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sábado

A cruz de ser portuguesa no estrangeiro

A proxima pessoa que me perguntar sobre o Cristiano Ronaldo vai receber o meu afamado olhar de arrogante-pila-grande-mamas-farfalhudas-seu-mentecapto.

P.S.: Isto sem qualquer juizo mau sobre o Cristiano. Mas presumo que o Cristiano ia fazer o seu afamado olhar fodas-mas-wat-the-fuck-dizes-tu-meu-cabrao, se lhe perguntassem sobre a minha pessoa.

P.S.2: E tambem nao sou especialista em peixe!

P.S.3: A piada sobre bigodes... Ah ah ahaaaaa zzzzzzzzzzzzzzzzzz.. Chatinha... Nao dava para inventarem outra?

Se nao sabem: em que dia e' que se vendem mais maquinas de barbear em Portugal? O dia da mae!

terça-feira

Comecando um poste sobre regras

Na sociedade portuguesa é suposto nao cumprir as regras. Nao é síndrome do portugues, mesmo que o portugues nao queira ser chico-esperto, o portugues tem de o ser porque as regras estao feitas para isso. Faz-me lembrar uma frase que ouvi em miúda, talvez nao tao miúda, que ficou-me gravada, que era "Portugal tem das melhores leis do mundo." É claro que quando se poe mundo numa frase já se está a errar. Quem pode saber do mundo? Mas imaginemos que é verdade. Melhor como? Nesse dia em que ouvi essa frase e a boca se fez num O (uau, temos as melhores leis do mundo), tirei a conclusao: "a culpa é do portugues, que tendo das melhores leis do mundo, nao as sabe usar". Vinte anos depois a conclusao que eu tiro é outra: "essas leis nao sao para pessoas, nem para a vida que as pessoas fazem, sao para um ideal de pessoas e para um ideal de situacoes que vivem na cabeca de quem faz as leis".

quinta-feira

Proibido assumir

Eu sou como a Sarah Palin: from a small town with small town values. Nessa aldeia com valores de aldeia existe tolerância por comportamentos, como dizem, fraturantes. Mas há um limite e esse limite é, como dizer, pavonear esses comportamentos. Um padre pode, na maior, ter filhos, mas chama-lhes afilhados, um homem pode bater na mulher, mas tem ser dentro de casa (este é a fratura literal), um homem pode ter uma amante, mas não pode andar com ela à frente da esposa, um homem pode dormir no trabalho, mas não pode ressonar (piadinha), um como dizem, paneleiro pode ser paneleiro, mas não pode apresentar-se paneleiro com outro paneleiro. Dos inúmeros comentários que eu leio e ouço, eu concluí que a mentalidade da aldeia é algo generalizado e de uma forma, que podem considerar perniciosa, é-me divertido ver esses valores com que cresci, serem expressos por pessoas educadas, como a Maria José Nogueira Pinto dizer que a gente já tolera os homossexuais. Sim, claro que sim, há centenas de anos, na lei de que não o assumes. Aí já é intolerável.

quinta-feira

Cá está:



Obrigada amiguita que não vai ser nomeada.

quarta-feira

Como lidar com os problemas

Um amigo meu enviou-me um daqueles emails de comparaçao entre culturas, neste caso a chinesa (vermelho) e a alema (azul). Os políticos portugueses sao mais parecidos com quem?

segunda-feira

Certitude

Uma das melhores coisas na Alemanha é a respeitabilidade de se ser honesto. Em Portugal, ser honesto é ser papalvo. Só é roubar tirar de um indivíduo. O Estado é uma árvore que importa pilhar. Quem nao pilha é parvo. O que quer que se faça em Portugal dá sabor amargo, ser honesto e ético é amargo e ser desonesto e nao ético é amargo. Na Alemanha, as pessoas sao rectas e se bem que isto possa ser irritante, quando demasiadas rectas se tornam paralelas ao senso-comum, pelo menos há uma clareza de proposito e de aplicacao. 2+2 sao quatro.

Outra face do prisma portugues, é a capacidade que existe socialmente de ver o cisco nos outros, enquanto a cavaca está espetada num dos olhos.

