terça-feira

Começou a época da caça

Façam o favor de surfar pela blogosfera e vão ver de tudo. Eu que tenho como filosofia ver todas as cores da paleta fiquei maravilhada.

Há:

1) os que defendem que o caos dos últimos dias é um movimento pela supremacia ocidental;
2) os que defendem que foi pela liberdade de expressão;
3) os que defendem que é um movimento de hipócritas que acobertados pela liberdade de expressão querem afirmar a supremacia ocidental;
4) os que defendem que a supremacia ocidental deve tomar as sociedades muçulmanas à má fila, de mansinho, a rastejar e quando eles derem por ela já não escapam;
5) os que defendem que isto foi um movimento islamófobo;
6) os que defendem que somos islâmico complacentes;
7) os que defendem que o importante é a segurança, lixe-se a liberdade de expressão;
8) os que defendem que se queremos defender os nossos valores é juntando-nos aos americanos no Iraque;
10) os que defendem a responsabilização dos jornalistas;
11) os que defendem limitar a liberdade de expressão.

A blogosfera é um mundo de pluralidade e eu gosto.

Ora bem, eu escolho 2,6,10.

Este Jyllands-Posten...

... é um jornal merdoso. Depois de muita meditaçao achei que este adjectivo é o mais adequado.

Liberdade de expressão e segurança



Bandeira no DN

segunda-feira

Perdida

Quando me deixares sozinha
dá-me pelo menos o olhar
e o sorriso
de quem me ama.

Se não me amas, mente.
Porque eu não aguento ficar tão sozinha.
Se me amas, mente que não me amas.
Que eu não consigo encontrar-me assim sozinha.

De pequenino se torce o pepino

I saw a picture (broadcasted by Euronews) of an enthusiastic Palestinian female teacher organising a "protest" of 7-10 y.o. schoolchildren. Under her guidance, the kids were chanting slogans and burning the Danish flag. This reminded something to me. In the USSR, it was a common practice to arrange a massive campaign against, for example, Boris Pasternak using people who didn't even read a single line of his writings. But politicians knew their job very well.
Alexander Markin, Moscow, Russia


Comentário na BBC

Guerra

Parece que sim. Acabei de vir de consolar um amigo. Eu li na net à tarde sobre um cartoon em que Hitler está na cama com a Anne Frank. Acabei por chegar à página da Liga Árabe Europeia (LAE). Contei-lhe. Tinha esquecido que familiares dele morreram no holocausto. Ele leu e viu. Companheiro de indignação desta semana, caminhava de trás para a frente, na cozinha, tentando demonstrar-me a diferença. Eu respondi-lhe que um muçulmano responderá que para ele Moamé é tão importante para ele quanto a sua história de perda e horror. Que a ofensa está, para eles, ao mesmo nível. Como podemos dizer que não? Para nós o respeito pela vida humana é mais importante que religião, mas... Mas eles estão a mentir! Não havia mentira naqueles cartoons? Mas isto é uma provocação reles! Ele escreveu uma carta electrónica à LAE. Ajudei-o. Abracei-o. Não há guerra sem ferimentos.

domingo

Problema: extremismo



De Stephane Peray, Tailândia

Um país de direito

Nem que por mais nada, este caos dos cartoons, teve o aspecto positivo de me fazer envolvida em discussões interessantes. Uma delas foi discutir democracia com um chileno, que a certa altura se desculpou dizendo que como eu poderia compreender, devido a prerrogativas históricas, os processos democráticos são para ele conceitos não claros. Disse-lhe que por aqui a democracia também não é um conceito absolutamente transparente, mas o que interessa é que o possamos discutir.

O que ele me disse a certa altura era que eu não respeitava a democracia nesses países que eu apelidava de muçulmanos*. Eles votaram em dirigentes que defendem leis religiosas, mas como esses dirigentes emanam da lei da maioria, eu devia respeitar. Atendendo aqueles países que são democráticos (a maioria não o é), eu respondi que um estado de direito tem como base o processo democrático, mas não é tudo. O respeito pela diferença e pelas minorias é um factor fundamental. E qual o sistema de protecção utilizado? Eu disse "A constituição". Este é o documento que definindo os direitos do ser humano independentemente da cultura, da religião, do género, impede que a lei particular ditada pela maioria tropece nos direitos fundamentais da minoria.

Com respeito à discussão sobre o casamento dos homossexuais, li algures alguém que dizia que a Constituição, ainda que não o declarando explicitamente, é obviamente um reflexo dos ideais da sociedade que a redigiu. Pois será, mas não devia. É-o porque os seres humanos são preconceituosos. Sê-lo-á a nossa, portuguesa, porque o preconceito continua a ser aceitável, mesmo entre as chamadas elites pensantes. Mas não devia ser. A Constituição devia conter somente os preceitos universais para o bem estar do ser humano. O direito à felicidade, ao trabalho, à saúde, à educação, à liberdade, ao amor, e como somos seres extremamente sociais, o direito à não ostracização.

Senão eu faço a mesma pergunta que o meu amigo chileno: o que constituirá o contraponto à lei da maioria?

* Ele condenou o meu uso de "muçulmanos" para caracterizar esses países. Semântica. Este é um problema político, dizia-me ele. Religião e Política são separados. Aqui, meu caro, não nesses países, em que os gritos de protesto a tresandar a ódio e morte começam nas mesquitas pelas bocas dos imãs.

sábado

Minaretes


De Riber Hansson, Suécia

Cuidado com a Petição

Anda pela internet uma petição de apoio ao jornal Jyllands Posten.

Chamo a atenção que este jornal tem como linha editorial a publicação de artigos racistas e xenófobos. Ao assinarem a petição estarão a dar implicitamente o apoio a esta faceta do jornal.

Eu apoiei o posicionamento que pretendia defender o princípio da liberdade de imprensa. Eu congratulei-me com a decisão de outros jornais de também publicarem os cartoons. Seria injusto abrir excepções para uma religião e seria perigoso tornar todas as religiões não censuráveis e não criticáveis. Mas esta luta era por um valor: a liberdade.

Eu adoraria que o caso dos cartoons tivesse dado azo à discussão da responsabilidade que vem com a liberdade (como a Helena tentou desde o início), da complacência para com as comunidades muçulmanas na Europa (parece ser a tendência dos alemães), por um lado, e por outro, a reacção perniciosa de apoio a governos que tomam medidas xenófobas e chauvinistas (o caso da Dinamarca). Contudo, os protestos extremos de países tecnocráticos do médio oriente enrijeceu-nos na posição defensiva.

Quando a situação amainar (sabendo que infelizmente qualquer pedagogia perdeu-se nesses países) é altura de discutir os outros pontos. Não saltar em rebanho para a parvalheira de apoiar outros extremos também perigosos. A febre foi alta, mas é altura de reavermos a claridade de pensamento.

Os jornais poderiam agora usar essa liberdade de imprensa e mostrar o que é hoje a Dinamarca.


Boa parte da terceira página do meu jornal diário (Süddeutsche Zeitung) é dedicada hoje ao problema da xenofobia nesse país [Dinamarca].
Um exemplo: para poderem casar, os estrangeiros são obrigados a ter ambos pelo menos 24 anos de idade, um apartamento conveniente, rendimentos suficientes, 7000 euros num Banco e "em conjunto, uma relação mais forte com a Dinamarca" que com qualquer outro país. Bolette Kornum, uma dinamarquesa que foi viver para o Egipto em 1999 e casou com um egípcio, viu-se impedida de voltar para o seu país, em 2003, porque "o casal tinha uma relação mais forte com o Egipto que com a Dinamarca". É a lei.

sexta-feira

Manif

Hoje, pelas 16h, Rathausmarkt, por cartoons com piada.

P.S.: Imprimam os cartoons e tragam isqueiros, bionade e cervejas (não astra).

É a última

Former Spectator editor and Conservative MP Boris Johnson told the BBC the Muslim religion should not be treated with kid gloves.

He said: "If you are a Muslim and your faith is strong and you believe in God and in your prophet then I don't think you should be remotely frightened of what some ludicrous infidel says or does about your religion or any depiction he produces.

"I think we've got to move away from this hysterical and rather patronising idea that we have got to treat the Muslim religion with kid gloves and not subject it to all the same rough and tumble that we subject other faiths to."


BBC

Da UE diz-se:

FRANCO FRATTINI, EU Justice Commissioner

It should be crystal clear to all that violence, intimidation, and the calls for boycotts or for restraints on the freedom of the press are completely unacceptable.

