2, transmitiu imagens falsas numa reportagem que dedicou ao ataque israelita a Gaza. Crianças mortas e uma casa destruída ilustravam os efeitos dramáticos entre os civis palestinianos dos bombardeamentos efectuados pelo exército de Israel.
Poucas horas após a emissão da reportagem concluía-se que destas imagens apenas os cadáveres e o prédio destruído não foram ficcionados."
Fui logo ao Blasfémias para ver o que tinha sido ficcionado (não achei). Crianças feridas, peluches semeados pelos escombros, mulheres pagas para carpir? Afinal, o resto são apenas crianças mortas. Apenas. Apenas? Desculpe, APENAS?
quinta-feira
Voces ser esquisitos
quarta-feira
Promete
Em Extremely Loud & Incredibly Close de Jonathan Safran Foer
Tradução minha
gents and madams, deêm-me algo digno de admiração
terça-feira
Israel e Palestina
segunda-feira
Voces ser esquisitos
A minha segunda ideia de 2009
A minha primeira ideia de 2009
A perenidade
A primeira brecha na minha religiosidade foi quando soube da Inquisiçao. Visto daqui, os sentimentos que me submergiram na altura só poderiam ter aquela intensidade de terramoto porque era muito nova e muito crédula e muito ingénua. Era adolescente, o mundo era feito de preto e branco e eu nao entendia a possibilidade de me associar a uma instituiçao que perpretou aquilo. A minha mae dizia-me que tinha sido há muitos anos, imensos, as coisas tinham mudado. Apesar de a acreditar, eu nao consegui reaver o antes, como se tivesse comido uma espécie de maça.
Contudo, a minha mae está errada.
domingo
Professores
Eric Hanushek, um economista em Staford, estima que os alunos de um mau professor aprendem, em média, num ano escolar, o que valeria metade do programa. Os alunos nas classes de um professor excelente aprendem o valor de um programa e meio. A diferença corresponde ao que seria suposto aprender num ano inteiro. Os efeitos dos professores sobre a aprendizagem dos alunos são enormes quando comparados com os efeitos da escola: a sua criança está melhor numa escola "má" com um professor excelente do que numa escola excelente com um mau professor. A qualidade do professor é também mais importante do que o tamanho das turmas. Seria necessário diminuir o tamanho de uma turma média quase em metade para obter os mesmos efeitos de mudar de um professor com um desempenho médio para um professor no percentil 85. Lembrem-se que um bom professor custa o mesmo que um professor médio, mas cortar o tamanho das turmas para metade implica construir o dobro das salas de aula e contratar o dobro dos professores.
(...)
Thomas J. Kane, um economista na Escola de Educação de Harvard, Douglas Staiger, um economista em Dartmouth e Robert Gordon, analista de políticas sociais no Centro para o Progresso Americano [Center for American Progress] investigaram se ajuda ao desempenho de um professor obter a certificação profissional ou um mestrado. Ambos são processos demorados e caros que quase todos os empregadores esperam que os professores obtenham. Nenhum tem qualquer impacto dentro da sala de aula. Elementos que parecem relacionados com a aptidão de ensinar, como o valor das notas, pós-licenciaturas, certificados, parecem tão úteis em avaliar a qualidade de um professor como avaliar o valor de alguém como futebolista observando-o a pontapear uma bola no ar [no texto faz-se uma comparação com o futebol americano, o que não é episódico. Todo o texto é baseado numa comparação entre as dificuldades de contratar os melhores professores com o contratar os melhores "quarterback".]
Gostei imenso do texto em questão. No universo dos EUA, põe-se em questão o sistema de lá, que baseia a contratação dos professores em virtudes académicas, em vez de no que se passa dentro das salas de aula. O mesmo que em Portugal, que agora introduziu a oportunidade de avaliar os professores. Contudo, para meu espanto, li no jornal que os professores podem escolher se querem ser observados nas classes de aulas (!) e não vão ser consideradas as notas dos alunos (!). Se em termos absolutos é entendível que não se considerem as notas, em termos relativos não se percebe. Tirando o desempenho dentro da sala de aula e os resultados, afinal vai-se avaliar o quê? Pontualidade? O número de fotocópias? A cereja no bolo: os professores vão ser avaliados por colegas da própria escola. Adiante, militante.
sábado
Fezada
Estive este dia a tentar lembrar-me do que descobre a dona morte no seu íntimo no livro do Saramago "Intermitencias da Morte", mas nao consigo. Sei que é interessantíssimo, talvez tivesse podido incluí-la neste poste, mas já concluí que quando estiver brevemente em Portugal há uma amiga que visitarei.
Primeiro, ser racional para mim nao significa ser compreensível à luz das fraquezas humanas. A razao supostamente está um pouco acima da emoçao. Para um agnóstico o medo da morte é um desperdício, para um ateísta é ter medo de nada, para um religioso poderá ter fundamento dependendo do tipo de deus que estao à espera do outro lado. Os velhotes que eu conheço sao católicos e supostamente o lado de lá é melhor que este e deus é um tipo porreiro que gosta de perdoar à direita e à esquerda, desde que o pessoal se arrependa. Ou seja, basta nao fazer asneiras, o que sendo eles velhos e já limitados nao deve ser assim um enorme desafio, e focarem-se no arrependimento e está feito. O que eu acho é que este pessoal tem uma fé muito rota.
As pessoas querem viver porque é algo inato. Mesmo quem quer muito morrer tem que lutar enormemente contra essa força do corpo que nao quer morrer nem por nada. O instinto é algo com muita força.
O mundo natural provavelmente nunca nos mostrará tudo o que é. Haverá limites, mas serao os limites humanos. Eu pessoalmente acho o conhecimento do mundo natural a coisinha mais interessante deste mundo. Contudo, se o que eu teria para saber pode estar limitado, tenho a certeza absoluta que a minha paciencia com a espécie humana (incluo-me a mim) nao é de forma alguma ilimitada. Acho que sem morte, o meu destino seria a loucura.
sexta-feira
Necessidades
quinta-feira
A morte e mais além
terça-feira
Liçoes de vida
segunda-feira
A posteridade e mais além
sábado
Boa frase
Imagine a vida sem morte. Todos os dias, cada dia, iria querer-se matar.
ou
Imagine a vida sem morte. Todos os dias o desejo da morte.
Imagine a vida sem morte. A vida seria como aqueles sítios que nunca visitamos porque estão perto e um dia quando houver tempo passamos lá.







