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segunda-feira

É uma armada

Quantos de vós acha que o nome do meu blogue é pedante? Eu criei o meu blogue de um momento para o outro. Estava a inscrever-me para colocar um comentário e quando dei conta estava a criá-lo. Parei no campo Nome do blogue um infinitésimo de segundo colocando a primeira palavra que me pareceu bloguítica e que me descrevia. Mas, na verdade, o que eu queria dizer era "Cabeça no ar". Já agora, este blogue fez anos. Aos que me têm lido, os que comentam, os que se me tornaram queridos, todos muito obrigado.

quarta-feira

Lisboa 1506


Quero contar-te uma história, que aconteceu muitas vezes e que irá acontecer outras mais, a não ser que possamos aprender a nunca esquecer sermos bons. Temos de estar sempre resguardados e nunca, mas nunca fazer nada impelidos pela turba. Se te posso dar um conselho como tua tia, que te ama, é que nunca andes em turba. Tens uma personalidade forte que me enche de orgulho, quase que me fazes acreditar que este conselho em ti é desnecessário. Lembra-te sempre da tua bondade e de amar os outros. A quem não podes amar, ignora. Se não podes ignorar, afasta-te. Não odeies. É um sentimento vazio e que te fará mal, como uma doença a comer-te por dentro. Interroga milhares de vezes os teus valores. Não tenhas fé em algo indizível, invisível, incognoscível. Não tenhas fé. Não faças nada em nome de algo que não compreendas. Não faças nada em nome de uma tribo. A história é esta.

segunda-feira

Eu nao iria

A mim o debate também me fez mudar de ideias. Fez-me ver que este tipo de homenagens fazem-se no nosso intímo, ou o mais que seja, com os amigos.

Foram os últimos postes do Lutz Brückelmann e do Nuno Guerreiro que me fizeram ver que a privacidade é uma boa companheira.

sábado

Para que servem os homens

O meu namorado informou-me que a Páscoa não é sobre um tipo que morre e ressuscita. É sobre ovos de chocolate.

sexta-feira

Mensagem: velas no Rossio

Caro Nuno Guerreiro,

peço desculpa se a minha interpelação o ofendeu.

Nunca levei o seu desafio por maus pensamentos antes da discussão. Era um apelo pela memória e o não esquecer é um dever de todos.

A minha interpelação surgiu quando já não sei como passou de lembrar para um exercício de culpabilizaçoes e vitimizaçoes. Nesse ponto essa palavra "desafio" que usou começou a bater-me. Eu precisei que dissesse algo, como o disse e por isso lhe agradeço. Era importante para mim.

Mas independentemente de si, eu iria sempre acender a vela e relembrar. No meu caso, será contar. Eu irei nesse dia contar a colegas e amigos em Hamburgo. Provavelmente iremos trocar memórias e espero que no exercício de relembrar e partilhar possamos delinear a melhor maneira de nos protegermos da perda da nossa humanidade.

quarta-feira

As velas no Rossio e a necessidade de explicaçao (act. II)

Não, não sou eu que me devo explicar. É o Nuno Guerreiro. Neste ponto da discussão o autor da Rua da Judiaria não pode deixar estar-se descansadinho a ver os barcos a passar. Por uma questão de respeito. Eu, pessoalmente, que me lancei na arena, sempre com as minhas prosas idealistas, a favor de ir lembrar, estou agora de pé atrás. Eu sinto agora essencial que ele nos explique a sua motivação. Se ele continua a demorar-se, então não espero menos que um grande desastre que o tenha impedido de escrever, assim como decepação de ambas as mãos num acidente.

Eu sentei-me a ler os comentários que fizeram aos postes do Lutz Brückelmann e dei-me conta (sou lenta) que enquanto a minha motivação é completamente independente de factores religiosos, a dos outros não. Pensei que isto fosse mínimo, mas talvez não seja.

Para mim era uma homenagem a pessoas que morreram por intolerância religiosa e uma oportunidade para reflectir sobre o que isto pode significar hoje. Não era de forma alguma uma oportunidade para um carpir vitimizado ou uma flagelação de culpas por antepassados de há 500 anos atrás. Isto é ridículo. Como eu comentei no dito poste: Quantos de nos portugueses hoje catolicos, ateus, agnosticos, tivemos antepassados judeus, marranos, conversos, torturados, mortos? Nao sabemos, nunca o saberemos. Eu nao carrego as culpas dos meus antepassados carrascos nem as dores dos meus antepassados vitimas, nem dou ao Nuno Guerreiro o direito de mo imputar.

