terça-feira

Blogues presidencialistas

Ao ler esta avaliação dos blogues apoiantes de três candidaturas presidenciais pensei que talvez fosse interessante e informativo eu lê-los.

Estive lá e resolvi procrastinar. Prefiro trabalhar. Chiça.

Os torturadores

Estava para aqui a ler sobre o debate sobre tortura nos EUA, em mais um capítulo na luta contra o terrorismo.

Desde o 11 de Setembro que se assiste a uma degeneração de valores na sociedade aterrorizada. Pergunto-me se será necessário tornarmo-nos mais como terroristas para combater terroristas?

Relativamente à tortura, para lá da dúbia utilidade de um depoimento feito sob tortura, o que se estará a semear em termos da brutalização da sociedade que o permite e dos indivíduos que aplicam a tortura? Procuram-se os sádicos já existentes ou corrompem-se mentes? Criando-se os lobos, quem será o cão polícia?

É isto que se quer? É por isto que se luta?

Insurgente subsidiado


Clicar para aumentar
Aqui

sexta-feira

A cor da esperança



A semana passada foi de eleições na Libéria. Este país africano teve uma guerra civil de 14 anos, que acabou a 2003.

A senhora no meio da imagem chama-se Ellen Johnson-Sirleaf e após a contagem de 97% das estações de voto é a vencedora com 59%
das escolhas.

O principal oponente chama-se George Weah (uma antiga estrela do futebol) e houveram alguns problemas provocados pelos seus apoiantes que alegam fraude. As autoridades da UN dizem que o processo decorreu com transparência, ordeira e pacificamente. Observadores da Unidade Económica dos Estados do Oeste Africano também declararam as eleições justas.

A Libéria é um país brutalizado pela guerra em que linhas éticas e morais foram ultrapassadas. O passado recente é de morte, tortura e injustiça.

As pessoas precisam de alguém que ponha em prática a esperança. A que se espelha no sorriso das mulheres.

Soares e a blogosfera

Os blogues de direita dão-me vontade de votar Mário Soares.

Os blogues de esquerda dão-me vontade de não votar Mário Soares.

Questão que me passa pela cabeça e eu nem sei porquê: um veneno é o antídoto de outro veneno?

Racismo debaixo da pele

Este último fim-de-semana estive numa festinha onde encontrei uma parisiense. Falamos dos túmultos e ela deu ênfase ao racismo subterrâneo. Os franceses "antigos" ainda vêem a França de bochechas rosa e não consegue lidar com a nova França mais "latte". Ter um CV com um nome começado por Jacques traz muito mais valia do que o outro com um nome como Mohamed.

De tudo o que li e ouvi este foi o aspecto que ressoou um pouco da minha experiência de portuguesa. Somos racistas, mas daquele que não se põe o dedo. Mas também existe o racismo televisivo que eu acho "divertido". É o caso da minha mãe. A minha adorável progenitora vê as notícias e fica chocada com todas as guerras civis em África e arenga sobre os pretos e a sua intrínseca maldade. Eu chamei-lhe a atenção que os vizinhos são mulatos. Ela nunca se tinha dado conta. Os maus são os da televisão, não os que ela diz bom dia na rua. Não o padre angolano que cuida das ovelhas da sua paróquia. São os que vivem em África, que são maus e matam-se uns aos outros.

Contudo, há um racismo debaixo da pele. Aquele que acha que um preto com um bom carro só pode ser criminoso. Que um preto só pode ser preguiçoso. Que um preto tem de certeza uma fraqueza só porque é preto. Um racismo sem substância, mas que há, há.

Devo dizer que não conheço a realidade de Lisboa, em que existe uma grande comunidade imigrada de África. Onde eu vivi existem mulatos, portugueses retornados. Ainda assim... Há hábitos difíceis de vencer. Talvez com cirurgia?

quinta-feira

Sinais na barricada

Os abutres sobrevoam

Os hipócritas na marcha da liberdade

A vingança serve-se fria

Há uns tempos dei o livro "The pleasure of my company", do Steve Martin, a um amigo e de sorriso irónico disse-lhe que ele me fazia lembrar o personagem do livro.

Ele agora deu-me "A pomba" de Patrick Süskind. :-(

p.s.: Se não entenderam, vejam isto como uma possível motivação para a leitura.

domingo

Venha o diabo e escolha

Como se distingue um blogue liberal de um blogue socialista?

Os primeiros babam-se de deleite com as desgraças na Europa, os segundos deliram com as desgraças nos EUA.

sábado

Pela minha janela vejo o Outono a acabar



Aqui

Confrontos em Paris

Falei com um amigo francês e ele deu-me uma imagem dos causadores dos confrontos bastante similar à que encontrei neste artigo, encontrado no "A origem das espécies". Uns rufiões que gostam de rap e da cena de gangs dos filmes americanos e cada um tendo mais dinheiro no bolso que eu e ele juntos.

Andei a ler o que os liberais escrevem sobre o assunto e revejo-me na crítica à leniência dos governos europeus. Será cobardia ou consciência pesada do que fizeram nos países de origem destes jovens?

Claro que aproveitaram para criticar o sistema social europeu, mas lembro-lhes que a Alemanha tem também um sistema social pesado e nada disto se verifica. Parece-me que o problema está mais na solução urbanística encontrada para alojar a população imigrante e a demissão no policiamento e na punição. Além da cantata do "pobrezinho".

Quanto ao Islão. Duvido que estes jovens sejam islâmicos. Estes jovens não têm é valores. Nenhuns.

P.S.: O islamismo é uma religião com os seus valores éticos e morais. A nível de tolerância por outras religiões teve na prática comportamentos do maior respeito e que põem a religião cristã de joelhos a rezar por perdão sem fim. Comunidades cristãs, judias e zoroastristas foram protegidas até ao século XX. Os movimentos imperialistas na zona e a criação de Israel retiraram estas comunidades da sua existência pacata. Ainda outros aspectos que não compreendo totalmente criaram o islamismo radical. Os hábitos tribais dos povos do Médio Oriente fundiram-se com a própria religião. O desrespeito pelos direitos das mulheres tem uma origem tribal e não religiosa.

Estes descendentes de islâmicos estão entre dois mundos. Perderam os valores dos pais e não tomaram os valores da terra que devia ser deles. São uns proscritos. A culpa é provavelmente de todos.

sexta-feira

O preto, o branco e o cinzento

Os vandalismos e os confrontos da última semana em Paris são daqueles acontecimentos que me calam. Ouço os opinamentos e surpreendo-me com a capacidade de colocar tudo bem arranjadinho numa estrutura a preto e branco. A primeira vez que me dei conta do caso foi 4 dias após o início quando o vi escarrapachado no monitor da minha amiga americana. "Riots in Paris?". Aprochego-me para ler a notícia. "Yes, poor boys." Eu não disse nada porque não sabia nada e porque estou habituada a que ela tenha uma visão muito maniqueísta do mundo. A colega de gabinete dela que tem um filho adolescente mulato acercou-se e disse "At least they speak about it. Here in Germany everyone avoids to recognise the problem of police racism.", "Yes?!?" Eu completamente surpreendida. "The police can arrest someone for 1 day without charge and they do it to non white teenagers. Just because they hang around."

Cinzento, cinzento, cinzento.

A Alemanha tem um aspecto que permite que nunca se atinja o nível virulento de confrontação parisiense. Controla-se a construção de bairros que se possam tornar guetos. Não se consegue discernir à primeira bairros de maioria alemã de bairros de maioria imigrada. Mistura-se. Em Hamburgo, quando se fala de bairros turcos e portugueses é porque são os mais vivos, de pessoas, de bares e restaurantes, de cores (no Lonely Planet, um dos pontos altos de Hamburgo é ir jantar ao bairro português junto ao porto). Não há nos subúrbios desta cidade de 2 milhões e multicultural nada como os banlieues.

Um dia, andava a passear com uma amiga portuguesa (de visita) uma terrinha nos arrabaldes de Hamburgo. Iamos distraídas e quando nos demos conta estávamos num pequeno bairro de imigrantes. Fiquei surpreendida, pois era um aglomerado de casas modestas de um piso e aquelas pessoas viviam ali declaradamente separadas do resto. No campo, as crianças a brincar livres, adolescentes a compôr as bicicletas e as motos à porta. A minha amiga sentiu-se desconfortável, provavelmente a pensar nos acampamentos ciganos. Quando me apercebi também me quis vir embora. O castiço é que eu não tenho medo dos adultos, mas ponham-me uma criança de dez anos à frente e eu começo a transpirar. Isto deriva de várias experiências em que eu fui chingada por crianças ciganas e me atiraram pedras e latas. Desde aí tenho sempre o cuidado de evitar os seus acampamentos.

Cinzento, cinzento, cinzento.

