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domingo

Estou hipotérmica

Talvez amanhã quando for comprar a habitual melancia, o senhor da frutaria turca me faça um desconto. Tirando esse pensamento estou negativamente passada com o facto da República Checa ter perdido. Nem percebi o que se passou. Resolveram jogar à defesa (o que eu pensei) ou faltou-lhes as pernas (como diz aqui o meu amigo)? Está demasiadamente frio para me pôr duas horas a ver um jogo na rua e eu para o fim já não via nada com a tremura dos dentes.

Quanto aos portugueses, não vi, nem quis ver, porque devo confessar que estava com pena dos suiços, que se não ganhassem era uma vergonha. Eu deixo-me ir por estes sentimentos. Sou um coração de manteiga não derretida.

domingo

poesia fadada

Estou a preguiçar num dia cinzento e abafado e a matutar nas possíveis implicações teo-agro-futo-filosóficas de dois golos humilhantes aos pés do trepador de porcos (Schweinesteiger, como o pobre rapaz deve ter sido gozado na escola). Tento afastar estes pensamentos desagradáveis concentrando-me no dueto de Figo e Nuno Gomes. Tão simples e tão difícil. Enfim, poesia...

quinta-feira

o mérito

Fiz como prometido: sofri com classe. E fiquei triste. Não por mim, pelos jogadores. Não se podem queixar. Futebol também é sorte. Fica o sabor azedo de um penalti generoso, mas lembram-se como a Itália ganhou à Austrália? Fica a irritação com Pauleta, o mistério Pauleta, o desespero de ver Miguel a sair e o semblante de Figo. Foi bom. Scolari vai ficar mais dois anos, não? O mérito, para aqueles que gostam de falar de mérito, é dele. Ranjam os dentes à vontade, fechem os olhos à evidência, inventem histórias de conspiração, mudem-se para Inglaterra, o mérito deste mundial em português é de Scolari.

P.S.: Lá se foi a minha intelectualidade... :-)

quarta-feira

Orgulho português

A França do futebol treme a algumas horas da semi-final França-Portugal.
Se isso não te chateia Carlos, eu hoje preferiria que dormissemos em camas separadas.
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fonte.

segunda-feira

Es gibt ein Leben nach WM, oder?

Que festaréu por aqui foi. Que vale de lágrimas.

Tudo começou comigo a correr do trabalho para ir ver o Argentina-Alemanha. Estava um bocado ensonada e não percebi o jogo da Argentina. Mas os gajos estão a jogar à defesa? Mas agora sai o Riquelme? Mete o Messi, tira o Crespo! Fodas, lá está. Um golo dos boches! No fim eu de lagriminha no olho num abraço contra-natura com duas espanholas. Nisto recebo um telefonema de um amigo meu que se armou em capitalista, comprou uns bilhetes para o Itália-Ucrânia e agora não conseguia vender um dos bilhetes e telefonou-me para cortar as perdas. Eu sou um coração mole, que mal põem a amizade no argumento, salto pavlovianamente em socorro. Portanto, comecei a correr novamente, agora para o estádio-arena. Vi novo jogo ensonada, gritei muitas vezes Shevcha, que era o que os italianos gritavam também. Os italianos devem ser das torcidas com mais piada. Nunca estão calados, chamam nomes queridos aos jogadores: "Vaaaai Jenny!", "Ma che fai, Gigi?", muitos iiis e uma pessoa começa a pensar que está a ver futebol feminino. O que valia era o Gattuso que com aquele ar de troglodita impossivelmente passa por mulher. Tirando a claque, achei a experiência uma realíssima seca. No fim emocionei-me com o Shevcha a dizer adeus aos apoiantes italianos, que lhe retribuiram o gesto [ele estava a jogar num dos milões e agora vai para a Inglaterra, penso que para o Chelsea].

Pela cidade, as ruas estavam cheias, os alemães enbebedavam-se com bonomia, desprendiam-se da alegria que têm guardada dentro da carteira para estes momentos mais alcoolizados. Eu fui na onda, esquecida da desilusão de não os ver a chorar.

Já agora, um aparte, tenho de contar a obsessão dos comentaristas dos jogos aqui na Alemanha com as medidas dos jogadores. No jogo Argentina - México fizeram um grande alarde porque um mexicano pesava 55 kg. No jogo Argentina - Alemanha quase tiveram uma síncope porque o tipo que marcou o golo com a cabeça mede 1m77!!!!! Eu que normalmente tenho uma relação inócua com o alemão (entra-me por um ouvido e sai imediatamente pelo outro sem digestão), faço agora esforço para ouvir, porque é tão patético que dá vontade de rir.

Sábado. Acordei com a amiga argentina a telefonar-me para irmos ver o jogo de Portugal juntas num bar. Dei-me conta que ainda estava vestida. Uma dor de cabeça zoava-me a consciência. Fiz tudo muito devagarinho e cheguei atrasada para o jogo. Não consegui prestar muita atenção que a italiana não se calava (aquela, a enciclopédia de informação inútil, que me irrita profundamente). Mas será possível não dar conta que eu não quero saber e que só olho para ela de vez em quando e faço "hum hum" de vez em quando por um caso de mínimo de educação? Daahhh. Prestei atenção ao tempo adicional e sofri nos penaltis. Eu era a única portuguesa e a maioria estava pela Inglaterra. Melhor que a nossa equipa ganhar, é ganhar nas barbas do inimigo. Delicioso. Por acaso eu já disse que depois dos alemães, os tipos que eu detesto mais são os ingleses? Agora já sabem. Tenho um coração de manteiga quando vejo homens a chorar no campo, mas alemães e ingleses quanto mais baba e ranho, melhor.

