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terça-feira

Apontamento

O país da banda larga.

Pena de morte em Portugal

Portugal foi o país pioneiro na abolição da pena de morte. A última execução por crimes civis foi praticada em 1846 em Lagos.

Seis anos depois, durante o reinado de D.Maria II, a pena de morte foi abolida para os crimes políticos.

Em 1863 foi apresentada em debate parlamentar uma proposta que defendia a abolição da pena de morte, a extinção do ofício de carrasco, assim como a extinção da verba inscrita no Orçamento de Estado de 49,200 reis para o executor.

Quatro anos depois desta proposta ter sido apresentada, a pena de morte foi abolida para todos os tipos de crimes, com excepção dos militares, mas em 1 911 também estas ficam abrangidos pela abolição.

Contudo, em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial, a pena de morte foi readmitida e só voltou a ser abolida definitivamente para todos crimes em 1976, há 30 anos.


Não sabia do último paragrafo. Estou um pouco combalida. Estão a imaginar os carrascos a fazer manifestacoes em 1863? Aniquilacao de toda uma classe profissional! Com tanto material para um filme...

Pois

Em defesa da família, Portugal resiste

Em Espanha, foi dada a guarda da primeira criança a um casal gay que se candidatou para adoptar. Felizmente, por cá ainda há valores. Nenhum miúdo é entregue a casais transviados. Ficam na Casa Pia e nas Oficinas de São José.


Daniel Oliveira

quinta-feira

O Mexia foi ver a peça "O estado da nação"

Não sei exactamente qual é o estado da Nação. Creio que não se recomenda, porque nunca se recomenda. Sei que teremos mais dois anos e meio, talvez seis e meio, disto. De socialismo sem cafeína, com um tecnocrata colérico mas reservado. De bloquismo bloqueado, entre o desengravatamento e o aburguesamento. De comunismo igual a sempre, barroco na linguagem maniqueísta a descambar para António Aleixo. De uma direita que não esconde algum contentamento por ver a esquerda fazer o seu trabalho sujo, enquanto se mantém aninhada entre o apagamento de Mendes e as Equipas de Nossa Senhora de Ribeiro e Castro. Não sei exactamente qual é o estado da Nação. Mas creio que não se recomenda.

Plano Nacional de Leitura

Eu desconfio que este seja um daqueles documentos com frases falhas de sentido prático, idealismos insuportáveis em quem governa e tem de definir prioridades, que tem de ser responsável na gestão de dinheiros públicos com eficiência.

Em vez de mirabolismos pirotécnicos de boas intenções eu gostava de saber algo muito simples, muito básico: as escolas têm livros? As escolas têm bibliotecas que os professores possam usar para estimular a leitura? Ou que um espírito mais curioso possa explorar? Como querem que as pessoas leiam, se os únicos livros que folhearam na sua vida têm títulos como: Bíblia, Salmos, Geografia, Língua Portuguesa, Lista telefónica, etc. As revistas e jornais chamam-se: Bola, Record, O Almanaque, a Maria, a Helena e a Vanessa?

Eu sei que agora com os hipermercados e os centros comerciais a situação melhorou. As pessoas vêem lojas que, maravilha das maravilhas, só vendem livros! Os hipermercados vendem livros em conta. As pessoas não lêem obras-primas da literatura, mas começaram a ler. O que é fantástico. Só que claro os intelectuais já se queixam que se lê porcaria. E o que é que os intelectuais fazem? Aceitam pertencer a uma comissão para o incentivo à literatura quando não acreditam minimamente no que estão a fazer. Dizendo algo assim:
"Não vale a pena o voluntarismo, é inútil, ler sempre foi e sempre será coisa de uma minoria. Não vamos exigir a todo o mundo a paixão pela leitura", afirmou, caracterizando o facto de pertencer à comissão de honra do plano como "uma fatalidade, como as bexigas", decorrente do seu estatuto como vencedor do prémio Nobel.

Com intelectuais destes pode-se fazer um bom gaspacho. Neste ponto eu nem coloco em questão o que o José Saramago diz (acho que há mais disparate que acerto), mas a inconsequência e até irresponsabilidade de pensar assim e pertencer à comissão!

Usem o dinheiro para equipar escolas com livros. O meu liceu não tinha uma biblioteca! Bem, a minha cidade não tinha uma biblioteca. Bem, a minha cidade não tinha uma livraria! Acontece que existiam livros em minha casa. Foi a minha sorte na vida. Há casas sem livros e o outro local em que se pode descobrir o livro é na escola. Que os livros não estão só cheios de coisas para estudar e exercícios. Nem todos hão-de ter a paixão da leitura, mas não é preciso estarmos todos apaixonados. Muitos verão o livro como algo normal na sua vida e alguns poderão detestar ler. Eu penso que muitas pessoas não lêem porque nunca se habituaram a ver no livro algo mais que um compêndio.

