A Helena incluiu-me numa cadeia. Pensei em não reagir, porque 15 é muito trabalho. Eu visito 15 blogues, mas não sei se quero incluir aqueles blogues que realmente gosto, com aqueles que é um pouco como visitar as putas.
Blogues? Seja eu verdadeira, eu já ando há tanto tempo nisto, que metade dos quinze não é os blogues, mas um caso pessoal.
É óbvio para a Helena que a incluo a ela, porque se fossemos vizinhas num prédio, estariamos sempre na conversa nas escadas. E se eu não a encontrasse um dia, estaria a bater-lhe à porta e muito infeliz porque ela tinha ido de férias e não me tinha dito nada. Snif, snif.
A outra amiga é a Sabine. A diferença com a Helena é que usa óculos e só fala de coisas sérias. E eu sou, na maior parte dos dias, muito superficial. Assim, quando me encontro com ela nas escadas, ela está muito preocupada com as condições no Darfur e eu preocupada que começou a chover e tenho de apanhar as cuecas da corda.
Depois há o João, a quem gosto de moer a alma. Ele vive no apartamento abaixo do meu e eu vou atirando coisas pela janela que lhe caem na varanda.
Depois há o José, que se queixa imenso, trata da horta e tem cães e sempre que o vou visitar, ele tem de ir caminhar os cães à rua.
Depois há o Luís, mas ele é demasiado estranho... Ele nem se desculpa com os cães. "Desculpa abrunho, tenho de me passear à rua." Estranho, muito estranho.
Portantos, estes são os que vivem no meu prédio. Depois aquele a quem atiro pedras à janela é o jb, que retornou e que ainda não lhe tinha dito como me apraz encontrá-lo na esplanada, sentar-me na mesa ao teu lado e ficar a deitar o ouvido à tua mesa e educar-me nos gregos e em música clássica e os celtas e como estes se riram com o tamanho do Alexandre, o grande. Que faria eu sem a tua erudição clássica? Antes de te conhecer, eu pensava que grego era um estado de confusão cerebral com o que não entendemos.
Seguidamente, aqueles que vivem nas redondezas e que eu persigo, porque tenho paixões assolapadas por eles. Um é o maradona. Prontos, confessei. Envergonha-me profundamente e eu sei que tenho que ir ao médico. Depois a Palmira e a Câncio. Houve alturas em que duvidei da minha heterossexualidade com estas duas.
Depois, aqueles blogues que visito só pelo conteúdo... Deixa ver, faltam seis...
Hum, hmmmmmmm.....
Há o blogo existo, porque tenho esperanças que algum dia compreenda alguma economia e eu ainda nem sei se o blogue é sobre isso.
Depois há o terceira noite e os livros ardem mal, porque gosto de ouvir falar de livros e isso.
Faltam quatro...
O pente fino pela comédia.
Depois há o Andrew Sullivan, pela comédia e má língua.
O mundo perfeito, porque quero aprender a em dez anos não ser tão amarga.
E o arquiteto de barriga, porque parece um bom blogue.
Mostrar mensagens com a etiqueta amigos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amigos. Mostrar todas as mensagens
terça-feira
A Sabine também

A Sabine é a agente secreta 00-Mafalda. Quando era pequena e destruia os livros dos meus irmaos, porque, perdoem-me, nunca fui precoce e nao me apercebi o que era dar valor ao que mais se gosta e muito menos a concepçao de respeitar o que é dos outros, entre os quais se contavam os livros do Quino com a minha heroína e com o meu alter-ego (ah, Filipe quanto sonhamos juntos), nunca me passou pela cabeça que a Mafalda me iria dar bola... :)
segunda-feira
quarta-feira
Tédio das Ideias Feitas
Ele discursa para a plateia ao lado sobre a impossibilidade da amizade entre homens e mulheres. Desvio o fumo do meu cigarro e pergunto temerosa o que é que nós dois somos. Ele diz que nós somos diferentes, nós não queremos sexo. Antes que ele me destrua a imagem, eu acentuo que nós queremos sexo, só que não um com o outro. Ele concorda enfático e reperde-se na sua incongruência.
segunda-feira
A boa vontade dos apaixonados
Um amigo meu ve-me e agradece-me eu ter nascido. Eu saliento a minha completa nao participaçao no processo e ofereço-me para lhe dar o número de telefone dos meus pais. Ele faz um trejeito divertido e sai esvoaçando pela janela.
P.S.: Da maneira que isto anda, sinto-me numa festa em que está tudo bebado, excepto eu. Felizmente ando a ler o último livro do António Lobo Antunes.
