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sexta-feira
Já que estou com a mão no absurdo
Se havia dúvidas de que Zidane é grande, maior que ele próprio, estão ultrapassadas com o uso da sua final cabeçada para as mais diversas e absurdas analogias e referências. O Bentozito ainda o há-de usar numa das suas homílias. É só esperar. Mas o uso de Zidane permeia a irracionalidade. Andava eu ontem pelo Haaretz e li que as autoridades francesas declararam que o ataque ao Líbano é desproporcionado. Não foram os únicos, mas os franceses foram os sacos de porrada dos comentários, que eles constituem os bodes expiatórios destas coisas. O argumento era de que os franceses são uns hipócritas, pois perdoaram a cabeçada de Zidane quando o italiano só disse meras palavras, o que é o perdoar de uma desproporção e não perdoam Israel da sua desproporção. Comparar a cabeçada de Zidane com o ataque ao Líbano? É daqueles momentos em que poderia começar às gargalhadas, se o assunto não fosse tão sério. Agora vou mandar um méil ao Bento a ver se há algum convento no Vanuatu.
quarta-feira
Maldade em coma
A EII (rapariga italiana a quem eu chamo Enciclopédia de Informação Inútil, que é dona de dicionários, enciclopédias, tem três livros meus que está sempre a dizer que tem, mas nunca devolve, que sabe a capital da Mongólia e que me irrita até às raízes dos cabelos) está um pouco chateada que ninguém discuta a vitória da Itália e só se discuta o que disse o Materazzi. Parece que a natureza humana não está explicada nas enciclopédias dela. Estive vai que não vai para lhe dizer que não há nada a discutir. A Itália não mereceu ganhar. Ponto final, parágrafo. Não disse. Estou demasiadamente infeliz para ser má com ela. {suspiro}
segunda-feira
domingo
poesia fadada
Estou a preguiçar num dia cinzento e abafado e a matutar nas possíveis implicações teo-agro-futo-filosóficas de dois golos humilhantes aos pés do trepador de porcos (Schweinesteiger, como o pobre rapaz deve ter sido gozado na escola). Tento afastar estes pensamentos desagradáveis concentrando-me no dueto de Figo e Nuno Gomes. Tão simples e tão difícil. Enfim, poesia...
quinta-feira
o mérito
Fiz como prometido: sofri com classe. E fiquei triste. Não por mim, pelos jogadores. Não se podem queixar. Futebol também é sorte. Fica o sabor azedo de um penalti generoso, mas lembram-se como a Itália ganhou à Austrália? Fica a irritação com Pauleta, o mistério Pauleta, o desespero de ver Miguel a sair e o semblante de Figo. Foi bom. Scolari vai ficar mais dois anos, não? O mérito, para aqueles que gostam de falar de mérito, é dele. Ranjam os dentes à vontade, fechem os olhos à evidência, inventem histórias de conspiração, mudem-se para Inglaterra, o mérito deste mundial em português é de Scolari.
P.S.: Lá se foi a minha intelectualidade... :-)
P.S.: Lá se foi a minha intelectualidade... :-)
quarta-feira
Orgulho português
A França do futebol treme a algumas horas da semi-final França-Portugal.Se isso não te chateia Carlos, eu hoje preferiria que dormissemos em camas separadas.
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bad girl
A minha mãe esteve-me a dar sermão. Acha de muito mau tom que eu esteja tão feliz com a derrota dos meus anfitriões. Nem percebe porquê esta minha irascibilidade. Eu disse-lhe que o futebol também é para isto: para nos livrarmos dos maus sentimentos. É a minha oportunidade para dar vazão a todas as irritações com os alemães. Mas a partir de hoje volto a ser uma gentlewoman. A partir de agora, sem partidarismos à flor da pele, que ganhe o melhor. Eu sei. É Portugal. Sofrerei com classe.
Uma festita. Duas festitas?
O tempo extra do jogo de ontem foi espectacular. Uau. Estou rouca hoje, que isto de três almas encherem uma rua alemã de gritos de vitória no dia de ontem... foi obra.
Apanhamos um autocarro e fomos ao centro fazer de abutres a ver as carcaças. O autocarro era como um caixão. É estranho gargalhar num caixão. Do meu posto de observação só vi duas brigas: uns punks que resolveram queimar uma bandeira alemã, sendo que outros levaram aquilo a peito. [Fiquei a saber que nem todas as bandeiras são feitas do mesmo material e queimam bem. Os punks deviam ter comprado uma feita para o mercado do médio oriente. Mas punk não pensa...] Outra porque um bêbado resolveu que um carro o estava a empatar e começou-lhe aos pontapés, sendo que o condutor também não achou muita piada. Mas foram umas briguitas de nada. Mais cantos de galo, agarrem-me que eu mato-o, este estilo. O meu amigo espanhol ficou desiludido pelo número reduzido de louras a precisar de ombro amigo e também com a falta de vigor das brigas. A cerveja deixou o pessoal todo mole.