Encontro-me agora com a sensação de ter apoiado uma manifestação mesquinha de culpabillizaçoes e vitimizaçoes religiosas. Culpa minha, que sou lenta.

Este episódio deixou-me a pensar, deixou. Aumentou o meu sentimento de que a religião, qualquer que seja, é um mal.

Ao Lutz Brückelmann e ao Nuno Guerreiro agradeço trazer o assunto para o nosso pensamento e, no meu caso também, conhecimento. Contudo, atendendo ao que expos e não expos, talvez só tolere a motivação do segundo.

segunda-feira

RE: Porquê (não) as velas no 19 de Abril?

Quero debruçar-me melhor sobre o apelo (desafio) do Nuno Guerreiro que o Lutz Brückelmann agora chama à discussão. A minha opinião é a favor, ainda que esteja demasiadamente longe para efectivamente por uma vela em Lisboa. Talvez a ponha por aqui e faça a minha própria reflexão. Conto o episódio aos meus amigos alemães. Eles vão-me ouvir e compreender. Vós ides dizer que os alemães mataram mais, foram piores, mas não foram estas pessoas de hoje e eu sinto que eu própria, como pessoa, tenho a aprender do processo deles de catarse histórica. Penso que é a consciencialização deles que nos falta e comparar brutalidades e crueldades é uma forma mesquinha de não querer analisar o fundo humano do sucedido. Nós somos todos humanos e capazes do melhor e do pior. O que despoleta este pior?

Dos olhos que passei pelos comentários no poste do Lutz e dos postes do Musaranho (cocanha) e do Miguel Silva (Tempo dos Assassinos) queria escrever isto:

Eu sou uma pessoa, dentro do meu circulo de relaçoes, bem informada. As minhas relaçoes metem de tudo um pouco (claro), mas na maioria sao pessoas que num inquérito se esperaria que soubessem os mínimos históricos (é verdade que não ponho a minha mão no fogo por eles). Desta lista: a data de chegada ao Brasil? e o mapa-cor-de-rosa? quando foi? e em que século aconteceu aquela cena da Inês e do D.Pedro? quem foi Egas Moniz e porque motivo se fala na corda ao pescoço? dada pela Zazie, não sei o último (se bem que desconfio: enforcamento de?). No liceu fui a menina que lia os livros de história, português e biologia de uma ponta à outra antes do período lectivo começar (por prazer). Porquê este reportório? Para dizer que eu soube deste episódio no dia 15 de Março de 2006 quando o Nuno Guerreiro postou o primeiro da série de crónicas sobre o morticínio.

Foi esta ignorância que me desnorteou. Quantos estão como eu? É nesta óptica que eu vejo com muito bons olhos esta iniciativa, independentemente das razoes do Nuno Guerreiro. Ainda que ele não se tenha dado ao trabalho de inserir o contexto desse desafio, esse posso ser eu a construir dentro da minha sensibilidade, ainda que ele não nos tenha primeiro escolarizado sobre o fundo sociológico, político, religioso, etc, da época, posso ser eu a pesquisar, mas que eu saiba os factos. O que me deixou com os cabelos em pé foi não saber que aconteceu e se não se sabe o facto não se procura os porquês.

Há outros factos históricos que nos devem envergonhar mais como portugueses? Eu não percebo isto. Vergonha? A história não devia ser para nos envergonhar ou glorificar. Devia ser para nos entendermos melhor como pessoas e nação e procurar não repetir os erros do passado. Conhecer o passado devia ser mais um processo dinâmico (sabermos melhor) do que passivo (sentir). Além disso, saber sobre a matança de 1506 não tira espaço de memória para sabermos sobre os factos do colonialismo, ou outros que se considerem mais fundamentais. O problema é que não sabemos nenhum deles. A culpa também está nos programas escolares de história. Amassaram-me duas vezes com os descobrimentos (a parte boa e glorificante) e o pós-1910 nem cheirá-lo. Colonialismo no séc. XX? 25 de Abril? Os retornados? O PREC? Que merda é essa? Guerra em África? Não me digas?! Eu quase tenho medo de pensar, quantos portugueses de idade inferior aos 35 saberiam da Revolução dos Cravos, se não fosse o feriado no dia 25 de Abril.

