Nós somos os insatisfeitos
As promessas incapazes de cumprimento
Os que fazem as malas quando a vida é perfeita
Os que amam eternamente num momento
Os que partem corações, principalmente o seu
Os que só querem ser felizes
A vida está a apanhar-nos
Mas nós temos as almas ciganas
Nós somos a geração Z.
domingo
sábado
Tributo à geração Z
Eu.
A minha vida, os planos traçados ou não traçados, mas orgulhosamente só numa aventura chamada vida.
O egoísmo e a individualidade dá-me razão e caminho.
Selemos os destinos na solidão.
A única liberdade que importa é a da escolha.
A minha vida, os planos traçados ou não traçados, mas orgulhosamente só numa aventura chamada vida.
O egoísmo e a individualidade dá-me razão e caminho.
Selemos os destinos na solidão.
A única liberdade que importa é a da escolha.
sexta-feira
Religião, Portugal, Final Séc. XVIII
Em geral os portugueses observam com muito rigor o lado exterior da religião, talvez mais do que os espanhóis. Quem come carne na Quaresma tem mesmo de ser muito instruído. Ouvi com prazer uma vez que a questão foi lançada: seria maior pecado comer carne na Quaresma ou infringir o sexto Mandamento? A conclusão em termos gerais foi que o último pecado seria uma ninharia em relação ao primeiro. Não obstante, a nação e mesmo o povo mais vulgar não é tão fanático como em Espanha. Podia contar uma série de coisas a este respeito, mas contento-me apenas com algumas. Assisti em Setúbal a uma procissão onde dois capitães de navios, um inglês e um dinamarquês, ao passar o Espírito Santo não tiraram o chapéu. Ninguém se preocupou com o caso, apenas um marinheiro português perguntou: quem são aqueles ali com os chapéus na cabeça? São ingleses, fideputas, replicou o outro, e com o palavrão a coisa ficou resolvida. Quando o príncipe de Waldeck foi sepultado, ouvi dizer a um homem do povo: era um herege, mas um muito bom homem. Em seguida misturei-me com a multidão e não ouvi senão louvores e elogios ao amável Príncipe que foi precisamente levado para o cemitério protestante, soube mesmo que ele declinou o habitual convite para se tornar católico que lhe foi feito à hora da morte e verifiquei que, para meu grande espanto, esse acto obteve de um modo geral a aprovação de todos, na medida em que cada pessoa deveria viver e morrer na sua fé. O português considera qualquer estrangeiro um herege e é atencioso e prestável para com ele, chega mesmo a admirar-se quando vê estrangeiros católicos. Este traço mostra já como a nação, provavelmente em virtude do seu contacto com os ingleses, perdeu o seu fanatismo há muito tempo.
Em Notas de uma viagem a Portugal e através de França e Espanha, págs. 134-5, de Heinrich Friedrich Link, Biblioteca Nacional, Lisboa, 2005
Consequentemente
Apesar da boa lavoura a gente do povo é muito pobre e o motivo está à vista quando ao longe se avista a cidade [Coimbra em 1798]: a quantidade de conventos e igrejas.
Em Notas de uma viagem a Portugal e através de França e Espanha, pág. 193, de Heinrich Friedrich Link, Biblioteca Nacional, Lisboa, 2005.
quinta-feira
A morte da internet
Nos EUA anuncia-se um desastre internético: Vídeo na NetFreedom.
Será? Propagar-se-á? Devemos preocupar-nos?
Será? Propagar-se-á? Devemos preocupar-nos?
quarta-feira
Guerra de 1948 na Palestina, designada pelos Israelitas como Guerra pela Independência, designada pelos Palestinianos como O Desastre
Numa primeira fase desenrolou-se entre os judeus e os árabes da Palestina e numa segunda fase entre Israel e os países árabes limítrofes. Nesta guerra criaram-se milhares de refugiados palestinianos, situação que se mantém até hoje. Os palestinianos foram desde então ignorados pelos israelitas (até às intifadas, em que foi impossível continuar o exercício de ignoranço) e utilizados pelos árabes como desculpa para as suas estratégias políticas. Por um lado aos países árabes desagradava-lhes ter como vizinho um país não árabe que consideravam uma nova força intrusa do Ocidente e, por outro lado, tinham pretensões territoriais à Palestina. Aos israelitas era preferível ver na sua história a luta de David (Israel) contra Golias (os estados árabes), do que a luta pelo mesmo território de dois povos: um povo autóctone e um povo imigrante, ambos incapazes de aceitar o outro.
