A língua alemã tem quatro casos, o que significa que existe a declinação de substantivos, adjectivos e artigos (e talvez outras coisas que me passaram ao lado) conforme quatro situações gramaticais: quando definimos a coisa, quando algo pertence à coisa, quando a coisa faz algo e quando algo é feito á coisa.
Na prática, para um estrangeiro como eu, uma frase como a do título em alemao é uma dor de cabeça, pois é-me dificil definir quem matou quem. Á primeira vou perceber que alguém morreu e que a faca teve um papel no crime. O humor alemão está-me vedado, pois o pessoal parou de rir, foi comer um gelado, veio e dormita no sofá, quando eu termino de consultar os meus apontamentos de alemão e estou pronta para perguntar: "Qual é a piada?". O alemão é uma língua em que facilmente estás na situação em que sabes exactamente o que todas as palavras de uma frase significam, mas a frase em si não se percebe. E daqui se pode ver como os alemaes sao: enquanto todos os outros que comecaram com o latim acharam que o melhor era esquecer a dificuldade dos casos, os alemaes deixaram estar a coisa, porque senao quem sabe, ainda se perdiam sem as regrazinhas. A primeira moral da história já devem saber, a segunda moral da história é: os alemaes planearam tudo há muito para que nao se goste deles.
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segunda-feira
quarta-feira
Quem ganha com a G8
Há três características imediatamente detectáveis na polícia de choque alemã:
1) parecem chocantemente profissionais;
2) parecem mais militares que polícias;
3) parece que estão muito mal-dispostos e que nos odeiam as tripas.
Isto é: metem medo. Uma pessoa até pensa que alguém foi mal informado. Nós ali, uns pelintras com uns cartazes, mais parece passeio de sábado de manhã e estão ali aqueles brutamontes com cacetetes e escudos e pistolas (tenho fé que não verdadeiras, verdadeiras) e uns veículos que parecem tanques de guerra, mas esguicham água e mais uns autocarros com ar de nos irem levar para algum torturador. Se isto não fosse a Europa, eu acho que a primeira vez que vi aquela malta borrava-me de medo. Mas isto é a Europa, portanto eles não nos vão fazer mal, pois não?
O problema é que não há manifestações suficientes e aquela malta está entediada. Além disso, os tais tanques devem ter custado uma pipa de massa e eles têm que cobrir os custos. Portanto, isto até pode ser a Europa, mas aqueles gajos vão tentar provocar, vão-nos encurralar e tentar manipular-nos e, se tentarmos sair uma passada do que eles querem, vão-nos esguichar e geralmente não há cacetada, que nós somos gente pacífica, se não não tão parvos que queiramos andar à batatada com pessoal que em pequenino sonhou ser rambo e acabou naquilo. A manifestação acaba por ser um exercício de cães-pastor a brincar com as ovelhas e a guiá-las para uma das estações principais.
Isto é a polícia de choque alemã com uma manifestaçãozeca de sábado de manhã. Por isso não é de espantar o que acontece agora no G8. Veio malta de tudo o que é sítio, com ideias mais férreas de manifestação, que nem de provocação precisam e têm-se as imagens das ovelhas negras para os jornais. Não as ovelhas brancas que a maior parte de nós é. As negras é que são escolhidas para a foto da semana.
Há pouco mais de uma semana, parece ter havido já uma reunião preparatória aqui em Hamburgo. Eu soube porque havia barreiras policiais por tudo o que era sítio. Eu não vi nenhum manifestante, mas vi dezenas de carros de choque e tanques de água, tudo a abarrotar de polícias-brutamontes-andacáquetedigo, com as suas pistolas e cacetetes e escudos e trombas. E as putas das barreiras, que eu um dia em que vinha para casa de bicicleta, andei às voltas no centro e estava a ver que não achava a saída ao labirinto! É um exagero. Só a polícia de choque em Hamburgo tem quantitativos suficientes para dar cabo dos taliban no Afeganistão. Uma coisa é praticamente certa: os polícias-brutamontes-trombudos mal souberam que ia haver G8 na Alemanha devem ter-se-lhes entesado os cacetetes. Aqui em Hamburgo puderam deixar-se, por uns tempos, de esguichar os fãs do Sankt-Pauli (a equipa B de Hamburgo) quando saiem demasiado felizes do Estádio de futebol. Devem ter pensado para as suas pistolas de brincadeirinha: finalmente uma merda a sério.