P.S.: Da maneira que isto anda, sinto-me numa festa em que está tudo bebado, excepto eu. Felizmente ando a ler o último livro do António Lobo Antunes.
sábado
Desaire
um amigo sem dinheiro foi a uma festa católica polaca pela comida gratuita
ia bebado, vomitou na sacristia e foi expulso em eternidade
agora, diz ele pesaroso, vou ter que continuar ateu
ia bebado, vomitou na sacristia e foi expulso em eternidade
agora, diz ele pesaroso, vou ter que continuar ateu
sexta-feira
Friends
A bond of trust
Has been abused
Something of value
May be lost
Give up your job
Squander your cash - be rash
Just hold on to your friends
There are more than enough
To fight and oppose
Why waste good time
Fighting the people you like
Who will fall defending your name
Oh, don't feel so ashamed
To have friends
But now you only call me
When you're feeling depressed
When you feel happy I'm
So far from your mind
My patience is stretched
My loyalty vexed
Oh, you're losing all of your friends
Hold on to your friends
Hold on to your friends
Resist - or move on
Be mad, be rash
Smoke and explode
Sell all of your clothes
Just bear in mind :
Oh, there just might come a time
When you need some friends.
Hold on to your friends de Morrissey
Entao, Joao, como e' que achaste o ultimo episodio? :-)
domingo
parades
No bolas de berlim odiou-se a Love Parade. Eu não vou contradizer. Eu não fui. Nisto podem-me pôr na categoria "conservadora", "católica no armário", "gattusista", ou seja lá qual for a moda de simplismo neste assunto. Um amigo meu é que estava ontem a ver a coisa na televisão e a tentar decidir se deveria ter ido. Parei, observei e finalmente disse: Opá, olha que isso parece uma grande seca. Parece mais uma Lethargy parade. Ele concordou feliz, disse que depois vai a Zurique, à Fuck parade. Não há fuck na Love parade? Há, mas é que a Fuck parade tem também a Energy session. Ah, pronto.
quarta-feira
Burrice
O meu amigo croata arranjou bilhetes para o Brasil-Croácia. Iupii, que bom, que bom, que felizes estamos, aí ele diz: temos de arranjar uma bandeira e eu digo: não te preocupes, eu tenho uma bandeira do Brasil. Ele foi-se embora sem me dizer palavra. Terei perdido o meu companheiro de mundial?
segunda-feira
Novela
Menina muito gira, muito imatura, a fazer-se de loura, rodeada de moços babados.
Amigo meu croata perde o jogo para moço babado português.
Amigo meu croata vem chorar no meu ombro.
Eu digo-lhe que não fique assim, que os homens portugueses têm sex appeal poderoso. Não é culpa dele que os croatas sejam geneticamente mais virados para lutas fraticidas.
Amigo meu croata não acha piada.
Eu resolvo fazer de irmã mais velha e meter juízo na cabecinha tonta da menina imatura.
Moço babado português não acha piada.
Suspense para o próximo episódio: qual deles me vai cortar o pescoço primeiro?
Amigo meu croata perde o jogo para moço babado português.
Amigo meu croata vem chorar no meu ombro.
Eu digo-lhe que não fique assim, que os homens portugueses têm sex appeal poderoso. Não é culpa dele que os croatas sejam geneticamente mais virados para lutas fraticidas.
Amigo meu croata não acha piada.
Eu resolvo fazer de irmã mais velha e meter juízo na cabecinha tonta da menina imatura.
Moço babado português não acha piada.
Suspense para o próximo episódio: qual deles me vai cortar o pescoço primeiro?
Conversa que surgiu da homenagem Lisboa 1506
Um amigo meu alemão resolveu pedir à avó que lhe permitisse ler as cartas que ela recebeu do marido durante e após a II Guerra Mundial. Um mergulho na história da Alemanha e dele. O avô foi um juiz bem sucedido no aparelho nazi. Foi preso pelo exército soviético e acabou por morrer numa das suas prisões. A avó fugiu com as filhas pela mão, numa grande caminhada de terror à frente do exército soviético, do que é hoje Polónia para o que é hoje a Alemanha. Nunca conseguiu falar desses momentos. Segundo o que ele me disse, o avô nunca assumiu nenhum mal na sua conduta. Ele tinha sido, na sua consciência, um homem responsável, honesto, que tinha feito o seu dever para com a pátria e a família. O meu amigo falou-me de um livro que andava a ler de um Sebastian Haffner, um alemão com um começo de vida quase a papel químico da do avô. A mesma cidade, bairros parecidos, a mesma escola, a mesma formação. Contudo, um fugiu para a Grã-Bretanha antes da guerra e o outro tornou-se nazi. "Porquê?", pergunta-se*. As minhas perguntas são outras. Disse-lhe: "Eu quero saber como era a Alemanha antes da guerra por alguém que o viveu. Achas que esse livro pode responder-me?". "Sim, penso que sim. Mas tens que ter umas luzes da história da Alemanha." Ok, wikipédia.
