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sexta-feira

Deutschland ueber alles

Eu de vez em quando vejo esta frase por aí sendo usada no sentido de Alemanha acima de tudo, sendo o tudo, outros povos, outros interesses. O sentido original desta frase não foi o de nacionalismo desenfreado, vamos pôr os nossos capacetes de bico e passar a ferro uns tantos pela nossa pátria. O sentido da frase nasceu na altura da unificação dos diferentes reinos no país Alemanha. Assim, o sentido é, acima destes retalhos de terra, a terra unida dos alemães. Era só para o caso de não saberem.

quarta-feira

Fartura



de Kodenko.

Tenho um amigo polaco e conversar com ele é partilhar experiencias em duas esferas: a religiosa e a do choque materialista. Ele é um ateu polaco nascido de ateus, o que imagino seja raro evento. Portanto, ele ve o forte fervor religioso do país dele do lado de fora e eu por vezes pareço estar a traduzir-lhe significados, como alguém que cresceu dentro do fenómeno. Por outro lado, ele conta-me do choque de fartura que foi quando chegou á Alemanha. Ele continua a comer gelado como se os cavaleiros do apocalipse viessem em cavalgada suprasónica em nosso encontro. Eu conto-lhe da emocao dos chocolates enviados pelos parentes emigrados. Ambos crescemos pobres e eu vi a fartura a instalar-se na minha familia atraves dos meus irmaos, ele ve a abundancia conseguida na sua vinda para a Alemanha e ve agora as mudanças no país dele. Ambos vivenciamos o choque da fartura. Sempre vi no triste novo-riquismo portugues, uma contra-reaccao ao passado miseravel, que demorará algumas décadas a desanuviar. Quando vim para a Alemanha, parentes meus perguntaram-me se os alemaes continuavam a por a mobilia na rua. Pelo que entendi, todos os anos, em dias firmados as pessoas punham tudo na rua, como se para eles a grande limpeza, aquela que nos poe a limpar as teias de aranha nos reconditos, encima de cadeiras a tentar chegar aos excrementos sedimentados dos insectos e dos insectivoros, a esfregar de quatro com oleos cancerigenos o chao encardido e riscado, a por cremes protectores nos moveis, a esfregar superficies reluzentes para que nos reflictam devidamente a cara destorcida, significasse para eles mudar o recheio da casa. Para os imigrantes era uma espécie de Natal, em que podiam mobilar a casa de graça com peças praticamente novas. A forma como me descreviam a fartura dos mercados poderá ter sido hiperbolizada, mas parecia-me tudo mais como Portugal de hoje, do que como a Alemanha de hoje. Na verdade, quando cheguei 'a Alemanha e entrei num supermercado, pensei que estava na zona leste. Hoje os alemaes ja' nao poem os moveis na rua. Revendem-nos. O desporto é comprar, comprar muito, mas bagatelas. As feiras de velharias multiplicam-se e a ebay é uma mania. Comparar preços e trocar informacoes sobre formas de obter o mais possível do menos possível pode encher várias horas de conversaçao. Parece uma especie de contra-cultura, com as suas caras excepcoes: neste momento, normalmente a comecar com um i. A nao ser que se seja velhote, em que deve ainda comecar com um vrrrmmmmmm. Por falar em carros: no outro dia estavam tres homens junto a um carro, tinham posto uma toalha sobre o capot e faziam um piquenique. Foi o choque. Parece que por aqui usar um carro como mesa e' crime lesa-majestade.

O peixe-miúdo da ciencia é muito miúdinho

Há situaçoes na lei alema, em que apesar de nao se fazer descontos para a segurança social, o tempo é contado para definir o momento em que uma pessoa se pode reformar. Assim, na Alemanha, o tempo passado numa prisao conta, mas o tempo passado com uma bolsa, nao. Isto vai sem expletivos. A minha indignaçao está muda.