Enquanto isso, na G8 propriamente dita:

1) parecem chocantemente profissionais;
2) parecem mais militares que polícias;
3) parece que estão muito mal-dispostos e que nos odeiam as tripas.
Isto é: metem medo. Uma pessoa até pensa que alguém foi mal informado. Nós ali, uns pelintras com uns cartazes, mais parece passeio de sábado de manhã e estão ali aqueles brutamontes com cacetetes e escudos e pistolas (tenho fé que não verdadeiras, verdadeiras) e uns veículos que parecem tanques de guerra, mas esguicham água e mais uns autocarros com ar de nos irem levar para algum torturador. Se isto não fosse a Europa, eu acho que a primeira vez que vi aquela malta borrava-me de medo. Mas isto é a Europa, portanto eles não nos vão fazer mal, pois não?
O problema é que não há manifestações suficientes e aquela malta está entediada. Além disso, os tais tanques devem ter custado uma pipa de massa e eles têm que cobrir os custos. Portanto, isto até pode ser a Europa, mas aqueles gajos vão tentar provocar, vão-nos encurralar e tentar manipular-nos e, se tentarmos sair uma passada do que eles querem, vão-nos esguichar e geralmente não há cacetada, que nós somos gente pacífica, se não não tão parvos que queiramos andar à batatada com pessoal que em pequenino sonhou ser rambo e acabou naquilo. A manifestação acaba por ser um exercício de cães-pastor a brincar com as ovelhas e a guiá-las para uma das estações principais.
Isto é a polícia de choque alemã com uma manifestaçãozeca de sábado de manhã. Por isso não é de espantar o que acontece agora no G8. Veio malta de tudo o que é sítio, com ideias mais férreas de manifestação, que nem de provocação precisam e têm-se as imagens das ovelhas negras para os jornais. Não as ovelhas brancas que a maior parte de nós é. As negras é que são escolhidas para a foto da semana.
Há pouco mais de uma semana, parece ter havido já uma reunião preparatória aqui em Hamburgo. Eu soube porque havia barreiras policiais por tudo o que era sítio. Eu não vi nenhum manifestante, mas vi dezenas de carros de choque e tanques de água, tudo a abarrotar de polícias-brutamontes-andacáquetedigo, com as suas pistolas e cacetetes e escudos e trombas. E as putas das barreiras, que eu um dia em que vinha para casa de bicicleta, andei às voltas no centro e estava a ver que não achava a saída ao labirinto! É um exagero. Só a polícia de choque em Hamburgo tem quantitativos suficientes para dar cabo dos taliban no Afeganistão. Uma coisa é praticamente certa: os polícias-brutamontes-trombudos mal souberam que ia haver G8 na Alemanha devem ter-se-lhes entesado os cacetetes. Aqui em Hamburgo puderam deixar-se, por uns tempos, de esguichar os fãs do Sankt-Pauli (a equipa B de Hamburgo) quando saiem demasiado felizes do Estádio de futebol. Devem ter pensado para as suas pistolas de brincadeirinha: finalmente uma merda a sério.
Enquanto isso, na G8 propriamente dita:

domingo
sem piadinha nenhuma, 1, 2 e 3
sem opçoes 1
sem opçoes 2
mas há sempre uma luz no fundo do túnel
Traduçoes:
haie = tubarao
tiger = tigre
--------------------------
já tou morto por dentro {os lemingues sao aqueles bichos com a mania do suicidio em grupo}
----------------------------
uma lampada e um rolo de papel higiénico vazio?
um kit "luz no fundo do tunel". feliz natal.
obrigado?
---------------------------
Nicht Lustig {o nome dos livros} = Sem piada
sem opçoes 2
mas há sempre uma luz no fundo do túnel
Traduçoes:
haie = tubarao
tiger = tigre
--------------------------
já tou morto por dentro {os lemingues sao aqueles bichos com a mania do suicidio em grupo}
----------------------------
uma lampada e um rolo de papel higiénico vazio?
um kit "luz no fundo do tunel". feliz natal.
obrigado?
