quarta-feira
Conflito essencialmente geracional ou mental?
- Ah, faziamos um referendo a cada tres anos, mas agora fizemos uma pausa. Estamos 'a espera que morram os velhos.
- É? Em Portugal nao sei se será conflito geracional. Talvez... Mas dentro da gama dos letrados o conflito parece-me sem idade. É mais de mentalidade.
Bem visto
A pergunta não faz qualquer referência ao progenitor, conferindo no seu texto um poder absoluto à mulher grávida. A partir daqui, e para além do texto, é com a imaginação de cada um.
Mas, já agora gentes do NÂO, pq raio não incluem,na lei,a penalização para o pai que não quer que a mulher tenha o filho??? porque não penalizam com pena de prisão os pais q abandonam a mulher grávida?..."
vi aqui.
merda desta na minha caixa de correio é q nao
opinião em nome da convivência na mesma comunidade política. Ganhando o
Sim, a verdade é que esse equilíbrio compromissório se rompe.
Equilíbrio compromissório... Mas que equilíbrio existe hoje? Está-nos Luciano Amaral a dizer que os do Nao nao concordam com as actuais excepçoes 'a lei? Que já sao um compromisso?
Assim, a morte de fetos até 'as 24 semanas que a actual lei permite foi uma exigencia do Sim? Será este um compromisso aceitável, ou é aceitável porque sao fetos malformados? Se for eugenia o Nao aceita? Os do Nao fazem propostas de despenalizaçao para durante toda a gravidez. É este um compromisso aceitável perante a inviolabilidade da vida, que está na nossa constituiçao? LA num parentesis de inteligencia duvidosa diz-nos que nos EUA está que todos os cidadãos da república têm certos “direitos
inalienáveis”, nomeadamente a “vida, a liberdade e a busca da felicidade”, quando basta alguma informaçao para saber que para a lei americana um feto nao é um cidadao.
Vejamos, os do Nao podem comprometer-se nao só na inviolabilidade da vida humana, mas incluso vida humana sentiente, em casos particulares, de ética extremamente duvidável, num admirável mundo novo. Podem-se até comprometer num grau mais grave que o requerido na pergunta do actual referendo. Mas isto nao é um contra-senso aos seus fundamentos, é um compromisso fantástico.
Finalmente, não estou de acordo que o aborto seja despenalizado se feito
“até às dez semanas”, muito simplesmente porque é um limite (ou um limiar)
que não entendo.
Nao entende o Luciano Amaral. O LA quando nao entende, automaticamente nao concorda. Olha que estratégia mais inteligente... Inacreditavelmente burra num texto sobre compromissos!
Este texto só se admitiria no início da discussao. Agora, depois de tudo o que já foi argumentado, isto é de alguém que nao quis ver, nem ouvir. Isto é um texto de um autista intelectual, que acha que argumentar com os outros, ou simplesmente ler os outros com olhos de ler está abaixo de si. Nesta altura do campeonato isto é uma merda de texto. E merdas destas na minha caixa de correio é que nao. Spam abortavel (perdao pelo oximoro), fodas, poe-me mesmo chateada.
terça-feira
O Opel Manta
Eu, olhar "aaah?" - E?
Ele, olhar "tás a mangar?" - Um opel manta....
Eu, olhar "isto deve ser uma piada alema" - E?
Ele, olhar "nao tou a acreditar q ela n sabe" - os opel manta sao guiados por aqueles parolos estúpidos que deixam o vidro aberto e poem o cotovelo para fora e a música aos altos berros.
Eu, olhar "já tou a ficar entediada com isto" - E depois?
Ele, olhar pedante - Na Universidade! Achas que combina?
Eu, olhar divertidamente apontador - O que? Estás-me a dizer que nao há estúpidos na Universidade?
Ele virou costas e foi-se embora.
segunda-feira
Os defensores do feto (*adenda)
Depois do Marcelo Rebelo de Sousa, já outros, que fazem campanha pelo "Nao", vem a terreiro pela despenalizaçao do aborto, mas como nao dizem limites, parece que será por toda a gravidez.
Assim, os do Nao, que sao pelo feto, pretendem abrir as portas para a sua morte quando já sentirá que o matam. A mulher sai livre e descomprometida* mesmo que o que tenha feito já possa ser descrito por infanticídio. Depois do mal feito vamos ser muito compreensivos e tolerantes, prometemos. Pelo prisma da mulher, ela pode continuar a fazer abortos, desde que nao haja a possibilidade dela ter acompanhamento na decisao, desde que sejam clandestinos e ela arrisque a vida e a saúde. O que interessa é que seja longe da nossa vista. Notem bem: estes sao os que defendem o FETO e a mulher.
Eu neste momento sinto um grande nojo por esta gente. É só.
* Esperem. Nao é descomprometida. O dr. Villas Boas aplicava-lhe sançoes psicológicas (ele tem formaçao de psicologia), o dr. Daniel Serrao: "Para mim, seria suficiente chamar a mulher, fazer-lhe um discurso que a obrigasse a ponderar. Bastava que pedisse desculpa à sociedade para arrumar o assunto." ; os do Movimento "Nao obrigado" querem obrigar 'a ressocializaçao. Nota-se logo quando uma mulher vai abortar. Anda sempre tao dessocializada...
homens pela vida
domingo
Vejam bem:
2. "... se realizada, por opção da mulher". No mundo real, o que quer dizer esta parte da pergunta? Quer dizer que a concordância com a despenalização da IVG deve ser dada (apenas e só) no pressuposto de que ela seria realizada por opção da mulher. Basicamente, significa que se uma mulher for forçada a abortar por uma terceira pessoa, esse aborto é crime e essa tal terceira pessoa será punida. Quer dizer que, se fulano apanhar uma mulher grávida, a anestesiar e lhe interromper a gravidez, não poderá eximir-se respondendo que "o aborto foi despenalizado", precisamente porque graças à segunda parte da pergunta o aborto só é despenalizado se for por opção da mulher.