Há uns dias estive com uns portugueses e depois de se terem queixado da corrupçao, dos interesses, dos nepotismos, passaram á parte em que me contaram as suas pilhagens individuais. Eu nao digo nada, calmamente vivendo a certitude deste espectáculo. Obviamente, eles acham a Alemanha o exemplo a seguir. A minha mae continua a criticar-me a falta de amigos portugueses. Em minha defesa, a certitude cansa-me. A minha quota está completa.

Tenho amigos desonestos, mas eles nao me fazem discursos de padre virgem. Dava um certo jeito para eu suportar os portugueses que acabo por nao conhecer.

P.S.: Os italianos e os portugueses sao aparentados na sua especial lógica.

Querer ler e nao poder

Eu leio muito, mas como vivo na Alemanha e porque a outra lingua que domino é o ingles, leio principalmente autores anglo-saxonicos. Alem disso, leio muita nao-ficcao na area da ciencia, cujos novos titulos sao em ingles. Mas por vezes tenho saudades do portugues e dou umas olhadas pelos novos lancamentos na internet, o que significa ir aos sitios de certas editoras e ver o que tem na seccao novidades. Nao e' uma actividade deslumbrante, ja' que as descricoes dos livros sao muito pobres, mas e' estilo miseravel ir ver montras de lojas dos trezentos. Enfim, que fazer quando nao ha uma livraria on-line que me de o prazer de comprar livros e autores portugueses na boa. Alem disso, nunca encontrei uma boa revista de recensoes literarias em Portugal. O mais desconcertante e' que ha' cinco anos havia uma livraria on-line com base em Aveiro, que foi fechada, segundo os donos, porque uma livraria on-line seria ilegal (estou a tentar lembrar-me do nome e nao consigo e infelizmente ja' deitei para o lixo todos os contactos que tive com eles). Este isolamento da lingua, quando se vive no estrangeiro, deixa-me por vezes bastante zangada. Da' mesmo vontade de ser de outra nacionalidade que tornasse mais facil poder ler com facilidade o que se publica na nossa lingua. E' chato invejar os franceses, os ingleses, os chineses, os italianos, os espanhois e os turcos.

Neste deserto, fiquei excitada com a noticia de uma livraria on-line com a oferta de milhares de titulos, a byblos. Uma desilusao enorme. Tenho la' ido todos os dias ver se ja' puseram aquilo a funcionar e nada. Vamos a ver: eu nao escolho livros raros. Enfim, tudo na mesma. Tudo sempre na mesma na Tugolandia. E' triste ser portugues.

P.S.: Ainda me lembro quando vim para Hamburgo dizerem-me que ha' uma comunidade importante de portugueses e que bom e que sorte. Culturalmente nao se nota nada. O resto nao me interessa.

sexta-feira

Sacos de plástico

Um ano comecou de aluviao. Quando as aguas já tinham assentado, apanhei o comboio para Sul. Perto de Coimbra, o comboio amainou e pelas janelas o céu era de chumbo e prata, a água espalhava-se aos pés da ponte e as árvores mostravam nos ramos decoracoes que lembravam o Natal, talvez por aproximacao temporal ou preconceito ideologico. Sacos de plástico. A paisagem era muito bela: os campos inundados e o céu incrível reflectido nas águas. Os plásticos entornavam incongruencia. Dei-me conta que havia turistas estrangeiros na minha carruagem, que tiravam fotografias com a ansia da captura. No filme "Auf der anderen Seite", um personagem senta-se á beira-mar, só se ouve o quebrar das ondas. Permanecemos minutos, vários, ele a olhar o mar, á espera de alguém e nós a olhá-lo a ele e ao mar e á história que acabamos de ver. Daí vem do lado esquerdo a rebolar um saco de plástico. A incongruencia provocou risos na sala.

Mas haverá paisagem moderna que para ser congruente possa nao ter um saco de plastico?

Na Alemanha, o normal é pagar os sacos de plástico. Há mercados por todo o lado, coisas tipo Lidl ou melhor, mercadinhos turcos, e as pessoas vao de cestos de verga, de mochilas, de sacos de pano e compram pequenas quantidades. É até normal saltar de mini para mini, porque num vendem isto, mas naquele vendem aquilo. Mesmo quando sao grátis, eu nao aceito sacos de plástico. Nos EUA tive a impressao que acabaram por me conhecer no hipermercado, pela minha recusa de usar sacos de plástico, pois a certa altura já dispunham os artigos sem os meter nos sacos como faziam com os outros clientes. Quantidades enormes de sacos, por vezes um item por saco, como em Portugal (nao se pode juntar o azeite ao shampoo, senao sabe-se lá que criatura hedionda surgirá do contacto). Estais tao mal habituados que mete impressao.

quarta-feira

Sem meio

Tenho-me desleixado na actividade mais importante de um blogador: citar o que os outros dizem, fazendo-o nosso. Pode ser porque queremos chamar a atençao, porque queremos discordar, comentar ou porque concordamos tanto, tanto que dói.

