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sexta-feira
decidido
Esperemos que a minha semi-nova vida nao seja mesmo montanha abaixo. Aparte: este desporto é absolutamente alucinante, nao é?
Para ser mais clara: eu decidi nao ir pra Noruega. Eu decidi ir prá Suica. Entre o petróleo e o banco, escolhi o último. Entre os de sangue frio e os trafulhitas, escolhi os últimos.
A desnecessidade
Eu detesto viajar nos dias anteriores a viajar. Se vou de férias arengo-me sobre a desnecessidade de me colocar dentro de caixas-rolantes. E carpo-me em silencio, pelas horas nas bichas e as imagens a passar pela janela e a seca, a imensa seca e sair do outro lado e nao estar lá a minha casa. Ando uma semana a sofrer a viagem e durante a viagem estou tao preparada para o desastre, que tudo me parece espetacularmente bem, ótimo. Do outro lado provavelmente divirto-me terrivelmente e no dia anterior á volta começo a sofrer a necessidade que a viagem passe muito depressa para retornar a casa. A ansiedade é tanta que o sofrimento aumenta com a diminuiçao da distancia e quando finalmente chego... Nada.
terça-feira
Porque nao?
Imagino-me com ternura. Serei uma velha saudável, porque imagino-me a matar tempo, nao a ser torturada pelo tempo. Eu e o tempo seremos inimigos, nao pelas rugas que ele me quer dar, mas por indiferença. Faremos de conta que nos ignoramos e quando eu morrer, lá para o fim da minha reforma, ele há-de sentir-me a falta.
quarta-feira
Os meus cheiros favoritos:
Ao sal do mar,
a terra molhada pela chuva de verao,
a erva cortada de fresco,
a giestas,
a morangos,
a graos de café,
à minha escola primária.
a terra molhada pela chuva de verao,
a erva cortada de fresco,
a giestas,
a morangos,
a graos de café,
à minha escola primária.
sexta-feira
Necessidades
A música que vibra pelo quarto é básica, ridícula se presto atenção à letra, inepta até à lágrima, desavergonhada de incompetente, mas de rabiosque a dar a dar, consegue suprir as necessidades de exuberância, num mundo um pouco cinzento. Para lá do sublime, necessito do medíocre.
segunda-feira
A posteridade e mais além
O Alexandre III da Macedónia morreu com 32 anos e 11 meses, tendo conquistado o mundo conhecido a leste do seu reino com meio-nome de salada de Verão. Eu? Eu nao consigo ver sangue. Portanto vai ser mais Harvey Milk. Aos quarenta terei que me associar a um grupo injustificadamente odiado e colocar-me em posiçao de ser assassinada (rápido) e ficar mártir de algo. Ahhh, fixe, ainda tenho algum tempo.
sexta-feira
Inoperancia
Nao, nao vao haver mais adiamentos, tenho, que tenho, dizem-me, de encontrar interesses visiveis, tangiveis, tocáveis, tenho de sair deste mundo abstrato em que vivo. Portantos, assim encostada á parede, visitei o meu quarto e entre todas as coisas tangíveis que nao acabei, deitei-me a sonhar. Isto foi há uns meses.
quarta-feira
Do vidroPara lá
Há uma imagem que recorrentemente me vem á cabeça que é o ato de eu colocar a mao sobre uma janela. Penso que é a minha maneira de assinalar aquele sentimento inultrapassável de estar desligada do resto do mundo. De haver uma barreira que sinto amiga e inimiga conforme os dias, mas a maior parte dos dias é uma alegoria para o meu sentir da minha vida em relaçao á vida dos outros e vice-versa. Quando na minha família tiram conclusoes sobre mim, sempre senti uma mistura de desapontamento e contentamento quando eles erram na minha própria ideia de mim e coro de humilhaçao e contentamento quando me apanham corretamente. Raramente componho ou reafirmo e fico chateada comigo quando caio nessa esparrela de me explicar. É como uma experiencia que deixo a correr a ver de que forma a imagem que têm de mim se afasta da minha imagem de mim. Enquanto isso tento descobrir a verdadeira eu, que está algures e nos momentos de maior frustraçao penso se nao estarei além, para lá do vidro.
