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domingo

"The Sanguine Sex"

Jerry Seinfeld used to have a routine about the television commercials for laundry detergents that promise the product will remove bloodstains from clothing. “I think if you’ve got a T-shirt with bloodstains all over it,” Seinfeld would say, “maybe laundry isn’t your biggest problem.” It’s a funny line, and it’s one that only a man could think of, because the real reason blood is such a vexing and eternal laundry problem doesn’t have to do with gunshot wounds or serial shaving mishaps (in the commercials, a witless husband is forever nicking himself shaving, usually wearing his best white shirt, the male equivalent of showering in your bra and panties). Bloodstains occur and recur in households because women spend a lot of their lives bleeding. If a man or a child woke up in a small pool of blood, the alarm would be genuine and well-founded. But if a woman does so, it’s business as usual. The bloodiness of menstrual blood is something that has been steadily de-emphasized in the past century, but blood it surely is. Once I walked into the students’ restroom at an all-girls school late in the afternoon on a warm day, and the smell that assailed me was reminiscent of the smell of Buckley’s, the butcher shop in Dublin where my mother bought Kerry beef running with blood.

The Sanguine Sex: Abortion and the bloodiness of being female, Caitlin Flanagan, The Atlantic Online

terça-feira

Mentalidade no séc. XXI em Portugal

Mas ok, se virmos por outro prisma, se virmos a mentalidade para com a mulher, que pode estar por detrás de um nao, entao tem razao. E aí nao sei se entramos no século XXI ou se ainda o estamos só a espreitar.

A semana passada, Daniel Serrão contribuiu com um pequeno texto para o DN, onde explicava o seu “não” à pergunta do próximo dia 11. Escrevia ele que após o referendo estaria ao lado das jovens para as ajudar a ser mais responsáveis com a sua sexualidade. Não se sabe se Daniel Serrão se referia às jovens que exploram a sua sexualidade sozinhas ou às jovens que exploram a sua sexualidade com outras jovens, sendo que, em qualquer dos casos, não parece alguma delas corra sérios riscos de assim engravidar. Com efeito, se o médico se queria referir às jovens que devem ser mais responsáveis com a sua sexualidade porque podem engravidar, como estas não engravidam sozinhas, nem umas com as outras, é óbvio que se esqueceu de um elemento importante nesta equação e que são os jovens.

Por vezes, pequenos detalhes como este revelam toda uma forma de pensar o outro, que, neste caso, é a mulher. Esta boa vontade de estar ao lado das jovens e de encarar as mulheres que abortam como vítimas, que convive, aparentemente de forma harmoniosa, com a atribuição de um ónus de culpa, revela uma forma, tão cara à Igreja Católica, de ver a mulher como um agente do mal. Umas vezes perfidamente consciente desse papel; outras ingenuamente seduzida por algo que não consegue compreender bem. Mas, sem dúvida, um agente do mal.


Miguel Silva

segunda-feira

A chegada de Portugal ao século XXI

Meus senhores e senhoras,

equiparar o Sim com a chegada de Portugal ao século XXI é um disparate, uma idiotice, uma visao muito umbiguista dos valores humanistas. Imaginem-se, sff, na pele de uma pessoa que pensa, considera que há uma pessoa desde a concepçao. Sem preconceitos, sem machismos, somente esta percepçao de valor. É justo, respeitoso, verdadeiro dizer a esta pessoa que nao pertence a este século? Tenham tento na língua e respeito por pessoas que nao sao mais que boas pessoas. Um pouco metediças, mas no fundo boas pessoas.

P.S.: Prefiro a companhia de um nao do século XX do que de feministas radicais (seja de que século for).

Já se notam os novos ares

Despedida ao telefone de parentela:

- E se engravidares, nós estamos cá, nao precisas de abortar.

sexta-feira

Evolução do número de Interrupções Voluntárias da Gravidez (IVG) na Europa

Após a legalizaçao do aborto verifica-se o aumento do seu número, mas isto é porque se passa de uma situaçao de estimativa 'as escuras, do que nao se conhece, para a contabilizaçao real do que é feito 'as claras. Depois do salto, o que se verifica em países com a legalizaçao da IVG, é uma estabilizaçao ou descida dos abortos realizados. Ver aqui.