I can understand the feelings of indignation, frustration and sadness of the Muslim communities over the last few days. Such events do not facilitate dialogue between faiths and cultures.

quinta-feira

Pedagogia

Na BBC:

Why is the insult so deeply felt by some Muslims?

Of course, there is the prohibition on images of Muhammad.

But one cartoon, showing the prophet wearing a turban shaped as a bomb with a burning fuse, extends the caricature of Muslims as terrorists to Muhammad.

In this image, Muslims see a depiction of Islam, its prophet and Muslims in general as terrorists.

This will certainly play into a widespread perception among Muslims across the world that many in the West harbour a hostility towards Islam and Muslims.



AAAhhhh. Portanto como eles pensam que nós os odiamos então o melhor mesmo é ameaçar-nos. Tá bem. Tem toda a lógica. E para a gente não pensar que eles são terroristas o melhor mesmo é exigir-nos desculpas armados.

Comentário na BBC...

... que raspa um dos pontos do meu pensamento.

Let me admit up front that I'm an atheist and have no love for any of the Big Three religions. That said, I'd like to point something out: When there's something really offensive to Christians, Pat Robertson gets all mad for a day or two, but life goes on. When there's something offensive to Jews, Abraham Foxman gets all mad for a day or two, but life goes on. When there's something offensive to Islam, it's the top story on the BBC for several days in a row. Get my drift?

James Sweet, Rochester, NY, USA

Não são só más notícias

Hundreds demonstrated in Pakistan on Thursday, chanting "Death to Denmark" and burning Danish and French flags.

But one Jordanian paper has reprinted the cartoons, with an editorial urging Muslims worldwide to "be reasonable".


Na BBC

quarta-feira

Liberdade II

Já agora coloquem-se aqui dois elementos importantíssimos da discussão:

Os cartoons. Por intermédio dos Renas e Veados.

O pedido de desculpa. Por intermédio de uma amiga minha, que adoraria ter um passaporte de um país europeu. Não é porque a Europa é comparativamente rica relativamente a outros continentes. Ela vem de um país rico e com as manias. Será porque somos porreiros e gostamos dela, mesmo que ela seja polireligiosa (ela tem uma curiosidade imensa por religiões), boxista, vegan e anarquista, que além disso tem o passatempo de ir a demonstrações contra a monarquia? :-)

P.S.: E um cartoon que diz muito. Actualização: o editor foi despedido.

Na BBC segue-se o caso. A última é que homens armados rodearam escritórios da UE em Gaza exigindo desculpas. Já sei, já sei, coitadinhos, tão injustiçados que eles foram e são... É só mesmo porque nós somos uns mauzões, que eles lá no fundo são adoráveis. É só mesmo por causa de nós que eles não percebem nada de respeito dos direitos humanos, liberdade e tolerância. Vou ali a uma loja sado-maso comprar um chicote para me penitenciar. Estou mesmo a merecê-las, sua infiel!

Something is rotten in the state of Denmark.*

Cara Helena,

a minha noite ontem foi passada no contraditório.

Encontrei-me com um conhecido dinamarquês, indignada, ruborizada, na defesa da liberdade. Imagina se queres, gadelhas e cuspo pelo ar.

Abrunho, senta-te. A Dinamarca é hoje um país racista. Os dinamarqueses maioritários continuam a ser boas pessoas, cordiais com aqueles que conhecem, sejam eles estrangeiros ou dinamarqueses culturalmente diferentes. Contudo, estão abertos a políticas xenófobas que os protejam da ameaça sentida de uma massa humana, que eles visualizam desconhecida e abstracta.

O apoio a políticos xenófobos e os consequentes acção e discurso está a criar tensões sociais graves. Pelo menos 5% dos dinamarqueses são muçulmanos. Além disso, adiciona os imigrantes. Além disso, adiciona outras comunidades também visadas.

O jornal em questão - Jyllands-Posten - tem como linha editorial a publicação de artigos racistas e xenófobos. Depois da Kristallnacht (este jornal é velhinho) publicou que os alemães tinham exagerado um pouco, mas era compreensível a sua animosidade contra os judeus.


Mas eu li que tudo começou porque um escritor queria contratar ilustradores para um livro seu sobre Maomé e ninguém aceitou porque temiam represálias. Assim, este jornal tomou a iniciativa de congregar um conjunto de cartoonistas e publicar os seus trabalhos figurando Maomé.

Mas então eles não tinham medo de represálias?

?

Se tivesse sido uns cartoons num jornal que não o Jyllands-Posten a questão não teria atingido estas proporções. Além de que esta é a gota de água numa cadeia de provocações.

Mas não é um exagero fazer ameaças de morte?

Houve exagero. Mas atenção, que os que ameaçam de morte são uns poucos. Não podes considerá-los como representativos. Utilizando o palavrar do próprio Jyllands-Posten: houve exagero, mas não será compreensível a animosidade da comunidade islâmica para com os dinamarqueses? Dentro de portas o tom é de provocação, fora é o apoio da beligerância. Não é a liberdade que está em perigo na Dinamarca.



Quando falo de liberdade falo de uma óptica europeia porque essa é a minha origem e vivência. Eu gostaria que ela fosse universal. Tento tido a sorte de viver na liberdade, considero-a um dos maiores bens. Não conoto a liberdade com respeito, conoto-a com fundamental. Merece que se lute por ela, não pelo facto de ser nossa, pois a liberdade não se possui, mas pelo direito do seu usufruto.

Fica bem. Gosto de te ler.

abrunho



* Hamlet, Shakespeare, Primeiro Acto, Cena 4

terça-feira

Liberdade

Estou a ler um livro* em que se fala de Bento de Espinoza, filósofo holandês que viveu no século XVII. De origem judia, os seus antepassados fugiram primeiro da Castela dos reis mui católicos e um século depois do Portugal inquisitorial, também mui católico. Dirigiram-se uns para Nantes, outros Amesterdão. Alguns ficaram e não prosseguirei na descrição dos métodos de perdão e purificação que lhes foram santamente dispensados. A 24 de Novembro de 1632 Espinoza nasce no paraíso de liberdade que era na altura a república dos Países Baixos.

Espinoza foi um aluno brilhante, um espírito curioso e um pensador livre. Começou a ter ideias blasfemas como o pensar que os livros de Moisés eram obras de simples humanos, que não existe a imortalidade da alma e que Deus é uma emanação do Mundo. Chamado à sinagoga ele recusou-se a negociar um perdão e sofreu a excomunhão e expulsão da comunidade judaica.

Espinoza tornou-se então totalmente um cidadão livre de uma república livre, rodeada por estados bem menos livres e bem mais influenciados por ideias teocráticas. Quando as suas ideias se desenvolveram e ele as escreveu, os seus livros foram apelidados de heréticos e ele apontado como um desprezível judeu ateísta (quando na verdade ele não colocou em questão a existência de Deus, mas a sua natureza). Compreendam que se ele fosse expulso dos Países Baixos não haveria onde ele se refugiasse. Neste oásis foi-lhe permitido desenvolver uma filosofia baseada numa ordem política secular e em ideais liberais.

A liberdade em Espinoza reverberou em mim quando li sobre as pressões sofridas pela Dinamarca, por parte de países do Médio Oriente, devido a quadradinhos que retratam o profeta Maomé. Pressão que chega a ameaças de morte. No Blasfémias fazem um bom resumo dos acontecimentos.

A Europa percorreu um longo percurso, no qual pessoas, como Espinoza, arriscaram a vida pela liberdade. Muitos morreram. Obras não foram realizadas por medo. Obras foram destruídas.

Entristece-me que a Dinamarca pareça estar sozinha. Que não haja representantes dos países europeus que expressem apoio, pessoas que vão para as ruas e digam que a liberdade é o nosso maior bem, que a blogosfera clame (só li sobre o assunto no Blasfémias!). Nao há nada de que pedir desculpa. Espinoza pediu desculpas? Isto não são só cartoons! São jornalistas que não escrevem por medo de represálias, é Theo van Gogh morto na Holanda e Ayaan Hirsi Ali protegida 24 horas de ser assassinada. Isto é sobre liberdade. Imaginem-se sem ela.

* The Courtier and the Heretic. Leibniz, Spinoza, and the fate of God in the modern world. Matthew Stewart

segunda-feira

Extremos

Como pode o Inverno e o Verao caberem num mesmo ano?