3. A verdade é que se aceitarmos que nenhuma mulher aborta apenas porque lhe apetece, somos obrigados a concluir que estas mulheres precisam de uma oportunidade. Oportunidade que lhes é negada ao manter o aborto ilegal. Enquanto o aborto for ilegal, nenhuma mulher poderá ir a um hospital, a um centro público ou à segurança social aconselhar-se, porque se o fizer estará a confessar uma intenção criminosa. Apenas sendo legal será possível dizer a cada mulher que há alternativas, que há imensas famílias que querem adoptar bebés, que há grupos de apoio, inclusivamente dizer-lhe que se vai sentir culpada para o resto da vida.*
Uma tão medida simples foi já avançada por Maria de Belém Roseira e Vital Moreira e é, ao que julgo saber, aplicada em alguns Estados dos EUA: obrigar a mulher a alguns dias de reflexão. Nesses dias, podem-se incluir sessões de esclarecimento, pôr a mulher em contacto com potenciais famílias adoptantes. Mas claro, até uma medida tão simples obriga a que o aborto seja legal.
Legalizar o aborto é o primeiro passo para adoptar medidas que o combatam. Só depois de devidamente estudado será possível desenhar as políticas correctas. Mas há que tirá-lo da clandestinidade para que possa ser devidamente estudado.
* Nao concordo. Penso que seria cruel e inútil. {ou talvez nao. Talvez seja mesmo melhor avisar que há mulheres que nao esquecem. Talvez este seja um daqueles arrependimentos que podem destroçar}
sábado
Estou comovida
sexta-feira
Imprescindível
Cuidado com os dogmas a que poem o selo ciencia
Carlos Fiolhais, físico
Sim, que este pessoal a usar a palavra ciencia nas suas hipocrisias poe-me fora de mim.
quinta-feira
Tenho um pó a gajas
«os defensores do «sim» são unilaterais, porque apenas defendem a mulher, enquanto que os do «não» são bilaterais, batendo-se pela mulher e pelo bebé», noticia a Lusa.
(...)
Nogueira Pinto indicou que «qualquer lei tem de ponderar o valor da vida humana», frisando que «quando se fala de violência sobre as mulheres tem de se ponderar outra violência, a de destruir um feto que é vida humana, como o demonstra a ciência».
Lei «alçapão»
Maria José Nogueira Pinto referiu que o maior problema da sociedade actual não é o da pobreza é o do abandono, para sustentar que «uma lei que deixa a mulher completamente sozinha na decisão de abortar é um alçapão para ela». «Com esta lei a mulher será exposta a mais pressões para abortar, por exemplo, pelo empregador que lhe promete uma promoção ou por qualquer outra razão», acentuou.
Deviam dizer a esta gaja que as mulheres nao precisam que ela se bata por nós. Muitas de nós, a maior parte de nós, até lhe pagavam para estar quietinha. Para além disso, esta gaja devia explicar como é que a lei actual acompanha e nao deixa completamente só a mulher. Além disso, gaja, um dos problemas da sociedade actual é gajos e gajas que querem enfiar pela garganta abaixo aos outros os seus valores morais. E gaja: até 'as 10 semanas nao há bébé, como o demonstra a ciencia!!!!!!!! Agarrem-me que eu bato-lhe.
Fui censurada (revisao**)
A este comentário:
Gostava de saber se os intervenientes já tiveram o prazer de assistir a uma ecografia às 6 ou 8 ou 10 semanas. Caso tenham oportunidade de o fazer, ouçam com atenção o coração que, embora pequeno, bate com força, com aquela força que nos faz sorrir e pensar como é perfeita a vida, do início ao fim. Gostava de lembrar que nao se trata apenas da saúde das mulheres, mas das oportunidades e direitos que todos temos ao ser concebidos.
E já que falam dos direitos das mulheres, da escolha, da opção e da enfadonha liberdade, peço que se lembrem que têm todos, temos todos antes de mais, o dever de pensar, reflectir e ser Responsáveis em todos os momentos.
Eu disse que antes das dez semanas nao há coraçao. Há um conjunto de células já diferenciadas para serem do coraçao que começam a actuar como se espera de uma célula do coraçao: a contrair e a relaxar. Isto dá um batimento, mas nao há um bombear de sangue feito por este proto-coraçao. Todos sabemos que o feto está em desenvolvimento. Além que nao é só o coraçao que faz a pessoa. Aqui eu disse ao comentador para livrar-se dos seus orgaos, excepto o coraçao e verificar se era capaz de cumprir o dever de pensar, reflectir e ser Responsáveis. Informei-o que era capaz de nao sobreviver 'a experiencia. ** Fui ler melhor e o sistema circulatório completa um circulo completo 'as 5 semanas, sendo aqui que o coraçao começa a trabalhar. Portantos estava enganada e há realmente um coraçao a bombear sangue. O coraçao e o sistema circulatório sao os primeiros a começar a trabalhar. O som do coraçao só é discernível com o uso de um instrumento de Doppler. O som que se ouve numa ecografia, a sua intensidade depende unicamente do instrumento. Pode soar fraco ou forte consoante o que o médico definiu no instrumento e consoante os ouvidos dos progenitores, que acho bem que fiquem excitados e felizes e imaginem tudo e o mais que quiserem. O problema nesta discussao toda é as pessoas imporem as suas fantasias pessoais nos outros. Estou a ficar cansada disto.