Nisto comecei a receber ameaças de Itália. Para ter paúra... "Aspetta. Dopo parliamo." Mas alguém precisa de ter medo? Os comentaristas alemães informaram-nos ontem que os jogadores italianos são pequenos. O Cannavaro tem 1m75! É um anão! Se os alemães o dizem é porque é verdade! Os alemães têm é sorte de não haver o concurso "Os mais feios do mundial". Elevada probabilidade de levar a taça.
Apanhamos um autocarro e fomos ao centro fazer de abutres a ver as carcaças. O autocarro era como um caixão. É estranho gargalhar num caixão. Do meu posto de observação só vi duas brigas: uns punks que resolveram queimar uma bandeira alemã, sendo que outros levaram aquilo a peito. [Fiquei a saber que nem todas as bandeiras são feitas do mesmo material e queimam bem. Os punks deviam ter comprado uma feita para o mercado do médio oriente. Mas punk não pensa...] Outra porque um bêbado resolveu que um carro o estava a empatar e começou-lhe aos pontapés, sendo que o condutor também não achou muita piada. Mas foram umas briguitas de nada. Mais cantos de galo, agarrem-me que eu mato-o, este estilo. O meu amigo espanhol ficou desiludido pelo número reduzido de louras a precisar de ombro amigo e também com a falta de vigor das brigas. A cerveja deixou o pessoal todo mole.
Nisto comecei a receber ameaças de Itália. Para ter paúra... "Aspetta. Dopo parliamo." Mas alguém precisa de ter medo? Os comentaristas alemães informaram-nos ontem que os jogadores italianos são pequenos. O Cannavaro tem 1m75! É um anão! Se os alemães o dizem é porque é verdade! Os alemães têm é sorte de não haver o concurso "Os mais feios do mundial". Elevada probabilidade de levar a taça.
terça-feira
Caga nisso
O grupo emigrado em Hamburgo conseguiu concordar que de entre os 4 finalistas do Campeonato Mundial de Futebol, a Alemanha é a menos coxa. Mas também concordamos que estamos a cagar-nos para isto e o que queremos é que ganhem os outros, ainda que piores. Se for preciso pisar os bullocks do Ballack*...
* Foi só para fazer o trocadilho... :-)
P.S.: depois da batatada final entre argentinos e alemães, em que dos testemunhos dados aos jornais, só consegui perceber que ninguém viu nada, mas que foram os outros que começaram tudo, os espertalhões dos italianos ofereceram uma gravação à FIFA em que o Frings está mesmo a fazer algo. Hoje não vai poder jogar. A vingança não se fez esperar: declarou que não come mais pizza!
* Foi só para fazer o trocadilho... :-)
P.S.: depois da batatada final entre argentinos e alemães, em que dos testemunhos dados aos jornais, só consegui perceber que ninguém viu nada, mas que foram os outros que começaram tudo, os espertalhões dos italianos ofereceram uma gravação à FIFA em que o Frings está mesmo a fazer algo. Hoje não vai poder jogar. A vingança não se fez esperar: declarou que não come mais pizza!
segunda-feira
Es gibt ein Leben nach WM, oder?
Que festaréu por aqui foi. Que vale de lágrimas.
Tudo começou comigo a correr do trabalho para ir ver o Argentina-Alemanha. Estava um bocado ensonada e não percebi o jogo da Argentina. Mas os gajos estão a jogar à defesa? Mas agora sai o Riquelme? Mete o Messi, tira o Crespo! Fodas, lá está. Um golo dos boches! No fim eu de lagriminha no olho num abraço contra-natura com duas espanholas. Nisto recebo um telefonema de um amigo meu que se armou em capitalista, comprou uns bilhetes para o Itália-Ucrânia e agora não conseguia vender um dos bilhetes e telefonou-me para cortar as perdas. Eu sou um coração mole, que mal põem a amizade no argumento, salto pavlovianamente em socorro. Portanto, comecei a correr novamente, agora para o estádio-arena. Vi novo jogo ensonada, gritei muitas vezes Shevcha, que era o que os italianos gritavam também. Os italianos devem ser das torcidas com mais piada. Nunca estão calados, chamam nomes queridos aos jogadores: "Vaaaai Jenny!", "Ma che fai, Gigi?", muitos iiis e uma pessoa começa a pensar que está a ver futebol feminino. O que valia era o Gattuso que com aquele ar de troglodita impossivelmente passa por mulher. Tirando a claque, achei a experiência uma realíssima seca. No fim emocionei-me com o Shevcha a dizer adeus aos apoiantes italianos, que lhe retribuiram o gesto [ele estava a jogar num dos milões e agora vai para a Inglaterra, penso que para o Chelsea].
