quinta-feira

Armados

Chateia-me imenso a campanha presidencial nos EUA. Sem entrar na campanha em si, mas, para lá de que me quero manter minimamente informada, o nível de artigos nos media e blogues sobre isto está de tal forma, que eu comecei a fazer gincana. Nos artigos, as grandes QUESTOES sao:

Obama é preto demais?
Obama é magro demais?
McCain é velho demais?
McCain é rico demais?
Obama é elitista demais?
Obama é popular demais?
Obama é esperto demais?
McCain é matreiro demais?
Palin e o filho e a filha e o rebento?
Biden é palavroso demais?
Os americanos sao parvos demais?
Quanto é que eu (o tipo a escrever, nao eu!) amo Obama?

Sabem o que isto me lembra? Aqueles armados em intelectuais que se deleitam sobre filmes de qualidade duvidosa, mas que tem imenso sexo. Uma forma de ver pornografia e fazer de conta que é arte.

Aqui, nao se comentam as novelas, mas comenta-se a novela além-mar e faz-se de conta que se comenta política. Enfim...

23 comentários:

Diogo disse...

Sei apenas que Obama e McCain são pagos pelo complexo militar-industrial para manter a guerra no Médio Oriente em lume brando. Simples funcionários portanto. Quanto ao resto...

Anónimo disse...

Isso mostra o quanto a política se está a tornar vazia. E não só nos Estados Unidos. É a minha teoria.
Mas depois de ler a teoria do Diogo fiquem sem reacção... Como consegue resumir desta forma os EUA?! (Não é que eu negue que tem alguma razão, mas os EUA são mais que isso!!!)

SABINE

Helena disse...

Está bem visto (o que dizes no post) e até dá vontade de um riso amargo, mas esqueceste-te da parte da religiosidade da Palin.
Sim, estou a mudar um bocadinho o assunto: já imaginaste o McCain a ganhar, e a dar-lhe um fanico, e a vice-presidente a assumir a presidência, uma gaja que diz coisas como "é preciso construir este pipeline porque essa é a vontade de Deus"?
Isso assusta-me muito.

Anónimo disse...

Só gosto na Palin uma coisa: a capacidade para enfrentar as consequências de uma síndrome de Down. De resto tudo me assusta. O McCain é um senhor com suficiente charme para pensar e dizer o mesmo que a Palin: é preciso construir este pipeline porque essa é a vontade de Deus".
O McCain será a continuação da politica externa e interna do Bush. As únicas novidades são as preocupação ambiental e um certo charme na forma de dizer as mesmas coisas.

SABINE

Diogo disse...

Se a vontade de Deus é um pipeline, pois faça-se. Aleluia!

Diogo disse...

Ainda sobre a discussão no blog do Lutz:

Qualquer proibicionismo em relação à investigação histórica é incompreensível. Não sendo de forma nenhuma questionável o imenso sofrimento e a morte horrível de um grande número de judeus (e eslavos, e polacos, e ciganos, etc.), existem, por outro lado, ainda muitas questões mal esclarecidas, que o silêncio e o tabu não vêm ajudar a elucidar. Por exemplo o caso de Elie Wiesel:

Elie Wiesel, é um judeu nascido na Roménia em 1928. Aos 15 anos é deportado para Auschwitz e depois para Buchenwald. Sobrevivente dos campos de concentração nazis, torna-se cidadão americano em 1963 e obtém uma cátedra de ciências humanas na universidade de Boston. Em 1980, Elie Wiesel funda o Conselho para o Holocausto americano. Condecorado em França com a Legião de Honra, recebeu a Medalha do Congresso americano, recebeu o título de doutor honoris causa em mais de cem universidades e recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1986. O Comité norueguês do Nobel denominou-o "mensageiro para a humanidade." As suas obras, quase 40 livros, edificadas para resgatar a memória do Holocausto e defender outros grupos vítimas de perseguições receberam igualmente vários prémios literários. Em Outubro de 2006, o Primeiro-ministro israelita Ehud Olmert propôs-lhe o cargo de Presidente do Estado de Israel. Elie Wiesel recusou a oferta explicando que não era mais do «que um escritor». Elie Wiesel preside, desde 1993, à academia Universal de Culturas.

