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terça-feira

Caso de estudo: as pessoas felizes sao intrometidas

Parlamento dinamarquês apela ao "sim" no referendo em Portugal



No artigo Why danes are smug: comparative study of life satisfaction in the European Union.

Se tem preguiça de ir ler eu digo-vos a razao dos dinamarqueses serem os mais satisfeitos: sao optimistas, satisfeitos com o que tem. Agora reparem bem a "pole position" dos portugueses. É que só reclamais!

sábado

Cuidado com a Petição

Anda pela internet uma petição de apoio ao jornal Jyllands Posten.

Chamo a atenção que este jornal tem como linha editorial a publicação de artigos racistas e xenófobos. Ao assinarem a petição estarão a dar implicitamente o apoio a esta faceta do jornal.

Eu apoiei o posicionamento que pretendia defender o princípio da liberdade de imprensa. Eu congratulei-me com a decisão de outros jornais de também publicarem os cartoons. Seria injusto abrir excepções para uma religião e seria perigoso tornar todas as religiões não censuráveis e não criticáveis. Mas esta luta era por um valor: a liberdade.

Eu adoraria que o caso dos cartoons tivesse dado azo à discussão da responsabilidade que vem com a liberdade (como a Helena tentou desde o início), da complacência para com as comunidades muçulmanas na Europa (parece ser a tendência dos alemães), por um lado, e por outro, a reacção perniciosa de apoio a governos que tomam medidas xenófobas e chauvinistas (o caso da Dinamarca). Contudo, os protestos extremos de países tecnocráticos do médio oriente enrijeceu-nos na posição defensiva.

Quando a situação amainar (sabendo que infelizmente qualquer pedagogia perdeu-se nesses países) é altura de discutir os outros pontos. Não saltar em rebanho para a parvalheira de apoiar outros extremos também perigosos. A febre foi alta, mas é altura de reavermos a claridade de pensamento.

Os jornais poderiam agora usar essa liberdade de imprensa e mostrar o que é hoje a Dinamarca.


Boa parte da terceira página do meu jornal diário (Süddeutsche Zeitung) é dedicada hoje ao problema da xenofobia nesse país [Dinamarca].
Um exemplo: para poderem casar, os estrangeiros são obrigados a ter ambos pelo menos 24 anos de idade, um apartamento conveniente, rendimentos suficientes, 7000 euros num Banco e "em conjunto, uma relação mais forte com a Dinamarca" que com qualquer outro país. Bolette Kornum, uma dinamarquesa que foi viver para o Egipto em 1999 e casou com um egípcio, viu-se impedida de voltar para o seu país, em 2003, porque "o casal tinha uma relação mais forte com o Egipto que com a Dinamarca". É a lei.

quarta-feira

Something is rotten in the state of Denmark.*

Cara Helena,

a minha noite ontem foi passada no contraditório.

Encontrei-me com um conhecido dinamarquês, indignada, ruborizada, na defesa da liberdade. Imagina se queres, gadelhas e cuspo pelo ar.

Abrunho, senta-te. A Dinamarca é hoje um país racista. Os dinamarqueses maioritários continuam a ser boas pessoas, cordiais com aqueles que conhecem, sejam eles estrangeiros ou dinamarqueses culturalmente diferentes. Contudo, estão abertos a políticas xenófobas que os protejam da ameaça sentida de uma massa humana, que eles visualizam desconhecida e abstracta.

O apoio a políticos xenófobos e os consequentes acção e discurso está a criar tensões sociais graves. Pelo menos 5% dos dinamarqueses são muçulmanos. Além disso, adiciona os imigrantes. Além disso, adiciona outras comunidades também visadas.

O jornal em questão - Jyllands-Posten - tem como linha editorial a publicação de artigos racistas e xenófobos. Depois da Kristallnacht (este jornal é velhinho) publicou que os alemães tinham exagerado um pouco, mas era compreensível a sua animosidade contra os judeus.


Mas eu li que tudo começou porque um escritor queria contratar ilustradores para um livro seu sobre Maomé e ninguém aceitou porque temiam represálias. Assim, este jornal tomou a iniciativa de congregar um conjunto de cartoonistas e publicar os seus trabalhos figurando Maomé.

Mas então eles não tinham medo de represálias?

?

Se tivesse sido uns cartoons num jornal que não o Jyllands-Posten a questão não teria atingido estas proporções. Além de que esta é a gota de água numa cadeia de provocações.

Mas não é um exagero fazer ameaças de morte?

Houve exagero. Mas atenção, que os que ameaçam de morte são uns poucos. Não podes considerá-los como representativos. Utilizando o palavrar do próprio Jyllands-Posten: houve exagero, mas não será compreensível a animosidade da comunidade islâmica para com os dinamarqueses? Dentro de portas o tom é de provocação, fora é o apoio da beligerância. Não é a liberdade que está em perigo na Dinamarca.



Quando falo de liberdade falo de uma óptica europeia porque essa é a minha origem e vivência. Eu gostaria que ela fosse universal. Tento tido a sorte de viver na liberdade, considero-a um dos maiores bens. Não conoto a liberdade com respeito, conoto-a com fundamental. Merece que se lute por ela, não pelo facto de ser nossa, pois a liberdade não se possui, mas pelo direito do seu usufruto.

Fica bem. Gosto de te ler.

abrunho



* Hamlet, Shakespeare, Primeiro Acto, Cena 4