Clima

Imaginemos que estao na conchichina e que um indígena vos pergunta de onde sóis e vós dizeis "Portugal" e o tipo pergunta "Como é o clima?". Voces respondem:

- A 29 de Janeiro nevou em todo o país, a 17 de Junho esteve um dia óptimo de praia, com um solinho mesmo bom, mas em Agosto nem na praia. A 6 de Outubro passou o dia a chover.

ou

- O clima é temperado. Os Invernos sao húmidos e amenos e os Veroes sao quentes e secos.

sexta-feira

Eleiçoes no estrangeiro

Após cinco dias faltam tres consulados por apurar. A abstençao foi de 89.9%. Antes que comecem a atirar pedras ao pessoal lembrem-se que a área de abrangencia de cada mesa de voto no estrangeiro seria como existir para aí 5 para todo o Portugal Continental. Isto na Alemanha, que existirao sítios piores.

O mais importante da nossa sociedade é a maior liberdade de escolha. É ter opçoes. Muitos podem ter decidido nao votar, mas a luz é que se possa fazer e que 18642 o puderam fazer e o que isso poderá ter significado para elas. Esse acto é o fundamento da democracia e da cidadania. Esse fundamento baseia-se na sua existencia e nao na sua utilizacao.

Em particular, é importante que nao se deixe de ser portugues só porque se vive no estrangeiro. O mundo é mais que Portugal e conhece-lo nao nos deveria diminuir.

Como li vários postes em que havia queixas sobre os consulados portugueses gostaria de escrever que nao tenho quaisquer razoes de queixa do de Hamburgo. A alteracao do local de recenseamento foi facílimo e nao paguei um tostao. Nao se fazem rogados nas informacoes e sao educados.

Depois de saber o número de abstencionistas percebi porque quando entrei na sala para votar houve um frémito de excitaçao. Deviam estar todos aborrecidos... Ainda por cima, para minimizar o facto das pessoas terem que fazer viagens longas, sao tres os dias para votar. Assim, agradeço 'as pessoas que deram o seu tempo para receberem os votos no consulado de Hamburgo e todos aqueles que lutaram para que eu pudesse votar no dia 22.

quinta-feira

Uma das merdas que me irritam

Eu nao discuto a mudança de imagem corporativa do BES. A minha opiniao traduz-se numa expressao que apresenta um rácio excelente entre a economia de palavras e a ideia que pretende expressar: "Caga nisso". É todo um mundo de pointless...

O que a mim me chateia na notícia sao as palavras inglesas que polvilham o texto. Nao é porque eu seja contra estrangeirismos, que aceito quando nao existe palavra em portugues que tenha o rácio que eu referi há pouco. Assim, como net, brainstorming, punch line, etc. e tal. Mas irrita-me quando esta gente da informática e da publicidade pretende escrever para os leigos e de repente num texto supostamente em portugues tem que se ir ao dicionário em ingles para perceber que porra de merda estao eles a falar. Que para eles, entre eles, se entendem melhor a falar esta zurrapa de língua eu estou-me a cagar, mas quando falam para os outros, tentem adoptar uma das línguas oficiais do mundo. Escrevam tudo em ingles, shit!

Efeito do iogurte fora de prazo

Hoje acordei assim:



Mutts

A-ventura

A-ventura é ter fome e em desespero passar o frigorífico a pente fino e morrer de alegria ao descobrir um iogurte com prazo de validade de 16.10.05.

Espero nao escrever amanha do hospital.

40 minutos depois, tudo ok...

P.S.: Tinha posto como título deste poste "Fome", mas ao reler achei de muito mau gosto. Sei lá eu o que é fome. A sorte começa onde se nasce. A sorte e a injustiça.

quarta-feira

Sexo livresco

No "Esplanar"

Desempenho ambiental

Pelo Público soube de um relatório que pretende quantificar os desempenhos ambientais nacionais a nível mundial. Um primeiro trabalho que pretende ser melhorado 'a medida que mais e melhor informaçao surja. O objectivo é criar uma ferramenta que permita avaliar a situaçao e os progressos.

Portugal ficou em décimo primeiro lugar segundo os critérios adoptados. No artigo do jornal (nao disponível em linha) aponta-se que os dados utilizados possam, em alguns parametros, nao ter sido os melhores. Mas um dos exemplos deu-me vontade de rir:

Em relação à protecção da natureza, o país aparece mal classificado. A meta estabelecida pelos autores é que 90 por cento dos espaços naturais do país deveriam estar classificados. Portugal aparece com apenas 10,5 por cento. Sabendo-se que 22 por cento do país tem estatutos de protecção, quer por via das áreas protegidas quer pela Rede Natura 2000, este número apresenta incongruências.


Como se em Portugal o estatuto de protecçao significasse alguma coisa. Por portas travessas os tipos do relatório devem ter chegado 'a cifra certa.

terça-feira

Sou uma democrata dividida

Esta brincadeira anda pela blogosfera. A dar-lhe importância explicam-se as minhas indecisoes e dores de cabeça crónicas em matéria política.


Pormenores

A mim dá-me a saber o "fair-play" de Sócrates, nobreza na acçao. Um pormenor, mas o carácter de uma pessoa também se faz de pormenores.

P.S.: A comunicaçao social, como deve ser, é livre de decidir o que é mais importante. Compreendo que o PM seja mais importante que o primeiro dos vencidos.

Os sacaninhas

O PÚBLICO apurou que, anteontem à noite, alguns dirigentes socialistas colocaram ao líder a possibilidade de abrir uma guerra contra Alegre, nomeadamente retirando-lhe o cargo de vice-presidente da Assembleia da República.

De Angel Boligan em caglecartoons.com

segunda-feira

Cavaco Silva

Eu nunca votaria no Cavaco Silva para presidente pelo simples facto dele estar na lista negra em que meto os políticos que foram incompetentes (assim como o Guterres) ou que trairam os portugueses (assim Durao Barroso). Estes senhores tem um voto meu no nunca. O Cavaco Silva nos seus dez anos apostou num tipo de progresso que ainda singra, que ainda dá cabo do país, que nos empobrece em tudo menos em betao. Este senhor nao realizou as reformas necessárias que ainda andam hoje em arraste. A parte que ele teve nisto eu nao esqueço e nao perdoo. Mas mesmo que sofresse de amnésia seria-me difícil votar em alguém que nao diz nada. Mas os meus compatriotas nao tem a minha opiniao. Ele é o presidente da república e eu neste momento desejo que ele seja o melhor. Eu nao duvido da sua honestidade, somente da sua competencia.

P.S.: Este tipo de discurso irrita-me. Asim um elitismo bacoco repulsivo. Os bloguistas passaram-se nos disparates nas suas análises eleitorais, mas o "Causa Nossa" merece o prémio: cada poste, cada argolada.

Nisto sai um calafrio

O Cavaco Silva termina o seu mandato quando eu tiver 35 anos...

sexta-feira

O conselho de Flora Tristán

- Ninguém tem o direito de desperdiçar uma oportunidade assim - confirmou Flora com um gesto. - Esqueça-se do seu luto, saia deste sarcófago. Comece a viver. Estude, faça o bem, ajude os milhões de seres que, eles sim, padecem de problemas muito reais e concretos, a fome, a doença, o desemprego, a ignorância, e não podem fazer-lhes frente. O seu não é um problema, é uma solução. A viuvez salvou-a de ter de descobrir a escravidão que o casamento significa para a mulher. Não brinque a quem se sente uma heroína de novela romântica. Siga o meu conselho. Regresse à vida e ocupe-se de coisas mais generosas do que cultivar a sua dor. Por último, se não quer dedicar o seu tempo a fazer o bem: goze, divirta-se, viaje, arranje um amante. Era o que o seu marido teria feito se a senhora morresse de tuberculose.


O Paraíso na outra esquina de Mario Vargas Llosa

quinta-feira

Leio Llosa

O paraíso na outra esquina.

A história alternada de dois sonhadores que buscam os seus sonhos: Paul Gauguin, o pintor, e Flora Tristán, a avó revolucionária.

Tive uma discussão com um meu amigo sobre Gauguin, pois eu disse-lhe que eu detestava o pintor como pessoa. Ele chamou-me burguesa. Eu respondi-lhe que o que norteia a minha opinião não é a moral, mas o respeito e amor pelas pessoas. Abandonar 5 filhos, ter sexo quando se tem sifílis, ter fantasias sobre canibalismo realmente não me leva a admirar alguém. O livro continua a ser magnífico e os sonhadores fazem sempre vitimas colaterais, até Flora, se bem que eu a admire. A luta por um paraíso social é mais fácil de admirar do que a busca de um paraíso individual.

