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quinta-feira

Os homossexuais deviam ganhar o prémio nobel da paz


Lembram-se desta fotografia? Ou da história, daquelas histórias que se pensa só podem ser inventadas por bons comediantes. Mas não, foi verdade, passou-se. Cabeças vindas de três religiões monoteístas juntaram-se todos em Jerusalém em 2005 para se pronunciarem contra a procissão flamejante que os homossexuais planeavam na cidade. Depois levantaram-se, cumprimentaram-se e desapareceram nas suas igrejas, templos, mesquitas e sinagogas para continuarem o discurso da desunião. Mas naquele momento histórico, os homossexuais uniram o que deus nunca uniu.

Continuando, que a minha vida meteu-se de permeio a este poste.

O que aconteceu foi um milagre. Um milagre sao fenómenos raros e incríveis. Era de toda a justiça que os homossexuais fossem honrados com ouro e mirra, que as medalhas olímpicas de ouro todas desde o início dos tempos lhes fossem dadas, mais o Mónaco e Andorra e títulos de sir expeddidos da Inglaterra. Mas quando dao a oportunidade a este pessoal de se pronunciar o que é que eles pedem: queremos casar pelo cívil e queremos criar crianças. O que? Como? Diga lá outra vez. Estao doidos? Uma pessoa começa a pensar que haverá algo mais que nos escapou e começamos a olhar para o namorado e os putos ranhosos na mesa do lado na esplanada com outros olhos. Mas nao. Por mais que se olhe, a ideia de pensar em fazer um contrato duradouro com o namorado começa a tornar o namorado muito pouco atrativo e depois de uma tarde a tentar ter uma conversa com uma amiga enquanto servimos de paraquedas ás suas crias, chega-se a casa derreado e pensa-se: aquele pessoal é doido! Mas no computo final é simplesmente a roda da história no seu movimento lento: pessoal que faz milagres é doido e passa muitos maus bocados ás maos das figuras governantes. Mas já acabamos com a cruz, certo?

Proibido assumir

Eu sou como a Sarah Palin: from a small town with small town values. Nessa aldeia com valores de aldeia existe tolerância por comportamentos, como dizem, fraturantes. Mas há um limite e esse limite é, como dizer, pavonear esses comportamentos. Um padre pode, na maior, ter filhos, mas chama-lhes afilhados, um homem pode bater na mulher, mas tem ser dentro de casa (este é a fratura literal), um homem pode ter uma amante, mas não pode andar com ela à frente da esposa, um homem pode dormir no trabalho, mas não pode ressonar (piadinha), um como dizem, paneleiro pode ser paneleiro, mas não pode apresentar-se paneleiro com outro paneleiro. Dos inúmeros comentários que eu leio e ouço, eu concluí que a mentalidade da aldeia é algo generalizado e de uma forma, que podem considerar perniciosa, é-me divertido ver esses valores com que cresci, serem expressos por pessoas educadas, como a Maria José Nogueira Pinto dizer que a gente já tolera os homossexuais. Sim, claro que sim, há centenas de anos, na lei de que não o assumes. Aí já é intolerável.

segunda-feira

Por exemplo, Anthony Blair

Quanto a este meu poste vou dar um exemplo de uma pessoa perigosa a este nível: o Tony Blair.

Lembro-me de ler num artigo (penso que no New York Time Review of Books) sobre a preparaçao para a guerra no Iraque, que pessoas dos serviços secretos que na altura tinham ido fazer o ponto da situaçao ao Tony Blair, contavam que quando eles falavam das incertezas da informaçao que tinham em posse até ao momento, a reacçao do Tony Blair era perguntar-lhes se nao se estaria a livrar o Iraque de um homem mau. Isto era uma pergunta que aqueles homens nao tinham ido responder. O que isto demonstra é um homem que perante factos, responde com ideologia. Esta é a pior característica que um político pode ter.

Neste discurso, que ele fez há pouco, podemos observar como este homem ainda nao percebeu que o problema nele nao é ele ter fé, mas o facto dele, comprovadamente, deixar a fé cegá-lo aos factos. Por exemplo ele diz:

One of the oddest questions I get asked in interviews (and I get asked a lot of odd questions) is: is faith important to your politics? It’s like asking someone whether their health is important to them or their family. If you are someone ‘of faith’ it is the focal point of belief in your life. There is no conceivable way that it wouldn’t affect your politics.