Isto é assim tao chocante? ProntoS, até posso ter tido mau gosto no fim, mas também nao exageremos.
A este poste e reagindo mais especificamente ao lamento d' "...a publicidade (apareceu nos dois diários...) ao caso dramático da paraplégica que ficou grávida porque a pílula falhou e foi abortar a Espanha por não querer que "uma comissão de ética decidisse sobre o seu corpo"?" eu disse que pela lei (aconselhei-os a ler a lei, pois digo-vos que eles ou nao sabem ou fazem que nao sabem) neste caso nao seria preciso que uma comissao ética se pronunciasse. As comissoes de ética sao supostas de intervir nos casos de malformaçoes. Só que os hospitais usam abusivamente das comissoes de ética, inclusive em casos de violaçao, deixando muitas vezes passar os prazos (provavelmente é esse o objectivo). Aí contei de dois casos de que eu tenho conhecimento, de duas mulheres que ficaram grávidas em condiçoes dramáticas: uma por incesto e outra por ser incapaz (é débil mental). Em ambos os casos, foi interposta uma comissao de ética que nunca se pronunciou. Os prazos foram ultrapassados e as duas crianças foram institucionalizadas por nenhuma das mulheres ter condiçoes de ficar com as crianças, nem haver ninguém da família que o quisesse ou pudesse fazer. E aqui chamei-os de ignorantes, de nao quererem saber a realidade e até insinuarem que histórias como a da sra paraplégica ou da menina de 14 anos contada pela Fernanda Cancio sao feitas a jeito.
A minha acusaçao fortaleceu-se. O que vai contra as fantasias daquela gente é censurado.
quarta-feira
Liberais, liberais, costumes 'a parte
«Se o "Sim" ganhar, ninguém vai impor nada a ninguém...»
Vai sempre, num caso ou noutro, as pessoas individualmente terão de viver numa sociedade que não se rege pelas regras que defendem.
Gabriel Silva | Homepage | 30.01.07 - 7:54 pm | #
Desconstruçao
p.s.: aquela "Carta 'a minha mae"... Sem palavras. É que nao penso que existam palavras para descrever o que aquele texto é. Estou, como diria o Marcelo Rebelo de Sousa, com uma indisposiçao, uma depressao, um estado de alma que nem sei.
p.s2: melhor ainda: deram as cartas a crianças de infantário. Se alguém me disser que um palhaço vestido de embriao anda a fazer uma tourné em Portugal eu já nao duvido.
terça-feira
Assim nao
Nao sei se ainda nao entenderam, mas até 'as 20 semanas o feto nao tem consciencia, nao sente dor, nao tem qualquer percepçao do mundo que o rodeia, do que é ou deixa de ser. Assim, para mim a liberalizaçao do aborto até 'as 10 semanas nao vai contra o princípio fundamental, para mim, de protecçao de seres sensíveis. Um feto de 10 semanas é vida, mas somente vida. Nao há sentir, quanto mais pessoa. Merece respeito por ser parte humana e por isso é importantíssima a educaçao para a responsabilizaçao na sexualidade. Como parte humana nao deve ser banalizado. Mas esta é uma questao moral individual, que a sociedade, todos nós actuamos ao nível educativo. Sejamos racionais e vejamos o que está em jogo. As vidas sentientes que realmente estao em jogo. Nunca percamos de vista os valores fundamentais de protecçao de quem nao deve nunca sofrer por moralismos, por hipocrisias, marcelices e suas relativas indisposiçoes cerebrais.
Verifico agora que a actual pergunta que vai a referendo é perfeita para mim. Protege o que deve ser protegido. Despenaliza quando ainda nao há pessoa, permitindo a escolha da mulher em condiçoes seguras. É isto que quero. De resto, quando há uma pessoa deve haver penalizaçao. Nao entendo os do "Nao", acho-os incoerentes, incompreensíveis, agora com o Sr. Marcelo, passei a achá-los imorais.
P.S.: e como mulher continuo impressionada com a forma como as minhas capacidades intelectuais, morais e de livre-arbítrio sao vistas pelos homens portugueses. Faz-me lembrar o que se le de tempos passados: a mulher infantil, incapaz, a mulher anjo e demónio, a mulher temível, mas que necessita também de protecçao. Em que tempo medieval viveis? Que mulheres é que conheceis? Nao entendo.
segunda-feira
Há vida inteligente em MRS?
versao gatos fedorentos
Nao existir
Entao cá vai:
Arremetida em lutas familiares que nao vou esmiuçar, desvelaram-me que quando eu estava em processo de construçao in uterus, o meu pai queria que a minha mae abortasse. Por esta altura, eu conhecia o meu pai intimamente. Nunca duvidei do seu amor por mim e pareceu-me descabido que algo que tinha acontecido antes de nos termos conhecido pudesse de alguma forma violentar a nossa relaçao. Comuniquei a irrelevancia do que me tinha sido dito e saí deixando os adultos nas suas infantis guerras.