Pela cidade, as ruas estavam cheias, os alemães enbebedavam-se com bonomia, desprendiam-se da alegria que têm guardada dentro da carteira para estes momentos mais alcoolizados. Eu fui na onda, esquecida da desilusão de não os ver a chorar.
Já agora, um aparte, tenho de contar a obsessão dos comentaristas dos jogos aqui na Alemanha com as medidas dos jogadores. No jogo Argentina - México fizeram um grande alarde porque um mexicano pesava 55 kg. No jogo Argentina - Alemanha quase tiveram uma síncope porque o tipo que marcou o golo com a cabeça mede 1m77!!!!! Eu que normalmente tenho uma relação inócua com o alemão (entra-me por um ouvido e sai imediatamente pelo outro sem digestão), faço agora esforço para ouvir, porque é tão patético que dá vontade de rir.
Sábado. Acordei com a amiga argentina a telefonar-me para irmos ver o jogo de Portugal juntas num bar. Dei-me conta que ainda estava vestida. Uma dor de cabeça zoava-me a consciência. Fiz tudo muito devagarinho e cheguei atrasada para o jogo. Não consegui prestar muita atenção que a italiana não se calava (aquela, a enciclopédia de informação inútil, que me irrita profundamente). Mas será possível não dar conta que eu não quero saber e que só olho para ela de vez em quando e faço "hum hum" de vez em quando por um caso de mínimo de educação? Daahhh. Prestei atenção ao tempo adicional e sofri nos penaltis. Eu era a única portuguesa e a maioria estava pela Inglaterra. Melhor que a nossa equipa ganhar, é ganhar nas barbas do inimigo. Delicioso. Por acaso eu já disse que depois dos alemães, os tipos que eu detesto mais são os ingleses? Agora já sabem. Tenho um coração de manteiga quando vejo homens a chorar no campo, mas alemães e ingleses quanto mais baba e ranho, melhor.
O que o Rooney fez foi um ataque à pátria. Um vermelho é muito pouco. Anda aqui uma nação em tremores por causa da baixa da natalidade e o gajo vai aos tomates do Ricardo Carvalho? Isto merecia que a nossa Mossad lhe fizesse uma espera. Andei a ler a teoria da conspiração que a imprensa inglesa inventou para o Cristiano. É fantástico. É tão fixe que eles estejam tão chateados. Espero é que não sobre para o Cristiano. Se bem que eu própria me perguntei que "meiguice" foi aquela dele ao Rooney aquando do apito de partida? A cara dele não é de amigo quando se afasta. Acho que há novela entre os dois. Hehehe...
Pouco vi do jogo França-Brasil, que passei o tempo na conversa. Antes do jogo começar, a minha amiga argentina chegou furiosa, fazendo as rodas da bicicleta derrapar. Então pá? Que tinha passado por uns brasileiros, que lhes tinha gritado "Vai Brasil!" e eles na resposta, vendo-lhe a camisola argentina, responderam "Argentina va a casa!" Ela estava furibunda. Ao fim do jogo disse "Toma, que eles não são melhores que a Argentina!".
Eu cá, logo no início, declarei o meu apoio incondicional ao Brasil, apesar de achar que Portugal tem mais hipóteses com a França. Os espanhóis não perceberam. Opá, ó amiguitos, Brasil é Brasil e depois com Portugal logo se vê. Eu perguntei aos espanhóis quem é que eles apoiavam agora. Eles disseram que estão sem alternativas. Oh, apoiem Portugal que nunca ganhou. Nem pensar, disseram. Portugal com uma estrela ao peito e a Espanha com nenhuma? Nós, uns pequenitates, sem água, pobres? Não se preocupem, eles estavam só a provocar-me. Eles sabem tanto de Portugal como eu da Mongólia. O que eles sabem de nós é clichês. O fado, a tristeza, a saudade.
Bem, deixo a publicidade a fazer furor aqui pelo burgo. Para amanhã: FORÇA ITáLIA!!!!
fonte.
P.S.: Alguém me pode explicar o que está a acontecer em Portugal para que o meu blogue tenha sido inundado desde ontem por gente que usa a frase de busca "os mais bonitos do mundial"? Porque é que só a partir de ontem e em catadupa?