A comparaçao até nao é má. Nao só ter saúde é importante pessoalmente, é também importante para quem vota saber que o candidato está apto a exercer o seu cargo durante o tempo previsto. Ter fé é importante para Tony Blair e será assim importante na forma como ele gere a sua vida. Para quem vota será importante saber como a sua fé afecta as suas decisoes como político. No seu caso, a sua fé fá-lo um mau político e esse é que é o problema. Nao é ele ter fé, é ele ter uma fé que o cega quando tem que tomar decisoes políticas, como está no seu CV. Que a fé de um político lhe de propósito, lhe de alma (como diz o Tony Blair, o que um ateísta pode achar um pouco ofensivo, mas deixá-lo ir), que afecte as prioritarizaçoes na sua governamentaçao, nao há problema. O problema é alguém apresentar-lhe factos e ele ignorá-los em favor do que ele acredita na alma. Isto o Tony Blair nao compreende, vitimizando-se.

O que chateia neste discurso é que além de ele ter má-fé, ele é hipócrita. A Gra-Bretanha tem um historial péssimo em termos de deportaçao para países que sao conhecidos por nao acreditarem nos direitos humanos. Documentos sairam em que se verificou que Tony Blair foi informado da situaçao, mas a sua resposta foi "Deportem-nos". Agora, neste discurso, ele vem falar de lançar pontes entre fés. Isto de alguém que lançou pessoas aos leoes.

Li há uns tempos que ele estava a ser pensado para ser o primeiro "ministo dos negócios estrangeiros" da UE, á luz do tratado (contituiçao) que foi assinado em Lisboa há pouco tempo. Eu pensei primeiro que era anedota. Haverá alguém que já demonstrou mais que demonstrado que ele prefere o mundo das suas crenças que o mundo das pessoas? Haverá alguém que demonstrou mais que demonstrado ser um incompetente e um hipócrita nas relaçoes com outros países? Este homem para gerir relaçoes com o outro? Há um baixo-assinado baseado no sítio internético da Comunidade Europeia contra que ele seja nomeado para este cargo. Até agora ele foi uma vergonha para os bretoes, agora passaria a ser vergonha para todos os europeus da Uniao. E provavelmente continuaria a ser um perigo para os outros. Com a desculpa da fé.

Leituras

The Gross-Out Factor, Pauline W. Chen

(...) Pavlov, of the drooling dog fame, believed that habituation could be simply reversed. Others have asserted that repeat sensitization could interrupt a learned reflex. But for our human quandaries, extricating ourselves from habituation and the inevitable sliding ideals requires another, more complex process altogether. (...)



Welcome to 'Palestine', Robert Fisk

(...) I recall years ago being summoned to the home of a PA official whose walls had just been punctured by an Israeli tank shell. All true. But what struck me were the gold-plated taps in his bathroom. Those taps—or variations of them—were what cost Fatah its election. Palestinians wanted an end to corruption—the cancer of the Arab world - and so they voted for Hamas and thus we, the all-wise, all-good West, decided to sanction them and starve them and bully them for exercising their free vote. Maybe we should offer “Palestine” EU membership if it would be gracious enough to vote for the right people? (...)

Os defensores do feto (*adenda)

Dizia a Maria José Nogueira Pinto, citada numa notícia, que os do Sim sao só pela mulher, enquanto que os do Nao sao pela mulher e pelo feto (de notar que antes das dez semanas nem se usa a palavra feto, mas embriao, já que estamos numa fase muito inicial do seu desenvolvimento).

Depois do Marcelo Rebelo de Sousa, já outros, que fazem campanha pelo "Nao", vem a terreiro pela despenalizaçao do aborto, mas como nao dizem limites, parece que será por toda a gravidez.