Irreversível
Resolvemos ver o filme Irréversible de Gaspar Noé com Monica Bellucci e Vincent Cassel (2002). Todos sabiamos da cena de violação que dura 9 minutos. Todos concordamos que neste ponto punhamos o filme em rápido e nos poupávamos a célebre cena choque. Pobres ingénuos. Quando se vai ao inferno não há zonas frias.Ainda o filme não tinha começado e eu só com o genérico já estava como quando estou na montanha russa, a fase da subida na expectativa enervante da descida. Não há imagem, são só as letras vermelhas a acenderem-se num fundo preto, com uma batida que promete pesadelo.
O filme começa no desenlace de toda a tragédia e anda para trás. O preto e o vermelho persistem. A vingança, a caça, a violação... Esta cena começa com Alex (Bellucci) a caminhar de costas. Sensual, fluida, o som dos saltos. Ela quer passar a estrada. Uma mulher diz-lhe que é mais seguro usar a passagem subterrânea. Ela fá-lo e o túnel é demasiado vermelho e longo. Acontece; nós passamos rápido a cena, mas para mim o pior foi o fim, pior que a violação. Não há palavras que possam descrever o horror da maldade ou o que para mim me surgiu como sacrificial. E este mote do sacrifício fortifica-se ao continuar-se para trás e ao conhecer Alex. Esta minha visão pode e será muito pessoal, mas Alex surge-me não só uma mulher, mas a essência da mulher. Tal como uma imagem fala por mil palavras, Alex incorpora as mulheres e é assim que o que lhe acontece me surgiu sacrificial, uma imolação da mulher. A imagem não me larga, o filme não me larga, o desconforto não me larga, Alex naquela imagem de volúpia em que conhece a sua gravidez não me larga.
Gostei imenso do filme como filme. É impossível dizer que gostei do inferno. Penso no dito de Oscar Wilde de que não há livros morais ou imorais. Só bons ou maus livros. Pois...
terça-feira
Vingança?
Sabem aquele meu amigo croata de que falo antes? Hoje telefonou-me animadíssimo. Arranjou um par de bilhetes para o Portugal - Irão! Deu-me a entender que é muito difícil arranjar bilhetes para o mundial e que vai ser fabuloso. Eu estou com medo. Será um complot para me fazer ter o pior dia da minha vida? Será que vai lá estar aquele louco do presidente deles? Será que posso mostrar os calcanhares? Será que eles sabem jogar futebol? Será que os portugueses vão perder ignominiosamente? Será que o Cristiano Ronaldo vai tirar a camisola?
segunda-feira
Novela
Menina muito gira, muito imatura, a fazer-se de loura, rodeada de moços babados.
Amigo meu croata perde o jogo para moço babado português.
Amigo meu croata vem chorar no meu ombro.
Eu digo-lhe que não fique assim, que os homens portugueses têm sex appeal poderoso. Não é culpa dele que os croatas sejam geneticamente mais virados para lutas fraticidas.
Amigo meu croata não acha piada.
Eu resolvo fazer de irmã mais velha e meter juízo na cabecinha tonta da menina imatura.
Moço babado português não acha piada.
Suspense para o próximo episódio: qual deles me vai cortar o pescoço primeiro?
Amigo meu croata perde o jogo para moço babado português.
Amigo meu croata vem chorar no meu ombro.
Eu digo-lhe que não fique assim, que os homens portugueses têm sex appeal poderoso. Não é culpa dele que os croatas sejam geneticamente mais virados para lutas fraticidas.
Amigo meu croata não acha piada.
Eu resolvo fazer de irmã mais velha e meter juízo na cabecinha tonta da menina imatura.
Moço babado português não acha piada.
Suspense para o próximo episódio: qual deles me vai cortar o pescoço primeiro?