Tudo começou comigo a correr do trabalho para ir ver o Argentina-Alemanha. Estava um bocado ensonada e não percebi o jogo da Argentina. Mas os gajos estão a jogar à defesa? Mas agora sai o Riquelme? Mete o Messi, tira o Crespo! Fodas, lá está. Um golo dos boches! No fim eu de lagriminha no olho num abraço contra-natura com duas espanholas. Nisto recebo um telefonema de um amigo meu que se armou em capitalista, comprou uns bilhetes para o Itália-Ucrânia e agora não conseguia vender um dos bilhetes e telefonou-me para cortar as perdas. Eu sou um coração mole, que mal põem a amizade no argumento, salto pavlovianamente em socorro. Portanto, comecei a correr novamente, agora para o estádio-arena. Vi novo jogo ensonada, gritei muitas vezes Shevcha, que era o que os italianos gritavam também. Os italianos devem ser das torcidas com mais piada. Nunca estão calados, chamam nomes queridos aos jogadores: "Vaaaai Jenny!", "Ma che fai, Gigi?", muitos iiis e uma pessoa começa a pensar que está a ver futebol feminino. O que valia era o Gattuso que com aquele ar de troglodita impossivelmente passa por mulher. Tirando a claque, achei a experiência uma realíssima seca. No fim emocionei-me com o Shevcha a dizer adeus aos apoiantes italianos, que lhe retribuiram o gesto [ele estava a jogar num dos milões e agora vai para a Inglaterra, penso que para o Chelsea].
Pela cidade, as ruas estavam cheias, os alemães enbebedavam-se com bonomia, desprendiam-se da alegria que têm guardada dentro da carteira para estes momentos mais alcoolizados. Eu fui na onda, esquecida da desilusão de não os ver a chorar.
Já agora, um aparte, tenho de contar a obsessão dos comentaristas dos jogos aqui na Alemanha com as medidas dos jogadores. No jogo Argentina - México fizeram um grande alarde porque um mexicano pesava 55 kg. No jogo Argentina - Alemanha quase tiveram uma síncope porque o tipo que marcou o golo com a cabeça mede 1m77!!!!! Eu que normalmente tenho uma relação inócua com o alemão (entra-me por um ouvido e sai imediatamente pelo outro sem digestão), faço agora esforço para ouvir, porque é tão patético que dá vontade de rir.
Sábado. Acordei com a amiga argentina a telefonar-me para irmos ver o jogo de Portugal juntas num bar. Dei-me conta que ainda estava vestida. Uma dor de cabeça zoava-me a consciência. Fiz tudo muito devagarinho e cheguei atrasada para o jogo. Não consegui prestar muita atenção que a italiana não se calava (aquela, a enciclopédia de informação inútil, que me irrita profundamente). Mas será possível não dar conta que eu não quero saber e que só olho para ela de vez em quando e faço "hum hum" de vez em quando por um caso de mínimo de educação? Daahhh. Prestei atenção ao tempo adicional e sofri nos penaltis. Eu era a única portuguesa e a maioria estava pela Inglaterra. Melhor que a nossa equipa ganhar, é ganhar nas barbas do inimigo. Delicioso. Por acaso eu já disse que depois dos alemães, os tipos que eu detesto mais são os ingleses? Agora já sabem. Tenho um coração de manteiga quando vejo homens a chorar no campo, mas alemães e ingleses quanto mais baba e ranho, melhor.
O que o Rooney fez foi um ataque à pátria. Um vermelho é muito pouco. Anda aqui uma nação em tremores por causa da baixa da natalidade e o gajo vai aos tomates do Ricardo Carvalho? Isto merecia que a nossa Mossad lhe fizesse uma espera. Andei a ler a teoria da conspiração que a imprensa inglesa inventou para o Cristiano. É fantástico. É tão fixe que eles estejam tão chateados. Espero é que não sobre para o Cristiano. Se bem que eu própria me perguntei que "meiguice" foi aquela dele ao Rooney aquando do apito de partida? A cara dele não é de amigo quando se afasta. Acho que há novela entre os dois. Hehehe...
Pouco vi do jogo França-Brasil, que passei o tempo na conversa. Antes do jogo começar, a minha amiga argentina chegou furiosa, fazendo as rodas da bicicleta derrapar. Então pá? Que tinha passado por uns brasileiros, que lhes tinha gritado "Vai Brasil!" e eles na resposta, vendo-lhe a camisola argentina, responderam "Argentina va a casa!" Ela estava furibunda. Ao fim do jogo disse "Toma, que eles não são melhores que a Argentina!".