Nem que por mais nada, ir a um local e por velas na memória de pessoas que pereceram, pensar na nossa humanidade, nem que só por isto, parece-me que já vale a pena. Eu, já há muito, deixei de ser católica, mas ainda me toca o 1 de Novembro, o juntarmo-nos no cemitério no pensamento dos nossos antepassados e nas suas vidas e na minha vida e no tempo caminhado. Nem que seja só por isto. Porque, e isto dava para outro poste, já não existem dias para nos sentarmos e reflectir em conjunto. Agora os pontos quentes do nosso calendário social anual são o Natal e o dia dos namorados, com uma certa incursão do dia das bruxas... A reflexão fica para o dia de S. Nunca à tarde. Porque não no dia 19 de Abril, numa tarde lisboeta cheia de sol?

P.S.: Eu não vejo esta iniciativa como sendo institucional. Não sei se o Nuno Guerreiro tinha isso em mente, mas eu vejo-o como um movimento de pessoas, algumas, que se juntam para fazer um gesto simbólico de relembrança. Não me tinha dado conta que já era suposto ir também o Carmona, o Sócrates e mais uns tantos políticos a fazer pose para as televisoes, mais o Freitas do Amaral a fazer discursos em nome da nação. Talvez eu não devesse ficar admirada. A necessidade estado-paternalista é daqueles espinhos históricos na alminha portuguesa. Já avisaram o Sócrates que alguém quer queimar velas? Olhem que ele é capaz de também não gostar.

quinta-feira

Um revolucionário das estrelas


Não sei bem se esta ligação a um texto sobre Subrahmanyan Chandrasekhar (Chandra para os amigos) está disponível para quem não tem a assinatura da Nature. Um dos mais brilhantes astrónomos, calculou a massa crítica de uma estrela que separa uma morte calma de uma morte aparatosa. Massa crítica essa ligeiramente superior à da estrela que nos ilumina. Isto no início da sua carreira, que lhe rendeu o nobel quando ele já ia nos seus oitentas. Entre a descoberta e a recompensa
"He worked in each of six fields in turn: in his third decade, he worked on the structure of dying stars; in his fourth on the transport of radiation through stellar atmospheres; in his fifth on instabilities of fluid motions; in his sixth on Einstein's general theory of relativity; in his seventh on the theory of black holes; and in his eighth on a detailed historical study of Newton's Principia Mathematica."


P.S.: Ele rejuntou-se ao pó das estrelas faz uma década. A bem da poesia, presumo que tenha ido feliz.

sábado

Olá, agradecimento, parabéns

Tenho blogue há três meses. Começou por acidente e acabei por usá-lo para agarrar, com palavras, pensamentos, interrogações, indignações, sensações, brincar comigo como mirando-me num espelho. Apreender o que se passa, que por vezes me ultrapassa a não ser que eu pare e olhe. Zanzando pela blogosfera acabei por fazer "contactos". Dou-me conta que sou visitada. Pensei que tinha chegado o momento de...

Para todos os que aqui param sem blogue um olá. Para os blogistas que me visitam um vibrante "Oi, galera!", para os que eu visito, um agradecimento por sorrisos que me tenham despontado, por algo que me tenham ensinado, por despertarem-me curiosidades, me fazerem pensar ou até por me exasperarem.

Finalmente, parabéns à Rua da Judiaria pelo seu segundo aniversário. Desculpa o atraso, mas no início achei que não era importante, que a Abrunho é fruta miúda debaixo da árvore. Mas fiquei com medo de parecer rude e para não arriscar e como gosto de delícias assim, porque a rua da judiaria é blogue que eu visito há imenso tempo, que me desnortearia se acabasse, aqui vai o meu abraço. Que eu possa continuar a lê-lo por muitos e bons. Não é preciso agradecer de volta.

{Esta é a última que me apanham nestas lamechices, snif, snif...}