Aqui fica: "Dá ideia que Portugal oscila entre o doutorado e o analfabeto. Falta aqui um estado intermédio, entre a mera sobrevivência e a grande teoria capaz de colocar Portugal no futuro distante, que nos permita perceber o que é prático e útil em cada momento."

Quando andava no liceu, chegava-se ao nono ano (se se chegasse) e ia-se trabalhar e aprender o mister a fazer. Os que continuavam a estudar era para ir para a Universidade. Ninguém nos perguntou se queriamos aprender a fazer, o que me leva a pensar que nao havia/há escolas profissionais. Aprender a ser mecanico, a ser costureira, a ser trolha, a medir o pH da água. Aprender a fazer, em vez de só aprender termodinamica, a revolucao industrial, a fisica de Newton, os átomos e pensar no assunto. Uma vez passei os olhos pelo programa de um curso num politécnico. É uma cópia mal-amanhada da Universidade. Uma pessoa sabe que devido aos níveis educacionais do antes do 25 de Abril, houve/há o culto do senhor doutor. Este senhor doutor nao faz, pensa, planeia. Agora Portugal é o país de pessoas que nao sabem fazer e pessoas que planeiam e estudam, mas nao fazem (e provavelmente sabem como fazer, mas nao fazer). Portanto, o que é feito, é mal-feito, mas há muitos estudos de como fazer. Há algo na minha teoria que nao encaixa: porque é que nao há filósofos portugueses? Sou distraída ou a filosofia é afinal uma disciplina prática?

domingo

Porcalhice

Estou-me aqui a rir com os postes sobre a ASAE fechar um boteco qualquer em Lisboa. Tanto o que tem pena de nao poder entrar num estabelecimento em que os pes se lhe colem ao chao, como ao que grita salmonelas. O que chora a alma portuguesa da taberna encardida e o que acha que a alma portuguesa devia ser sermos menos portugueses. Os portugueses tem uma certa piada, pois sao paranoicamente limpos em certas coisas e hiper-porcos em outras. As coisas em que sao limpos sao eles proprios. Tudo o que e' compartilhado com os outros pode descer 'a pocilga. Assim, um senhor a cheirar a alfazema pode sem problemas entrar num restaurante a tresandar a oleo rancoso e a harmonia do seu estomago nao se descompoe. Vao nos seus carros reluzentes a atirar lixo pela janela. A vivenda e' vizinha do entulho. Um corredor todo aparelhado na seccao desporto do centro comercial corre ao longo do engarrafamento. Nao sei bem como, mas as pessoas parecem viver na ilusao de viver em bolhas de limpeza. Por muita merda que atirem para fora, a merda nunca lhes ira' resvalar para dentro da bolha. Por falar nisso, preciso de tomar banho.

quinta-feira

Tolerancia (revisto)

Sempre me irritou a mania dos alemaes relativizarem os direitos humanos 'as culturas de proveniencia das pessoas. Portantos, se uma mulher vem de uma cultura em que se usa burqa, a violencia é nao usar burqa. Tudo bem. Mas e se a mulher nao quer usar burqa? Aqui o raciocínio deles curto-circuita.

Agora já sei como resolvem o curto-circuito ao mais alto nível. A lei alema é só para os alemaes de origem alema. Os outros sao outras culturas e temos de ser tolerantes com as outras culturas. Temos disto: violencia doméstica permitida para alguns, os outros, que a gente até nem gosta, mas tolera.

Mas nao se riam. Em Portugal, tolera-se que todas as mulheres levem nas trombas. Porque a violencia doméstica só o é de forma continuada e grave. E depois cada juiz faz o que quer com as palavras "continuada" e "grave". E a cultura em Portugal é de igualdade na tolerancia 'a violencia contra as mulheres.

sexta-feira

Hjärnsläpp*

Os tugas quando se deparam com a Suécia lembram-me alguém que quer viver num hospital. Ficam tão maravilhados com a imagem limpa do local, que se esquecem da doença que acompanha o viver em estado asséptico.