Humor preto

Na Alemanha, onde o aborto foi legalizado já não há crianças, só pretos. Querem que Portugal fique igual?

p.s.: Sim, Sabine, isto é o embate frontal com o país real.

p.s.2: provavelmente uma grunha do mesmo quilate, mas alema, diria que a grunha portuguesa tem razao e até apontaria na minha direcçao, nao fosse o caso de ter degenerado nos genes dos meus antepassados africanos.

Não é só nascer

Porque será que eu sofro e sofrerei domingo com os resultados do referendo? Eu não preciso da vossa lei. Egoisticamente falando, eu vivo fora de Portugal, num país que permite o aborto até às 12 semanas. Vivendo em Portugal, eu posso ir ao estrangeiro. Eu não terei que me sentir clandestina, vou poder seguir a minha consciência, tomar a decisão em liberdade e consoante a relação em que estiver, com ou sem o pai. Não será por causa da lei que terei um filho, não será nenhum hipócritazinho que me vai dizer quem amar, nenhum cérebro machista me vai dizer quando amar, nenhum legista dos sentimentos alheios ir-me-á dizer quando ser mãe. A minha vida não está ao vosso alcance. Os meus afectos não estão ao vosso alcance. A minha consciência não está ao vosso alcance. A minha saúde não está ao vosso alcance. Ainda assim, sofro pelas pessoas que terão de morrer, ficar estropiadas, de cerviz vergada a imposições alheias. Homens também, pais, maridos, namorados, vítimas em segundo grau. Filhos que ficarão sem mãe. Mães que ficarão sem filhas. Mulheres estéreis. Filhos que não serão amados. Desfortunados, porque alguém, que é outra eu, mulher, eu, não tem acesso à minha liberdade. Nao é só nascer. É também nascer com sorte.

quarta-feira

Conflito essencialmente geracional ou mental?

Encontrei o colega irlandes na cozinha e coitado lá levou o enxerto do referendo em Portugal (estou doida que isto passe, que sinto-me em obsessao). Acabei por perguntar-lhe como é que vao as coisas no país dele.

- Ah, faziamos um referendo a cada tres anos, mas agora fizemos uma pausa. Estamos 'a espera que morram os velhos.

- É? Em Portugal nao sei se será conflito geracional. Talvez... Mas dentro da gama dos letrados o conflito parece-me sem idade. É mais de mentalidade.

Bem visto

A pergunta não faz qualquer referência ao progenitor, conferindo no seu texto um poder absoluto à mulher grávida. A partir daqui, e para além do texto, é com a imaginação de cada um.

Valupi

Mas, já agora gentes do NÂO, pq raio não incluem,na lei,a penalização para o pai que não quer que a mulher tenha o filho??? porque não penalizam com pena de prisão os pais q abandonam a mulher grávida?..."

comentário da amok aqui

vi aqui.

merda desta na minha caixa de correio é q nao

Agora os do Nao mandam-me textos para a minha caixa de correio. Num texto presunçoso de Luciano Amaral (começado a dizer que é um texto escrito sem presunçoes), somos informados que a despenalizaçao do aborto que os do Nao enbandeiram agora é um gesto de compromisso generoso aos do Sim (e eu, malévola, a pensar que este compromisso aos seus valores era porque querem ganhar um referendo). Segundo o dito: Cada um dos lados é obrigado a ceder em alguns pontos da sua
opinião em nome da convivência na mesma comunidade política. Ganhando o
Sim, a verdade é que esse equilíbrio compromissório se rompe.

Equilíbrio compromissório... Mas que equilíbrio existe hoje? Está-nos Luciano Amaral a dizer que os do Nao nao concordam com as actuais excepçoes 'a lei? Que já sao um compromisso?

Assim, a morte de fetos até 'as 24 semanas que a actual lei permite foi uma exigencia do Sim? Será este um compromisso aceitável, ou é aceitável porque sao fetos malformados? Se for eugenia o Nao aceita? Os do Nao fazem propostas de despenalizaçao para durante toda a gravidez. É este um compromisso aceitável perante a inviolabilidade da vida, que está na nossa constituiçao? LA num parentesis de inteligencia duvidosa diz-nos que nos EUA está que todos os cidadãos da república têm certos “direitos
inalienáveis”, nomeadamente a “vida, a liberdade e a busca da felicidade”
, quando basta alguma informaçao para saber que para a lei americana um feto nao é um cidadao.