Eu cá, logo no início, declarei o meu apoio incondicional ao Brasil, apesar de achar que Portugal tem mais hipóteses com a França. Os espanhóis não perceberam. Opá, ó amiguitos, Brasil é Brasil e depois com Portugal logo se vê. Eu perguntei aos espanhóis quem é que eles apoiavam agora. Eles disseram que estão sem alternativas. Oh, apoiem Portugal que nunca ganhou. Nem pensar, disseram. Portugal com uma estrela ao peito e a Espanha com nenhuma? Nós, uns pequenitates, sem água, pobres? Não se preocupem, eles estavam só a provocar-me. Eles sabem tanto de Portugal como eu da Mongólia. O que eles sabem de nós é clichês. O fado, a tristeza, a saudade.
Bem, deixo a publicidade a fazer furor aqui pelo burgo. Para amanhã: FORÇA ITáLIA!!!!
fonte.P.S.: Alguém me pode explicar o que está a acontecer em Portugal para que o meu blogue tenha sido inundado desde ontem por gente que usa a frase de busca "os mais bonitos do mundial"? Porque é que só a partir de ontem e em catadupa?
terça-feira
O que mais nos irá acontecer
Pobres de nós latinos. Eu ainda estou com uma ressaca de rugby, os italianos também vieram de uma vitória mais envergonhados que outra coisa e agora os amiguitos foram despachados. Pela França, de quem eu tinha muita peninha. Eu realmente. Às vezes mais valia estar calada.
segunda-feira
Indecisa
Escondo a minha nacionalidade para que ninguém pense que eu sou uma bárbara (de barbarian) ou uso-a como sinalização "se te metes comigo dou-te uma cabeçada que até te viro"?
Perder a calma
A minha irmã esteve a explicar-me como se perde o controlo num jogo de futebol fazendo analogias com o trabalho de parto. Parece que os jogadores podiam ter-se esquecido de como respirar. Afinal, não correu assim tão mal.
O jogo
Não o vi. Na primeira parte estive à espera de um amigo que chegava de Itália e na segunda parte, incapaz de ver o rugby, virava costas e abraçava-me a ele. E nem tive psíquico para usufruir.
quarta-feira
Como se está de loucuras?
Vós, imagino, estais já fartos do slogan que li no autocarro da equipe portuguesa. Aquele que diz algo como "Uma bandeira em cada janela. Uma nação no relvado." O M., o meu amigalhaço croata, achou bonito. Eu estava demasiadamente ocupada a resmungar que não queria ver o autocarro, que é uma estupidez, um servilismo de beija-cú dos fãs. Um autocarro é um autocarro que é um autocarro! Um rapaz alemão, como com quase todos os rapazes alemães que conheci, resolveu elucidar-me (parvos idiotas paternalistas) que aquela visão podia acontecer uma só vez. Ignorei-o e comentei com o M. que os vidros escuros era para esconder as negociações dos angolanos com os portugueses, para estes ganharem ao México. A oportunidade lusa para uns negócios escusos com diamantes. O M. adora este tipo de piadas e eu gosto de o ver feliz. Foi muito mais memorável e divertido ter apanhado com o Oceano no eléctrico. Qual é a probabilidade de eu me enganar no eléctrico em Frankfurt e ter o Oceano a um metro de mim? Ele e outro tipo alto, que também foi jogador da selecção, mas não me alembra o nome. Lembro-me claramente da cara, mas o nome não está registado.
Se querem saber sobre as bandeiras aqui em Hamburgo: há algumas pelas janelas. Discreto, nada de loucura. As bandeiras que se estão lentamente a reproduzir com os dias são as espetadas nos carros. Não só uma bandeira em cada carro. Pode ir até quatro, todas da Alemanha ou uma mistura, não sei se de afectos parciais ou duplas nacionalidades ou triplas fidelidades ou quadradas bestialidades.
Se querem saber sobre as bandeiras aqui em Hamburgo: há algumas pelas janelas. Discreto, nada de loucura. As bandeiras que se estão lentamente a reproduzir com os dias são as espetadas nos carros. Não só uma bandeira em cada carro. Pode ir até quatro, todas da Alemanha ou uma mistura, não sei se de afectos parciais ou duplas nacionalidades ou triplas fidelidades ou quadradas bestialidades.
