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segunda-feira

Nao me digas

Sabiam que existe um vice-ministro no Irao só, somente, só para nós? Além disso, como há um texto dele no DN em linha e o portugues até nem é mau, presumo que foi escrito por ele, o que significa que há um vice-ministro no Irao só, somente, para tratar com os europeus e sabe portugues! Inacreditável. Além disso, como o texto é repetitivo e inconsequente, pode até ser que haja um vice-ministro no Irao só, somente, para tratar com os europeus e que é um cronista portugues. {É um texto "alguém telefona-me para me dizer que tem de me telefonar."}

terça-feira

A solução está no apoio às mulheres

Amara and the tens of thousands of Muslim women who support her loathe the fundamentalist vision of a "fascist-like society that has nothing to do with democracy"-and unlike many "Clash of Civilizations" blowhards, she and her friends fight against it on the ground, every day. Some of their fights are small everyday acts of defiance: "Make-up has become war paint, a sign of resistance." But many are larger: they reject the head scarf as "nothing more than a means of oppression emanating from a patriarchal society." Travel on the tube as it leaves the Muslim East End, and you will see girls peeling off their hijabs and applying makeup with heart-pounding pleasure.

Here is an authentic Islamic Reformation on the streets of Europe. Here is the development of a strain of Islam fiercely committed to democratic values. Yet those who suggest that the birth of every new European Muslim is a problem-another tick from the time-bomb-treat Amara as akin to Osama. This mind-set is (at best) a distraction from the real fight: across the continent, groups of Muslim women are rebelling in the same way against the literalist, quasi-fascist interpretation of the Koran popularized by the mullahs. Tired of being its first victims, they are creating their own liberal lived Islams as an alternative. And if this rebellion is completed, European jihadism will be left literally unable to reproduce itself.


Johann Hari

sexta-feira

Evolução do número de Interrupções Voluntárias da Gravidez (IVG) na Europa

Após a legalizaçao do aborto verifica-se o aumento do seu número, mas isto é porque se passa de uma situaçao de estimativa 'as escuras, do que nao se conhece, para a contabilizaçao real do que é feito 'as claras. Depois do salto, o que se verifica em países com a legalizaçao da IVG, é uma estabilizaçao ou descida dos abortos realizados. Ver aqui.

segunda-feira

Ai dos europeus se não forem {+}

Os israelitas afinal aprenderam a lição do Libano: destruir e sair, sair e deixar lá um tanso a tratar dos terroristas e a dar-lhes a tal zona tampão.

Os EUA já mandaram umas bocas, que não senhor, apoiam, mas não há disponibilidade.

A União Europeia está na mira. Ai deles se disserem que não. Provavelmente, primeiro vai ser pelo sentimento de orgulho como valor geopolítico militar mundial que se deve querer ser (senão é-se fracote, que isto tem de se ser sherife para se ser respeitado). Se a Europa titubear, virá o sentimento de culpa, depois, uma aposta, vai ser mesmo a chamarem o pessoal de anti-semita. {... esta última parte já é efeito da hiperventilação. É de estar pelos cabelos com este argumento.}

Respiremos. Há que pagar os erros do passado. Respiremos.

Adenda vinda do Canhoto: Pés na terra.

Comissao Europeia congela fundos para o Governo Palestiniano

no Haaretz.

Confirmação hoje após reunião dos Ministros dos Negócios Estrangeiros.

sexta-feira

Dar a voz aos muçulmanos de razão

Excerto dum artigo de Timothy Garton Ash no Guardian:

I think the British media have done exactly what they should by letting us hear the voices of Muslim extremists but setting them against moderate and reasonable Muslim voices, as well as those of non-Muslims. There was a riveting discussion on Newsnight, in which two British Muslim women calmly argued with the ranting, demagogic, but in style and accent also recognisably British, extremist Anjem Choudary, of the al-Ghuraba groupuscule. Perhaps it would have been better still if the discussion had been chaired by, say, Zeinab Badawi rather than Jeremy Paxman; but the essential point is that it provided a civilised platform on which Muslims could argue with fellow Muslims. Reporters sweepingly write of "Muslim anger" erupting across the world, but many British Muslims are as angry with the jihadist provocateurs as they are with the Danish cartoonists, as we will doubtless see in the demonstration planned by British Muslims in London this Saturday.