O que se diz no sapo.

quarta-feira

Conforto 2

Aqui pode-se maltratar o Bush um bocado. Pode-se abanar o idiota com o rato.

Confortar

Estava eu aqui a queixar-me dos políticos portugueses e o meu colega veneziano resolveu confortar-me com um artigo do "La Republica" em que o Silvio Berlusconi diz:

Il presidente del consiglio non può per definizione mentire.

Quem não tem amigos não tem nada.

Livros 2005 - III



6 - É um best-seller que mete de tudo: mistério, intriga, espionagem na Inglaterra da restauração, religião, os princípios do experimentalismo na ciência... Além disso, tem um pormenor que é a cereja no bolo: a mesma história é contada em quatro perspectivas diferentes. É um daqueles livros que não se quer despegar.

p.s.: além disso, tem um heretismo... ao mesmíssimo nível do "Código Da Vinci". distracção dos cléricos ou o Dan Brown tem cunha?



5 - Um romance belíssimo. Sobre uma família, que se verte na ideia da importância da família em quem se é, definindo um mundo de amor, rancores, doçuras, amargos. Uma família de cinco elementos em que cada um tem a sua fala. O espaço de cada um nascido de uma aliança chamada família. As manipulações, o melhor e o pior que nasce de uma família. O tal. O núcleo da sociedade de que falam os políticos a pescar votos. A família modelo. A família num livro que rememoro.

Desabafo 2

O Fernando Pessoa não escrevia que as cartas de amor são ridículas? Não escrevi muitas, mas as que escrevi foram ridículas, mas nunca me arrependi. Eu arrependo-me amargamente dos postes que escrevo que envolvem política. Acreditar em políticos é ridículo.

Desabafo

Esta campanha eleitoral é uma palhaçada! O que parece mais inteligente é o só porque não diz nada! Mas eles têm noção que se vão candidatar a presidentes de um país? Já lhes disseram que não se estão a candidatar a intervenientes no "Má Língua"?

Desisto, desisto, desisto!

Não há filósofos nesta campanha eleitoral!

Vai em branco.

terça-feira

Bushismos

Aqui

Tá-se memo a ver

Parece-me que deus anda lá pra cima a brincar com as almofadas...

Coisas que recebo dos meus amigos

The world is a tragedy to those who feel, but a comedy to those who think.
Horace Walpole
English author (1717 - 1797)


Gracias! :-)

sábado

O vértice do oportunismo

Matilde Sousa Franco acusa Manuel Alegre de oportunismo porque ele pretende ir à lota de Matosinhos. Mários Soares diz que Sousa Franco votaria nele se fosse vivo. Matilde Sousa Franco concorreu a deputada nas listas do PS porque é viúva de Sousa Franco.

Para alegrar


Flores

O espelho da presunção

Há muita presunção na blogosfera. Tenho muitas vezes a impressão que os blogues de referência são um mundo fechado de grandes egos que eu estou a perscrutar. Sinto-me então desconfortável. Há ideias muito interessantes nos blogues, aprende-se muito e há bloguistas que escrevem bem e com espírito de camaradagem. Mas há outros que têm súbitos de tanta empáfia que se fica parvo a ver as palavras que se juntam para formar ideias, que vêm, imagino, daquela coisa chamada elitismo intelectual. Hoje decidi deixar de visitar um deles. Há muitos bons blogues para perder tempo a ler vaidades.

Lembram-me o conto da Branca de Neve, com a sua rainha má e o seu espelho e penso se não usarão a blogosfera como esse espelho.

sexta-feira

Como está muito frio fui ao cinema

Vi dois filmes.

Um deles não gostei. Li em qualquer lado um escrito de um tipo que tinha gostado, principalmente porque era uma história, sem tomar partidos sobre a guerra ou sobre as políticas bélicas dos EUA. Eu preferia um pouco mais. Este filme só tem um mérito: é um excelente contranatalidade. É só as minhas hormonas começarem a gritar que querem que eu seja mãe, que eu vejo o filme e só de pensar que me pode sair um menino como aqueles na rifa, perco logo a vontade. É só por isto que estou a pensar adquiri-lo. Ah, o filme é "Máquina Zero" (Jarhead) do Sam Mendes.

O outro amei, adorei, apaixonada. É Woody Allen, sem comédias, sem ele a zanzar no filme com existencialismos, mas que obra-prima. Podem algumas almas aborrecerem-se com um filme que não salta nenhuma cena explicativa de uma tese, mas que também não tem excrecências. No final fica o gostinho de algo sublime. Este ano começou bem. "Match Point".

P.S.: Para além disso, tem a Scarlett Johansson que me dá vontade de me tornar lésbica... :-) Os rapazinhos são bonitos de poster, com olhos azuis, e eu gosto deles latinos. Não tenho paciência visual para bibelôs anglo-saxónicos.

Mariano Gago

Este senhor é um excelente ministro, inteligente, dinamizador das universidades e da investigação portuguesa, com bom senso, de pés assentes na terra e com objectivos cumpridos. Tem a minha admiração e não esperaria dele mais do que isto.

Os padres irritam-me tanto, pior que melga. Os senhores façam o favor de se cingirem à homília! Chaguem os católicos, deixem o resto do pessoal ser feliz à sua maneira. Que chaga!

Os velhos

A Constança Cunha e escreveu um bom texto no seu espectro. Concordo com cada letrinha e ponto final. Um dos bloguistas d'O Acidental respondeu-lhe e lá pelo meio diz que como a idade mínima para alguém se candidatar a presidente da república é de 35 anos então já está implícito que a idade importa. Só que para mim importa mesmo é no limite inferior. Eu nunca votaria em alguém abaixo dos 50 anos, porque eu estou à espera de alguém com experiência para o cargo, uma ideia da vida e da política que só o viver dá.

Citação

"Para quem se perguntou como irão o aquecimento global e a redução na superfície de gelo afectar os ursos polar a resposta é simples - eles morrem."

Richard Steiner da Universidade do Alasca, Fairbanks, sobre a descoberta de que os ursos polar estão-se a afogar ao nadarem cada vez maiores distâncias entre os blocos de gelo. The Wall Street Journal, 14 de Dezembro


Citado na New Scientist, 24/31 de Dezembro

quarta-feira

Diplomacia

Tenho um provisório colega no meu gabinete (que também é amigo), que é de Veneza, que anda a encher-me o gabinete de música. Consegui identificar Nina Simone e agora colocou música brasileira. Eu disse-lhe que estava a gostar muito. Em português, devagar, como agora costumo fazer para lhe engrandecer os horizontes linguísticos. "Cantano in brasiliano". "Bem, sim, é português do Brasil". "Io pensavo che fosse portoghese fino a quando ti ho ascoltato". Eu sorri e respondi "Va cagare!"

Prevenção

Falta-nos uma cultura preventiva a todos os níveis. Estamos habituados - e isto inclui a Medicina... - a esperar as nossas pequenas tragédias e depois precipitarmo-nos com o Credo na boca, o Terço na mão, a praga na cabeça, o medo e a saudade antecipada no coração para as valências curativas.
Que rebentam pelas costuras...

Os livros que gostei mais em 2005 - II

Dois livros do momento: um é um livro de história sobre o Iraque e o outro um livro sobre furacões.



8 - O Sr. William Polk tentou colmatar a ignorância dos seus conterrâneos sobre um país que eles através do seu voto colocaram na mirada de um governo que pretende instalar a liberdade à paulada. Dizem eles, mas em frente. É um livro muito abrangente e superficial que se lê como um romance. Muito bom para conhecer o mínimo. Depois se se quiser pode-se aprofundar.




7 - Não é tão recente que fale do Katrina, mas fala de muitos outros furacões, que foram devastando, e alguns até salvando (não estou a brincar. Não me atreveria.). Mas não só! Para além da história, os furacões aparecem explicados (de uma forma acessível) - onde se formam, o que lhes dá origem, como é que uma tempestade tropical chega a furacão, etc. - nos limites do conhecimento actual, claro; aparecem desenhados e pintados; cantados em poemas e prosa. Torna-se assim um livro bonito pelo conteúdo e pela forma.

segunda-feira

Discussões da treta

Preparem-se para a risota.