Durante os dez meses em que esteve internado no campo de concentração de Auschwitz, Wiesel não refere uma única vez a existência das cinco enormes câmaras de gás nem os gaseamentos de mais de um milhão de pessoas que aí tiveram lugar:

No livro autobiográfico [Noite], que supostamente descreve as suas experiências em Auschwitz e Buchenwald, Wiesel não menciona em parte alguma as câmaras de gás. Ele diz, realmente, que os Alemães executaram Judeus, mas... com fogo; atirando-os vivos para as chamas incandescentes, perante muitos olhos de deportados!

«Não muito longe de nós, chamas elevavam-se dum fosso, gigantescas chamas. Eles estavam a queimar algo. Um camião aproximou-se da cova e descarregou a sua carga – crianças pequenas. Bebés! Sim, eu vi – vi-o com os meus próprios olhos... Aquelas crianças nas chamas. (É surpreendente que eu não tivesse conseguido dormir depois daquilo? Dormir era fugir dos meus olhos.)»

«Um pouco mais longe dali estava outra fogueira com chamas gigantescas onde as vítimas sofriam “uma lenta agonia nas chamas”. A coluna de Wiesel foi conduzida pelos Alemães a "três passos" da cova, depois a "dois passos." "A dois passos da cova foi-nos ordenado para virar à esquerda e ir-mos em direcção aos barracões."»

Quando os Russos estavam prestes a tomar conta de Auschwitz em Janeiro de 1945, Elie e o seu pai "escolheram" ir para ocidente com os Nazis e os SS em retirada em vez de serem "libertados" pelo maior aliado de América. Eles poderiam ter contado ao mundo inteiro tudo sobre Auschwitz dentro de poucos dias - mas, Elie e o pai, assim como incontáveis milhares de outros judeus escolheram, em vez disso, viajar para oeste com os Nazis, a pé, de noite, num Inverno particularmente frio e consequentemente continuarem a trabalhar para a defesa do Reich.

Algumas das exactas palavras de Elie Wiesel no seu livro «Noite»:

- O que é fazemos, pai?

Ele estava perdido nos seus pensamentos. A escolha estava nas nossas mãos. Por uma vez, podíamos ser nós a decidir o nosso destino: ficarmos os dois no hospital, onde podia fazer com que ele desse entrada como doente ou como enfermeiro, graças ao meu médico, ou, então, seguir os outros.

Tinha decidido acompanhar o meu pai para onde quer que fosse.

- E então, o que é que fazemos pai?

Ele calou-se.

- Deixemo-nos ser evacuados juntamente com os outros – disse-lhe eu.

Ele não respondeu. Olhava para o meu pé.

- Achas que consegues andar?

- Sim, acho que sim.

- Espero que não nos arrependamos, Elizer!

As escolhas que foram feitas aqui em Auschwitz em Janeiro de 1945 são extremamente importantes. Em toda a história do sofrimento judeu às mãos de gentios, que altura poderia ser mais dramática do que o precioso momento em que os Judeus podiam escolher, por um lado, a libertação pelos Soviéticos com a possibilidade de contar a todo o mundo sobre as malfeitorias Nazis e ajudar à sua derrota - ou então fugir com os assassinos em massa Nazis, continuando a trabalhar para eles e ajudando-os a preservar o seu regime demoníaco?:

Como vês, esta é uma das muitas questões mal esclarecidas. Como é que uma figura maior da História do Holocausto, Elie Wiesel, não refere uma única vez câmaras de gás e morte por gaseamento no livro em que descreve a sua experiência em Auschwitz, e porque escolhe deliberadamente fugir (com os nazis) dos russos?