Nunca a sensaçao de irrelevancia me abandonou, nao só no que o meu pai significa para mim, como se uma esposa fizesse uma cena porque o marido nao a amou antes de a conhecer, como a irrelevancia para a minha vida. Se eu nao tivesse nascido, nao tinha existido e nada. Há pessoas que diriam que eu teria sido assassinada. Para mim seria a nao existencia. Para mim nao existir e morrer nao é a mesma coisa. Relativamente ao que eu era nessa altura em que o meu pai duvidava, a discussao parece-me tao descabida como discutir o sexo dos anjos.
Eu votaria "sim" se pudesse, os meus pais disseram-me que votam "sim". Para mim, tem mais relevancia pensar nos que existem, nos que sentem, nos que tem consciencia, com tudo o que isso implica. Muitas vezes eu sinto, num amargor de coraçao, que se pensa mais no que nao existe, poderia existir ou no abstracto, do que nas pessoas de carne e osso. Eu sou pela pequena janela de oportunidade que este referendo dá, para a livre escolha da pessoa que está viva ao meu lado. Da mesma forma consciente e relevante que eu e o meu pai nos amamos porque ambos existimos. O resto é para o caso de eu querer escrever um livro de ficçao.
Convite para a vida
P.S.: já agora, isto é verdade?: O secretário-geral do PCP acusou sábado «as forças pró-não» no referendo do aborto de demagogia ao defenderem maior apoio à família, já que estiveram silenciosas quando a reforma do Código do Trabalho reduziu a licença de maternidade, escreve a Lusa.
«Onde estavam quando a reforma do Código do Trabalho promovida por Bagão Félix, ele próprio defensor do Não, veio reduzir a licença de maternidade e o carácter universal do abono? Só me dais desgostos.
domingo
Porque sim, pá
sábado
sexta-feira
leiam isto
Escolhas
Coisas que nao entendo
A vida é uma viagem que aceito sem condiçoes
Capitão Romance
Ornatos Violeta
Não vou procurar quem espero
Se o que eu quero é navegar
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar
Parto rumo à primavera
Que em meu fundo se escondeu
Esqueço tudo do que eu sou capaz
Hoje o mar sou eu
Esperam-me ondas que persistem
Nunca param de bater
Esperam-me homens que desistem
Antes de morrer
Por querer mais do que a vida
Sou a sombra do que eu sou
E ao fim não toquei em nada
Do que em mim tocou
Eu vi
Mas não agarrei
Parto rumo à maravilha
Rumo à dor que houver pra vir
Se eu encontrar uma ilha
Paro pra sentir
E dar sentido à viagem
Pra sentir que eu sou capaz
Se o meu peito diz coragem
Volto a partir em paz
Eu vi
Mas não agarrei
quinta-feira
jogar a feijoes
A Helena matutou no que vai ser levado a referendo a 11 de Fevereiro. Vale sempre a pena ler os matutos da Helena.
P.S.: encontrei um excerto soberbo de outro texto do JPP [o anterior]. Digamos que existe uma melhoria de opiniao prós meus lados relativamente a este senhor. Demonstra uma sensibilidade aguda do que significa o aborto para as mulheres. Estou quase a admirá-lo. Poramordedeus, que venha o dia onze depressa!
P.S.2: Falei cedo demais. Parece que o JPP no que falta do tal texto faz a sua habitual moralizaçao. Aquela que chateia até dar mosca. E os do "Sim" estao danados. Nao me apetece fazer as ligaçoes, mas em caso de interesse por ler despeitados: "arrastao" e "cinco dias". Nao sao textos interessantes, mas deram-me pelo menos o descanso de que o JPP continua a mesma pessoa que eu posso nao gostar calmamente.
quarta-feira
O grito no monte
Confesso que procuro respostas. De novo estarei profundamente enganada. Poderei estar enganada de muitas formas; nem respostas, só perguntas, nem perguntas.
Depois do acto de escrever importar-se-á o escritor com o que acontece com o livro? Pensará como é que estará a ser interpretado? Se alguém lhe captará o significado, se alguém lerá o seu espectro?
Importo-me eu como vós interpretais as minhas frases? Nao. Mas há algo na escrita, como um grito num monte que faz eco no vale, que nos liberta de algum do peso. Nada resolvido, nada respondido, mas a sanidade mantém-se por mais um tempo.
terça-feira
Caso de estudo: as pessoas felizes sao intrometidas

No artigo Why danes are smug: comparative study of life satisfaction in the European Union.
Se tem preguiça de ir ler eu digo-vos a razao dos dinamarqueses serem os mais satisfeitos: sao optimistas, satisfeitos com o que tem. Agora reparem bem a "pole position" dos portugueses. É que só reclamais!
segunda-feira
aqui vai, caríssima
e toda a gente acha que sou incrível e parece que
neste meu papel de incredibilidade nao consigo
enquadrar-me no mundo.
Poderia concluir que nao há lugar no mundo para os incríveis.
Mas isso parece-me mal.
Eu pareço incrível, mas só sou estuque a cair sobre a cabeça das pessoas
que acham incrível que haja estuque a cair do céu.
Beijos.