Parece-me absurdo o discurso "coitadinhos destes pobres jovens, só exteriorizam a frustração perante uma sociedade que os marginaliza". Que dizer daqueles que têm vidas difíceis, mas são responsáveis e trabalhadores e até são vizinhos destes pobrezinhos e veêm o carro, que lhes custou muito a pagar, a transformar-se em sucata numa noite de "justa" revolta?

Nem preto nem branco.

Mas também é absurdo considerá-los meros criminosos. Deixar construir bairros horríveis, depósitos de pessoas, sem verde, sem espaço, sem horizontes, anónimos, sem locais para conversar, para poder construir uma comunidade, uma identidade, prisões de cimento. Ignorar, alienar e ficar muito surpreendido quando algo assim acontece e numa de politicamente correcto gritar "Pobrezinhos", ou egoisticamente gritar "Ralé".

Que tal exigir dos nossos governantes medidas preventivas de civilização? É que há pessoas que sabem e estudam estas coisas há décadas. Não são só teorias sociológicas, arquitectónicas ou urbanisticas. Qual a prioridade? Construir estádios de futebol ou providenciar condições para as pessoas viverem como as pessoas devem viver e não em gaiolas de cimento?

Além disso, apavora-me a leniência total. Uma senhora, aqui na Alemanha, contou-me que nos tribunais alemães era prática corrente dar a pena mais leve por crimes de honra. Os magistrados consideravam que era algo cultural. Eu fico fora de mim e grito: cultura não é assassínio! Cultura não é mutilação!

Os direitos humanos são independentes da cultura. Cultura é o falar, o escrever, o pintar, o cantar, a comida, os gestos, é a expressão da humanidade. Não a sua diminuição!

Pela rua dourada

Caminhamos pela rua que de ontem para hoje ficou dourada. Um despertador arborícola soou em silêncio e ruborizou de amarelo-outono todas as folhas. Agora nevam por entre o ar ameno. O sol tem uma cor mais quente, ainda que não na pele e é possível ser feliz só pelo olhar.

O meu amigo tem rugas na testa.
- Não sei... Não sei... Parece que ela não compreendeu.
- Explicaste-lhe?
- Tudo claro.
- Então como é que ela não compreendeu?
- Disse desde o início que não posso viver aqui. Não posso! Eu vou-me embora e aí tudo acaba.
- Porquê? Não gostas dela? E se ela te quiser acompanhar?
- Não é possível.
- Porquê?
- NÃO É POSSíVEL!
- Porque é que não consegues viver sozinho, mas também não te comprometes?
- Não é assim tão fácil.
- Não? Se não fosses meu amigo deixava-te.
- Sempre a exagerares!
- Pois...

Abandono-me ao sol e às sensações da rua dourada. As pessoas são demasiadamente difíceis.

segunda-feira

Há constituições e constituições

É interessante que uma revista como a vossa apoie a constituição iraquiana quando, há alguns meses, se opuseram à versão europeia. Talvez que a vossa oposição a este último documento abrande se se der um papel oficial à religião e se introduzir a exigência de que os juízes do Tribunal Europeu sejam educados na lei do Levítico?

KYRRE HOLM de Oslo, Noruega ao The Economist no The Economist desta semana, secção Cartas.

Tradução minha.

Tremei!



Não é que a minha colega americana hoje parece uma bruxa!
Na minha modesta opinião, ela leva o dia demasiadamente a peito. O meu lado estético gostaria de dar-lhe umas vassouradas.

sábado

Um pulinho da mesa para desabafar:

Detesto, odeio, desprezo gnocci!!!!

Porra para o multiculturalismo...

Software & Nirvana

Anda toda a gente a falar com deus e eu não consigo! Buá, buá, buá! It's not fair!

Olá, agradecimento, parabéns

Tenho blogue há três meses. Começou por acidente e acabei por usá-lo para agarrar, com palavras, pensamentos, interrogações, indignações, sensações, brincar comigo como mirando-me num espelho. Apreender o que se passa, que por vezes me ultrapassa a não ser que eu pare e olhe. Zanzando pela blogosfera acabei por fazer "contactos". Dou-me conta que sou visitada. Pensei que tinha chegado o momento de...

Para todos os que aqui param sem blogue um olá. Para os blogistas que me visitam um vibrante "Oi, galera!", para os que eu visito, um agradecimento por sorrisos que me tenham despontado, por algo que me tenham ensinado, por despertarem-me curiosidades, me fazerem pensar ou até por me exasperarem.

Finalmente, parabéns à Rua da Judiaria pelo seu segundo aniversário. Desculpa o atraso, mas no início achei que não era importante, que a Abrunho é fruta miúda debaixo da árvore. Mas fiquei com medo de parecer rude e para não arriscar e como gosto de delícias assim, porque a rua da judiaria é blogue que eu visito há imenso tempo, que me desnortearia se acabasse, aqui vai o meu abraço. Que eu possa continuar a lê-lo por muitos e bons. Não é preciso agradecer de volta.

{Esta é a última que me apanham nestas lamechices, snif, snif...}

Para os blasfemos que passem por cá



Tá bem, tá bem. C'est moi! Sou gata de rabo de fora.

O meu outro lado felino está:


Só que aqui não há provocações. Isto é geralmente um diário pacato e introspectivo. Nada que vos interesse... Assim. Adeusinho. Obrigado pela visita...

sexta-feira

Justiça?

"Democraticamente" absolvida nas urnas, como era de esperar, a D.ª Fátima Felgueiras está agora em vias de se ver alijada dos seus problemas judiciais, como também era de esperar. A senhora merece que se lhe tire o chapéu: fez uma sábia gestão dos seus trunfos e dos seus timings e, entre a demissão cívica do seu povo e a demissão institucional da justiça, descobriu o caminho para a impunidade. "Dei uma lição ao país!", exclamou ela, triunfante, na noite de 9 de Outubro. E deu mesmo. A lição foi esta: o único crime que não se perdoa é o da falta de esperteza.
O Tribunal da Relação de Guimarães liquidou, de facto, o processo de Fátima Felgueiras, mandando refazer o essencial da instrução e, com isso, remetendo o julgamento para as calendas do ano vindouro. Os desembargadores de Guimarães entenderam que o Ministério Público e o juiz de instrução não fizeram senão asneiras na construção da acusação: as escutas telefónicas são ilegais porque o juiz não as foi validando dentro de "um prazo razoável", e os principais testemunhos acusatórios são nulos porque os depoentes foram ouvidos como testemunhas e não como arguidos, como o deveriam ter sido (e embora, posteriormente, ouvidos como arguidos, tenham confirmado o que haviam dito antes). Pouco importa, todavia, o conteúdo de umas e outras provas: para a justiça portuguesa, a fórmula é tudo, a substância é um estorvo.
Longe de mim - valha-me Deus! - contestar a lógica irrebatível dos argumentos dos senhores desembargadores de Guimarães. Limito-me a observar que uma magistratura passou aqui um atestado de incompetência à outra e que tudo se encaminha, uma vez mais, para que os formalismos processuais conduzam à denegação de justiça.


Miguel Sousa Tavares no Público de hoje.

O negrito é meu.

quinta-feira

Saga





Acabou-se! Terminou a preocupação com o mundo! Chorar os empobrecidos, os calcados, os que carregam os pecados do mundo, porque assim lhes coube em sorte, que a miséria é questão de fado e eu estar aqui ou ali dá no mesmo. Tenho só que viver satisfeito de ter-me calhado a parte boa do hemisfério. Acabou o ser verde, que eu sou só eu, enquanto eu limpo o terreiro andam os outros a cuspi-lo e quem vier depois que se amanhe. Tenho só de ficar contente de me ter calhado viver no tempo certo. Acabou-se! Há que fazer isto simples. Acordar cedo e fazer o que se me presta, para ter os tostões ao fim do mês e anestesiar-me no que me dão para me entreter. Nada muito intelectual e absorvente, que isto é sempre a andar no mesmo sítio. Está decidido!

Coitado do João... Quando se pressente, a ignorância não traz a felicidade. Morreu ontem a ruminar.

Aquecimento Global

Interessantérrimo este artigo no
The Seattle Times.

A seguir um excerto da peça anexa em que especialistas da matéria são questionados:

What is the major argument used by the "debunkers" of global warming? What can be done by the average citizen to help stop global warming?
— Kate Yamamoto, Bellingham

Snover: It's interesting to look at how the major argument used by the skeptics has shifted over time. From "the greenhouse effect is a myth" to "there's no evidence of warming" to "there's no way humans can influence climate" to "the climate will probably warm, but it will be a good thing," the argument has shifted over the years.
In an earlier post [below] I described some things that an "ordinary" person (is there any such thing?) can do about global warming. These could be broken down as follows:

• Individual action (reduce actions that rely on fossil fuels, e.g., in transportation, home heating and lighting, consumption.)

• Collective action (encourage friends and neighbors to do the same, elect politicians who will make the needed policy changes, work for broad institutional change.)