Arrepio

Ir ao cinema na Alemanha é demasiadas vezes uma experiência a esquecer. O pessoal comporta-se como se estivesse na sala de estar da casa deles, só que com muitos sofás. Um dia senti duas presenças estranhas de cada lado da minha cabeça. Quando olhei eram os pés descalços da senhora atrás. Acho que nunca fiquei tão atónita na minha vida. Outra vez, andei a fugir com todos os outros de um senhor que empestava. Como podem imaginar éramos vinte todos juntinhos de um lado da sala e o senhor e a esposa no lado oposto. Ela resmungava contra nós. Gerou-se ali um problema de racismo: os com nariz e os sem. Nem falo das normais grunhices com telemóveis e comidas (pipocas é aperitivo) e pessoas a falar como se estivessem no bar ao lado. Mas o que me põe fora de mim e já me fez começar a asneirar várias vezes é o uso que fazem do riso: eles riem-se com a tragédia. Não é por acaso que no alemão há uma palavra para o ficar feliz com a infelicidade dos outros (Schadenfreude). É desconcertante eu a entristecer com uma cena e de volta o eco ridente. É irritante. Mas não é só no cinema! Um dia destes estávamos num imbiss (um boteco onde se come comida rápida) e a namorada autóctone de um amigo meu lia o jornal, quando viu uma notícia de um corpo encontrado no rio. Ela riu-se. Não conseguiu explicar porquê. Depois, quando já nos tinhamos separado dela, o namorado repetia "Mas ela estava-se a rir...". "Ela estava-se a rir, não estava?" Digo-vos: arrepiante.

quinta-feira

Tolerancia (revisto)

Sempre me irritou a mania dos alemaes relativizarem os direitos humanos 'as culturas de proveniencia das pessoas. Portantos, se uma mulher vem de uma cultura em que se usa burqa, a violencia é nao usar burqa. Tudo bem. Mas e se a mulher nao quer usar burqa? Aqui o raciocínio deles curto-circuita.

Agora já sei como resolvem o curto-circuito ao mais alto nível. A lei alema é só para os alemaes de origem alema. Os outros sao outras culturas e temos de ser tolerantes com as outras culturas. Temos disto: violencia doméstica permitida para alguns, os outros, que a gente até nem gosta, mas tolera.

Mas nao se riam. Em Portugal, tolera-se que todas as mulheres levem nas trombas. Porque a violencia doméstica só o é de forma continuada e grave. E depois cada juiz faz o que quer com as palavras "continuada" e "grave". E a cultura em Portugal é de igualdade na tolerancia 'a violencia contra as mulheres.

sexta-feira

E como um blogue é para desabafar:

estao a ver os burros com as palas? É a maneira de ser alema, em que só veem prá frente. Porque é verboten, ou nao está escrito nas regras (tremam um pouco quando dizem a palavra regras). E mesmo que se prove 2+ 2=4 que a regra (de joelhos) é uma estupidez, ou que a regra (ai maezinha) nao diz que nao se possa fazer x, eles hao-de lutar pela pureza da regra (tremamos irmaos), ainda que possam dizer entre dentes que concordam connosco, mas a regra (brrrr) é um valor mais alto, que os guiará, nem que seja para serem todos fodidos em fila.

terça-feira

burocracia

porque vai de aviao?

hmmm... oceano entre ponto de partida e de chegada...

o seguro de saúde nao cobre ataques terroristas.

ok...

quarta-feira

bad girl

A minha mãe esteve-me a dar sermão. Acha de muito mau tom que eu esteja tão feliz com a derrota dos meus anfitriões. Nem percebe porquê esta minha irascibilidade. Eu disse-lhe que o futebol também é para isto: para nos livrarmos dos maus sentimentos. É a minha oportunidade para dar vazão a todas as irritações com os alemães. Mas a partir de hoje volto a ser uma gentlewoman. A partir de agora, sem partidarismos à flor da pele, que ganhe o melhor. Eu sei. É Portugal. Sofrerei com classe.

Uma festita. Duas festitas?

O tempo extra do jogo de ontem foi espectacular. Uau. Estou rouca hoje, que isto de três almas encherem uma rua alemã de gritos de vitória no dia de ontem... foi obra.