* sueco para curto-circuito mental

terça-feira

Mentalidade no séc. XXI em Portugal

Mas ok, se virmos por outro prisma, se virmos a mentalidade para com a mulher, que pode estar por detrás de um nao, entao tem razao. E aí nao sei se entramos no século XXI ou se ainda o estamos só a espreitar.

A semana passada, Daniel Serrão contribuiu com um pequeno texto para o DN, onde explicava o seu “não” à pergunta do próximo dia 11. Escrevia ele que após o referendo estaria ao lado das jovens para as ajudar a ser mais responsáveis com a sua sexualidade. Não se sabe se Daniel Serrão se referia às jovens que exploram a sua sexualidade sozinhas ou às jovens que exploram a sua sexualidade com outras jovens, sendo que, em qualquer dos casos, não parece alguma delas corra sérios riscos de assim engravidar. Com efeito, se o médico se queria referir às jovens que devem ser mais responsáveis com a sua sexualidade porque podem engravidar, como estas não engravidam sozinhas, nem umas com as outras, é óbvio que se esqueceu de um elemento importante nesta equação e que são os jovens.

Por vezes, pequenos detalhes como este revelam toda uma forma de pensar o outro, que, neste caso, é a mulher. Esta boa vontade de estar ao lado das jovens e de encarar as mulheres que abortam como vítimas, que convive, aparentemente de forma harmoniosa, com a atribuição de um ónus de culpa, revela uma forma, tão cara à Igreja Católica, de ver a mulher como um agente do mal. Umas vezes perfidamente consciente desse papel; outras ingenuamente seduzida por algo que não consegue compreender bem. Mas, sem dúvida, um agente do mal.


Miguel Silva

Caso de estudo: as pessoas felizes sao intrometidas

Parlamento dinamarquês apela ao "sim" no referendo em Portugal



No artigo Why danes are smug: comparative study of life satisfaction in the European Union.

Se tem preguiça de ir ler eu digo-vos a razao dos dinamarqueses serem os mais satisfeitos: sao optimistas, satisfeitos com o que tem. Agora reparem bem a "pole position" dos portugueses. É que só reclamais!

sexta-feira

Eu desisto

do país que tendes.

p.s.: permisso, que eu vou ali ter um ataque de raiva.

O direito de, em Portugal, só ter de saber portugues

Se passarem pelo aeroporto de Faro e virem umas máquinas de pagamento do parqueamento vandalizadas fui eu. Nessas máquinas, as instruçoes vinham somente em duas línguas estrangeiras. Eu adicionei o portugues. Isto nao é o único exemplo nos Algarves. Eu considero que, em Portugal, um portugues tem o direito de nao ter de saber mais do que portugues nas lides diárias. Aviso já a Província do Algarve: para a próxima levo um marcador melhor e mais difícil de lavar. E se me lixam muito começo a riscar por cima das instruçoes em ingles.

quinta-feira

Informaçao?

Eu vou lendo sobre a má qualidade dos telejornais, mas ainda assim, pouco habituada a ver televisao, fiquei boquiaberta que as vezes em que calhou ve-los em Portugal nao ter sabido nada de nada sobre tudo. Eu só me apercebi que eram telejornais porque havia alguem a introduzir os segmentos de qualquer coisa indefinida, entre fofoca e apontamento sociológico. Neste momento que estou a tentar lembrar-me de algo desse nada, só me lembro de uma senhora do jet-set (tinha um daqueles nomes de Pipi) a mostrar-nos que tem um Natal como todos os outros, esses outros com nomes totalmente banais e sem ponta de humor.

Fazer é comprar

Discordo. Passei uns breves dias na mae-nave e parece-me que em Portugal fazer é comprar. Ler é simplesmente esquisito. Uma sociopatia manienta. A nao ser que seja algo do Rodrigues dos Santos.

P.S.: dos que leem no wc pareceu-me coerente que lessem o expresso. Contudo, a minha amostra nao é de forma alguma exaustiva e inclui-me, o que limita enormemente conclusoes definitivas.