Bush & Rumsfeld debaixo de fogo
Escândalos às dezenas: casos de corrupção, o desvendar do nome de uma antiga agente da CIA (ilegal) porque tinham uma trica com o marido, escutas ilegais autorizadas pelo presidente, mentiras sobre mentiras a descoberto e a pergunta que nos vem à cabeça é: como é que quase destituíram um presidente por ter recebido os favores sexuais de uma estagiária, algo que não afecta o governo do país, e o Presidente Bush continua placidamente pouco incomodado no poleiro? País estranho, os EUA.
Começou a cheirar a apuros com uma trupe de generais reformados que, em Abril, criticaram duramente o Secretário de Defesa Rumsfeld e pediram a sua demissão. Contudo, nos últimos dias, Bush e Rumsfeld receberam na cara as críticas e as perguntas que deveriam ter sido feitas há muito. A 1 de Maio, Stephen Colbert foi o protagonista de uma rábula brilhante no Jantar Anual de Correspondentes da Casa Branca, pondo a nú a Administração Bush e os próprios média, que em modo de auto-censura dão cobertura à presente administração. No dia 4, Ray McGovern, um antigo agente da CIA, encostou Rumsfeld à parede quanto às mentiras deliberadas relativamente às famosas, e não encontradas, Armas de Destruição Maciça. Fabuloso. Os americanos começam a acordar. Sai de cima, meeenina! :-)
Se não viram Stephen Colbert na sua rábula, por amor de Deus, é imperdível -> ligação, ligação!
No Truthdig, tudo sobre McGovern, incluindo o vídeo com o afrontamento a Rumsfeld. Vejam também a entrevista com Paula Zahn para apreciar a forma como os jornalistas tratam quem tem a coragem de afrontar os elementos deste governo Bush. Além disso, relativamente a Colbert, os média praticamente ignoraram-no e quando foram criticados por isso, a razão dada foi: ele não teve piada. Ok, alguém critica Bush na cara e não é notícia porque os jornalistas não se riram? Say it again!
Agora estou a imaginar que sou o Jon Stewart. Filho da puta, este gajo tem o trabalho mais fácil do mundo. Ele só tem que ficar à espera e aquela gente é tão incrivelmente bobo da corte que ele facilmente tem o programa feito. Em Portugal, os pobres do Contra-Informação têm que suar as estopinhas. Ninguém vai à caça e acerta na cara do amigo, o Sócrates não parece um retardado, nem diz que um dos seus ministros é a Virgem. A notícia é que o Freitas do Amaral chega ao fim do dia cansado e o Expresso na sua esperteza saloia escreveu: Freitas do Amaral cansado no MNE. E pimbas, grande confusão. Que seca. Se não fosse os EUA para nos entreter, o que seria de nós?
Começou a cheirar a apuros com uma trupe de generais reformados que, em Abril, criticaram duramente o Secretário de Defesa Rumsfeld e pediram a sua demissão. Contudo, nos últimos dias, Bush e Rumsfeld receberam na cara as críticas e as perguntas que deveriam ter sido feitas há muito. A 1 de Maio, Stephen Colbert foi o protagonista de uma rábula brilhante no Jantar Anual de Correspondentes da Casa Branca, pondo a nú a Administração Bush e os próprios média, que em modo de auto-censura dão cobertura à presente administração. No dia 4, Ray McGovern, um antigo agente da CIA, encostou Rumsfeld à parede quanto às mentiras deliberadas relativamente às famosas, e não encontradas, Armas de Destruição Maciça. Fabuloso. Os americanos começam a acordar. Sai de cima, meeenina! :-)
Se não viram Stephen Colbert na sua rábula, por amor de Deus, é imperdível -> ligação, ligação!
No Truthdig, tudo sobre McGovern, incluindo o vídeo com o afrontamento a Rumsfeld. Vejam também a entrevista com Paula Zahn para apreciar a forma como os jornalistas tratam quem tem a coragem de afrontar os elementos deste governo Bush. Além disso, relativamente a Colbert, os média praticamente ignoraram-no e quando foram criticados por isso, a razão dada foi: ele não teve piada. Ok, alguém critica Bush na cara e não é notícia porque os jornalistas não se riram? Say it again!