Assim, os do Nao, que sao pelo feto, pretendem abrir as portas para a sua morte quando já sentirá que o matam. A mulher sai livre e descomprometida* mesmo que o que tenha feito já possa ser descrito por infanticídio. Depois do mal feito vamos ser muito compreensivos e tolerantes, prometemos. Pelo prisma da mulher, ela pode continuar a fazer abortos, desde que nao haja a possibilidade dela ter acompanhamento na decisao, desde que sejam clandestinos e ela arrisque a vida e a saúde. O que interessa é que seja longe da nossa vista. Notem bem: estes sao os que defendem o FETO e a mulher.

Eu neste momento sinto um grande nojo por esta gente. É só.


* Esperem. Nao é descomprometida. O dr. Villas Boas aplicava-lhe sançoes psicológicas (ele tem formaçao de psicologia), o dr. Daniel Serrao: "Para mim, seria suficiente chamar a mulher, fazer-lhe um discurso que a obrigasse a ponderar. Bastava que pedisse desculpa à sociedade para arrumar o assunto." ; os do Movimento "Nao obrigado" querem obrigar 'a ressocializaçao. Nota-se logo quando uma mulher vai abortar. Anda sempre tao dessocializada...

quinta-feira

Tenho um pó a gajas

Maria José Nogueira Pinto, da Plataforma «Não Obrigada», que se opõe à despenalização do aborto, afirmou em Braga que
«os defensores do «sim» são unilaterais, porque apenas defendem a mulher, enquanto que os do «não» são bilaterais, batendo-se pela mulher e pelo bebé», noticia a Lusa.
(...)
Nogueira Pinto indicou que «qualquer lei tem de ponderar o valor da vida humana», frisando que «quando se fala de violência sobre as mulheres tem de se ponderar outra violência, a de destruir um feto que é vida humana, como o demonstra a ciência».

Lei «alçapão»

Maria José Nogueira Pinto referiu que o maior problema da sociedade actual não é o da pobreza é o do abandono, para sustentar que «uma lei que deixa a mulher completamente sozinha na decisão de abortar é um alçapão para ela». «Com esta lei a mulher será exposta a mais pressões para abortar, por exemplo, pelo empregador que lhe promete uma promoção ou por qualquer outra razão», acentuou.


Deviam dizer a esta gaja que as mulheres nao precisam que ela se bata por nós. Muitas de nós, a maior parte de nós, até lhe pagavam para estar quietinha. Para além disso, esta gaja devia explicar como é que a lei actual acompanha e nao deixa completamente só a mulher. Além disso, gaja, um dos problemas da sociedade actual é gajos e gajas que querem enfiar pela garganta abaixo aos outros os seus valores morais. E gaja: até 'as 10 semanas nao há bébé, como o demonstra a ciencia!!!!!!!! Agarrem-me que eu bato-lhe.

sexta-feira

Os cheios de vida

de todos os argumentos esdrúxulos do não (desculpem lá a falta de, como dizer?, amabilidade dialogante ou mais propriamente hipocrisia diplomática, mas a mim soam-me todos do mais esdrúxulo que se possa imaginar), o que mais me deixa boquiaberta é o daqueles que frisam a semelhança entre a lei espanhola e a portuguesa e defendem que não é preciso mudar a lei portuguesa porque esta poderia e deveria ser aplicada 'como em espanha'.

como em espanha, portanto, permitindo-se às mulheres que abortem 'a pedido' até às 12 semanas alegando razões de saúde psíquica? é mesmo isso que estas pessoas querem? é isto que querem dizer?

teremos pois de concluir que para estes defensores do não, a proposta referendária peca por dois motivos: prazo demasiado curto e excesso de honestidade. nenhum problema, então, em que as mulheres abortem até às 10 semanas (estes queridos até acrescentam duas de bónus) desde que pareça que não é por decisão delas.

a não ser, claro, que quem assim argumenta esteja a apostar no que é óbvio -- uma lei em vigor há 23 anos e há 23 anos aplicada de uma determinada forma nunca será aplicada de outra maneira.

que tal serem mulherzinhas e homenzinhos e assumirem, de uma vez por todas, o que realmente querem e o que realmente os apavora?


Este pessoal do "nao" enterra-se a um ritmo que os do "nim" ainda os hao-de ter de salvar e fazer-lhes boca-a-boca. Eu por mim, que geralmente ando pelo "nim" e vou ouvindo os dois lados, ainda nao li nada de geito do lado deles e nao me apetece nada salvá-los (sendo o salvamento aqui, o limpar um pouco da vergonha das suas racionalizaçoes).