Shifting the world's economy away from its dependence on fossil fuels is a huge challenge that won't be accomplished by any one change. It will require actions big and small by individuals, corporations and governments around the world. Sometimes people feel like nothing they do matters, but I like to say that the only thing that matters is what people do.

quarta-feira

Imparcialidade (## Actualização estilo Casmurro)

O que é isto?
Um palavrão desconhecido dos bloguistas políticos.
Uma mesma entrevista e Soares é, para uns, múmia de sarcófago e, para outros, sábio geniquento.
Estou a ser má. Porque não poderia uma sábia múmia de sarcófago não ser geniquenta? Olha aquele filme. A múmia, pois. Que eu me lembre, a múmia era super-geniquenta.

##
- Abrunho, como podes esperar imparcialidade na política? Política são pessoas, líderes e acólitos.
- As ideias?
- É secundário.
- Tudo vale, até a pretensão da cegueira?
- É um jogo Abrunho. Já tens idade para não seres parva.
- Eu percebo, mas faço-me de cega com medo de me tornar cínica.

Diagnóstico



Dentes de tubarão a necessitarem de um pouco de fio dental... Ufa...

Pela segunda vez, em dois meses, dois médic@s dizem-me que eu tenho demasiada tensão na minha vida. Isto, vindo de uma dentista, deixou-me confundida. Mostrou-me a parte de dentro das bochechas. Isto à noite deve ser um "Fight Club"!

PeSaDeLo

terça-feira

Alho

O que se faz quando por distracção e falta de comunicação se acumula muito alho em casa?

Juntam-se os amigos a cozinhar vários pratos com alho, destrói-se a leveza do hálito e veêm-se filmes de vampiros.

Por coincidência escolheu-se um filme europeu e um filme americano. Num os caçadores de vampiros são cientistas meigos e distraídos. No outro são brutamontes assassinos. Num não se mata um único vampiro. No outro é uma matança. Num os vampiros são poeirentos, cultos e aristocráticos. No outro são cruéis e super-cool. Num goza-se com todos os clichés possíveis. No outro até o cliché é chacinado. Num o par romântico é no final transformado em vampiros e partem com o próprio chefe-matador para popular o mundo. No outro, o par romântico é transformado em vampiros e, depois de um abraço irmão, são avisados pelo chefe-matador que têm dois dias de avanço. Depois serão perseguidos como bestas.

Divertimo-nos com ambos.

segunda-feira

Medo da gripe



2005 João Gomes http://www.1000imagens.com

Segunda-feira




2005 Mark Heath www.spotthefrog.net

sábado

Broken



Deram-me o disco com a banda sonora do filme Broken Flowers. A música é muito boa (jazz e talvez mais algo... Eu sou uma incompetência a rotular música) e não se consegue imaginar o filme sem ela, como sem o Bill Murray. Este filme não seria Broken Flowers sem estes dois ingredientes. Bill Murray é um espanto a fazer o papel do homem de certa idade a ter que fazer face à sua vida. Bill Murray é para a depressão, o que Charlot é para a pobreza. Lembra o Don't Come Knocking, mas a abordagem é totalmente diferente. Se o objectivo é fazer-nos sentir pessoalmente esta busca, Bill Murray é o actor errado. Ou Jim Jarmusch é o realizador errado. Ou eu sou insensível.

Com isto tudo esqueci-me de escrever que o filme vale a pena. Pela música, pelo Bill Murray, pela realização, pelos secundários, pelos pormenores (rosa e não rosa), pelas flores, pelos silêncios, a alegria e a tristeza... É lindo.

P.S.: Se estivessem atentos ao nr de actualizações que eu já fiz a este poste ficaria óbvio que este é um filme difícil de explicar... Ufa...

sexta-feira

De onde veio a lua?



Comecei a semana com a lua (Visita) e termino com ela. A contar a teoria actual para a sua origem. Pois, foi Deus. Lá pelo segundo dia de trabalhos, ele chateou-se com um dos anjos e, como Ele é bom, em vez de mandar com o dito para os quintos do Universo, deu um pontapé num calhau e formou a lua...

Estou a brincar ao criacionismo... Hehehehe!

O que se pensa é que numa altura em que a Terra era esta bola de materiais incandescentes, um outro planeta (a que se chamou Orfeu), mais ou menos do tamanho de Marte e no mesmo nível de desenvolvimento (os planetas também têm o seu percurso de vida) esbarrou com a Terra. O que se pensa é que o núcleo do Orfeu integrou-se na Terra, enquanto que o manto, com um pouco do manto da própria Terra, espalhou-se pelo espaço. Mais tarde este material coalesceu na LUA!!! É menina!

quinta-feira

Psicologia Infantil



Clicar para aumentar

Aqui

Coisas que se contam

Soares escreveu a Saramago:
Não gosto muito de si. Mas fiquei deslumbrado com os seus livros.
Saramago escreveu de volta:
Eu ainda gosto menos de si. Mas a sua carta deu-me muita alegria.

Que resposta sensaborona do Saramago!... Seja como for, está aqui.

quarta-feira

Portantos...

1) apoio a descriminalização;
2) urgente que se faça funcionar a lei;
3) aparte dos casos contemplados pela lei eu sou contra a liberalização da prática do aborto.

Dói-me algo. Pode ser que seja o coração.

Pensando na bolha...

... vou encontrando disto.

Viver numa bolha III

Eu já vou no quarto poste e começo a chutar-me para canto, ou neste caso, bolha.

Desta vez falei com uma assistente social, habituada a contactar com pessoas e a acercar-se dos seus problemas. Disse-me ela que não são os pobres que recorrem ao aborto. Esses vão em frente e têm muitos filhos.

Os outros, na maioria, são irresponsáveis. Arriscam na assumpção em voga de que isto só acontece aos outros.

A questão que se me pôe é: quando as pessoas são irresponsáveis porque hão-de os outros de lhes pôr o Serviço Nacional de Saúde ao dispôr?

Isto são mesmo questões que me apoquentam.

Viver numa bolha II

A minha amiga respondeu-me de novo. Diz-me ela que nós tivemos 16 anos há 14 anos atrás!!! (Pontos de exclamação dela). Que a juventude hoje tem a informação toda que precisa, que há internet nas escolas e concertos em que se distribui brochuras e até um preservativo, que há os "Morangos com Açucar"!

Querida amiga, eu continuo céptica, mas desejosa que tenhas razão. Espero que seja eu na bolha.

Espero também que a discussão que se avizinha nos esclareça...

Viver numa bolha

Uma amiga respondeu-me ao meu último poste dizendo que achava impossível que com a comunicação social de hoje uma jovem de 16 anos não estivesse informada sobre doenças de transmissão sexual, métodos contraceptivos...

Eu sorri e pensei que eu acho exactamente o contrário. Com a comunicação social de hoje aprende-se pouco. Estão mais interessados em notícias flamejantes, chocantes, esfusiantes, do que o aborrecimento de informar com conta e medida. Para ser-se informado tem de se procurar a informação e uma jovem de menos de dezasseis anos pode não ter os meios ou o discernimento de saber onde procurar.

Imaginei-me com dezasseis anos. Com dezasseis anos eu não tinha qualquer ideia sobre métodos contraceptivos. Sabia a biologia da coisa, mas ninguém se tinha dado ao trabalho de me explicar o pragmático da questão. Tive sorte. A minha vida sexual começou mais tarde, quando já tinha procurado por mim a informação. Se tivesse ficado grávida na altura estava lixada.

As pessoas vivem em bolhas. As pessoas não entendem que para se procurar a informação é necessário perceber que se necessita de informação. Que nem toda a gente é bem ou tia. É por isto que é necessário estender a mão. É necessário que a informação chegue antes.

terça-feira

Aborto um direito?

Vinha hoje no Público. Uma audição no Parlamento Europeu com o tema "Tornar o aborto um direito para todas as mulheres da União Europeia". Iriam testemunhar três mulheres portuguesas, sendo que uma delas fez três abortos antes dos 16 anos!

Eu não consigo ver o aborto como um direito. Consigo vê-lo como um mal menor, como um último recurso em certas situações, a par de uma rede de informação, aconselhamento, educação sexual sem hipocrisias e pruridos...

O corpo é meu. Eu sou eu, mas eu vivo numa sociedade e tenho certos deveres e direitos. Não será meu dever respeitar o meu corpo? Não poderá a sociedade exigir-mo?

Contudo, a sociedade só me pode pedir essa responsabilidade se me informou, me educou, me aconselhou e me disponibilizou os métodos contraceptivos.

A sociedade portuguesa tem uma higiene mental ao nível sexual tão podre que uma jovem fez TRÊS abortos antes dos dezasseis! É culpa nossa. Vamos a deixar-nos de hipocrisias!

