sexta-feira

Itália deu asilo ao afegao cristao

ROME - The Afghan man who faced the death penalty for converting from Islam to Christianity received asylum in Italy Wednesday, despite requests by lawmakers in
Afghanistan that he be barred from fleeing the conservative Muslim country.

Abdul Rahman arrived in Rome days after he was freed from a high-security prison on the outskirts of Kabul after a court dropped charges of apostasy against him for lack of evidence and suspected mental illness.


No Yahoo News

Pedófilos

Era só para aqueles que confundem pedofilia com homossexualidade...
Ligação a uma notícia em que os alegados agressores são homens e as alegadas vítimas, meninas.

1/3 do On Bullshit

Ok, não o acabei. Li 22 das 67 páginas A6. Vai dar para mais duas idas à casa-de-banho. Até agora foi um pouco seca e andou as 22 páginas à volta do conceito humbug! Só agora é que vai falar de bullshit!

Cenas

Há cerca de um mês, a Helena publicitou o livro On Bullshit de um Harry G. Frankfurt. Achei piada, fui à Amazon e encomendei-o. Distraidamente, está-se a ver, porque o livro chegou e eu fiquei surpreendida. Eu estava à espera de literatura para duas semanas... O livro tem as seguintes dimensoes: 10,5cm de largura, 16cm de altura, 1cm de espessura; as letras têm 2mm de altura e o espaço entre linhas são outros 2mm. Para quem não consegue visualizar: o livro é microscópico. O meu livro de endereços é maior! Eu sei que quantidade não é qualidade, mas eu sinceramente pensei haver mais para dizer sobre bullshit. Já que o Frankfurt resolveu ironizar escrevendo um livro vincando bem que é sem bullshit, eu ironizo lendo o livro numa ida à casa-de-banho. Portantos, aí vou eu.

quinta-feira

Uma História

Pouco depois do início do exílio nos telhados, os Wisps de Ardisht deram-se conta que muito em breve se acabariam os fósforos para acender os seus amados cigarros. Eles mantiveram uma contagem a giz na parede de uma das mais altas chaminés. Quinhentos. No dia seguinte, trezentos. No dia seguinte, cem. Eles racionaram-nos, queimaram-nos até chegar o lume aos dedos, tentando acender pelo menos trinta cigarros com cada. Quando chegaram aos vinte, acender um fósforo tornou-se uma cerimónia. Aos dez, as mulheres choravam. Nove. Oito. O líder do clã deixou cair o sétimo do telhado por acidente, atirando-se de seguida, em vergonha. Seis. Cinco. Era inevitável. O quarto foi apagado pela brisa - um enorme erro do novo líder do clã, que também se atirou para a morte, ainda que o mergulho de nariz não tenha sido escolha própria. Três: morreremos sem eles. Dois: É demasiadamente penoso continuar. Então, no momento de mais profundo desespero, uma grande ideia surgiu, por uma criança, ainda por cima: certifiquem-se que há sempre alguém a fumar. Cada cigarro pode ser aceso com um outro. Sempre que haja um cigarro aceso haverá a promessa de outro. O fim de cinza luzente é a semente de continuidade! Horários foram delineados: o turno da madrugada, o fumar da manhã, o puff do almoço, o serviço da tarde e da tardinha, a passa do crepúsculo, a sentinela solitária da meia-noite. O céu estava sempre aceso com pelo menos um cigarro, a candeia da esperança.

Em Tudo é iluminado (Everything is iluminated) de Jonathan Safran Foer

Tradução minha

A última do Spike Lee


Imaginem que são convidadas para um restaurante de luxo. Esmeram-se na vestimenta e nos retoques, estão luzentes. Chegam e está como esperado. Alta qualidade. Um primor. Nisto vem a comida. É um hamburguer. Por atacado é assim o último filme do Spike Lee. A carne é de boa qualidade, mas é um simples hamburguer.

O que mais gostei do filme está no início e no fim e é uma música de Bollywood (raramente estou que não vou para me levantar e dançar no cinema).

P.S.: Para as que gostam dos olhos verdes do Inside Man, aviso que o homem passa imenso tempo de óculos escuros.

quarta-feira

Mais Simplex de delapidar o país?

A desburocratização do País pode abrir a porta à construção na Reserva Ecológica Nacional (REN), classificação destinada a preservar zonas sensíveis. A maioria das alterações no território REN deixará de exigir uma decisão política e passará a ter apenas um parecer administrativo. Uma flexibilidade do programa Simplex que agrada ao ministro do Ambiente mas preocupa os ambientalistas, que temem a perversão deste argumento.

(...)