A referência

Na minha opinião um presidente da república tem de ser uma pessoa com experiência de vida e experiência em pensar. Tem que ser o filósofo de serviço. Filosofia costuma pressupôr pessoas sábias, mas tal é uma raridade e mesmo aqueles que por vezes o parecem, como alguns escritores, ouvimo-los em entrevistas e descobrimos uns filhos da puta cheios de prosápia e acabamos por pensar que quando escrevem não são eles, mas que estão possuídos.

Experiência, maturidade, capacidade de matutar, pensar e perguntar. De uma forma abrangente. É isto que estou a tentar apanhar nos candidatos. À medida que vou pensando nisto afunila-se a escolha e parece que só há um minimamente perto desta minha referência. Quando isto começou não pensei que acabasse por me soarizar desta forma.

P.S.: Quem nunca cometeu uma gafe ou que tenha completamente se perdido num raciocínio que lance a primeira pedra e um cérebro não precisa de pernas para andar (parece que ele anda a ser amparado). O Soares até podia deslizar em cadeira de rodas e eu continuava na minha. Talvez fosse da maneira que se começava a pensar nas necessidades dos portugueses que efectivamente têm de andar de cadeiras de rodas e veêm o mundo construído ao revés deles. Ou então se deixa este disparate da juventude e que este mundo é rápido, veloz, que só os jovens o conseguem agarrar. Eu penso que o mundo precisa de mais pachorra e pensamento. Há muita corrida no vazio. Eu sou jovem e acho que há lugar para todos. Velhos incluídos, ainda que sem mac.

domingo

Friiiiiiioooooooooooo



Em Portugal não há frio, há menos calor. Frio dói! :-(

Desta que que que ainda há-de morrer azul.

Rasteira

Ando a ler "As intermitências da morte" do José Saramago e já com intermitências de pensamento, desde pensar "este gajo está-se a plagiar a ele próprio!"; "este gajo escrevia como uma boa noite de sexo e agora é uma noite de desculpas de dor de cabeça!"; "que seca!"; já eu ia pousar o livro para nunca mais quando leio isto:

É possível que só uma educação esmerada, daquelas que já se vêm tornando raras, a par, talvez, do respeito mais ou menos supersticioso que nas almas timoratas a palavra escrita costuma infundir, tenha levado os leitores, embora motivos não lhes faltassem para manifestar explícitos sinais de mal contida impaciência, a não interromperem o que tão profusamente viemos relatando e a quererem que se lhes diga o que é que, entretanto, a morte andou a fazer desde a noite fatal em que anunciou o seu regresso.


Continuo a ler o livro.

sexta-feira

Os meus livros de 2005 - I

Agora vamos ao mais importante: livros. Retive a minha lista à espera de talvez um último livro que me apaixonasse durante as férias de Natal. Livros de autores portugueses, a tentar redimir-me de um ano desértico em leitura em português. Espinhos de viver longe. Contudo, não escolhi à altura e a minha lista permaneceu estrangeira. Existe ciência, mas não se preocupem os leigos, são livros fáceis e maravilhosamente apaixonantes para quem gosta de saber do mundo natural que o rodeia.

Começo com um livro de ciência e um livro de contos:



10 - A biography of water de Philip Ball
A biografia da água. É isso mesmo. E não há senhora tão complexa, misteriosa e bela como a água. Philip Ball é um dos editores da revista Nature e conseguiu um excelente livro que aborda os vários prismas da água: a física, a química, matéria prima da vida, a sua procura nos confins do universo, a sua beleza neste nosso planeta, o seu nascimento, o homem e a água, a civilização e a água. Com este livro compreende-se quem na verdade é omnisciente, omnipresente e omnipotente. Bendita seja entre todas as coisas. :-)



9 - Dream stuff de David Malouf
A qualidade mínima é bom. Alguns contos ainda me assombram hoje. Passam-se lá longe onde o mundo está de pernas para o ar. Espessura. As personagens... Tocamo-las, amamo-las, odiamo-las...

Bébé Letícia

Terminou a investigação sobre a actuação da CPCJ.
Aqui notícia no DN.

Tenho esperanças que não caia em saco roto. Estou farta deste país com as melhores leis e os melhores relatórios, muita coisa no papel, muitas vírgulas no sítio certo, muitas prateleiras abastecidas, mas depois ninguém lê, ninguém liga e continua-se no terreno, na vida da gente, a improvisar, a fazer conforme a cabeça, a confiar no voluntarismo, muito lindo no mundo das fadas, mas em certas áreas (como a protecção de menores) pode lixar a vida das pessoas para sempre. Estou zangada... É tudo.

Mulher inteligente

Também senti calafrios na frase. Mas serviu para a Susana da "Lida Insana" escrever este texto soberbo. Daqueles que me fazem inveja. Torço o nariz à cena das meiguices, mas o resto...

Adenda: O monte de gente que me anda a entrar por este poste é incrível. Mas é que não encontram nada relativo a homens bonitos. A única vez que escrevi sobre isso foi aqui. Espero que com esta medida a desilusão seja menor... Christ!

quinta-feira

O meu filme DVD visto em 2005 ou vice-versa



Eu vi este filme no ano passado, mas é de 2001. Por isso está fora da minha listinha anterior. Se o tivesse incluído ficaria em segundo lugar.

Há duas coisas que me param o cérebro: as guerras civis e a economia. Eu nem sei se a guerra nos balcãs se denomina como guerra civil. Na altura deixou-me inquieta de incompreensão. Eu nada sabia da Jugoslávia. Bicando informação sobre a história daqueles povos ficou-me na ideia um canto sofrido de forças dominadoras. Os turcos a malhar nuns e a converter outros, os venezianos a malhar em todos e os do império austro-húngaro a usar a célebre estratégia do dividir para governar, talvez sendo os que deixaram pior herança para o descalabro final.

Tenho um amigo croata que só de ouvir falar em sérvios eriça-se todo. Nunca me soube explicar o porquê.

Para além da tragédia, os ex-jugoslavos carregam um senso apurado do cómico e do absurdo. Do riso com lágrimas. Este filme faz mal e bem. A UN perde-se, queira bem ou mal. Aproveita-se para a caricatura. No fim a noite cai na terra de ninguém, o filme acaba, mas a história continua. Nós somos o coro mudo da tragédia balcã.

Um revolucionário das estrelas


Não sei bem se esta ligação a um texto sobre Subrahmanyan Chandrasekhar (Chandra para os amigos) está disponível para quem não tem a assinatura da Nature. Um dos mais brilhantes astrónomos, calculou a massa crítica de uma estrela que separa uma morte calma de uma morte aparatosa. Massa crítica essa ligeiramente superior à da estrela que nos ilumina. Isto no início da sua carreira, que lhe rendeu o nobel quando ele já ia nos seus oitentas. Entre a descoberta e a recompensa
"He worked in each of six fields in turn: in his third decade, he worked on the structure of dying stars; in his fourth on the transport of radiation through stellar atmospheres; in his fifth on instabilities of fluid motions; in his sixth on Einstein's general theory of relativity; in his seventh on the theory of black holes; and in his eighth on a detailed historical study of Newton's Principia Mathematica."


P.S.: Ele rejuntou-se ao pó das estrelas faz uma década. A bem da poesia, presumo que tenha ido feliz.

quarta-feira

Uma batalha ganha pela ciência

A decisão foi tomada. Os alunos de Dover não terão que ouvir chachadas religiosas antes de entrar na aprendizagem da ciência da evolução. A luta continua.

sexta-feira

Poluição auditiva

Comprei uns tampões para os ouvidos para fazer face às músicas de Natal. Consegui suportar a tortura sem o uso de protecção. Contudo, num autocarro beirão de rádio a regurgitar música pimba, eles foram postos ao serviço da preservação da minha sanidade mental. Há limites para a dor.

quarta-feira

Os meus filmes de 2005

1 - Million Dollar Baby do Clint Eastwood
Uma obra prima e não se me enrola o cérebro em dúvidas quando o escrevo.

2 - Don´t come knocking do Wim Wenders
Outro filme sobre pessoas, mas desta vez uma está irremediavelmente perdida. Imperdível.

3 - Manderlay do Lars van Trier
Capítulo 2 da trilogia que começou com Dogville. Grace envolve-se noutra parábola, esta sobre liberdade. Tudo excelente e comovente e envolvente, excepto o fim. A sequência de fotografias, por si meritórias, estraga para mim a sensação de alegoria universal. Um anjo a quem lhe cortaram as asas. Mas ainda um anjo.

