ELE ESTÀ A BIR!
É ele!
aaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhh
Mostrar mensagens com a etiqueta cinema. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cinema. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira
quinta-feira
O leitor, the reader, der Vorleser
Vi um dos filmes mais tristes da minha vida. Sem tréguas, há filmes tristes, mas este era uma continuidade e se nao estivesse plantada no meio do cinema tinha-me levantado e dito, nao consigo, tanta tristeza eu nao consigo. Mas fiquei e sobrevivi.
Agora que o vi, surpreende-me que das recensoes que li antes do filme ninguem viu o mesmo filme que eu. Li mais umas depois do filme e parece que há um filme que só eu vi, só meu, só eu senti o que senti, só eu. Um filme muito triste só meu.
Agora que o vi, surpreende-me que das recensoes que li antes do filme ninguem viu o mesmo filme que eu. Li mais umas depois do filme e parece que há um filme que só eu vi, só meu, só eu senti o que senti, só eu. Um filme muito triste só meu.
terça-feira
I am Cabrao, Muito Cabrao
Das vezes que tentei ver filmes bond desisti por aborrecimento. Uma vez consegui atingir o fim da meta porque estava com o meu cunhado a achar as partes idiotas. A segunda vez, estava sozinha, mas pensei que a Halle Berry me conseguisse levar a bom porto, mas nao, nem a Halle Berry. Agora desisti. Aceito a minha incapacidade. Assim, o que eu sei do James Bond é do que ouço. Sobre o último filme, sei que o James Bond agora é um mole. Imaginem que gosta de mulheres, mas gosta mesmo, nao é só sexo! Meu Deus, ao que o mundo chegou! Eu concordei que é horrível fazerem um personagem frio de carisma ficar mole. Eu que passei horas a ver o Dexter e agora cheguei ao segundo segmento nao consigo ver mais, porque nao consigo aceitar a ideia de que talvez o Dexter possa ter sentimentos. Ele ainda nao mostrou sentimentos, mas só essa possibilidade me deixa o sangue frio. O choque seria demasiado para mim. Nao consigo, nao consigo, nao consigo. O Dexter é um monstro. Se o transformarem num ser-humano nao há mais Dexter e eu nao consigo ver o Dexter morrer. Pelo que entendo o meu amigo. O James Bond é um cabrao. Se deixar de ser cabrao, deixa de ser James Bond. Acabou. O fim de uma era, de um tempo, de um herói. O fim.
quarta-feira
Filme matuto

Estes filmes são um espanto. Pode muito bem acontecer que eu saia do cinema a imprecar e a remoer o dinheiro que paguei. Mas depois começo a matutar e acabo por gostar do filme. O apaixonamento tardio torna estes filmes uma experiência distendida e surpreendente, dando-me um prazer que se deslarga como a energia numa bolacha para diabéticos. O último em que isto me aconteceu foi o "Frailty". Se não viram o filme, não continuem a ler. Vou explicar e pôr a boca no trombone.
A maior parte do filme parece não carregar qualquer mistério. Está tudo às caras e só é pedido aquele sentimento dual de horror com alguém que faz horrores, mas pena e misericórdia porque ele é louco. O ator Bill Paxton, que também é o realizador, carrega muito bem o papel e o filme. Assim, uma pessoa muito religiosa tem um sonho em que um anjo lhe diz que é um vingador de Deus. O anjo comunica-lhe o nome de demónios, disfarçados de seres-humanos, e ele tem de os destruir. Os demónios parecem não saber que são demónios, bem, mas claro, o homem é louco. Ele é viúvo e tem dois filhos pequenos, a quem ele exige ajuda. O mais velho dos dois já tem idade suficiente para perceber que o pai está doido e rebela-se o melhor que pode. Portanto, o sentimento dual torna-se agudo, num cenário de um pai amoroso, mas que na realidade está a abusar psicologicamente dos seus filhos, a um ponto tal que é tortura.