Assim se dizia, em Abril de 1982
Assim publicou, o Diário de Lisboa, a 5 de Abril desse ano, a resposta de Natália Correia em forma de poema:
Já que o coito, diz Morgado,
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varao
sexual petisco manduca,
temos na procriaçao
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusao
de que o viril instrumento
só usou, parca raçao!
uma vez. E se a funçao
faz o órgao, diz o ditado,
consumada essa excepçao,
ficou capado o Morgado.
Recebido por meile (sim, eu gosto desta palavra, ninguém tem nada a ver com isso e vao mas é salazarar pra outro lado).
A boa vontade dos apaixonados
P.S.: Da maneira que isto anda, sinto-me numa festa em que está tudo bebado, excepto eu. Felizmente ando a ler o último livro do António Lobo Antunes.
domingo
say no

ceguetas, cliquem para aumentar
mais aqui
POsso também intitular este poste como "as várias facetas de um nao", tornando mais claro que estou de uma forma macarrónica de mistura de tudo o que me vai na cabeça, a pensar no referendo. Perdoem-me, ando a ler o último romance do António Lobo Antunes.
sexta-feira
Cabroes
Oh sr cónego
p.s.: e uma excomunhao prós juízes ali de cima? Arranja-se?
quarta-feira
Caso Torres Novas
Talvez a publicidade deste caso venha sensibilizar os adoptantes para o perigo da entrega directa de uma criança. Normalmente nao há problemas, mas precavenham-se e cumpram os tramites legais em que a mae efectivamente passa a criança. Porque se houver alguem que se lembre de opor-se é este nó. A família biológica tem muito poder na legislaçao para menores.
E a próxima vez que me irritar respiro dez vezes.
----------------------
p.s.: um daqueles casos em que deviamos ter estado calados. -> Texto Integral do Acórdão.
Obrigado.
terça-feira
A estúpida procura da felicidade
Tanto mundo lá fora

Selecçao da Human Rights Watch para o seu relatório de 2007.

O melhor de Elliott Erwitt, na Magnum.
sexta-feira
quinta-feira
Anedotas do Leste
Na Roménia dois homens estao numa bicha para comprar pao. Após horas um deles impacienta-se: "Estou farto disto, deste sistema! Vou matar Ceausescu!". E vai-se embora. Duas horas depois retorna. "Entao? ". "A bicha lá ainda é mais comprida que esta."
- Alembradas de um documentário sobre o humor no leste europeu.
quarta-feira
Assino por baixo
p.s.1: Como o CAA do mesmo blogue afirma, esta é uma questao a jusante do actual referendo. Eu votaria "sim" (nao posso votar que sou emigra); contudo, sou contra a tomada de responsabilidades colectivas, com excepçao no caso de perigo para a saúde da mulher, quer física quer psíquica. Por alguma razao se há-de chamar Sistema Nacional de Saúde. Que o SNS hoje se responsabilize pelas consequencias do aborto clandestino é exactamente na defesa da saúde de quem a tem em perigo. O "sim" neste referendo serve exactamente para eliminar esta situaçao.
p.s.2: argumentário liberal contra o direito fundamental ao aborto - 2
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"
Na pergunta nao se define a participaçao do SNS, pelo que posteriormente, em caso de "sim", este nao poderá ser visto como apoio ao aborto no SNS.
Que o governo, na pessoa do ministro da saúde, esteja a realizar a política da asneira concordo, mas a oposiçao a essa asneira nao pode ser feita 'as custas do "sim" a uma pergunta que nao inclui a asneira.
terça-feira
Babel

Babel, o filme, é como entrar numa loja de bric-brac: muita coisa, muita pantomineirice, muita parra... mas lá pelo meio há descobertas, por entre movimentos pode ser que se aviste algo que valha mesmo a pena. E sim, há coisas no filme que valem a pena, nem que seja a sensaçao com que se fica quando se sai da loja, de uma procura que deu gosto, ainda que o dono da loja tenha andado atrás de nós a manipular-nos claramente. Estas coisas prefiro-as subtis.
O filme nao é exactamente descomunicaçoes linguísticas. É nao existir comunicaçao. Mesmo quando se fala a mesma língua. Cada partícula aninha-se em si mesmo e nao fala e nao ouve. Os turistas americanos olham pelas janelas do autocarro um mundo estranho. O casal discute e anseia. Os marroquinos seguem com os olhos e os pés os estranhos americanos. Os americanos temem os mexicanos e estes os americanos. A rapariga japonesa vive isolada na sua língua. O pai nao fala com o filhos. O polícia e o condutor provocam-se. O filme nao é Babel, nao é a cidade das muitas linguas num sítio. O filme sao tres histórias e cada um fala para dentro. Na Babel a compreensao nao vem pela boca.
No fundo, no fundo, Babel que dá a ideia de um vasto cenário, é um filme limitado a um universo muito mais pequeno: ao de cada indivíduo, 'a sua noite e 'as luzes que a iluminam. E isso, para cada um de nós, nao é 'a distancia de continentes. E' na distancia de um abraço, de um beijo, de maos a tocar-se, de lágrimas vertidas sobre quem se quer mais que 'a vida.