Senhores e Senhoras

apresento-vos o Pacheco Pereira de Teerão!

segunda-feira

Gata



Aqui

Visita

Esta noite tive uma visita inesperada. Dormia sobre um livro, quando senti que à minha volta havia uma luz branca que, como habitual, não tinha conseguido apagar antes da rendição. Numa economia de sono, procurei o interruptor e dei-me conta que a luz vinha da janela. Grande, enquadrada, cheia, a lua esbanjava luz a toda à sua volta. Demasiadamente fosforescente. Deixei-me estar de olhos meios abertos, meios a dormir, a seguir o movimento pela minha janela, até que num último entreolhar a luz branca tinha ido e a lua continuava o seu passeio nocturno por outras janelas. Eu pude então dormir sem sentir que feria os mínimos de educação para com a minha visitante.

sexta-feira

O coelho transgénico


Fui ver o último Wallace e Gromit. É divertidíssimo. Fui com o meu amigo, "le toujour deprimée"*, e ele veio pelo caminho a trautear.

A história conta-se em poucas linhas: uns tomates sobredesenvolvidos raptam uma abóbora desmiolada. Na acção criminosa apertam a última invenção de Wallace transformando um pequeno e querido coelho num monstro enorme e feroz que tal king kong rapta uma lady e a obriga a uma relação de facto que transtorna o papa, que pela segunda vez excomunga toda a Grã-Bretanha, obrigando Blair a pedir ajuda a Bush, que simplesmente elimina o Vaticano do mapa. Penso que os Veados e Renas vão gostar do filme. Claro, que o salvador do mundo, tal como o conhecemos, é o Gromit!

* está mal, eu sei, não sei francês.

Religião encapuçada vs Ciência

Penso que o assunto mais abordado por mim nestes três meses de blogue foi a Concepção Inteligente (ver abaixo ligações). Provavelmente porque como pessoa que trabalha no mundo da ciência, é para mim desconcertante e até, a certo nível, assustador assistir ao eruptir de uma guerra entre a religião e a ciência. Já não é suficiente aprender a comunicar ciência. Agora é preciso aprender a defender a ciência de fundamentalistas.

Sendo que a batalha do ensino da Concepção Inteligente nas escolas secundárias se desenrola nos EUA, o campo de acção passou aos tribunais. Onze pais apoiados por dois grupos de pressão (American Civil Liberties Union e Americans United for Separation of Church and State) interpuseram uma acção judicial para que a escola dos seus filhos (Dover perto de Harrisburg, Pennsylvania) seja proibida de apresentar a Concepção Inteligente como uma teoria ao mesmo nível da Teoria da Evolução Natural.

Se os pais perderem, a ciência perde no país. Se ganharem, é uma batalha numa escola, mas uma importante batalha.

Assim, relativamente à Concepção Inteligente, publiquei:
definição de conceitos
contra-ataque humoroso
crítica a texto do Afixe
comentário de um leitor do "New Scientist"

E fiz ligações ao "A barriga de um arquitecto" para uma
deliciosa alegoria e ao "Conta Natura".

terça-feira

Devo ser eu

Sou limitada. Não chego lá, não compreendo o mundo. Sou uma alheada, uma não pragmática. Admito que seja eu. Mas irrita-me, irrita-me todo este regabofe de quem perdeu, se foi o partido este e aquele e a esquerda e a direita, como se fosse um jogo. Um jogo de votos.

Tenho medo das conclusões, das novas estratégias, mais demagogia e mais populismo. É isto a democracia? Este campeonato dos partidos? É para isto que se vota? Não há respeito pelo eleitor que pesou candidatos, que pensou, que acredita que a democracia é o melhor dos sistemas. Eu não votei, que as autárquicas não me afectam, mas apetece não entrar no campeonato. Nas presidenciais, que não devia ter nada a ver com partidos, já temos os ditos a engendrar posições. Que cansaço...

P.S.: estou longe (sárává meu deus), mas, do que me lembro, o país deve estar revestido de plásticos, cartazes e papéis. Será que este ano se lembram de limpar ou eu quando aí for no Natal ainda vou poder analisar a publicidade eleitoral balofa?

segunda-feira

Questão pós-eleições

Agora que a Fátima Felgueiras retorna à Presidência da Câmara de Felgueiras não se levanta de novo um dos motivos para a prisão preventiva? Há condições para continuar o crime! Ou?

domingo

Báltico



Os mares interiores são lagos. Um pouco temperamentais, com ares de importância, ondas e espumas, complicações de sais, mas na poesia salgada são lagos complexados.

O mar Báltico é cinzento, geralmente os céus que o embrulham são cinzentos, a água é intransparente, os peixes são baços e as pessoas são cinzentas.

Na praia reduzida, feita mais de erva que de areia, balidos de ovelha a perpassar entre o vento frio, eu encostei-me ao meu amigo. A amizade que nos une, maltratada e desprezada, parece que nunca há-de morrer. Dou-lhe a mão e penso no pó que deixamos pousar. O mar cheira a algas mortas.

De novo Murakami


Leio outro livro do Haruki Murakami: Sputnik Sweetheart. Um óptimo escritor, uma mestria na palavra. De novo funde o sonho com a realidade, mas agora numa outra forma de perda da pessoa. Um triângulo desencontrado: K ama Sumire e esta ama Miu. Miu é sofisticada, Sumire é devotada ao seu sonho de ser escritora até que..., K assiste. Até onde vai o amor de Sumire e de K?... :-) A ler, a ler. Vale a pena.

sexta-feira

Tristeza

Estás triste. Caminhas devagar, os passos são leves, como se não magoando o chão, te poupasses também a ti. O mundo abraça-te em brisa. Sentes-te confortada e choras por dentro uma dor primordial. Sabes que vai passar, que conseguirás anestesiar-te. Mas no fundo do oceano a que chamas vida, prescruta sempre essa camada submersa de incómodo existencial. Que vazio estranho te deram como herança...

Começar

Acorda-se com dificuldade. O dia é belo, uma pena desperdiçá-lo. A mente não responde. Caminha-se ao longo da plataforma do metro numa dança sem sentido. As pessoas irritam, as pessoas são frágeis, as pessoas são longínquas. Passa-se ao lado. A rotina apresenta-se ao trabalho. Tirem-me deste filme, sff.

quinta-feira

Na tela





Em dois dias consecutivos ouço falar de dois filmes portugueses com muitos elogios. As histórias soam-me interessantes. Espero que estejam num cinema perto de mim quando vos visitar em Dezembro.
Sinto saudades de um certo olhar sempre desesperado. A melancolia é muito lusitana. Mesmo a alegria tem contornos de tragédia. Que portuguesa sou, fatalmente saudade.

quarta-feira

???

Ao ler isto senti-me velha.

Graças a Deus... :-)

Momento de uma trabalhólica

Ontem eram quatro da manhã quando me senti demasiadamente agitada para aguentar o espaço entre as quatros paredes em que vivo. Saí para uma noite silenciosa, cortada, muito de vez em quando, por táxis cor de duna.

Saí de casa e mergulhei num mar de Outono. O ar gelado, mas aprazível, cortava a eito até aos pulmões. Caminhei no escuro junto ao rio de águas adormecidas. Era eu, os meus passos sobre as folhas secas e as sombras.

A pouco e pouco as preocupações deslizaram para órbitas afastadas e ficou o vazio aconchegador da noite. Os cheiros a terra e a vegetal. Eu de cara fria e corpo quente a atravessar o Outono.

Sentei-me e deixei-me ir, libertei-me da vontade e dei férias ao meu pensamento. E ele divagou para equações e em poucos minutos apresentou-me a solução para um problema que me atazanava há duas semanas.

Surpreendida e feliz retornei a casa. Encontrei um ouriço-cacheiro e etiquetei a minha hora de passeio como um bom momento.

Para uma pessimista há algo de funesto em tanto contentamento...

Como chatear um...

croata? Falar bem dos servios.

italiano? Dizendo-lhe que massa é um prato entediante.

espanhol? lembrando-lhe que os italianos compram azeite espanhol, engarrafam-no, pôem um rótulo made in italia, enviando depois para o resto da europa.

chinês? perguntando-lhe o que acha da livre afirmação do povo tibetano.

japonês? perguntando-lhe o que acha sobre a caça à baleia feita pelas frotas "científicas" japonesas.

norueguês/sueco/dinamarquês? dizendo que algum pormenor das suas culturas é similar.

holandês? falar de alemães ou gozar com as suas sandes de manteiga e açucar.

francês? dizer que eles são pseudo-intelectuais e explicar o que significa pseudo, ignorando as suas tentativas indignadas de te interromper.

britânico? saí sempre com o meu ego lesado pelas tiradas mordazes. Mas ainda não desisti!

alemão? não seguir a agenda ou recusares-te a fazer um seguro de danos a terceiros (para o caso de esbarrar com algum nos corredores da empresa e lhes torcer o dedo mindinho).

indiano? dizer "obrigado" ou "por favor". Juro.

chileno? chamar América aos EUA.

cidadão dos EUA? chamar Bushlândia à América.

suíço? deitar a beata para o chão.

romeno? falar de vampiros ou sugerir que os turcos são boas pessoas.

terça-feira

Efeitos colaterais de um telefonema

Palavras. São fáceis de disparar. Sem pensarmos matamos a conversa.