Ontem li no Público sobre um agrupamento de humanos pós-parto que sendo pelo "nao", se declarava de pró-vida. Seguramente eu partilho algumas ideias deles e seguramente nao partilho doutras. Um dia destes escrevo aqui a minha posiçao sobre o assunto, que eu sendo pró-escolha e pró-vida (sendo esta última redundante já que praticamente todos nós somos pró-vida, seja qual for a nossa resposta no referendo), também tenho os meus pontos em comum com os defensores do "nao" e também eu prioritarizei sensibilidades.

O que a mim me chateia nesta gente é a hipocrisia e a desonestidade. Nesta discussao dizer-se pró-vida, colocando-se isso em contra-ponto com os que nao concordam com eles, é ofensivo. Eu pelo menos sinto-me ofendidíssima. No mesmo nível de repulsa com que me sinto quando vejo as senhoras com as barrigas expostas e dizeres "esta barriga é minha", como se estivessemos a discutir fisiologias, numa reduçao do ser-humano e, por arrastamento, do que é viver numa sociedade. Eu nao me bato pelo direito absoluto. Nao há direitos absolutos. Quem os quiser deve mudar-se para uma ilha e morar sozinho.

Dizer-se pró-vida neste ambito é tao significativo como ser-se pró-atmosfera ou pró-entropia. Isso só tem significado como insulto. Considero-me insultada e cada vez menor é o meu respeito por esta trupe cheia de vida, mas falha de juízo.

terça-feira

Esta cena do aborto

Nas estranjas já se viraram para mim com aquele ar compadecido de quem olha para uma refugiada de uma terra controlada pelas batinas negras, cérebros conservadores e viúvas vestidas de negro, felizes pelo falecido ter ido desta pra melhor e já nao lhes espalhar nódoas negras pelo corpo (pensam que eu estou a fazer só jogos de palavras?). Eu eriço-me e minto. Acho que é nestes momentos que eu vejo que gosto de Portugal. Pode ser mau, mas é meu, carago e nao se amerdem a pensar mal, seus estranjeirotes.

Bem, continuando, eu digo-lhes que ser pelo aborto nao é necessariamente ser avançado. Que há motivos contrários completa e totalmente respeitáveis de humanismo. Nisto eu acredito, mas minto quando faço entender que é este o motivo principal em Portugal. Os portugueses sao maioritariamente contra o aborto por hipocrisia. Fina, doente, repelente. O que mais chateia um portugues é que alguem possa ser feliz sem castigo. O que mais chateia um portugues é nao poder moralizar, nem que seja indirectamente. O que mais chateia um portugues é nao poder por o indicador no ar e dizer "estava mesmo a pedi-las."

quarta-feira

Gisberta Salce Júnior

Quem leu os meus postes uma semana sabe o que eu penso. Eu só adiciono algo mais: dizem, diz-se, que no Ocidente os nossos valores morais é que são bons. São tão bons que devemos ir em corcéis de guerra impô-los aos bárbaros, ou numa versão mais leve, tocar-lhes no coração. Observem este caso muito cuidadosamente, porque mesmo querendo salvar as crianças, fazê-lo com base na negação do crime é imoral. Os rapazes começam os seus meses de suposta reabilitação a aprender que a justiça mente, que se torce a ela própria, que se nega. Mas duvida-se da preocupação com as crianças. Num país como o nosso pergunta-se como teria procedido o caso se a vítima não fosse tão especial como a Gisberta. Pende-se a razão para a evidência do país. Mirem bem. Comparem, rodem nas mãos, vejam-lhe o brilho e com honestidade respondam da pureza dos valores morais portugueses. Venham-me dizer que são inspiradores. Pois devem ser. Eu, por mim, imagino o inspirado com umas pedras na mão. Um bárbaro. Em Portugal, usa-se a lábia da justiça.

quinta-feira

A lei não é matemática {adição revista}

O Homem do Leme, que percebe de leis, dá-nos a base das asserções dos srs procuradores.