P.S.: vi a apresentaçao do filme de que falas. Pareceu engraçado. Ficamos a saber a razao do bigode do Hitler. O uso do humor nao é em princípio contrário a tema algum. Bem pelo contrário. É nos assuntos mais difíceis que o humor pode abrir portas de discurso que nao se consegue de outra forma. Contudo, ainda nao vi o filme e nao sei ainda o seu valor. Hitler nao deve ser tema tabu, muito menos na Alemanha. Eu penso que os alemaes precisam destes filmes e nao se ponham com teorias de que estao a tentar limpar a imagem do facínora. Vejam isto como catarse e tentem fazer o mesmo relativamente aos vossos fantasmas.
segunda-feira
Interrupçao da Gravidez: a lei actual
CAPÍTULO II
Dos crimes contra a vida intra-uterina
Artigo 140.º
Aborto
1 - Quem, por qualquer meio e sem consentimento da mulher grávida, a fizer abortar é punido com pena de prisão de 2 a 8 anos.
2 - Quem, por qualquer meio e com consentimento da mulher grávida, a fizer abortar é punido com pena de prisão até 3 anos.
3 - A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos.
Artigo 141.º
Aborto agravado
1 - Quando do aborto ou dos meios empregados resultar a morte ou uma ofensa à integridade física grave da mulher grávida, os limites da pena aplicável àquele que a fizer abortar são aumentados de um terço.
2 - A agravação é igualmente aplicável ao agente que se dedicar habitualmente à prática de aborto punível nos termos dos n.os 1 ou 2 do artigo anterior ou o realizar com intenção lucrativa.
Artigo 142.º
Interrupção da gravidez não punível
1 - Não é punível a interrupção da gravidez efectuada por médico, ou sob a sua direcção, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido e com o consentimento da mulher grávida, quando, segundo o estado dos conhecimentos e da experiência da medicina:
a) Constituir o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida;
b) Se mostrar indicada para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida e for realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez;
c) Houver seguros motivos para prever que o nascituro virá a sofrer, de forma incurável, de doença grave ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, comprovadas ecograficamente ou por outro meio adequado de acordo com as leges artis, excepcionando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo;
d) A gravidez tenha resultado de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas.
2 - A verificação das circunstâncias que tornam não punível a interrupção da gravidez é certificada em atestado médico, escrito e assinado antes da intervenção por médico diferente daquele por quem, ou sob cuja direcção, a interrupção é realizada.
3 - O consentimento é prestado:
a) Em documento assinado pela mulher grávida ou a seu rogo e, sempre que possível, com a antecedência mínima de 3 dias relativamente à data da intervenção; ou
b) No caso de a mulher grávida ser menor de 16 anos ou psiquicamente incapaz, respectiva e sucessivamente, conforme os casos, pelo representante legal, por ascendente ou descendente ou, na sua falta, por quaisquer parentes da linha colateral.
4 - Se não for possível obter o consentimento nos termos do número anterior e a efectivação da interrupção da gravidez se revestir de urgência, o médico decide em consciência face à situação, socorrendo-se, sempre que possível, do parecer de outro ou outros médicos.
Contém as alterações introduzidas pelos seguintes diplomas:
- Lei n.º 90/97, de 30 de Julho
Consultar versões anteriores deste artigo:
- 1ª versão: DL n.º 48/95, de 15 de Março
foi-me mandado pel'o timoneiro perdido.
o Ausente
final que nos escapa e perseguimos
como sombra de um pássaro pela vereda:
não mais quero buscar-te.
Vibrarei sem quase olhar a minha flecha,
se a corda do coração não estiver tensa:
o mestre d’arco zen assim me ensina
ele que há três mil anos Te observa.
Cristina Campo (1923-1977) -> X
domingo
Mal empregado

de José Bandeira
Um homem que se interessa pelos lagos de metano num satélite de saturno? Isso é que era bom!
sábado
sexta-feira
No fio da navalha
Os cheios de vida
como em espanha, portanto, permitindo-se às mulheres que abortem 'a pedido' até às 12 semanas alegando razões de saúde psíquica? é mesmo isso que estas pessoas querem? é isto que querem dizer?
teremos pois de concluir que para estes defensores do não, a proposta referendária peca por dois motivos: prazo demasiado curto e excesso de honestidade. nenhum problema, então, em que as mulheres abortem até às 10 semanas (estes queridos até acrescentam duas de bónus) desde que pareça que não é por decisão delas.
a não ser, claro, que quem assim argumenta esteja a apostar no que é óbvio -- uma lei em vigor há 23 anos e há 23 anos aplicada de uma determinada forma nunca será aplicada de outra maneira.
que tal serem mulherzinhas e homenzinhos e assumirem, de uma vez por todas, o que realmente querem e o que realmente os apavora?
Este pessoal do "nao" enterra-se a um ritmo que os do "nim" ainda os hao-de ter de salvar e fazer-lhes boca-a-boca. Eu por mim, que geralmente ando pelo "nim" e vou ouvindo os dois lados, ainda nao li nada de geito do lado deles e nao me apetece nada salvá-los (sendo o salvamento aqui, o limpar um pouco da vergonha das suas racionalizaçoes).
Ontem li no Público sobre um agrupamento de humanos pós-parto que sendo pelo "nao", se declarava de pró-vida. Seguramente eu partilho algumas ideias deles e seguramente nao partilho doutras. Um dia destes escrevo aqui a minha posiçao sobre o assunto, que eu sendo pró-escolha e pró-vida (sendo esta última redundante já que praticamente todos nós somos pró-vida, seja qual for a nossa resposta no referendo), também tenho os meus pontos em comum com os defensores do "nao" e também eu prioritarizei sensibilidades.
