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segunda-feira

O discurso do Papa

Nao estava para escrever sobre este assunto, mas como eu fui uma bloguista que se revirou por aqui a defender a liberdade de expressao na altura dos cartunes dinamarqueses, achei por bem defender que nao e' por ser o Papa que nao ache que ele pode escrever o que lhe da' na veneta. E arcar com as consequencias. Os muculmanos tem todo o direito de lhe pedirem explicacoes e dizerem-lhe que estao ofendidos. O problema e' que nao param ai'. Ameacam com violencia e usam a violencia. Nao ha' pachorra para esta gente.

O mais interessante do discurso nao tem nada a ver com a citacao do Papa. E', na verdade, completamente acessoria. Uma entrada, que o Papa podia ter dispensado sem beliscar o amago. Ele podia ter citado so' a parte que realmente importava que era "nao agir com a razao e' contrario 'a natureza de Deus", sem salientar dicotomia nas religioes. E' este o ponto de partida para um texto em que ele expoe a sua tentativa de demonstracao de que a religiao Crista tem, desde os seus primordios, um nucleo de razao. Ate' chegar a outros pontos: de que a ciencia como mera busca tecnica e' uma reducao do ser humano e como disciplinas como a teologia, tal como a filosofia, tem um lugar importante nas universidades, para uma melhor exploracao do espectro do conhecimento. Isto muito por alto.

Os muculmanos podem-se chatear, porque nesse excerto acessorio e noutras duas tangentes no texto, os seus seguidores sao sempre os nao razoaveis. Para dar exemplos de irrazoabilidade o Papa nao precisava de ir buscar os muculmanos e para usar o livro que ele anda a ler, ele nao precisava de frisar que o Manuel II achava que o Mohammed so trouxe coisas mas. Meteu-se no fogo para nada, a nao ser que ele ache piada em andar a aquecer os dedos.

Eu gostei do discurso. Principalmente porque andava a tentar perceber o que o Joao Miranda andava a tentar dizer sobre o evolucionismo e foi um eureca. Nao estava era 'a espera que fosse o Papa a iluminar-me.

quinta-feira

A merecer atencao:

via Linha dos nodos, afastamento de tecnicos na Oficina de S. Jose.

Para la' da nota do autor da Linha dos Nodos eu saliento esta parte do texto do DN: "As profissionais queriam corrigir "defeitos na orientação", considerando a direcção que "elas estavam a intrometer-se em demasia na vida interna"."

Esta atitude de instituicoes de orientacao religiosa de que eles e' que sabem e nao tem nada a aprender, e' para mim perturbador e preocupante. Se estivessemos a falar de hostias nada a apontar, mas estamos a falar de criancas. Teoricamente os srs padres sao as melhores pessoas do mundo, na pratica eu, pessoalmente, nunca conheci pessoas mais preconceituosas. Pessoalmente, eu veria o afastamento de padres e freiras do processo de educacao de criancas, como um sinal luminoso.

sexta-feira

Consequentemente

Apesar da boa lavoura a gente do povo é muito pobre e o motivo está à vista quando ao longe se avista a cidade [Coimbra em 1798]: a quantidade de conventos e igrejas.

Em Notas de uma viagem a Portugal e através de França e Espanha, pág. 193, de Heinrich Friedrich Link, Biblioteca Nacional, Lisboa, 2005.

Insanidade...

... diminui entre a população masculina portuguesa.

quarta-feira

Os Srs. padres das Oficinas de S. José

Relativamente à tragédia da tortura e assassinato da Gisberta, os srs padres ligados ao caso dizem que:

A Oficina de S. José, Porto, assume apenas «responsabilidade moral» no homicídio de um sem-abrigo em que alegadamente estiveram envolvidos 11 dos seus 68 internos

«não era de todo previsível que uma situação destas pudesse ocorrer».

Lino Maia disse que foi «a falta de projectos de vida».
«Se nas famílias há problemas, numa instituição com 68 jovens essa probabilidade aumenta», acrescentou.

instituições como a Oficina de S. José «não estão vocacionadas para jovens com antecedentes criminais»


O que os qualifica como parvos e incompetentes.

Os Srs. padres estão tão preocupados em desculpar-se que são incapazes de fazer o mea culpa. As consciências dos padres não me preocupam, mas preocupa-me que não analisem cuidadosamente o que está mal e como evitar que nova tragédia ocorra. Para os Srs. padres a culpa é da vítima, por ser quem é, e dos agressores que são uns criminosos e os padres coitados, não estão aptos a lidar com pecadores. Benza Deus.

Os Srs. padres são uns simples e só estão aptos a encarregar-se de anjinhos. Como anjinhos só no Além, penso que se deverão guardar para depois da morte, para andarem a brincar aos educadores.

Vamos lá a pensar: se tivéssemos que arranjar alguém para tomar conta de filhos adolescentes para serem equilibrados elementos da sociedade iriamos incubir a sua educação a senhores que se dedicam ao recalcamento? Que acham que formar uma família diminui a sua capacidade de entrega a Deus? Poderia dar muitos mais exemplos de que eles, por princípio, não têm os parafusos todos no lugar, mas fiquemos por aqui. Estou a pensar em jovens sem traumas. Agora imaginem com a carga que aqueles miúdos têm. Famílias disfuncionais, maus-tratos, negligências, falta de amor, etc.... Não é com fé e rezas.

Pessoalmente sou de opinião que tendo em conta as reacções dos devotos membros da igreja após a tragédia, se pode concluir que não são confiáveis para tomar conta de crianças e adolescentes. Realço .

sexta-feira

Mariano Gago

Este senhor é um excelente ministro, inteligente, dinamizador das universidades e da investigação portuguesa, com bom senso, de pés assentes na terra e com objectivos cumpridos. Tem a minha admiração e não esperaria dele mais do que isto.

Os padres irritam-me tanto, pior que melga. Os senhores façam o favor de se cingirem à homília! Chaguem os católicos, deixem o resto do pessoal ser feliz à sua maneira. Que chaga!

Pobres santos

Há ironias sublimes e deliciosas. Ver a estátua de um santo (Sto António ou S. José, o menino nos braços) no jardim de um colégio de freiras envolvido em luzes como uma mera árvore de Natal foi uma imagem interessante. O paganismo subjuga a religião cristã no seu próprio domínio.