The sex crime of the face of Wikileaks in Sweden was to leak.
I did not know Swedish had a sense of humor.
quarta-feira
domingo
Interregno
Quando escrevia aqui todos os dias, escarrapachava opiniões. Um estágio opinativo. Continuo a ter opiniões e continuo a enunciá-las com tal paixão que sou tomada de arrogante. Talvez seja inatamente arrogante, mas digo-vos que luto contra isso. Mas se a humildade é virtude, a neutralidade parece-me desistência, escolher ser fungo a humano.
Eu sou dona de mim
Houveram dias em que escrevia aqui todos os dias. Houveram outros momentos que passaram e todos juntos fazem uma história sem história. O meu percurso trapo a trapo cozidos uns aos outros, cada trapo de cor diferente, uma colecção impar, como são impares todas e cada vida. Aos dez anos pensei: há 10 nasci; aos onze, há dez anos andei; aos doze, há dez anos falei e continuei assim até aos vinte. Hoje retorno a esse hábito adolescente e miro dez anos atrás. Que eu possa olhar para trás e ver tantas coisas diferentes, tantos trapos cozidos uns nos outros até aqui, que eu possa dizer, há dez anos tanto que eu não sabia, inspira-me confiança no manto que sou.
quinta-feira
A nova religião
Not content with being wrong throughout the 1990s, during the 2000s more voodoo economists likened Europe’s economy to that of a “sick, sclerotic old man,” until—surprise, surprise—it was discovered that Europe actually had surpassed the U.S., creating more jobs, higher per capita growth and higher productivity (which lasted until the 2008 collapse).
And how about the experts who still can’t tell us how the Dow plunged a thousand points within minutes on May 7, 2010, in a frenzy of computer trading gone wild. Or the experts who never suspected that the rating agencies, like Moody’s and Standard and Poor’s, were selling their AAA ratings to Goldman Sachs and others for investment derivative bombs that they knew were designed to detonate. Now those same rating agencies have been downgrading Greece, Portugal and Spain, sending them into speculative play. Why does anyone listen to these ratings agencies anymore?
Exactamente. Eu sabia que eu não seria a única pessoa a fazer estas perguntas. É incrível que abundem artigos com os mesmos pressupostos, os mesmos futurismos e que sejam lidos. Eu só posso concluir que os investidores e essa malta etc são de uma estupidez transatlântica ou então as transações virtuais, o dinheiro virtual, esses jogos a que chamam finança e economia são a nova religião. Não interessa a realidade, interessa... O que é que interessa?
And how about the experts who still can’t tell us how the Dow plunged a thousand points within minutes on May 7, 2010, in a frenzy of computer trading gone wild. Or the experts who never suspected that the rating agencies, like Moody’s and Standard and Poor’s, were selling their AAA ratings to Goldman Sachs and others for investment derivative bombs that they knew were designed to detonate. Now those same rating agencies have been downgrading Greece, Portugal and Spain, sending them into speculative play. Why does anyone listen to these ratings agencies anymore?
Exactamente. Eu sabia que eu não seria a única pessoa a fazer estas perguntas. É incrível que abundem artigos com os mesmos pressupostos, os mesmos futurismos e que sejam lidos. Eu só posso concluir que os investidores e essa malta etc são de uma estupidez transatlântica ou então as transações virtuais, o dinheiro virtual, esses jogos a que chamam finança e economia são a nova religião. Não interessa a realidade, interessa... O que é que interessa?
segunda-feira
Momento filosófico
Tirando aquele pós momento em que apanhamos a doença que nos há de matar, envelhecer é, como quase tudo na vida, a incongruência entre aquilo que somos e aquilo que deviamos ser. Uma pessoa apanha-se velha, mas a fazer com a mesma vontade tudo o que fazia antes e acha que não, que devia estar a fazer outra coisa qualquer. E pensa: "fodas, tenho de procriar, ou isso!" Felizmente, cada vez que solto este guincho, vem em meu socorro a minha misantropia. É como acordar de um pesadelo, em que me dou conta, que na verdade tudo continua na mesma e o alívio submerge-me em prazer.
sexta-feira
A conceção do mundo segundo eu ou é para esta merda assim que existem blogues, isto é, disparatar
O mundo não é redondo. Pode parecer uma esfera vista de fora, e até prescrutando pode-se observar que afinal é mais parecida com um ovo, mas de dentro é um cubo transparente. Dentro do cubo outras formas geométricas boiam num liquido amniótico a que os antigos filósofos chamavam éter. Durante a vida, movemo-nos lentamente de volta deste cubo, o que significa que nem a Terra gira à volta do Sol ou o Sol à volta da Terra. Aqui a malta gira à volta do mundo, ainda que de fora ou de dentro possa parecer de outra forma. Portanto, durante a vida o mundo muda, segundo equações muitíssimo complicadas escritas em poesias e sonhos. É só isto.
quarta-feira
Correção no: Não é sobre tolerância, é sobre decoro
Afinal é mesmo sobre tolerância. Fica aqui embaixo o texto original (itálico) e depois a minha adição.