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segunda-feira
FDS de Bola
Que dia... Além de abafado no aquário em que trabalho, custou-me a tirar da cabeça a maluqueira futebolística do fim-de-semana. No sábado à noite a boazona do grupo urgiu-nos a falar de outra coisa e houve um silêncio, até que nos demos conta de que não há nada de que queiramos falar, nada de interesse, nada que valha a pena, para lá de futebol. Assim, ela deixou-nos e continuou a sua rotina de ir amealhando os convites que lhe vão caindo dos tipos no bar. Ainda no sábado, perdi a paciência com os alemães. Acabada de chegar de Frankfurt do Portugal-Irão, eu ainda vinha deliciada com Cristiano Ronaldo e os seus truques, o prazer de o ver a correr, a dançar, a ser magia deliciosa. Os alemães informaram-me de que ele não foi eficiente, foi egoísta, não jogou para a equipe. Não foi eficiente? EFICIENTE? Se pudesse tinha cuspido veneno junto com a palavra e acertado-lhes no meio da cara. Claro que tentar explicar a um alemão que o resultado não é tudo, é como tentar explicar o aquecimento global ao André Azevedo Alves (um dos insurgentes que me ocupou alguns postes anteriores. Não o linco porque me chateia que venha para aí masturbar o sitemeter). Após o tête-a-tête amainar, recomeçamos outra conversa futebolística: eu e o M. a choramingar o azar da Costa do Marfim ter calhado no grupo em que calhou e agora vão deixar-nos com muitas saudades. Lá vieram de assalto os alemães do futebol-geometria. De novo: não são eficientes! Eu tenho de sair deste país ou estes gajos ainda me arranjam uma úlcera. Futebol a alemães é como pérolas a porcos.
Estive também nas tertúlias "os mais giros". A minha amiga argentina gosta do Ballack (peloamordedeus). Este mundial está a pôr em perigo a nossa amizade. Ela é doente, ela não tira a camisola da argentina desde que o mundial começou, ela andava a deitar a língua de fora aos espanhóis porque eles só meteram 4 secos enquanto que os argentinos meteram 6! Eu espero que Portugal não jogue com a Argentina, pois ela é uma pequenitates e se me irrita muito ainda lhe amando com um vermelho no meio do nariz.
Hoje encontrei a trupe espanhola do instituto em que trabalho. Disseram-me que eram poucos para ver o jogo. Perguntaram-me se eu hoje queria ser espanhola. Disse que sim, com prazer. Eu gosto dos espanhóis. Gente boa. E agora tenho de deixar o computador e correr para me encontrar com eles, mas para finalizar: ainda não me recompus do França - Coreia. Nos primeiros momentos detestei a Coreia e depois percebi que era deja vu. O mundial sem a França... O mundial sem Zidane... Suspiro... É nestes momentos que me dói o tempo a passar.
fonte.
Nota de atenção: Penso que não se devia ensinar inglês aos membros do sexo masculino do país Portugal. Grunhices em português vá que não vá, fica entre nós, mas grunhices em inglês para toda a gente perceber! Por amor de deus homens, não venham para a Alemanha embaraçar-me!
Estive também nas tertúlias "os mais giros". A minha amiga argentina gosta do Ballack (peloamordedeus). Este mundial está a pôr em perigo a nossa amizade. Ela é doente, ela não tira a camisola da argentina desde que o mundial começou, ela andava a deitar a língua de fora aos espanhóis porque eles só meteram 4 secos enquanto que os argentinos meteram 6! Eu espero que Portugal não jogue com a Argentina, pois ela é uma pequenitates e se me irrita muito ainda lhe amando com um vermelho no meio do nariz.
Hoje encontrei a trupe espanhola do instituto em que trabalho. Disseram-me que eram poucos para ver o jogo. Perguntaram-me se eu hoje queria ser espanhola. Disse que sim, com prazer. Eu gosto dos espanhóis. Gente boa. E agora tenho de deixar o computador e correr para me encontrar com eles, mas para finalizar: ainda não me recompus do França - Coreia. Nos primeiros momentos detestei a Coreia e depois percebi que era deja vu. O mundial sem a França... O mundial sem Zidane... Suspiro... É nestes momentos que me dói o tempo a passar.
fonte.Nota de atenção: Penso que não se devia ensinar inglês aos membros do sexo masculino do país Portugal. Grunhices em português vá que não vá, fica entre nós, mas grunhices em inglês para toda a gente perceber! Por amor de deus homens, não venham para a Alemanha embaraçar-me!
quarta-feira
No expresso da meia noite*
Vinda do Brasil - Croácia, no comboio de Berlim, conversei com um moço japonês que vinha a ler um livro que explica O Código Da Vinci do Dan Brown. Dizia-me ele que tinha lido o livro, visto o filme e agora queria perceber o que é verdade e mentira. Eu comecei-me a rir e disse-lhe que ao fim ainda lhe davam um diploma. Ele não se riu, mas também não me senti mal, pois ele era muito simpático de uma maneira muito calma. Eu estava demasiamente cansada para ler, feliz por ter alguém com quem conversar já que o M. andava a conversar com outros croatas.
