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quinta-feira

Coisas fantásticas

Nas minhas últimas andancas comprei no aeroporto o livro "The undercover economist" de um homem que nao me lembra o nome. No inicio comecei a desapontar-me, pois na contra-capa prometiam-me que após aquele livro ia comecar a ver o mundo como a Eva depois de ter comido a maca. Mas lá pelo meio até encontrei umas cenas fantásticas, que nem eu no meu cinismo me tinha lembrado de esperar. O escritor comeca a descrever a estratégia número um entre as inúmeras estratégias para as companhias ganharem o maximo de dinheiro possivel. Porque para aqueles que nao vendem só para os perdulários ou só para os poupadinhos, o desafio é apanhá-los a todos, esmifrando bem os primeiros e esmifrando o melhor possível os segundos. Como fazer isto? Nao se pode vender a mesma coisa com dois precos. Portanto, por exemplo, numa daquelas marcas tótós de lojas de café que vendem canecas de café com todas as possíveis variacoes de ingredientes adicionais, tamanhos, mistura e espuma e uma pessoa pensa que merda de tótós é que bebem café nesta espécie de loja de café pra tótós?... O que os cérebros por tras destas marcas pretendem é fazer a coisa simples, tipo café com leite, um preco, espetam-lhe uns pós de chocolate, sobe o preco, com abanamento, sobe o preco, com uma camada de nata, sobe o preco, com canela, sobe o preco, com raspas de gelo, sobe o preco. O poupadinho compra a versao simples e os perdulários podem perder a cabeca pelas versoes mais caras. Para o vendedor a diferenca entre produzir a versao simples ou as versoes "melhoradas" é misera, mas a diferenca de precos pode ir até ao triplo! As lojas de roupa com saldos: na época dos saldos eles ganham dinheiro, o intuito é apanhar os poupadinhos; na época sem saldos apanham-se os outros que se estao a cagar pros precos. Portanto, o que as marcas tentam é ter a versao simples-saldo e a versao "melhorada"-premium, poucas diferencas de producao, mas oferecidas diferentemente conforme a facilidade com que o dono da carteira a abre. O que acontece com as marcas de computadores é entao fantástica: um produto informático é desenvolvido normalmente de raiz. E desenvolve-se um produto. Contudo, para apanhar todos é preciso duas versoes do mesmo produto. Portanto, o produto base é o premium. Neste produto desligam-se funcionalidades e tem-se a versao "simples". Ou seja, eles tem adicional trabalho para produzir a versao mais barata! E por vezes nem é só desligar funcionalidades, é mesmo sabotar o produto final! Nao é o mundo da economia fantástico?

quarta-feira

the sting of poverty

IMAGINE GETTING A bee sting; then imagine getting six more. You are now in a position to think about what it means to be poor, according to Charles Karelis, a philosopher and former president of Colgate University.

In the community of people dedicated to analyzing poverty, one of the sharpest debates is over why some poor people act in ways that ensure their continued indigence. Compared with the middle class or the wealthy, the poor are disproportionately likely to drop out of school, to have children while in their teens, to abuse drugs, to commit crimes, to not save when extra money comes their way, to not work.

To an economist, this is irrational behavior. It might make sense for a wealthy person to quit his job, or to eschew education or develop a costly drug habit. But a poor person, having little money, would seem to have the strongest incentive to subscribe to the Puritan work ethic, since each dollar earned would be worth more to him than to someone higher on the income scale. Social conservatives have tended to argue that poor people lack the smarts or willpower to make the right choices. Social liberals have countered by blaming racial prejudice and the crippling conditions of the ghetto for denying the poor any choice in their fate. Neoconservatives have argued that antipoverty programs themselves are to blame for essentially bribing people to stay poor.

Karelis, a professor at George Washington University, has a simpler but far more radical argument to make: traditional economics just doesn't apply to the poor. When we're poor, Karelis argues, our economic worldview is shaped by deprivation, and we see the world around us not in terms of goods to be consumed but as problems to be alleviated. This is where the bee stings come in: A person with one bee sting is highly motivated to get it treated. But a person with multiple bee stings does not have much incentive to get one sting treated, because the others will still throb. The more of a painful or undesirable thing one has (i.e. the poorer one is) the less likely one is to do anything about any one problem. Poverty is less a matter of having few goods than having lots of problems.

Poverty and wealth, by this logic, don't just fall along a continuum the way hot and cold or short and tall do. They are instead fundamentally different experiences, each working on the human psyche in its own way. At some point between the two, people stop thinking in terms of goods and start thinking in terms of problems, and that shift has enormous consequences. Perhaps because economists, by and large, are well-off, he suggests, they've failed to see the shift at all.