domingo

Não me lixem

Há pessoas que se viram para os fumadores e perguntam em total desconchavo de lógica, como é possível fazer algo tão sem lógica? Estamos a matar-nos tão lentamente que não é suicídio, o prazer que se tira daquilo é incompreensível para um não-fumador e por vezes mesmo para fumadores, que são uns meros viciados, que se meteram porque acharam que era fixe, que arranjavam mais garinas e isto para mim é que é total desconchavo de lógica, porque beijar alguém que fumou, ou é muito amor ou muito álcool. Eu não sei se sou viciada. Posso parar meses, posso parar porque estou de férias, posso parar porque me apetece, muito poucas vezes na vida me passei por um cigarro, mas fumo e fumo com prazer. É ilógico? Será lógico apanhar um avião para ir para umas meras férias, numa mera praia, cheia de turistas com cor de lagosta cozida, sabendo que isso anda a mudar o clima? Será lógico ter filhos quando estes só dão chatices e que a possibilidade que tomem conta de ti na velhice sejam do tamanho de uma ténia? Será lógico oferecer a existência a um deus? Mas alguém faz coisas a pensar em lógica? Porque é que um fumador tem de ser lógico?

As perguntas que as pessoas fazem aos fumadores é a perfeita ilustração de como as pessoas pensam relativamente aos outros e às suas preferências, perguntas que as pessoas sentem que podem fazer aos fumadores porque é agora socialmente aceitável menosprezar os fumadores nos atributos que pertencem a todos. Um viciado em açucar acha que é mais que um viciado em nicotina, por razões que me ultrapassam. A única coisa que aceito ser apontado a um fumador é que ele incomode outros. A partir do momento em que ele precavê o conforto dos outros, passa-se ao que realmente se passa: fumar é agora uma escolha moral. Eu quero que os moralistas do mundo se vejam ao espelho.

7 comentários:

Helena disse...

À parte aquela passagem de os filhos só darem chatices, clap clap clap.
Já estava a sentir falta!

Mas, cá para nós: fumar é uma coisa que não tem lógica nenhuma.
;-)

(o meu supermercado está com os Mon Chéri em saldo. comlicencinha, tenho de sair agora mesmo, vou comprar o stock todo)

abrunho disse...

Gostar de Mon Chéri não tem lógica nenhuma! :)

p.s.: eu não sou anti-filhos. Mas nos dias de hoje, não têm lógica nenhuma, mas nós não somos totalmente lógicos, nem temos de o ser. Alguém tem de os ter, mas não me parece haver falta de voluntários, apesar dos rumores.

Helena disse...

O problema do mon chéri é se cedes ao vício logo pela manhã, e ficas com hálito de álcool ainda antes do almoço.
Olha, boa ideia, cá vou eu. Mnham mnham.
Aí também há Lidl? Estavam mesmo baratos!

Ter filhos tem lógica, sim senhora. Para os obrigar a realizar aquilo que nós próprios não consguimos... ;-)

abrunho disse...

E quando é que desisto de o fazer eu mesma?

Luis disse...

Estás a falar no tabaco não é?

Helena disse...

Quando é que tu desistes de o fazer tu própria, não sei. A mim aconteceu mais ou menos quando comecei a ter os filhos. Piano, por exemplo. Por causa do Matthias deixei de tocar piano (se ele estava a dormir, acordava; se estava acordado, queria tocar ele) e agora ele que se desunhe. Desta família há-de sair um novo Lizst.
(Se ao menos eu soubesse como é que esse nome se escreve, Lizst ou Liszt...)

Não ligues, só estou a desvariar um bocadinho enquanto a gripe A não vem. Parece que nos está por um triz.

jj.amarante disse...

Eu parei de fumar há 3 anos mas foi só ao fim de 40 anos a fumar um maço por dia. Lembro-me de ter lido no Scientific American que quando se fumava um cigarro em menos de 9 fumaças fazia bastante pior do que se se fumasse com 14 fumaças. Depois tentei contar o número de fumaças várias vezes mas nunca consegui, esquecia-me da importância da contagem a meio do cigarro. Isto dá uma ideia da tranquilidade que dá o fumo. Com as proibições actuais estava-me a chatear cada vez com mais frequência por não poder fumar. Mas para quem conseguir fumar uns cigarritos de vez em quando, sem a sensação de carência, não deverá fazer muito mal.