Vejamos, os do Nao podem comprometer-se nao só na inviolabilidade da vida humana, mas incluso vida humana sentiente, em casos particulares, de ética extremamente duvidável, num admirável mundo novo. Podem-se até comprometer num grau mais grave que o requerido na pergunta do actual referendo. Mas isto nao é um contra-senso aos seus fundamentos, é um compromisso fantástico.

Finalmente, não estou de acordo que o aborto seja despenalizado se feito
“até às dez semanas”, muito simplesmente porque é um limite (ou um limiar)
que não entendo.


Nao entende o Luciano Amaral. O LA quando nao entende, automaticamente nao concorda. Olha que estratégia mais inteligente... Inacreditavelmente burra num texto sobre compromissos!

Este texto só se admitiria no início da discussao. Agora, depois de tudo o que já foi argumentado, isto é de alguém que nao quis ver, nem ouvir. Isto é um texto de um autista intelectual, que acha que argumentar com os outros, ou simplesmente ler os outros com olhos de ler está abaixo de si. Nesta altura do campeonato isto é uma merda de texto. E merdas destas na minha caixa de correio é que nao. Spam abortavel (perdao pelo oximoro), fodas, poe-me mesmo chateada.

segunda-feira

Os defensores do feto (*adenda)

Dizia a Maria José Nogueira Pinto, citada numa notícia, que os do Sim sao só pela mulher, enquanto que os do Nao sao pela mulher e pelo feto (de notar que antes das dez semanas nem se usa a palavra feto, mas embriao, já que estamos numa fase muito inicial do seu desenvolvimento).

Depois do Marcelo Rebelo de Sousa, já outros, que fazem campanha pelo "Nao", vem a terreiro pela despenalizaçao do aborto, mas como nao dizem limites, parece que será por toda a gravidez.

Assim, os do Nao, que sao pelo feto, pretendem abrir as portas para a sua morte quando já sentirá que o matam. A mulher sai livre e descomprometida* mesmo que o que tenha feito já possa ser descrito por infanticídio. Depois do mal feito vamos ser muito compreensivos e tolerantes, prometemos. Pelo prisma da mulher, ela pode continuar a fazer abortos, desde que nao haja a possibilidade dela ter acompanhamento na decisao, desde que sejam clandestinos e ela arrisque a vida e a saúde. O que interessa é que seja longe da nossa vista. Notem bem: estes sao os que defendem o FETO e a mulher.

Eu neste momento sinto um grande nojo por esta gente. É só.


* Esperem. Nao é descomprometida. O dr. Villas Boas aplicava-lhe sançoes psicológicas (ele tem formaçao de psicologia), o dr. Daniel Serrao: "Para mim, seria suficiente chamar a mulher, fazer-lhe um discurso que a obrigasse a ponderar. Bastava que pedisse desculpa à sociedade para arrumar o assunto." ; os do Movimento "Nao obrigado" querem obrigar 'a ressocializaçao. Nota-se logo quando uma mulher vai abortar. Anda sempre tao dessocializada...

homens pela vida

Uma amiga disse-me que ouviu na televisao um advogado, que defendeu mulheres que foram a julgamento por terem abortado, dizer que todas elas tinham sido acusadas pelos ex-namorados ou ex-maridos.

domingo

Maria

Maria Ester, mulher, 32 anos. Profissionalmente activa, esposa e mãe de duas crianças. Morreu no Hospital S. Teotónio (HST) de Viseu, em 2000, devido a uma "disfunção multiorgânica", aparentemente provocada por uma "manobra abortiva". No registo médico não constam sequer os nomes dos pais. Os clínicos que a assistiram presumem que tenha "ingerido algum produto tóxico" para pôr fim a uma gravidez não desejada. Para os movimentos Médicos Pela Escolha e Viseu Pelo Sim, este é um exemplo paradigmático e "terrível" das situações que serão evitadas com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) e que justificam o voto "sim" no referendo do próximo dia 11 de Fevereiro. A médica Ana Paula Viana trabalhava, na altura, na Unidade de Cuidados Intensivos, onde Maria Ester esteve internada durante três semanas. Explicou que os clínicios foram "incapazes de controlar as complicações", tendo assistido impotentes ao "esvair-se de uma vida", num "custo incalculável" para uma "família que ficou destroçada". Sabe, porém, que este é apenas um nome entre milhares de mulheres de um "universo perfeitamente desconhecido", já que, "sendo criminalizadas, as mulheres não confessam e os médicos têm algum cuidado com os registos das situações que recebem nos serviços dos hospitais".