(...)

But the real dividing line is between moderates and extremists on both sides, between men and women of reason and dialogue, whether Muslim or non-Muslim, and men and women of hatred, such as Abu Hamza or Nick Griffin. Not for the first time in recent history, the means are more important than the ends. In fact, the means you choose determine where you'll end up.

This is not a war, and it's not going to be won or lost by the west. It's an argument inside Islam and inside Europe, where millions of Muslims already live. If reason prevails over hate, it will be because most British, French, German, Spanish, Italian, Dutch, Danish and altogether European Muslims prevail over their own extremist minorities. We non-Muslim Europeans can contribute to that outcome, by our policies abroad, towards Iraq, Iran, Israel and Palestine, and at home, on immigration, education, jobs and so forth. We can also contribute by cultural sensitivity and self-restraint, but we cannot compromise on the essentials of a free society. Offering platforms of civilised free speech for European Muslims to conduct their debate with each other, as the British media have done this week, is one of the best answers we can give to hate.


Via Lutz.

Da UE diz-se:

FRANCO FRATTINI, EU Justice Commissioner

It should be crystal clear to all that violence, intimidation, and the calls for boycotts or for restraints on the freedom of the press are completely unacceptable.

I can understand the feelings of indignation, frustration and sadness of the Muslim communities over the last few days. Such events do not facilitate dialogue between faiths and cultures.

sábado

Confrontos em Paris

Falei com um amigo francês e ele deu-me uma imagem dos causadores dos confrontos bastante similar à que encontrei neste artigo, encontrado no "A origem das espécies". Uns rufiões que gostam de rap e da cena de gangs dos filmes americanos e cada um tendo mais dinheiro no bolso que eu e ele juntos.

Andei a ler o que os liberais escrevem sobre o assunto e revejo-me na crítica à leniência dos governos europeus. Será cobardia ou consciência pesada do que fizeram nos países de origem destes jovens?

Claro que aproveitaram para criticar o sistema social europeu, mas lembro-lhes que a Alemanha tem também um sistema social pesado e nada disto se verifica. Parece-me que o problema está mais na solução urbanística encontrada para alojar a população imigrante e a demissão no policiamento e na punição. Além da cantata do "pobrezinho".

Quanto ao Islão. Duvido que estes jovens sejam islâmicos. Estes jovens não têm é valores. Nenhuns.

P.S.: O islamismo é uma religião com os seus valores éticos e morais. A nível de tolerância por outras religiões teve na prática comportamentos do maior respeito e que põem a religião cristã de joelhos a rezar por perdão sem fim. Comunidades cristãs, judias e zoroastristas foram protegidas até ao século XX. Os movimentos imperialistas na zona e a criação de Israel retiraram estas comunidades da sua existência pacata. Ainda outros aspectos que não compreendo totalmente criaram o islamismo radical. Os hábitos tribais dos povos do Médio Oriente fundiram-se com a própria religião. O desrespeito pelos direitos das mulheres tem uma origem tribal e não religiosa.

Estes descendentes de islâmicos estão entre dois mundos. Perderam os valores dos pais e não tomaram os valores da terra que devia ser deles. São uns proscritos. A culpa é provavelmente de todos.

sexta-feira

O preto, o branco e o cinzento

Os vandalismos e os confrontos da última semana em Paris são daqueles acontecimentos que me calam. Ouço os opinamentos e surpreendo-me com a capacidade de colocar tudo bem arranjadinho numa estrutura a preto e branco. A primeira vez que me dei conta do caso foi 4 dias após o início quando o vi escarrapachado no monitor da minha amiga americana. "Riots in Paris?". Aprochego-me para ler a notícia. "Yes, poor boys." Eu não disse nada porque não sabia nada e porque estou habituada a que ela tenha uma visão muito maniqueísta do mundo. A colega de gabinete dela que tem um filho adolescente mulato acercou-se e disse "At least they speak about it. Here in Germany everyone avoids to recognise the problem of police racism.", "Yes?!?" Eu completamente surpreendida. "The police can arrest someone for 1 day without charge and they do it to non white teenagers. Just because they hang around."