O jogo ainda em aberto

Análise à lupa...

dos livros de Margarida Rebelo Pinto.

JPG, se precisares de aspirina, avisa!

segunda-feira

Hoje foi feriado

Pois, uma raridade, mas de vez em quando existem. O dia da reunificação alemã.

Em que senti que o dia foi diferente? Foi um dia perfeito de Outono.

domingo

Sei lá, emocionei-me...

Sinais :-)

Perdido na tradução

Fui ver uma exposição de arte, daquele tipo de pintura abstracta em que pensas Eu poderia fazer aquela mancha muito melhor... Aquela mancha fazia-a eu aos 5! Estatelada à frente de um quadro branco com uma bola vermelha e uma bola azul eu pensei que a razão daquele quadro é o seu pintor. As pessoas que decidiram expôr aquele quadro conhecem o pintor e vêem nele o seu autor, as outras dimensões de criação. Aquele quadro precisava do conhecimento do pintor. Como eu não tinha ideia, o que ali estava era somente uma provocação à minha capacidade de pintar dois círculos numa tela.

sábado

A arte objectiva


A ilustração científica existe há muito tempo, quando ainda nem existiam métodos fotográficos. Mostra-se com clareza o que se pretende explicar. Salienta-se o objecto, sem faltar à verdade do acessório.


Estudo de Embriões de Leonardo da Vinci


Mesmo quando a fotografia apareceu, a ilustração científica continuou a ser fundamental, pois a fotografia não é muitas vezes clara para ilustrar a mensagem. Nem o objecto da explicação é muitas vezes fotografável, quando é um esquema de um apanhado de factos, como por exemplo um bom esquema do ciclo hidrológico do planeta.

Os computadores alargaram o domínio da ilustração científica dos lápis, pincéis, espátulas, para o desenho em computador. Produzem-se maravilhas como esta:



Agora a ilustração científica entra em mundos desconhecidos. Tenta construir um olhar do que só é conhecido indirectamente pela ciência.

O texto anexo à figura reza:
Deep inside the brain, a neuron prepares to transmit a signal to its target. To capture that fleeting moment, Graham Johnson based this elegant drawing on ultra-thin micrographs of sequential brain slices. After scanning a sketch into 3D modeling software, he colored the image and added texture and glowing lighting reminiscent of a scanning electron micrograph.

Ver a fonte: Science and Engineering Visualization Challenge

quinta-feira

Amores arborícolas

Eu vou ao blogue Dias com Árvores com prazer. O nascimento da blogosfera presenteou-nos com pequenos cantos de doçura. O contentamento calmo da natureza. A majestade de uma árvore. Como estes mundos sobrevivem nas cidades, neste caso concreto, no Porto.

Há uns bons dias li este poste. Extractos de amores monógamos a árvores. Desde aí acordei para as árvores da cidade em que vivo e dei-me conta que não há uma árvore individual de que goste. Vivo em Hamburgo, Alemanha, uma cidade florestada. Com excepção do centro, o resto da cidade tem inúmeras árvores. Tem jardins e canais e tudo árvores e árvores e árvores. Olhei para elas uma a uma e como eu não sou bióloga eu não tenho a mínima ideia do seu nome. Mas o meu olhar estava sempre a fugir para a outra ali ao lado. São tantas as árvores que a individualização de uma árvore que se goste é impossível. Eu gosto da multidão. Agora no Outono é um festival e o meu olhar entristeceu ao pensar no dia em que partirei. Geralmente este dia sabe a doce de rosas, mas quando imaginei o mundo cruel das cidades portuguesas, em que se chora cada árvore com tanta dor, eu entristeci. Eu quero viver na cidade da multidão. Eu quero muitas árvores à minha volta e quando uma árvore morrer ter as outras todas para me consolarem...

terça-feira

Mal posso esperar!!!!!

Os irmãos

Vénus, Terra e Marte nasceram da mesma massa. Todos tinham a potencialidade material para a vida. Mas Marte era pequeno demais. A sua pequenez significou a rápida perda de calor e a incapacidade de manter uma capa gasosa, uma atmosfera. Vénus estava perto demais do sol. A gestão de calor para Vénus foi sempre um problema mal resolvido. A Terra estava no q.b. Moral: para viver é preciso sorte...

segunda-feira

Mal posso esperar...

Sabia que?

Quando medidas a partir da base do oceano as mais altas montanhas na Terra são a Mauna Loa e a Mauna Kea (ambas na ilha de origem vulcânica do Havai). Têm acima de 4000 m.

Nenhum vulcão gigante da Terra poderá competir com os colossos de Marte. A baixa gravidade deixou-os livres para crescer, crescer, crescer e a ausência de forças de erosão* (vento, água,...) preserva-os na actual imortalidade...

* significativas

domingo

Sinto-me alegre

Manuel Alegre anuncia a sua candidatura.

Resolvo perdoar-te a cobardia. Faz a partir de agora juz aos teus poemas.

sexta-feira

Bom senso [# Actualizado]

Vivemos numa sociedade e para manter um sistema desta complexidade têm de existir regras. Verdade seja, acho que há regras a mais. Mas isso é outra história que agora não quero contar. O beco a que eu quero chegar é o de que quando se faz uma regra esta deverá abarcar o maior número de situações possíveis, mas restam as excepções. Verdade seja, que por vezes se fazem as regras a pensar nas excepções. Mas isso é outra história... Pelo que quando a regra não se adequa à situação dependemos do bom senso de quem a aplica. Aqui chegamos ao poço de idiotias a que eu queria chegar. É que o bom senso parece ser um bem escasso*. Claro que há muitos casos que não é um caso de bom senso, mas crime premeditado e isso é de novo outra história.

Ontem, no Público, vinha uma entrevista a Luís Villas-Boas, director do Refúgio Aboim Ascensão, instituição de acolhimento de crianças em Faro. Ele presidiu à extinta comissão que acompanhava o delinear do novo regime de adopção.

Um dos instrumentos principais que ele defende para que os potenciais pais encontrem os potenciais filhos e vice-versa é a criação de uma base de dados nacional. Contudo, um dos entraves vem da Comissão Nacional de Protecção de Dados, que não permite que se incluam informações de etnia. Todos nós ficamos contentes que exista uma Comissão que dê pareceres que nos protejam de um Big Brother, mas falta nesta situação bom senso. A comissão não vive neste mundo. É compreensível que pais adoptivos possam ter uma preferência por crianças da sua própria etnia (que não será só para o lado dos pálidos, mas também de pretos, castanhos, amarelos, ciganos, africanos, asiáticos,...) e alguns até preferirão o contrário. Mas esta informação é essencial para os intervenientes deste processo, incluindo as crianças# [Actualização]. A preferência étnica não é um reflexo seguro de racismo. Tenho um amigo branco sardento que fica excitadíssimo com mulheres asiáticas. Não o considero racista. Muitos outros exemplos de pendores que todos nós temos poderia eu dar. Se não percebem o mundo em que vivem e pior esse alheamento põe entraves à possibilidade de mais pessoas serem felizes, entre elas crianças abandonadas, em que esta medida é essencial para o seu futuro, bem, esta gente está doente. Sofrem do politicamente correcto, que irrita.

O politicamente correcto na área do racismo é ridículo. Porque o politicamente correcto passa do racismo para o racismo. Eu dou um exemplo: numa ocasião eu e vários colegas do meu instituto encontramo-nos para ver um espectáculo japonês de fogo-de-artifício. Juntamo-nos no local combinado, mas faltava alguém. Era uma moça francesa de origem africana. A maior parte do pessoal não reconheceu o nome e portanto um rapaz começou a descrevê-la. Ora, a moça era a única pessoa de traços africanos no nosso instituto e seria absolutamente lógico que ele começasse por aí. Afinal quando se tenta individualizar alguém, escolhem-se os traços mais diferenciadores, que na Alemanha eram os seus traços africanos. Mas ele não: cabelo curto, um brinco mais comprido que outro, olhos castanhos e eu a olhar para ele cada vez mais incrédula. Quando chegou ao momento em que ele teria de começar por características só úteis se todos pertencessemos a um clube de nudismo, eu disse o óbvio. Toda a gente chegou lá num segundo. Eu fiquei perplexa, pois isto para mim foi racismo decantado. Evitar dizer que a moça tinha pele preta e carapinha é como dizer que estas características são más. Afinal, o que é necessário é aceitarmo-nos, ou não? Fazer de conta que somos todos brancos? Que porra de novo racismo é este?