Apanhamos um autocarro e fomos ao centro fazer de abutres a ver as carcaças. O autocarro era como um caixão. É estranho gargalhar num caixão. Do meu posto de observação só vi duas brigas: uns punks que resolveram queimar uma bandeira alemã, sendo que outros levaram aquilo a peito. [Fiquei a saber que nem todas as bandeiras são feitas do mesmo material e queimam bem. Os punks deviam ter comprado uma feita para o mercado do médio oriente. Mas punk não pensa...] Outra porque um bêbado resolveu que um carro o estava a empatar e começou-lhe aos pontapés, sendo que o condutor também não achou muita piada. Mas foram umas briguitas de nada. Mais cantos de galo, agarrem-me que eu mato-o, este estilo. O meu amigo espanhol ficou desiludido pelo número reduzido de louras a precisar de ombro amigo e também com a falta de vigor das brigas. A cerveja deixou o pessoal todo mole.

Nisto comecei a receber ameaças de Itália. Para ter paúra... "Aspetta. Dopo parliamo." Mas alguém precisa de ter medo? Os comentaristas alemães informaram-nos ontem que os jogadores italianos são pequenos. O Cannavaro tem 1m75! É um anão! Se os alemães o dizem é porque é verdade! Os alemães têm é sorte de não haver o concurso "Os mais feios do mundial". Elevada probabilidade de levar a taça.

terça-feira

Caga nisso

O grupo emigrado em Hamburgo conseguiu concordar que de entre os 4 finalistas do Campeonato Mundial de Futebol, a Alemanha é a menos coxa. Mas também concordamos que estamos a cagar-nos para isto e o que queremos é que ganhem os outros, ainda que piores. Se for preciso pisar os bullocks do Ballack*...

* Foi só para fazer o trocadilho... :-)

P.S.: depois da batatada final entre argentinos e alemães, em que dos testemunhos dados aos jornais, só consegui perceber que ninguém viu nada, mas que foram os outros que começaram tudo, os espertalhões dos italianos ofereceram uma gravação à FIFA em que o Frings está mesmo a fazer algo. Hoje não vai poder jogar. A vingança não se fez esperar: declarou que não come mais pizza!

sexta-feira

Zen

Hoje estou melhor. Uns zen andaram a dar-me consolo.

Tem piada, que estive a pensar com quem convivia em Portugal e a diferença entre pessoas não são ideias. É mais como te vestes. Na Universidade ninguém discutia política ou filosofia. Ninguém discutia. Falava-se dos relatórios, dos exames, das festas... Lembrei-me disto, pensando que nunca ouvi nenhum discurso que fosse para lá do "coisas". Talvez quando se apaixonam, se interessam, mas ainda assim é o "eu".

É claro que num mundo assim, quem tem alguma ideia, nem que seja emprestada de um livro que se leu como se fosse a Biblia, é rei e se essas ideias apoiarem o senso "coisas" e "eu", então terá a carneirada atrás, se a carneirada estiver na pausa do pasto. O dono da ideia não se interessa pela própria ideia, que sofrerá sempre de relativismo, mas pelo que essa ideia lhe poderá dar no mercado de ideias.

Cheguei à Alemanha e há esta malta que na maioria fez trabalho voluntário no estrangeiro como se pertencesse ao currículo da vida, que tiveram diversos trabalhos antes de acabar a universidade e que discutem ideias e têm preocupações "pessoas" e que as aplicam no seu dia-a-dia. Além disso, têm princípios. Nunca tinha pensado nisto e agora deixa-me assombrada. Nas discussões que se têm, dei-me conta que eu sou o contra-ponto de origem demarcada portugal. Isto deixa-me ainda mais assombrada. Por seu lado, em Portugal, eu sou denominada de niilista.

quarta-feira

Como se está de loucuras?