Parece-me que muitos dos embates entre as sociedades ocidentais e os seus cidadãos muçulmanos se deve a que há regras de comportamento não escritas que os moradores mais antigos cumprem sem pensar, que os novos moradores não cumprem. Este não cumprimento é por duas razões: essas regras de comportamento aprendem-se sem palavras, pelo que os novos membros não as aprendem se não viverem essa sociedade e parece-me há agora uma predisposição para acicatar os outros. Um pouco como os forcados a atiçar o touro batendo com o pé no chão.
Por exemplo: construir uma mesquita no local da tragédia do 9 de Setembro. Imaginem que o meu irmão mata alguém. Eu não tenho culpa nenhuma no assassinato e só estou ligada a ele porque o assassino é meu irmão. Acham que devo ir ao funeral do morto? É isto que está em causa. Uma certa noção de como nos comportarmos em relação aos outros, que é amarfanhada numa luta de religiões, onde se perde o decoro.
A tal mesquita (que na verdade é um centro cultural islâmico) não está proposta para o local onde se situavam as Torres Gémeas. É perto. Portanto, sim, é pura intolerância.
Parece-me que muitos dos embates entre as sociedades ocidentais e os seus cidadãos muçulmanos se deve a que há regras de comportamento não escritas que os moradores mais antigos cumprem sem pensar, que os novos moradores não cumprem. Este não cumprimento é por duas razões: essas regras de comportamento aprendem-se sem palavras, pelo que os novos membros não as aprendem se não viverem essa sociedade e parece-me há agora uma predisposição para acicatar os outros. Um pouco como os forcados a atiçar o touro batendo com o pé no chão.
Por exemplo: construir uma mesquita no local da tragédia do 9 de Setembro. Imaginem que o meu irmão mata alguém. Eu não tenho culpa nenhuma no assassinato e só estou ligada a ele porque o assassino é meu irmão. Acham que devo ir ao funeral do morto? É isto que está em causa. Uma certa noção de como nos comportarmos em relação aos outros, que é amarfanhada numa luta de religiões, onde se perde o decoro.
A tal mesquita (que na verdade é um centro cultural islâmico) não está proposta para o local onde se situavam as Torres Gémeas. É perto. Portanto, sim, é pura intolerância.
terça-feira
sexta-feira
Desejos nas passas
Em momentos em que tinha de desejar algo, tinha sempre um desejo já ali, o agregador de todos os desejos, o pai de todos os desejos, pensava eu, satisfeita com a minha argúcia. E pensava "Quero ser feliz". Sintético e rápido, o que dava imenso jeito no final do ano e as suas perigosas (perigo: asfixia) passas. Agora, à espera das brancas, resolvi reavaliar esse desejo e querendo ser arguta e pragmática, penso "Quero ser contente", ou, porque estou mesmo no epicentro da minha fase minimalista, "Quero ser simples". Divirto-me a imaginar as reavaliações seguintes: uma década, "Quero ser satisfeita", duas décadas, "Quero ser", três décadas, "Quero existir"...
quinta-feira
ama o teu vizinho como te amas a ti
A conclusão de um inquérito sério nos EUA é de que os norte-americanos (exceto Canadá) não se amam, o que explica muitas mortes. A resolução deste problema poderia ser um blitzer de peluches.
quarta-feira
Há coisas em que não acredito
As pessoas que escrevem que a Internet tornou a informação eterna, estão a dizer que a eternidade depende da eletricidade, o que me custa a aceitar.
