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sexta-feira

segunda-feira

O rei vai nú

O Tiago Mendes devia ter escrito como criança, pois livrava-se do ataque (para exemplo: o Pedro Arroja e o Joao Miranda e um senhor chamado RAF, que saiu do Atlantico, onde isto anda a ferver).

O que eu gosto desta história é que parece que tudo começou com o politicamente correcto: aquela crónica alienada do JFV (onde é que ele viu pessoas perseguidas ou vigiadas ou sequer olhadas de lado, lá fora no mundo real portugues, por chamarem alguém paneleiro ou maricas? gostava de saber onde é o microcosmos.), que foi excelentemente rebatida pelo Daniel Oliveira.

Sendo que o André Azevedo Alves e os seus defensores sempre clamaram contra o PC, pela suposta liberdade de chamar as coisas pelo nome, acho piada que agora nos venham dizer que afinal o AAA é minoria protegida por esse mesmo canone.

P.S.: Ja' agora, os defensores que nomeei nao dizem que o AAA nao e' a pessoa descrita no poste do Tiago Mendes. O que eles dizem e' que o AAA e' uma pessoa de bem, expressao que eu ja' vi colada a homens que batem nas mulheres e que roubam o estado, que o que o Tiago Gomes faz e' um ataque ad hominem, como se o que aparece escrito e defendido nos postes do AAA, nao tivesse o AAA por tras, e porque estamos a falar do Pedro Arroja e do Joao Miranda, como se tudo se pudesse dizer se for sempre atraves da generalizacao. Tudo estaria bem se o Tiago Mendes nao pusesse um nome, mas se amalgamasse esse nome num grupo. O Tiago Gomes poderia criticar todos os liberais ou todos os Andres. O ataque ad grupem e' actividade consentida. Ou, se o Tiago Gomes fosse educado, devia ter-se pronunciado em privado. O RAF, por seu lado, saiu do blogue Atlantico, o que e' direito dele, nao havendo nada a apontar.

sábado

O humor de Sasha Baron Cohen

[...] Of course, far from being retarded, the character Ali G possesses an abundance of street smarts and cunning. His mind, however, appears to have been entirely untouched by any trace of education, setting up a cultural divide that always proves unbridgeable and usually leaves his guests sputtering.

Interviewing the former American astronaut Buzz Aldrin, for example, Ali introduces him as the man who walked on the moon with “Louie Armstrong,” asks Aldrin whether he is not “upset that Michael Jackson got all the credit for inventing the moonwalk,” and inquires whether people will ever walk on the sun. “No, it’s too hot,” replies Aldrin. “I mean in winter,” corrects Ali patiently.

Another American guest, a representative of the Drug Enforcement Agency, warns youngsters of the dangers of substance abuse. Speaking of hashish, he explains that it “slows your ability to learn . . . your brain just really slows down.” Ali: “And are there any negative effects?” When the agent remarks that drugs seized by the agency are incinerated, Ali is perplexed: “Why aren’t they given to charity?” [...]

The instant success of Borat no doubt owed something to the assistance unintentionally supplied by the government of Kazakhstan. Just before its release, the president of that country arrived in Washington for a state visit with the man whom Borat invariably refers to as “Premier Bush,” and was reported to be planning to voice his displeasure at Baron Cohen’s antics. For its part, the Kazakh embassy called a press conference to refute what it was sure would be the movie’s misrepresentations; with presumably the same end in view, a four-page ad was taken out in the New York Times to extol the country’s modernity.

Baron Cohen seized upon all this to call a press conference of his own, in which, in his persona as Borat, he accused the Kazakh embassy spokesman of being an “Uzbek imposter” and denounced the ad in the Times for its “disgusting fabrications” that women and minorities enjoy equality in Kazakhstan. If Uzbekistan did not cease such provocations, he warned, Kazakhstan would attack “with our catapults.”[...]

It is the world represented by Borat himself, which is not really Kazakhstan but the third world in general and the excruciatingly respectful attitude that our own world, represented by the Americans whom Borat encounters, maintains toward it.

As the movie makes wholly explicit, the differences between those two worlds are in fact all too real. They consist not only in disparities of wealth but also in something less readily mentioned: namely, the respective quality of social norms, especially as these are evidenced in the treatment of Borat’s two favorite topics, women and minorities.