Vós, imagino, estais já fartos do slogan que li no autocarro da equipe portuguesa. Aquele que diz algo como "Uma bandeira em cada janela. Uma nação no relvado." O M., o meu amigalhaço croata, achou bonito. Eu estava demasiadamente ocupada a resmungar que não queria ver o autocarro, que é uma estupidez, um servilismo de beija-cú dos fãs. Um autocarro é um autocarro que é um autocarro! Um rapaz alemão, como com quase todos os rapazes alemães que conheci, resolveu elucidar-me (parvos idiotas paternalistas) que aquela visão podia acontecer uma só vez. Ignorei-o e comentei com o M. que os vidros escuros era para esconder as negociações dos angolanos com os portugueses, para estes ganharem ao México. A oportunidade lusa para uns negócios escusos com diamantes. O M. adora este tipo de piadas e eu gosto de o ver feliz. Foi muito mais memorável e divertido ter apanhado com o Oceano no eléctrico. Qual é a probabilidade de eu me enganar no eléctrico em Frankfurt e ter o Oceano a um metro de mim? Ele e outro tipo alto, que também foi jogador da selecção, mas não me alembra o nome. Lembro-me claramente da cara, mas o nome não está registado.

Se querem saber sobre as bandeiras aqui em Hamburgo: há algumas pelas janelas. Discreto, nada de loucura. As bandeiras que se estão lentamente a reproduzir com os dias são as espetadas nos carros. Não só uma bandeira em cada carro. Pode ir até quatro, todas da Alemanha ou uma mistura, não sei se de afectos parciais ou duplas nacionalidades ou triplas fidelidades ou quadradas bestialidades.

segunda-feira

FDS de Bola

Que dia... Além de abafado no aquário em que trabalho, custou-me a tirar da cabeça a maluqueira futebolística do fim-de-semana. No sábado à noite a boazona do grupo urgiu-nos a falar de outra coisa e houve um silêncio, até que nos demos conta de que não há nada de que queiramos falar, nada de interesse, nada que valha a pena, para lá de futebol. Assim, ela deixou-nos e continuou a sua rotina de ir amealhando os convites que lhe vão caindo dos tipos no bar. Ainda no sábado, perdi a paciência com os alemães. Acabada de chegar de Frankfurt do Portugal-Irão, eu ainda vinha deliciada com Cristiano Ronaldo e os seus truques, o prazer de o ver a correr, a dançar, a ser magia deliciosa. Os alemães informaram-me de que ele não foi eficiente, foi egoísta, não jogou para a equipe. Não foi eficiente? EFICIENTE? Se pudesse tinha cuspido veneno junto com a palavra e acertado-lhes no meio da cara. Claro que tentar explicar a um alemão que o resultado não é tudo, é como tentar explicar o aquecimento global ao André Azevedo Alves (um dos insurgentes que me ocupou alguns postes anteriores. Não o linco porque me chateia que venha para aí masturbar o sitemeter). Após o tête-a-tête amainar, recomeçamos outra conversa futebolística: eu e o M. a choramingar o azar da Costa do Marfim ter calhado no grupo em que calhou e agora vão deixar-nos com muitas saudades. Lá vieram de assalto os alemães do futebol-geometria. De novo: não são eficientes! Eu tenho de sair deste país ou estes gajos ainda me arranjam uma úlcera. Futebol a alemães é como pérolas a porcos.

Estive também nas tertúlias "os mais giros". A minha amiga argentina gosta do Ballack (peloamordedeus). Este mundial está a pôr em perigo a nossa amizade. Ela é doente, ela não tira a camisola da argentina desde que o mundial começou, ela andava a deitar a língua de fora aos espanhóis porque eles só meteram 4 secos enquanto que os argentinos meteram 6! Eu espero que Portugal não jogue com a Argentina, pois ela é uma pequenitates e se me irrita muito ainda lhe amando com um vermelho no meio do nariz.

Hoje encontrei a trupe espanhola do instituto em que trabalho. Disseram-me que eram poucos para ver o jogo. Perguntaram-me se eu hoje queria ser espanhola. Disse que sim, com prazer. Eu gosto dos espanhóis. Gente boa. E agora tenho de deixar o computador e correr para me encontrar com eles, mas para finalizar: ainda não me recompus do França - Coreia. Nos primeiros momentos detestei a Coreia e depois percebi que era deja vu. O mundial sem a França... O mundial sem Zidane... Suspiro... É nestes momentos que me dói o tempo a passar.

fonte.


