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terça-feira
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Segundo o que as pessoas me vao dizendo, parece que é mau ter preconceitos. O que eu nao entendo é como as pessoas decidem onde ir de férias sem preconceitos.
domingo
Fausto na Ar´bia
Tive pena do McCain neste vídeo. Não sei se ele sentiu, mas eu senti que ele sentiu o peso de Fausto. McCain quer ser presidente dos EUA e sabe que esta seria a sua última oportunidade. Baseado na sua experiência passada resolveu vender a alma à máquina republicana que vende votos a pessoas que não quereriamos nem a viver na aldeia mais próxima, quanto mais como vizinhos. Agora, talvez tenha sentido peso na consciência, mas é tarde demais.
Noutro apontamento, há racismos que andam escondidos e neste momento da história espera-se isso e o grande espanto é quando alguém é racista às claras. Mas eu não estava habituada a pessoas serem racistas às claras e ninguém dar conta. O Obama é apelidado de árabe e o McCain faz a antítese com ser-se uma pessoa decente! E é o mesmo noutros programas que vi hoje que roçaram isto, em que ninguém, ninguém, repito, ninguém exprimiu o, para mim, óbvio. Imagino que isto do preconceito vai por partes. Ou vai e volta, consoante as guerras.
quinta-feira
Nao somos todos verdes
Estive a ler o discurso do Cavaco Silva do dia 10 de Junho, mas nao foi lá que ele disse raça. Portanto, ainda nao sei realmente o que aconteceu. Se realmente é o homem ou um surto viral do politicamente correto. A palavra raça agora nao se diz, seja em que situaçao for, a nao ser seres nao humanos, imagino. Será que a minha piadinha de que em Portugal somos rafeiros é possível? Posso? Ou também é crime lingual?
Seja como for e nao tomando partidos, que eu nao tenho a minima ideia do contexto da palavra na frase e na situaçao, eu aponto este texto que li há muito poucos dias, talvez no mesmíssimo momento em que o Cavaco Silva expelia pela boca a palavra raça, talvez querendo dizer coragem, talvez querendo dizer aquele je ne sais quoi de rafeiro que os portugueses tem, talvez querendo dizer pelo nas ventas, talvez querendo dizer aquela espécie humana de altura abaixo da média europeia, talvez aquele pessoal todo que ouve fado e começa a fungar, talvez tentando animar os tugas choroes a serem mais vertebrais, talvez tentando incutir um certo sentimento de solidariedade (que nao existe), talvez num processo de telepatia, benza deus, espero que esta última nao.
É que se nao somos todos brancos, também nao somos todos verdes.
P.S.: Estive a olhar para a minha última frase e é passível de eu ser também apedrejada. Bem, nao sou famosa, é o que me vale.
Seja como for e nao tomando partidos, que eu nao tenho a minima ideia do contexto da palavra na frase e na situaçao, eu aponto este texto que li há muito poucos dias, talvez no mesmíssimo momento em que o Cavaco Silva expelia pela boca a palavra raça, talvez querendo dizer coragem, talvez querendo dizer aquele je ne sais quoi de rafeiro que os portugueses tem, talvez querendo dizer pelo nas ventas, talvez querendo dizer aquela espécie humana de altura abaixo da média europeia, talvez aquele pessoal todo que ouve fado e começa a fungar, talvez tentando animar os tugas choroes a serem mais vertebrais, talvez tentando incutir um certo sentimento de solidariedade (que nao existe), talvez num processo de telepatia, benza deus, espero que esta última nao.
É que se nao somos todos brancos, também nao somos todos verdes.
P.S.: Estive a olhar para a minha última frase e é passível de eu ser também apedrejada. Bem, nao sou famosa, é o que me vale.
terça-feira
do Afeganistão, trazido aos EUA, passando pelos Países Baixos e acabando em Portugal ou quem é imensamente pobre
Já lá vai para cima de um ano que vi as fotografias da fotógrafa Stephanie Sinclair no New York Times. Tal como eu fiquei perplexa (sabemos que acontece, mas levar assim com as imagens que valem mil palavras), ficaram muitos outros (não sou abençoada pela originalidade de sentimentos, apesar de fingir que sim) e uma das fotografias apareceu-me outra vez pelo blogue dois dedos de conversa como uma das fotografia do ano para a Unicef. Poucos dias depois no compilador de textos alldaily vem este, abaixo ao dois pesos e duas medidas. Neste excerto:
lembrei-me deste excerto provindo do Pedro Arroja:
O progresso pode ser feito com um passo atrás e dois adiante, mas há pessoas que conseguem resvalar de tal maneira que acabam por cair num atraso paradoxal.
P.S.: Bom Natal e se me esquecer, boas entradas.
It is likely that all of the female forebears of the girl in the photograph were likewise sold -- and the girl, no doubt, saw it as her fate. At the same time, she realizes that what is happening to her is not right. She might think it is "natural" for a young girl to be sold, but she also knows that it's neither good nor legitimate for her to spend the rest of her life as this man's slave. It is a type of knowledge that has little to do with experience. Rather, it is knowledge that is rooted in humanity, and in the hopes and dreams of a little girl.
The man in the image is oblivious of his wrongdoing. He's only doing what his forefathers did. Sticking to traditions increases the chances of survival. His seed will create a new person and strengthen the clan. He will impregnate this girl without love and without regret, since love is a word from far-off stories and songs, a word from the decadent West, where people have no comprehension of the harshness of life in the desert and of war without end, which is the essence of life in this part of the world.
lembrei-me deste excerto provindo do Pedro Arroja:
Os preconceitos são regras de acção automáticas que as gerações anteriores nos legaram e que nos permitem economizar muito tempo e outros recursos. Cada cultura possui os seus preconceitos e as culturas mais prósperas são aquelas que possuem um stock maior de preconceitos eficazes. Tendo-se confrontado com problemas semelhantes aos nossos no passado, as gerações dos nossos antepassados tiveram de encontrar soluções para eles. E, tendo encontrado aquela que consideraram ser a melhor para cada um desses problemas - a solução que funciona melhor na maior parte dos casos semelhantes - elas legaram-nos essa sabedoria sob a forma de regras automáticas de comportamento: "Perante tais e tais circunstâncias, faz assim e assim - não percas sequer tempo a pensar".
É o conjunto dos seus precoconceitos que define uma cultura e a distingue de outra cultura. E quanto maior fôr o número de preconceitos eficazes que uma cultura possui em relação a outra, mais próspera essa cultura será em relação à outra. É esta também a razão porque é tão difícil mudar uma cultura. Uma cultura faz-se sobretudo de comportamentos automáticos - preconceitos - que as pessoas generalizadamente aceitam e praticam de forma acrítica sem nunca questionarem a sua racionalidade. E ainda bem que assim é, caso contrário seriam imensamente pobres, na realidade, nunca chegariam a sair de casa de manhã para o trabalho.
O progresso pode ser feito com um passo atrás e dois adiante, mas há pessoas que conseguem resvalar de tal maneira que acabam por cair num atraso paradoxal.
P.S.: Bom Natal e se me esquecer, boas entradas.
Crying gap
Uma crianca a chorar obtem de mim uma avaliacao objectiva de necessidades em caso de estar ao meu cargo ou um suspiro de tédio no outro caso. Uma mulher a chorar obtem de mim, na primeira reaccao, desconfianca, pois tenho este preconceito de que as mulheres sao descontroladas e histericas. Um homem a chorar derrete-me. Um avozinho de barba branca a chorar consegue qualquer coisa de mim. E' por isso que tenho medo do Pai Natal.
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