Há uma cena, a que não dei grande importância (o homem afinal é louco), em que ele diz ao filho rebelde que o anjo lhe comunicou que ele (o filho) é um demónio, mas que ele (o pai) não acredita e que ambos vão demonstrar ao anjo que ele é dos bons. Um dia o filho rebelde acaba por matar o pai. Ele enterra o pai e diz ao irmão que quando ele (o irmão vingador) um dia vier por ele (o filho assassino) que o enterre ali, junto ao pai. O irmão promete. Esta é uma cena extremamente importante, que só dei conta da importância no fim do filme, como muitas outras. Neste momento, o filho rebelde acredita que é um demónio.
Mais tarde sabe-se que o filho rebelde tornou-se em adulto num assassino em série. Também se fica a saber que o irmão mais novo tomou para si a tarefa divina do pai e acabou por fazer exactamente o que o irmão rebelde estava à espera: veio por ele e destrui-o. E mesmo no fim do filme é dado como certo que o pai não estava louco, que afinal era verdade que deus estava por dentro da história, na sua luta com o diabo e os seus demónios.
Em primeiro detestei esta intromissão de deus na história do filme, mas numa segunda leitura achei muito interessante. O filme mostra no fim que as pessoas que eram escolhidas como demónios, na verdade tinham cometido crimes horrorosos. De uma certa forma está a dar uma explicação para os criminosos: eles são demónios, ainda que o não saibam. É por isso que fazem o que fazem. É por isso que há pessoas que não resistem a matar ou violar. Numa altura em que se faz a procura desta intrínseca maldade nos genes destas pessoas, o filme diz que sim, que nasce com elas, mas porque não são pessoas, são demónios. Outra leitura extremamente interessante, é aquele filho que se torna assassino em série. Nós sabemos que quando ele mata o pai, há uma viragem para ele: ele é aos seus próprios olhos um demónio. Mas ter-se-á tornado ele um demónio porque o é ou porque o aceitou ou porque a experiência que sofreu na infância o transformou nesse demónio? Lembra a Bíblia, no que nesta contém de confuso entre o livre arbítrio do ser humano e o que já está previsto. Deus sabe antes que o faças, o que vais fazer, mas então como incluir aqui o livre arbítrio? Se for da sua natureza alguém ser um demónio, possui esse alguém o livre arbítrio de o não ser? E se Deus levou a essa transformação em demónio, quem é afinal culpado? É impressionante que um filme como "Frailty" possa conter este tipo de questões, que são velhas questões filosóficas e teológicas, e a inclusão disto num filme de horror (de bom gosto, já que não procura chocar o espectador com imagens explícitas gratuitas, apesar do que possam ter pensado com a figura que pus ali encima) e suspense é delicioso.
Filme cacetada na cabeça

O nome que dei ao poste diz tudo. Aqui vai o meu exemplo nas mais recentes visualizaçoes: 4 meses, 3 semanas, 2 dias. Assim, sendo vós pessoas de normal sensibilidade, esperai acabar o filme em choque, principalmente, e este é um aspecto importante dos filmes cacetada na cabeça, porque pode ser verdade. A história anda á volta de duas amigas na Roménia comunista e as suas andanças para fazer um aborto. O que o filme me proporcionou foi uma espreitadela para o outro lado da cortina de ferro. As pessoas tem de ser desenrascadas ou ter bons amigos que sejam desenrascados. É o chico-espertismo como condiçao de sobrevivencia. Há uma cena muito interessante de um jantar de, parece, famílias-bem lá do sítio e é interessante que tipo de desigualdades e preconceitos sao mostrados naquela conversa. Uma pessoa sente-se a ver um mundo igual e diferente. O chocante, para lá das violaçoes a que as raparigas se sujeitam para obter o aborto, é o que torna possível as suas sujeiçoes: o enorme poder que um sujeito obtem quando a sociedade torna uma necessidade num crime. Faz pensar, por exemplo, na imigraçao ilegal. As sujeiçoes que sao impostas a imigrantes por gente horrível que se aproveita de uma clandestinidade que á luz de valores cristaos é em si criticável. Isto a modo de um exemplo menos discutível que o poder fazer um aborto. Assim, para mim a moral da história deste filme foi que quando a sociedade coloca alguém na clandestinidade é fundamental asseverar que essa pessoa prejudica alguém e nao só carrega as hipocrisias duma massa de gente que se gosta de pensar livre da necessidade. Porque senao dá-se uma coutada a, dependendo do ponto de vista, crimes realmente crimes ou crimes muito mais perversos.