O meu sonho
Eu sinceramente penso que nunca contei isto a ninguém. Mas vao perceber porque (com chapéu) logo depois de saberem o que vou contar e a ideia que vao ter de mim logo a seguir. Sabem aquelas perguntas que os adultos nos deitam quando somos pequenos demonstrando que sao parvos? Devo dizer que o tempo que demorei a congeminar as respostas (tao pequeno que só é mensurável com um instrumento ainda a inventar) me dá uma certa segurança que sou intrinsecamente inteligente. Nao esperta, nao sou esperta, sou inteligente. Uma pergunta é aquela do se gostas mais da mae ou do pai. Eu gostava de ter uma gravaçao no YouTube com o primeiro troglodita que se lembrou de fazer pergunta tao acéfala, que logo a seguir espero que tenha implodido. Obviamente, isto nao aconteceu, porque senao a pergunta nao se teria espalhado. A segunda é o que queres ser quando fores grande. Os putos geralmente dizem o que alguém da familia faz, mas na minha familia ou se fazia coisas que eu nao entendia, que eu nao sabia que podia ser carreira ou nao faziam nada (o facto de eu nao entender que nao fazer nada pode ser carreira demonstra que eu nao sou esperta, inteligente, mas nao esperta). Assim, eu dizia professora, que estava a jeito. Mas no fundo, no fundinho, eu sonhava em ser deus. Juro, sonhava, imaginava, a sério. Se pensam que eu andava a fazer bondades nos meus sonhos, esqueçam. Eu pensava que queria ser deus, mas hoje percebo que, quando eu era gaiata, queria ser Fidel.
terça-feira
Crying gap
Uma crianca a chorar obtem de mim uma avaliacao objectiva de necessidades em caso de estar ao meu cargo ou um suspiro de tédio no outro caso. Uma mulher a chorar obtem de mim, na primeira reaccao, desconfianca, pois tenho este preconceito de que as mulheres sao descontroladas e histericas. Um homem a chorar derrete-me. Um avozinho de barba branca a chorar consegue qualquer coisa de mim. E' por isso que tenho medo do Pai Natal.
segunda-feira
Assombraçao
No Verao dos meus doze ou treze anos, o acaso dos meus olhos nos livros acomodados na estante escolheram duas obras que me lançaram numa quebra entre o antes e o depois. Uma era um conjunto de pesados tomos que me custaram a desalojar da prateleira mais alta sobre a segunda guerra mundial e que certamente me puseram em risco de queda e fracturas. A segunda era também um conjunto de vários volumes, mas mais leves, de "O Judeu" de Camilo Castelo Branco. Esta foi a partida para a descoberta da maldade humana e a descoberta da maldade humana na religiao que os meus pais me deram de herança. Nessa altura, a religiao era uma parte fundamental de mim. Além disso, era muito jovem e o que li foi chocante ao ponto de traumatizante. Nesse Verao, deu-se o início do meu abandono do catolicismo, porque acabei por sentir impossível a pertença a uma organizaçao com tal marca. Porque os padres que questionei deram-me respostas mesquinhas, porque enfim, nao havia qualquer razao para me sujar. Era repulsa o que sentia e olhando para trás nao sei quanto sangrou a minha ingenuidade. Os meus pais tomaram este resultado como o primeiro sinal da adolescencia. Rebeldia sem causa, devem ter pensado.
A minha ideia de Deus confundiu-se. Surgiu-me a questao que provavelmente chega a todos: como é que Deus deixa acontecer barbaridades? Mas largar Deus era um mergulho na escuridao e deixei-me viver na angústia. Mais tarde comecei a ler a Biblia e a descoberta nua e crua do Antigo Testamento irremediavelmente me lançou também fora da esfera daquele Deus. Era um Deus criado á imagem do Homem. Tudo começou nesse Verao, em que descobri que um povo que julgava da Biblia, que já nao existia, nao por violencia, mas por mudanças nominativas, assim como os fariseus e os canaenses, que esse povo ainda existia e que catástrofes inomináveis tinham submergido esse povo e com eles a minha ideia de e da humanidade e a minha religiao.
