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terça-feira

sequoia sempervirens

Uma sequóia é um extremo. Qualquer árvore é um marco que só nao emociona as pessoas porque as pessoas sao intrinsecamente estupidas. Mas uma sequoia é tao fora das dimensoes a que estamos habituados que até uma pessoa que para além de estúpida, cega e em coma sentirá que há algo diferente no ar*. Um manto a pingar água segurado por colunas. Um cheiro a água e verde e fresco. Caminhar numa floresta de sequóias é a magia natural de uma floresta, os sons de fundo abafados, espécie de ecos, a neblina trespassada por gotículas de água, o sol que de repente se derrama por entre a fresta de uma árvore caída. A atencao tem de ser constante. Tento ouvir um pássaro, a água no ribeiro transparente, talvez um mamífero a fugir pelos arbustos, um cogumelo de cores vibrantes a esconder-se, os meus passos no caminho curvilíneo. Há algo de prazentoso no caminhar na natureza que obviamente nos deve estar escrito nos genes. Uma floresta de sequóias tem as proporçoes de um sonho, provavelmente dá o tipo de deslumbramento que sentia o pobre campones a entrar numa catedral medieval, demonstrando-lhe em tal imensidao a grandeza de Deus na Terra. Uma sequóia possui a desfiguraçao da imaginacao. É quando a realidade é melhor que a fantasia.

* Causou-me uma certa impressao as pessoas que observei na entrada do parque, que penetraram uns passos, tiraram umas fotografias, compraram parvalhices carissimas na loja de recordacoes e foram embora. Se isto nao é estupidez nao sei em que usar o adjectivo estúpido. Mas por outro lado, se nao houvesse muitos estúpidos, a floresta propriamente dita teria de ser interdita a todos. Por outro lado se nao houvesse muitos estúpidos, talvez houvesse mais florestas. Epá, isto dá para um livro: stupidity for dummies.