Há uns tempos, talvez já contados em ano, li que, num promontório qualquer da Suíça, queriam proibir por lei a construção de mesquitas. A razão mais proeminente dada, era o barulho. Depois disso, na India, estive perto de uma mesquita pela altura em que estão a rezar ou a chamar para a reza ou a cantar no duche, e aquilo é mesmo um chinfrim. Na altura pensei, nos neurónios que ainda não tinham migrado para um côncavo escuro do meu corpo, "os suíços é que têm razão". Agora estou na Suíça e é uma chinfrineira de sinos. Têm imensas igrejas, todas com badalos, a badalar a qualquer hora, desde a madrugada à noitada. Disseram-me que um, obviamente hereje, requisitou que só badalassem depois das 9h. Não, responderam, que isto já se fazia assim há centenas de anos.
Como estão a ver, os suíços são muito mauzinhos a inventar desculpas.
Adenda: Onde vivo agora, a igreja católica só toca para a missa: para ir e na saída.
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sexta-feira
Cuidado com os dogmas a que poem o selo ciencia
Revela a apropriação intelectualmente desonesta que o seu autor quer fazer da ciência e dos cientistas. É contra a ciência, mas invoca a ciência. Chegou ao ponto de vestir a pele do fundador da ciência experimental para fazer passar posições que não podem ser apoiadas pelo actual saber experimental. É o que acontece, por exemplo, com o dogma de que a vida começa no momento da concepção. A ciência diz que antes dessa forma de vida já há outras formas de vida, que de resto vão prosseguir. E é também o que acontece com o dogma que a pessoa está no DNA do óvulo fecundado. A ciência diz que há uma grande distância entre uma molécula que contém o código da vida e uma vida humana plenamente desenvolvida. Defender a «vida» e a «pessoa» sem mais nada é não dizer nada! Mas quem é que não defende a «vida» e a «pessoa»?
Carlos Fiolhais, físico
Sim, que este pessoal a usar a palavra ciencia nas suas hipocrisias poe-me fora de mim.
Carlos Fiolhais, físico
Sim, que este pessoal a usar a palavra ciencia nas suas hipocrisias poe-me fora de mim.
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