Agora estou a imaginar que sou o Jon Stewart. Filho da puta, este gajo tem o trabalho mais fácil do mundo. Ele só tem que ficar à espera e aquela gente é tão incrivelmente bobo da corte que ele facilmente tem o programa feito. Em Portugal, os pobres do Contra-Informação têm que suar as estopinhas. Ninguém vai à caça e acerta na cara do amigo, o Sócrates não parece um retardado, nem diz que um dos seus ministros é a Virgem. A notícia é que o Freitas do Amaral chega ao fim do dia cansado e o Expresso na sua esperteza saloia escreveu: Freitas do Amaral cansado no MNE. E pimbas, grande confusão. Que seca. Se não fosse os EUA para nos entreter, o que seria de nós?
sábado
O medo de morrer
Os meus pais têm medo de morrer. Não há nada que mais me aflija, que este medo que os rodeia. Queria podê-los proteger, mas sei que da mesma forma que eles não me puderam proteger da vida, eu não os poderei proteger da morte.
A morte para mim ainda não é medo. Ainda é fascinação. Deitada no silêncio da noite, ouço o meu respirar baixinho. Faço-o roufenho, magnifico-o, amplifico a cadência e imagino quando parar para sempre. Imagino aquele momento do último exalar. Imagino o último pensamento. Nisto adormeço.
A morte para mim ainda não é medo. Ainda é fascinação. Deitada no silêncio da noite, ouço o meu respirar baixinho. Faço-o roufenho, magnifico-o, amplifico a cadência e imagino quando parar para sempre. Imagino aquele momento do último exalar. Imagino o último pensamento. Nisto adormeço.
Inteligência da merdaleja
O edifício onde trabalho é inteligente. O edifício onde trabalho é uma merda. As persianas é que decidem quando fechar e abrir. Já aconteceu ser meio-dia e deixarem-me às escuras. Ou então tenho o sol a bater de frente no monitor e não acontece nada. Tem um sistema de ventilação que significa que a certa altura abrem-se uns orifícios na janela e uma portinhola acima da porta e é uma corrente de ar de fazer pneumonia. Isto inclui o Inverno. Com tanto buraco, no Inverno está frio (chego a andar de cascol), mas como é só vidros, no Verão é um forno. E isto é Norte de Alemanha onde calor, daquele de fazer suar, é muito de vez em quando. Agora imaginem. O que é que eles fazem nos dias de abafo a sério? Mandam-nos para casa. Juro. Ainda bem que não há muitos dias de calor senão o que seria da produtividade! Como eu sou uma tipa com imensa sorte, nesses dias ou estou de férias ou a fazer serviço fora. Só eu.
Eu queixei-me, outros queixaram-se, há meses! Recebemos ontem uma cartinha no correio electrónico. Srs. trabalhadores fizemos medições de humidade, temperatura e quejandos. O ambiente neste edifício está na gama de conforto. Resmunguei a manhã toda. Não aguentei. Tive de perguntar: essa gama de conforto é para os pinguins? Não me responderam. Eu estou fula! Segunda vou mandá-los à merda.
Eu queixei-me, outros queixaram-se, há meses! Recebemos ontem uma cartinha no correio electrónico. Srs. trabalhadores fizemos medições de humidade, temperatura e quejandos. O ambiente neste edifício está na gama de conforto. Resmunguei a manhã toda. Não aguentei. Tive de perguntar: essa gama de conforto é para os pinguins? Não me responderam. Eu estou fula! Segunda vou mandá-los à merda.
sexta-feira
O que é que as mulheres querem num homem?