As if to confirm the accuracy of Baron Cohen’s darts in this direction, two Kazakh doctoral candidates currently studying at U.S. universities gave an interview to the Chicago Tribune in an effort to correct the false impressions of their homeland conveyed by the movie. Asked whether Kazakhs do sometimes kidnap brides, a feat Borat attempts with Pamela Anderson, one replied: “Yes, it still happens occasionally in our country—[but] mostly in the south, never in the north.” Besides, he added, it only happens “if a boy likes a girl and he and his family do not have enough money to pay the bride price.” Oh, well, in that case . . .

This raises another subject of concern to the critics. In ridiculing such sensibilities and practices, Baron Cohen makes relentless use of the rhetoric of anti-Semitism.[...]

Given that Baron Cohen is himself a Jew, and is reported to maintain some degree of religious observance, this has become the most controversial motif of his film. A statement by the Anti–Defamation League expressed concern that “the audience may not always be sophisticated enough to get the joke, and some may even find it reinforcing their bigotry.” By contrast, others have applauded Baron Cohen for delivering what they see as an effective slap at anti-Semites or, indeed, as laying bare the anti-Semitism that may be lying just beneath the surface of ordinary American life.[...]

At first I thought the ADL’s complaint absurd. Anyone who fails to realize the satiric purpose of Borat’s Jew-baiting must be as retarded as I once took Ali G to be. On second thought I am not so sure. It does seem possible that the license Baron Cohen has claimed for himself could open space for other comics to make jokes in which it is less clear who exactly is the butt, the anti-Semite or the Jew.

On the other hand, the argument that Borat strikes a blow against an already existing anti-Semitism among Americans leaves me cold. Today’s anti-Semitism is rooted in hatred of Israel and in contempt for Diaspora Jews who support Israel. The old, superstitious belief that Jews sprout horns or poison wells—the focus of Baron Cohen’s satire—no longer cuts deep, and certainly not in this country.[...]

In any case, the preoccupation with Borat’s preoccupation with the Jews has obscured another aspect of Baron Cohen’s routine. While American Christians are the best friends of the Jews, the Muslim world is rife with hostility toward them. “Ali,” as in Ali G, is a Muslim name. Kazakhstan is historically a Muslim country, although Soviet policies of Russification reduced the percentage of Muslims to no more than half. We live in a time when throwing Jews, or the Jewish state of Israel, “down the well” has gained the status of official Islamist policy. Is it wise for a Jewish comic to be tiptoeing so close to mockery of Muslim characters? [...]


Joshua Muravchik

quarta-feira

Brüno

Sacha Baron Cohen é o actor que faz de Borat. Outra das suas personagens é Bruno (ou Brüno), um jornalista de moda austríaco e muito obviamente gay. Parece que o próximo filme é com Brüno e começam a sair pela net conselhos para que ninguém se veja na desfortuna de se encontrar num filme em que se faça papel de asno.

Os conselhos sao:

1. Mantenha uma fotografia do Brüno sempre consigo.
2. Se alguém lhe pedir para assinar uma declaraçao dando permissao para entrar num filme, pense.
3. Por exemplo, pense em dizer nao.
4. Nao se embebede com estranhos.
5. Se for racista, homofóbico ou sexista tente mante-lo só pra si.

Ha ha ha ha ha...

Ide ver



P.S.: uma amiga disse-me que a polícia foi chamada 91 vezes durante a feitura deste filme. Esta dúvida andava a rondar-me.

quinta-feira

Aaltra


Penso que em toda a minha vida só vi três filmes belgas, mas todos eles eram de humor negro. Não sei se é coincidência, se é só o que sai para fora, mas um dia destes ainda me apanham a dizer que sentido de humor, do bom, do que eu gosto é o belga. Qual humor inglês! Foi chão que deu uvas.

Aaltra é um road movie em cadeiras de rodas. Imaginem bem o que pode acontecer numa viagem destas. Parem. Não conseguem. Não vão conseguir imaginar como passo a passo, correcção, rodadela em rodadela, dois imobilizados andam à boleia pelas estradas do norte da Europa, metendo-se e provocando situações politicamente incorrectas. É a cadeira motorizada que roubam a um casal velhinho para depois andarem em corridas na rotunda da terra ou as vezes em que os que resolvem ajudá-los acabam por os abandonar em maldições à beira de alguma estrada.