* estou a pensar no caso Fátima Felgueiras. O melhor que se pode pensar da juíza Ana Gabriela Freitas é a de que tem muita falta de senso. As alternativas fedem. Actualização: as alternativas podem ser outras e não federem. Ver aqui.

# Actualização: depois de ler sobre este mesmo assunto no blogue Renas e Veados dei-me conta que não expliquei porque é essencial este pormenor para as crianças. É essencial porque quando os potenciais pais e filhos se encontram os técnicos querem ter a maior certeza possível de sucesso. Que esta família será a certa, que quererão esta criança e a amarão. As expectativas são demasiadas e o fracasso paga-se caro e geralmente mais para o lado da criança. Na adopção vive-se na realidade dos sentimentos, não num mundo imaginário, nem os técnicos quererão mudar o mundo. Somente dar um lar funcional e feliz a uma criança, que a acolha com o mínimo de atritos.

Por outro lado, não estarei a ser demasiadamente generalista na minha compreensão? Não estarei a misturar? Todos nós temos preferências físicas e culturais relativamente a atracções sexuais e amorosas... [Para depois poderem ser esquecidas porque há muito mais na prenda que o pacote e relativamente a diferenças culturais até se pode descobrir que traz mais sal à relação... :-)] Na adopção os adoptantes e os adoptados também têm expectativas físicas e culturais (e de sexo e de idade...) que serão geralmente para o lado de serem todos o mais parecidos possível. É de compreender? Penso que sim. Somos humanos. Contudo, com mentes abertas há sempre flexibilidade. Mas é necessário que os técnicos saibam o mais possível para trabalhar as expectativas e as sensibilidades. "Blind dates" em adopção, devem ser o menos cegos possível.

Vida admirável

Sabrina Sagheb tem 24 anos e foi a mais jovem mulher a concorrer para as eleições parlamentares no Afeganistão de 18 de Setembro de 2005.




Foto-reportagem na BBC

quinta-feira

Ainda na vacória: sensações

Sinto-me uma caganita no pasto da vida.

quarta-feira

Pausa...


Ando mas é a pastar...

terça-feira

Citação

“Há vários motivos para não se amar uma pessoa. E um só para amá-la.”

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira

Bonito serviço!



O retrato está mal feito. É a Angela Merkel [direita-CDU/CDS] que está com a cara de quem não está para dormir com o inimigo. Afinal, ela é que começou com a vantagem. O Schroeder está de grande sorriso de vitória e ainda na fase do deslumbramento. Nisto tudo ela é a grande perdedora. O SPD [centro esquerda - Schroeder] e os Verdes [maria vai com todas - Fischer, o carismático ministro dos negócios estrangeiros do governo anterior] estão contentes porque, ao contrário do esperado, aguentaram-se. Os outros dois porque subiram: os alemães resolveram tirar votos aos dois grandes partidos e distribuí-los pelos dois pequenos partidos não presentes no anterior governo: a FDP [direita - Guido Westerwelle] e a Linke.PDS [esquerda - Gregor Gysi e Oskar Lafontaine].

Agora, que coligação? Três hipóteses:

1) A grande coligação -> SPD + CDU/CDS (coitadinha da Angela);
2) Coligação semáforo -> SPD (vermelho)+ FDP (amarelo) + Verdes (os FDP já disseram STOP);
3) Coligação Jamaica [por causa das cores da bandeira da Jamaica] -> CDU/CDS (preto) + FDP (amarelo) + verdes.

Eu por mim, que não tenho voto na matéria, regozijo-me nisto: toma Stoiber, sua amiba sem cú!

domingo

Expectativas sociais

Eu não sou contra o Rendimento Mínimo Garantido. Concordo plenamente. O que eu acho é que deve existir maior esforço de fiscalização do Estado, para que se limite ao mínimo as injustiças. Não só nisto, mas em tudo. Penso que esta seria a forma de mudar a cultura de chico-espertismo que grassa no país. Há dos meus amigos uma conversa como se o trafulhismo português nos estivesse nos genes. Eu digo-lhes que não, que é um hábito enraizado que nasceu da impunidade e dos funcionários púbicos tratarem da coisa pública como se fosse um caldeirão que todos podemos aproveitar. Eles não são os guardiões, mas os tipos porreiros que abrem as portas à alarvidade. A ocasião faz o ladrão e quando se é honesto fica a sensação azeda de que se está a ser parvo. Na Alemanha as regras são para cumprir e isto não porque os alemães sejam geneticamente honestos, mas porque criaram uma rede de responsabilização. Se falta um cêntimo alguém vai ter que responder. Assim, as ocasiões para ladrão são poucas e sentes que a honestidade vale a pena.

Há o reverso da medalha. O facto dos alemães serem tão pragmáticos produz eficiência, mas pouco calor humano.... Na biblioteca portuguesa quando eu me atrasava na entrega dos livros os senhores telefonavam-me "então que andas a fazer?" e eu lá ia de grande sorriso nos lábios a pedir desculpa. Mas como eu sou uma procrastinadora encartada eles andavam sempre a telefonar-me e eu a desculpar-me com sorrisos. Tinhamos esta relação simpática. Eles nunca perderam a paciência comigo e eu adorava-os por isso. Apesar desta ter sido uma relação feliz para mim, devo dizer que os alemães têm uma aproximação ao problema mais esperta: eu continuo a atrasar-me, mas não tenho telefonemas simpáticos, só umas multas enormes para pagar. Os meus amigos gozam-me pela minha generosa contribuição para a biblioteca de Hamburgo.

Outro caso foi quando me tornei dadora de sangue na Alemanha. Dei várias vezes sangue em Portugal. Quando cheguei ao nível de alemão em que me pude inscrever para dar sangue na Alemanha fi-lo (tens que responder oralmente a questionários e não podes levar tradutor, pois pensa-se que isso poderá levar-te a mentir). Eu tinha ouvido boatos de que pagavam dinheiro pelo sangue na Alemanha e tinha achado isso horrível. Contudo, quando dei sangue pela primeira vez deram-me três euros e eu até achei muito bem, é a ajuda para o transporte, está muito bem. À segunda vez deram-me 23 euros (é a cifra para os "clientes" habituais). Produziu-se uma cena cómica em que eu disse à senhora que se estava a enganar. Ela primeiro temerosa foi ver o registo e a seguir disse-me que não, que era mesmo assim. Saí meia aturdida dos serviços com menos 500 ml de sangue, um pacote de comprimidos de ferro, 23 euros e a perguntar-me que sistema seria melhor. O português que apela à generosidade das pessoas, ao lado bom que existe em nós, dando em troca o sentimento de estarmos a cumprir um acto de ajuda ao próximo; ou o alemão que avalia as pessoas fria e eficientemente, esperando não bondade, mas dever cívico e pagando o que acha mais adequado. Ainda ando a pensar nisso.

Diálogo

- Dói-me a vida.
- Onde?
- Aqui...
- Mas aí é onde se sente.
- Mas dói-me.
- Queres um beijinho?

sábado

Deixem-nos mandriar

Acabei de falar com a minha mãe ao telefone. Ela vive numa aldeia no sopé da Serra da Estrela, daquelas que não têm só velhinhos, com bastante gente com força nos braços, aqueles, os que se chamam activos nas estatísticas, daqueles que eu nunca pensaria como excluídos sociais ou a cair na pobreza irremediável. Eu na minha contínua preocupação com o país (podem começar a rir-se, podem) perguntei-lhe:

- Há muito desemprego por aí?
Gargalhada
- Têm o rendimento mínimo.
- A mãe quer dizer subsídio de desemprego...
- Não! Rendimento Mínimo! Arranjam-lhes os papéis...

A minha mãe diz-me para eu ficar pela Alemanha. Eu parecendo uma adolescente de borbulhas idealistas (podem tocar o hino, se faz favor):

- Eu retornarei e só emigro outra vez se Portugal não me quiser!

P.S.: Provado está que ridículo não mata.

sexta-feira

Katrina: desastre anunciado





Li imenso sobre o Katrina e a subsequente inundação. Uma das ideias que li muito na blogosfera e que não vi adequadamente rebatida foi a de que ninguém poderia ter previsto este desastre. Diz-se que foi um desastre natural, uma daquelas fatalidades que a natureza nos prega, assim como o tsunami asiático no Natal. Furacões na costa sudeste dos EUA não são imprevistos. De 1900 a 2004, 31 grandes furacões atingiram esta zona, 4 só em 2004 (ver aqui). Depois há os pequenos furacões e as tempestades...