Nunes Correia disse ontem em Évora numa reunião da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) que "até agora a REN tem sido estritamente non edificandi. Isso é excessivo".

(...)

Joanaz de Melo, especialista em ordenamento do território, considera haver zonas de REN mal delimitadas e desactualizadas. Mas o importante, diz, é justificar a delimitação feita e aplicar critérios justos. "E nada faz crer que a subjectividade seja [maior] menor agora que a avaliação aos pedidos de desafectação passa para a mão dos técnicos. Muito pelo contrário. Basta recordar decisões políticas recentes para concluir que a qualquer coisa é reconhecido o interesse público", adiantou ao DN.

(...)

Além disso, diz Joanaz de Melo, "é preciso lembrar que serve para proteger zonas sensíveis, não apenas locais mas globais". Não estão em causa só valores naturais mas questões de segurança e protecção relacionados por exemplo, com recursos hídricos.


Hoje no Diário de Notícias.

O relatório sobre o lóbi israelita nos EUA

Ligaçoes ao relatório e reaçcoes no truthdig.

A necessidade de comunicar

Os blogues são outra, mais outra maneira das pessoas se exprimirem. Estamos sempre a comunicar desde que outro esteja a captar o nosso olhar, o nosso andar, manear, falar, sorrir, o que escrevemos, uma corrente de nós a chegar a alguém. Será mentira, pretensão, palermice, mentira, teatro, mas até no engano deixamos a nossa impressão pessoal. Estou aqui. Se responderes eu sei que existo.

terça-feira

Adopção

(...) Idália Moniz, secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, afirma que "os portugueses querem crianças pequeninas, sem irmãos e caucasianas (brancas). Quem vem buscar os outros, por incrível que seja, são os estrangeiros".

(...)

"em Portugal, quase temos mais pessoas que querem adoptar do que crianças para serem adoptadas", diz a secretária de Estado. O paradoxo reside no facto de haver mais candidatos a pais, desde que seja de crianças pequenas, caucasianas, sem irmãos ou deficiências. Só que bebés, há poucos.

(...)

Se, por um lado, temos o facto do processo de adopção poder levar até quatro anos; por outro, lamenta Idália Moniz, "não ajudam as preferências dos candidatos portugueses".

Recorde-se que, em Portugal, há mais de 15 mil jovens institucionalizados. Destes, determinou um estudo do Instituto da Segurança Social, levado a cabo em 2004, há apenas 10.800 entre os zero e os 21 anos (o JN encontrou internados com mais de 25 anos); e dos 10.800, apenas 800 reunem condições para a adopção, refere o levantamento. (...)


No Jornal de Notícias de hoje.


Sobre a adopção escreve o Carlos Furtado do Nortadas, num poste intitulado "A agenda de alguns, bem minoritários":

(...) Acredito que a familia tradicional é o mais forte pilar de uma sociedade. Apesar de todas as vicissitudes que os casamentos passam, uns aguentam e outros fraquejam, continua a ser esta a melhor forma organizacional e aquela onde melhor se consegue educar uma criança.

É entre um pai e uma mãe, entre um homem e uma mulher, que uma criança aprende o que é viver em sociedade. Aprende o que é uma sociedade.

Só que o processo de adopção ainda é quase um processo infinito. Os tempos de espera são verdadeiramente desesperantes, quer para quem pretende adoptar quer para quem deseja ser adoptado.
(...)
Infelizmente os prazos ultrapassam e muito os três anos. Não conheço muitos casos, mas os que conheço já vão nos 4 anos, já passaram uma série de exames, todos eles têm já um filho, mas ainda assim continuam à espera.

Imagine-se agora que a este processo lento e demorado, conseguimos meter umas areias mais: os casais homossexuais.


Vamos a imaginar que os homossexuais, essas areias entre os pilares da sociedade, em vez de verem a adopção como o adquirir o bébé de medida, côr e marca ideal, talvez sejam mais humildes. Em vez de se olharem no espelho com jactância achando que são os suportes da nossa civilização, talvez tenham uma visão da sociedade mais generosa. Talvez sabendo eles próprios o que é ser-se considerado os minoritários anormais, os refugos, talvez eles não se importem em dar guarida e amor aos outros que não estão dentro das imaginações de perfeição dos casais heterossexuais. Desta forma talvez estas crianças tenham uma ideia mais rica do que é a sociedade, do que é a variedade humana, talvez estas crianças melhorem a nossa sociedade. É a minha imaginação. Que numa sociedade ninguém é areia no mecanismo. Que todos fazemos parte e ninguém merece ser excluído porque não é da maioria padrão.