Não há aqui nenhuma comiseração, não há alegria ou tristeza sem remissão. Não há pinturas emocionais ou maniqueísmos, não há sequer cor. Há simplesmente um espelho que mostra o mundo dos outros direito quando parece distorcido. Ou vice-versa, que cada um veja o filme e o julgue. Não perde tempo.

terça-feira

Cruzamentos emendados

Vim reler o meu texto "Cruzetas" (abaixo da alface). Ok, exagerei no oprimir os opressores. Aceito. Também aceito que quando um sitio público é público não devem existir cruzes e ademais adereços religiosos. Mas assim no cubiculo onde só entra o empregado público para ler a Bola e tricotar, pode ser. De resto fica tudo.

P.S.: Gostaria mais que se ensinassem as religiões todas e haver até debates entre os apoiantes, mas caso isto não seja possivel, acho que sim. Tirem as cruzes das escolas.

Jesus vs Thor. Nã, este era muito grunho. Provavelmente Jesus saia com o martelo entalado nos miolos.

Viram o filme "Super Size Me"? Quando mostraram um desenho de Jesus e nenhum dos putos o reconheceu? Mas todos conheciam o palhaço do MacDonalds? Andem lá. Ensinem sobre as religiões, convidem o padre e o rabi e o imã e quem mais for e que se tiverem levem umas fotografias. Eu sei que os muçulmanos têm um certo pó a imagens. É como os protestantes. Nada de dourados e anjinhos e nossas senhoras múltiplas. Estilos. Tudo bem. Que traga um tapete. São muito giros. Em Hamburgo há uns armazéns a abarrotar de tapetes orientais. Há cafés muito fixes onde se fuma cachimbo de água e vê-se a dança do ventre e só não conto a origem desta dança porque podem andar por aqui crianças. Agora armam-se em púdicos. Termino que isto está a descambar.

segunda-feira

Mas a realidade não interessa nada!

O MST recebe elogios de alguns quadrantes blogueiros porque foi contra o politicamente correcto que é ser pró-gay e pró-lésbica. Este politicamente correcto é uma abstração teórica. Portugal é um país onde se ostraciza o homossexual, em que estes têm de viver escondidos e os que se mostram fazem-no no contra-ataque.

Este politicamente correcto é em discussões sem sentido prático, de pessoas que não vivem em Portugal, mas vivem nos livros sociológicos de outros países. Vivendo em Portugal, experimentam vivências fora de Portugal. Ou então extrapolam eventos como as gay parades para o dia-a-dia. Onde? Onde existem essas gay parades diárias? Ou será que se referem a programas televisivos em que a figura do homossexual é encaixilhado na imagem do preconceito? Dizia um bloguista d'O Acidental que se chateia que alguém se lhe apresente como homossexual. Mas já pensou porque o fazem? Eu também já tive a experiência, na Alemanha, de alguém se me apresentar de sopetão como judeu e eu fiquei na posição de lhe desejar muitas felicidades na sua religião (que afinal até nem era a religião da pessoa, mas uma descendência tortuosa). Mas porque é que essa pessoa se sentiu na necessidade de o fazer? Essa é que é a questão. Entender essa necessidade e que esta provém de uma não aceitação (que no caso do pseudo-judeu que eu conheci na Alemanha é do foro histórico) tem muito mais valia do que este parlapuê hipócrita ao mesmo nível do preconceito puro.

Vivendo num país altamente homofóbico, onde nunca em toda a minha vida vi qualquer manifestação de amor homossexual, esta gente impreca contra os exibicionistas gays e lésbicas.

Às vezes ler muito faz mal. Deve-se regrar a leitura com um pouco de realidade.

P.S.: o mais triste é se agora sobre a cobertura de ser-se politicamente incorrecto se possa ser correctamente homofóbico.

sexta-feira

Bom senso [# Actualizado]

Vivemos numa sociedade e para manter um sistema desta complexidade têm de existir regras. Verdade seja, acho que há regras a mais. Mas isso é outra história que agora não quero contar. O beco a que eu quero chegar é o de que quando se faz uma regra esta deverá abarcar o maior número de situações possíveis, mas restam as excepções. Verdade seja, que por vezes se fazem as regras a pensar nas excepções. Mas isso é outra história... Pelo que quando a regra não se adequa à situação dependemos do bom senso de quem a aplica. Aqui chegamos ao poço de idiotias a que eu queria chegar. É que o bom senso parece ser um bem escasso*. Claro que há muitos casos que não é um caso de bom senso, mas crime premeditado e isso é de novo outra história.

Ontem, no Público, vinha uma entrevista a Luís Villas-Boas, director do Refúgio Aboim Ascensão, instituição de acolhimento de crianças em Faro. Ele presidiu à extinta comissão que acompanhava o delinear do novo regime de adopção.