Vejam bem:

1. O Não ganhou em 1998. O que mudou? Nada. Mas não prometia o Não de então, que as coisas mudariam, como prometem hoje? Prometiam. O que mudou? Nada. As mulheres continuaram a abortar clandestinamente, a morrer e a esvaírem-se em sangue nas urgências dos hospitais quando o citotec e outros falhavam no vão de escada da parteira que sabia fazer o desmancho ou na casa de banho de casa. Afinal, o Não ganhou, mas nada mudou. Afinal, o aborto continua liberalizado (já é!), livre das 0 semanas aos 9 meses, feito quando e como se quer, em estabelecimentos não autorizados.

2. "... se realizada, por opção da mulher". No mundo real, o que quer dizer esta parte da pergunta? Quer dizer que a concordância com a despenalização da IVG deve ser dada (apenas e só) no pressuposto de que ela seria realizada por opção da mulher. Basicamente, significa que se uma mulher for forçada a abortar por uma terceira pessoa, esse aborto é crime e essa tal terceira pessoa será punida. Quer dizer que, se fulano apanhar uma mulher grávida, a anestesiar e lhe interromper a gravidez, não poderá eximir-se respondendo que "o aborto foi despenalizado", precisamente porque graças à segunda parte da pergunta o aborto só é despenalizado se for por opção da mulher.

3. A verdade é que se aceitarmos que nenhuma mulher aborta apenas porque lhe apetece, somos obrigados a concluir que estas mulheres precisam de uma oportunidade. Oportunidade que lhes é negada ao manter o aborto ilegal. Enquanto o aborto for ilegal, nenhuma mulher poderá ir a um hospital, a um centro público ou à segurança social aconselhar-se, porque se o fizer estará a confessar uma intenção criminosa. Apenas sendo legal será possível dizer a cada mulher que há alternativas, que há imensas famílias que querem adoptar bebés, que há grupos de apoio, inclusivamente dizer-lhe que se vai sentir culpada para o resto da vida.*

Uma tão medida simples foi já avançada por Maria de Belém Roseira e Vital Moreira e é, ao que julgo saber, aplicada em alguns Estados dos EUA: obrigar a mulher a alguns dias de reflexão. Nesses dias, podem-se incluir sessões de esclarecimento, pôr a mulher em contacto com potenciais famílias adoptantes. Mas claro, até uma medida tão simples obriga a que o aborto seja legal.

Legalizar o aborto é o primeiro passo para adoptar medidas que o combatam. Só depois de devidamente estudado será possível desenhar as políticas correctas. Mas há que tirá-lo da clandestinidade para que possa ser devidamente estudado.


* Nao concordo. Penso que seria cruel e inútil. {ou talvez nao. Talvez seja mesmo melhor avisar que há mulheres que nao esquecem. Talvez este seja um daqueles arrependimentos que podem destroçar}

sexta-feira

Imprescindível

Aborto, uma polémica de sempre de Ana Cristina Leonardo, jornalista do semanário Expresso.

Exercício

Resolvi seriamente imaginar que ficava grávida. Pensar o que é que sentiria, o que é que faria, o que é que me passaria pela cabeça. Tem sido revelador.

Cuidado com os dogmas a que poem o selo ciencia

Revela a apropriação intelectualmente desonesta que o seu autor quer fazer da ciência e dos cientistas. É contra a ciência, mas invoca a ciência. Chegou ao ponto de vestir a pele do fundador da ciência experimental para fazer passar posições que não podem ser apoiadas pelo actual saber experimental. É o que acontece, por exemplo, com o dogma de que a vida começa no momento da concepção. A ciência diz que antes dessa forma de vida já há outras formas de vida, que de resto vão prosseguir. E é também o que acontece com o dogma que a pessoa está no DNA do óvulo fecundado. A ciência diz que há uma grande distância entre uma molécula que contém o código da vida e uma vida humana plenamente desenvolvida. Defender a «vida» e a «pessoa» sem mais nada é não dizer nada! Mas quem é que não defende a «vida» e a «pessoa»?