* Lembrou-me o filme "Capote". A certa altura Truman Capote, o escritor de renome, diz de Perry Smith, o assassino: It's as if Perry and I grew up in the same house. And one day he went out the back door and I went out the front.
* Lembrou-me o filme "Capote". A certa altura Truman Capote, o escritor de renome, diz de Perry Smith, o assassino: It's as if Perry and I grew up in the same house. And one day he went out the back door and I went out the front.
quarta-feira
Cá estou eu
Foi bom, muito bom, a conversa, os passeios, as risadas, as piadas sem piada, os livros que recebi, os cafés, tentarmos desenvencilhar a história de Budapeste e só termos conseguido chegar ao fim da dinastia do Árpád (tanta matança), confirmado que Lisboa foi conquistada aos mouros em 1147, desejarmos quota de entrada para os americanos, todas as fotografias em que tive de entrar (obrigado por não me atirarem ao rio, para um exclusivo), enfim... A Leste esteve, por uns dias, o Paraíso.
quinta-feira
As miradas do homem português
Isto fez-me lembrar de, há um par de anos, ter ido a uma discoteca lisboeta com uma amiga minha, que é assim um monumento de construção alemã. Alta, loura, olho azul, cabelo encaracolado, ar de afrodite e que mais. Tinhamos ido a Portugal em trabalho. Como, na Alemanha, os homens são mais discretos e as louras altas não são assim tão raras, tinha-me esquecido do efeito arrasante. Naquela discoteca foi impossível e foi de sentir pena. Os homens e rapazes babavam-se. Literalmente. Sem o mínimo de discrição ou, assim, de orgulho. A minha avó descreveria a situação como "cães à volta de uma cadela com cio" e a analogia não estaria desfasada da realidade. Ela divertiu-se imenso e no dia a seguir contou aos colegas, um holandês, um norueguês e uma alemã, que tinham decidido ir prá caminha cedo. Completo gozo. Eu, cheia de vergonha, a desculpar o homem português. Coitados. Falta-lhes altura. Deixem-nos lá.
segunda-feira
Jon Stewart
Sou daquelas pessoas que sei das "novidades" quando já estão rançosas. Lembro-me de uma amiga a arrastar-me para fora de um café, por entre uma enxurrada, para o carro dela, onde me aspergiu de Manu Chao e me disse que eu não podia ficar mais nenhum minuto da minha vida em tal ignorância. Ou quando me emprestaram todos os livros do Paul Auster (ao fim de ler três tive de arrasar muitos corações ao dizer que o tipo até parecia escrever bem, mas que eu detestava as histórias); quando me obrigaram a ver "O sexo e a cidade" e eu disse que preferia suicidar-me a ver outro episódio; ou quando me deliciei 5 horas a ver "Friends" e os meus amigos ficaram contentes que pelo menos uma vez eu não me armasse na ovelha ranhosa; ou quando uma amiga me disse que eu tinha de ver os "X-files", nem que fosse pelo homem (vi vários episódios, mas a certa altura as teorias da conspiração começaram a acertar-me nos nervos).
A última: Jon Stewart. Mas tu não conheces o último apresentador dos óscares? Nope. Como pode ser? Como? Eu digo que vi a fotografia na internet. É giro. Aí vou eu outra vez arrebatada. Um programa qualquer americano onde fazem piadas com as notícias, algumas percebo, explicam-me as outras. Então? Sim senhor. O tipo tem muita piada, parece bastante inteligente e é atraente. Agora, o que me pergunto é quem será o pobre diabo que, para equilibrar o universo, terá que ser tão feiínho, tão chatinho e tão brutinho?
A última: Jon Stewart. Mas tu não conheces o último apresentador dos óscares? Nope. Como pode ser? Como? Eu digo que vi a fotografia na internet. É giro. Aí vou eu outra vez arrebatada. Um programa qualquer americano onde fazem piadas com as notícias, algumas percebo, explicam-me as outras. Então? Sim senhor. O tipo tem muita piada, parece bastante inteligente e é atraente. Agora, o que me pergunto é quem será o pobre diabo que, para equilibrar o universo, terá que ser tão feiínho, tão chatinho e tão brutinho?