Cinzento, cinzento, cinzento.

A Alemanha tem um aspecto que permite que nunca se atinja o nível virulento de confrontação parisiense. Controla-se a construção de bairros que se possam tornar guetos. Não se consegue discernir à primeira bairros de maioria alemã de bairros de maioria imigrada. Mistura-se. Em Hamburgo, quando se fala de bairros turcos e portugueses é porque são os mais vivos, de pessoas, de bares e restaurantes, de cores (no Lonely Planet, um dos pontos altos de Hamburgo é ir jantar ao bairro português junto ao porto). Não há nos subúrbios desta cidade de 2 milhões e multicultural nada como os banlieues.

Um dia, andava a passear com uma amiga portuguesa (de visita) uma terrinha nos arrabaldes de Hamburgo. Iamos distraídas e quando nos demos conta estávamos num pequeno bairro de imigrantes. Fiquei surpreendida, pois era um aglomerado de casas modestas de um piso e aquelas pessoas viviam ali declaradamente separadas do resto. No campo, as crianças a brincar livres, adolescentes a compôr as bicicletas e as motos à porta. A minha amiga sentiu-se desconfortável, provavelmente a pensar nos acampamentos ciganos. Quando me apercebi também me quis vir embora. O castiço é que eu não tenho medo dos adultos, mas ponham-me uma criança de dez anos à frente e eu começo a transpirar. Isto deriva de várias experiências em que eu fui chingada por crianças ciganas e me atiraram pedras e latas. Desde aí tenho sempre o cuidado de evitar os seus acampamentos.

Cinzento, cinzento, cinzento.

Parece-me absurdo o discurso "coitadinhos destes pobres jovens, só exteriorizam a frustração perante uma sociedade que os marginaliza". Que dizer daqueles que têm vidas difíceis, mas são responsáveis e trabalhadores e até são vizinhos destes pobrezinhos e veêm o carro, que lhes custou muito a pagar, a transformar-se em sucata numa noite de "justa" revolta?

Nem preto nem branco.

Mas também é absurdo considerá-los meros criminosos. Deixar construir bairros horríveis, depósitos de pessoas, sem verde, sem espaço, sem horizontes, anónimos, sem locais para conversar, para poder construir uma comunidade, uma identidade, prisões de cimento. Ignorar, alienar e ficar muito surpreendido quando algo assim acontece e numa de politicamente correcto gritar "Pobrezinhos", ou egoisticamente gritar "Ralé".

Que tal exigir dos nossos governantes medidas preventivas de civilização? É que há pessoas que sabem e estudam estas coisas há décadas. Não são só teorias sociológicas, arquitectónicas ou urbanisticas. Qual a prioridade? Construir estádios de futebol ou providenciar condições para as pessoas viverem como as pessoas devem viver e não em gaiolas de cimento?

Além disso, apavora-me a leniência total. Uma senhora, aqui na Alemanha, contou-me que nos tribunais alemães era prática corrente dar a pena mais leve por crimes de honra. Os magistrados consideravam que era algo cultural. Eu fico fora de mim e grito: cultura não é assassínio! Cultura não é mutilação!

Os direitos humanos são independentes da cultura. Cultura é o falar, o escrever, o pintar, o cantar, a comida, os gestos, é a expressão da humanidade. Não a sua diminuição!

segunda-feira

Comentário ao "O Islão É Integrável no Ocidente?"

Comento a última entrada do "A mão invísivel" sobre a questão: O Islão É Integrável no Ocidente?.

Se no geral eu ia acenando apoiante da sua percepção, em detalhes penso que mistura alhos com bogalhos. O islamismo é uma minoria que não tem comparação com as mulheres, os negros ou os homossexuais. A discussão relativamente a estes grupos é não o de lhes dar direitos maiores, mas os mesmos direitos.

Os homossexuais terem o direito de fazerem um casamento civil tal como os heterossexuais, situação que não restringe os direitos ou o bem estar dos outros. A adopção é um caso especial, pois interfere com a vida de outro ser humano. A discussão é acesa no que concerne o melhor interesse da criança. Ouvi a opinião de um par de técnicas envolvidas em processos de adopção que me explicaram que uma criança a ser adoptada tem geralmente uma bagagem de situações a resolver no seu intímo e não só. Receia-se que a adopção por homossexuais possa constituir um fardo a mais. O busílis não está só em se uma criança precisa da figura materna e paterna para um desenvolvimento equilibrado como pessoa, mas também o peso sobre essa família invulgar de uma sociedade extremamente preconceituosa.