Nota de atenção: Penso que não se devia ensinar inglês aos membros do sexo masculino do país Portugal. Grunhices em português vá que não vá, fica entre nós, mas grunhices em inglês para toda a gente perceber! Por amor de deus homens, não venham para a Alemanha embaraçar-me!

Austrália só à lei da asneira

Apetece-me a indignação. Estive a pensar o que mais me fez rugas na testa nos últimos tempos.

Há a constante da minha vida a quem chamo a enciclopédia de informação inútil (EII). A EII é uma italiana que tem a mania de me interromper a fala ou o pensamento com informação inútil. Por exemplo: Estou eu animadíssima a ver um apanhado de canções de bollywood (confesso, confesso que gosto imenso de ver as canções dos filmes de bollywood, as vozes agudíssimas das meninas e toda a gente a saracotear-se feliz e contente, sobre comboios e prados e jantares de arroz e dahl), quando o refrão é, sei lá, "bahra", e ela levanta a fuça e diz "quer dizer amor para todos...", espeta o dedo no ar "... e vem, quer dizer vem". Eu, que tenho muito mau feitio, digo "vem ou vem-se?", ela faz que não nota o meu tom de bombardeiro e remete o nariz ao dicionário de sueco-espanhol. Há inúmeros exemplos, desde enumerar Papas quando estamos a discutir algo relacionado com o Vaticano, elucidar-me sobre a capital da Mongólia, já não sei porquê, explicar-me as diferenças dos dialectos italianos (teve piada a primeira, segunda e até a terceira lição, mas a certo momento era cursinho), explicar-me medicamente assistida que o arroz faz prisão de ventre, quando eu digo inocentemente que gosto tanto de arroz que podia comê-lo todos os dias, etc., etc., etc. Tudo informações absolutamente inúteis e que só vêm sobrecarregar a minha vida pejada de outras informações inúteis. Que cruz, que cruz...

Na semana passada, a irritação nova foi no cinema. Os reclames antes do filme, na Alemanha, demoram uns bons 20 minutos. Como não sou burra de todo, estudei a situação em cada cinema e agora só vou o xis tempo azado para me livrar. A não ser que esteja acompanhada por não habitués, que são uns palonços e fazem-me sempre desejar ir sozinha ao cinema. Nestas minhas idas a ver os filmes portugueses fui, excepto uma vez, com companhia e apanhei tudo. Um dos reclames era de alguma associação de turismo que nos convidava a ir visitar a Austrália. Como é de esperar estava cheiínho de gente bem disposta e sorridente. A senhora que fazia de aborígene, se realmente tinha algum sangue aborígene, estaria tão misturado que já é um caso de antepassado homeopático. Isto irritou-me. À primeira irritou-me um bocadinho, à segunda muito, à terceira comecei a resmungar. Cada vez que via o reclame, menos conseguia ignorar que os australianos são uns racistas de merda e eu queria era que um daqueles bichos muito venenosos e de dentes muito aguçados, que abundam por aquelas bandas, os mandasse pró caralho que os pariu.

Pronto, já me indignei. Isto é tão inútil e bom quanto o ioga.

sábado

Inteligência da merdaleja

O edifício onde trabalho é inteligente. O edifício onde trabalho é uma merda. As persianas é que decidem quando fechar e abrir. Já aconteceu ser meio-dia e deixarem-me às escuras. Ou então tenho o sol a bater de frente no monitor e não acontece nada. Tem um sistema de ventilação que significa que a certa altura abrem-se uns orifícios na janela e uma portinhola acima da porta e é uma corrente de ar de fazer pneumonia. Isto inclui o Inverno. Com tanto buraco, no Inverno está frio (chego a andar de cascol), mas como é só vidros, no Verão é um forno. E isto é Norte de Alemanha onde calor, daquele de fazer suar, é muito de vez em quando. Agora imaginem. O que é que eles fazem nos dias de abafo a sério? Mandam-nos para casa. Juro. Ainda bem que não há muitos dias de calor senão o que seria da produtividade! Como eu sou uma tipa com imensa sorte, nesses dias ou estou de férias ou a fazer serviço fora. Só eu.