Eu às vezes perco a esperança com estas elites alienadas. As que dizem que lêem (clássicos, obviamente) e as que dizem que governam.

P.S.: Podia-se pôr a comissão a fazer a revisão ortográfica dos jornais e revistas mais lidos. Para lhe dar uma verdadeira utilidade. Ah, pôr multas aos textozinhos que passam em rodapé na televisão. 10 Euros o erro. Ao fim de um mês dava para comprar uma data de livros. Livro a livro enche a biblioteca o papo. Este tipo de angariação de dinheiro para livros é ridículo? Ainda que fosse ridículo, provavelmente o meu plano teria mais hipóteses de efeitos práticos do que o proposto. Gato escaldado de água fria tem medo, ou seja, já tenho anos suficientes para não acreditar em planos baseados em boas intenções e coadjuvado por intelectuais.

Actualização:

Ora muito bem, assim por atacado parece que vão:

1) fazer publicidade
2) fazer promoções (não os saldos)
3) fazer formação
4) fazer um sítio da internet para ensinar os professores, os bibliotecários, educadores, mediadores, animadores e eventuais voluntários a publicitar, a promover e a formar.

No meio disto, presumo, andarão livros reais, com páginas, frases e letras. Se calhar a fase de equipar as escolas de livros já passou. Afinal, eu saí do liceu há treze anos. Mas duvido...

Já estou a imaginar o Figo de oculinhos, com um livro na mão e a dizer ao maralhal que ler faz bem aos ossos. E a Catarina Furtado de lábios rechonchudinhos a declamar um poeminha da Sophia de Mello Breyner Andersen entre a telenovela das 5 e das 6. Quantos livros se compram pelo preço de um spot de publicidade?

Ah, vão apoiar blogues sobre livros e leitura. Será que se eu me candidatar me pagam alguma coisinha? Há uns livros na minha lista que eu queria comprar. Eu comprava e depois publicitava aqui. Não sei se os iliteratos lêem o meu blogue, mas eu de certeza ficava a ganhar. Pelo menos eu, em vez de ser só os gandulas das agências de publicidade. Escrevi gandula porque acho que é uma palavra pouco utilizada para denegrir e quero começar a educar o povo iliterato que anda pelos blogues. A palavra de hoje é gandula. Querido iliterato, quando não se sabe o que uma palavra significa vai-se a um livro chamado dicionário. Como estamos na internet, eu dou-te a ligação a um dicionário on-line. Internet e on-line são palavras em inglês. Dou-te também a ligação para um dicionário de inglês. Não sabendo inglês és um analfabeto on-line e esse é outro programa. Este é só para iliteratos. Que segundo percebi, não percebem o que lêem, portanto não deves estar a perceber nada e já te bazaste. Vou fazer o mesmo.

P.S.: Acho até uma injustiça irónica que os senhores da publicidade e da informática fiquem a ganhar com isto. Essas duas tribos que escrevem textos que nem são português nem inglês. Deviam ser flagelados no Terreiro do Paço quando escrevem para pessoas de bem como eu. Esses selvagens fazem-me sentir uma iliterata, só que eu sei que a culpa não é minha. Há também iliteracia de expressão. Selvagens!


Actualização 2:
No "A Razão das Coisas", a experiência de outros nobres Planos Nacionais de Leitura.

sexta-feira

Religião, Portugal, Final Séc. XVIII

Em geral os portugueses observam com muito rigor o lado exterior da religião, talvez mais do que os espanhóis. Quem come carne na Quaresma tem mesmo de ser muito instruído. Ouvi com prazer uma vez que a questão foi lançada: seria maior pecado comer carne na Quaresma ou infringir o sexto Mandamento? A conclusão em termos gerais foi que o último pecado seria uma ninharia em relação ao primeiro. Não obstante, a nação e mesmo o povo mais vulgar não é tão fanático como em Espanha. Podia contar uma série de coisas a este respeito, mas contento-me apenas com algumas. Assisti em Setúbal a uma procissão onde dois capitães de navios, um inglês e um dinamarquês, ao passar o Espírito Santo não tiraram o chapéu. Ninguém se preocupou com o caso, apenas um marinheiro português perguntou: quem são aqueles ali com os chapéus na cabeça? São ingleses, fideputas, replicou o outro, e com o palavrão a coisa ficou resolvida. Quando o príncipe de Waldeck foi sepultado, ouvi dizer a um homem do povo: era um herege, mas um muito bom homem. Em seguida misturei-me com a multidão e não ouvi senão louvores e elogios ao amável Príncipe que foi precisamente levado para o cemitério protestante, soube mesmo que ele declinou o habitual convite para se tornar católico que lhe foi feito à hora da morte e verifiquei que, para meu grande espanto, esse acto obteve de um modo geral a aprovação de todos, na medida em que cada pessoa deveria viver e morrer na sua fé. O português considera qualquer estrangeiro um herege e é atencioso e prestável para com ele, chega mesmo a admirar-se quando vê estrangeiros católicos. Este traço mostra já como a nação, provavelmente em virtude do seu contacto com os ingleses, perdeu o seu fanatismo há muito tempo.