O livro autobiográfico [Noite] de Wieswl está à venda em todas as livrarias. Eu comprei-o. Porque não investigas?

abrunho disse...

A única linha de investigação seria perguntar ao Elie Wiesel.

abrunho disse...

Helena,

sim, a mim também me poe os cabelos em pé, que uma pessoa com as ideias da Sarah Palin seja presidente de um país como os EUA. Já é mau noutro país, mas os EUA com a sua capacidade de lixar além-fronteiras é ainda pior.

Eu, aqui no meu blogue, nao fiz declaracoes de apoio, porque acho um pouco ridículo, já que nao voto. Mas o Obama é a pessoa em que eu votaria se fosse americana. É alguém de grande inteligencia, alguem ponderado e com instintos de diplomata, as qualidades essenciais para quem vai passar o tempo a falar com outros líderes, a gerir pessoas e ideias e tomar decisoes que implicam muita informaçao de base. Neste momento, ele é a escolha óptima.

Irritam-me os seus discursos, porque ele clama a emoçoes que eu nao tenho. Mas ele está a falar com os seus compatriotas, nao comigo. Ele é um prazer de ouvir em debates.

Irrita-me a sua aura de herói aqui na Europa, porque é ridículo.

Eu admirava o McCain e houve uma altura em que pensei que entre a Clinton, o Obama ou o McCain, nao havia perda. Contudo, o McCain resolveu que para ganhar tinha que ser hipócrita e agora nao se sabe bem que tipo de presidente ele irá ser. Ao escolher alguém como a Sarah Palin, ele demonstra que a única coisa que lhe interessa é ganhar e depois logo se ve.

Lembras-te da tua esperança, de que o Obama pudesse ser uma força de pressao eficaz sobre Israel, para finalmente haver negociaçoes entre este e a Palestina? Essa podes deitar pela janela. Biden é um auto-declarado zionista.

É interessante como os vice-presidentes escolhidos podem fazer tanta luz sobre as fraquezas dos candidatos a presidentes.

Diogo disse...

Abrunho: «A única linha de investigação seria perguntar ao Elie Wiesel.»

Esse seria um dos pontos. Mas devemo-nos perguntar: este supra-sumo do Holocausto [Elie Wiesel] não teve conhecimento das câmaras de gás nos dez meses que passou em Auschwitz? Não há aqui algo de profundamente errado?


Faça o seguinte, vá ao Google e procure as palavras: auschwitz, infirmary, surgery.

Estes foram os primeiros resultados que obtive. Tudo testemunhos de prisioneiros de Auschwitz:

Enfraquecido pela vida no campo, Michel foi arrancado da enfermaria de Auschwitz para escrever certidões de óbito por causa da sua bonita letra.


Elie foi operado na enfermaria de Auschwitz. Chlomo e Elie foram com os evacuados para Gleiwitz onde eles e outros subiram para camionetas abertas de transporte de gado para uma viagem de dez dias até Buchenwald na Alemanha central.


Aleksander Gorecki - Este prisioneiro contou como Boger entrou nas instalações da enfermaria do campo principal de Auschwitz para ir buscar um prisioneiro que tinha sofrido há pouco uma cirurgia à bexiga e já tinha programada uma cirurgia à próstata.


Salomon alegou que foi tão maltratado por Boger que foi subsequentemente “marcado para ser gaseado”. Não obstante, um milagre aconteceu e Salomon foi enviado para a enfermaria e restabeleceu a saúde.


Mas, o trabalho duro, combinado com tudo o resto, conjugaram-se para fazer de Israel um jovem muito doente. Uma bolha não tratada no pé cresceu e piorou até que se tornou numa infecção debilitante na parte de trás da perna dele. Por fim, já não podia estar de pé, ou andar sozinho, diz ele, enquanto levanta a perna das calças para mostrar a cicatriz deixada pela infecção de há seis décadas atrás. Na altura, a meio do Inverno de 1944-45, foi colocado na enfermaria de Auschwitz, incapaz de trabalhar. Isto provavelmente salvou-lhe a jovem vida.