Eu queixei-me, outros queixaram-se, há meses! Recebemos ontem uma cartinha no correio electrónico. Srs. trabalhadores fizemos medições de humidade, temperatura e quejandos. O ambiente neste edifício está na gama de conforto. Resmunguei a manhã toda. Não aguentei. Tive de perguntar: essa gama de conforto é para os pinguins? Não me responderam. Eu estou fula! Segunda vou mandá-los à merda.

segunda-feira

Conversa que surgiu da homenagem Lisboa 1506

Um amigo meu alemão resolveu pedir à avó que lhe permitisse ler as cartas que ela recebeu do marido durante e após a II Guerra Mundial. Um mergulho na história da Alemanha e dele. O avô foi um juiz bem sucedido no aparelho nazi. Foi preso pelo exército soviético e acabou por morrer numa das suas prisões. A avó fugiu com as filhas pela mão, numa grande caminhada de terror à frente do exército soviético, do que é hoje Polónia para o que é hoje a Alemanha. Nunca conseguiu falar desses momentos. Segundo o que ele me disse, o avô nunca assumiu nenhum mal na sua conduta. Ele tinha sido, na sua consciência, um homem responsável, honesto, que tinha feito o seu dever para com a pátria e a família. O meu amigo falou-me de um livro que andava a ler de um Sebastian Haffner, um alemão com um começo de vida quase a papel químico da do avô. A mesma cidade, bairros parecidos, a mesma escola, a mesma formação. Contudo, um fugiu para a Grã-Bretanha antes da guerra e o outro tornou-se nazi. "Porquê?", pergunta-se*. As minhas perguntas são outras. Disse-lhe: "Eu quero saber como era a Alemanha antes da guerra por alguém que o viveu. Achas que esse livro pode responder-me?". "Sim, penso que sim. Mas tens que ter umas luzes da história da Alemanha." Ok, wikipédia.

* Lembrou-me o filme "Capote". A certa altura Truman Capote, o escritor de renome, diz de Perry Smith, o assassino: It's as if Perry and I grew up in the same house. And one day he went out the back door and I went out the front.

sábado

Isto anda fantástico



Actividade do dia: espolinhar-me.

quinta-feira

Espírito empreendedor...

...dos meus hospedeiros.

Eles têm sentido de humor!!! Veêm? :-)

sexta-feira

Nevado

O primeiro dia branco do inverno.

Hamburgo é uma cidade demasiadamente junto ao mar para que a neve pegue, pelo que cada dia branco é uma dádiva. Ontem de madrugada, quando o escuro se ia impregnando de claro, não resisti a fazer uma incursão pelas ruas desertas. A neve, o branco e o silêncio são uma perfeita combinação para um passeio nocturno. É mais fácil fazer as pazes com o mundo.

Hoje acordei e fiz na mesma o olhar infantil de deslumbramento, as tarefazinhas da manhã, que matam o bom humor, foram feitas de passo leve e quando já ia a sair encontrei a... portuguesa. :-) Logo ali encetamos uma conversa de inglês. Dissecamos o tempo nesta componente especial da neve (todos os dias passados de neve desde que cada uma de nós chegou a Hamburgo), trocamos a informação de quando da ida natalícia à pátria, fizemos um ar compungido de saudade e libertamo-nos uma da outra após mais um contacto demasiadamente cortês para significar algo.

E prontos. Só para dizer que hoje mais branco nao há.

quarta-feira

Sondagens...

... na Alemanha

1. Thomas Mann ... 22%
2. Bertolt Brecht ... 15%
3. Günter Grass ... 10%
4. Hermann Hesse ... 7%
4. Heinrich Boell ... 7%
6. Franz Kafka ... 3%