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Nicht Lustig {o nome dos livros} = Sem piada
terça-feira
segunda-feira
O sentido de humor inglês e alemão
An English couple have a child. After the birth, medical tests reveal that the child is normal, apart from the fact that it is German. This, however, should not be a problem. There is nothing to worry about. As the child grows older, it dresses in lederhosen and has a pudding bowl haircut, but all its basic functions develop normally. It can walk, eat, sleep, read and so on, but for some reason the German child never speaks. The concerned parents take it to the doctor, who reassures them that as the German child is perfectly developed in all other areas, there is nothing to worry about and that he is sure the speech faculty will eventually blossom. Years pass. The German child enters its teens, and still it is not speaking, though in all other respects it is fully functional. The German child's mother is especially distressed by this, but attempts to conceal her sadness. One day she makes the German child, who is now 17 years old and still silent, a bowl of tomato soup, and takes it through to him in the parlour where he is listening to a wind-up gramophone record player. Soon, the German child appears in the kitchen and suddenly declares, "Mother. This soup is a little tepid." The German child's mother is astonished. "All these years," she exclaims, "we assumed you could not speak. And yet all along it appears you could. Why? Why did you never say anything before?" "Because, mother," answers the German child, "up until now, everything has been satisfactory."
Excerto de um artigo de Stewart Lee, no Guardian, em que discute o humor ingles e alemão.
Assim:
The flexibility of the English language allows us to imagine that we are an inherently witty nation, when in fact we just have a vocabulary and a grammar that allow for endlessly amusing confusions of meanings.
Mas o alemão:
In English there are many words that have double or even triple meanings, and whole sitcom plot structures have been built on the confusion that arises from deploying these words at choice moments. Once again, German denies us this easy option. There is less room for doubt in German because of the language's infinitely extendable compound words. In English we surround a noun with adjectives to try to clarify it. In German, they merely bolt more words on to an existing word. Thus a federal constitutional court, which in English exists as three weak fragments, becomes Bundesverfassungsgericht, a vast impregnable structure that is difficult to penetrate linguistically, like that Nazi castle in Where Eagles Dare. The German language provides fully functional clarity. English humour thrives on confusion.
Além disso, anedotas sobre o corpo e funções corporais não funcionam porque:
A German theatre director explained that this was because the Germans did not find the human body smutty or funny, due to all attending mixed saunas from an early age.
Finalizando:
I looked back over the time I had spent in Hannover and suddenly found situations that had seemed inexplicable, even offensive at the time, hilarious in retrospect. On my first night in Hannover I had gone out drinking with some young German actors. "You will notice there are no old buildings in Hannover," one of them said. "That is because you bombed them all." At the time I found this shocking and embarrassing. Now it seems like the funniest thing you could possibly say to a nervous English visitor. Since watching jokes I co-wrote for our German production withering in the translation process, all their contrived weaknesses exposed, I have stopped writing jokes as such, and feel I am a better stand-up because of it. I try now to write about ideas, that would be funny in any language, and don't rely on pull- back and reveals and confusion of meaning. Germany kicked away my comedy crutches and taught me to walk unaided. I am hugely grateful to the Germans.
Corroboro. Eu aprendi muito. As minhas piadas são muito mais inteligentes agora. O problema é que ninguém as compreende. Às vezes nem percebem que estou a brincar.
Excerto de um artigo de Stewart Lee, no Guardian, em que discute o humor ingles e alemão.
Assim:
The flexibility of the English language allows us to imagine that we are an inherently witty nation, when in fact we just have a vocabulary and a grammar that allow for endlessly amusing confusions of meanings.
Mas o alemão:
In English there are many words that have double or even triple meanings, and whole sitcom plot structures have been built on the confusion that arises from deploying these words at choice moments. Once again, German denies us this easy option. There is less room for doubt in German because of the language's infinitely extendable compound words. In English we surround a noun with adjectives to try to clarify it. In German, they merely bolt more words on to an existing word. Thus a federal constitutional court, which in English exists as three weak fragments, becomes Bundesverfassungsgericht, a vast impregnable structure that is difficult to penetrate linguistically, like that Nazi castle in Where Eagles Dare. The German language provides fully functional clarity. English humour thrives on confusion.
Além disso, anedotas sobre o corpo e funções corporais não funcionam porque:
A German theatre director explained that this was because the Germans did not find the human body smutty or funny, due to all attending mixed saunas from an early age.
Finalizando:
I looked back over the time I had spent in Hannover and suddenly found situations that had seemed inexplicable, even offensive at the time, hilarious in retrospect. On my first night in Hannover I had gone out drinking with some young German actors. "You will notice there are no old buildings in Hannover," one of them said. "That is because you bombed them all." At the time I found this shocking and embarrassing. Now it seems like the funniest thing you could possibly say to a nervous English visitor. Since watching jokes I co-wrote for our German production withering in the translation process, all their contrived weaknesses exposed, I have stopped writing jokes as such, and feel I am a better stand-up because of it. I try now to write about ideas, that would be funny in any language, and don't rely on pull- back and reveals and confusion of meaning. Germany kicked away my comedy crutches and taught me to walk unaided. I am hugely grateful to the Germans.
