quarta-feira

O meu sonho

Eu sinceramente penso que nunca contei isto a ninguém. Mas vao perceber porque (com chapéu) logo depois de saberem o que vou contar e a ideia que vao ter de mim logo a seguir. Sabem aquelas perguntas que os adultos nos deitam quando somos pequenos demonstrando que sao parvos? Devo dizer que o tempo que demorei a congeminar as respostas (tao pequeno que só é mensurável com um instrumento ainda a inventar) me dá uma certa segurança que sou intrinsecamente inteligente. Nao esperta, nao sou esperta, sou inteligente. Uma pergunta é aquela do se gostas mais da mae ou do pai. Eu gostava de ter uma gravaçao no YouTube com o primeiro troglodita que se lembrou de fazer pergunta tao acéfala, que logo a seguir espero que tenha implodido. Obviamente, isto nao aconteceu, porque senao a pergunta nao se teria espalhado. A segunda é o que queres ser quando fores grande. Os putos geralmente dizem o que alguém da familia faz, mas na minha familia ou se fazia coisas que eu nao entendia, que eu nao sabia que podia ser carreira ou nao faziam nada (o facto de eu nao entender que nao fazer nada pode ser carreira demonstra que eu nao sou esperta, inteligente, mas nao esperta). Assim, eu dizia professora, que estava a jeito. Mas no fundo, no fundinho, eu sonhava em ser deus. Juro, sonhava, imaginava, a sério. Se pensam que eu andava a fazer bondades nos meus sonhos, esqueçam. Eu pensava que queria ser deus, mas hoje percebo que, quando eu era gaiata, queria ser Fidel.

4 comentários:

Helena disse...

Tu e a Marjane Satrapi já têm uma coisa em comum. Está no primeiro volume do Persepolis, acho eu.

abrunho disse...

Ser-se original é coisa de génios.

Helena disse...

Pois. Duas g�nias telepatizadas.
:-)

Pl�gio? Que ideia...
Que culpa tens tu de ela ter tido a tua ideia um pouco antes de ti?

abrunho disse...

Não expressei culpa. Foi mais pró sentenciosa. É possível ser pretencioso ainda que se pareça lamentar pretensos defeitos.

:D