4 - Wallace & Gromit: A maldição do coelhomem do Nick Park
Eu adoro animação e eu adoro bonequinhos de plasticina e o resultado da técnica "stop-motion" e eu amo as histórias de Wallace, o inventor tótó e o seu inteligente e paciente cão Gromit. Este é a primeira longa-metragem e é fantástica. Tudo. Façam "Cheeeeeeese".

5 - Flores partidas do Jim Jarmush
Mais um filme sobre alguém perdido e ele lá vai bater às portas. As senhoras abrem-lhe as portas e perdem-no ainda mais.

Já não há pachorra

A sensação que tenho é que a comunicação social portuguesa está numa campanha para deprimir os portugueses. Se não têm nada de bom a opinar, limitem-se aos factos. Do que eu tenho visto seria uma revolução. Factos, factos, fatos, fatos, pois aquele fato do Sócrates é comparativamente com o do Zapatero de pior corte. Não é corte inglês. Não há pachorra.

sexta-feira

Pobres santos

Há ironias sublimes e deliciosas. Ver a estátua de um santo (Sto António ou S. José, o menino nos braços) no jardim de um colégio de freiras envolvido em luzes como uma mera árvore de Natal foi uma imagem interessante. O paganismo subjuga a religião cristã no seu próprio domínio.

Lojas, compras, prendas,

sinto-me a ficar esquizofrénica...



Art © 1998 Christopher Jones.

quarta-feira

Para que é que se embrulham as prendas?

Diremos: pelo elemento surpresa. O divertimento de quem dá no desembrulho questionativo de quem recebe.

Vou ter que reembrulhar todas as prendas que comprei hoje. As lojas pespegam as marcas onde podem no que eu senti uma ofensa a mim. Mas o mais anormal foi na perfumaria. O papel vermelho brilhante. Só. Eu extasiada em algo tão simples e bonito e aí aplicam um laçarote farfalhudo a dizer "perfume". Para que raio eu embrulho um perfume e escrevo no embrulho perfume? Não percebo.

segunda-feira

O número um

Após meio ano de surfe pela blogosgera, decidi o meu preferido, medalha de ouro, cinco estrelas.

George, o cáustico.

My lord, your crown.

Amanhã

Amanhã por esta hora o céu terá sol, as ruas serão luminosas, caminharei pela estrada com os carros alucinantes a centímetros de mim, senhores e senhoras venderão castanhas e guarda-chuvas na rua, esta será de pedras pequeninas pretas e brancas, haverá obras a cada segunda esquina e os liliputianos abrirão a boca e misteriosamente falarão português.

domingo

Message in the bottle

Esperar a carta na caixa do correio, esperar o toque do telefone, esperar o boneco a mudar de cor no msn, esperar o nome listado no correio electrónico, esperar o toque do sms, esperar o sinal da imanência distante.

Não se pesquisa nos sites dos jornais portugueses

Deve ser mais fácil ter resposta a uma carta para o Pai Natal. Porquê? Porque é assim tão difícil? Porque é que posso comprar jornais turcos, chineses, árabes, franceses, espanhóis, gregos, italianos (etc...) e não posso comprar jornais portugueses em Hamburgo? Porque é que não respondem às minhas cartas electrónicas? Porque é que o quarto poder é tão português como os outros? Que seria de mim sem a blogosfera para saber notícias? Porque estou sem paciência?
Porra pra isto!
Snif... Snif...

sábado

Letícia, quero-te bem

Quando falo do drama da bébé Letícia, abusada pelos pais, agora num hospital em Coimbra, à minha família ou lendo o que se escreve pela Net fica a sensação de ingenuidade. Como se pode pensar que os pais podem ser assim? Talvez seja porque eu tenho uma irmã a trabalhar com crianças em risco, mas eu nunca confiei no amor dos pais. Lembra-me de ser jovem, muito jovem e uma das coisas do mundo que me deixavam confusa é que não se tivesse que prestar provas para se ser pai ou mãe. Eu estudava e fazia provas e passava de ano e diziam-me que eu tinha de prestar provas para guiar um carro e prestar provas para ter uma profissão, mas não para fazer e criar uma criança. Porquê, perguntava eu? Criar uma pessoa! É muito mais importante! Como se pode confiar? Porque há o amor e não há amor maior que o de uma mãe, dizia-me a minha, que sei que me ama, não o dúvido, mas será assim com todas as crianças? Uma dúvida que começou em mim em tenra idade deixa perplexos pessoa graúda, como se de repente algo novo surgisse. Sinto-me novamente confusa com tanta ingenuidade.

quinta-feira

Stanley Williams

Vale a pena ler o editorial de Nuno Pacheco no Público reproduzido pelo "Renas e Veados".

Teste: Compasso moral

Eu adoro testes. Faço-os todos. Desde o "Que tipo de vegetal seria se entrasse em estado vegetativo", até o indicado no blogue Glória Fácil, para ver o teu grau de pureza (tem piada :-)). Eu encontrei este na New Scientist (Vol.108, nr.2527 de 26.11.05). É um pouco sério, mas ainda assim divertido.

O objectivo é aferir o teu compasso moral. Como te guias para tomares decisões de cariz moral?

A pontuação é de 1 a 9, com todos os nrs naturais pelo meio, sendo que a gradação tem nos vértices:
1 - discorda totalmente
5 - nem sim nem sopas
9 - concorda totalmente

* Nunca é necessário sacrificar o bem estar dos outros. -> 1 a 9
* Nunca se deve maltratar física ou psicologicamente outra pessoa. -> 1 a 9
* As preocupações prioritárias numa sociedade devem ser a dignidade e o bem estar dos seus cidadãos. -> 1 a 9
* As pessoas devem ter a certeza que as suas acções nunca prejudicam outros, independentemente dos benefícios. -> 1 a 9
* É imoral decidir uma acção fazendo um balanço dos efeitos positivos e dos efeitos negativos. -> 1 a 9

FAZER O SOMATóRIO = .... IDEALISMO

* A ética varia com a situação e a sociedade. -> 1 a 9
* Uma mentira é moral ou imoral consoante as circunstâncias. -> 1 a 9
* Decidir o que é ético para todos é impossível, já que a questão do que é moral ou imoral está dependente de cada indivíduo. -> 1 a 9
* Os padrões morais são linhas mestras de cada pessoa que lhe indicam como se deve comportar, não devendo ser usadas no julgamento de outras pessoas. -> 1 a 9
* A codificação rigída de uma posição ética prevenindo certo tipo de acções pode constituir um obstáculo na melhoria das relações humanas e do seu ajustamento. -> 1 a 9

FAZER O SOMATóRIO = .... RELATIVISMO

Este questionário mede duas dimensões do pensamento moral: o idealismo e o relativismo. O idealismo mede o quanto uma pessoa acredita que o efeito de uma acção moral normalmente resulta em algum malefício (baixo idealismo) ou de que um resultado perfeito pode sempre ser alcançado (alto idealismo). O relativismo reflecte o quanto uma pessoa avalia a moralidade como baseada em regras absolutas (relativismo baixo) ou como dependente do problema em causa (relativismo alto).

Para saber onde se situa adiciona separadamente os itens relativos ao idealismo e ao relativismo. Para ambas as escalas, > 31 é considerado alto e <> baixo. A combinação das duas dimensões define quatro ideologias éticas, como se pode ler a seguir (clicar sobre a imagem para aumentar).



P.S.1: Eu sou excepcionista a pender para o subjectivo.
P.S.2: A New Scientist diz que este teste é baseado no "Ethics Position Questionaire" concebido por Donelson R. Forsyth da Universidade de Richmond, Virginia, EUA. Para mais informação: www.richmond.edu/~dforsyth/

quarta-feira

terça-feira

Homes ou as cousas que me atormentam

Um amigo mandou-me esta "breaking news". A animação com que ele fala da notícia e a sua insistência em metê-la nas conversas deixa-me a pensar no seu grau de inteligência. Mas ele parece inteligente... Normalmente. Será que há períodos de insuflamento? Será que eu perdi o meu sentido de humor?

segunda-feira

Tema para meditar

Estás no sítio certo?



Aparece no Diário de Notícias

sábado

A verdade segundo o niilismo

Um exército móvel de metáforas, metonímias e antropomorfismos - ou seja, uma súmula de relações humanas que foram relevadas, transpostas e embelezadas poética e retoricamente e que, após longo uso, parecem firmes, canónicas e obrigatórias para um povo: as verdades são ilusões que esquecemos serem ilusões.