Corroboro. Eu aprendi muito. As minhas piadas são muito mais inteligentes agora. O problema é que ninguém as compreende. Às vezes nem percebem que estou a brincar.
quarta-feira
A queda de Hitler

Acabei de ler "Downfall - Until the final hour", um livro de Traudl Junge com Melissa Mueller. A primeira foi uma das secretárias de Adolf Hitler durante dois anos e meio até ao suicídio do ditador e à queda da Alemanha. Com base neste livro, um filme foi realizado no ano passado e esteve nomeado nos Óscars para melhor filme estrangeiro.
O filme é alemão ("Der Untergang"), mas apesar do meu conhecimento em alemão ser tal que eu compreenderia metade, ainda assim, caso fosse este o impedimento, poderia ter visto o filme, já que esteve num cinema perto de mim com legendas em inglês. Mas não fui e senti que não podia ir. Não, de forma alguma eu não me queria colocar numa situação em que qualquer sentimento de compreensão, piedade, empatia, por minúsculo que fosse (ainda que quem ali estivesse fosse um actor excepcional, ou talvez exactamente por ser Bruno Ganz) surgisse por Hitler. Um homem moralmente miserável, um homem magnético que com esse poder começou o resvalar de tal horror que assombrará a Europa por muito tempo. Um homem... Foi repulsa instintiva, foi medo de contaminação.
O livro meteu menos medo, pois o controle da imaginação é mais conseguido se não existir a imagem num filme, que entrando pelos olhos, atinge directo, sem contexto e cru, àqueles instintos básicos. Os que olhando para um ser humano em sofrimento condoem-se.
Hitler pelos olhos de uma jovem secretária. A oportunidade de perceber o magnetismo que esse homem, aparentemente de aparência ridícula, produzia nos que o cercavam. Traudl Junge escreveu sobre o seu convívio com Hitler logo após a derrota alemã, aos 27 anos. Numa altura em que: "Era maravilhoso viver sob a democracia americana. Não me tinha apercebido de que não ouvia música de compositores polacos ou russos, que não podia ler literatura de autores judeus... que tanto tinha sido banido ou era tabu. De repente o mundo intelectual abriu-se novamente. Em Munique os teatros e os cabarés reabriam... Na verdade existia uma nova sensação de vida no ar. A profecia de Hitler do fim da Alemanha e do retorno do país às sua origens agrárias não se concretizou... Claro, os americanos trouxeram a sua música... e os seus autores. Hemingway, por exemplo. Na altura, tinhamos de mourejar e poupar, mas a vida era gratificante."
Tinha 22 anos ao entrar ao serviço de Hitler. A sua escrita é geralmente descritiva, distante, ingénua. Diz Traudl Junge que mais tarde, ao reler, sentiu-se zangada consigo própria pela quase ausência de auto-crítica. Contudo, para mim foi interessante, talvez mais informativo do que um texto a pedir desculpas, numa auto-censura que me deixaria incerta sobre a honestidade nos acontecimentos descritos. Ao escrever sobre o seu primeiro encontro com Hitler: "Nós entramos na sala, que era enorme, e colocamo-nos à frente da secretária. Hitler veio ao nosso encontro sorrindo, ergueu o braço lentamente em saudação e seguidamente apertou a mão a cada uma de nós. A sua voz era profunda e cheia ao perguntar-nos o nome e de onde vinhamos. Eu fui a última e era a única de Munique. Ele perguntou a minha idade de novo, sorriu uma vez mais, voltou o olhar penetrante sobre todas nós, elevou o braço em saudação pela segunda vez - e fomos mandadas embora sem pelo menos termos tido a oportunidade de pronunciarmos o nosso "Heil, mein Fuehrer". Fora, o feitiço quebrou-se e pudemos relaxar por fim. Comentamos a forma como ele apertava as mãos, o seu olhar fascinante, a sua figura e todos os outros pormenores que nos pareceram tão significantes neste encontro importante."
Num dos poucos momentos de análise: "Eu tinha entrado neste meio [o espaço de vivência de Hitler] com tão poucos pré-conceitos e ideias pré-concebidas que eu suguei a atmosfera de positivismo que me envolvia como um bebé suga o leite da mãe. Desde o fim da guerra que frequentemente me questiono como foi possível não ter nunca tido quaisquer reservas ao contactar com aquelas pessoas. Então lembro-me que a barreira e o arame farpado também nos separavam de quaisquer dúvidas, rumores ou diferentes opiniões políticas do exterior; dou-me conta de que eu não tinha pontos de comparação e não podia ter sentido conflitos. Quando comecei a trabalhar para o Fuehrer (...) Julius Schaub disse-me que eu não podia discutir o meu trabalho com ninguém e eu sabia que estas ordens eram dadas a todos, desde o soldado ao general."