sábado
Filme what the fuck
Os filmes what the fuck são aqueles que são considerados obras-primas, mas a ti a prima passa-te ao lado. Um exemplo muito recente é o "No country for old men". Uma pessoa acaba por pensar que aquilo tem um significado mais profundo para os americanos e para os não americanos com panca por westerns modernos. Como eu não pertenço a nenhum dos grupos fico a dizer what the fuck just happened? Eu não acreditei em nenhuma das personagens, sem ser preciso falar do pobre Bardem e o seu penteado. Como é que um homem com tal coisa na cabeça pode ser descrito como fantasma, no sentido de que ninguém o vê? Contudo, a revelação do filme é ouvir um espanhol sem sotaque. Bem, deêm um óscar a este homem. O xerife carrega a sentimentalidade toda do filme, parece que antigamente os xerifes não andavam com armas, era só flores e amor, agora é uma desgraça, ajuda-se um estranho a mudar o pneu, actua-se como um posto de informações e pimbas lá se te voam os miolos. Ah, mas espera, ele vai visitar um velho com muitos gatos que lhe diz que afinal em 1909 já tinha acontecido ao tio dele ser morto por nada. Ah, prontos, o mundo retornou aos eixos. Simpatizei com o tipo que achou o dinheiro para depois andar a saltitar de motel em motel a fugir daquele que teve um mau dia no cabeleireiro. Pelo menos isso. Mas alguém neste mundo de pessoas mais ou menos com cabelos normais acredita que uma mulher se põe com aquela filosofia com um psicopata que lhe matou o marido mais o equivalente a uma pequena aldeia? Tens que ser tu a escolher matar-me. Sim, naquele ponto do filme nós sabemos que ele tem problemas a decidir-se. Também se lhe nota na unidimensionalidade que ele vai ter enormes problemas de consciência. Esta personagem é particularmente irritante, porque é um desperdício de um actor espectacular. Eu sei, não importa que as personagens pareçam sem substância, mas se o que importa é a matança e os ângulos artísticos, porque é que temos de assistir ao triste espectáculo deles a dizerem disparates? Aqui temos a receita, cenas que fazem bem ao filme, mas personagens de meter dó. O que é que o Harrelson lá foi fazer? Mais um castiço pró mau penteado fazer um furo? Desculpem, what the fuck just happened?
sexta-feira
Filme singelo
Tenho um fraco por, o que chamo, filmes singelos. Imaginem que eu todos os dias passo por uma rua. Imaginem que um dia alguém vem comigo e me mostra a rua de uma outra perspectiva e que faz essa demonstracao de forma artística, de tal forma que essa rua, aos meus olhos, acende-se. Nada novo na rua, excepto os olhos de quem a ve. Agora imaginem que a rua é a vida e a pessoa que guia o olhar sao os filmes singelos. Assim, apaixonarmo-nos e fazermos papel de ursos, ou apaixonarmo-nos e ficarmos com remorsos por nao termos feito papel nenhum, a primeira vez que beijamos, que apalpamos, que vemos, a mentira envergonhada, a excitaçao dar lugar ao cinismo e ao aborrecimento, o aparente paradoxo do amor e do ódio entrelaçados, descobrirmos coisas muito simples demasiado tarde, cair-nos a alma com a morte de um pássaro ou olharmos embevecidos um gato a torturar um rato, passa a ganhar a dimensao de uma epopeia, repetida milhoes de vezes certamente, mas propensa a novidade na nossa efémera vida, se soubermos o quanto especial o é para nós. No entanto, esquecemos até que algo singelo e especial nos lembra. Por isso, tenho um grande fraco por filmes singelos.