Tirei da mala o livro The time of our singing, de Richard Powers, que ando a ler e fiz o maior dos elogios, pois é um livro deslumbrante. Já estive várias vezes para escrever sobre ele aqui no blogue, mas é difícil. Tem sido muito emocional, eu como que trago as personagens dentro de mim, quase que de alguma forma as amo, sentindo-lhes a falta antecipada de quando acabar o livro. Nos EUA da luta pelos direitos dos negros, uma mulata, cujo sonho impossível é ser cantora clássica (nos EUA seria negra, porque uma das bases do livro é a questão racial ser vista na dualidade: é-se branco ou é-se preto) e um físico alemão judeu e branco apaixonam-se. A imagem que é dada é a de que o peixe e o pássaro apaixonam-se. Onde podem eles fazer o seu ninho? Esta é a peça central deste livro, que derrama um lirismo pelas páginas que é tão bom que chega a ser obsceno. Os dois casam e têm dois filhos e uma filha. Ambos apaixonados pela música dão aos seus filhos esse mundo de harmonia e fuga. Pretendem criá-los para lá da raça. Cada um deles será a sua própria raça. A luta é constante. Quando os filhos crescem está-se no pico da convulsão (Panteras negras, demonstrações a acabar em violência, Martin Luther King). Aos filhos é-lhes negada a pertença da música que eles aprenderam e amam, porque justificação, é música branca. A filha segue o mesmo raciocínio e é ela própria que a nega. Uma amiga minha, que já leu o livro, disse-me que ele veio pôr em questão a sua ideia de que bastava ter uma família cheia de amor para as pessoas poderem ser completas. Quando se ama um livro a situação extravasa a loucura. Páro a ouvir ópera numa onda de nostalgia que me sucumbe e até quando estou a ver futebol (cheiínho que está de mulatos) pareço ver as personagens a correr para cima e para baixo e esqueço-me do jogo.
Eu e o moço do comboio falamos das armadilhas chamadas livrarias e aí ele disse-me que nesse dia tinha comprado o último livro do Al Gore, An Inconvenient Truth. Perguntei-lhe se podia folhear o livro. Ele acedeu. Achei piada que, depois dos meus últimos postes, fosse ali com aquele estranho que o livro me viesse parar às mãos. O livro é figuras, fotografias e frases curtas e directas. É um prazer para os olhos e pareceu-me esclarecedor da forma mais simples possível. Não vi erros, mas não o li todo. Tem alguns textos mais longos e li um, mas não era sobre o Aquecimento Global ou as Alterações Climáticas. Era sobre a irmã dele. Sobre ela ter morrido com cancro dos pulmões devido a ser fumadora desde os treze anos. Ele pensa que se não fosse a campanha das empresas de tabaco contra a investigação da altura, ridicularizando, minimizando, relativizando a ciência feita, as pessoas poderiam ter visto mais cedo os riscos que corriam, incluindo a irmã dele. Ele compara a estratégia das companhias tabaqueiras com a estratégia hoje em relação à investigação do Aquecimento Global e das Alterações Climáticas, adiando a consciencialização do problema. Esta associação já a vi várias vezes, mas esta é a mais sentida e emocional. Estou a pensar comprar o livro e pareceu-me uma boa sugestão para as pessoas em geral que podem ler o essencial, sem linguagem especializada e sem ser aos bocados desgarrados.
Eu e o moço japonês combinamos ver juntos o jogo Croácia - Japão no Domingo. O M. também vem.
* Título dado para efeito. Foi verdadeiramente o expresso da 01:06.
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De Tom Toles, Washington Post, aqui.
Clicar sobre a figura para aumentar de tamanho.
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Quanto ao Brasil - Croácia: acabei por passar o jogo a torcer pela Croácia. Eu estava admirada comigo própria, mas os brasileiros não me deram razões para mudar o meu sangue. Foi infeliz que eu não tivesse tido a oportunidade de ver a magia canarinha ao vivo, mas, pelo menos, o M. está muito satisfeito por eu afinal me ter mostrado uma amiga fiel. Adorei o novo Estádio de Berlim, mas eu, nestas coisas de arquitectura, adoro a simplicidade e a junção do antigo com o novo. Para quem não sabe, este foi o Estádio Olímpico em que Hitler quis mostrar a superioridade da raça ariana e acabou por ser rasteirado pelo Jesse Owens.
Hoje no El País: ao escreverem sobre o jogo Brasil - Croácia descrevem o que é escrito na imprensa lusa e na imprensa croata. Nem uma menção à imprensa brasileira. Não é esquisito?