O livro contém um prefácio e um posfácio que mostram também a tarefa penosa do relembrar e do remorso e acaba com Traudl Junge: "Hoje eu estou de luto por duas coisas: pelo destino dos milhões de pessoas que foram assassinadas pelos Nazis. E por aquela rapariguinha a quem lhe faltava a confiança e o bom senso para falar contra eles no momento certo."
Achei o livro interessantíssimo pelo que me revelou sobre como uma rapariga alemã pensou (ou melhor, como não pensou) e como viveu junto a Hitler, perceber que tipo de poder, de imagem tinha este homem sobre as pessoas comuns, que tipo de pessoas conviviam com ele. Tentar perceber a cegueira e como evitar um mal deste tipo.
Nota: as traduções são minhas do inglês.
Cidades
Andei por aqui:

Andei dois dias a vaguear em Freiburg. Freiburgo é uma cidade no Sudoeste da Alemanha, perto da fronteira com a França. É uma daquelas cidades que dão gosto. É feita para as pessoas, onde se pode caminhar e correr por todo o lado; onde há verde e beleza e um senso de bem viver. Onde os carros têm o seu lugar, que não é acima das pessoas. Quando não apetece caminhar ou é longe demais há transporte público rápido e eficiente. Inevitável, por vezes parava a comparar com certas cidadezinhas portuguesas em que há carros e carros por todo o lado e o pobre peão a ziguezaguear, a ter de abandonar o passeio pela estrada; a fazer desvios para não morrer atropelado ou porque cortam passagem com umas estradas que parece que para o planeador (se existiu algum) não são para ser atravessadas; há muito barulho e muito fumo e chega-se a casa cansado só por se ter tido a desfaçatez de caminhar. Dos transportes públicos... Quando existem horários já apetece comemorar... Parques verdes de jeito são poucos, senão inexistentes. Na maior parte das vezes são microscópicos e correr neles significa andar às voltas numa circunferência tão ridiculamente pequena que se fica zonzo. Tem-se a sensação que passear neles com uma criança é arriscá-la a problemas de saúde, já que há porcaria de cão por todo o lado. "Luís Manuel não mexas, filho, não mexas em nada! Toma álcool, desinfecta as mãos!" O ridículo é que eu nem pensava em cidades grandes, pensava em Faro, por exemplo. Uma caganeta de cidade. Ou Coimbra. Cidades pequenas que não deviam ser tão perigosas para o equilíbrio nervoso. Caganetas...

Andei dois dias a vaguear em Freiburg. Freiburgo é uma cidade no Sudoeste da Alemanha, perto da fronteira com a França. É uma daquelas cidades que dão gosto. É feita para as pessoas, onde se pode caminhar e correr por todo o lado; onde há verde e beleza e um senso de bem viver. Onde os carros têm o seu lugar, que não é acima das pessoas. Quando não apetece caminhar ou é longe demais há transporte público rápido e eficiente. Inevitável, por vezes parava a comparar com certas cidadezinhas portuguesas em que há carros e carros por todo o lado e o pobre peão a ziguezaguear, a ter de abandonar o passeio pela estrada; a fazer desvios para não morrer atropelado ou porque cortam passagem com umas estradas que parece que para o planeador (se existiu algum) não são para ser atravessadas; há muito barulho e muito fumo e chega-se a casa cansado só por se ter tido a desfaçatez de caminhar. Dos transportes públicos... Quando existem horários já apetece comemorar... Parques verdes de jeito são poucos, senão inexistentes. Na maior parte das vezes são microscópicos e correr neles significa andar às voltas numa circunferência tão ridiculamente pequena que se fica zonzo. Tem-se a sensação que passear neles com uma criança é arriscá-la a problemas de saúde, já que há porcaria de cão por todo o lado. "Luís Manuel não mexas, filho, não mexas em nada! Toma álcool, desinfecta as mãos!" O ridículo é que eu nem pensava em cidades grandes, pensava em Faro, por exemplo. Uma caganeta de cidade. Ou Coimbra. Cidades pequenas que não deviam ser tão perigosas para o equilíbrio nervoso. Caganetas...
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