Após o desvio à última do furacão Ivan de Nova Orleães em 2004, Shirley Laska do Centro para a Avaliação de Desastres, Resposta e Tecnologia (Center for Hazards Assessment, Response and Technology) na Universidade de Nova Orleães especulou sobre o grau de destruição que se teria produzido caso o Ivan tivesse acertado na cidade. Ela escreveu "Sem dúvida, teria sido um dos maiores desastres, senão mesmo o maior, a atingir os Estados Unidos (...) O furacão tinha o potencial para tornar o impensável em realidade. Da próxima vez Nova Orleães poderá não ter tanta sorte." Li isto na New Scientist de 10.09.05. Também falavam de um exercício de computador realizado no ano passado para simular que meios seriam necessários para fazer face a uma inundação extensa após um furacão ter atingido a zona. Nesta simulação um furacão de nível 4 - a categoria do Katrina quando entrou na costa de Luisíana - atinge Nova Orleães provocando o galgamento dos diques, deixando entre 400 000 a 500 000 pessoas sem casa devido às inundações. As lições retiradas não parecem ter sido levadas a bom cabo pelos organizadores desta iniciativa: a FEMA (A Agência Federal dos EU para a Gestão de Emergências) e a secção da Luisíana do Departamento para a Segurança Interna (Office of Homeland Security).

Há um ano atrás escrevia-se isto na National Geographic.

Os políticos, os técnicos, os cientistas, a população sabiam o risco. Contudo, a decisão política foi para não prever, outras prioridades berraram mais alto. Como se escrevia no editorial da edição referida da New Scientist:

O mundo pode ser sempre tornado mais seguro. A parte mais difícil é decidir que nível de segurança é aceitável e a que custo. O que é certo é que a forma como este tipo de decisões é tomada necessita de reflexão. O tsunami asiático e o desastre em Nova Orleães mostram claramente que os processos políticos que definem a prevenção de desastres não estão a funcionar. Uma opção é medir o sucesso na prevenção de desastres. Quantas vezes é que o sistema de diques holandês protegeu o país de inundações? Quantas vidas foram salvas e a que custo monetário? Em Novembro de 2002, um terramoto de magnitude 7.9 atingiu o Alasca, perto da conduta de óleo trans-Alasca, mas porque a conduta foi construída para arcar com terramotos, não existiram derrames ou qualquer desastre ambiental. Que valor dar ao dimensionamento melhorado? Estes números podem ser calculados. A barreira do Tamisa foi elevada 80 vezes em 23 anos para prevenir o cavalamento de marés de inundarem Londres. O custo de uma inundação grave foi calculado em 30 milhares de milhões de libras esterlinas. Se o sucesso for medido pelo que não acontece durante um terramoto, erupção, inundação, fogo ou tempestade, então talvez os contribuintes e os políticos possam achar que o preço da prevenção vale a pena ser pago.

Eleições



Este fim-de-semana são as eleições alemãs para o governo federal. O sentimento que eu apanho dos alemães é insatisfação e desapontamento com o Schroeder, mas uma hesitação em elegerem a Merkel. Mesmo quando não a desgostam a ela (e ninguém, excepto talvez os mais novos, esquece que ela é mulher e a Alemanha consegue ser muito machista), desgostam os abutres à volta dela. Após 16 anos de conservadorismo os alemães ainda não estão preparados para o retorno. Além disso, em política externa os alemães são completamente schroederianos. A Angela Merkel, que levanta tantas expectativas no exterior relativamente ao enfraquecimento da sua cooperação com a França e na abertura à Grã-Bretanha e aos EUA, é nesta área completamente reversa às vontades da maior parte dos alemães. O desequilíbrio no amor-ódio a Schroeder é que irá decidir.

quarta-feira

Novos pais

A New Scientist [vol.187, nr.2514] de 27 de Agosto tem um artigo especialmente interessante sobre o papel do homem no cuidado dos filhos: Father nature, pág.38.

A sociedade vê o cuidado das crianças como primordialmente uma tarefa da mãe. Parece natural. Nos mamíferos o acto de mamar reinforça a primacia da relação mãe-filho. Contudo, a ciência segue pistas que parecem mostrar que o homem estará programado para ser tão "maternal" como uma mãe.

A maior parte dos pais-mamíferos são ausentes no cuidado dos filhos, excepto em algumas espécies de roedores e pequenos primatas. Há duas décadas, o primatologista Alan Dixson descobriu que os machos titi (um primata da Amazónia) respondem hormonalmente ao seu papel de pai activo: na companhia de uma fêmea grávida os níveis de proctalina sobem. A proctalina é uma hormona que induz a lactação [este obviamente só na mulher :-)] e os cuidados de teor maternal. Em 2000, uma equipa do Memorial University em Newfoundland, Canadá, descobriu a mesma resposta no homem: estes quando a coabitar com mulheres grávidas (ainda que não fossem os progenitores) apresentavam valores de proctalina mais altos, subindo (em média) 20% nas três semanas antes do parto. Na altura deste, os níveis de testosterona caíam a pique (podendo atingir descidas até 33%).

A passividade paternal não é completamente homogéneo nas sociedades humanas. São conhecidos povos em que os homens e as mulheres dividem o cuidado dos filhos igualmente. Entre dois grupos de pigmeus africanos (os Aka e os Efe) caso se lhes pergunte quem cuida das crianças, a resposta será: "Todos nós". E assim é.

Assim, pode-se pensar que em tempos idos o homem estaria intimamente envolvido na criação dos filhos, já que não é ausente este fenómeno e o homem está endocrinamente equipado para o efeito. Mas, sendo realmente assim, porque teria o homem evoluído para este comportamento, quando nenhum primata do nosso próprio ramo o fez? Uma suposição dos cientistas é o tamanho da cabeça relativamente ao corpo. O Homem partilha com os pequenos mamíferos um rácio cabeça/corpo grande, o que torna o parto difícil e perigoso para mãe e filho, o que torna importante um substituto rápido e atencioso. Além disso, relativamente aos humanos há os encargos inerentes com a grande dependência das crianças e o seu transporte. Com os humanos a perderem o pêlo e a tomar a posição bípede, uma mãe teria de carregar com a criança nos braços durante largos períodos de tempo. Isto resulta na incapacidade da mãe de se sustentar a si e aos filhos sozinha. Os cientistas pensam que isto poderia levar nas "sociedades primitivas" ao desenvolvimento da cooperação entre a mãe e o pai como nas sociedades Aka e Efe.

Outra questão: se o homem cooperou em igualdade de circunstâncias nos primórdios porque perdeu esse hábito na maior parte das sociedades humanas? As hormonas têm um papel fundamental na determinação de comportamentos, mas a sua existência pode somente significar a sua possibilidade, mas não inevitabilidade. A proctalina capacita o homem e a mulher a responderem protectivamente em relação à sua descendência, mas esta capacidade depende da experiência. As sociedades actuais oferecem à mulher um papel activo na vida profissional, o que lhe dificulta ser mãe a tempo inteiro. Isto pode despoletar no homem a resposta há muito dormente das suas hormonas "maternais". Um novo pai estar-se-á a preparar para recuperar um velho papel.

Isto tem piada. :-)

Jardins do passado e do presente

Do Mega Ferreira no Dias com árvores.

terça-feira

Don't be a stranger


Vive-se a vida e cometem-se erros. Deixam-se ausências instalar-se. Um dia acorda-se para uma perda que dói. Será só a morte que não tem solução?

Don't come knocking de Wim Wenders

A dor essa ficará sempre comigo no coração. Pelos dias não passados contigo.

A educação indígena no Brasil

No Da Pororoca ao Tejo

sexta-feira

Vale a pena pensar nisto...

Nunca estivemos tão em baixo, nunca estivemos tão descrentes. Olhamos de cima a baixo, do Presidente da República ao mais obscuro funcionário do Estado, e a sensação é de que estamos próximos do "salve-se quem puder". E, no meio de tanto motivo de tristeza, acho que é justo fazer uma homenagem a quem tem tentado remar contra a maré do "deixa andar": a Marques Mendes, cuja luta pela moralização da vida interna do PSD tem sido a única luz de lucidez, coragem e higiene democrática à vista. Infelizmente, em termos de resultados palpáveis e imediatos, ele vai perder e os trafulhas vão ganhar. Chamado a decidir, o povo vai querer Valentim, Fátima Felgueiras, Isaltino e Ferreira Torres. E se é isso que o povo quer e é isso que os políticos lhe dão, o problema não é a democracia. O problema são os portugueses.

Miguel Sousa Tavares no Público

... e nisto



Bandeira no Diário de Notícias

quinta-feira

Olhos verdes

Nesses teus olhos verdes
emprestados pelo sol

Nesses teus olhos dourados
reflexos de verão

Em ti todo

desprendo o olhar
perco-me
a sonhar

nos teus olhos castanhos
cor de dias sem céu

verde, verDE, VERDE
sede de te ver.

quarta-feira

É por estas que me lamento...

A Grande Depressão, uma comédia sobre o estado da nação.