Em Notas de uma viagem a Portugal e através de França e Espanha, págs. 134-5, de Heinrich Friedrich Link, Biblioteca Nacional, Lisboa, 2005

Consequentemente

Apesar da boa lavoura a gente do povo é muito pobre e o motivo está à vista quando ao longe se avista a cidade [Coimbra em 1798]: a quantidade de conventos e igrejas.

Em Notas de uma viagem a Portugal e através de França e Espanha, pág. 193, de Heinrich Friedrich Link, Biblioteca Nacional, Lisboa, 2005.

Isto lembra-me alguém

Ontem, lia eu esta passagem, lembrei-me do Dom Pereira, o espreita.

Heinrich entra em Portugal em 1798
A fortaleza fronteiriça portuguesa de Elvas fica apenas a três léguas espanholas de Badajoz e das portas desta última terra pode ser distintamente vista no cimo da sua colina. Um, pequeno ribeiro, o Caia, que com o tempo seco pode ser atravessado a pé, forma a fronteira que é mais demarcada artificialmente que pela natureza. Deste lado Portugal parece extraordinário. Em vez dos vastos descampados, das aldeias afastadas, encontra-se uma terra povoada por casas isoladas e dispersas, cujo aspecto parece indicar uma cultura e uma civilização superiores. À medida que nos aproximamos de Elvas vemos os primeiros laranjais abertos ao longo do caminho, apesar de em Badajoz se ver já uma grande quantidade destes frutos. O traje, mesmo do português vulgar, é melhor: um gibão castanho-escuro ou preto e um chapéu são mais frequentes do que os casacos e barretes castanhos dos espanhóis. As mulheres são mais amáveis e comunicativas do que as castelhanas e parecidas com as biscainhas, trazem geralmente o cabelo solto, apenas ligeiramente apanhado por uma fita ou por um lenço. A cortesia, a maneira de ser fácil, alegre e amável do povo mais humilde fazem com que de imediato se simpatize mais com a nação portuguesa do que com a espanhola. E esta opinião não se altera enquanto neste país se ficar entre as classes mais baixas, experimentando-se porém uma opinião totalmente oposta assim que se conhecem as classes mais altas.
Em Notas de uma viagem a Portugal e através de França e Espanha, pág. 79, de Heinrich Friedrich Link, Biblioteca Nacional, Lisboa, 2005
O negrito é meu.

quarta-feira

Desempenho ambiental

Pelo Público soube de um relatório que pretende quantificar os desempenhos ambientais nacionais a nível mundial. Um primeiro trabalho que pretende ser melhorado 'a medida que mais e melhor informaçao surja. O objectivo é criar uma ferramenta que permita avaliar a situaçao e os progressos.

Portugal ficou em décimo primeiro lugar segundo os critérios adoptados. No artigo do jornal (nao disponível em linha) aponta-se que os dados utilizados possam, em alguns parametros, nao ter sido os melhores. Mas um dos exemplos deu-me vontade de rir:

Em relação à protecção da natureza, o país aparece mal classificado. A meta estabelecida pelos autores é que 90 por cento dos espaços naturais do país deveriam estar classificados. Portugal aparece com apenas 10,5 por cento. Sabendo-se que 22 por cento do país tem estatutos de protecção, quer por via das áreas protegidas quer pela Rede Natura 2000, este número apresenta incongruências.


Como se em Portugal o estatuto de protecçao significasse alguma coisa. Por portas travessas os tipos do relatório devem ter chegado 'a cifra certa.

segunda-feira

Amanhã

Amanhã por esta hora o céu terá sol, as ruas serão luminosas, caminharei pela estrada com os carros alucinantes a centímetros de mim, senhores e senhoras venderão castanhas e guarda-chuvas na rua, esta será de pedras pequeninas pretas e brancas, haverá obras a cada segunda esquina e os liliputianos abrirão a boca e misteriosamente falarão português.

sábado

Portugal 1976




Fotos de Josef Koudelka