Tirei da mala o livro The time of our singing, de Richard Powers, que ando a ler e fiz o maior dos elogios, pois é um livro deslumbrante. Já estive várias vezes para escrever sobre ele aqui no blogue, mas é difícil. Tem sido muito emocional, eu como que trago as personagens dentro de mim, quase que de alguma forma as amo, sentindo-lhes a falta antecipada de quando acabar o livro. Nos EUA da luta pelos direitos dos negros, uma mulata, cujo sonho impossível é ser cantora clássica (nos EUA seria negra, porque uma das bases do livro é a questão racial ser vista na dualidade: é-se branco ou é-se preto) e um físico alemão judeu e branco apaixonam-se. A imagem que é dada é a de que o peixe e o pássaro apaixonam-se. Onde podem eles fazer o seu ninho? Esta é a peça central deste livro, que derrama um lirismo pelas páginas que é tão bom que chega a ser obsceno. Os dois casam e têm dois filhos e uma filha. Ambos apaixonados pela música dão aos seus filhos esse mundo de harmonia e fuga. Pretendem criá-los para lá da raça. Cada um deles será a sua própria raça. A luta é constante. Quando os filhos crescem está-se no pico da convulsão (Panteras negras, demonstrações a acabar em violência, Martin Luther King). Aos filhos é-lhes negada a pertença da música que eles aprenderam e amam, porque justificação, é música branca. A filha segue o mesmo raciocínio e é ela própria que a nega. Uma amiga minha, que já leu o livro, disse-me que ele veio pôr em questão a sua ideia de que bastava ter uma família cheia de amor para as pessoas poderem ser completas. Quando se ama um livro a situação extravasa a loucura. Páro a ouvir ópera numa onda de nostalgia que me sucumbe e até quando estou a ver futebol (cheiínho que está de mulatos) pareço ver as personagens a correr para cima e para baixo e esqueço-me do jogo.
Eu e o moço do comboio falamos das armadilhas chamadas livrarias e aí ele disse-me que nesse dia tinha comprado o último livro do Al Gore, An Inconvenient Truth. Perguntei-lhe se podia folhear o livro. Ele acedeu. Achei piada que, depois dos meus últimos postes, fosse ali com aquele estranho que o livro me viesse parar às mãos. O livro é figuras, fotografias e frases curtas e directas. É um prazer para os olhos e pareceu-me esclarecedor da forma mais simples possível. Não vi erros, mas não o li todo. Tem alguns textos mais longos e li um, mas não era sobre o Aquecimento Global ou as Alterações Climáticas. Era sobre a irmã dele. Sobre ela ter morrido com cancro dos pulmões devido a ser fumadora desde os treze anos. Ele pensa que se não fosse a campanha das empresas de tabaco contra a investigação da altura, ridicularizando, minimizando, relativizando a ciência feita, as pessoas poderiam ter visto mais cedo os riscos que corriam, incluindo a irmã dele. Ele compara a estratégia das companhias tabaqueiras com a estratégia hoje em relação à investigação do Aquecimento Global e das Alterações Climáticas, adiando a consciencialização do problema. Esta associação já a vi várias vezes, mas esta é a mais sentida e emocional. Estou a pensar comprar o livro e pareceu-me uma boa sugestão para as pessoas em geral que podem ler o essencial, sem linguagem especializada e sem ser aos bocados desgarrados.
Eu e o moço japonês combinamos ver juntos o jogo Croácia - Japão no Domingo. O M. também vem.
* Título dado para efeito. Foi verdadeiramente o expresso da 01:06.
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De Tom Toles, Washington Post, aqui.Clicar sobre a figura para aumentar de tamanho.
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Quanto ao Brasil - Croácia: acabei por passar o jogo a torcer pela Croácia. Eu estava admirada comigo própria, mas os brasileiros não me deram razões para mudar o meu sangue. Foi infeliz que eu não tivesse tido a oportunidade de ver a magia canarinha ao vivo, mas, pelo menos, o M. está muito satisfeito por eu afinal me ter mostrado uma amiga fiel. Adorei o novo Estádio de Berlim, mas eu, nestas coisas de arquitectura, adoro a simplicidade e a junção do antigo com o novo. Para quem não sabe, este foi o Estádio Olímpico em que Hitler quis mostrar a superioridade da raça ariana e acabou por ser rasteirado pelo Jesse Owens.
Hoje no El País: ao escreverem sobre o jogo Brasil - Croácia descrevem o que é escrito na imprensa lusa e na imprensa croata. Nem uma menção à imprensa brasileira. Não é esquisito?
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Burrice
O meu amigo croata arranjou bilhetes para o Brasil-Croácia. Iupii, que bom, que bom, que felizes estamos, aí ele diz: temos de arranjar uma bandeira e eu digo: não te preocupes, eu tenho uma bandeira do Brasil. Ele foi-se embora sem me dizer palavra. Terei perdido o meu companheiro de mundial?
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