As mulheres precisam de apoio para que possam conjugar o seu papel de mãe e de trabalhadoras competitivas. A pena de nada se fazer a este nível está à vista na baixa de natalidade. Também não concordo com quotas.

Quanto aos negros a situação refere-se a inverter situações de racismo e preconceito que não lhes permitiu/permite criar o seu espaço de sucesso na sociedade. A criação de quotas não será a resposta em Portugal, mas a situação em Portugal ou na Europa nunca foi comparável à dos EUA, onde a segregação racial antes dos anos 60 era gravíssima, mantendo na prática os negros sob escravidão nos estados sulistas e em bolsas de desprezo no Norte. Num cenário destes a utilização de métodos de beneficiação de uma raça que vem de tão baixo na escala social poderá ser a única forma mais rápida de instalar a justiça. Mesmo assim levou 40 anos.

As mulheres e os homossexuais têm como grupo a mesma cultura, o mesmo percurso, o mesmo zelo religioso da maioria que os oprime. Os negros também são na maioria como o resto da população, com a excepção da cor da pele e um percurso histórico diferente. Todos eles só não têm as mesmas oportunidades.

A questão do islamismo é outra. Têm uma cultura e religião diferentes e pedem um espaço muito próprio para praticarem um estilo de vida diferente. Mas em situações de moderação e respeito será o seu estilo de vida incapaz de conviver com o nosso estilo de vida? Não será injusto amassar toda a comunidade islâmica no pacote cinza do fundamentalismo?

Obviamente o Ocidente deverá traçar limites. Até a tolerância tem limites e parece-me que ainda existe um um discurso de tolerância levado a tal extremo que tolera o ignóbil. Acabar com o discurso de esquerda de aceitar tudo como cultura (cortar o clítoris a meninas não é cultura, ó idiotas intelectualóides! Eu não acredito na liberdade de discursar o ódio e incitar à violência e à morte).

Pergunta se o islamismo é integrável no Ocidente. O islamismo moderado é. Vivo em Hamburgo e vejo islâmicos todos os dias e não sinto qualquer tipo de ameaça. Quando vejo as mulheres de lenço não me incomodo, se bem que ainda me questiono quando vejo as crianças de lenço ou uma vez vi uma senhora de burqa e quase me espetei de bicicleta contra uma árvore. Contei este episódio a amigos e eles observaram-me de forma estranha. Dei-me conta que me achavam intolerante. Explicaram-me que usar burqas e lenços é a cultura deles. Eu retorqui que se as mulheres o fazem por querer, eu não tenho nada contra, mas esta certeza tem de ser assegurada. Eu quero que se uma delas não quiser usar lenço que tenha a liberdade para o fazer. Eu acredito que na generalidade assim seja. Eu vejo grupos de raparigas, umas com e outras sem lenço. Há uns dias vi uma mulher deslumbrante na rua. Usava lenço e um manto-vestido que esvoaçava à volta do corpo elegante. Os sapatos eram de salto alto e acentuavam o porte orgulhoso e seguro. A sua beleza natural parecia acentuada por toda uma aura de exotismo e afirmação silenciosa. Talvez eu me engane, mas no seu rasto não havia subjugação, mas somente uma escolha.

Hoje a grande questão do islamismo na Europa é a sua colagem a uma entidade transnacional de morte. Esta organização, como se concluiu nos últimos ataques a Londres, atrai com sucesso jovens de segunda geração, aparentemente bem integrados, bem educados e de classe média. Que laços de lealdade os levaram àquela acção? Eu não descarto problemas de desajustamento que jovens de outras origens étnicas resolvem geralmente em estróinices.

Concordo que o Ocidente deve EXIGIR a secularização do Islamismo no seu seio (fora também seria desejável, mas aí são outros quinhentos). Caso isto não se verifique então... Então também concordo que o futuro será um incógnita triste.