Novo governo palestiniano:

Pouco antes da votação, Haniyeh apelou a que a luta contra Israel não seja abandonada. "Nascemos do ventre da resistência. O braço da resistência não será tocado", afirmou o primeiro-ministro, um dia depois de ter pronunciado um discurso mais conciliatório, onde apelou a uma "paz justa" na região.

Haniyeh assumiu ainda perante os deputados que o seu Governo está disposto a dialogar com intermediários internacionais sobre o conflito israelo-palestiniano, sublinhando, porém, que não cederá a pressões económicas para aligeirar a sua posição sobre Israel.


No Público de hoje.

Novo governo palestiniano:

O primeiro-ministro palestiniano designado, Ismaïl Haniyeh, apelou ontem ao diálogo com a comunidade internacional para resolver o conflito no Médio Oriente, na apresentação do seu programa de governo ao Conselho Legislativo.

Os deputados palestinianos reunidos em Ramallah seguiram o discurso de Haniyeh, que falava em Gaza, através de videoconferência, uma vez que Israel impede as movimentações de líderes do Hamas entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, por motivos de segurança.

(...)

Israel reagiu de imediato ao discurso, acusando o Hamas de não reconhecer os acordos já assinados entre a AP [Autoridade Palestiniana] e Israel e de não responder às exigências da comunidade internacional: reconhecimento do direito à existência do Estado hebreu.

(...)

Os EUA, através do porta-voz do Departamento de Estado, recusaram os apelos ao diálogo, reafirmando que este está condicionado ao reconhecimento de Israel e, como tal, "a bola está no campo do Hamas".

A UE indicou que "não vai virar as costas ao povo palestiniano", mas que, para isso, os seus dirigentes devem "fazer as escolhas certas" (...)


No Diário de Notícias de hoje.

segunda-feira

Israel, um país racista?

(...) An absolute majority of the MKs in the 17th Knesset will hold a position based on a lie: that Israel does not have a partner for peace. An absolute majority of MKs in the next Knesset do not believe in peace, nor do they even want it - just like their voters - and worse than that, don't regard Palestinians as equal human beings. Racism has never had so many open supporters. It's the real hit of this election campaign.

One does not have to be Avigdor Lieberman to be a racist. The "peace" proposed by Ehud Olmert is no less racist. Lieberman wants to distance them from our borders, Olmert and his ilk want to distance them from out consciousness. Nobody is speaking about peace with them, nobody really wants it. Only one ambition unites everyone - to get rid of them, one way or another. Transfer or wall, "disengagement" or "convergence" - the point is that they should get out of our sight. The only game in town, the 'unilateral arrangement," is not only based on the lie that there is no partner, is not only based exclusively on our "needs" because of a sense of superiority, but also leads to a dangerous pattern of behavior that totally ignores the existence of the other nation.

(...)

Who would have believed that in Israel of 2006, the killing of an 8-year-old girl at short range, as happened last week in Yamoun, would barely be mentioned; that the ruthless attempt to expel an Ethiopian with AIDS who is married to an Israeli, just because he is not Jewish, would not raise hue and cry; and that the results of a poll showing that a majority of Israelis - 68 percent - don't want to live next to an Arab, did not raise a stink. If in 1981, tomatoes were being thrown at Shimon Peres and in 1995, there was incitement against Yitzhak Rabin, now there are no tomatoes, no incitement and not even any election rallies.

(...)

Morality has become a dirty work, and the worst corruption in the country's history, the occupation, was never mentioned. Only one-sided maps, similar to one another, all including the humongous "settlement blocs," a withdrawal based on "our needs," with a separation wall and the frightening air of indifference hovering above it all.
Opinião de Gideon Levy no Haaretz

por msn

Ele: Não me consigo concentrar.
Eu: A vida acaba em morte.
Ele: Como?
Eu: É melhor despachares-te.
Ele: És macabra!

Há uma semana que ele não me desconcentra.

Afegão cristão livre por agora

O juiz que preside ao caso do homem afegão que enfrenta a pena de morte por se ter convertido ao cristianismo suspendeu o processo, afirmando que o caso tinha falhas e enviou-o de novo para o Ministério Público. Abdul Rahman poderá assim ser já hoje libertado, enquanto se espera a revisão da acusação, segundo a Associated Press.

(...)

O caso de Rahman causou indignação nos países com tropas no Afeganistão, que têm pressionado o Presidente Hamid Karzai a intervir no caso. O sistema judicial afegão é baseado numa mistura entre a sharia e a lei civil - mas o judiciário é dominado por conservadores que gostariam de ver uma condenação. Uma das maneiras de evitar uma embaraçosa condenação sem desagradar por completo aos conservadores seria declarar Rahman mentalmente instável.