Se por acaso estão a pensar que estou a ser incoerente com o meu poste "Geração sem guia" eu explico. O nú é natural. Na minha maneira de ver, o problema não está no nudismo. O problema está em carregar as imagens, por tudo e por nada, com uma carga altamente sexual. A criança lida bem com o nú e só passa a lidar mal devido aos tabús dos adultos. É o meu caso. Eu não vou à sauna, não consigo lidar de uma forma natural com o nú. Para castigo e provavelmente de uma forma justa apanhei com a alcunha "cato" (de católica). Para além da ironia que me acerta sendo agnóstica, isto demonstra o quanto somos a educação, mesmo que de uma forma racional consigamos em certa medida rearranjarmo-nos. Mas há limites.
quinta-feira
Geração sem guia
O tempo anda depressa. Com trinta anos, a minha idade de crescer pouco teve a ver com a da minha sobrinha seis anos mais nova e é de um país extra-terrestre comparada com a minha sobrinha dezassete anos mais nova. Sento-me no sofá ao lado da geração mais nova e peço-lhes que me expliquem o que estão a ver na televisão. É aborrecido. Não resisto. Pego numa revista. Que chata tia, estás sempre a ler!
As minhas sobrinhas, do que me é possível ver, são saudáveis, têm pais que lhes deram/dão apoio. Não será como as meninas deste artigo* que me deixou numa tristeza funda. A situação descrita é nos EUA, mas será só lá? Resumido: meninas no inicio da adolescência fazem sexo oral a colegas, vários numa mesma sessão. Parece que é uma moda. A cronista compara a sua idade de crescer com esta idade de agora e ainda que ela tenha uns 20 anos mais que eu, ela está mais perto do meu crescer. É habitual as pessoas ficarem surpreendidas com o saber das crianças. Sabem tudo. Nós não eramos assim, pois não? Só que o que aquele artigo me diz é o perigo de saberem demais de algo e de menos de outro. Sabem tudo sobre sexo, mas não sabem como o incorporar nas suas vidas. Sabem tudo sobre a mecânica e nada sobre o emocional. O segundo é normal, são crianças, adolescentes, estão a crescer. Contudo, com tanta informação, eles precisam dos pais presentes que lhes traduzam o que ainda não dá para compreenderem completamente. Antes, a sociedade era proibitiva, fechada, claustrofóbica. Contudo, tinha o positivo de serem os adolescentes a procurar e isto, de alguma forma, protegia-os de saber demasiadamente cedo. Agora com a informação a ser despejada literalmente sobre as pessoas, de tal forma que só fechando os olhos é que não se vê, se os pais não estão presentes para dar uma moldura à pintura, parece que pode acontecer o que é descrito no artigo. Crianças perdem a noção da realidade em programas aberrantes, como a MTV descrita aqui, que eu de vez em quando espreito como se estivesse a ver figuras circenses do século XIX, a mulher barbuda dos dias de hoje; crianças descompreendem as canções que têm letras destas:
Ain't my job
To fuck you on your birthday
Ain't my job
To fuck you on your birthday anymore
Mas isto é suave...
“You make a nigga wanna fuck your ass on the couch / While we’re still in the club, show your pussy love / Work that clit / Cum girl.”
Estas músicas são ouvidas por adolescentes. Eu sou adulta. Eu sei rir-me com as idiotices da MTV, a mim desgosta-me estas letras, eu não preciso de ser cool, as mulheres magrelas das revistas de moda não me afectam, não sou pressionada pelos meus pares, eu, afinal, tenho mais caminho percorrido. Eu sou eu, daquela forma que se alcança quando se é adulto.
Mas os adolescentes andam à procura deles mesmos e andam-se a perder e a aleijar-se. Talvez me engane. Talvez não seja assim. Talvez seja só na América. Se calhar estou fora. Mas se calhar até não e a única solução são os pais. Que chata tia, não percebes nada disto! Talvez não, mas faz-me triste.