O que a mim me chateia nesta gente é a hipocrisia e a desonestidade. Nesta discussao dizer-se pró-vida, colocando-se isso em contra-ponto com os que nao concordam com eles, é ofensivo. Eu pelo menos sinto-me ofendidíssima. No mesmo nível de repulsa com que me sinto quando vejo as senhoras com as barrigas expostas e dizeres "esta barriga é minha", como se estivessemos a discutir fisiologias, numa reduçao do ser-humano e, por arrastamento, do que é viver numa sociedade. Eu nao me bato pelo direito absoluto. Nao há direitos absolutos. Quem os quiser deve mudar-se para uma ilha e morar sozinho.
Dizer-se pró-vida neste ambito é tao significativo como ser-se pró-atmosfera ou pró-entropia. Isso só tem significado como insulto. Considero-me insultada e cada vez menor é o meu respeito por esta trupe cheia de vida, mas falha de juízo.
quinta-feira
ou sou delicada na dor
ou sou respeitosa na dor
ou sou ciosa na dor
há a perda e a ausencia
partilhar a ausencia e a dor
é contaminá-la
no momento do adeus
o adeus é de mim para ti
que já aqui nao estás
é entre mim e eu
que vou viver sem ti
mas nunca entre a minha dor
e os outros
a minha dor e a tua ausencia
serao fieis no adeus
nao há convençao
nao há expectativa
nao há imposiçao
nao há nada de fora que me vá retirar do nosso adeus
porque, e já dizia alguém antes de mim,
a morte nao existe
só existe eu que morro e tu que morreste.
quarta-feira
O lar
Aqueles lugares que reflectem e legitimizam a nossa visao interior servem-nos de lar. Esse lar nao é necessariamente o local que nos serve de casa ou onde depositamos as nossas roupas. Falar de lar em relaçao a um edifício é simplesmente reconhecer a sua harmonia com a nossa própria cançao interior. O lar pode ser um aeroporto ou uma biblioteca, um jardim ou um restaurante 'a beira da auto-estrada. O nosso amor por um lar é um reconhecimento de até que ponto a nossa identidade nao é auto-determinada. Precisamos de um lar no sentido psicológico tanto quanto precisamos de uma casa no sentido físico: para compensar uma vulnerabilidade. Precisamos de um refúgio onde colocar os nossos estados de alma, porque tanto do mundo é oposto 'as nossas causas. Precisamos do "nosso cantinho" para que nos alinhemos com as versoes desejáveis de nós e para manter viva a nossa parte importante e evanescente.
Provavelmente foram as grandes religioes mundiais que mais pensaram o papel do que nos rodeia na determinaçao da identidade e assim - ainda que raramente construindo locais onde facilmente pudessemos adormecer - mostrando a maior das simpatias pela nossa necessidade de um lar. O princípio fundamental da arquitectura religiosa tem as suas origens na noçao que onde estamos determina de forma crítica o que somos capazes de acreditar. Para os defensores da arquitectura religiosa nós, ainda que muito convencidos intelectualmente do nosso compromisso com os ditames do credo, só permaneceremos fieis a essa devoçao se esta for continuamente afirmada pelos nossos edifícios.
The Architecture of Happiness, Alain de Botton, Pantheon Books, NY, 2006, págs 107-108.
Traduçao minha.
O caminho da vergonha
A execuçao do Saddam Hussein é mais um passo no caminho da vergonha. E ainda relativamente ao Saddam Hussein, o seu julgamento já tinha sido um passo, o processo de apelo mais um passo apressado e as suspeitas que ficam mais uns tantos. Os americanos continuam a afundar-se em erros de julgamento, pensando que a morte do ex-ditador iria acalmar o conflito sectário.
Entre tanta morte e miséria, será que alguém vai aprender algo neste caminho de lodo? Ou vai esta civilizaçao ocidental ignorar as nódoas no que é hoje a fantochada dos seus ideais? A execuçao do Saddam Hussein nao prenuncia respostas positivas.
P.S.: temos novo secretário geral das naçoes unidas. Pensei que a quota de idiotas estava preenchida, mas infelizmente há sempre lugarzinho para mais um.
terça-feira
domingo
Entao um bom 2007 pró pessoal
honey, moby {not the whale}
p.s.: agora pergunta um: o que é que este vídeo tem a ver com passagens de ano? Este vídeo é o meu 2006 e boom! venha o novo. Eu hoje tou tao fixe que explico estas coisas.
sexta-feira
O direito de, em Portugal, só ter de saber portugues
quinta-feira
Informaçao?
Fazer é comprar
P.S.: dos que leem no wc pareceu-me coerente que lessem o expresso. Contudo, a minha amostra nao é de forma alguma exaustiva e inclui-me, o que limita enormemente conclusoes definitivas.
domingo
sábado
Sim, eu sou o homem dum só poema
dum só amor
duma só vida.
E no entanto cada dia de poesia
cada noite de amor
cada ano de vida
conduzem o homem fiel
a um homem novo.
Os degraus se assemelham
mas a cada um deles
eu estou um pouco mais alto.
Subo sem parar
no coração duma torre
subo para o fogo
para a idade do sol.
À hora do cimo
eu mereço o mar
e o céu num grito
me veste de luz.
Poeta: Pierre Boujut (1913-1992) -> X
Dedicado ao bloguista das quatro personalidades, que me vai ouvindo as fragilidades do ser.
sexta-feira
E como um blogue é para desabafar:
Pessoas de consciência
(...)