Li ontem no Diário Digital um artigo em que o Sócrates dizia que muitas vezes os que estão por dentro vêem-se de uma forma mais negativa do que a forma como são vistos pelos que estão de fora. Isto, no contexto de umas empresas estrangeiras quaisquer terem resolvido implementar-se e dar uns empregos ao pessoal. Bem, eu tenho de concordar com o ministro. Acho até que um problema dos portugueses é o seu estado maníaco-depressivo. Eu nem sei o que me chateia mais: se os períodos longos em que se não rabujam, choram, se não choram, lamentam, se aqueles momentos breves em que a alegria é demente. Eu de certa forma até percebo: eu individualmente até sou assim e lixa-me que os alemães que também andam muito deprimidos, tenham eles, ainda mesmo neste estado, de ser eficientes. Os portugueses estão deprimidos desde que o D. Manuel I bateu as botas, mas nunca fizeram um filme sobre estarem deprimidos. Não seria normal ter-se feito um ainda quando se estava no filme mudo? Mas, por outro lado, os nossos filmes são deprimentes. Os alemães fazem um documentário, que é uma comédia! Estão a ver? Estão a ver?

Na sexta-feira estava eu com uns amigos num dos bar-praia artificial que ocupam os terrenos vazios de Hamburgo no "Verão", estirados em puffs, debaixo de um tolde a ouvir música electrónica, quando um amigo espanhol me contou do artigo no El País sobre Portugal. Que andamos em baixo, os incêndios, a política, a economia, "Pois, andamos deprimidos", digo eu, "Mas não andam sempre?". Calei-me, deprimidérrima.

terça-feira

O genoma do chimpanzé



Anotem a data: o genoma do nosso parente biológico mais próximo foi sequenciado (Pan troglodytes). As linhagens humana e do chimpanzé separaram-se há cerca de 6 milhões de anos. Na comparação das diferenças entre ambos os genomas, os cientistas vêem a oportunidade de compreender o que constitui a nossa humanidade.

Katrina III

Could something have been done to prevent this?

Yes. The levees could have been higher. The New York Times has reported that the estimated cost of protecting against a category-5 hurricane, the highest on the scale, is $2.5 billion.

The natural marshlands that protect New Orleans from surrounding waters could also have been protected from degradation. A 30-year restoration plan, called Coast 2050, was published in 1998, but it put the bill at a staggering $14 billion. Damages from the current flooding are expected to run to tens of billions of dollars.

Part of the problem is that planners did not take into account the recent upswing in hurricane incidence, says Hugh Willoughby, a meteorologist at the International Hurricane Research Center in Miami, Florida.

"The United States had had a really long run of good luck with hurricanes. Lots of building decisions were made thinking we would continue to have the benign conditions of the 1970s and 1980s," Willoughby told news@nature.com.

"Unfortunately, 'Don't worry, be happy' is not a very good philosophy for dealing with this kind of thing."


Nature, 1 de Setembro de 2005

segunda-feira

Bandeira lê João Miranda?



Para aumentar clicar na imagem

Katrina II

Depois do almoço estive com a minha amiga americana. Conversamos sobre o desastre de Nova Orleães e questionei-a sobre a situação, a tentar perceber, de alguém mais próximo, as bases da desdita. Ela explicou-me que a Luísiana é o estado mais pobre, menos instruído e mais corrupto dos EUA. Contou-me de umas eleições para a posição de governador em que ambos os candidatos eram criminosos. Um deles era um ex-membro do Klu Klux Klan. O outro tinha como slogan "Vote the Crook". Num estado maioritariamente negro ganhou o trafulha. Ambos estão hoje na prisão por serviços prestados ao crime.

Além disso, o dinheiro destinado para o consolidamento dos diques foi desviado para pagar o Iraque. A maioria dos homens do Corpo de Guardas de Luísiana e correspondente equipamento (que estão encarregues de actuar em casos de catástrofe deste tipo) estão no Iraque.

No The Economist defende-se que as principais causas para o desastre prendem-se com as modificações da topografia de Nova Orleães e a despreparação para uma emergência, neste último caso, principalmente devido à insuficiência de pessoas [cá está: o Corpo de Guardas estripado...].

Durante boa parte do séc XX, o governo federal modificou o Mississipi no intuíto de melhorar as condições de navegabilidade e - ironicamente - prevenir cheias. No processo destruiu 405 hectares [1m acres] de pântanos costeiros que rodeavam Nova Orleães - algo que interessava os investidores imobiliários, mas que deixou a cidade sem boa parte do sistema natural de protecção contra as cheias. O sistema de diques, com manutenção deficiente, não aguentou a pressão.

Este desastre foi sendo cozinhado... O Katrina não foi nada de especial numa região que está habituada a este tipo de fenómenos. O que é provável é que as lições a tirar serão tiradas. Os americanos são conhecidos pelo pragmatismo. Não é como a infindável reposição de dejá vus dos desastres portugueses. Sim, pois, é natural.

domingo

Katrina


A tragédia provocada pelo furacão Katrina em Nova Orleães poderia fazer-me mudar o nome do meu blogue de Contemplamento para a palavra, usada pelo Pres. Sampaio na sua carta de condolências ao Pres. Bush, de Assombro. No início assombro indignado, tal como o que contaminou a blogosfera endoidando os opinientos.

Quando me chegaram as primeiras notícias eu julguei sinceramente que havia gralha na notícia que dava MILHARES de pessoas como mortas. Erro jornalístico, lá é possível, aquilo são os EUA!!! Mas não, é verdade. Indignei-me e a minha primeira reacção foi "estes tipos andam a pregar lições ao mundo, mas deixam uma desgraça destas acontecer no seu próprio país!"

Do que li, apercebi-me:
1) problemas de descálculo, de confiar nos santinhos, de descoordenação;
2) problema de armas -> violência;
3) problema de segregação racial.

Penso que os portugueses têm reflexões a fazer para a sua própria sociedade no ponto 1 e 3. Pergunto-me: há exercícios de simulação na região de Lisboa para o caso de ocorrer um terramoto e tsunami? Qualidade da construção?... Qual o nível de vida da comunidade negra portuguesa? Qual a tendência para serem pobres?

Crianças em Tóquio participam num exercício de simulação de um terramoto.

Ridículas são as opiniões despejadas como se Portugal fosse o 51. estado dos EUA. Já repararam que não votam lá? Como se os americanos andassem preocupados com o que os portugueses pensam. Quase que estou à espera de uma demonstração contra Bush e pelas vítimas de Nova Orleães. Sinto de novo a perplexidade pelo alheamento a notícias relativas a situações de criminalidade graves em Lisboa [o relato há uma semana relativamente à Alta de Lisboa], situação em que as pessoas realmente podem pedir medidas, actuar, e, neste momento de autárquicas, informar-se e discutir as propostas sociais dos vários candidatos, contribuindo com uma escolha pensada.

Li alguns raciocínios desonestos. Pessoas que têm uma máxima e usam a situação de Nova Orleães para apoiar o que lhes ia na cabeça ainda antes do furacão arrasar. Isto tanto para os anti-americanos como para os liberais [normalmente teóricos, que enformam a realidade aos seus axiomas de liberalização, mesmo que tal os leve ao absurdo - ver o Blasfémias e o conceito de responsabilidade dos cidadãos de Nova Orleães].

quinta-feira

Autarquices

Desconfio que a regra n. 1 da ANMP (Associação Nacional de Munícipios Portugueses) é:

Negar qualquer responsabilidade (a culpa é SEMPRE do Governo Central).

É óbvio que seria esperar demais destes senhores (que parecem passar o tempo a organizar espectáculos gratuitos, a plantar palmeiras na praia e a arranjar negociatas para os amigos do clube de futebol) que pensassem nos seus munícipes. Que se sentassem e matutassem nas medidas práticas a tomar. Seria esperar demasiado que estes olhassem para o mataguedo que envolve as suas cidades e lhes surgisse a brilhante ideia: "Talvez fosse melhor limpar isto...", mesmo sem existir lei que o obrigue. Talvez que planos de protecção pudessem começar a ser rascunhados nas autarquias, descrevendo o que se precisa pelos que melhor conhecem o terreno e passar então para as centralidades. Mas isto parece que transborda as suas competências.

Tem piada, mas eu nunca vi uma comunicação da ANMP que não fosse uma resposta a alguma medida que morde os calcanhares dos autarcas. Nunca lhes vi uma declaração conjunta pelas populações. Só aparecem para falar pela corporação dos Alarves Néscios Mutantes de Plutão. Porque é que não voltam para o planeta que vos pariu?

No CATAPLUM


QUANTIFICAÇÃO ESTATíSTICA DE POSTS
[????]

Alguns axiomas:
- Quanto mais sexo, menos posts;
- Quanto menos trabalho, mais posts;
- Se você está sem assunto, é porque leva seu blogue a sério;
- Se você tem muito a dizer, é porque seu blogue é chato;
- Quanto mais inteligente o cidadão que bloga lhe parece, mais chato será o seu blogue.

Questão do dia:
- Serei chata?