Um dos instrumentos principais que ele defende para que os potenciais pais encontrem os potenciais filhos e vice-versa é a criação de uma base de dados nacional. Contudo, um dos entraves vem da Comissão Nacional de Protecção de Dados, que não permite que se incluam informações de etnia. Todos nós ficamos contentes que exista uma Comissão que dê pareceres que nos protejam de um Big Brother, mas falta nesta situação bom senso. A comissão não vive neste mundo. É compreensível que pais adoptivos possam ter uma preferência por crianças da sua própria etnia (que não será só para o lado dos pálidos, mas também de pretos, castanhos, amarelos, ciganos, africanos, asiáticos,...) e alguns até preferirão o contrário. Mas esta informação é essencial para os intervenientes deste processo, incluindo as crianças# [Actualização]. A preferência étnica não é um reflexo seguro de racismo. Tenho um amigo branco sardento que fica excitadíssimo com mulheres asiáticas. Não o considero racista. Muitos outros exemplos de pendores que todos nós temos poderia eu dar. Se não percebem o mundo em que vivem e pior esse alheamento põe entraves à possibilidade de mais pessoas serem felizes, entre elas crianças abandonadas, em que esta medida é essencial para o seu futuro, bem, esta gente está doente. Sofrem do politicamente correcto, que irrita.

O politicamente correcto na área do racismo é ridículo. Porque o politicamente correcto passa do racismo para o racismo. Eu dou um exemplo: numa ocasião eu e vários colegas do meu instituto encontramo-nos para ver um espectáculo japonês de fogo-de-artifício. Juntamo-nos no local combinado, mas faltava alguém. Era uma moça francesa de origem africana. A maior parte do pessoal não reconheceu o nome e portanto um rapaz começou a descrevê-la. Ora, a moça era a única pessoa de traços africanos no nosso instituto e seria absolutamente lógico que ele começasse por aí. Afinal quando se tenta individualizar alguém, escolhem-se os traços mais diferenciadores, que na Alemanha eram os seus traços africanos. Mas ele não: cabelo curto, um brinco mais comprido que outro, olhos castanhos e eu a olhar para ele cada vez mais incrédula. Quando chegou ao momento em que ele teria de começar por características só úteis se todos pertencessemos a um clube de nudismo, eu disse o óbvio. Toda a gente chegou lá num segundo. Eu fiquei perplexa, pois isto para mim foi racismo decantado. Evitar dizer que a moça tinha pele preta e carapinha é como dizer que estas características são más. Afinal, o que é necessário é aceitarmo-nos, ou não? Fazer de conta que somos todos brancos? Que porra de novo racismo é este?

* estou a pensar no caso Fátima Felgueiras. O melhor que se pode pensar da juíza Ana Gabriela Freitas é a de que tem muita falta de senso. As alternativas fedem. Actualização: as alternativas podem ser outras e não federem. Ver aqui.

# Actualização: depois de ler sobre este mesmo assunto no blogue Renas e Veados dei-me conta que não expliquei porque é essencial este pormenor para as crianças. É essencial porque quando os potenciais pais e filhos se encontram os técnicos querem ter a maior certeza possível de sucesso. Que esta família será a certa, que quererão esta criança e a amarão. As expectativas são demasiadas e o fracasso paga-se caro e geralmente mais para o lado da criança. Na adopção vive-se na realidade dos sentimentos, não num mundo imaginário, nem os técnicos quererão mudar o mundo. Somente dar um lar funcional e feliz a uma criança, que a acolha com o mínimo de atritos.

Por outro lado, não estarei a ser demasiadamente generalista na minha compreensão? Não estarei a misturar? Todos nós temos preferências físicas e culturais relativamente a atracções sexuais e amorosas... [Para depois poderem ser esquecidas porque há muito mais na prenda que o pacote e relativamente a diferenças culturais até se pode descobrir que traz mais sal à relação... :-)] Na adopção os adoptantes e os adoptados também têm expectativas físicas e culturais (e de sexo e de idade...) que serão geralmente para o lado de serem todos o mais parecidos possível. É de compreender? Penso que sim. Somos humanos. Contudo, com mentes abertas há sempre flexibilidade. Mas é necessário que os técnicos saibam o mais possível para trabalhar as expectativas e as sensibilidades. "Blind dates" em adopção, devem ser o menos cegos possível.