Mas, lá está, João, estavam os rapazes preocupados em não matar a Gisberta? Ao torturar alguém doente, a morte não se torna uma possibilidade e à medida que o tempo discorre uma certeza? Uma atenuante poderia ser eles terem procurado ajuda. Algum deles o fez? Tudo o que eles fizeram naqueles dias apontou para um desfecho e devia ser esse somatório a ter-se em conta. Os pormenores da tortura deviam ser agravantes e ainda não li nada sobre isso. Além disso, os procuradores poderiam ter posto em causa que os adolescentes não soubessem que a Gisberta estava morta. Seriam os advogados de defesa a ter de demonstrar o contrário. Afinal, quem é que está ali pela Gisberta?

Eu sei que a lei tem áreas cinzentas. Nem me parece que possa ser de outro modo. É impossível construir regras objectivas para tudo o que acontece na sociedade. É por aí que os actores do processo judicial podem ser responsabilizados e criticados. Todos os advogados deveriam fazer uma interpretação com base na honestidade intelectual. Aqui eu posso criticar os advogados de defesa. Os srs procuradores estão lá a representar todos nós na defesa da Gisberta. É porque eles acham que todos nós estamos com eles no desprezo pela vítima, que eles escolheram esse cinzento da lei. A lei dá-lhes manobra para procurar a justiça. O absurdo são eles. {O catilina diz-me que os procuradores estão é preocupados com os adolescentes. Agora é tarde. Por ironia é até contra-producente. Pensem bem que exercício de pedagogia o Tribunal oferece.}

sábado

O vértice do oportunismo

Matilde Sousa Franco acusa Manuel Alegre de oportunismo porque ele pretende ir à lota de Matosinhos. Mários Soares diz que Sousa Franco votaria nele se fosse vivo. Matilde Sousa Franco concorreu a deputada nas listas do PS porque é viúva de Sousa Franco.

terça-feira

Quando não interessa, nem dou conta

Andam blogonautas chateados porque o Manuel Alegre não desmente que não é doutor.

Acreditando que neste país se usa mal o título doutor porque não usá-lo melhor? Assim, em vez de se ser doutor porque se saiu da Universidade com um canudo, é-se doutor porque se fez algo na vida? Sendo que assim o Manuel Alegre é mais doutor que outros doutores.

Contudo, se a tese é que isso não interessa para nada, para que é que o Manuel Alegre há-de-se estar a chatear com isso? Porque está a mentir ao Zé Povinho que não é inteligente como os restantes e ainda dá importância a essas coisas. É isso?

O que eu desconfio é que isto não tem a ver com a probidade do Manuel Alegre, mas que afinal aquela história de que os títulos nao interessam para nada, afinal é só conversa. Isso é só moda de gajo bem pensante. Tornou-se o politicamente correcto português. Só que no fundo, fundinho, continua-se pavão. Porque senão, ser ou não ser passaria a não ser a questão.

Eu acho que continua tudo no mundo das aparências e cheira-me mal, mesmo mal esta indignação, mas que depois passa a pente fino o título de outros candidatos.

Os torturadores

Estava para aqui a ler sobre o debate sobre tortura nos EUA, em mais um capítulo na luta contra o terrorismo.

Desde o 11 de Setembro que se assiste a uma degeneração de valores na sociedade aterrorizada. Pergunto-me se será necessário tornarmo-nos mais como terroristas para combater terroristas?

Relativamente à tortura, para lá da dúbia utilidade de um depoimento feito sob tortura, o que se estará a semear em termos da brutalização da sociedade que o permite e dos indivíduos que aplicam a tortura? Procuram-se os sádicos já existentes ou corrompem-se mentes? Criando-se os lobos, quem será o cão polícia?

É isto que se quer? É por isto que se luta?

segunda-feira

Há constituições e constituições

É interessante que uma revista como a vossa apoie a constituição iraquiana quando, há alguns meses, se opuseram à versão europeia. Talvez que a vossa oposição a este último documento abrande se se der um papel oficial à religião e se introduzir a exigência de que os juízes do Tribunal Europeu sejam educados na lei do Levítico?

KYRRE HOLM de Oslo, Noruega ao The Economist no The Economist desta semana, secção Cartas.

Tradução minha.