Carlos Fiolhais, físico

Sim, que este pessoal a usar a palavra ciencia nas suas hipocrisias poe-me fora de mim.

quinta-feira

Fui censurada (revisao**)

Pus tres comentários n'O Blogue do Nao e dois nao foram publicados.

A este comentário:

Gostava de saber se os intervenientes já tiveram o prazer de assistir a uma ecografia às 6 ou 8 ou 10 semanas. Caso tenham oportunidade de o fazer, ouçam com atenção o coração que, embora pequeno, bate com força, com aquela força que nos faz sorrir e pensar como é perfeita a vida, do início ao fim. Gostava de lembrar que nao se trata apenas da saúde das mulheres, mas das oportunidades e direitos que todos temos ao ser concebidos.

E já que falam dos direitos das mulheres, da escolha, da opção e da enfadonha liberdade, peço que se lembrem que têm todos, temos todos antes de mais, o dever de pensar, reflectir e ser Responsáveis em todos os momentos.


Eu disse que antes das dez semanas nao há coraçao. Há um conjunto de células já diferenciadas para serem do coraçao que começam a actuar como se espera de uma célula do coraçao: a contrair e a relaxar. Isto dá um batimento, mas nao há um bombear de sangue feito por este proto-coraçao. Todos sabemos que o feto está em desenvolvimento. Além que nao é só o coraçao que faz a pessoa. Aqui eu disse ao comentador para livrar-se dos seus orgaos, excepto o coraçao e verificar se era capaz de cumprir o dever de pensar, reflectir e ser Responsáveis. Informei-o que era capaz de nao sobreviver 'a experiencia. ** Fui ler melhor e o sistema circulatório completa um circulo completo 'as 5 semanas, sendo aqui que o coraçao começa a trabalhar. Portantos estava enganada e há realmente um coraçao a bombear sangue. O coraçao e o sistema circulatório sao os primeiros a começar a trabalhar. O som do coraçao só é discernível com o uso de um instrumento de Doppler. O som que se ouve numa ecografia, a sua intensidade depende unicamente do instrumento. Pode soar fraco ou forte consoante o que o médico definiu no instrumento e consoante os ouvidos dos progenitores, que acho bem que fiquem excitados e felizes e imaginem tudo e o mais que quiserem. O problema nesta discussao toda é as pessoas imporem as suas fantasias pessoais nos outros. Estou a ficar cansada disto.

Isto é assim tao chocante? ProntoS, até posso ter tido mau gosto no fim, mas também nao exageremos.

A este poste e reagindo mais especificamente ao lamento d' "...a publicidade (apareceu nos dois diários...) ao caso dramático da paraplégica que ficou grávida porque a pílula falhou e foi abortar a Espanha por não querer que "uma comissão de ética decidisse sobre o seu corpo"?" eu disse que pela lei (aconselhei-os a ler a lei, pois digo-vos que eles ou nao sabem ou fazem que nao sabem) neste caso nao seria preciso que uma comissao ética se pronunciasse. As comissoes de ética sao supostas de intervir nos casos de malformaçoes. Só que os hospitais usam abusivamente das comissoes de ética, inclusive em casos de violaçao, deixando muitas vezes passar os prazos (provavelmente é esse o objectivo). Aí contei de dois casos de que eu tenho conhecimento, de duas mulheres que ficaram grávidas em condiçoes dramáticas: uma por incesto e outra por ser incapaz (é débil mental). Em ambos os casos, foi interposta uma comissao de ética que nunca se pronunciou. Os prazos foram ultrapassados e as duas crianças foram institucionalizadas por nenhuma das mulheres ter condiçoes de ficar com as crianças, nem haver ninguém da família que o quisesse ou pudesse fazer. E aqui chamei-os de ignorantes, de nao quererem saber a realidade e até insinuarem que histórias como a da sra paraplégica ou da menina de 14 anos contada pela Fernanda Cancio sao feitas a jeito.

A minha acusaçao fortaleceu-se. O que vai contra as fantasias daquela gente é censurado.