* via Voz do Deserto
As minhas sobrinhas, do que me é possível ver, são saudáveis, têm pais que lhes deram/dão apoio. Não será como as meninas deste artigo* que me deixou numa tristeza funda. A situação descrita é nos EUA, mas será só lá? Resumido: meninas no inicio da adolescência fazem sexo oral a colegas, vários numa mesma sessão. Parece que é uma moda. A cronista compara a sua idade de crescer com esta idade de agora e ainda que ela tenha uns 20 anos mais que eu, ela está mais perto do meu crescer. É habitual as pessoas ficarem surpreendidas com o saber das crianças. Sabem tudo. Nós não eramos assim, pois não? Só que o que aquele artigo me diz é o perigo de saberem demais de algo e de menos de outro. Sabem tudo sobre sexo, mas não sabem como o incorporar nas suas vidas. Sabem tudo sobre a mecânica e nada sobre o emocional. O segundo é normal, são crianças, adolescentes, estão a crescer. Contudo, com tanta informação, eles precisam dos pais presentes que lhes traduzam o que ainda não dá para compreenderem completamente. Antes, a sociedade era proibitiva, fechada, claustrofóbica. Contudo, tinha o positivo de serem os adolescentes a procurar e isto, de alguma forma, protegia-os de saber demasiadamente cedo. Agora com a informação a ser despejada literalmente sobre as pessoas, de tal forma que só fechando os olhos é que não se vê, se os pais não estão presentes para dar uma moldura à pintura, parece que pode acontecer o que é descrito no artigo. Crianças perdem a noção da realidade em programas aberrantes, como a MTV descrita aqui, que eu de vez em quando espreito como se estivesse a ver figuras circenses do século XIX, a mulher barbuda dos dias de hoje; crianças descompreendem as canções que têm letras destas:
Ain't my job
To fuck you on your birthday
Ain't my job
To fuck you on your birthday anymore
Mas isto é suave...
“You make a nigga wanna fuck your ass on the couch / While we’re still in the club, show your pussy love / Work that clit / Cum girl.”
Estas músicas são ouvidas por adolescentes. Eu sou adulta. Eu sei rir-me com as idiotices da MTV, a mim desgosta-me estas letras, eu não preciso de ser cool, as mulheres magrelas das revistas de moda não me afectam, não sou pressionada pelos meus pares, eu, afinal, tenho mais caminho percorrido. Eu sou eu, daquela forma que se alcança quando se é adulto.
Mas os adolescentes andam à procura deles mesmos e andam-se a perder e a aleijar-se. Talvez me engane. Talvez não seja assim. Talvez seja só na América. Se calhar estou fora. Mas se calhar até não e a única solução são os pais. Que chata tia, não percebes nada disto! Talvez não, mas faz-me triste.
* via Voz do Deserto
quarta-feira
terça-feira
Foi firmada a coligação em Israel
No Haaretz.
Leram o artigo? Estamos muito não optimistas, não é? Enfim, o mesmo. Fico-me por uma citação, que continua actual depois de mais umas eleições.
Sistema eleitoral israelita
É evidente que o absurdo sistema eleitoral israelita já não é capaz de produzir maiorias funcionais e governos eficientes. Isto é reflexo somente da estrutura de caleidoscópio de uma sociedade fragmentada. Nestas condições, a tarefa árdua de produzir uma coligação, quase invariavelmente, produz um governo paralisado em equilíbrios políticos internos. O segundo governo de Sharon é um caso típico do enunciado. Em vez de servir como um meio de resolver o conflito palestiniano, ou mesmo outro qualquer conflito interno, o sistema político é tão disfuncional que se torna o maior obstáculo. O governo é incapaz de responder às ânsias de paz da população. Pois, independentemente das lealdades partidárias e de acordo com a maioria dos estudos, uma larga maioria dos israelitas apoiaria um acordo de paz baseado nos parâmetros de Clinton - dois estados, retirada dos territórios, grande desmantelamento dos colonatos, duas capitais em Jerusalém - mas eles não confiam nem no seu sistema político nem, claro, na liderança palestiniana para chegar a uma acomodação a esses parâmetros. O que talvez explique os resultados de uma sondagem realizada em 2002 pelo Centro Steinmetz para a Paz da Universidade de Telavive, que indicava que 67% dos judeus israelitas, convencidos da incapacidade do seu sistema político para produzir soluções, apoiariam uma acção americana para recrutar uma Aliança Internacional que coagiria as partes a aprovar tal acordo.
Em Cicatrizes de Guerra, Feridas de Paz. A Tragédia Israelo-Árabe de Shlomo Ben-Ami ("Scars of War, Wounds of Peace: The Israeli-Arab Tragedy", pág. 290, Oxford University Press, 2006)
Tradução minha
Leram o artigo? Estamos muito não optimistas, não é? Enfim, o mesmo. Fico-me por uma citação, que continua actual depois de mais umas eleições.