Esta introduçao vem a propósito de um filme que eu vi agora, mas já é de 2005. Nada, absolutamente nada do que passa na vida das pessoas no filme é algo que nao poderia passar na minha vida ou na vida de pessoas que eu poderia conhecer ou vir a conhecer. Na verdade, a nao ser que estivessemos enclausurados, aquilo acontece de uma forma similar a mim e ás pessoas que conheço e vou conhecer. O que muda sao os olhos de quem ve. Os filmes singelos sao sobre a vida, a vida de todos os dias, a vida sem marcos de extraordinariedade. E no entanto... Que extraordinário é o olhar e que extraordinária é a vida de cada pessoa á luz desse olhar.
Um homem e uma mulher encontram-se numa rua. O encontro nao é casual. Antes, a mulher apaixonou-se por aquele homem. Cada um vai para o seu respectivo carro e a certo ponto da rua vao-se separar. Enquanto caminham e enchendo o espaço com palavras que é necessário encher quando se caminha com outra pessoa, eles acabam por construir naquele caminho as suas vidas juntos.
Um senhor compra um peixe vermelho para a filha, mas esquece o saco de plástico com o peixe sobre o tejadilho do carro quando arranca para casa. O destino daquele peixe torna-se uma ponte de solidariedade e o presságio mais que certo, de que é necessário aprender a dizer adeus.
Em súmula, adorei o filme.
Me and you and everyone we know de Miranda July.

Esta introduçao vem a propósito de um filme que eu vi agora, mas já é de 2005. Nada, absolutamente nada do que passa na vida das pessoas no filme é algo que nao poderia passar na minha vida ou na vida de pessoas que eu poderia conhecer ou vir a conhecer. Na verdade, a nao ser que estivessemos enclausurados, aquilo acontece de uma forma similar a mim e ás pessoas que conheço e vou conhecer. O que muda sao os olhos de quem ve. Os filmes singelos sao sobre a vida, a vida de todos os dias, a vida sem marcos de extraordinariedade. E no entanto... Que extraordinário é o olhar e que extraordinária é a vida de cada pessoa á luz desse olhar.
Um homem e uma mulher encontram-se numa rua. O encontro nao é casual. Antes, a mulher apaixonou-se por aquele homem. Cada um vai para o seu respectivo carro e a certo ponto da rua vao-se separar. Enquanto caminham e enchendo o espaço com palavras que é necessário encher quando se caminha com outra pessoa, eles acabam por construir naquele caminho as suas vidas juntos.
Um senhor compra um peixe vermelho para a filha, mas esquece o saco de plástico com o peixe sobre o tejadilho do carro quando arranca para casa. O destino daquele peixe torna-se uma ponte de solidariedade e o presságio mais que certo, de que é necessário aprender a dizer adeus.
Em súmula, adorei o filme.
Me and you and everyone we know de Miranda July.
quinta-feira
Votos
Se tivesse que votar no filme mais parvo alguma vez feito e que eu, infelizmente, vi seria, sem dúvida, Dogma.
domingo
Filme sente bem
Talvez seja o papel soberano do cinema: fazer-nos sentir bem. Mais importante que por-nos os cabelos de pé ou em suspense. Sinceramente, nao é memorável aquela vez que saímos do cinema a traulitar a banda-sonora e a achar que a vida é bela? Muito melhor, que aquela vez em que ficamos com os olhos em bico com os lábios do Brad Pitt, ou aquela vez em que achamos o argumento inteligentíssimo e juntamos cenas como pecas de puzzle... espera, esta é boa...
O dois papéis soberanos do cinema: deixar-nos, após ver o filme, a sentir-nos bem e entreter-nos, após ver o filme, a saborear um intrincado argumento.