Erva
Pode-se comer todos os dias exactamente a mesma coisa. Esta descoberta maravilhosa mudou completamente a minha vida para melhor. Não tenho que pensar no que vou comer e não há restos no frigorífico, porque não há refeições perdidas como meias sem o par. No dia seguinte, o resto incorpora a nova refeição num prosseguir de perfeição canónica. Não há pacotinhos, frasquinhos ou latinhas de coisas que se usaram pela metade, como leites de coco ou ramas de hortelã. Menos lixo, portanto. O cozinhar é eficiente como bem faz a prática e não há perdas de tempo no comer, com pensamentos de gosto ou desgosto sobre o resultado final. Quando há um espreitar de aborrecimento compram-se novas ervas para a salada e assim se satisfaz aquela coisa tonta de novidade. Tenho vários frasquinhos de ervas para salada para dar, se quiserem... Tenho ervas de montanha suíça, de montanha italiana, de montanha ucraniana, ervas biológicas, ecológicas e que se lixe, ervas da provença, ervas indianas e algo que comprei no mercado negro das ervas, tenho marijuana e erva de hóstia e uma erva que mata formigas. É só contatar aqui no blogue. Obrigada.
segunda-feira
Deste alto
Parece-me neste ponto da minha vida, que estar neste ponto da minha vida e talvez por um largo tempo que há de vir, que cada vez que pensar na minha vida, vou-me sentir como num miradouro, a mirar passado e futuro de cima, como se tivesse realmente aprendido algo. Parece-me, assim de cima, que qualquer que fosse o caminho que tivesse tomado, eu continuaria a considerar este miradouro muito longe da sua ideal perfeição e, no entanto, tentando ser verdadeira, muito dificilmente teria encontrado melhor miradouro. Arriscaria a pensar que quanto melhor a minha vida tivesse sido, quanto pior seria eu hoje.
sexta-feira
Nunca mais chega
Este blogue, é provável, morreu. É um corpo santo com a podridão invísivel. Isto digo eu a fazer tempo para a fresca da noite.
quinta-feira
Ahhhhhhhh, o fresco da noite
Numa noite de Verão, sento-me aqui querendo escrever o significado de algo muito importante para mim, porque sinto-me incapaz de não fazer uma enormidade que mude destinos e percursos. E no entanto, saiem-me sequências de palavras como sequências de segundos, despidos se não por nós, pelo que lhes colamos em cada respiração. Se eu disser que me sinto feliz, daquela felicidade simples e quente com uma brisa de noite de Verão, será que empresto a enormidade que preciso à minha apoucada sequência de palavras?
terça-feira
Israel
Finalmente, o lobo já não consegue esconder o focinho na touca de avozinha. Mas foi preciso deixar a cabeça do capuchinho vermelho dentro da cama do caçador.
segunda-feira
A crise da meia-idade
Precisamos de simbologias, de efemérides, de pontos marcantes e viragens de 90 graus. Precisamos de nos levantar de manhã e em algumas dessas manhãs de nos darmos um estalo e marcar a dor um ponto, um ponto que inventamos ou a que damos importância, tipo os anos, nossos e doutros, um feriado, um golo ou um autógrafo. Diria a Igreja que é muito natural e o Sr. Presidente que é no interesse do país. É preciso o alternado dalgo ao marasmo da existência. A marcação cerrada ao que se prolonga pela linha de tempo que se esvai na morte. É preciso casar, descasar, juntar e quebrar os cacos em cacos, comprar uns brincos, fazer aquela viagem e aquela festa. É preciso chamar a alternativa e destruí-la em rotina. É preciso descansar em algo imenso como o oceano. É preciso viver e chamar-lhe vida.
quinta-feira
Quem tem prioridade?
A filha que faz anos no dia da Mãe ou a mãe da filha que faz anos no dia da Mãe?
domingo
O meu alter-ego
Não estou a sonhar. Estou na lua e vem-me esta imagem. Espero que ele se mova e talvez me mostre o caminho. Mas ele, o meu imaginado do lado de lá da minha mente, fica ali parado a olhar para mim.
Detesto a esperança
Detesto a esperança, pelo que tem de fé e expectativa. Detesto tudo o que esteja paralisado a meio tempo e meio espaço. Desprezo-me quando me apanho a mandar pedras mágicas nos ares dos meus pensamentos. No entanto, a esperança permanece impérvia aos meus ataques, como outras fraquezas não o foram. A religião foi canja, pareceu o caminho normal no processo de crescer e deitar fora as peles velhas das ideias parentais. O mesmo com as convenções sociais que me vão cuspindo na cara ao de leve quando visito Portugal e que me causam tanta mossa como a irritação leve de um mosquito norte-alemão (estes suíços já parecem ter alguma pica). Na minha ânsia por tentar chegar a qualquer pequeno ponto de ideias claras e objectivas, a porra da esperança vai aparecendo, estragando-me os cálculos meticulosamente enquadrados nos riscos da vida, aumentando esses riscos.
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