Friedrich Nietzsche, Sobre a verdade e a mentira no sentido extramoral

A arte e a política (há um século)

Este é o caminho que os Homens Brancos percorrem
Quando vão limpar um território -
Ferro sob os pés e a vinha sobre a cabeça
E o abismo em cada mão.
Já trilhámos este caminho - húmido e ventoso -
Tendo por guia a nossa estrela escolhida.
Oh, que bom para o mundo quando os Homens Brancos trilham
O grande caminho lado a lado!


Rudyard Kipling, Verse

Rudyard Kipling foi considerado o poeta do Império Britânico. Ganhou o prémio nobel da literatura em 1907.

Discurso de Harold Pinter... (Actualização)

... para a cerimónia da entrega do Nobel da Literatura: Arte, Verdade e Política Actualização -> Versão em português!

Excertos:

In 1958 I wrote the following:

'There are no hard distinctions between what is real and what is unreal, nor between what is true and what is false. A thing is not necessarily either true or false; it can be both true and false.'

I believe that these assertions still make sense and do still apply to the exploration of reality through art. So as a writer I stand by them but as a citizen I cannot. As a citizen I must ask: What is true? What is false?

Truth in drama is forever elusive. You never quite find it but the search for it is compulsive. The search is clearly what drives the endeavour. The search is your task.


(...)

So language in art remains a highly ambiguous transaction, a quicksand, a trampoline, a frozen pool which might give way under you, the author, at any time.

But as I have said, the search for the truth can never stop. It cannot be adjourned, it cannot be postponed. It has to be faced, right there, on the spot.


(...)

Political language, as used by politicians, does not venture into any of this territory since the majority of politicians, on the evidence available to us, are interested not in truth but in power and in the maintenance of that power.

(...)

Look at Guantanamo Bay. Hundreds of people detained without charge for over three years, with no legal representation or due process, technically detained forever. This totally illegitimate structure is maintained in defiance of the Geneva Convention. It is not only tolerated but hardly thought about by what's called the 'international community'. This criminal outrage is being committed by a country, which declares itself to be 'the leader of the free world'. Do we think about the inhabitants of Guantanamo Bay? What does the media say about them? They pop up occasionally – a small item on page six. They have been consigned to a no man's land from which indeed they may never return.

(...)

Early in the invasion [of Iraq] there was a photograph published on the front page of British newspapers of Tony Blair kissing the cheek of a little Iraqi boy. 'A grateful child,' said the caption. A few days later there was a story and photograph, on an inside page, of another four-year-old boy with no arms. His family had been blown up by a missile. He was the only survivor. 'When do I get my arms back?' he asked. The story was dropped. Well, Tony Blair wasn't holding him in his arms, nor the body of any other mutilated child, nor the body of any bloody corpse. Blood is dirty. It dirties your shirt and tie when you're making a sincere speech on television.

(...)

I know that President Bush has many extremely competent speech writers but I would like to volunteer for the job myself. I propose the following short address which he can make on television to the nation. I see him grave, hair carefully combed, serious, winning, sincere, often beguiling, sometimes employing a wry smile, curiously attractive, a man's man.

'God is good. God is great. God is good. My God is good. Bin Laden's God is bad. His is a bad God. Saddam's God was bad, except he didn't have one. He was a barbarian. We are not barbarians. We don't chop people's heads off. We believe in freedom. So does God. I am not a barbarian. I am the democratically elected leader of a freedom-loving democracy. We are a compassionate society. We give compassionate electrocution and compassionate lethal injection. We are a great nation. I am not a dictator. He is. I am not a barbarian. He is. And he is. They all are. I possess moral authority. You see this fist? This is my moral authority. And don't you forget it.'


(...)

When we look into a mirror we think the image that confronts us is accurate. But move a millimetre and the image changes. We are actually looking at a never-ending range of reflections. But sometimes a writer has to smash the mirror – for it is on the other side of that mirror that the truth stares at us.

I believe that despite the enormous odds which exist, unflinching, unswerving, fierce intellectual determination, as citizens, to define the real truth of our lives and our societies is a crucial obligation which devolves upon us all. It is in fact mandatory.

If such a determination is not embodied in our political vision we have no hope of restoring what is so nearly lost to us – the dignity of man.

sexta-feira

Este dia

A tristeza é a ausência de alegria. Acorda-se e o dia tem a cor cinzenta do desespero. Só que é manso, amordaçado em muita tristeza. Hoje, decididamente, não me apeteceu viver. Mas o dia existiu e tendo que o encher só o pude fazer de tristeza. O sorriso que tentei fazer foi húmido de tristeza. As pessoas foram sombras no nevoeiro que tentei evitar. Este dia devia ter tido a gentileza de não existir.

Boa noite. Eu vou dormir até um dia com cor.

quinta-feira

Espírito empreendedor...

...dos meus hospedeiros.

Eles têm sentido de humor!!! Veêm? :-)

quarta-feira

Sinto torpedos a vir...

© Luís Afonso / Público

Com licença...

P.S.: Há dias assim. Só disparates... (hey! deles, não meus!)

Prioridades

Os nossos governantes acham que um aeroporto novo nos põe na rota do desenvolvimento. Não a investigação. Não o conhecimento. Não. Novas pistas no meio de não sei onde, com mais umas estradas pra lá chegar (com a poluição inerente) e até um TGV para o pessoal do Porto demorar menos 15 min a chegar lá baixo. Os tripeiros devem estar mesmo felizes.

Estamos todos. Para comemorar deviamos fazer um arraial num daqueles Estádios de Futebol às moscas.

terça-feira

Quando não interessa, nem dou conta

Andam blogonautas chateados porque o Manuel Alegre não desmente que não é doutor.

Acreditando que neste país se usa mal o título doutor porque não usá-lo melhor? Assim, em vez de se ser doutor porque se saiu da Universidade com um canudo, é-se doutor porque se fez algo na vida? Sendo que assim o Manuel Alegre é mais doutor que outros doutores.

Contudo, se a tese é que isso não interessa para nada, para que é que o Manuel Alegre há-de-se estar a chatear com isso? Porque está a mentir ao Zé Povinho que não é inteligente como os restantes e ainda dá importância a essas coisas. É isso?

O que eu desconfio é que isto não tem a ver com a probidade do Manuel Alegre, mas que afinal aquela história de que os títulos nao interessam para nada, afinal é só conversa. Isso é só moda de gajo bem pensante. Tornou-se o politicamente correcto português. Só que no fundo, fundinho, continua-se pavão. Porque senão, ser ou não ser passaria a não ser a questão.

Eu acho que continua tudo no mundo das aparências e cheira-me mal, mesmo mal esta indignação, mas que depois passa a pente fino o título de outros candidatos.

Dou a palavra a quem soube escrevê-la

Ateu tranquiliza católico

Cruzamentos emendados

Vim reler o meu texto "Cruzetas" (abaixo da alface). Ok, exagerei no oprimir os opressores. Aceito. Também aceito que quando um sitio público é público não devem existir cruzes e ademais adereços religiosos. Mas assim no cubiculo onde só entra o empregado público para ler a Bola e tricotar, pode ser. De resto fica tudo.

P.S.: Gostaria mais que se ensinassem as religiões todas e haver até debates entre os apoiantes, mas caso isto não seja possivel, acho que sim. Tirem as cruzes das escolas.

Jesus vs Thor. Nã, este era muito grunho. Provavelmente Jesus saia com o martelo entalado nos miolos.

Viram o filme "Super Size Me"? Quando mostraram um desenho de Jesus e nenhum dos putos o reconheceu? Mas todos conheciam o palhaço do MacDonalds? Andem lá. Ensinem sobre as religiões, convidem o padre e o rabi e o imã e quem mais for e que se tiverem levem umas fotografias. Eu sei que os muçulmanos têm um certo pó a imagens. É como os protestantes. Nada de dourados e anjinhos e nossas senhoras múltiplas. Estilos. Tudo bem. Que traga um tapete. São muito giros. Em Hamburgo há uns armazéns a abarrotar de tapetes orientais. Há cafés muito fixes onde se fuma cachimbo de água e vê-se a dança do ventre e só não conto a origem desta dança porque podem andar por aqui crianças. Agora armam-se em púdicos. Termino que isto está a descambar.

segunda-feira

Alfacinha


A internet é maravilhosa. Encontra-se de tudo.

domingo

Cruzetas

Andei a pensar na rebaldaria dos crucifixos. A contemplar, que afinal foi o meu objectivo ao criar este blogue.