Juno, faz-nos sentir bem, porque nos apaixonamos. Apaixonamo-nos pelo filme e pela interprete. Apaixonamo-nos porque tudo é muito giro e jovem e fresco. As pessoas sao todas boas e mesmo quando sao más, nao sao muito más. As pessoas sao razoáveis, tem um sentido de humor que decididamente lhes faz bem á pele e a interprete tem a língua rápida e aguçada, que é uma substituiçao benévola para a nossa necessidade de haver alguém a fazer mortos, nem que seja na pista do sarcasmo. A desonestidade deste filme é que para além de giro, é inteligente e isto é uma injustiça. Toda a gente sabe que para o mundo ser justo, as louras tem que ser burras! Toda a gente sabe, que é necessário por um lenço sobre os olhos da justiça. Toda a gente imagine que é gira e docemente inteligente.
O dois papéis soberanos do cinema: deixar-nos, após ver o filme, a sentir-nos bem e entreter-nos, após ver o filme, a saborear um intrincado argumento.
Juno, faz-nos sentir bem, porque nos apaixonamos. Apaixonamo-nos pelo filme e pela interprete. Apaixonamo-nos porque tudo é muito giro e jovem e fresco. As pessoas sao todas boas e mesmo quando sao más, nao sao muito más. As pessoas sao razoáveis, tem um sentido de humor que decididamente lhes faz bem á pele e a interprete tem a língua rápida e aguçada, que é uma substituiçao benévola para a nossa necessidade de haver alguém a fazer mortos, nem que seja na pista do sarcasmo. A desonestidade deste filme é que para além de giro, é inteligente e isto é uma injustiça. Toda a gente sabe que para o mundo ser justo, as louras tem que ser burras! Toda a gente sabe, que é necessário por um lenço sobre os olhos da justiça. Toda a gente imagine que é gira e docemente inteligente.
quinta-feira
Belleville e Persépolis
Eu adoro desenhos animados. Gosto mesmo imenso. Para dizer a verdade, gosto de desenhos em todos os estádios de movimento, incluindo o parado. Nas últimas semanas vi dois filmes amáveis ao último nível de paixao.
Um, eu merecia ser chicoteada num qualquer país islamo-barbárico, porque já é velho de 4 anos e eu em estado de virgem ignorancia (atentem no paradoxo de ser chicoteada por islamo-fundamentalistas por ser virgem... É como o filme: atentar os pormenores). O enredo é imprevisível e onírico. O desenho surpreendente, extremo, sedutor. Há um personagem que me lembra a caricatura do Paulo Portas. Esse extremo. As personagens sao bidimensionais ou até mesmo unidimensionais. Mas na sua simplicidade de intencoes sao irresistiveis. O filme comeca com a avo afazendo-se em adivinhar os desejos do neto para lhe apaziguar a tristeza (algo com os pais ausentes?) e na continuacao do filme a persistencia com que ela persegue o bem estar do neto, é de nos levar a adoptá-la. Mas o desenho, o desenho, a extravagancia do traco, a musica, a musica com o desenho. O filme nao transtorna nada a razao, mas é um absoluto prazer. Estao a ver ali embaixo o barco e a avózinha? É o antes da melhor cena animada de todos os tempos. Além disso, a avó chama-se Souza. Por nada. :)

O segundo filme é de agora e há os livros. É baseado em Persépolis. O estilo de desenho é o mesmo dos livros e de novo há a avó que se ama (choro com jasmim). É a história verdadeira de Marjane Satrapi a crescer, neste caso crescer iraniana durante a queda do Xá, a tomada pelos fundamentalistas religiosos, da guerra com o Iraque, de ser parte da diáspora. De novo, o desenho é fabuloso, aqui o enredo e' fundamental e o desenho salienta-o, nos seus contrastes agucados de preto e branco, sobreposicoes e nas suas excepcoes de movimento e cor, que demarcam as narracoes.