Guerra
Parece que sim. Acabei de vir de consolar um amigo. Eu li na net à tarde sobre um cartoon em que Hitler está na cama com a Anne Frank. Acabei por chegar à página da Liga Árabe Europeia (LAE). Contei-lhe. Tinha esquecido que familiares dele morreram no holocausto. Ele leu e viu. Companheiro de indignação desta semana, caminhava de trás para a frente, na cozinha, tentando demonstrar-me a diferença. Eu respondi-lhe que um muçulmano responderá que para ele Moamé é tão importante para ele quanto a sua história de perda e horror. Que a ofensa está, para eles, ao mesmo nível. Como podemos dizer que não? Para nós o respeito pela vida humana é mais importante que religião, mas... Mas eles estão a mentir! Não havia mentira naqueles cartoons? Mas isto é uma provocação reles! Ele escreveu uma carta electrónica à LAE. Ajudei-o. Abracei-o. Não há guerra sem ferimentos.
quarta-feira
Diplomacia
Tenho um provisório colega no meu gabinete (que também é amigo), que é de Veneza, que anda a encher-me o gabinete de música. Consegui identificar Nina Simone e agora colocou música brasileira. Eu disse-lhe que estava a gostar muito. Em português, devagar, como agora costumo fazer para lhe engrandecer os horizontes linguísticos. "Cantano in brasiliano". "Bem, sim, é português do Brasil". "Io pensavo che fosse portoghese fino a quando ti ho ascoltato". Eu sorri e respondi "Va cagare!"
sexta-feira
Pela rua dourada
Caminhamos pela rua que de ontem para hoje ficou dourada. Um despertador arborícola soou em silêncio e ruborizou de amarelo-outono todas as folhas. Agora nevam por entre o ar ameno. O sol tem uma cor mais quente, ainda que não na pele e é possível ser feliz só pelo olhar.
O meu amigo tem rugas na testa.
- Não sei... Não sei... Parece que ela não compreendeu.
- Explicaste-lhe?
- Tudo claro.
- Então como é que ela não compreendeu?
- Disse desde o início que não posso viver aqui. Não posso! Eu vou-me embora e aí tudo acaba.
- Porquê? Não gostas dela? E se ela te quiser acompanhar?
- Não é possível.
- Porquê?
- NÃO É POSSíVEL!
- Porque é que não consegues viver sozinho, mas também não te comprometes?
- Não é assim tão fácil.
- Não? Se não fosses meu amigo deixava-te.
- Sempre a exagerares!
- Pois...
Abandono-me ao sol e às sensações da rua dourada. As pessoas são demasiadamente difíceis.
O meu amigo tem rugas na testa.
- Não sei... Não sei... Parece que ela não compreendeu.
- Explicaste-lhe?
- Tudo claro.
- Então como é que ela não compreendeu?
- Disse desde o início que não posso viver aqui. Não posso! Eu vou-me embora e aí tudo acaba.
- Porquê? Não gostas dela? E se ela te quiser acompanhar?
- Não é possível.
- Porquê?
- NÃO É POSSíVEL!
- Porque é que não consegues viver sozinho, mas também não te comprometes?
- Não é assim tão fácil.
- Não? Se não fosses meu amigo deixava-te.
- Sempre a exagerares!
- Pois...
Abandono-me ao sol e às sensações da rua dourada. As pessoas são demasiadamente difíceis.
terça-feira
Alho
O que se faz quando por distracção e falta de comunicação se acumula muito alho em casa?
Juntam-se os amigos a cozinhar vários pratos com alho, destrói-se a leveza do hálito e veêm-se filmes de vampiros.
Por coincidência escolheu-se um filme europeu e um filme americano. Num os caçadores de vampiros são cientistas meigos e distraídos. No outro são brutamontes assassinos. Num não se mata um único vampiro. No outro é uma matança. Num os vampiros são poeirentos, cultos e aristocráticos. No outro são cruéis e super-cool. Num goza-se com todos os clichés possíveis. No outro até o cliché é chacinado. Num o par romântico é no final transformado em vampiros e partem com o próprio chefe-matador para popular o mundo. No outro, o par romântico é transformado em vampiros e, depois de um abraço irmão, são avisados pelo chefe-matador que têm dois dias de avanço. Depois serão perseguidos como bestas.
Divertimo-nos com ambos.
Juntam-se os amigos a cozinhar vários pratos com alho, destrói-se a leveza do hálito e veêm-se filmes de vampiros.
Por coincidência escolheu-se um filme europeu e um filme americano. Num os caçadores de vampiros são cientistas meigos e distraídos. No outro são brutamontes assassinos. Num não se mata um único vampiro. No outro é uma matança. Num os vampiros são poeirentos, cultos e aristocráticos. No outro são cruéis e super-cool. Num goza-se com todos os clichés possíveis. No outro até o cliché é chacinado. Num o par romântico é no final transformado em vampiros e partem com o próprio chefe-matador para popular o mundo. No outro, o par romântico é transformado em vampiros e, depois de um abraço irmão, são avisados pelo chefe-matador que têm dois dias de avanço. Depois serão perseguidos como bestas.
Divertimo-nos com ambos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