Sistema eleitoral israelita
É evidente que o absurdo sistema eleitoral israelita já não é capaz de produzir maiorias funcionais e governos eficientes. Isto é reflexo somente da estrutura de caleidoscópio de uma sociedade fragmentada. Nestas condições, a tarefa árdua de produzir uma coligação, quase invariavelmente, produz um governo paralisado em equilíbrios políticos internos. O segundo governo de Sharon é um caso típico do enunciado. Em vez de servir como um meio de resolver o conflito palestiniano, ou mesmo outro qualquer conflito interno, o sistema político é tão disfuncional que se torna o maior obstáculo. O governo é incapaz de responder às ânsias de paz da população. Pois, independentemente das lealdades partidárias e de acordo com a maioria dos estudos, uma larga maioria dos israelitas apoiaria um acordo de paz baseado nos parâmetros de Clinton - dois estados, retirada dos territórios, grande desmantelamento dos colonatos, duas capitais em Jerusalém - mas eles não confiam nem no seu sistema político nem, claro, na liderança palestiniana para chegar a uma acomodação a esses parâmetros. O que talvez explique os resultados de uma sondagem realizada em 2002 pelo Centro Steinmetz para a Paz da Universidade de Telavive, que indicava que 67% dos judeus israelitas, convencidos da incapacidade do seu sistema político para produzir soluções, apoiariam uma acção americana para recrutar uma Aliança Internacional que coagiria as partes a aprovar tal acordo.
Em Cicatrizes de Guerra, Feridas de Paz. A Tragédia Israelo-Árabe de Shlomo Ben-Ami ("Scars of War, Wounds of Peace: The Israeli-Arab Tragedy", pág. 290, Oxford University Press, 2006)
Tradução minha
segunda-feira
Conversa do castanho e do verde
Estávamos na varanda a observar os brotos das árvores. Uma semana mais e não conseguiremos ver o prédio em frente e nem seguir os eventos no ninho da pomba. "A minha última primavera na Alemanha.", suspiro eu nostálgica. "Portugal não é verde?", pergunta-me a vizinha lituana. "É castanho", lamento-me eu. "Como é na Nigéria?", pergunto ao namorado. "É muito verde onde não há pessoas e muito castanho onde as há".
Conversa que surgiu da homenagem Lisboa 1506
Um amigo meu alemão resolveu pedir à avó que lhe permitisse ler as cartas que ela recebeu do marido durante e após a II Guerra Mundial. Um mergulho na história da Alemanha e dele. O avô foi um juiz bem sucedido no aparelho nazi. Foi preso pelo exército soviético e acabou por morrer numa das suas prisões. A avó fugiu com as filhas pela mão, numa grande caminhada de terror à frente do exército soviético, do que é hoje Polónia para o que é hoje a Alemanha. Nunca conseguiu falar desses momentos. Segundo o que ele me disse, o avô nunca assumiu nenhum mal na sua conduta. Ele tinha sido, na sua consciência, um homem responsável, honesto, que tinha feito o seu dever para com a pátria e a família. O meu amigo falou-me de um livro que andava a ler de um Sebastian Haffner, um alemão com um começo de vida quase a papel químico da do avô. A mesma cidade, bairros parecidos, a mesma escola, a mesma formação. Contudo, um fugiu para a Grã-Bretanha antes da guerra e o outro tornou-se nazi. "Porquê?", pergunta-se*. As minhas perguntas são outras. Disse-lhe: "Eu quero saber como era a Alemanha antes da guerra por alguém que o viveu. Achas que esse livro pode responder-me?". "Sim, penso que sim. Mas tens que ter umas luzes da história da Alemanha." Ok, wikipédia.
* Lembrou-me o filme "Capote". A certa altura Truman Capote, o escritor de renome, diz de Perry Smith, o assassino: It's as if Perry and I grew up in the same house. And one day he went out the back door and I went out the front.
* Lembrou-me o filme "Capote". A certa altura Truman Capote, o escritor de renome, diz de Perry Smith, o assassino: It's as if Perry and I grew up in the same house. And one day he went out the back door and I went out the front.
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