Dois filmes muito diferentes, mas ambos imprescindíveis para quem gosta de beleza animada.
Um, eu merecia ser chicoteada num qualquer país islamo-barbárico, porque já é velho de 4 anos e eu em estado de virgem ignorancia (atentem no paradoxo de ser chicoteada por islamo-fundamentalistas por ser virgem... É como o filme: atentar os pormenores). O enredo é imprevisível e onírico. O desenho surpreendente, extremo, sedutor. Há um personagem que me lembra a caricatura do Paulo Portas. Esse extremo. As personagens sao bidimensionais ou até mesmo unidimensionais. Mas na sua simplicidade de intencoes sao irresistiveis. O filme comeca com a avo afazendo-se em adivinhar os desejos do neto para lhe apaziguar a tristeza (algo com os pais ausentes?) e na continuacao do filme a persistencia com que ela persegue o bem estar do neto, é de nos levar a adoptá-la. Mas o desenho, o desenho, a extravagancia do traco, a musica, a musica com o desenho. O filme nao transtorna nada a razao, mas é um absoluto prazer. Estao a ver ali embaixo o barco e a avózinha? É o antes da melhor cena animada de todos os tempos. Além disso, a avó chama-se Souza. Por nada. :)

O segundo filme é de agora e há os livros. É baseado em Persépolis. O estilo de desenho é o mesmo dos livros e de novo há a avó que se ama (choro com jasmim). É a história verdadeira de Marjane Satrapi a crescer, neste caso crescer iraniana durante a queda do Xá, a tomada pelos fundamentalistas religiosos, da guerra com o Iraque, de ser parte da diáspora. De novo, o desenho é fabuloso, aqui o enredo e' fundamental e o desenho salienta-o, nos seus contrastes agucados de preto e branco, sobreposicoes e nas suas excepcoes de movimento e cor, que demarcam as narracoes.

Dois filmes muito diferentes, mas ambos imprescindíveis para quem gosta de beleza animada.
terça-feira
Do outro lado

Este filme ganhou o prémio ecuménico do Festival de Cannes. Depois de ver o filme, faz todo o sentido. O ecumenismo é interessante, pois representa uma desaprendizagem que o ser humano constrói com a cultura. Aprendemos a construir barreiras. Depois fazem filmes que mostram o óbvio. E nós choramos nos laços que se constroiem e destroem, pois sao retratos de pessoas a perder e a ganhar e sao exactamente como nós e nós como eles e amamos exactamente da mesma forma e nao se entende que se esqueça tal conceito e que sejam necessários prémios ecuménicos. Ecumenismo 'a parte, o filme é belo, dum belo simples de cor sem mácula. A cor do sol ou da lua, a emocao de um beijo, uma face lavada com lágrimas. Oh sim, eu chorei. Já nao chorava assim desde o "Alice".
Fico eu tambem na praia a olhar para o outro lado, na conjunçao do mar e da terra, dois lados do mesmo sítio. De cada lado do beijo, duas mulheres, dois lugares, um amor. Do outro lado, é somente o complemento do nosso lado, igual e diferente. E isto é tudo batido, mas fazem-se filmes e dao-se prémios sobre a claridade do que nao se ve. Estranho.
sexta-feira
A rima nos sentidos perdidos

Há três dias fui ver o Inland Empire. Se eu escrevesse um poste logo depois de ver o filme, consistiria em: "daqui a um mês talvez possa dizer qualquer coisa". O problema do filme é que se pode falar um mês e arranjar novas coisas para dizer. É uma autêntica provocação à imaginação. Merecia uma violação num beco de Hollywood. É um filme de mini-saias! Uff.....
A primeira hora tem sentido, melhor, sentidos limitados, mesmo, a esperança de um sentido. É uma hora de argumento com a possibilidade de um caminho, pelo que na primeira hora eu estava aborrecida. Uma pessoa com pouca imaginação gosta é da primeira hora. A seguir as galinhas saiem da capoeira e é o tumulto no quintal. Aí o boi tem que ser domado. E digo-vos: a merda do boi arrasa-vos o cachaço. Não recomendável a pessoas de neurónios linearmente posicionados e facilmente enojados com cabelos no ralo do duche.