Abdul Rahman já disse que está de perfeita saúde, [e afirmou] afirmando-se mesmo disposto a sofrer o castigo da pena de morte pela sua nova fé. Rahman afirmou ainda que será ele próprio a encarregar-se da sua defesa, já que não conseguiu encontrar um advogado disposto a fazê-lo. Recusa ainda sair do país se isso for uma condição para ser libertado.
Hoje no Público (artigo com subscrição)

domingo

Somos muito maiores do que qualquer categoria

Nos Estados Unidos estima-se que milhões de mulheres estejam ou já tenham estado casadas com homens que experimentaram relações sexuais com outros homens. Em Portugal não há números. Mas sabe-se que "muitos casam sabendo da sua homossexualidade". Por medo. Ou apenas "porque sim". Nem sempre acaba em divórcio. Mas repetem-se os momentos de dor e confronto. "Sair do armário não é fácil". Sobretudo quando se está casado.

Pelos Renas e Veados dei-me conta de um artigo no Público sobre os casamentos fachada, em que homens homossexuais casam (em Portugal será escusado escrever com quem). O artigo irritou-me porque a jornalista [Andreia Sanches] mostra perceber a sexualidade a preto e branco (as pessoas ou são homossexuais ou heterossexuais e quem tem relações sexuais homossexuais é directamente homossexual) e não realça o efeito da própria sociedade e as suas exigências na procura destes homens em fazer uma vida "aceitável".

A parte do artigo que fez eco em mim foi o baseado numa entrevista ao sociólogo Pedro Vasconcelos:

"Somos muito maiores do que qualquer categoria"

Sociólogo Pedro Vasconcelos defende que nem aos terapeutas
nem ao Estado compete dizer o que devem ser as famílias

Pedro Vasconcelos, sociólogo que se tem dedicado ao estudo das questões da família e sexualidade, lembra: "Antes da modernidade europeia não se construíam identidades baseadas na sexualidade."
(...)
A partir do momento em que "esquemas religiosos de controlo foram substituídos por esquemas médicos" dá-se uma alteração "gigantesca". O indivíduo que tem sexo com outros indivíduos do mesmo sexo já não é o que "cede ao pecado" - "e, em última análise, no catolicismo a tentação do pecado é permanente e todos nós podemos ser contagiados" -, é um indivíduo que se encaixa numa categoria, diz.
"É um paradoxo: somos muito maiores do que qualquer categoria (homossexual, heterossexual, bissexual, assexual...). Todas são demasiado simples face ao que é o abismo interior de cada pessoa, dos seus desejos, fantasias, sentimentos, mas também vivemos na relação com essa categoria e com as suas pressões normativas", que são difíceis de romper.
Num casamento no Registo Civil, por exemplo, "o conservador não se limita a dizer "assine aqui" - faz um discurso moral, fala dos deveres, da fidelidade, do carácter heterossexual do casamento". Na opinião de Pedro Vasconcelos, "não compete ao Estado apresentar um modelo de vida". Tal como não compete a um terapeuta dizer "o que as famílias devem ser". "Por que é que o casamento tem de implicar a recusa de ter relações sexuais com outros?", exemplifica.
Por tudo isto, a sua opinião "pessoal e política" é de que "o instituto legal do casamento devia ser abolido" - "o que o Estado tem de fazer é reconhecer às pessoas, na maneira como elas querem viver a sua vida, os seu direitos enquanto pessoas". A.S.[Andreia Sanches]


Categorizar dá muito jeito e pode até ser essencial para perceber (coitada da estatística se não houvesse categorias), mas há áreas em que não se pode andar sempre a simplificar. Penso que a identidade sexual é uma delas.

Manter contacto

Dei-me conta que não fumava há meses, tantos que já não me lembrava a última vez. Fui comprar um maço. Faço questão de manter o contacto com os amigos.

sábado

País de imigrantes


de Bandeira no Diário de Notícias
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sexta-feira

Resposta ao Desafio

Eu vi a fotografia no The religious policeman (o tal blogue que eu recomendo vivamente...) e, não vão acreditar, mas as figuras de preto são mulheres no Irão a treinar para a polícia... Eu fiquei surpreendida que mulheres pudessem ser polícias. E admirei-lhes a capacidade de manobra. Descer ou subir aquilo vestidas de sotaina não deve ser fácil... No blogue que eu recomendo vivamente fazem ligação para o vídeo.

400

Na segunda-feira o primeiro-ministro José Sócrates vai apresentar cerca de 400 medidas para combater a burocracia.

Quatrocentas?!!