Mas será o referendo sobre os direitos das Pessoas, neste caso especificamente das mulheres? Em rigor, não. O referendo é sobre a despenalização, o que não invalida a punição do aborto depois das 10 semanas (tem que haver sempre uma fronteira, por arbitrária que possa parecer nos casos limite -10 semanas e 1 dia -, exactamente como na idade do consentimento, por exemplo - x anos e um dia). Não invalida tão-pouco que continue a existir o problema moral e ético referido acima. Problema ético e moral que deve ser resolvido pela consciência de cada uma das Pessoas autónomas que se vejam confrontadas com o problema. Incluindo as mulheres que, ganhando o sim, nunca serão obrigadas a interromper a gravidez (mas é mesmo preciso explicar isto?) se forem radicalmente contra o aborto. (...)
Miguel Vale de Almeida n'Os Tempos Que Correm
quinta-feira
Serviço Público
Exemplo:
Portuguese was the first language that use the "u" vocal. Thanks to this, several vocabulary innovations were possible. Here are some examples:
- Cows could say mooo for the first time;
- Mad cows could say wohooo for the very first time;
- Foo Fighters could have their name;
- Powder exploded for the first actually sounding like boom;
- You would never exist.
Islam (pronounced "I slam," as in "I slam planes into buildings") is a fellowship of Islamism. The term Islam is derived from the ancient Urdu word "Ishamada" which means "nitroglycerin."
Ainda outro exemplo:
O brasao da Roménia.
quarta-feira
A piada batida
P.S.: agora que fui tratar de fazer ligaçoes dei-me conta que sao só dois. Nota mental: nao escrever postes quando estou entediadíssima. Fico rabugenta.
terça-feira
Lei para enfeitar
A incoerencia, como sabemos, é ainda pior: num certo desrespeito pelo que é a justiça e para que servem os juízes, os defensores do nao pretendem que os juízes esqueçam a lei e sejam uma espécie de agentes sermoneantes 'as prevaricadoras, que, segundo eles, mataram pessoas, mas taditas. Li, de um senhor que defende o nao, que a lei é reflexo de quem somos como uma sociedade. Concordo: uma sociedade que quer as leis só pra enfeitar, é mesmo nós. Porque, e esta já ouço há muito, Portugal tem da melhor legislaçao no mundo!... Para por na árvore de Natal.
desilusao
e a tristeza foi-me cobrindo como noite
ao adormecer estava fria
ao acordar estava morta
segunda-feira
domingo
sem piadinha nenhuma, 1, 2 e 3
sem opçoes 2
mas há sempre uma luz no fundo do túnel
Traduçoes:
haie = tubarao
tiger = tigre
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já tou morto por dentro {os lemingues sao aqueles bichos com a mania do suicidio em grupo}
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uma lampada e um rolo de papel higiénico vazio?
um kit "luz no fundo do tunel". feliz natal.
obrigado?
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Nicht Lustig {o nome dos livros} = Sem piada
sábado
sexta-feira
There’s a beauty here I cannot deny
Orpheus de David Sylvian
Standing firm on this stoney ground
The wind blows hard
Pulls these clothes around
I harbour all the same worries as most
The temptations to leave or to give up the ghost
I wrestle with an outlook on life
That shifts between darkness and shadowy light
I struggle with words for fear that they’ll hear
But Orpheus sleeps on his back still dead to the world
Sunlight falls, my wings open wide
There’s a beauty here I cannot deny
And bottles that tumble and crash on the stairs
Are just so many people I knew never cared
Down below on the wreck on the ship
Are a stronghold of pleasures I couldn’t regret
But the baggage is swallowed up by the tide
As Orpheus keeps to his promise and stays by my side
Tell me, I’ve still a lot to learn
Understand, these fires never stop
Believe me, when this joke is tired of laughing
I will hear the promise of my Orpheus sing
Sleepers sleep as we row the boat
Just you the weather and I gave up hope
But all of the hurdles that fell in our laps
Were fuel for the fire and straw for our backs
Still the voices have stories to tell
Of the power struggles in heaven and hell
But we feel secure against such mighty dreams
As Orpheus sings of the promise tomorrow may bring
Tell me, I’ve still a lot to learn
Understand, these fires never stop
Please believe me, when this joke is tired of laughing
I will hear the promise of my Orpheus sing
quinta-feira
ele estava sentado num terraço noruegues
o fiorde a espraiar-se
tinha na mao um charuto
e conversava com anjos
eu estava de fora da cerca
tentei chamar-lhe a atençao
eu esbracejei
gritei baixinho
a medo
eu saltei
fiz caretas
cantarolei
os anjos olhavam-me pelo canto do olho
aborrecidos
esperando que eu desistisse
deus foi muito melhor a ignorar-me
quarta-feira
terça-feira
sábado
O Curdistao iraquiano em fotos movimento
P.S.: também adorei o de Cuba.
P.S.2: quase chorei no "Friends for Life".
Desaire
ia bebado, vomitou na sacristia e foi expulso em eternidade
agora, diz ele pesaroso, vou ter que continuar ateu
sexta-feira
naufragou
e aportou na areia
ignoram-lhe os mastros
quebrados, rasgados
a dor que se cheira
a léguas
de vez em quando um suspiro
uma angústia estrebucha
debaixo das vagas mágoas
o choro sangra devagar
ignoram-lhe o desespero
o mar adoça o amargar
ignoram