P.S.: falando a sério: achei-o um filme muito feminil. Todas as vidas/possibilidades/cruzamentos que temos cá dentro e o amor como a maior aspiração de uma mulher. Mas isto sou só eu. Se alguém disser que vê no filme a reflexão tónica do existencialismo num espelho estilhaçado; está bem. Ou: a esquizofrenia latente na manhã de cada um de nós; está bem. Ou até: a forma de uma nuvem numa chave de fendas; também está bem. É poesia, minha gente, PO-E-SIA. {não estou a sarcasmar, ok? Eu gostei da merda do filme! Sou capaz de não conseguir jamais escrever com sentido ao pensar nele, mas... Uff...}
quarta-feira
Arrepio
Ir ao cinema na Alemanha é demasiadas vezes uma experiência a esquecer. O pessoal comporta-se como se estivesse na sala de estar da casa deles, só que com muitos sofás. Um dia senti duas presenças estranhas de cada lado da minha cabeça. Quando olhei eram os pés descalços da senhora atrás. Acho que nunca fiquei tão atónita na minha vida. Outra vez, andei a fugir com todos os outros de um senhor que empestava. Como podem imaginar éramos vinte todos juntinhos de um lado da sala e o senhor e a esposa no lado oposto. Ela resmungava contra nós. Gerou-se ali um problema de racismo: os com nariz e os sem. Nem falo das normais grunhices com telemóveis e comidas (pipocas é aperitivo) e pessoas a falar como se estivessem no bar ao lado. Mas o que me põe fora de mim e já me fez começar a asneirar várias vezes é o uso que fazem do riso: eles riem-se com a tragédia. Não é por acaso que no alemão há uma palavra para o ficar feliz com a infelicidade dos outros (Schadenfreude). É desconcertante eu a entristecer com uma cena e de volta o eco ridente. É irritante. Mas não é só no cinema! Um dia destes estávamos num imbiss (um boteco onde se come comida rápida) e a namorada autóctone de um amigo meu lia o jornal, quando viu uma notícia de um corpo encontrado no rio. Ela riu-se. Não conseguiu explicar porquê. Depois, quando já nos tinhamos separado dela, o namorado repetia "Mas ela estava-se a rir...". "Ela estava-se a rir, não estava?" Digo-vos: arrepiante.
domingo
O pseudofeminismo mortal

Andava a ver na estante da minha amiga por um filme e acabei por escolher o "Thelma & Louise", que vi pela primeira vez. Tinha a ideia, pelo que as pessoas tinham comentado do filme, que era um filme 'feminista'. Mas, na minha opinião, está longe de o ser. A minha ideia de feminismo não é que as mulheres se vejam encurraladas num mundo machista e na circunstância de resolverem a situação aos tiros. Que se tenham de vingar dos homens, que os tenham de fazer sofrer e que no fim sejam mártires. A ideia de que este filme tem uma mensagem feminista, ofende-me.
Gostei do filme, é uma bonita história de amizade, faz-nos gostar das personagens, mas não há ali mulheres que controlam as suas vidas. Aquilo é uma história de vítimas. Amigas minhas disseram-me que, na adolescência, as personagens deste filme tinham sido para elas imagens de heroínas! Há aqui algo muito errado. Extremamente errado no que as raparigas veêm como modelos femininos!
Histórias de feminismo são aquelas de mulheres que lutam de formas construtivas por um mundo mais livre e igual no plano do género e/ou que querem escolher o seu próprio caminho contra convenções sociais e/ou que têm os seus inevitáveis problemas particularmente femininos na vida. Não, cujas opções são o homicídio e o suicídio.
terça-feira
sexta-feira
quarta-feira
A minha história preferida:

Paris je t'aime.