Em suma, os cinco primeiros relatos de prisioneiros de Auschwitz que encontrei no Google:

- Michel foi arrancado da enfermaria de Auschwitz para escrever certidões...

- Elie foi operado na enfermaria de Auschwitz...

- Um prisioneiro que tinha sofrido há pouco uma cirurgia à bexiga e já tinha programada uma cirurgia à próstata...

- Salomon foi enviado para a enfermaria e restabeleceu a saúde...

- Israel foi colocado na enfermaria de Auschwitz, incapaz de trabalhar. Isto provavelmente salvou-lhe a jovem vida...


Isto parece-lhe uma fábrica de morte Abrunho?

abrunho disse...

Portanto, a pergunta é "Porque é que os alemaes tinham enfermarias para prisioneiros, se supostamente a normal gestao dos campos levava á morte de tantos deles?"

Até se poderiam fazer outras perguntas: "Para que ter prisioneiros naqueles campos a fazer trabalho forçado? Afinal, nao eram campos de morte?"

Eu nao sou uma conhecedora vasta deste domínio, mas lembro-me de ler que o campo de Auschwitz nao começou como um campo de morte, mas como um providenciador de mao de obra escrava. Fábricas instalaram-se á volta de Auschwitz, que usavam esses trabalhadores. Assim, havia ali um equilibrio entre dois impulsos: o deixar as pessoas morrer devido ás condicoes do campo e mante-los minimamente produtivos nas fabricas. Com o tempo, a parte de matar ganhou maior importancia.

abrunho disse...

Sobre o Elie Wiesel, as minhas questoes sao as seguintes: "de que forma tecemos a história de algo que nos traumatizou?" "De que forma entretecemos outros contos que nao nos aconteceram?" "De que forma esquecemos seletivamente?" Nao me parece ser possível construir História só com testemunhos e nao me parece ser possível construir assunçoes com base em UM testemunho.

de.puta.madre disse...

Quem é mais bonito, o Obama ou a Palin?

abrunho disse...

Sou uma mulher heterossexual, pelo que tenho imensas dificuldades em ser imparcial.

Anónimo disse...

"Eu, aqui no meu blogue, nao fiz declaracoes de apoio, porque acho um pouco ridículo, já que nao voto".
Actitude muito sensata, Abrunho!

SABINE

Anónimo disse...

Diogo: é ridiculo pensar-se que os alemães iriam fazer excursões com os prisioneiros que não queriam gasear. Esse facto dá toda a liberdade (infelizmente) para negacionistas argumentarem que o Holocausto não existiu. Certo é que muita gente que foi para os campos de concentração desapareceu lá, nunca mais a familia e os amigos conseguiram falar com eles. Teriam essas pessoas sido raptadas por alienígenas?!

abrunho disse...

Andei a surfar na net e segundo este sítio: http://frank.mtsu.edu/~baustin/holocamp.html, o nome Auschwitz engloba tres campos:

"There were eventually three camps at Auschwitz. The first camp was built, on orders from Heinrich Himmler, shortly after Poland's defeat, in a suburb of Oswiecim and was designed to hold about 10,000 political prisoners.

Upon entering the gates of Auschwitz I, the prisoners saw over the main entrance the words; "Arbeit Macht Frei" (work will make you free). These words were to promote the false hope that hard work by the prisoners would result in their freedom. Indeed the camp, and later the "Buna" of Auschwitz III, made extensive use of slave labor; however, death was the only real escape.

Auschwitz I held the commandant's office and living quarters, the administration building, kitchen, infirmary, the main guard station, one gas chamber and crematorium, the Gestapo camp, medical experiments center and gallows. Barracks housed the criminals in the camp. These barracks held the "court rooms" where the prisoners were "tried" and usually sentenced to death. The execution area was located in the southwest corner of the camp and was used for carrying out the sentences by lining the prisoners against the wall and shooting them. Their bodies were placed in gravel pits in and around the main camp. Auschwitz I was surrounded by double barbed wire electric fences and nine watch towers.