Quando me perguntam sobre a minha posição religiosa eu defino-me como agnóstica. Não é só, mas é o mais perto dos meus sentimentos. De uma forma científica eu não sei se existe ou não Deus e portanto só contemplo. No meu mundo sem certezas eu consigo colocar-me numa posição de imparcialidade perante todas as fés, se bem que criada e educada num meio católico o meu sistema cognitivo esteja inquinado. Um querubim há-de sempre suscitar pouca curiosidade, enquanto que um deus azul hindu há-de fazer-me parar para perguntas. Eu sentir-me-ei propensa a emitir opiniões sobre as celeumas cristãs e nem por isso sobre a dos monges do Tibete. Uma questão de proximidade.

É necessário separar o Estado da Igreja. Mas para mim há uma diferença entre a exclusão mútua do Estado Político e do Estado Religioso e a exclusão do Estado Político e os sentires dos seus cidadãos. Esta celeuma à roda das cruzes cai no segundo ponto. Não percebo porque a lei não define somente a liberdade de religião de todos, mas em cada ponto do país serem os cidadãos que aí vivem que decidem se sobem ao escadote e tiram a cruz ou até se o sobem e a põem, ou até põem outra coisa qualquer. A democracia, a tolerância e o respeito devia começar pelas bases e não ser empurrado pela garganta como se fosse xarope para a tosse.

Nas escolas então eu ficaria muito mais optimista se em vez de tirarem a cruz, lhe juntassem todos os símbolos religiosos de que se tivesse conhecimento e se desse a conhecer à criança os diferentes caminhos tomados pelo ser humano na busca de um significado menos terreno. O facto de todas as culturas terem feito essa busca demonstra o poder da religião e parece-me obtuso fazer-se de conta que não existe. Principalmente quando a França, a campeã do laicicismo, na sua estratégia de varrer para debaixo do tapete as diferenças, não parecer ter uma comunidade mais respeitadora e tolerante.

O respeito e a tolerância nasce da vivência e do conhecimento da diferença, não na ignorância. O Estado deve emanar leis gerais, promover esse conhecimento e proteger os elementos mais desprotegidos. Não oprimir os possíveis opressores.

P.S.: devo confessar que a alegria oportunista mostrada pelos "Renas e Veados" demonstrou-me como a intolerância é uma questão de oportunidade. Nem a lei é o garante da justiça, nem a natureza é a lei do comportamento humano. O que realmente interessa a uns e a outros é as pedrinhas... Para apedrejar melhor.

sexta-feira

Ser filho de imigrantes

:-)

Lixo

Eu nem comento. É que eu nem comento!

Religião e Ciência - revisto

Se bem se lembram foi apresentada uma acção em tribunal (EUA - Dover, Pensilvânia) contra o ensino da Concepção Inteligente em aulas de ciência, como contraponto à Teoria da Evolução Natural. Os últimos argumentos foram enunciados há quase um mês (4 de Novembro) e agora o caso está a ser ruminado pelo juiz. Não se espera decisão antes do fim do ano.

No entretanto o conselho escolar dessa mesma escola foi votado fora. O sistema americano escolar é muito diferente dos europeus. Os conselhos escolares são eleitos pela comunidade e são estes que decidem como se faz o ensino das matérias. O julgamento parece ter trazido à atenção das pessoas o que o conselho escolar andava a decidir e resolveram que não concordavam.

Vi em dois blogues portugueses a defesa da ideia de que a concepção inteligente é uma vitória contra o dogma científico.

É errado. A a evolução em biologia é tão aceite porque desde que Darwin primeiro esboçou a teoria esta tem vindo a colectar um número impressionante de factos a suportá-la. Não há outra teoria que explique melhor esses factos. Além disso, não há outro ramo da ciência que possa apresentar tal conjunto de material corroborativo. E mais ainda: o estudo da evolução do sistema geológico corre harmoniosamente lado a lado com a evolução do sistema biológico. É consistente com os princípios da química e da física, etc.,etc...

Este debate não é um ataque a um dogma, mas o ataque a uma teoria científica extremamente bem sucedida na sua capacidade de explicação e previsão. Além disso, uma teoria que mexe na concepção muito cara da origem da vida para as religiões. Porque não se deixem enganar. A concepção inteligente é a nova arma de arremesso da religião cristã. Após tanto tempo, os literalistas da fé ainda não conseguiram engolir que o início da Biblia, com o seu paraíso, o seu Deus a criar da lama, o pecado original, é uma história. A luta destes literalistas deixa no ar que é impossível ser-se religioso e acreditar na ciência. O que é errado.

Os pais em Dover não são ateus. São pessoas religiosas, mas como dizia uma das mães queixosas:
"I reserve the right to teach my child about religion. I have faith in myself and in my husband and in my pastor to do that, not the school system."
[New Scientist, Vol.188, n.2523, 29.10.05]

É possível ser um cientista religioso. Contudo, a religião e a ciência devem ter caminhos paralelos e não cruzados. Uma das melhores explicações destes dois pontos de vista li-a no The Economist [06.10.05]:
To illustrate the difference between scientific and religious “levels of understanding”, Mr Haught [professor de teologia que testemunhou no processo] asked a simple question. What causes a kettle to boil? One could answer, he said, that it is the rapid vibration of water molecules. Or that it is because one has asked one's spouse to switch on the stove. Or that it is “because I want a cup of tea.” None of these explanations conflicts with the others. In the same way, belief in evolution is compatible with religious faith: an omnipotent God could have created a universe in which life subsequently evolved.

It makes no sense, argued the professor, to confuse the study of molecular movements by bringing in the “I want tea” explanation. That, he argued, is what the proponents of intelligent design are trying to do when they seek to air their theory—which he called “appalling theology”—in science classes.


Se se diz que não há explicação para um fenómeno, que basta dizer que emana de Deus, então não há ciência. A religião mata a ciência quando mata a pergunta. E ainda que se perseguisse a pergunta aconteceria como o que dizia uma das testemunhas da acusação (Kenneth Miller):
"If you invoke a non-natural cause, a spirit force or something like that in your research and I decide to test it, I have no way to test it. I can't order that from a biological supply house, I can't grow it in my laboratory. And that means that your explanations in that respect, even if they were correct, were not something I could test or replicate, and therefore they really wouldn't be part of science."

Cell biologist at Brown University in Providence, Rhode Island [Nature 438, 11 (3 November 2005)]

Pessoalmente eu penso que a coexistência pacífica de religião e ciência é possível se se visionar a primeira num plano filosófico que pretende responder a questões de ordem moral e ética e a ciência como um método para compreender o mundo material.

Acentuo o facto de que este debate nos EUA se desenrola nas escolas preparatórias e secundárias, onde os currículos são decididos por pessoas que muitas vezes não têm preparação científica e decidem não com base na ciência, mas com base em ideologia. Nas Universidades os currículos são decididos pelos estudiosos especialistas na área. Estes sabem qual é o consenso do momento no que se refere às questões básicas e sabem o que está em controvérsia (dentro da ciência, sem misturas de alhos com bogalhos).

Numa boa Universidade as polémicas também devem ser ensinadas, pois estão-se a preparar profissionais das áreas (sejam eles praticantes ou continuadores da busca de conhecimento), que deverão saber as últimas. Nas escolas preparatórias e secundárias dever-se-ia ensinar o consensual, o que já deu provas e tem uma grande certeza. Ensina-se a base. Para que todos tenham uma cultura geral da ciência e para preparar os que irão prosseguir na Universidade. Esta concepção do ensino pré-universitário não é restrita à ciência. Para que se entenda o que se discute, tem primeiro que se entender o ponto de partida.

Contudo, ensinar ciência não deve ser ensinar um manancial de factos desconexos, que desmotiva o aluno e o leva a exercícios de memorização, no cômputo final inúteis. Ensinar a ciência no seu percurso de becos, de hipóteses que se revelaram erradas, de acrescentos, de descoberta, de momentos de génio e anos de trabalho intenso, chegando ao fim e dizendo: "Hoje sabe-se isto.", penso que é suficiente para mostrar ao aluno que a ciência é na sua essência um processo anti-dogma. Além disso, os programas escolares (pelo menos em Portugal) ao ensinarem a Teoria da Evolução fazem-no no seu contexto histórico, começando pelo que se acreditava ainda antes de existir ciência, passando pelo criacionismo. Eu fui ensinada assim.