Assim, quando na blogosfera perguntam porque nos preocupamos tanto com Israel e os israelitas e nao tanto com os sudaneses ou os arménios, penso que nem tudo é explicado por anti-semitismo. O povo judeu está marcado na consciencia dos europeus a fogo e morte. O judaísmo é o pai do cristianismo. A Europa é a mae de Israel. O estranho seria que os judeus e Israel nao fossem uma presença marcada na consciencia dos europeus.
A minha ideia de Deus confundiu-se. Surgiu-me a questao que provavelmente chega a todos: como é que Deus deixa acontecer barbaridades? Mas largar Deus era um mergulho na escuridao e deixei-me viver na angústia. Mais tarde comecei a ler a Biblia e a descoberta nua e crua do Antigo Testamento irremediavelmente me lançou também fora da esfera daquele Deus. Era um Deus criado á imagem do Homem. Tudo começou nesse Verao, em que descobri que um povo que julgava da Biblia, que já nao existia, nao por violencia, mas por mudanças nominativas, assim como os fariseus e os canaenses, que esse povo ainda existia e que catástrofes inomináveis tinham submergido esse povo e com eles a minha ideia de e da humanidade e a minha religiao.
Assim, quando na blogosfera perguntam porque nos preocupamos tanto com Israel e os israelitas e nao tanto com os sudaneses ou os arménios, penso que nem tudo é explicado por anti-semitismo. O povo judeu está marcado na consciencia dos europeus a fogo e morte. O judaísmo é o pai do cristianismo. A Europa é a mae de Israel. O estranho seria que os judeus e Israel nao fossem uma presença marcada na consciencia dos europeus.
terça-feira
:: displaced sadness ::
you in the dark you in the pain :: you on the run :: living a hell living your ghost :: living your end :: never seem to get in the place :: that i belong :: don't want to lose the time :: lose the time to come
whatever you say it's alright :: whatever you do it's all good :: whatever you say it's alright :: silence is not the way :: we need to talk about it :: if heaven is on the way
you in the sea on a decline :: breaking the waves :: watching the lights go down :: letting the cables sleep
silence is not the way :: we need to talk about it :: if heaven is on the way :: we'll wrap the world around it :: if heaven is on the way
i'm a stranger in this town :: i'm a stranger in this town
letting the cables sleep
do álbum The science of things
BUSH
sábado
Deriva
Everything is open
Nothing is set in stone
Rivers turn to ocean
Oceans tide you home
Home is where the heart is
But your heart had to roam
Drifting over bridges
Never to return
Watching bridges burn
You're driftwood floating underwater
Breaking into pieces pieces pieces
Just driftwood hollow and of no use
Waterfalls will find you bind you grind you
Nobody is an island
Everyone has to go
Pillars turn to butter
Butterflying low
Low is where your heart is
But your heart has to grow
Drifting under bridges
Never with the flow
And you really didn't think it would happen
But it really is the end of the line
So I'm sorry that you turned to driftwood
But you've been drifting for a long long time
Everywhere theres trouble
Nowheres safe to go
Pushes turn to shovels
Shoveling the snow
Frozen you have chosen
The path you wish to go
Drifting now forever
And forever more
Until you reach your shore
You're driftwood floating underwater
Breaking into pieces pieces pieces
Just driftwood hollow and of no use
Waterfalls will find you bind you grind you
And you really didn't think it would happen
But it really is the end of the line
So I'm sorry that you turned to driftwood
But you've been drifting for a long long time
You've been drifting for a long long time
You've been drifting for a long long
Drifting for a long long time
Driftwood dos Travis, álbum The Man Who
quinta-feira
quarta-feira
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