O que o Rooney fez foi um ataque à pátria. Um vermelho é muito pouco. Anda aqui uma nação em tremores por causa da baixa da natalidade e o gajo vai aos tomates do Ricardo Carvalho? Isto merecia que a nossa Mossad lhe fizesse uma espera. Andei a ler a teoria da conspiração que a imprensa inglesa inventou para o Cristiano. É fantástico. É tão fixe que eles estejam tão chateados. Espero é que não sobre para o Cristiano. Se bem que eu própria me perguntei que "meiguice" foi aquela dele ao Rooney aquando do apito de partida? A cara dele não é de amigo quando se afasta. Acho que há novela entre os dois. Hehehe...

Pouco vi do jogo França-Brasil, que passei o tempo na conversa. Antes do jogo começar, a minha amiga argentina chegou furiosa, fazendo as rodas da bicicleta derrapar. Então pá? Que tinha passado por uns brasileiros, que lhes tinha gritado "Vai Brasil!" e eles na resposta, vendo-lhe a camisola argentina, responderam "Argentina va a casa!" Ela estava furibunda. Ao fim do jogo disse "Toma, que eles não são melhores que a Argentina!".

Eu cá, logo no início, declarei o meu apoio incondicional ao Brasil, apesar de achar que Portugal tem mais hipóteses com a França. Os espanhóis não perceberam. Opá, ó amiguitos, Brasil é Brasil e depois com Portugal logo se vê. Eu perguntei aos espanhóis quem é que eles apoiavam agora. Eles disseram que estão sem alternativas. Oh, apoiem Portugal que nunca ganhou. Nem pensar, disseram. Portugal com uma estrela ao peito e a Espanha com nenhuma? Nós, uns pequenitates, sem água, pobres? Não se preocupem, eles estavam só a provocar-me. Eles sabem tanto de Portugal como eu da Mongólia. O que eles sabem de nós é clichês. O fado, a tristeza, a saudade.

Bem, deixo a publicidade a fazer furor aqui pelo burgo. Para amanhã: FORÇA ITáLIA!!!!

fonte.

P.S.: Alguém me pode explicar o que está a acontecer em Portugal para que o meu blogue tenha sido inundado desde ontem por gente que usa a frase de busca "os mais bonitos do mundial"? Porque é que só a partir de ontem e em catadupa?

quinta-feira

Feio és tu!

O José Mourinho aparece citado na New Scientist por ter dito:
Por vezes vê-se gente bonita sem miolos. Outras vezes tem-se gente feia e inteligente. Assim, como os cientistas.

Isto para justificar um jogador qualquer dele. Se é para generalizações, eu também posso: os jogadores de futebol parecem todos grunhos. Prontos.

quarta-feira

Convite para futebol

Recebido por correio electrónico de um amigo croata:

12. November take this date free for
FARTUGAL vs ESCROTUMATIA
be there
bye
m


A imaginação e o sentido de humor dos homens nunca pára de me surpreender...

quinta-feira

Praguejamento

Hoje está a ser um mau dia. Após três artigos no Público que me enfureceram por:

1) incorrecto no conteúdo e tendencioso (esta última já é normal, mas sinto que hoje estou com menos paciência para certas m*****);

2) completamente mal escrito, tornando-se pouco compreensível;

3) bem, neste o Público não tem culpa. É simplesmente a notícia que me dá vontade de vomitar.

Recebo esta ligação à página do futuro Centro de Estágios do S.L. Benfica.

Pior que ter alguém a sacanear-nos é esse alguém publicitar a sacanagem. "Estou-te a lixar, ó caramujo! Vê! Olha bem! Toma! Hehehehe!"

Pois anuncia-nos o bravo S.L.B. (= sacaneamos livremente e bem) que esta necessidade do interesse público português "(...) localiza-se no Concelho de Seixal, junto ao Tejo, numa extensa área de zona protegida, da reserva ecológica nacional."

Confesso que gosto de ver futebol, mas estou a ficar tão farta desta ladroagem dos clubes sobre todos nós! É que se ainda houvesse um esforço dos clubes para promover o desporto na população! Mas não! Eles promovem o desporto de competição e para isso pagamos todos nós. Assim, pagando-lhes os Estádios, beneficiando-os e perdoando-lhes impostos e outras contribuições ao Estado, dando-lhes de bandeja locais de excelência, que deviam ser de usufruto geral, pensados para proteger o património natural de todos nós, para eles construírem um Centro de Estágios, que terá "níveis de retorno publicitário absolutamente ímpares para os seus patrocinadores". Estão a ver? Um Centro pago pelos portugueses, num local especial dos portugueses, para os portugueses continuarem a financiar, não só através das regalias estatais, mas também da publicidade! Qual o retorno para os portugueses (reais patrocinadores deste Centro?)? Nada. O povinho não entra! O povinho se quer compra binóculos. O desporto que o Benfica dá ao povinho é o seu próprio sofá, a ver na sua própria televisão, o Benfica jogar mau futebol.

Estou tão farta, tão desmoralizada, tão triste, que só me apetece...gritar....