Auschwitz also became a location for medical experiments that used humans as the guinea pigs. Most notorious of the doctors of these experiments was Josef Mengele whose favorite experiments were on twins. Experiments were also done on dwarfs. Hypothermia experiments were carried out using Gypsies as the primary subjects.

The second site, known as Auschwitz II, or Birkenau, was located 1.5 miles from the original camp. Construction began in October 1941. Rudolf Hoess was named the commandant of the camp. Under his command, the main goal of the camp was the extermination and elimination of all the prisoners. Auschwitz III, also known as Monoschwitz, consisted of a small area that contained the subcamp and the "buna." The main function of this sector was the production of synthetic fuel and rubber. As a result of expansion of the main Auschwitz camp in October 1942, Auschwitz III also was utilized for holding prisoners. The main focus of this essay is upon Auschwitz II, Auschwitz-Birkenau."

Segundo este texto, o campo especialmente dedicado á exterminaçao sistemática Birkenau estava a 2.4 km dos campos de concentraçao.

Agora estou-me a lembrar de fotos com a chegada dos comboios com os maioritariamente judeus que eram seleccionados com o famoso portao de Auschwitz no fundo. Segundo este texto, este portao é a entrada do campo I. Contudo, as pessoas seleccionadas para morrer nao pareciam entrar noutros comboios para serem transportadas para Birkenau. Caminhavam 2.4 km?

Diogo disse...

Abrunho e Anónimo:

No Wikipedia encontra-se uma descrição mais detalhada de Auschwitz:

Auschwitz II (Birkenau)

«Auschwitz II (Birkenau) é o campo que a maior parte das pessoas conhece como Auschwitz. Ali se encerraram centenas de milhares de judeus e ali também foram executados mais de um milhão de judeus e ciganos. »

«O objectivo principal do campo não era o de manter prisioneiros como força de trabalho (caso de Auschwitz I e III) mas sim de exterminá-los. Para cumprir esse objectivo, equipou-se o campo com quatro crematórios e câmaras de gás. Cada câmara de gás podia receber até 2.500 prisioneiros por turno. O extermínio em grande escala começou na primavera de 1942.»

«A maioria dos prisioneiros chegava ao campo por trem, com frequência depois de uma terrível viagem, em vagões de carga, que durava vários dias. A partir de 1944, estendeu-se a linha para que os trens chegassem directamente ao campo. Algumas vezes, logo após a chegada, os prisioneiros eram conduzidos directamente às câmaras de gás. Noutras ocasiões, os nazis seleccionavam alguns prisioneiros, sob a supervisão de Josef Mengele, para ser enviados a campos de trabalho ou para realizar experiências. Geralmente as crianças, os anciãos e os doentes eram enviados directamente para as câmaras de gás.»


Evacuação e libertação

«As câmaras de gás do Birkenau foram destruídas pelos nazis em Novembro de 1944 com a intenção de esconder as actividades do campo das tropas soviéticas. A 17 de Janeiro de 1945 os nazis iniciaram uma evacuação do campo. A maioria dos prisioneiros deveria partir para o oeste. Aqueles muito fracos ou doentes para caminhar foram deixados para trás. Perto de 7.500 prisioneiros (ou 3.000 segundo outras fontes), pesando entre 23 e 35Kg, foram libertados pelo Exército Vermelho a 27 de Janeiro de 1945.»


Agora:

Face ao que é dito sobre a libertação e evacuação de Auschwitz, duas questões se colocam:

1 – Se os nazis destruíram as câmaras de gás para esconder os gaseamentos e o Holocausto, porque deixaram ficar para trás 7.500 prisioneiros como testemunhas?