Esta preferência diz muito de mim e dos efeitos duradouros de uma adolescência a ler os autores românticos do século XIX. Só podia dar nisto. Concomitantemente, passo-me pela estética, pelo simbolismo, pelo supremo "etos" do vermelho. Encarnado, se não existisse, teria que ser, com urgência, sangrado.
Etiquetas:
cinema,
encarnado,
Paris,
traumas literários
terça-feira
Babel

Babel, o filme, é como entrar numa loja de bric-brac: muita coisa, muita pantomineirice, muita parra... mas lá pelo meio há descobertas, por entre movimentos pode ser que se aviste algo que valha mesmo a pena. E sim, há coisas no filme que valem a pena, nem que seja a sensaçao com que se fica quando se sai da loja, de uma procura que deu gosto, ainda que o dono da loja tenha andado atrás de nós a manipular-nos claramente. Estas coisas prefiro-as subtis.
O filme nao é exactamente descomunicaçoes linguísticas. É nao existir comunicaçao. Mesmo quando se fala a mesma língua. Cada partícula aninha-se em si mesmo e nao fala e nao ouve. Os turistas americanos olham pelas janelas do autocarro um mundo estranho. O casal discute e anseia. Os marroquinos seguem com os olhos e os pés os estranhos americanos. Os americanos temem os mexicanos e estes os americanos. A rapariga japonesa vive isolada na sua língua. O pai nao fala com o filhos. O polícia e o condutor provocam-se. O filme nao é Babel, nao é a cidade das muitas linguas num sítio. O filme sao tres histórias e cada um fala para dentro. Na Babel a compreensao nao vem pela boca.
No fundo, no fundo, Babel que dá a ideia de um vasto cenário, é um filme limitado a um universo muito mais pequeno: ao de cada indivíduo, 'a sua noite e 'as luzes que a iluminam. E isso, para cada um de nós, nao é 'a distancia de continentes. E' na distancia de um abraço, de um beijo, de maos a tocar-se, de lágrimas vertidas sobre quem se quer mais que 'a vida.
P.S.: vi a apresentaçao do filme de que falas. Pareceu engraçado. Ficamos a saber a razao do bigode do Hitler. O uso do humor nao é em princípio contrário a tema algum. Bem pelo contrário. É nos assuntos mais difíceis que o humor pode abrir portas de discurso que nao se consegue de outra forma. Contudo, ainda nao vi o filme e nao sei ainda o seu valor. Hitler nao deve ser tema tabu, muito menos na Alemanha. Eu penso que os alemaes precisam destes filmes e nao se ponham com teorias de que estao a tentar limpar a imagem do facínora. Vejam isto como catarse e tentem fazer o mesmo relativamente aos vossos fantasmas.
sábado
quarta-feira
Brüno
Sacha Baron Cohen é o actor que faz de Borat. Outra das suas personagens é Bruno (ou Brüno), um jornalista de moda austríaco e muito obviamente gay. Parece que o próximo filme é com Brüno e começam a sair pela net conselhos para que ninguém se veja na desfortuna de se encontrar num filme em que se faça papel de asno.
Os conselhos sao:
1. Mantenha uma fotografia do Brüno sempre consigo.
2. Se alguém lhe pedir para assinar uma declaraçao dando permissao para entrar num filme, pense.
3. Por exemplo, pense em dizer nao.
4. Nao se embebede com estranhos.
5. Se for racista, homofóbico ou sexista tente mante-lo só pra si.
Ha ha ha ha ha...
Os conselhos sao:
1. Mantenha uma fotografia do Brüno sempre consigo.
2. Se alguém lhe pedir para assinar uma declaraçao dando permissao para entrar num filme, pense.
3. Por exemplo, pense em dizer nao.
4. Nao se embebede com estranhos.
5. Se for racista, homofóbico ou sexista tente mante-lo só pra si.
Ha ha ha ha ha...
Subscrever:
Mensagens (Atom)