2 – Se «o objectivo principal do campo não era o de manter prisioneiros como força de trabalho, mas sim exterminá-los», e se «geralmente as crianças, os anciãos e os doentes eram enviados directamente para as câmaras de gás», porque mantiveram vivos 7.500 prisioneiros «muito fracos ou doentes para caminhar»? Se o objectivo era o extermínio, porque alimentavam prisioneiros que pesavam entre 23 e 35 Kg e que eram, portanto, incapazes de trabalhar?

Não é bizarro?

abrunho disse...

Da minha investigaçao conclui que esta cena de procurar ativamente pormenores para negar ainda nao sei bem o que, dá muito pano para mangas e o resto da camisola. É mesmo uma questao do que se procura.

abrunho disse...

Nao, nao é bizarro. Porque seria? O campo no seu todo tinha vários objetivos, alguns contraditórios, mas nenhum era fazer os prisioneiros felizes.

Parece-me que o revisionismo histórico nao se faz procurando pormenores de contradiçao na wikipédia, etc.
Faz-se estudando seriamente documentos, fazendo análises forenses, etc., que eu obviamente nao estou preparada para fazer.

Eu apoio que as pessoas possam fazer estes estudos e discutir os seus resultados.

Agora, esta coisa de catar contradiçoes na internet é uma perda de tempo. Ainda por cima contradiçoes em comportamentos e construçoes humanos, coisa nao rara.

Diogo disse...

Minha cara,

Eu não me limito a procurar contradições na Internet. O revisionismo em relação a este assunto tem muitos investigadores. Já li muitas obras sobre isto.

Quanto à bizarria do exemplo anterior, pense bem: como nos é dito, os nazis mandavam milhares de pessoas por dia para as câmaras de gás. Por outro lado, tinham 7500 doentes nas enfermarias, alguns a pesar 25 e trinta quilos, incapazes de trabalhar e a serem alimentados. Num campo de extermínio isto não faz sentido.

abrunho disse...

Auschwitz nao era somente um campo de exterminio.

Começo a repetir-me o que geralmente significa que já não há nada mais para eu discutir.

Diogo disse...

Cara Abrunho, talvez haja uma boa explicação para isto:

Três das mais conhecidas obras sobre a Segunda Guerra Mundial são a «Cruzada na Europa» do General Eisenhower (Crusade in Europe - New York: Doubleday [Country Life Press], 1948), «A Segunda Guerra Mundial» de Winston Churchill (The Second World War - London: Cassell, 6 vols., 1948-1954), e o «Memórias da Guerra» do General de Gaulle (Mémoires de guerre - Paris: Plon, 3 vols., 1954-1959). Nestas três obras não há uma única referência às câmaras de gás nazis.

A «Cruzada na Europa» de Eisenhower é um livro de 559 páginas; os seis volumes de «A Segunda Guerra Mundial» de Churchill têm um total de 4.448 páginas; e o «Memórias da Guerra» do General de Gaulle tem 2.054 páginas. Em nenhuma destas três obras publicadas entre 1948 e 1959, que perfazem um total de 7,061 páginas (não incluindo as partes introdutórias), se encontra uma única referência às câmaras de gás nazis, ao genocídio de judeus, ou às seis milhões de vítimas judaicas da Guerra.

As câmaras de gás, utilizadas para assassinar milhões de Judeus não mereceriam nem que fosse apenas uma referência passageira, nas obras de Eisenhower, Churchill ou de Gaulle?

Ou será que Dwight Eisenhower, comandante supremo das forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial e depois presidente dos Estados Unidos da América, e Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial e que recebeu o Prémio Nobel de Literatura pelas suas «Memórias da Guerra», não quiseram que as suas obras ficassem vinculadas a «factos» que eles sabiam não ser verdadeiros?

http://citadino.blogspot.com/2007/10/eisenhower-churchill-e-de-gaulle-no.html

abrunho disse...

Oh sim, os politicos e o seu famoso amor pela verdade.